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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Trepa no Coqueiro

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Trepa no Coqueiro - 1930 - Ari Kerner V. de Castro--clique para ouvir amostra da música


Oi, trepa no coqueiro / Tira côco
Gipe, gipe, nheco, nheco / No coqueiro olirá

Papai, cadê Maria? / Maria foi passeá
Papai, cadê Maria? / Maria foi passeá
Os passeio de Maria / Faz papai, mamãe chorá

Oi, trepa no coqueiro...

Maria é moça nova / Sorteira, não tem juízo
Maria é moça nova / Sorteira, não tem juízo
Os passeio de Maria / Só pode dá prejuízo

Oi, trepa no coqueiro...

Maria sobe a ladeira / Maria pula regato
Maria sobe a ladeira / Maria pula regato
Mas com essa brincadeira / Gasta a sola do sapato

Oi, trepa no coqueiro...
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domingo, 12 de agosto de 2007

Tardes de Lindóia

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Tardes de Lindóia - 1930 - Zequinha de Abreu e Pinto Martins

----A ----------E7----------- A
Tardes silenciosas de Lindóia
--------------C°------------ Bm---- Gb7
Quando o sol morre tristonho
-----Bm------------------------ E7
Tardes em que toda a natureza
----------------------------A------ E7
Veste-se de véu, e de sonho

-----A -----------E7-------------- A
Baixo os arvoredos murmurantes
-----Gb7--------------- Bm
Da tênue brisa a soprar
D----------- Eb°--------- A------ Gb7
Anjinho dos sonhos meus
--------------------B7-------------- E7------- A---- Db7
Não sabes tu como é sublime contigo sonhar
------Gbm------------------ Bm
Longe lá no horizonte calmo
-------------------------Db7
As nuvens se incendeiam
---------------------Gbm----- Db7
Num incêndio de luz
-----Gbm -------------------Db7
Vibra e se exalta minh’alma
--------------------------Gbm----- Db7
Na sensação que a seduz
Gbm------------------ Bm
Um plangente sino toca
----------------------------Db7
Chamando à prece a todos
--------------------------Gbm------ Gb7
Os que ainda sabem crer
-----------------------Bm
Então eu sonho e creio
---------------------Gbm
Beijar tua linda boca
---------------------Ab7- Db7- Gbm
Para acalmar o meu sofrer.
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Ta-Hi

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Embora pouco afeito ao gênero, foi numa marchinha que Joubert de Carvalho pensou no momento em que, apresentado a Carmen Miranda, prometeu uma música para ela gravar. E essa marchinha, feita em menos de 24 horas, chamou-se "Pra Você Gostar de Mim", título logo substituído pelo público por "Taí", a expressão com que se inicia o seu estribilho.
Na verdade, ao procurar criar uma música que tivesse tudo a ver com a personalidade da jovem cantora, Joubert acertou em cheio, pois a marchinha, além de tornar Carmen conhecida em todo o país, acabou por constituir um marco em sua carreira, acompanhando-a até o fim da vida. Lançada às vésperas do carnaval de 30, "Taí" foi sucesso durante o ano todo, sendo ainda uma das músicas mais cantadas no carnaval de 31, até mesmo mais do que no de 30.
Ta-hi (Pra Você Gostar de Mim)--- clique para ouvir amostra da música
(marcha/carnaval, 1930) - Joubert de Carvalho
Am-- Dm--------------------------------- Am
Tá-hi / Eu fiz tudo pra você gostar de mim
-------------------------------------------E7
Oh meu bem / Não faz assim comigo não
------------------------------------------------Am
Você tem, você tem / Que me dar seu coração

------------------------------------E7
Meu amor que não posso esquecer
----------------------------------Am
Se dá alegria, faz também sofrer
---------Dm ------------------Am
A minha vida foi sempre assim
-------------------E7------------------- Am
Só chorando mágoas.....que não tem fim

-----------------------------------E7
Essa história de gostar de alguém
--------------------------------Am
Já é mania que as pessoas tem
---------Dm----------------- Am
Se me ajudasse Nosso Senhor
---------------E7 -------------Am
Eu não pensaria mais no amor
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Na Pavuna

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Almirante dizia que não chegou a se entusiasmar quando Homero Dornellas lhe mostrou o samba "Na Pavuna", pedindo-lhe para completar a letra e, possivelmente, gravá-lo com o Bando de Tangarás. Depois, analisando melhor, ele concluiu que, apesar de seu aspecto simplório, a composição prestava-se muito bem para um tipo de acompanhamento, ainda inédito em gravações, e que consistia no uso de muita percussão, com instrumentos utilizados em blocos carnavalescos.
Foi assim que, em clima de grande animação, realizou-se a gravação deste samba com pandeiros, cuícas, tamborins, surdo e ganzá, percutidos por componentes de escolas de samba, gente que entendia do assunto.
O amplo sucesso de "Na Pavuna", a preferida do público no Carnaval de 30, veio provar que Almirante tinha razão ao levar para o estúdio aqueles instrumentos que, a partir daí, tiveram lugar certo nas orquestras brasileiras. O disco derrubou ainda um tabu, existente na época, de que o som de surdos e tamborins "sujava" as gravações. Detalhe curioso: "Na Pavuna" está classificado no selo do disco como "choro de rua no Carnaval".

Na Pavuna (samba/carnaval) - 1930 (Almirante e Homero Dornellas)
D
Na Pavuna, bum, bum, bum
Na Pavuna, bum, bum, bum
------------------------B7- E7- A7- D
Tem um samba, que só dá gente reiúna
-------------B7---- E7---- A7------ D
O malandro que só canta com harmonia
--------------B7----- E7------- A7-- D---- D7
Quando está metido em samba de arrelia
---------G --------Gm---- D-------- B7
Faz batuque assim no seu tamborim
---------E7---- A7 --------D -------D7
Com o seu time enfezando o batedor
----------G ------Gm------ D------- B7
E grita a negrada vem pra batucada
------------E7-------- A7----------- D
Que de samba na Pavuna tem doutor

----------B7-------- E7 -----A7------ D
Na Pavuna tem escola para o samba
----------------B7------- E7--- A7-- D--- D7
Quem não passa pela escola não é bamba
------G------ Gm------- D----- B7
Na Pavuna tem canjerê também
------------E7------------- A7-------- D--- D7
Tem macumba, tem mandinga e candomblé
-----G-------- Gm------ D------ B7
Gente da Pavuna só nasce turuna
--------E7------ A7---------------- D
É por isso que lá não nasce "mulhé"
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Já é demais

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Já é demais - 1930 (Sinhô)
Já é demais!
Meu bem, já é demais!
Deves dar fim a este modo de pensar
Basta de queixumes e ciúmes
Eu já notei que tu queres me acabar

Será que a santa de minha devoção
Abandonou o meu pobre coração?
Na tristonha solidão da futura traição
Da dor de uma paixão
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Dá nela

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Um incidente de rua em que populares gritavam "dá nela", ameaçando bater numa mulher, acabou fornecendo o mote para Ary Barroso escrever esta marchinha, vencedora do concurso de músicas para o carnaval de 30.

Embora longe de ser um primor de composição - foi escrita às pressas, no dia do concurso -, "Dá Nela" caiu logo no gosto do povo, sendo aproveitada num espetáculo de revista a que deu nome.

Mas, como sempre acontece em competições musicais, houve quem não gostasse de sua vitória, no caso o polêmico Sinhô que, com o pseudônimo de Zé Baião, replicou com o samba Dá nele, que começava com o verso "Esses mineiros vem pra cá com a mania de abafar".

Dá Nela (marcha/carnaval) - 1930 (Ary Barroso)----clique para ouvir amostra da música

E
Esta mulher
------------------------------B7
Há muito tempo me provoca
------------------E
Dá nela! Dá nela!
É perigosa
---------------------------B7
Fala mais que pata choca
----------------E -----E7
Dá nela! Dá nela!

--A -----Am------------ E
Fala,------ língua de trapo
C#7------------ F#7
Pois da tua boca
-------B7------ E (bis: E7)
Eu não escapo

------------------------------------B7
Agora deu para falar abertamente
------------------E
Dá nela! Dá nela!
É intrigante
-----------------------------B7
Tem veneno e mata a gente
-----------------E -------E7
Dá nela! Dá nela!

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Linda flor

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Além de ser uma bela composição, "Linda Flor" entra para a história da música popular brasileira como o primeiro samba-canção a fazer sucesso. Mas até conquistar a preferência do público, esta composição recebeu três versões de diferentes letristas: a primeira, de Cândido Costa, com o título de "Linda flor", lançada por Dulce de Almeida na comédia A Verdade do Meio Dia e gravada por Vicente Celestino; a segunda, de Freire Júnior, com o título de Meiga Flor, gravada por Francisco Alves; e a terceira e definitiva, de Luiz Peixoto, cantada por Araci Cortes na revista Miss Brasil e no disco, com o título de Iaiá, mas que se tornou conhecida como Ai, Ioiô.

Na realidade, essa terceira versão só existiu porque Araci rejeitou as anteriores. Como a canção estava no repertório de Miss Brasil, o libretista da peça, Luiz Peixoto, teve de criar às pressas os novos versos, que foram escritos no intervalo de um ensaio, em pleno palco do Teatro Recreio.

Bem feminina, Linda Flor tem entre suas intérpretes algumas deusas da canção brasileira como Isaura Garcia, Elizeth Cardoso, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Zezé Gonzaga e, naturalmente, Araci Cortes, que a popularizou. Como curiosidade, para os que acham que o termo "samba-canção" só surgiu em meados dos anos trinta, reproduzimos uma nota publicada no n° 16, de 30 de março de 1929, da revista Phonoarte: "Yayá (Linda Flor), o samba canção que todos conhecem e que, no último Carnaval, foi um dos seus mais ruidosos sucessos, acha-se impresso pela Casa Vieira Machado".

Linda flor (samba-canção) - 1929---- clique para ouvir amostra da música
- Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto
--------C--------- G7------ C
Ai Ioiô, eu nasci pra sofrer
--------G7------ A7-- A7/5+-------- Dm7 Bb7 Dm6
Fui oiá prá você / Meus oinho fechô
-----------------Bb7---- Dm Bb7 Dm6
E quando os oio eu abri
-----------Bb7----- G7
Quis gritá quis fugí
-----------------------C ---------Db0--------- Dm---- G7
Mas você não sei porque, você------ me chamou
--------C---------- G7----- C
Ai, Ioiô, tenha pena de mim
------------G7------ A7-------- A7/5+ -------Dm7 A7 Dm
Meu Senhor do Bon . . .fim pode inté se zangar
Ab--------------- C----- Bb7
Se Ele um dia sou . . .ber
-----------A7 -----D7 ---G7 ----C --Fm ---C
Que você é que é o Ioiô de Iaiá
------------------D7-------------- G
Chorei toda noi . . .te pensei
-----------B7----------------------- E7
Nos beijos de amor que eu te dei
------------------Am ----------D7----- G
Ioiô meu benzinho do meu cora . . .ção
--------E7 --------A7--------------- D7----- G
Me leva prá casa me deixa mais não
------------------D7----------- G
Chorei toda noi . . .te pensei
--------------------B7----------------- E7
Nos beijos de amor que eu te dei
-----------------Am ------------D7 ----------G
Ioiô meu benzi . . .nho / Do meu cora . . .ção
---------E7 ------A7 ------D7-------- G--- Cm--- G
Me leva prá casa me deixa mais não
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Jura

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"Jura" é o maior sucesso de Sinhô. Bem representativo da última e melhor fase do compositor, mostra algumas características marcantes de seu estilo, como a repetição de palavras no início do estribilho- "Jura, jura, jura..." -, com orações que trausbordam de um verso para outro, e o decantado pernosticismo, presente, mais uma vez, na atrevida imagem do "beijo puro da catedral do amor". Tudo isso sobre um fraseado musical simples, original, ao mesmo tempo alegre e sentimental, entrecortado de síncopes, uma herança do maxixe.

Lançado por Araci Cortes na revista Microlândia, reprisado em Miss Brasil, e gravado simultâneamente por Araci e Mário Reis, em fins de 1928, "Jura" foi uma das músicas mais cantadas no Brasíl nos anos seguintes. O jornalista Jota Efegê (João Ferreira Gomes), que assistiu a estréia de "Jura" no teatro, relembrou o fato em interessante artigo publicado em O Jornal, muitos anos depois. Conta Efegê que a platéia exigiu a repetição do número várias vezes, tendo Sinhô subido ao palco onde, abraçado a Araci, recebeu do público verdadeira consagração, Detalhe pitoresco ressaltado pelo jornalista foi a maneira como o espanhol Antônio Rada, maestro do espetáculo, "conduzia a orquestra, dançando e fazendo vibrar uma espécie de chocalho, comunicando aos músicos seu allegro molto vivo".

Jura - 1928 - José Barbosa da Silva (Sinhô)----clique para ouvir amostra da música

A6 ---Bm6 --E7(9)------- A6 ----------------E/B
Jura, jura, jura pelo Senhor / Jura pela imagem
---------------B7 --------E7/B------------- E7
Da Santa Cruz do Redentor / Pra ter valor a tua...

A6---- Bm6--E7(9) -------A6--- A7
Jura, jura, jura de coração / Para que um dia
----------------D -------Dm7 A ---------------E7--------- A
Eu possa dar-te o amor / -----Sem mais pensar na ilusão

-----------E7----------- A ------------Bm7------ E7--------- A
Daí então dar-te eu irei / O beijo puro da catedral do amor
-------------------E7------------------ A
Dos sonhos meus / Bem junto aos teus
------------Bm7---------- E7------ A
Para fugirmos das aflições da dor
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Gosto que me enrosco

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Gosto que me enrosco - 1928 - Sinhô---clique para ouvir amostra da música

---G -------------D7------------- G
Não se deve amar sem ser amado
-----------------------------Am
É melhor morrer crucificado!
---------------B7--------------------------- Em
Deus nos livre das mulheres de hoje em dia
----------------------A7
Desprezam um homem
-----------------------D7
Só por causa da or - gia!

---Am----------------- D7----------- G
Gosto que me enrosco de ouvir dizer
------G7--------------------------- C
Que a parte mais fraca é a mulher
-------------Cm------------------- G
Mas o homem com toda a fortaleza
---------E7------- Am--------- D7----- G
Desce da nobreza e faz o que ela quer!

----G-------------- D7----------- G
Dizem que a mulher é parte fraca ...
------------------------------------Am
Nisto é que eu não posso acreditar
-------------B7------------------- Em
Entre beijos, e abraços e carinhos ...
----------------------A7
O homem não tendo
------------------------D7
É bem capaz de roubar (Estrib.)
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Gavião calçudo

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Autor principalmente de música instrumental, Pixinguinha deixou poucos sambas, dentre os quais se destaca "Gavião Calçudo". Com muito espírito e alguma malícia, a letra - atribuída a Cícero de Almeida - trata de um "gavião marvado", que rouba a mulher do protagonista.

Para completar, critica a liberalidade de alguns maridos descuidados: "Os culpado disso tudo / são os marido d'agora / as mulhé anda na rua / com as canela de fora / o gavião toma cheiro / vem descendo sem demora / garra ela pelo bico / bate asa e vão-se embora...". O samba foi sucesso na voz de Patrício Teixeira, que o gravou duas vezes em 1929.

Gavião Calçudo - Pixinguinha e Cícero de Almeida---clique para ouvir amostra da música

---- A-D----E7----A
Chorei, porque
F#m--Bm-------E7-D/F#--E/G#--A--A7--D
Fi....quei sem meu a.....mor
-------D/F# -Dm/F-A/E
O gavião mal.....vado
--A----F#7/A#----B7
Bateu asa foi com ela,
-----E7----A
E me deixou
--------A------C#7/G#---F#m
Quem tiver mulher bonita
A7M/E-----D-----F#7/C#----Bm
Escon.....da do ga.........vião
----E/G#-----D/F# --E7
Ele tem unha comprida
--D--------E7--------A
Deixa os marido na mão
-------A------C#7/G#---F#7
Mas viva quem é solteiro!
--Eº------D -----F#7/C#---Bm
Não tem amor nem paixão
---------D------D#º----A/E
Mas vocês que são casado
F#7----Bm----E7----A
Cuidado com o gavião
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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Dorinha, meu amor

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Depois de obter vários sucessos em tempo de marcha - todos com nomes femininos: "Zizinha", "Dondoca", "Lili" -, José Francisco de Freitas resolveu mudar de gênero, apresentando em ritmo de samba "Dorinha, Meu Amor", sua heroína para o carnaval de 29.

E tal como as antecessoras, "Dorinha" foi grande sucesso, com um detalhe a mais: ressuscitou vinte e oito anos depois, numa reedição da gravação original, entrando por algumas semanas na relação das mais tocadas nas rádios.

Além de usar o teatro de revista, Freitinhas tinha um método muito eficaz para divulgar suas composições: percorria o corso e as batalhas de confete da cidade, com uma bandinha executando as músicas e distribuindo as letras aos foliões.

Dorinha, meu amor (samba/carnaval, 1929) - Freitinhas--clique para ouvir amostra da música
------C
Dorinha meu amor
---------------C/E---Ebº-- Dm
Porque me fazes cho...rar?
E sou um pecador
------------G7---------C
E sofro só por te amar
--------- E7
Não sei qual a razão
----------------- Am
Que eu sofro tanto assim
--------- E7-----------Am
Castigo sim, castigo sim
--------E7
Imploro a Deus
------------------ Am
Para vencer o teu amor
-----------E7------ Am
O teu amor, amor


------- E7
Dorinha juro que
------------Am
Só pensarei em ti
------- E7
Somente em ti
-----Am
Somente em ti
-------E7
Só tu que podes dar
-------- Am
Alívio a esta dor
-----------E7----------Am
Ao teu cantor, cantor
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Casa de caboclo

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Os versos desta canção "Numa casa de caboco / um é pouco / dois é bom / três é demais", consagraram-se como um verdadeiro dito popular. Este fato, por si só, comprova a grande popularidade alcançada pela composição, que tornou conhecido o seu lançador, o então jovem cantor Gastão Formenti.
Autores de "Casa de Caboclo", Hekel Tavares e Luiz Peixoto acabaram inspirando, juntamente com Joubert de Carvalho, uma onda de canções sobre motivos sertanejos, que proliferou no final dos anos vinte. Como acontece muitas vezes a músicas de sucesso, houve à época do lançamento quem considerasse "Casa de Caboclo" plágio de um tema de Chiquinha Gonzaga, levando a discussão aos jornais. Daí a informação que figura em algumas de suas regravações: "Canção baseada em motivos de Chiquinha Gonzaga".

Casa de caboclo - C. Gonzaga, Luiz Peixoto e Heckel Tavares-- clique para ouvir amostra da música

(A)--------- Gb7--------- Bm--------- E7
Você tá vendo essa casinha simplesinha
-----------------------A-- E7-- A
Toda branca de sapê
-------------------------------E---------------- B7
Diz que ela véve no abandono não tem dono
---------------------------E7---- A
E se tem ninguém não vê
-------------Gb7--------- Bm--------------- E7
Uma roseira cobre a banda da varanda
------------------------A----- D
E num pé de cambuçá
-------------------------A--------------- E7
Quando o dia se alevanta Virge Santa
---------------------(A) (E) (A) (Db7) Gbm
Fica assim de sabiá
--------------------------Db7----------------- D7
Deixa falá toda essa gente maldizente
---------------------------Db7------ Gb7
Bem que tem um moradô
------------------------------B7 ----------------E7
Sabe quem mora dentro dela Zé Gazela
----------------------(A) (E) (A) (E) A
O maió dos cantadô
----------------Gb7------- Bm --------------E7
Quando Gazela viu siá Rita tão bonita
-----------------------A---- E7---- A
Pôs a mão no coração
---------------------------E------------------ B7
Ela pegou não disse nada deu risada
--------------------------E7----- A
Pondo os oinho no chão
------------Gb7----------- Bm --------------E7
E se casaram, mas um dia, que agonia
-----------------------------A ----------D
Quando em casa ele voltou
-----------------------A---------------- E7
Zé Gazela via siá Rita muito aflita
----------------------A (E) (A) (Db7) Gbm
Tava lá Mané Sinhô
---------------------------Db7-------------------- Gbm
Tem duas cruz entrelaçada bem na estrada
-----------------------Db7---- Gb7
Escrevero por detrás:
-----------------------B7----------------- E7
“Numa casa de caboclo um é pouco
--------------------------(A) (E) (A)
Dois é bom, três é demais”
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Cansei

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No ano de 1929, Sinhô, em São Paulo, participa da campanha eleitoral de Júlio Prestes e se apresenta no Teatro Municipal, onde mostra a nova composição Cansei:

Cansei - 1929 - (José Barbosa da Silva - Sinhô) (clique música)

Cansei, cansei / Cansei de te querer
Pois fui de plaga em plaga / O ale do além
Numa esperança vaga / E eu pude compreender
Por que cansei / Cansei de padecer
Pois lá ouvi de Deus / A Sua voz dizer
Que eu não vim ao mundo
Somente com o fito eterno de sofrer

Quis assim a sorte evitar a dor
Deste que te quis como todo o seu calor
Numa verdadeira fonte de valor
Que jamais se inspira nesse amor
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Amor de malandro

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Amor de malandro - 1929

F#m----- C#7
Vem, vem
--------------------------------F#m----- F#7
Que eu dou tudo a você
---Bm------- Cº----- A
Menos vaidade
--------------F#7---- Bm
Tenho vontade
---------------E7-------- A----C#7
Mas é que não pode ser

-------F#m ------------G#7
O amor é o do malandro
Oh! Meu bem
-------C#7---------------- F#m---- F#7
Melhor do que ele ninguém
-------------Bm
Se ele te bate
----------------------F#m
É porque gosta de ti
Pois bater-se em quem
------------G#7
Não se gosta
----C#7---- F#m
Eu nunca vi

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Sabiá

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Sabiá - 1928 - Sinhô--- clique para ouvir amostra da música
Sabiá, sabiá cantou na mata / e anunciou chiu, chiu
No melhor de minha vida / meu amor fugiu

Procurei me aproximar / do sabiá encantador
Sentindo o meu pisar / fez tal qual o meu amor
Quem roubou o meu sossego / a Deus eu fiz entregar
Ainda hei de ver um dia / alguém por mim se vingar

Papagaio, maitaca / piriquito, sabiá
quando cantam faz saudade / dos carinhos de Iaiá
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Pinião

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Os Turunas da Mauricéia, conjunto vocal e instrumental de Recife PE, era formado por Luperce Miranda, Augusto Calheiros, Manuel de Lima, Piriquito e Romualdo Miranda. Em 1927 viajaram ao Rio de Janeiro (sem Luperce Miranda), apresentando-se na Rádio Clube cantando cocos e emboladas, ritmos até então pouco divulgados entre os cariocas, obtendo grande sucesso.

Gravaram Helena (Luperce Miranda) e a embolada Pinião (Luperce Miranda e Augusto Calheiros), esta logo cantada em toda a cidade, tornando o grande sucesso do Carnaval de 1928.

Pinião (embolada / carnaval - 1928) - Luperce Miranda e Augusto Calheiros

------D----- A7----- D
Pinião, pinião, pinião, oi
-------------A7------------------- D
Pinto correu com medo do gavião
-----------------A7------------ D
Por isso mesmo o sabiá cantô
B7/F#----------- E7/D ------------A7
Bateu asa e voou e foi comê melão

-------------D --------A7---------- D
Essa sumana o gavião lá dos oitero
-----------Fº----------- Em7-------- A7-------- D
Chegou lá no meu terreiro biliscando pulo chão
------------A7----------------------- D
E um pintinho que tava jun’da galinha
B7/F# ----------------E7/D---------------- ---A7
Foi correndo pa cozinha com medo do gavião

---------------D --------------A7------- D
No meu terreiro tinha um pé de araçá
-----------Fº--------- Em7--- A7 -------D
Onde um sabiá-gongá fazia seu plantão
-------------A7------------------ D
Um dia desse ela tava descuidada
------B7/F#--------- E7/D -----------------A7
Quase morre degolada nas unha do gavião

---------D --------A7---------- D
O gavião é um bicho carniceiro
-------------Fº --------Em7 ------------A7 ----------D
Quando bate num poleiro come os pinto qu’ele qué
-------------A7------------------------ D
Um dia desse um se trepou lá na mesa
---------B7/F# --------E7/D----------------- A7
Nunca vi tanta afoiteza, biliscou minha muié

-------------D ------------A7 -----------D
Minha muié se assombrou-se nesse dia
-------------Fº------- Em7--------- A7----------- D
Quase morre de agonia com uma dô no coração
------------A7---------------------- D
Gritava tanto cus dois óio abuticado
--------B7/F#---------- E7/D----------------- A7
Até que eu fiquei vexado cum medo do gavião
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Não quero saber mais dela

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Não quero saber mais dela - 1927 -Sinhô---clique para ouvir amostra da música

Por que foi que tu deixaste / Nossa casa na favela
Não quero saber mais dela / Não quero saber mais dela

A casa que eu te dei / Tem uma porta e uma janela
Também não quero saber mais dela
Também não quero saber mais dela

Português, tu não me invoca / Me arrespeita, eu sou donzela
Não vou na sua potoca / Nem vou morar na favela

Eu bem sei que tu és donzela / Mas isto é uma coisa à toa
Mulata, lá na favela / Mora muita gente boa

Aquela crioulinha / Que tu dava tanto nela
Não quero saber mais dela / Não quero saber mais dela

E aquela portuguesa / Que tu te casou com ela
Também não quero saber mais dela
Também não quero saber mais dela
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Lamentos

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Lamentos - Pixinguinha e Vinícius de Moraes--- clique para ouvir amostra da música

Introdução:G G7 C C#º G/D A7 D7 G D7

G--------------- Gº
Morena tem pena
--------G7+--------- G#º-- E7/9-
Mas ouve o meu lamen...to
Am7--------------F#m7/5- B7
Tento em vão
-------Em------------- C#m7/5- F#7
Te esquecer
--------B7+-------- G#m7 --C#m7 F#7
Mas olha, o meu tormento
----B7 ----------E7 --------Am7
É tanto, que eu vivo em pranto,
--------D7----- G7
Sou todo infeliz
Dm7------ G7--------- C ----Cm6---- G
Não há coisa mais triste, meu benzinho,
Em7--------- Am7----- D7---- G--- B7
Que este chorinho que eu te fiz


Em Em/D# Em/D Em/C# E7/9- Am Am/G# Am/G Am/F# B7 F#m7/5- B7 Em Em7 C7+ C7 F#m B7 Am7 C7 B7 Em/B Eb/Bb Am7/11 D7

G------------Gº
Sozinho, morena
-----G7+------------G#º E7/9-
Você nem tem mais pe...na
Am7-------------F#m7/5- B7
Ai, meu bem
-----Em-------C#m7/5- F#7
Fiquei tão só
-------B7+ -----G#m7 C#m7 F#7
Tem dó, tem dó de mim
------ B7--------E7------ Am7
Porque estou triste assim
------ D7-------- G7
Por amor de você
Dm7-------- G7 -------- C -------Cm6 G
Não há coisa mais linda neste mundo
Em7----------- Am7----- D7 -- G
Que o meu carinho por você
--------- G7 ------ C
Meu amor, tem dó
-------- C#º------ G/D A7 D7 G
Meu amor, tem dó
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Deus nos livre dos castigos das mulheres

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Deus nos livre dos castigos das mulheres - 1928 - Sinhô-clique para ouvir amostra da música


Deus criador / Fez da mulher o seu divino resplendor
Só por ser a parte fraca / Deu-lhe o poder de convencer
(Este sexo mau que deve padecer)

E sofrer / Pela razão de se julgar superior
Quando conseguem, preso o amor
Fazem do mesmo uma peteca (sem ser)
Só pra ver a mulher padecer

Mas o amor é uma prece / Que o homem desconhece
E só procura conhecer / Quando do mesmo mal
Venha a sofrer

Eis a razão que eu sempre peço / A Jesus pra me livrar
Dos castigos da mulher / Que um dia os olhos meus
Venham a gostar
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Cabide de molambo

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Cabide de molambo - 1928 - João da Baiana---clique para ouvir amostra da música

Meu Deus eu ando / Com o sapato furado
Tenho a mania / De andar engravatado
A minha cama / É um pedaço de esteira
E é uma lata velha / Que me serve de cadeira
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

Minha camisa / Foi encontrada na praia
A gravata foi achada / Na Ilha da Sapucaia
Meu terno branco / Parece casca de alho
Foi a deixa de um cadáver / Do acidente no trabalho
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

O meu chapéu / Foi de um pobre surdo e mudo
As botinas foi de um velho / Da revolta de Canudos
Quando eu saio a passeio / As damas ficam falando
Trabalhei tanto na vida / Pro malandro estar gozando
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

A refeição / É que é interessante
Na tendinha do Tinoco / No pedir eu sou constante
E o português / Meu amigo sem orgulho
Me sacode o caldo grosso / Carregado no entulho
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