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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O nascimento da Orquestração Brasileira

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Antes de Pixinguinha, o samba das orquestras tinha som de maxixe e os arranjos eram da escola italiana. Com ele, o colorido sonoro ganhou tons verde-amarelos, criando a maneira brasileira de se fazer ouvir.

Ary Barroso foi um dos primeiros a protestar contra a forma como os sambas e outros ritmos brasileiros estavam sendo gravados, nos momentos da expansão da indústria fonográfica no Brasil. Não que tivesse algo de pessoal contra os maestros e instrumentistas estrangeiros encarregados de executar nossas músicas, mas bastava simplesmente ouvi-los para sentir a falta de sotaque brasileiro.

Os arranjos obedeciam à escola italiana, os músicos tocavam como nos velhos tempos dos maxixes, não se observava a presença de ritmistas nas orquestras, faltando molho e sabor nacionais às gravações.

A solução veio com um gênio negro, nascido no Rio de Janeiro, em 1898, e que, aos 12 anos, já era considerado o maior flautista da cidade. No futuro, viria a sê-lo também do Brasil e, em termos de música popular, talvez do mundo. Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, que já tivera a grande experiência internacional liderando Os Oito Batutas em Paris, era nome conhecido e respeitado como músico e líder, quando sua carreira de arranjador, uma guinada em seu destino e no da música popular brasileira, aconteceu.

A primeira vez que formou uma orquestra, ou algo parecido, foi na Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, no Rio de Janeiro. Como ele mesmo contava: “A Rádio Sociedade tinha um estúdio na Exposição.Tinha aqueles alto-falantes e fui irradiar da Exposição. Eu e Zaíra de Oliveira, grande cantora e que veio a ser posteriormente esposa do Donga (...) toquei em uma exposição da General Motors, da qual participou também Villa-Lobos. Eu organizei uma orquestra popular, com instrumentos de orquestra”.

Sérgio Cabral, na biografia de Pixinguinha, aclara: “O compositor e pianista Eduardo Souto, encarregado de convidar os artistas e as orquestras que iriam apresentar-se diariamente, pediu a Pixinguinha para organizar uma orquestra, tarefa cumprida com a participação de todos os batutas e mais o reforço de Bonfiglio de Oliveira e da cantora Zaíra de Oliveira. (...) Durante toda a exposição, Pixinguinha e sua orquestra tocaram diariamente no pavilhão da General Motors”.

Nascia o primeiro maestro brasileiro a tocar música com o nosso sotaque. A primeira escola de arranjos para Pixinguinha foi o teatro de revista. Foi em composições suas e alheias que o maestro burilou o estilo e iniciou o trabalho de criação de uma forma brasileira de execução orquestral. Seu jeito de levar para a pauta a parte de cada instrumento, no todo de um arranjo, foi ganhando forma na soma de trabalhar muitos ritmos e maneiras de fazer música. Ele próprio, compondo para revistas, fazia músicas japonesas, americanas, argentinas, francesas e por aí afora.

Em 1928, logo após a implantação da gravação elétrica no Brasil, Pixinguinha pôde usar a gravadora Odeon como laboratório para seus experimentos orquestrais. Gravou como nunca, músicas dele e de outros compositores. Apresentava-se como Pixinguinha e Conjunto, Orquestra Típica Pixinguinha, Orquestra Típica Pixinguinha-Donga e Orquestra Típica Oito Batutas.

Em maio de 1928, em companhia de Donga, forma uma orquestra de caráter inteiramente brasileiro. Criada para tocar na II Exposição de Automobilismo, Autopropulsão e Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro, dos 40 músicos, 34 eram instrumentistas de cordas e ritmo, visto que Pixinguinha e Donga objetivavam, com essa orquestra “típica”, fazer frente às jazz bands e às típicas argentinas, febre musical da época.

A consolidação como maestro e arranjador viria em 1929, quando a gravadora Victor contratou Pixinguinha como seu orquestrador de discos e maestro da Orquestra Victor Brasileira. Em, no mínimo, seis gravações por ano, apareceria como solista de flauta, completando suas funções.

Sérgio Cabral destaca a partir daí a importância dessa orquestra para o panorama da música brasileira de então, já que finalmente se passou a tocar música brasileira de um jeito brasileiro, incluindo aí o samba provindo do Estácio. As orquestrações de Pixinguinha podiam ser reconhecidas de imediato.

As introduções que criava, compondo sobre temas alheios, deram tom definitivo ao arranjo nacional. A de O teu cabelo não nega chega a ser tão lembrada quanto a própria música. Sem nunca ter parado de estudar e trabalhar, Pixinguinha é uma referência até hoje para os maestros brasileiros, como continuará sendo amanhã.

Fonte: História do Samba - Editora Globo.

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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Eu dei

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Eu dei (marcha/carnaval) - 1937 - Ary barroso ---clique para ouvir amostra da música
Tom: D  Intr.: G G#° D B7 Em7 A7 D

D Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
D D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7 D B7
Não digo
Em7 A7 D
E adivinhe se é capaz
Em
Você deu seu coração
Não dei, não dei
D
Sem nenhuma condição
D C# C
Não dei, não dei
B7 Em
O meu coração não tem dono
Gm D B7 Em A7 D
Vive sozinho, coitadinho, no abandono
D Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
D D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7 D B7
Não digo
Em7 A7 D
E adivinhe se é capaz
Em
Foi um terno e longo beijo
Se foi, se foi
D
Desses beijos que eu desejo
D C# C
Pois foi, pois foi
B7 Em
Guarde para mim unzinho
Gm D B7 Em A7 D
Que mais tarde pagarei com jurinhos
D Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
D D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7 D B7
Não digo
Em7 A7 D
E adivinhe se é capaz
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Como vaes Você

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Como vaes você (marcha/carnaval) - 1937 - Ary Barroso---clique para ouvir amostra da música


Como "vaes" você?
-----------------C
– Vou navegando
----------------G7
Vou temperando
Pra baixo todo santo ajuda
-----------------------------C----- C7
Pra cima a coisa toda muda

------F---- Fm--- C
No mar desta vida
---------------Dm
Vou navegando
------G7 ---------A7
E vou temperando
-------------Dm--------- D#º
O céu às vezes é tão claro
---------------C------- A7
Outras escuro
------------------D7
Claro é o passado
---------G7------ C
Escuro é o futuro

----F-------------- Fm----C
Hoje, eu estou convencida
-------------Dm------- G7 -----A7
Que o segredo principal da vida
------------------Dm
Consiste em não forçar
--------D#º -------C------ A7
Em nada a natureza
-----------------D7
Que o resto vem
--------------------G7 ------C
Mas vem, que é uma beleza
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No tabuleiro da baiana

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"No Tabuleiro da Baiana" é um dos maiores sucessos de Ary Barroso Ary Barroso nos anos trinta. Sucesso, aliás, que o surpreendeu, conforme confessou à revista Carioca, em 23.10.37: "'No Tabuleiro da Baiana' foi a primeira música que vendi, tão descrente eu estava do seu mérito. Foi-me encomendada por Jardel Jercolis, que pretendia incluí-la em uma das revistas de sua companhia. A música foi mais 'fabricada' que inspirada; produzi-a mais ou menos à força e acabei compondo-a nos moldes de um batuque feito por mim há vários anos (o samba 'Batuque', gravado por Sílvio Caldas e Elisa Coelho em 1931)".
Mas, embora assim classificada, "No Tabuleiro da Baiana" é uma excelente composição, bem ao estilo Ary Barroso, já mostrando várias daquelas inovações que ele começava a incorporar ao samba. Sua introdução instrumental é tão adequada que faz parte integrante da música. A letra dialogada entre homem e mulher, muito bem construída, ideal para um quadro cômico-musical, têm interferências que funcionam como breques, alguns improvisados na gravação original - por exemplo, o breque "Mentirosa, mentirosa, mentirosa..." foi introduzido pelo cantor Luís Barbosa. A seção "Juro por Deus, pelo Senhor do Bonfim..." quase ad libitum, no meio da música, antecipa um procedimento que Ary usaria outras vezes e que sem dúvida, valoriza o retorno ao ritmo marcado, como em "Os quindins de Iaiá" ( 1941 ) e na segunda versão de "No Morro (Eh, eh!)", rebatizada de "Boneca de piche" (1938).
Comprador dos direitos de "No Tabuleiro da Baiana", para uso exclusivo no teatro, Jardel Jercolis o incluiu na revista Maravilhosa (outubro de 36), na qual era cantado e dançado pela dupla Déo Maia e Grande Otelo. Em 31.12, a composição voltou à cena, na revista É Batata!, da mesma companhia, desta vez apresentada por Oscarito e a menina Isa Rodrigues, então chamada de "Shirley Temple brasileira" e que faria carreira no teatro e na televisão. Antes porém da estréia teatral, "No Tabuleiro da Baiana" já estava gravado por Carmen Miranda e Luís Barbosa, sendo revivido em 1980 por Gal Costa e Caetano Veloso e em 1983 por Maria Bethânia e João Gilberto.

No tabuleiro da baiana (samba-batuque) - 1936 - Ary Barroso--clique para ouvir amostra da música

No tabuleiro da baiana tem:

-------D7M -----Em7----- Gbm7----- Em7
Vatapá, oi, carurú, mugunzá, tem umbú
-------D7M
Pra Ioiô
----------Eb0------- A7M-- Bb0---- Bm7
Se eu pedir você me dá o seu coração
---------E7----- Em7 ----A7----- D7M
Seu amor de Iaiá?

No coração da baiana tem :

-------D7M ----Em7--- Gbm7 -----Em7
Sedução, cangerê, ilusão, candomblé
--------D7M
Prá você
---Bm7----------- Gbm7
Juro por Deus, pelo Senhor do Bonfim
----Em7--- A7------ D7M
Quero você, baianinha, inteirinha
--------B7 ------Gbm7/-5
Pra mim
------B7/-9-------- Em7------ A7
E depois, o que será de nós dois
--------D7M----- Em7--- A7--- D7M
Seu amor é tão fugaz, enganador

Bm7 ----------Gbm7
Tudo já fiz, fui até num cangerê
Em7------ A7
Pra ser feliz
---------D7M -------------------B7 ------Gbm7/-5
Meus trapinhos juntar com você
-----B7/-9---- Em7----------- A7
E depois vai ser mais uma ilusão
-------D7M ----Em7 -----A7 -----D7M
No amor quem governa é o coração

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Por causa dessa cabocla

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Por causa dessa cabocla (samba) - 1935 - Ary Barroso)--clique para ouvir amostra da música


À tarde
Quando de volta da serra
Com os pés sujinhos de terra
Vem a cabocla passar
As flores vão pra beira do caminho
Pra ver aquele jeitinho
Que ela tem de caminhar
E quando ela na rede adormece
E o seio moreno esquece
De na camisa ocultar
As rolas
As rolas também morenas
Cobrem-lhe o colo de penas
Pra ele se agasalhar na noite

Dos seus cabelos,
Os grampos são feitos de pirilampos
Que às estrelas querem chegar
E as águas dos rios que vão passando
Fitam seus olhos pensando
Que já chegaram ao mar
Com ela dorme toda a natureza
Emudece a correnteza
Fica o céu todo apagado
Somente com o nome dela na boca
Pensando nesta cabocla
Fica um caboclo acordado
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Inquietação

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Fez muito sucesso em 1935 o filme "Favela dos Meus Amores", dirigido por Humberto Mauro, cuja história se passava num morro carioca. Estrelado por Rodolfo Mayer, Carmen Santos, Armando Louzada e com Sílvio Caldas atuando como cantor e ator, o filme apresentava uma rica trilha sonora, em que se destacavam os futuros clássicos "Torturante Ironia" e "Quase que Eu Disse" (de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa) e o extraordinário samba "Inquietação", de Ary Barroso: "Quem se deixou escravizar / e num abismo despencar / de um amor qualquer..." Infelizmente, as imagens de "Favela dos Meus amores", um marco no início de nosso cinema falado, perderam-se para sempre, só restando as canções que foram gravadas.

Inquietação (samba) - 1935 - Ary Barroso--clique para ouvir amostra da música

Em7/9      D7/9       C7/9
Quem se deixou escravizar
D7/9 C7/9 B7/9+
E no abismo, despencar
Em7/9 F#m7/9 F7/9
De um amor qualquer
Em7/9 D7/9 C7/9
Quem, no aceso da paixão
D7/9 C7/9 Am7/9
Entregou o coração
D7/5+ G7+ G6 Am6
A uma mulher
D7/9- G7+
Não soube o mundo compreender
F#m7 B7/9- Em7
Nem a arte de viver
F#m6
Nem chegou, mesmo de leve, a perceber
B7/9 C7/9
(Ai, meu Deus)
D7/9 C7/9
Que o mundo é sonho, fantasia
D7/9 C7/9
Desengano, alegria
B7/9- Em7/9 Bm7/5-
Sofrimento, ironia
E7/9- Bm7/5- E7/9- Am7
Nas asas brancas da ilusão
F7/13 Am7 D7(9/4)
Nossa imaginação
D7/9- G7+
Pelo espaço vai
B7/5+ Em7/9
Vai, vai
D7/9 G7+
Sem desconfiar
Em7 F#7/13 F#7/5+
Que mais tarde cai
B7/9 B7/9- Em7/9
Para nunca mais voar
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Grau Dez

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Apesar do predomínio do samba enredo a partir da década de 1970, há em quase todo baile carnavalesco um momento em que a orquestra toca antigos sucessos, sempre presentes na memória dos foliões. Desse repertório fazem parte obrigatória as marchinhas de exaltação a tipos femininos, como "Grau Dez", a nota que Ary Barroso e Lamartine Babo deram à morena no carnaval de 35. Eleita nos versos "rainha da cabeça aos pés", a morena recebe ainda galanteios de vários gringos, como o inglês, o francês e o alemão, que diz "iá corraçon", uma tirada típica de Lamartine.
Grau Dez (marcha/carnaval) - 1935 - Lamartine Babo e Ary Barroso--clique para ouvir amostra da música

                      D   Ebº   A7                    D        D7
A vitória de ser tua, tua, tua, moreninha prosa
G Dº D7 G
Lá no céu a própria lua, lua, lua não é mais formosa
A7 D
Rainha da cabeça aos pés
E7 A7 D
Morena eu te dou grau 10

Ebº A7 Ebº A7 D
O inglês, diz: "yes, my baby!"
G Gb7 Cº Gb7 Bm
O alemão, diz: "Yá, corraçon!"
G Dº D
O francês, diz: "Bonjour, mon amour!"
Dº A7 Dº A7 D
Trés bien! Trés bien! Trés bien!
Ebº A7 Ebº A7 D
O argentino, ao te ver tão bonita
G Gb7 Cº Gb7 Bm
Toca um tango e só diz: "Milonguita"
G Dº D
O chinês diz que diz, mas não diz
Dº A7 Dº A7 D
Pede bis, pede bis, pede bis!
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Foi ela

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Foi ela (samba) - 1935 - Ary Barroso-- clique para ouvir amostra da música
Em7/9   E7/9-       Am7          D7/9  Am7 D7/9 B7/5+
Quem quebrou meu violão de estimação
Em7/9 Cm6 B7/5+ Em7/9
Foi ela!
D11 A7/C# C7+ B7/4 B7/5+
Quem fez do meu coração seu barracão
Em7/9 B7/5+ Em7/9
Foi ela!

Eb7/9 D7(9/4) D7/9
E depois me abando...nou, ô, ô, ô, ô
G6 B7/F# Em
Minha casa se despovoou
D11 A7/C# C7+ B7/4 B7/5+
Quem me fez tão infeliz só porque quis
Em7/9 E7/9- Am
Foi ela!

Am7+ Am7* Am6 Em
Foi um sonho que findou, ô, ô
Em5+ Em6 C7 B7/5+ Em7/9
Um romance que acabou, ô, ô
D11 A7/C# C7+ B7/4 B7/5+
Quem fingiu gostar de mim até o fim
Em7/9
Foi ela!
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Tu

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Embora o forte de Ary Barroso sejam as melodias, vez por outra ele acertava em cheio nas letras, como acontece no samba-canção "Tu", uma das raras composições não carnavalescas a se destacarem em 1934.
Simples, quase uma miniatura, econômico até no título, "Tu" dá o seu recado de maneira sintética, em linguagem telegráfica, um primor de concisão ("O mais lindo luar: tu / a beleza do mar: tu..."), contrastando na forma e no bom gosto com o romantismo prolixo de tantas canções da época.
Tu (samba-canção) - 1934 - Ary Barroso---clique para ouvir amostra da música
 A7M        Bb0     Bm7 Bb7/9
Teu olhar é um sonho azul
A7M Bb0 Bm7 Db7
Teu sorriso uma promessa louca
Gbm7 Ab7 Dbm7
Teus lábios duas jóias de coral
B7 Bm7 E7 Gbm7
No engaste sensual da tua boca
                  Bm7  D/E
O mais lindo luar, tu
A7M G7 Gb7
A grandeza do mar, tu
Só te quero a ti
B7
Só te sinto a ti
Bm7 E7 A7M
Só palpito por ti
Gb7 Bm7 E7 A
És minha vida, querida
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Na batucada da vida

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Na batucada da vida (samba, 1934) - Ary Barroso e Luiz Peixoto--clique para ouvir amostra da música
Int.: (A7 D7/9) A7+
Dm7/9 E7/9- A7+
No dia em que eu apareci no mundo
Dm7/9 Bm7 E7/9 C#m7 Bm7
Juntou uma porção de vagabundo
A7+
Da orgia
D#7/9 D7+/9 G#m5-/7 C#7/9- F#m7
De noite, teve samba e batucada
Em7 Ebm7
Que acabou de madrugada
G#7 C#m7 C7 Bm7 E7/9
Em grossa pancadaria
Dm7/9 E7/9 A7+
Depois do meu batismo de fumaça
Em7+ Em7 A6/7 D7+
Mamei um litro e meio de cachaça
G#6/7 G6/7
Bem puxado
D7+/9 G6/7 C#m7
E fui adormecer como um despacho
F#m7 Em7 Ebm7 G#7 C#m7 F#/G#
Deitadinha no capacho na porta dos enjeitados
C#m7 A#5+/7 D#m7 G#5+/7 C#m7 A#5+/7
Cresci olhando a vida sem malícia
D#m7 G#5+/7 C#m7
Quando um cabo de polícia
E/f# D#m7 Em7 A5+/7
Despertou meu coração
Dm7 G6/7 C#m7
E como eu fui pra ele muito boa
F#m7 Bm7
Me soltou na rua à toa
D/E E7/9 A7+ D#m7 G#5+/7
Desprezada como um cão
C#m7 A#5+/7 D#m7 G#5+/7 C#m7
E hoje que eu sou mesmo da virada
A#5+/7 D#m G#5+/7 C#m7
E que eu não tenho nada, nada
E/F# D#m7 Em7 A6/7
E por Deus fui esquecida
Dm7 G6/7 C#m7
Irei cada vez mais me esmulambando
F#m7 Bm7
Seguirei sempre cantando
E7/9 A7+
Na batucada da vida...
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Caco velho

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Caco velho (samba-canção) - 1934 - Ary Barroso--clique para ouvir amostra da música


-----C ---------Db°------------ G7
Reside no subúrbio do Encantado
--------------E7------ Am-- Am/G
Num barracão abandonado
-----------D/Gb-------- G7 --Db° --Dm7 --G7
João de tal, cabra falado.
------C ---------D7-------- G
Dizem que viveu fora da lei,
----------Em
Foi um rei
------------------------A7
Que zombava da morte
-------D7------------ G7
E tinha um santo forte
----------------------C7
No meio da gente bamba
-------------------------------F
O seu prazer era tirar um samba
------Fm----------- C
Pulava, dava rasteira
------A7----- Dm------- G7----- C-- Bb7--- A7
Topava briga de qualquer maneira


--------Dm--- Dm/C -------C ----G7
Mas hoje--------- é um caco velho
------------------C
Que não vale nada
0--------------Bb7 ----------A7 -----------Dm
Tem a cabeça branca e a pele encarquilhada
-----------Fm------- G7----- C
Faz até pena ver o seu estado.
-----Bb7----- A7
Pobre coitado
------------Dm
A vida é essa,
-------------Eb° --------------------C
É um segundo que se esvai depressa.
--------------Bb7------A7-------- Dm
Todos nós temos o nosso momento
--------------G7 --------------C Ab C
E, depois dele, só o esquecimento ...
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Maria

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A necessidade urgente de uma música inédita para a peça teatral "Me deixa Ioiê" fez Luiz Peixoto criar os versos deste samba-canção sobre a melodia de "Bahia", uma composição pouco conhecida de Ary Barroso.

O nome Maria, que muito bem substituiu o do samba original, era uma homenagem à estrela da peça, a bela atriz portuguesa Maria Sampaio, famosa também pelo seu talento. Esforçando-se para impressionar a homenageada, Peixoto caprichou nos versos, sendo Maria uma de suas melhores produções.

Só o início - "Maria, o teu nome principia / na palma da minha mão... - já vale por um poema, e dos bons. Gravado duas vezes por Sílvio Caldas, este samba foi sucesso em 1934 e 1940.

Maria (samba-canção) - 1933 - Luís Peixoto e Ary Barroso--clique para ouvir amostra da música

----A--- Bbo-- E7--------------------- A
Maria ! /-------- O teu nome principia
------------------------Gbm-- B7------------------------- Bm
Na palma da minha mão / ------E cabe bem direitinho
-----------E7----------- A-- Co------- E7--- E7/5+
Dentro do meu coração--------- Maria
---A ----Bbo-- E7 ---------------------------A
Maria / ----------De olhos claros cor do dia
-------------------------Gbm--- B7----------------------- Bm
Como os de Nosso Senhor/----- Eu por vê-los tão de perto
E7----------------------- A-- Co----------- E7----- A7
Fiquei ceguinho de amor------------- Maria

--D------- A7-------D-- A7------ --D---- A7---- D
No dia, minha querida, em que juntinhos na vida
--------Ebo---------------- A---- Db7---- Gbm
Nós dois nos quisermos bem
-------------------------------Dbm-------- Gbm
A noite em nosso cantinho/ Hei de chamar-te
--------B7
baixinho
--------------------------------Bm--- E7---- E7/5+
Não hás de ouvir mais ninguém, Maria !

---A --------Bb0--- E7-------------------------- A
Maria ! /------------------- Era o nome que dizia
-----------------------Gbm---------------------------- Bm
Quando aprendi a falar / Da avózinha / Coitadinha
---------------E7-------- A---- C0 -------E7------ A7
Que não canso de chorar----------- Maria
-------D---------- A7----- D --A7------- D------ A7------- D
E quando eu morar contigo /---- Tu hás de ver que perigo
--------Eb0------------------ A---- Db7---- Gbm
Que isso vai ser, ai, meu Deus
-------------------------Gbm------ Dbm------- B7
Vai nascer todos os dias uma porção de Marias
--------------------------Bm----- E7 E7/5+ --------A F A
De olhinhos da cor do teus, Maria !----------- Maria !

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No Rancho Fundo

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Este samba foi lançado pela cantora Araci Cortes em junho de 1930, na revista É do outro mundo. Na ocasião chamava-se "Este mulato vai ser meu" (com o subtítulo "Na Grota Funda"), e tinha letra do caricaturista J. Carlos (José Carlos de Brito Cunha, autor da revista. Ouvindo a composição, Lamartine Babo achou ruins os versos "Na Grota Funda / na virada da montanha / só se conta uma façanha / do mulato da Raimunda".

Autorizado por Ary Barroso, escreveu nova letra ( "No Rancho Fundo / bem pra lá do fim mundo / onde a dor e a saudade / contam coisas da cidade..."), sendo o samba gravado por Elisa Coelho, no ano seguinte.
O lirismo nostálgico, que predomina na composição, já aparece na introdução instrumental dessa gravação, com o próprio Ary ao piano. A melodia, por sua vez, caminha suavemente em frases descendentes para um final melancólico, em perfeita sintonia com a letra. Quem não gostou da nova versão foi J. Carlos, que julgou a rejeição de sua letra uma desfeita, rompendo com Ary Barroso.

No Rancho Fundo - 1931 - Lamartine Babo e Ary Barroso --clique para ouvir amostra da música
                 D                    Gb7              Bm
No rancho fundo / Bem pra lá do fim do mundo
Gb7 G Em7 A7 D Dº
Onde a dor e a saudade/ Contam coisas da cidade....
D Gb7 Bm
No rancho fundo/ De olhar triste e profundo
Gb7 G
Um moreno canta as mágoas
Em7 A7 D Dº D
Tendo os olhos rasos dӇgua

B7 Gbm7 B7 Em
Pobre moreno / Que tarde no sereno
Gm7 Gbm7 Em7 A7 D Dº
Espera a lua no terreiro/ Tendo o cigarro por companheiro
B7 Gbm7 B7 Em
Sem um aceno / Ele pega da viola
Gm7 D Em7 A7 D Gm D
E a lua por esmola / Vem pro quintal deste moreno

D Gb7 Bm
No rancho fundo / Bem pra lá do fim do mundo
Gb7 G Em7 A7 D Dº D
Nunca mais houve alegria/ Nem de noite e nem de dia
D Gb7 Bm
Os arvoredos/ Já não contam mais segredos
Gb7 G Em7 A7 D Dº D
Que a última palmeira/ Já morreu na cordilheira

B7 Gbm7 B7 Em
Os passarinhos / Internaram-se nos ninhos
Gm7 D Bm7 Em7 A7 D Dº D
De tão triste essa tristeza/ Enche de treva a natureza
B7 Gbm7 B7 Em
Tudo por que ? / Só por causa do moreno
Gm7 D
Que era grande, hoje é pequeno
Em7 A7 D
Para uma casa de sapê
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Faceira

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Faceira - 1931 - Ary Barroso ---clique para ouvir amostra da música



D7+/9    G5-/7   D7+/9  F#m5-/7
Foi num samba de gente bamba
E5+/7
Ô gente bamba
Em7 A6/7 D7+/9
Que eu te conheci, faceira
E7/9
Fazendo visagem
Em7/9 A6/7
Passando rasteira

Que bom, que bom, que bom

A6/7 Em7/9
E desceste lá do morro
A6/7 D7+/9
Pra viver cá na cidade
C#m5-/7
Deixando os companheiros
F#5+/7 Bm7 Am7
Quase loucos de saudade
D7/9 G7+
Linda criança
C7/9 D6/7 C#5+/7
Tenho fé, tenho esperança
C6/7 B5+/7 E7/9
Que algum dia hás de voltar
A6/7 D7+/9
Direitinho ao teu lugar
( O vamo embora agora ... foi num ...)   

A6/7 Em7/9
Quando rompe a batucada
A6/7 D7+/9
Fica a turma aborrecida
C#m5-/7
O pandeiro não dá nada
F#5+/7 Bm7
Oi, a barriga recolhida
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domingo, 12 de agosto de 2007

Dá nela

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Um incidente de rua em que populares gritavam "dá nela", ameaçando bater numa mulher, acabou fornecendo o mote para Ary Barroso escrever esta marchinha, vencedora do concurso de músicas para o carnaval de 30.

Embora longe de ser um primor de composição - foi escrita às pressas, no dia do concurso -, "Dá Nela" caiu logo no gosto do povo, sendo aproveitada num espetáculo de revista a que deu nome.

Mas, como sempre acontece em competições musicais, houve quem não gostasse de sua vitória, no caso o polêmico Sinhô que, com o pseudônimo de Zé Baião, replicou com o samba Dá nele, que começava com o verso "Esses mineiros vem pra cá com a mania de abafar".

Dá Nela (marcha/carnaval) - 1930 (Ary Barroso)----clique para ouvir amostra da música

E
Esta mulher
------------------------------B7
Há muito tempo me provoca
------------------E
Dá nela! Dá nela!
É perigosa
---------------------------B7
Fala mais que pata choca
----------------E -----E7
Dá nela! Dá nela!

--A -----Am------------ E
Fala,------ língua de trapo
C#7------------ F#7
Pois da tua boca
-------B7------ E (bis: E7)
Eu não escapo

------------------------------------B7
Agora deu para falar abertamente
------------------E
Dá nela! Dá nela!
É intrigante
-----------------------------B7
Tem veneno e mata a gente
-----------------E -------E7
Dá nela! Dá nela!

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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Relembrando Ary Barroso

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Hoje é o dia mundial do compositor e nada melhor que escrever um pouquinho sobre um dos maiores compositores da nossa música popular: Ary Evangelista Barroso. Foi, sem dúvida, um dos representantes da geração de sambistas que deu a base da MPB da segunda metade do século e conhecê-lo é conhecer um pouco da história do Brasil.

Em 1939 lançou, no espetáculo 'Joujox et balagandans', de Henrique Pongetti, o samba "Aquarela do Brasil", iniciador do samba-exaltação, de melodia extensa e sempre apoiado em grande aparato orquestral - gênero que se acreditava destinado à conquista do mercado internacional da música popular; "Aquarela do Brasil" só teve sucesso depois da gravação feita por Francisco Alves.

Ary sempre esteve em campo para promover a música brasileira. Em seus programas prestigiava os calouros que apresentavam canções do repertório nacional. Tinha horror aos acordes americanos em samba. Nas várias vezes em que esteve no exterior, preocupou-se em levar o samba autêntico. Quando, em 1952, compôs o samba-canção "Risque", teve de brigar para que não fosse gravado como bolero.

Nascido em Ubá, Minas Gerais no dia 07 de novembro de 1903, faleceu no Rio, em 9 de fevereiro de 1964. Mesmo depois de sua morte, o compositor brasileiro mais conhecido em seu país e fora dele, continua sendo gravado por grandes e famosos intérpretes, que reconhecem seu extraordinário talento.

Trechos do livro de Sérgio Cabral intitulado "No tempo de Ari Barroso": Nos seus últimos dias Ary telefona do hospital para o amigo David Nasser:

-Estou me despedindo. Vou morrer.

-Como é que você sabe, Ary?

-Estão tocando as minhas músicas no rádio.

No show Eu sou o espetáculo o comediante José Vasconcelos imitava Ary, no momento em que este estaria recebendo um candidato em seu programa Calouros em desfile:

ARI - O que você vai cantar?

CALOURO - Vou cantar um sambinha.

ARI - É sempre assim. Se fosse mambo, não seria um mambinho. Se fosse bolero, não seria bolerinho. Mas samba é um sambinha. E que sambinha o senhor vai cantar?

CALOURO - Aquarela do Brasil.


Biografia
Ary Evangelista Barroso nasceu em Ubá, Minas Gerais, dia 07 de novembro de 1903. Seu pai, o Dr. João Evangelista Barroso, foi deputado estadual e promotor público em Ubá. Após a morte de sua mãe, Angelina de Resende Barroso e de seu pai, ambas ocorridas em 1911, Ary passou a ser criado pela avó, Gabriela Augusta de Rezende, e por uma tia, Rita Margarida de Rezende. Tia Ritinha era professora de piano e durante muito tempo ensinou-o a Ary. Essas aulas acabaram por ajudar no ganha-pão da família. Aos doze anos, começou a trabalhar como pianista auxiliar no Cine Ideal, apesar do empenho da avó e da tia em fazê-lo padre. Ary estudou, inicialmente, na escola pública Guido Solero. Depois de passar por várias escolas da zona da Mata, acabou concluindo o curso no Ginásio de Cataguases. Aos 15 anos, Ary compôs o cateretê "De longe" e a marcha "Ubaenses Gloriosos".


Aos 17 anos, em 1920, Ary recebeu de seu tio Sabino Barroso, ex-ministro da Fazenda, uma herança de 40 contos de réis e resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro. Lá, em 1921 , Ary matriculou-se na Faculdade de Direito e acabou gastando sua herança nos melhores restaurantes, com as melhores bebidas e trajando as roupas mais elegantes (foto ao lado: Ivone Barroso, a companheira que segurava as pontas em casa). Em 1922, reprovado na faculdade e já sem dinheiro, Ary teve de trabalhar, fazendo fundo musical para filmes mudos bo cinema Íris, no Largo da Carioca.Como era bom pianista, em 1923 Ary passou a tocar com a orquestra do maestro Sebastião Cirino, na sala de espera do Teatro Carlos Gomes.

Em 1926 Ary voltou ao curso de Direito, porém sem deixar a atividade de pianista de lado. Como estava desempregado, Ary oferecia-se para tocar em bailes por um preço irrisório até que, em 1928, foi contratado pela orquestra do maestro Spina, de São Paulo, para uma temporada em Santos e Poços de Caldas. Foi nessa época que Ary resolveu dedicar-se à composição.


De 1928 são suas composições "Amizade", "Não vou lá", "Segura a fazenda", "O tal bichinho" e "Tu queres muito" e, ainda, "Amor de mulato", "Cachorro quente" e "Oh! Nina", em parceria com Lamartine Babo; "Mazinha", com Ari Kerner; "Meu pampa lindo", com Zeca Ivo; e "Não posso mais", com I. Kolman. Durante os oito meses de viagem, compôs várias músicas (foto ao lado: Elisa Coelho, a cantora para quem Ari dedicou No Rancho Fundo).

Em 1929 já de volta ao Rio de Janeiro, Ary deixou suas músicas na casa editora Carlos Wehrs, de onde duas - "Vamos deixar de intimidade" e "Vou à Penha" - foram levadas por Olegário Mariano e Luiz Peixoto para serem incluídas na revista 'Laranja da China', que era apresentada no Teatro Recreio. "Vamos deixar de intimidade" acabou sendo gravada por seu amigo e colega de faculdade Mário Reis, transformando-se no primeiro sucesso de Ary Barroso.


Em 1929 Ary concluiu seu curso de Direito e compôs, em parceria com Cardoso de Menezes e Bitencourt, "O amor vem quando a gente não espera" e em parceria com Olegário Mariano, "Tu qué tomá meu nome". Ainda nesse ano Ary compôs os sambas "É banal", "Nini" e "Vá cumprir o teu destino", a valsa "Labaredas de amor" e a marcha "Dá nela", que, por incentivo de Eduardo Souto, foi inscrita no concurso de músicas carnavalescas da Casa Edison para o carnaval de 1930. A música obteve o primeiro lugar. Com o prêmio de 5 contos de réis, Ary pagou algumas dívidas. Com o que sobrou, pode se casar com Ivone Belfort de Arantes (foto: um beijo em Araci de Almeida, a grande intérprete de "Camisa amarela", 1953). Ainda em 1930 Ary compôs as canções "Como se deve amá", "Quanto num chorei" e "Teus óio", a marcha "Eu sou do amor", o samba-canção "Fugiu, fugiu!" e os sambas "Oba!" e "Samba da gelatina" e também a marcha "Dona Alice" e os sambas "Juramento", "O nego no samba" e "Samba de São Benedito" em parceria com Marques Porto e Luiz Peixoto; o samba "No morro (eh! eh!)" e o foxtrote "Sapateado", em parceria com Luís Eglésias; o samba "Outro amor", em parceria com Claudionor Machado; e o samba "Você não era assim", em parceria com Aricles França.


Em 1931 Ary produziu várias composições para o teatro musicado, destacando-se "Faceira", lançada por Sílvio Caldas na revista 'Brasil do Amor', que estreou em maio, no Teatro Recreio (foto: Ary Barroso também foi radialista de jogos de futebol. Era a oportunidade de expressar sua enorme paixão por esse esporte e pelo Flamengo). Em junho, era encenada, no mesmo teatro, a revista "É do balacobaco", na qual estava incluída, entre outras, a música de Ary "Na grota funda", com letra do caricaturista J. Carlos. Na estréia estava presente Lamartine Babo que impressionado com a música, resolveu escrever outra letra para a melodia. Nascia, assim, "No Rancho Fundo", lançado dias depois no programa que Lamartine comandava na Rádio Educadora do Rio de Janeiro. Ainda desse ano são suas composições "Bahia", "Batuque", "Benzinho", "Cavanhaque", "Deixa disso", "É bamba", "E do balacobaco", "É de outro mundo", , "Não faz assim meu coração", "Por causa do boneco", "Rosalina", "Seu Manduca esfarrapado", "Sou da pontinha", "Tenho saudade", "Terra de laiá" e "Vai tratar da tua vida" e ainda "Gira", em parceria com Marques Porto; "Mão no remo", com Noel Rosa; "Não quero você" e "O sabiá de sinhá moça", com os Irmãos Quintiliano; "Nega baiana", com Olegário Mariano; "Quem me compreende", com Bernardino Vivas; "Sai, barbado", com Ainejeré; e "Sem querer...", com Marques Porto e Luiz Peixoto.

Foto: Orlando Silva e Ary Barroso no meio de populares e jornalistas. Era o encontro entre um dos intérpretes mais populares do país e o compositor que havia rompido as fronteiras brasileiras e fazia sucesso nos Estados Unidos.

Em 1932, convidado por Renato Murce, Ary foi para a Rádio Philips. Começou como pianista e logo se tornou locutor, inclusive esportivo, humorista e animador. Apresentou-se no programa 'Horas de Outro Mundo' e no programa "Casé". Nesse mesmo ano ainda compôs "Aula de música", "De longe", "É mentira, oi", "Isso é xodó", "Malandragem", "Na Piedade", "Nosso amô veio dum sonho", "Pobre e esfarrapada", "Primeiro amor", "Um samba em Piedade" e "Sonhei que era feliz". Em parceria com Luiz Peixoto, compôs "Maria"; com Haroldo Daltro, compôs "Menina que tem uma pose"; com Lamartine Babo, "Minha palmeira triste"; com Claudeniro de Oliveira ,"Não posso acreditar"; com Sílvio Caldas, "Pente fino"; com Norival de Freitas, "Recordações"; e com Luciano Perrone compôs "Vou deixá o batedô" (foto: a cantora Ângela Maria, que na década de 50, se lançou no mercado do disco gravando várias composições de Ary Barroso. Ela era uma de suas intérpretes favoritas).
De 1933 são suas composições "Amor fatal", "Cabrocha inteligente", "Eu vou pra Maranhão", "Falta de consciência", "Flor de inverno", "Quando a morte vem chegando" e "Segura esta mulher" e, ainda, "Nego também é gente", feita em parceria com De Chocalat, e "Zombando da vida", composta em parceria com Márcio Lemes Azevedo .



Foto: Durante muitos anos Ary Barroso comandou um programa de calouros em diferentes rádios do Rio de Janeiro. Mas foi na rádio Tupi que o programa ficou mais conhecido e se tornou sucesso popular da época. Durante o show, Ary fazia soar um gongo, como sinal de que o candidato estava eliminado.

Em 1934, depois de ter ido à Bahia como pianista da orquestra de Napoleão Tavares, Ary criou, na Rádio Cosmos de São Paulo, o programa "Hora H". Nesse mesmo ano compôs "Anistia", "Bateram na minha porta", "Caco velho" "Cavalhada franciscana", "Correio já chegou", "Duro com duro", "É assim que se vai no arrastão", "Malandro sofredor", "Moçoró, minha nega", "Perdão", "Por especial favor", "Sentinela alerta" e "Tu". Também com Osvaldo Santiago, compôs "Balão que muito sobe"; com José Carlos Burle, "Caboca"; com Oduvaldo Viana, "Canção da Felicidade"; com Noel Rosa, "Estrela da manhã"; com Francisco Alves, "Meu Natal"; e com Luiz Peixoto, "Neném" e "Na batucada da vida", regravada por Elis Regina em 1974, contribuindo para tornar ainda mais amarga a mensagem da composição (foto: Ary toca e Carmen Miranda canta para Max Gordon, EUA, 1944).

Em 1935 Ary Barroso levou o programa "Hora H" para a Rádio Cruzeiro do Sul, do Rio de Janeiro, e também estreou como locutor esportivo, auxiliando Gagliano Neto na transmissão de corridas de automóvel, no circuito da Gávea. Como locutor de futebol, Ary ficou famoso por tocar uma gaita de boca toda vez que era marcado um gol e também por sua parcialidade em favor do Flamengo.

As múltiplas atividades desenvolvidas não sufocaram o compositor Ary Barroso. Pelo contrário, ele ia se tornando um dos mais férteis autores da MPB, revelando novos sucessos a cada ano. Com Nássara, ele compôs "Dona Helena" e "Garota colossal"; com Lamartine Babo, "E o samba continua", "Grau dez" e "Na virada da montanha"; com Luiz Peixoto, "Por causa dessa cabocla"; e com Kid Pepe, compôs "Mulatinho bamba". Ainda em 1935, Ary Barroso compôs "ABC do amor", "Anoiteceu", "É pra frente que se anda", "Eu sonhei", "Foi ela", "Menina tostadinha", "Nosso ranchinho", "Os quindins de Iaiá", "Sobe meu balão" e "Inquietação", lançado por Sílvio Caldas naquele ano e regravado por Gal Costa em 1980. A extraordinária linha melódica de "Inquietação" é considerada uma das elaborações mais perfeitas de Ary Barroso.

Em 1936 Ary Barroso compôs as marchas "A casa dela", "Esta noite sonhei com você", "Paulistinha querida" e "Viu..." os sambas "Minha maior ilusão", "Sem ela", "Sonho de amor" e "Volta meu amor"; a batucada "Deve ser o meu amor" e, ainda, a marcha "Cachopa", em parceria com Luiz Peixoto; a marcha "Chiribiribi quá-quá", com Nássara; a marcha "Chopp em garrafa", com Bastos Tigre; e o "Hino do Colégio de Cataguases", com Tostes Malta.

Em 1937 Ary Barroso lançou o programa 'Calouros em Desfile', na Rádio Cruzeiro do Sul, que depois foi levado para a TV Tupi. Nesse programa Ary exigia que os candidatos cantassem somente música brasileira e que anunciassem corretamente o nome dos compositores. Na TV Tupi, Ary instituiu o gongo, tocado para desclassificar os candidatos muito ruins. Mas o gongo silenciou diante de nomes como Ângela Maria e Lúcio Alves, dois dos muitos grandes intérpretes que ali se lançaram. São também de 1937 suas composições "Confissão de amor", feita em parceria com Joraci Camargo; "Janjão e Zabé", em parceria com Paulo Roberto e, ainda, as composições "Amar", "Carioquinha brejeira", "Colibri", "Como vaes você", "Foi de madrugada", "Quem é o homem", "Uma futura lágrima", "Não se deve lamentar", "Novo amor", "Olha a lua" e "No tabuleiro da baiana", que foi composta para um espetáculo do Teatro Recreio, no Rio de Janeiro, e Ary acabou vendendo os direitos da composição para Jardel Jércolis, que a explorou em espetáculos teatrais. Mais tarde, quando esse 'samba-batuque' passou a ser sucesso no Cassino Atlântico, na interpretação de Grande Otelo e Déo Maia, Ary Barroso requereu e obteve judicialmente a propriedade da música.


Em 1938 Ary Barroso foi para a Rádio Tupi, onde atuou o comentarista, humorista, ator e locutor. Nesse ano ainda compôs, em parceria com Luís Iglesias, "Boneca de pixe"; com Alcir Pires Vermelho, "A casta Suzana" e "O meu dia há de chegar"; com Gomes.Filho, "A cigana lhe enganou"; e com Luiz Peixoto, "Quando eu penso na Bahia" (foto: durante muito tempo Ary Barroso, além de compositor, se dividiu entre o trabalho como cronista, roteirista de radionovelas, político e locutor de jogos de futebol).
São também de 1938 suas composições "Circo de cavalinhos", "Como as ondas do mar", "De déu em déu", "Ela sabe e não diz", "Escreva um bilhetinho", "Eu dei..." "Meu amor não me deixou", "Pois sim!,., pois não!", "Salada mista", "A única lembrança", "Vão pro Scala de Milão", "Você está aí pra isso?" e "Na Baixa do Sapateiro", que foi gravado por Carmen Miranda, mas só obteve sucesso no Brasil depois de ter chamado a atenção do mundo na trilha sonora do desenho 'Você já foi à Bahia?', de Walt Disney. Este samba-jongo deveria chamar-se 'Bahia', nome que Ary conservou nas edições estrangeiras, mas acabou por denominá-lo "Na baixa do sapateiro", para não confundir essa música com sua outra "Bahia", composta em 1931.

Em 1939 Ary Barroso lançou, no espetáculo 'Joujox et balagandans', de Henrique Pongetti, o samba "Aquarela do Brasil", iniciador do samba-exaltação, de melodia extensa e sempre apoiado em grande aparato orquestral - gênero que se acreditava destinado à conquista do mercado internacional da música popular; "Aquarela do Brasil" só teve sucesso depois da gravação feita por Francisco Alves. Ainda nesse ano, compôs, em parceria com Noel Rosa, "De qualquer maneira" e, em parceria com Alcir Pires Vermelho, "E a testa, Maria?", "Vingança" e "A vizinha das vantagens". São ainda de 1939 suas composições "Batalhão de amor", "Quando a noite é serena", "Viver assim não é vida" e "Camisa amarela", grande sucesso na gravação original, na voz de Araci de Almeida, sendo regravado, depois, pela própria Araci e por vários outros intérpretes.

Em 1940 Ary Barroso compôs os sambas "Deixa esta mulher sofrer", "Eu gosto do samba" e "Nunca mais"; as marchas "Iaiá boneca" e "Upa, upa (Meu trolinho)" e a valsa "Mentira de amor" e, também, a marcha "Pega no pau da bandeira", em parceria com J. Castro; o samba "Se Deus quiser" e a marcha "Veneno", com AlcIr Pires Vermelho; e o samba "Vespa", em parceria com Malfitano. Em 1943 compõe "Pra machucar meu coração" e "Terra seca" e as marchas "Cem por cento brasileiro" e "Quem cabras não tem...".


No início de 1944 Ary Barroso foi, pela primeira vez, aos Estados Unidos e compôs, para o filme 'Brasil', a música "Rio de Janeiro", que chegou a ser indicada para o Oscar. Também de 1944 são suas composições "Diz que dão", "Na parede da igrejinha" e "Olhos divinos". Nesse mesmo ano surgiu a Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores da Música - SBACEM, da qual Ary foi, praticamente, o primeiro presidente. Pelo trabalho que realizou em defesa do direito autoral, Ary foi aclamado Presidente de Honra e Conselheiro Perpétuo dessa entidade. No final de 1944 Ary Barroso voltou aos Estados Unidos, onde permaneceu por oito meses, ganhando mil dólares por semana. Dessa vez compôs a canção-tema do filme 'Três Garotas de Azul'. Em 1945 Ary compôs, em parceria com Juan Daniel, a valsa "Cuatro palabritas". Ary voltaria ainda mais urna vez à América do Norte, em 1945, para musicar "O Trono das Amazonas", que teria 18 composições suas e que não chegou a ser encenado, porque o produtor faliu pouco antes da estréia.

Em 1946 Ary Barroso se candidatou a vereador no Rio de Janeiro, pela União Democrática Nacional e teve a segunda maior votação da Câmara de Vereadores do então Distrito Federal. Ary só perdeu para Carlos Lacerda. O talento de polemista de Ary e a mesma paixão com que irradiava partidas de futebol foram levados para a política. Sua grande batalha foi a do local onde seria construído o Maracanã. Carlos Lacerda queria que o enorme estádio fosse erguido na restinga de Jacarepaguá, mas Ary conseguiu que o local aprovado fosse o terreno do Derby Club. Para isso, Ary realizou diversas manobras: para conseguir o apoio da bancada majoritária, a do Partido Comunista Brasileiro, com 18 vereadores, Ary pediu, junto com João Lyra Filho, uma pesquisa ao IBOPE, cujo resultado apontou que 88% da população queria o estádio no terreno do Derby, onde, aliás, acabou sendo construído.


Também de 1946 são seus sambas "Assobia um samba" "Bahia imortal" e "Eu nasci no morro". Em 1947 Ary Barroso compôs o samba "Deixa o mundo falar" e a marcha "É pão, ou não é?". De 1948 são suas composições "Grave revelação", "Mal-me-quer, bem-me-quer", "Podes ir, meu amor", "Rio" e "Falta um zero no meu ordenado", esta em parceria com Benedito Lacerda (foto:Luiz Peixoto, parceiro freqüente do compositor Ary Barroso).

Em 1950 aparecem os sambas "Aquarela mineira", "O Brasil há de ganhar", "Chama-se João", "Forasteiro" e "Vai de vez", as marchas "Flor tropical" e "No jardim dos meus sonhos" e ainda o samba "Carne seca com tutu", em parceria com Vilma Quantiere de Azevedo.
De 1951 são os sambas "Ai, Geni", "Iaiá da Bahia" e "Na beira do cais"; os choros "Chorando" e "Sambando na gafieira"; a marcha "O mar também conhece"; o samba-canção "Plena manhã" e, também, o samba-canção "Mentira", feito em parceria com Augusto Jaime de Vasconcelos, e o samba "Primavera", feito em parceria com Lúcia Alves Calão.

Ary Barroso sempre esteve em campo para promover a música brasileira. Em seus programas prestigiava os calouros que apresentavam canções do repertório nacional. Tinha horror aos acordes americanos em samba. Nas várias vezes em que esteve no exterior, preocupou-se em levar o samba autêntico. Quando, em 1952, compôs o samba-canção "Risque", teve de brigar para que não fosse gravado como bolero. A primeira gravação de "Risque" Foi de Aurora Miranda, irmã de Carmen Miranda; mas foi na voz de Linda Batista que o samba-canção teve sucesso Com Iraci N. Silva, Ary compôs, em 1952, o samba "Cruel resistência". Também de 1952 são suas composições "Fechei a página", "Flores mortas", "Laço branco", "Nada mais me consola", "O nosso amor morreu" e "Folha morta", gravado por Dalva de Oliveira para a Odeon, em Londres, e lançado no Brasil com sucesso imediato. Quatro anos mais tarde, "Folha morta" foi gravada por Jamelão, na Continental, reeditando o sucesso da música e confirmando, mais uma vez, o bem-sucedido de Ary Barroso no gênero samba-mórbido.

A princípio Ary Barroso não gostava da bossa nova, mas isso não o impediu de colocar "A felicidade", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, entre as dez melhores músicas populares de todos os tempos. Assim era Ary: impulsivo, orgulhoso, sempre pronto a criticar abertamente o que julgasse errado. Logo, seu encontro com o compositor Heitor Villa-Lobos só podia dar no que deu: briga. Num concurso de música, Villa-Lobos negou a Ary o primeiro lugar, que muitos achavam ser ele merecedor. Isso bastou para que rompessem relações. No dia 7 de setembro de 1955, Ary e Villa-Lobos se encontraram no Palácio do Catete, para receber a Ordem do Mérito, que lhes havia sido concedida pelo Presidente da República, Café Filho. Foi então que David Nasser, vencedor do concurso gerador do ressentimento, contou a Ary que havia ganhado o prêmio porque Villa-Lobos sabia das dificuldades que David atravessava na época e tinha resolvido ajudá-lo. Us dois gênios geniosos se abraçaram e acabou-se o desentendimento.

Foto:Ary Barroso e Heitor Villa-Lobos: grandes nomes da cultura recebendo a Comenda da Ordem do Mérito Nacional, em 1955.

Em 1957 Ary foi homenageado com o espetáculo 'Mr. Samba', do produtor Carlos Machado. Montado na boate Night and Day, do Rio de Janeiro, o roteiro do show sugeria sua biografia, utilizando suas próprias composições. Desse ano são suas composições "Colombinas fracassadas", "Grand monde do crioléu", "Mês de Maria", "Não quero mais", "Não quero saber", "Nega nhanhá", "Só", "Vem cá, Mané" e, ainda, "Vou procurar outro bem", em parceria com Nestor de Holanda e "É luxo só", em parceria com Luiz Peixoto.

Em 1958 Ary Barroso compôs os sambas "Essa diaba", "Eu fui de novo à Penha" e "Você fracassou" e a valsa "Sombra e luz". De 1959 é o samba-canção "Cantiga de enganar tristeza', composto em parceria com Tiago de Melo. Em 1960 Ary Barroso foi vice-presidente do departamento cultural e recreativo do Clube de Regatas Flamengo. São também de 1960 suas composições "Dois amigos", "Jogada pelo mundo" e "Pierrô" e, ainda, "Esquece" e "Samba no céu", feitas em parceria com Meira Guimarães e "Bebeco e Doca", em parceria com Luiz Peixoto.
Em 1961 Ary adoeceu de cirrose hepática e foi viver em um sítio em Araras, Rio de Janeiro. Mesmo assim, nesse ano, ainda compôs "Canção em tom maior", "Semente do amor", "Tufão" e "Quero voltar à Bahia", esta em parceria com Meira Guimarães.

Em 1962, parcialmente restabelecido, Ary retomou seu programa na TV Tupi, 'Encontro com Ary', transmitido aos domingos. Desse ano é sua composição "Balada da saudade" e as composições, em parceria com Vinícius de Moraes, "Em noite de luar", "Mulata no sapateado", "Rancho das namoradas" e "Já era tempo". Internado na Casa de Saúde São José, com nova crise de cirrose, Ary Barroso parecia recuperar-se no Natal de 1963. Mas sofreu uma nova crise e foi internado no Instituto Cirúrgico Gabriel de Lucena. Ary Barroso morreu pouco antes das 10 horas da noite de 9 de fevereiro de 1964. Mesmo depois de sua morte, Ary Barroso, o compositor brasileiro mais conhecido em seu país e fora dele, continua sendo gravado por grandes e famosos intérpretes, que reconhecem seu extraordinário talento.

Algumas letras e músicas cifradas:

Aquarela do Brasil, Boneca de piche, Caco velho, Camisa amarela, Dá nela, É luxo só, Eu dei, Eu nasci no morro, Faceira, Foi ela, Folha morta, Inquietação, Isto aqui, o que é? (Sandália de prata), Já era tempo, Jogada pelo mundo, Maria, Morena Boca de Ouro, Na Baixa do Sapateiro, Na batucada da vida, No Rancho Fundo, No tabuleiro da baiana, Os quindins de Iaiá, Por causa dessa cabocla, Pra machucar meu coração, Quando eu penso na Bahia, Rancho das namoradas, Risque, Terra seca, Três lágrimas, Tu, Upa, upa (Meu trolinho), Vamos deixar de intimidade.

Obra completa:

ABC do amor, marcha, 1935; Ai, Geni, samba, 1951; Amar, valsa, 1937; Amizade, samba-canção, 1928; Amor de mulato (c/Lamartine Babo), marcha, 1928; Amor fatal, fox, 1933; O amor vem quando a gente não espera (c/Cardoso de Meneses e Bittencourt), 1929; Anistia, samba, 1934; Anoiteceu, samba, 1935; Aquarela do Brasil, samba, 1939; Aquarela mineira, samba, 1950; Assobia um samba, samba, 1946; Aula de música, samba, 1932; Bahia, samba, 1931; Bahia imortal, samba, 1946; A baiana saiu de espanhola, marcha, 1941; Balada da saudade, samba, 1962; Balão que muito sobe (c/Osvaldo Santiago), marcha, 1934; Batalhão do amor, marcha, 1939; Bateram na minha porta, canção, 1934; Batuca nega, samba, 1942; A batucada começou, samba, 1941; Batuque, 1931; Bebeco e Doca (c/Luís Peixoto), samba, 1960; Benzinho, samba, 1931; Blim...blem... blão..., marcha, 1941; A boa mazurca, mazurca-samba, 1942; Boneca de piche (c/Luís Iglésias), cena carioca, 1938; O Brasil há de ganhar, samba, 1950; Brasil moreno (c/Luís Peixoto), samba, 1942; Caboca (c/José Carlos Burle), samba-canção, 1934; Cabrocha inteligente, samba, 1933; Cachopa (c/Luís Peixoto), marcha, 1936; Cachorro quente (c/Lamartine Babo), marcha, 1928; Caco Velho, samba-canção, 1934; Camisa amarela, samba, 1938; Canção da felicidade (c/Oduvaldo Viana), 1934; Canção em tom maior, 1961; Canta, Maria, valsa estilo português, 1941; Cantiga de enganar tristeza (c/Tiago de Melo), samba-canção, 1959; Carioquinha brejeira, marcha, 1937; Carne seca com tutu (c/Vilma Quantiere de Azevedo), samba, 1959; A casa dela, marcha, 1936; A casta Suzana (c/Alcir Pires Vermelho), marcha, 1938; Cavalhada franciscana, intermezzo carnavalesco, 1934; Cavanhaque, marcha, 1931; Cem por cento brasileira, marcha, 1943; Cena de senzala (c/George André), samba, 1941; Censura (c/Amaro Silva), samba, 1942; Chama-se João, samba, 1950; Chiribiribi quá-quá (c/Nássara), marcha, 1936; Chopp em garrafa (c/Bastos Tigre), marcha, 1936; Chorando, choro, 1951; Chula-ô, marcha, 1942; A cigana lhe enganou (c/Gomes Filho), marcha, 1938; Cinco horas da manhã, samba, 1943; Circo de cavalinhos, marcha, 1938; Coisas do Carnaval, samba, 1942; Colibri, marcha, 1937; Colombinas fracassadas, samba, 1957; Como as ondas do mar, marcha, 1938; Como se deve amá, canção, 1930; Como vais você?, marcha, 1937; Confessa (c/Amaro Silva), samba, 1942; Confissão de amor (c/Joraci Camargo), valsa, 1937; Correio já chegou, samba, 1934; Cruel resistência (c/Iraci N. Silva), samba, 1952; Cuatro palabritas (c/Juan Daniel), valsa, 1945; Dá nela, marcha, 1930; De déu em déu, marcha, 1938; De longe, cateretê, 1932; De qualquer maneira (c/Noel Rosa), samba, 1939; Deixa disso, samba, 1931; Deixa essa mulher sofrer, samba, 1940; Deixa o mundo falar, samba, 1947; Dengo, samba, 1953; Deve ser o meu amor, batucada, 1936; Diz que dão, samba, 1944; Dois amigos, samba-canção, 1960; Dona Alice (c/Marques Porto e Luis Peixoto), marcha, 1930; Dona Helena (c/Nássara), marcha, 1935; Duro com duro, samba, 1934; E a festa, Maria? (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1939; É assim que se vai no arrastão, marcha, 1934; É bamba, samba, 1931; É banal, samba, 1929; É do balacobaco, samba, 1931; É do outro mundo, samba, 1931; É luxo só (c/Luís Peixoto), samba, 1957; É mentira, oi, samba, 1932; E o samba continua (c/Lamartine Babo), samba, 1935; É pão ou não é?, marcha, 1947; É pra frente que se anda, samba, 1935; Ela sabe e não diz, samba, 1938; Ela vive chorando (c/Álvaro de Carvalho), samba, 1941; Em noite de luar (c/Vinícius de Morais), samba-canção, 1962; Escrevi um bilhetinho, marcha, 1 938 (c/Meira Guimarães), samba, 1960; Essa diaba, samba, 1958; Esta noite eu sonhei com você, marcha, 1936; Estrela da manhã (c/Noel Rosa), samba, 1934; Eu dei..., marcha, 1938; Eu fui de novo à Penha, samba, 1958; Eu fui ver, samba, 1956; Eu gosto do samba, samba, 1940; Eu não sou manivela, samba, 1953; Eu nasci no morro, samba, 1946; Eu sonhei, samba, 1935; Eu sou do amor, marcha, 1930; Eu vou pro Maranhão, samba, 1933; Faceira, samba, 1931; Faixa de cetim, samba, 1942; Falta de consciência, samba, 1933; Falta um zero no meu ordenado (c/Benedito Lacerda), samba, 1948; Fechei a página, marcha, 1952; Flor de inverno, fox-trot, 1933; Flor tropical, marcha, 1950; Flores mortas, samba, 1952; Foi de madrugada, batucada, 1937; Foi ela, samba, 1935; Folha morta, samba-canção, 1953; Forasteiro, samba, 1950; Fugiu, fugiu!, samba-canção, 1930; Uma furtiva lágrima, marcha, 1937; Garota colossal (c/Nássara), marcha, 1935; Gasparino, samba, 1942; Gira (c/Marques Porto), samba, 1931; Grand monde do crioléu, samba, 1957; Grau dez (c/Lamartine Babo), marcha, 1935; Grave revelação, samba, 1948; Hino do Colégio de Cataguases (c/Tostes Malta), 1936; Iaiá boneca, marcha, 1940; Iaiá da Bahia, samba, 1951; Inquietação, samba, 1935; Isso é xodó, marcha, 1932; Isto aqui o que é?, samba, 1942; Já era tempo (c/Vinícius de Morais), samba, 1962; Janjão e Zabé (c/Paulo Roberto), marcha, 1937; Jogada pelo mundo, samba, 1960; Juramento (c/Marques Porto e Luís Peixoto), samba, 1930; Labaredas do amor (c/Aldo Taranto), valsa, 1929; Laço branco, cateretê mineiro, 1952; Linguagem do olhar, samba, s.d.; Longe de você (c/Luís Peixoto), samba-canção, 1963; Madrugada, samba, 1943; Mal- me-quer, bem-me-quer, marcha, 1948; Malandragem, canção, 1932; Malandro sofredor, samba, 1934; Mão no remo (c/Noel Rosa), samba, 1931; O mar também conhece, marcha, 1951; Maria, samba carnavalesco, 1931; Maria (c/Luís Peixoto), samba-canção, 1931; Maria das Dores, samba-canção, 1954; Mazinha (c/Ari Kerner), tango, 1928; Menina que tem uma pose (c/Haroldo Daltro), samba, 1932; Menina tostadinha, marcha, 1935; Mentira (c/Augusto Jaime de Vasconcelos), samba- canção, 1951; Mentira de amor, valsa, 1940; Mês de Maria, samba, 1957; Meu amor não me deixou, samba, 1938; O meu dia há de chegar (c/Alcir Pires Vermelho), marcha, 1938; Meu Natal (c/Francisco Alves), marcha, 1934; Meu pampa lindo (c/Zeca Ivo), canção, 1928; Minha maior ilusão, samba, 1936; Minha palmeira triste (c/Lamartine Babo), samba-canção, 1932; Morena boca de ouro, samba, 1941; Moçoró, minha nega, samba, 1934; Mulata de Mangueira, samba, 1966; Mulata no sapateado (c/Vinícius de Morais), samba, 1962; Mulatinho bamba (c/Kid Pepe), marcha, 1935; Na Baixa do Sapateiro, samba-jongo, 1938; Na batucada da vida (c/Luís Peixoto), samba-canção, 1934; Na beira do cais, samba, 1951; Na parede da igrejinha, samba, 1944; Na Piedade, samba, 1932; Na virada da montanha (c/Lamartine Babo), samba, 1935; Nada mais me consola, samba, 1952; Não é vantagem, samba, 1942; Não faz assim, meu coração, samba, 1931; Não posso acreditar (c/Claudemiro de Oliveira), samba, 1932; Não posso mais (c/I.Kolman), marcha, 1928; Não quero mais, samba, 1957; Não quero saber, samba, 1957; Não quero você (c/Irmãos Quintiliano), samba, 1931; Não se deve lamentar, marcha, 1937; Não vou lá, samba, 1928; Nega baiana (c/Olegário Mariano), samba, 1931; Nega Nhanhá, samba, 1957; O nego no samba (c/Marques Porto e Luís Peixoto), samba, 1930; Nego também é gente (c/De Chocolat), marcha, 1933; Nem ela, samba, 1956; Neném (c/Luís Peixoto), marcha, 1934; Nini, samba, 1929; No jardim dos meus amores, marcha, 1950; No morro (Eh! eh!) (c/Luís Iglésias), samba, 1930; No rancho fundo (c/Lamartine Babo), samba-canção, 1931; No tabuleiro da baiana, batuque, 1937; Nóis precisemo, samba, 1954; Um nome para esta valsa, 1954; Nosso amô veio dum sonho, samba, 1932; O nosso amor morreu, samba, 1952; Nosso ranchinho, marcha, 1935; Novo amor, samba, 1937; Nunca mais, samba, 1940; Oba!, samba, 1930; Ocultei, samba-canção, 1954; Oh! Nina (c/Lamartine babo), fox-trot, 1928; Olha a lua, samba, 1937; Olhos divinos, valsa, 1944; Outro amor (c/Claudionor Machado), samba, 1930; Palmeira triste (c/Lamartine Babo), samba-canção, 1932; Passei na ponte, marcha, 1941; O passo do vira, marcha, 1941; Paulistinha querida, marcha, 1936; Pega no pau da bandeira (c/J. Castro), marcha, 1940; Pente fino (c/Sílvio Caldas), marcha, 1932; Perdão, samba, 1934; Pica-pau, marcha, 1942; Pierrô, samba, 1960; Plena manhã, samba-canção, 1951; Pobre e esfarrapada, samba, 1932; Podes ir, meu amor, valsa, 1948; Por especial favor, marcha, 1934; Pois sim!, pois não!, samba, 1938; Por causa desta cabocla (c/Luís Peixoto), samba, 1935; Por conta do boneco, samba, 1931; Pra machucar meu coração, samba, 1943; Primavera (c/Lúcia Alves Catão),samba, 1951; Primavera do Brasil (c/Guilherme Figueiredo), hino, 1956; Primeiro amor, canção, 1932; Prossiga, samba, 1955; Quando a noite é serena, samba, 1939; Quando a noite vem chegando, samba, 1933; Quando eu penso na Bahia (c/Luís Peixoto), samba jongo, 1938; Quanto num chorei, canção, 1930; Quem cabras não tem..., marcha, 1943; Quem é o homem, marcha, 1937; Quem me compreende (c/Bernardino Vivas), canção, 1931; Quem sabe, sabe, marcha, 1956; Qué-qué-qué-rê (c/Álvaro S. Carvalho), marcha, 1941; Quero dizer-te adeus, valsa, 1942; Quero voltar à Bahia (c/Meira Guimarães), samba, 1961; Os quindins de Iaiá, samba, 1941; Rancho das namoradas (c/Vinícius de Morais), marcha, 1962; Recordações (c/Norival de Freitas), canção, 1932; Rio, samba, 1948; Rio de Janeiro, samba, 1950; Risque, samba, 1952; Rosa, samba, 1956; Rosalina, marcha, 1931; O sabiá de sinhá moça (c/Irmãos Quintiliano), toada, 1931; Sai, barbado (c/Ainejerê), samba, 1931; Salada mista, marcha, 1938; Samba (c/Luis Iglésias), 1955; Samba da gelatina, 1930; Samba de São Benedito (c/Marques Porto e Luís Peixoto), 1930; Samba em Mangueira, s.d.; Um samba em Piedade, 1932; Samba no céu (c/Meira Guimarães), 1960; Samba-charleston, s.d.; Sambando na gafieira, choro, 1951; Sapateado (c/Luís Iglésias), fox-trot, 1930; Se Deus quiser (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1940; Segura a fazenda, samba, 1928; Segura esta mulher, marcha, 1933, Sem ela, samba, 1936; Sem querer...(c/Marques Porto e Luís Peixoto), samba-canção, 1931; Semente do amor, balada, 1961; Sentinela alerta, samba, 1934; Seu Manduca esfarrapado, batuque, 1931; Só a saudade não passa, samba, 1941; Só, samba, 1957; Sobe meu balão, marcha, 1935; Sombra e luz, valsa, 1958; Sonhei que era feliz, samba, 1932; O sonho azul da minha vida (c/Miguel Santos e Paulo Orlando), valsa, 1936; Sonho de amor, samba, 1944; Sou da pontinha, marcha, 1931; O tal bichinho, marcha, 1928; Tenho saudade, samba, 1931; Terra de Iaiá, samba, 1931; Terra seca, samba, 1943; Teus óio..., canção, 1930; Trapo de gente, samba-canção, 1953; Três lágrimas, canção, 1941; Tristeza dos sinos, valsa, s.d.; Tu, samba-canção, 1934; Tu quê tomá meu nome (c/Olegário Mariano), samba, 1929; Tu queres muito, samba, 1928; Tufão, samba, 1961; Ubaenses gloriosos, marcha, 1918; A única lembrança, samba-canção, 1938; Upa... upa... (Meu trolinho), marcha, 1940; Vá cumprir o teu destino, samba, 1929; Vai de vez, samba, 1950; Vai tratar da tua vida, samba, 1931; Vamos deixar de intimidades, samba, 1929; Vão pro Scala de Milão, samba, 1938; Vem cá, Mané, samba, 1957; Veneno (c/Alcir Pires r Vermelho), marcha, 1940; Vespa (c/Malfitano), samba, 1940; Vingança (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1939; Viu..., marcha, 1936; Viver assim não é vida, samba, 1939; A vizinha das vantagens (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1939; Você está aí pra isso?, marcha, 1938; Você fracassou, samba, 1958; Você não era assim (c/Aricles França), samba, 1930; Volta, meu amor, samba, 1936; Vou à Penha, samba, 1929; Vou deixá o batedô (c/Luciano Perrone), samba, 1932; Vou procurar outro bem (c/Nestor de Holanda), samba, 1957; Zombando da vida (c/Márcio Lemes Azevedo), samba, 1933.

fontes: Cifraantiga, Memórias da MPB (Samira Prioli Jayme).

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