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terça-feira, 5 de abril de 2011

Romualdo Miranda

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Turunas da Mauricéia
Romualdo Miranda, cantor, instrumentista (violão) e compositor (Recife PE, 1887 - 1930), era irmão de Luperce Miranda e de João Miranda com quem criou e integrou o grupo vocal e instrumental Turunas da Mauricéia. Começou na carreira artística no começo da década de 1920.

Em 1926, criou na cidade de Recife com os irmãos Luperce, no bandolim, e João, também no bandolim, e mais Manoel de Lima e João Frazão nos violões, e Augusto Calheiros nos vocais, o grupo vocal e instrumental Turunas da Mauricéia, com o qual foi para o Rio de Janeiro no ano seguinte onde se apresentaram com grande sucesso cantando emboladas, cocos e sambas nordestinos, ritmos até então desconhecidos na cidade, então capital Federal do país.

Nesse mesmo ano, o grupo gravou dez discos pela Odeon com vocais de Augusto Calheiros. Entre as quais sua canção Amor secreto, parceria com Leovigildo Jr. Ao todo participou da gravação de dezoito discos com os Turunas da Mauricéia.

Em 1929, sua canção Estou só!, foi gravada na Odeon por Patrício Teixeira, e a toada Tudo selado foi registrada por Gastão Formenti na Parlophon. No mesmo ano, gravou solo ao violão pela Parlophon a valsa Rosita, de sua autoria. Ainda em 1929, acompanhou ao violão o violonista Glauco Viana na gravação do fox-trot Oh! Que beijo..., e da valsa Deliciosa, de autoria de Glauco Viana.

Em 1930, o samba Estou descrente, com Pio Barcelo, foi gravado por Mário Reis na Odeon, e a canção A casinha onde moro, por Gastão Formenti, e o batuque Sá Mariquinha, e o samba Eu gosto é de apanhá, por Joviniano Araújo, as três na Parlophon. No mesmo ano, gravou ao violão, pela Brunswick a polca Rosalvo na farra, e a valsa O filtro, de sua autoria.

Ainda em 1930, sua marcha Confessa meu bem foi gravada na Brunswick pelo grupo Desafiadores do Norte com vocal de Iolanda Osório. A mesma cantora registrou o samba Jandira. De volta ao Recife, morreu prematuramente nesse mesmo ano.

Em 1940, o coco "Dinheiro novo", parceria com Manezinho Araújo foi gravado na Odeon por Manezinho Araújo. Em 1952, sua valsa Neusa, parceria com Nelson Miranda, foi gravada ao cavaquinho por Nelson Miranda em disco Todamérica.

Obras

A casinha onde moro, Amor secreto (c/ Leovigildo Jr.), Confessa meu bem, Estou descrente (c/ Pio Barcelo), Estou só!, Eu gosto é de apanhá, Neusa (c/ Nelson Miranda), O filtro, Rosalvo na farra, Rosita, Sá Mariquinha e Tudo selado.

Discografia

1929) Rosita - Parlophon - 78; (1930) Rosalvo na farra / O filtro - Brunswick - 78.


Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira - Bibliografia Crítica: AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.
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domingo, 12 de agosto de 2007

Pinião

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Os Turunas da Mauricéia, conjunto vocal e instrumental de Recife PE, era formado por Luperce Miranda, Augusto Calheiros, Manuel de Lima, Piriquito e Romualdo Miranda. Em 1927 viajaram ao Rio de Janeiro (sem Luperce Miranda), apresentando-se na Rádio Clube cantando cocos e emboladas, ritmos até então pouco divulgados entre os cariocas, obtendo grande sucesso.

Gravaram Helena (Luperce Miranda) e a embolada Pinião (Luperce Miranda e Augusto Calheiros), esta logo cantada em toda a cidade, tornando o grande sucesso do Carnaval de 1928.

Pinião (embolada / carnaval - 1928) - Luperce Miranda e Augusto Calheiros

------D----- A7----- D
Pinião, pinião, pinião, oi
-------------A7------------------- D
Pinto correu com medo do gavião
-----------------A7------------ D
Por isso mesmo o sabiá cantô
B7/F#----------- E7/D ------------A7
Bateu asa e voou e foi comê melão

-------------D --------A7---------- D
Essa sumana o gavião lá dos oitero
-----------Fº----------- Em7-------- A7-------- D
Chegou lá no meu terreiro biliscando pulo chão
------------A7----------------------- D
E um pintinho que tava jun’da galinha
B7/F# ----------------E7/D---------------- ---A7
Foi correndo pa cozinha com medo do gavião

---------------D --------------A7------- D
No meu terreiro tinha um pé de araçá
-----------Fº--------- Em7--- A7 -------D
Onde um sabiá-gongá fazia seu plantão
-------------A7------------------ D
Um dia desse ela tava descuidada
------B7/F#--------- E7/D -----------------A7
Quase morre degolada nas unha do gavião

---------D --------A7---------- D
O gavião é um bicho carniceiro
-------------Fº --------Em7 ------------A7 ----------D
Quando bate num poleiro come os pinto qu’ele qué
-------------A7------------------------ D
Um dia desse um se trepou lá na mesa
---------B7/F# --------E7/D----------------- A7
Nunca vi tanta afoiteza, biliscou minha muié

-------------D ------------A7 -----------D
Minha muié se assombrou-se nesse dia
-------------Fº------- Em7--------- A7----------- D
Quase morre de agonia com uma dô no coração
------------A7---------------------- D
Gritava tanto cus dois óio abuticado
--------B7/F#---------- E7/D----------------- A7
Até que eu fiquei vexado cum medo do gavião
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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Augusto Calheiros

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Augusto Calheiros, cantor e compositor, nasceu em Maceió AL 5/6/1891 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 11/1/1956. Jovem ainda, foi para Recife PE, onde conheceu Luperce Miranda, tendo sido convidado a participar, como cantor, do grupo formado pelos irmãos Luperce (bandolim), João (bandolim) e Romualdo Miranda (violão), e mais os violonistas Manuel de Lima (que era cego) e João Frazão (Periquito). Por sugestão do historiador Mário Melo, o grupo passou a chamar- se Turunas da Mauricéia, numa alusão ao governador holandês do séc. XVII, Maurício de Nassau.

Foi logo apelidado de “A patativa do Norte”, pela sua voz afinadíssima e estilo peculiar de cantar, que o tornariam um dos cantores mais originais do seu tempo. Em janeiro de 1927, sem Luperce Miranda, os Turunas desembarcaram no Rio de Janeiro, com suas roupas sertanejas e chapéus de aba larga. Estrearam com muito sucesso no Teatro Lírico, em espetáculo patrocinado pelo jornal Correio da Manhã, cantando emboladas, cocos e outros ritmos ainda desconhecidos dos cariocas, apresentando-se depois, em várias ocasiões, na Rádio Clube. Como solista gravou canções sertanejas na Casa Edison, obtendo grande sucesso com os Turunas, no Carnaval de 1928, com a embolada Pinião, de autoria de Luperce Miranda, que não participou dessa gravação. No ano seguinte o grupo se desfez e o cantor passou a atuar individualmente.

Ainda em 1929 gravou na Odeon Valsa da saudade (Levino da Conceição) e Saudades do Rio Grande (Levino da Conceição e Nelson Paixão). Na Victor gravou Alma tupi (Jararaca) e Céu do Brasil (Henrique Vogeler e Jararaca), lançando em seguida diversos discos, como Revendo o passado (Freire Júnior), em 1933, e um de seus maiores êxitos, Chuá, chuá (Sá Pereira e Ari Pavão).

Em 1939 gravou a valsa Ave Maria (Erothides de Campos e Jonas Neves). Seis anos depois foi contratado pela Victor, gravando vários sucessos, como os sambas Senhor da floresta (1945) e Garoto da rua (1947) (René Bittencourt), a canção Caboclo vingador (Artur Goulart e José Colombo), as valsas Fatal desilusão (1947) (Meira e Marcial Mota) e Dúvida (Luiz Gonzaga), além das músicas de sua autoria Célia e Bela. No auge da popularidade, atuou ao lado de Durvalina Duarte, Jararaca, Ratinho e outros, na Casa de Caboclo, famosa companhia de espetáculos da Praça Tiradentes.

Compôs Adeus, Pilar e Pisa no chão devagar, por 1950, ano em que saiu da Victor e passou para a Todamérica, onde gravou seu último sucesso, Grande mágoa (Clóvis Santos), além de Meu dilema e Audiência divina, ambas de Guilherme de Brito, então lançado como compositor. Entre seus maiores êxitos estão ainda Na praia, Iolanda e Saudade do meu Norte, este em parceria com Artur Goulart.
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