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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Boa noite, amor

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A presença de Francisco Alves no rádio está marcada por esta valsa, prefixo e sufixo de suas audições. Além de gravada por ele duas vezes - em 1936 e 1950 -, a canção tem, na condição de prefixo, outras gravações suas de programas radiofônicos, como o realizado no Largo da Concórdia em São Paulo, em 26.09.52, que foi o último de sua vida.
No dia seguinte, um sábado, um caminhão que trafegava pela Via Dutra, à altura de Pindamonhangaba, chocou-se violentamente com seu automóvel, um Buick azul, tendo o cantor morte instantânea.
Chico, que não gostava de viajar de avião, estava com uma certa pressa de chegar ao Rio, a fim de se apresentar descansado em seu programa na Rádio Nacional, domingo ao meio-dia. (Curioso o horário desse programa, sempre anunciado pomposamente pela locutora Lúcia Helena: "Ao se encontrarem os ponteiros na metade do dia...").
"Boa Noite Amor" é a mais conhecida composição da dupla José Maria de Abreu e Francisco Matoso, sendo típica de um pianista (Abreu), como se percebe pelo detalhe harmônico nos compassos 13 a 16 ("Se eu souber que o sonho teu / foi o mesmo sonho meu...") de preparação à idéia principal, que é explorada de três maneiras diferentes. Tem também uma introdução cantada, o recitativo, marcante na obra de José Maria de Abreu e provavelmente herdada da música americana.
Já a letra, de Francisco Matoso, sobre uma despedida apaixonada, não foge ao trivial romântico da época. "Boa Noite Amor" teve uma gravação importante em 1972, que encerra emocionalmente o disco do ano de Elis Regina, em brilhante arranjo de César Camargo Mariano (ao piano), com orquestra de cordas. Embora pouca gente saiba, "Boa Noite Amor" possui uma letra em inglês, de Maria C. Rego, editada pela Vitale ("Good-night sweetheart / my love divine / my dreams belong to you...").

Boa noite amor (valsa) - 1936 - José M. de Abreu e Francisco Matoso-- clique para ouvir amostra da música

Gbm-------- B7 -----E
Quando a noite descer
Dbm----- Gbm -----B7--------- E---- Dbm
Insinuando ------um triste adeus
Gbm ------B7--------- E
Olhando nos olhos teus
Gb7---------- B--------- Gb7---- B7
Hei de, beijando teus dedos, dizer:
---------Am ----B7
Boa noite, amor
-----------D ------B7
Meu grande amor
-------E ----Db7---- Gbm
Contigo eu sonharei
---------Bm ----Ab7--- Dbm
E a minha dor esquecerei
-------------Gb7
Se eu souber que o sonho teu
----C7------------------ B7
Foi o mesmo sonho meu . . .

---------Am---- B7
Boa noite, amor
-------D------- B7
E sonha, enfim,
---------E -------E7 -------A ------Db7
Pensando sempre em mim,
----------A----------- B7
Na carícia de um beijo
---------E--------- Db7
Que ficou no desejo
--------Am ----------B7 -----E---- C7---- E
Boa noite, meu grande amor !
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Grau Dez

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Apesar do predomínio do samba enredo a partir da década de 1970, há em quase todo baile carnavalesco um momento em que a orquestra toca antigos sucessos, sempre presentes na memória dos foliões. Desse repertório fazem parte obrigatória as marchinhas de exaltação a tipos femininos, como "Grau Dez", a nota que Ary Barroso e Lamartine Babo deram à morena no carnaval de 35. Eleita nos versos "rainha da cabeça aos pés", a morena recebe ainda galanteios de vários gringos, como o inglês, o francês e o alemão, que diz "iá corraçon", uma tirada típica de Lamartine.
Grau Dez (marcha/carnaval) - 1935 - Lamartine Babo e Ary Barroso--clique para ouvir amostra da música

                      D   Ebº   A7                    D        D7
A vitória de ser tua, tua, tua, moreninha prosa
G Dº D7 G
Lá no céu a própria lua, lua, lua não é mais formosa
A7 D
Rainha da cabeça aos pés
E7 A7 D
Morena eu te dou grau 10

Ebº A7 Ebº A7 D
O inglês, diz: "yes, my baby!"
G Gb7 Cº Gb7 Bm
O alemão, diz: "Yá, corraçon!"
G Dº D
O francês, diz: "Bonjour, mon amour!"
Dº A7 Dº A7 D
Trés bien! Trés bien! Trés bien!
Ebº A7 Ebº A7 D
O argentino, ao te ver tão bonita
G Gb7 Cº Gb7 Bm
Toca um tango e só diz: "Milonguita"
G Dº D
O chinês diz que diz, mas não diz
Dº A7 Dº A7 D
Pede bis, pede bis, pede bis!
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Por teu amor

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Por Teu Amor (valsa - 1934) - Francisco Alves e Orestes Barbosa-clique para ouvir amostra da música


Ordena, fala, insinua / Diz o que queres de mim
Jardineiro da amargura / Eu tenho um triste jardim
As rosas nascem na mágoa / Só estas posso colher
Banhadas sempre na água / Do pranto do meu viver

Outras mulheres no meu cantar
Pensam que é delas a minha dor
Mas se tu queres manda calar
Tudo o que eu canto por teu amor
Só nesta valsa eu te diria
Como é tão falsa minha alegria
Como é mentira o meu cantar
Quando o teu nome vivo a ocultar
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Há uma forte corrente contra você

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Há uma forte corrente contra você (marcha/carnaval) - 1934
- Francisco Alves e Orestes Barbosa
Tom: C
Intr.:
F E Am C° C Am7 Dm7 G7 C G5+/7
C
Há uma forte corrente contra você
C#° G C#° G
Toma cuidado
G7
Que o seu vizinho do lado
C
Já anda desconfiado e você sabe o porquê
Dm7 D#° C Am7 Dm7
Se você continuar a viver dessa maneira
G7 C
Vai dar muito o que falar
Dm7 D#° C
Todo mundo já murmura
Am7 Dm7
Que a corrente deste caso
G7 C
É aquela criatura
C
Há uma forte corrente contra você
C#° G C#° G
Toma cuidado
G7
Que o seu vizinho do lado
C
Já anda desconfiado e você sabe o porquê
Dm7 D#° C
Não te faças de inocente
Am7 Dm7
Pois eu leio nos teus olhos
G7 C
Muito medo da corrente
Dm7 D#° C
Pois assim eu nunca vi
Am7 Dm7
Qualquer dia distraído
G7 C
Vais falar mesmo de ti
C
Há uma forte corrente contra você
C#° G C#° G
Toma cuidado
G7
Que o seu vizinho do lado
C
Já anda desconfiado e você sabe o porquê
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Não tem tradução

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Em 1933 Francisco Alves gravava o samba "Não Tem Tradução", de Noel Rosa. É uma crítica aos efeitos da influência do "cinema falado" sobre a língua pátria, com a adoção de expressões em francês e inglês. A letra diz "essa gente que tem a mania da exibição" e "não se lembra que o samba não tem tradução".


Não tem tradução - 1933 - Noel Rosa, F. Alves e Ismael Silva-clique para ouvir amostra da música

Tom: A
A7         F                  Dm            A
O cinema falado é o grande culpado da transformação
Em A7
Dessa gente que sente que um barracão
D
prende mais que o xadrez
Dm G7/9 A C#
Lá no morro, seu eu fizer uma falseta
F#7 C B7 E7 A6/9
A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês
Em A7 D7+
A gíria que o nosso morro criou
B7 E7 C#
Bem cedo a cidade aceitou e usou
F#7 Bm Dm G7/9
Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote
C#m F#7 Bm E7 A
Na gafieira dançar o Fox-Trote
F Dm A
Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição
Em A7 D
Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês
Dm G7/9 A
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
F#7 B7 E7 A
Com voz macia é brasileiro, já passou de português
Em A7 D
Amor lá no morro é amor pra chuchu
B E7 C#
As rimas do samba não são I love you
F# Bm Dm G7/9
E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
C#m F#7 Bm E7 A Dm A
Só pode ser conversa de telefone..
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Uma jura que fiz

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Uma Jura Que Fiz - 1932----clique para ouvir amostra da música
Ismael Silva, Francisco Alves e Noel Rosa

Não tenho amor / Nem posso amar
Pra não quebrar / Uma jura que fiz
E pra não ter / Em quem pensar
Eu vivo só / E sou muito feliz

Aquela que eu mais amava / Só pensava em me trair
Quando eu menos esperava / Partiu sem se despedir
Essa mesma criatura / Quis voltar mas eu não quis
E hoje cumprindo a jura / Vivo só e sou feliz
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Sofrer é da vida

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Na linha dos versos simples mas bem-humorados, este samba fez um enorme sucesso no carnaval de 1932, quando lançado por Mário Reis. Repetiu a dose em 1967, ao fazer parte de um LP lançado para reviver os grandes momentos na voz de Mário, chamado Os grande sucessos de Mário Reis: “Sofrer é da vida/Eu já me convenci/Adeus, minha querida/Não foi pra você que eu nasci (...)”
Sofrer é da Vida (marcha/carnaval) - 1932---clique para ouvir amostra da música
------A
Sofrer é da vida,
------D6--- D#º--- A
Eu já me convenci
-----D6---- D#º---- A
Adeus minha querida
-------F#7------ B7------ E7- A
Não foi pra você que eu nasci...

--------D6--- D#º---- A
Você tem boa conversa
------------D6----D#º-- A
Mas não vai me tapear
---------D6--- D#º----- A
Pode até fazer promessa
------F#7--------- B7---- E7 A
Porque eu não torno a voltar

--------D6 -------D#º--- A
Seu amor ninguém atura
-------------D6--- D#º---- A
Quem me disse não mentiu
--------D6 -----D#º-- A
Você me fez uma jura
--------F#7-- B7----- E7-- A
Que até então não cumpriu
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Gosto, mas não é muito

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Gosto, Mas não é Muito - 1932---clique para ouvir amostra da música
Ismael Silva e Francisco alves

C--------- Dm------------ G7
Olha! Escuta meu bem
---------------------------------C
É com você que eu estou falando,

Neném!
-----------------------Dm
Esse negócio de amor não convém
G7
Gosto de você
------------------------------F
Mas não é muito...muito

-----------------------C -------G7
Fica firme, não estrila
-----------------------------A7------ Dm
Traz o retrato e a estampilha
--------Fm---- C
Que eu vou ver
-------------Dm ----G7----- C------- F
O que posso fazer por você

---------------------C -----G7
Seu amor é insensato
------------------------------A7----- Dm
Me amofinou mesmo de fato
--------Fm---- C
Não leve a mal
---------Dm ---G7----- C
Eu prefiro a Lei Marcial
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Adeus

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Composta em 1932, é uma homenagem póstuma ao parceiro Nílton Bastos, que morrera no ano anterior. Gravada originalmente pela dupla Castro Gonzaga e Jonjoca, foi regravada em 1975 por outra dupla, Vinícius de Moraes e Touquinho: “Adeus, adeus, adeus/Palavra que faz chorar/Adeus, adeus, adeus/Não há quem possa suportar/O adeus é tão triste/E não se resiste/Ninguém jamais/Com o adeus pode viver em paz (...)”.
Adeus (samba) - 1932----clique para ouvir amostra da música
Francisco Alves, Noel Rosa e Ismael Silva

----C ----------------Em7
Adeus ! Adeus ! Adeus !
------------A7------ Dm ---A7
Palavra que faz chorar
-----Dm ------------Dm7--- G7
Adeus ! Adeus ! Adeus !
-------------------Gbo------ C
Não há quem possa suportar
-----C7 ----------F --------A7------ Dm
Adeus é tão triste / Que não se resiste
--------Ebo---- ( C )
Ninguém, jamais
----------A7------- D7-- G7-- C
Com adeus pode viver em paz
-------------( G7 )
Foi o último . . . . .
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Se você jurar

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O samba adotou uma nova forma, livrando-se da herança do maxixe, no final da década de 1920. Para isso concorreu decisivamente a necessidade, percebida por compositores ligados à pioneira escola de samba Deixa Falar, de "amaciar" o ritmo usado na época, adaptando-o a um padrão menos sincopado que facilitasse a fluidez do desfile. Dessa chamada "Turma do Estácio" faziam parte Ismael Silva e Nílton Bastos, autores de "Se Você Jurar", composição que, sintetizando as novas características, iria se tornar um dos principais modelos dos sambas dos anos trinta.

Grande sucesso do carnaval de 31, nas vozes de Francisco Alves e Mário Reis, "Se Você Jurar" tem uma melodia expressiva, especialmente na segunda parte, que retorna à primeira através de dois acordes preparatórios de passagem, incomuns nas canções da época. Já a letra explora o tema da regeneração do malandro, muito em moda na ocasião. Só que neste caso o malandro não parece muito seguro do motivo da mudança, considerando-o um jogo meio arriscado: "A mulher é um jogo / difícil de acertar / e o homem como um bobo / não se cansa de jogar / o que eu posso fazer / é se você jurar / arriscar a perder / ou desta vez então ganhar..."
Baseado em informação de Ismael, Hermínio Bello de Carvalho assegura em artigo publicado em 1963: "A primeira parte é do Nilton, com a ajuda de Ismael, e a segunda toda de Ismael". Contrariam essa informação Orestes Barbosa (no livro O Samba) e Mário Reis, que afirmam ser a composição somente de Nilton, enquanto Francisco Alves (em sua autobiografia) atribui o estribilho a Nilton mas se diz autor da segunda parte.
Se você Jurar - 1931 - Ismael Silva e Nilton Bastos---clique para ouvir amostra da música
Tom: D
Introdução: A7 D Em-A7 D Em D Em-A7 D A7
D
Se você jurar
A F#7
Que me tem amor
Bm F#7
Eu posso me regenerar REFRÃO
B7
Mas se é
Em
Para fingir, mulher
Bm C#m F#7 Bm
A orgia assim não vou deixar

Bm
A mulher é um jogo
F#7(ou A#º)
Difícil de acertar

E o homem como um bobo
F#7 Bm
Não se cansa de jogar
B7
O que eu posso fazer
Em
E se você jurar
Bm
Arriscar a perder
C#m F#7 Bm Bm-A#7-A7
Ou desta vez então ganhar

(Refrão)

Bm
Mulher tenho sofrido
F#7
Por minha lealdade

Agora estou sabido
Bm
Não vou atrás de amizade
B7
A minha vida é boa
Em
Não tenho em que pensar
Bm
Por uma coisa à toa
C#m F#7 Bm Bm-A#7-A7
Não vou me regenerar
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O que será de mim

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Hino da malandragem e tema frequente em sua obra, que comprovou o grande compositor que era o trabalhador Ismael. Foi gravado em 1931, por Francisco Alves e Mário Reis: “Se eu precisar algum dia/De ir pro batente/Não sei o que será/Pois vivo na malandragem/E vida melhor não há (...)”.

O Que Será de Mim - 1931---clique para ouvir amostra da música
Ismael Silva, Nílton Bastos e Francisco Alves

Se eu precisar algum dia
De ir pro batente
Não sei o que será
Pois vivo na malandragem
E vida melhor não há
Minha malandragem é fina
Não desfazendo de ninguém
Deus é quem nos dá a sina
E o valor dá-se a quem tem
Também dou a minha bola
Golpe errado ainda não dei
Eu vou chamar Chico Viola
Que no samba ele é rei
Dá licença seu Mário

Oi, não há vida melhor
Que vida melhor não há
Deixa falar quem quiser
Deixa quem quiser falar
O trabalho não é bom
Ninguém pode duvidar

Oi, trabalhar só obrigado
Por gosto ninguém vai lá
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Nem é bom falar

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Disputa com o Antonico o título de samba mais popular de Ismael. Outro sucesso do carnaval de 31, também na voz de Chico Viola, marcou uma curiosidade: o acompanhamento de um grupo de vida curta intitulado Bambas do Estácio, com Ismael e Nilton entre eles. Repetiu o sucesso 40 anos depois, quando regravado por Mário Reis: “Nem tudo o que se diz, se faz/Eu digo e serei capaz/De não resistir/Nem é bom falar/Se a orgia se acabar (...)”
Nem é Bom Falar - 1931----clique para ouvir amostra da música
Ismael Silva, Nílton Bastos e Francisco Alves

Nem tudo que se diz se faz
Eu digo e serei capaz
De não resistir
Nem é bom falar
Se a orgia se acabar

(Tu, falas muito, meu bem
E precisas deixar
Tu falas muito, meu bem
E precisas deixar
Senão eu acabo
Dando pra gritar na rua
Eu quero uma mulher bem nua.)

Mas esta vida
Não há quem me faça deixar
Por falares tanto
A polícia quer saber
Se eu dou meu dinheiro todo a você

Até que enfim
Eu agora estou descansado
Até que enfim
Eu agora estou descansado
Ela deu o fora
Foi morar lá na Favela
E eu não quero saber mais dela
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domingo, 12 de agosto de 2007

Amor de malandro

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Amor de malandro - 1929

F#m----- C#7
Vem, vem
--------------------------------F#m----- F#7
Que eu dou tudo a você
---Bm------- Cº----- A
Menos vaidade
--------------F#7---- Bm
Tenho vontade
---------------E7-------- A----C#7
Mas é que não pode ser

-------F#m ------------G#7
O amor é o do malandro
Oh! Meu bem
-------C#7---------------- F#m---- F#7
Melhor do que ele ninguém
-------------Bm
Se ele te bate
----------------------F#m
É porque gosta de ti
Pois bater-se em quem
------------G#7
Não se gosta
----C#7---- F#m
Eu nunca vi

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A voz do violão

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Em julho de 28, a Companhia Trololó, de Jardel Jercolis, estreou no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, a revista Não É Isso Que Eu Procuro. Muito ruim, a peça saiu logo de cartaz, deixando, porém, uma canção, "A Voz do Violão", da maior importância no repertório de seu criador, Francisco Alves. Esta composição nasceu quase por acaso, a partir de uns versos de Horácio Campos, libretista da peça, que chegaram ao conhecimento de Chico através de Jardel. Entusiasmado com o poema, o cantor pegou o violão e só sossegou quando dias depois aprontou a melodia, por sinal muito boa.

Aliás, em que pese o fato de ter comprado sambas no início da carreira, Francisco Alves deixou algumas boas canções realmente de sua autoria. "A Voz do Violão" foi gravada comercialmente por Alves quatro vezes: a primeira na Parlophon, em 1928, e as três seguintes na Odeon, sendo a última em 1951. Há ainda uma quinta gravação, realizada num programa da Rádio Nacional que foi editada em disco pela empresa Collector's.


A voz do violão (valsa-canção - 1928)----clique para ouvir amostra da música

- Francisco Alves e Horário Campos



------------E ------------B7-------------- E------- D7(3a.casa)--- Db7----------- Gbm
Não queiras, meu amor, saber da mágoa/Que sinto quando a relembrar-te estou
-----A --------------Ebo ----B7 ----------E------ D7------ Db7
Atestam-te os meus ---olhos rasos d’água
------Gb7 ------------B7----------=- E
A dor que a tua ausência me causou.


-----E ----------B7------------- E---------D7--------------- Db7-------------- Gbm
Saudades infinitas me devoram, / --Lembranças do teu vulto que . . . nem sei!
------------A -------Eb0----- B7----- E -D7--Db7 ------Gb7-------- B7----------- E
Meus olhos incessantemente choram /---- ------As horas de prazer que já gozei

-------Ab7------------------------ Dbm-------- Gb7----------- B7------ E
Porém neste abandono interminável / No espinho de tão negra solidão
---------D7------------ Db7--------- Gb7 -----------Ebo---------- B7---------- E
Eu tenho um companheiro inseparável /---- Na voz do meu plangente violão

--------E ---------B7------------- E------- D7 ---------Db7---------- Gbm
Deixaste-me sozinho e lá distante, / Alheio à imensidão de minha dor,
--------A ---------Ebo---- B7 -----------------E D7 Db7 -------Gb7-------- B7------ E
Esqueces que ainda existe um peito amante / --Que chora o teu carinho sedutor

--------E---------------- B7--------- E--- D7------------- Db7------- Gbm
No azul sem fim do espaço iluminado / ------Ao léo do vento se desfaz
--------A ------Ebo----- B7------- E -D7- Db7 ----------Gb7---------- B7--------- E
A queixa deste amor desesperado /------- Que o peito em mil pedaços me desfaz
(estribilho)

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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Francisco Alves

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Francisco de Moraes Alves nasceu em 19 de agosto de 1898, no Rio de Janeiro, na rua Conselheiro Saraiva, centro, sendo filho de José e Isabel, portugueses. Seu José, dono de botequim, falecido em 1919, não faria fortuna. Teve três irmãs: Ângela, a mais velha, Lina e Carolina. Lina, com o nome artístico de Nair Alves, seria conhecida atriz de revista e radioatriz. José, seu único irmão, possuía bonita voz, mas veio a falecer com apenas 18 anos, em 1918, durante a gripe espanhola.

Cursou apenas a escola primária e desde cedo interessou-se pela música. Da irmã Nair ganhou uma guitarra e as primeiras lições. Começou sua carreira de cantor em abril de 1918, na Companhia de João de Deus-Martins Chaves. Depois ingressou na Companhia de Teatro São José, do empresário José Segreto.

Em 1919, para o Carnaval de 1920, levado por Sinhô, gravou na etiqueta Popular (recém-fundada por Paulo Lacombe e João Batista Gonzaga, suposto filho de Chiquinha Gonzaga) dois discos com a marcha O pé de anjo e os sambas Fala meu louro e Alivia estes olhos, todas de Sinhô. Ganhava a vida como motorista de praça, apresentando-se como cantor-ator secundário de revistas musicais. Casou-se em 1920 com Perpétua Guerra Tutóia, de quem logo se separou. No mesmo ano conheceu a atriz-cantora Célia Zenatti, sua companheira por 28 anos.

Em 1924 gravou para o Carnaval dois discos na Odeon, com o samba Miúdo (Sebastião Santos Neves) e as marchas Não me passo pra você e Mlle. Cinéma (ambas de Freire Júnior). Voltou em 1927 à Odeon na qual rapidamente gravou 11 discos com 19 músicas ainda no sistema mecânico, com destaque para Cassino Maxixe (primeira versão de Gosto que me Enrosco) e Ora vejam só, sambas de Sinhô.

Em julho de 1927, quando a Odeon inaugurou no Brasil o sistema elétrico de gravações, foi o intérprete da marcha Albertina e do samba Passarinho do má (ambas de Duque), as duas faces do primeiro disco produzido eletricamente, o Odeon 10.001. Em 1928 passou a gravar concomitantemente na Parlophon, subsidiária da Odeon, utilizando o apelido de Chico Viola.

Em fevereiro de 1929 fez sua estréia no rádio, apresentando-se na Rádio Sociedade. Seus discos começaram a sair em profusão e sem tardar alcançou o topo do qual jamais saiu até falecer. Só em 1928 e 1929 gravou quase 300 músicas de reconhecida qualidade. Interpretou todos os gêneros e foi quem mais gravou em toda a história dos discos de 78 rpm no Brasil: 526 discos com 983 músicas. Como compositor deixou cerca de 132 músicas, sendo seu forte a melodia. Em 1928 fez na Parlophon o primeiro registro da canção A voz do violão, melodia sua e versos de Horácio Campos, grande sucesso, tanto que a regravou em 1929, 1939 e 1951. Nesse ano também lançou de Sinhô os sambas A favela vai abaixo, Ora vejam só (segunda matriz) e Não quero saber mais dela, em dueto com Rosa Negra, e de Pixinguinha com letras de Cícero de Almeida os sambas Festa de branco e Samba de nego, bem como a modinha Malandrinha, de Freire Júnior, e a canção Lua nova, sua e de Luís Iglésias. Nos anos de 1929 e 1930, de campanha presidencial, foi quem mais gravou canções de conteúdo político, como em 1929, o samba É sim senhor e a marcha Seu doutor (ambos de Eduardo Souto), a marcha Seu Julinho vem (Freire Júnior), e, em dueto com Araci Cortes, o samba É no toco da goiaba (Eduardo Souto e José Jannyni).

No Carnaval de 1930 obteve notável êxito com a marcha Dá nela (Ary Barroso). Outro sucesso memorável foi sua gravação do Hino a João Pessoa (Eduardo Souto e Osvaldo Santiago), antes da revolução de outubro desse ano, durante o qual também excursionou pela primeira vez ao exterior, apresentando-se em Buenos Aires, Argentina, com a companhia de revistas musicais de Jardel Jércolis. Na volta a Odeon reuniu-o a Mário Reis, por sugestão sua, para cantarem em dupla, estreando com os sambas Deixa essa mulher chorar (Brancura) e Quá, quá, quá (Lauro dos Santos), êxitos no Carnaval de 1931. A dupla durou até o final de 1932 e deixou 12 discos com 24 gravações importantes, entre as quais o samba Se você jurar (1931), com Ismael Silva e Nílton Bastos, Marchinha do amor (1932), de Lamartine Babo, a marcha Formosa (Carnaval de 1933), de Nássara e J. Rui, e Fita amarela (Carnaval de 1933), de Noel Rosa.

Em 1931 gravou entre outros sucessos a versão da valsa Dançando com lágrimas nos olhos (Joe Burke e Lamartine Babo), a modinha Deusa (Freire Júnior) e o samba Mulher de malandro (Heitor dos Prazeres), no Carnaval de 1932, primeiro prêmio no primeiro concurso oficial de músicas carnavalescas. Ainda nesse ano lançou o samba Gandaia (seu com Ismael Silva) e Para me livrar do mal (Ismael e Noel Rosa) e começou sua parceria com Orestes Barbosa, apenas letrista, com a canção Meu companheiro, que produziu 14 composições até 1934.

Em 1933 gravou de Noel Rosa os sambas Fita amarela, já referido, Pra esquecer, Feitio de oração (c/Vadico) em dueto com Castro Barbosa, Não tem tradução, entre outros, bem como a marcha junina Cai, cai, balão (Assis Valente), com Aurora Miranda em sua estréia no disco, a rumba Garimpeiro do Rio das Garças (João de Barro), a canção Pálida morena (Freire Júnior). Nesse ano, o locutor César Ladeira deu-Ihe o slogan de Rei da Voz.

Em 1934 transferiu-se para a RCA Victor, na qual ficou até 1937. Passou a dirigir um programa na Rádio Cajuti, nele lançando o cantor Orlando Silva, que se tornaria seu grande rival junto ao público. Ainda em 1934 gravou a valsa A mulher que ficou na taça (sua com Orestes) e fez aquele que seria seu único disco com Carmen Miranda, com a marcha Retiro da saudade (Noel Rosa e Nássara). Tinha se iniciado de certa forma no cinema em Voz do Carnaval (1933), de Ademar Gonzaga, no qual foi aproveitada apenas sua voz tirada de discos.

Em 1935 estréia de fato na tela em Alô, alô Brasil, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, a que se seguiriam os filmes Alô, alô Carnaval, de Ademar Gonzaga (1936), Laranja da China (1940), de J. Rui, e Samba em Berlim (1943), Berlim na batucada (1944), Pif paf (1945), Caídos do céu (1946) e Esta é fina (1948), todos de Luís de Barros. No Carnaval de 1935 lançou o samba Foi ela (Ary Barroso) e a marcha Grau dez (Ary e Lamartine) e depois o samba Na virada da montanha (mesma parceria).

Depois de vários anos, e pela última vez, atuou no teatro musicado na bem sucedida burleta Da favela ao Catete, de Freire Júnior. No Carnaval de 1936 lançou as marchas Manhãs de sol (João de Barro e Alberto Ribeiro), Uma porta e uma janela (Nássara e Roberto Martins), A.M.E.I. (Nássara e Eratóstenes Frazão), os sambas É bom parar (Rubens Soares) e Me queimei (Nássara e Valfrido Silva) e no meio do ano o samba Favela (Roberto Martins e Valdemar Silva). Nas festas juninas foi muito cantada a marcha Pula a fogueira (Getúlio Marinho e João Bastos Filho). Nesse ano apresentou-se na Radio El Mundo, de Buenos Aires, por dois meses, tendo levado Alzirinha Camargo e Benedito Lacerda, e também publicou sua autobiografia Minha vida.

Em 1937 gravou o samba-canção Serra da Boa Esperança (Lamartine Babo). Em 1938, no Carnaval pernambucano, marcou sucesso com as gravações dos frevos Ui, que medo eu tive! (Aníbal Portela e José Mariano) e Júlia (Capiba) e, no Carnaval carioca, com os sambas Ando sofrendo (Roberto Martins e Alcebíades Barcelos) e Vão pro Scala de Milão (Ary Barroso). Nos gêneros sentimentais, lançou o samba-canção A única lembrança (Ary Barroso) e a canção Meu romance (Saint-Clair Senna).

Em 1939 registrou as valsas Diga-me e Minha adoração (ambas de Nelson Ferreira) e Valsa dos namorados (Silvino Neto) e o gênero a que se chamou "samba-exaltação" com Aquarela do Brasil (Ary Barroso), designado no selo do disco "cena brasileira". Transferiu-se para a Columbia e gravou nesse gênero Brasil! (Benedito Lacerda e Aldo Cabral), em dueto com Dalva de Oliveira, 1939; Onde o céu azul é mais azul (João de Barro, Alberto Ribeiro e Alcir Pires Vermelho), 1940; Canta Brasil (Alcir e David Nasser), 1941; Bahia com H (Denis Brean), 1947; São Paulo, Coração do Brasil (com David Nasser), 1951, e outros.

Em 1940 lançou no Carnaval a marcha Dama das camélias (Alcir e João de Barro) e os sambas Solteiro é melhor (Rubens Soares e Felisberto Silva) e Despedida de Mangueira (Benedito Lacerda e Aldo Cabral). Em 1941 lançou os sambas carnavalescos Poleiro de pato é no chão (Rubens Soares) e Eu não posso ver mulher (Osvaldo Santiago e Roberto Roberti) e a valsa Eu sonhei que tu estavas tão linda (Francisco Matoso e Lamartine Babo). Depois de atuar em diversas emissoras, fixou-se a partir de 1941 na Rádio Nacional até falecer. Seu programa dos domingos ao meio-dia, Quando os ponteiros se encontram, apresentado pela locutora Lúcia Helena, obteve maciça audiência em todo o Brasil.

Em 1942 foi um dos vencedores do Carnaval com Sandália de prata (Alcir e Pedro Caetano) e, na música romântica, lançou as valsas Carnaval da minha vida (Benedito Lacerda e Aldo Cabral) e Capela de São José (Marino Pinto e Herivelto Martins). Em 1943 gravou as versões dos foxes-canções Beija-me muito (Consuelo Velazquez e David Nasser) e O amor é sempre amor (Hupfeld e Jair Amorim), e a valsa-bolero A mulher e a rosa (Alcir e Davi Nasser) e, em 1944, no Carnaval, a marcha Eu brinco (Pedro Caetano e Claudionor Cruz) e o samba Odete (Herivelto Martins e Waldemar de Abreu), com o Trio de Ouro. Em tempo de guerra gravou Canção do expedicionário (Espártaco Rossi e Guilherme de Almeida) e várias versões.

Em 1945 seus sucessos no Carnaval foram o samba Izaura (Herivelto Martins e Roberto Roberti) e Que rei sou eu? (Herivelto e Valdemar da Ressurreição); em 1946, a marcha Palacete no Catete (Herivelto e Ciro de Sousa) e o samba Vaidosa (Herivelto e Artur Morais); depois, o samba Fracasso (Mário Lago) e as regravações da canção Minha terra (Valdemar Henrique) e do fox-canção O cigano (Marcelo Tupinambá e Gastão Barroso).

Em 1947, no Carnaval, fez sucesso com o samba Palhaço (Herivelto e Benedito Lacerda) e depois com Adeus (Cinco letras que choram) (Silvino Neto), Bahia com H, já referido, e os sambas-canções Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues) e Caminhemos (Herivelto Martins); em 1948, o samba Falta um zero no meu ordenado (Ary Barroso e Benedito Lacerda). Vieram então os sambas-canções Quem há de dizer (Lupicínio e Alcides Gonçalves), Esses moços (Pobres moços) (Lupicínio) e Madrugada (Herivelto e Evaldo Rui).

Em 1949 foram sucessos carnavalescos os sambas Maior é Deus (Felisberto Martins e Fernando Martins) e a marcha Pode matar que é bicho (sua com Haroldo Lobo e Nilton de Oliveira) e, em 1950, foi muito cantado o samba A Lapa (Herivelto e Benedito Lacerda); lançou ainda os sambas-exaltação Forasteiro e Aquarela mineira (ambos de Ary Barroso) e o samba Maria Rosa (Lupicínio Rodrigues).

Em 1951, foi a vez dos sambas Deus lhe pague (Polera, André Penazzi e Davi Nasser) e Lili (Haroldo Lobo e Davi Nasser), das marchas Holandesa (Davi Nasser e Haroldo Lobo), com Dalva de Oliveira e Retrato do velho (Haroldo Lobo e Marino Pinto) e do samba-exaltação São Paulo, coração do Brasil (com David Nasser). A parceria com David Nasser, iniciada em 1940, resultou em 20 composições e um livro de bolso biográfico, escrito por David, Chico Viola, publicado em 1966.
Em 1952, no Carnaval, teve muito êxito com a marcha Confete (Jota Júnior e David Nasser). Faleceu em desastre de automóvel na Via Dutra, quando o Buick que dirigia recebeu o choque de um caminhão na contramão.

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