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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Se você jurar

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O samba adotou uma nova forma, livrando-se da herança do maxixe, no final da década de 1920. Para isso concorreu decisivamente a necessidade, percebida por compositores ligados à pioneira escola de samba Deixa Falar, de "amaciar" o ritmo usado na época, adaptando-o a um padrão menos sincopado que facilitasse a fluidez do desfile. Dessa chamada "Turma do Estácio" faziam parte Ismael Silva e Nílton Bastos, autores de "Se Você Jurar", composição que, sintetizando as novas características, iria se tornar um dos principais modelos dos sambas dos anos trinta.

Grande sucesso do carnaval de 31, nas vozes de Francisco Alves e Mário Reis, "Se Você Jurar" tem uma melodia expressiva, especialmente na segunda parte, que retorna à primeira através de dois acordes preparatórios de passagem, incomuns nas canções da época. Já a letra explora o tema da regeneração do malandro, muito em moda na ocasião. Só que neste caso o malandro não parece muito seguro do motivo da mudança, considerando-o um jogo meio arriscado: "A mulher é um jogo / difícil de acertar / e o homem como um bobo / não se cansa de jogar / o que eu posso fazer / é se você jurar / arriscar a perder / ou desta vez então ganhar..."
Baseado em informação de Ismael, Hermínio Bello de Carvalho assegura em artigo publicado em 1963: "A primeira parte é do Nilton, com a ajuda de Ismael, e a segunda toda de Ismael". Contrariam essa informação Orestes Barbosa (no livro O Samba) e Mário Reis, que afirmam ser a composição somente de Nilton, enquanto Francisco Alves (em sua autobiografia) atribui o estribilho a Nilton mas se diz autor da segunda parte.
Se você Jurar - 1931 - Ismael Silva e Nilton Bastos---clique para ouvir amostra da música
Tom: D
Introdução: A7 D Em-A7 D Em D Em-A7 D A7
D
Se você jurar
A F#7
Que me tem amor
Bm F#7
Eu posso me regenerar REFRÃO
B7
Mas se é
Em
Para fingir, mulher
Bm C#m F#7 Bm
A orgia assim não vou deixar

Bm
A mulher é um jogo
F#7(ou A#º)
Difícil de acertar

E o homem como um bobo
F#7 Bm
Não se cansa de jogar
B7
O que eu posso fazer
Em
E se você jurar
Bm
Arriscar a perder
C#m F#7 Bm Bm-A#7-A7
Ou desta vez então ganhar

(Refrão)

Bm
Mulher tenho sofrido
F#7
Por minha lealdade

Agora estou sabido
Bm
Não vou atrás de amizade
B7
A minha vida é boa
Em
Não tenho em que pensar
Bm
Por uma coisa à toa
C#m F#7 Bm Bm-A#7-A7
Não vou me regenerar
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O que será de mim

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Hino da malandragem e tema frequente em sua obra, que comprovou o grande compositor que era o trabalhador Ismael. Foi gravado em 1931, por Francisco Alves e Mário Reis: “Se eu precisar algum dia/De ir pro batente/Não sei o que será/Pois vivo na malandragem/E vida melhor não há (...)”.

O Que Será de Mim - 1931---clique para ouvir amostra da música
Ismael Silva, Nílton Bastos e Francisco Alves

Se eu precisar algum dia
De ir pro batente
Não sei o que será
Pois vivo na malandragem
E vida melhor não há
Minha malandragem é fina
Não desfazendo de ninguém
Deus é quem nos dá a sina
E o valor dá-se a quem tem
Também dou a minha bola
Golpe errado ainda não dei
Eu vou chamar Chico Viola
Que no samba ele é rei
Dá licença seu Mário

Oi, não há vida melhor
Que vida melhor não há
Deixa falar quem quiser
Deixa quem quiser falar
O trabalho não é bom
Ninguém pode duvidar

Oi, trabalhar só obrigado
Por gosto ninguém vai lá
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Nem é bom falar

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Disputa com o Antonico o título de samba mais popular de Ismael. Outro sucesso do carnaval de 31, também na voz de Chico Viola, marcou uma curiosidade: o acompanhamento de um grupo de vida curta intitulado Bambas do Estácio, com Ismael e Nilton entre eles. Repetiu o sucesso 40 anos depois, quando regravado por Mário Reis: “Nem tudo o que se diz, se faz/Eu digo e serei capaz/De não resistir/Nem é bom falar/Se a orgia se acabar (...)”
Nem é Bom Falar - 1931----clique para ouvir amostra da música
Ismael Silva, Nílton Bastos e Francisco Alves

Nem tudo que se diz se faz
Eu digo e serei capaz
De não resistir
Nem é bom falar
Se a orgia se acabar

(Tu, falas muito, meu bem
E precisas deixar
Tu falas muito, meu bem
E precisas deixar
Senão eu acabo
Dando pra gritar na rua
Eu quero uma mulher bem nua.)

Mas esta vida
Não há quem me faça deixar
Por falares tanto
A polícia quer saber
Se eu dou meu dinheiro todo a você

Até que enfim
Eu agora estou descansado
Até que enfim
Eu agora estou descansado
Ela deu o fora
Foi morar lá na Favela
E eu não quero saber mais dela
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Nílton Bastos

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Nílton Bastos, compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 12/7/1899 e faleceu em 8/9/1931. Filho de um comerciante português e de uma costureira, passou a infância no bairro de São Cristóvão. Não concluiu o primário e jamais estudou música: tocava piano de ouvido e freqüentou desde cedo as rodas de samba, começando pelos ranchos carnavalescos Flor de Abacate e Ameno Resedá. Trabalhou como torneiro mecânico no Arsenal de Guerra e, a partir da década de 1920, passou a freqüentar os redutos de samba do Estácio, como o Bar e Café Apolo, convivendo com Ismael Silva, Baiaco, Bide, Brancura, Mano Rubem, compositores que, como ele, foram responsáveis pelo desenvolvimento do samba.
Começou a compor em parceria com Ismael Silva e, quando Francisco Alves propôs a Ismael, em 1928, gravar suas músicas mediante inclusão de seu nome como co-autor, Ismael exigiu que o nome de seu parceiro habitual também constasse. Assim, Se você jurar - gravado com grande sucesso pela dupla Francisco Alves e Mário Reis, em 1931, na Odeon - é, como muitos outros sambas, atribuído aos três, embora a autoria desse samba tenha sido sempre motivo de polêmica, Mário Reis, por exemplo, atribui-lhe a autoria exclusiva da música.
A mesma dupla - Francisco Alves e Mário Reis - tornou famosos outros sambas seus, feitos em parceria com Ismael: Não há, O que será de mim, Anda, vem cá, Arrependido, Nem é bom falar. Fez parte do grupo Bambas do Estácio, que acompanhava Francisco Alves em gravações. Morreu prematuramente de tuberculose pulmonar e, em sua homenagem, Ismael Silva, junto com Noel Rosa e Francisco Alves, compôs o samba Adeus (1932).
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