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domingo, 9 de setembro de 2007

Mais uma valsa, mais uma saudade

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Mais uma valsa, mais uma saudade (valsa) - 1937
Lamartine Babo e José Maria de Abreu

-----D -----------------------------F°
Mais uma valsa / Mais uma saudade
----------D------- Eb°----- A7
De alguém que não me quis
Em---------------------------- Bb7 ---A7------- Em ---A7/5+---- D
Vivo cantando a sós pela cidade /------- Fingindo---- ser---- feliz

D7 -----------------------------G-------- E7
Fiz das lembranças uma coleção nem sei
----------------------------------Em------ A7
Quantas palavras no meu coração gravei
-----D -------------------------C7--- B7
Mais uma valsa / Mais uma saudade
-------Em----------- A7 ---------D
Saudade que nos vem de alguém
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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Marchinha do grande Galo

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Marchinha do Grande Galo (marcha/carnaval) - 1936 - Lamartine Babo e Paulo Barbosa
     G                     D7
O galo de noite cantou
Em
Toda gente quis ver
D7
O que aconteceu
G
Nervoso, o galinho respondeu:
A7
có, có, có, có, có, có, có, ró

D7 C
A galinha morreu!

D7
có, có, có, có, có, có, ró
G
có, có, có, có, có, có, ró

D7
O galo tem saudade
G
Da galinha carijó!

D7
A minha vizinha também
Em
Certa noite gritou
D7
Toda gente acordou
G
Nervoso, o marido respondeu:
A7
có, có, có, có, có, có, ró
D7 G
Hoje o galo sou eu!
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Cantores de Rádio

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Cantores de Rádio (marcha) - 1936
Alberto Ribeiro, João de Barro e Lamartine Babo
clique para ouvir amostra da música

         D
Nós somos as cantoras do rádio
Ebº A7
Levamos a vida a cantar
Gb7 Bm
De noite embalamos teu sono
E7 A7
De manhã nós vamos te acordar
D
Nós somos as cantoras do rádio
D7 G
Nossas canções cruzando o espaço azul
Abº D C7 B7
Vão reunindo num grande abraço
E7 A7 D
Corações de Norte a Sul

D A7
Canto pelos espaços afora
Vou semeando cantigas
D
Dando alegria a quem chora
Bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum
D7 G
Canto, pois sei que a minha canção
Gm D C7 B7
Vai dissipar a tris.......teza
E7 A7 D
Que mora no teu coração

D A7
Canto para te ver mais contente
Pois a ventura dos outros
D
É alegria da gente
Bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum
D7 G
Canto e sou feliz só assim
Gm D C7 B7
Agora peço que can.....tes
E7 A7 D
Um pouquinho para mim
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Grau Dez

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Apesar do predomínio do samba enredo a partir da década de 1970, há em quase todo baile carnavalesco um momento em que a orquestra toca antigos sucessos, sempre presentes na memória dos foliões. Desse repertório fazem parte obrigatória as marchinhas de exaltação a tipos femininos, como "Grau Dez", a nota que Ary Barroso e Lamartine Babo deram à morena no carnaval de 35. Eleita nos versos "rainha da cabeça aos pés", a morena recebe ainda galanteios de vários gringos, como o inglês, o francês e o alemão, que diz "iá corraçon", uma tirada típica de Lamartine.
Grau Dez (marcha/carnaval) - 1935 - Lamartine Babo e Ary Barroso--clique para ouvir amostra da música

                      D   Ebº   A7                    D        D7
A vitória de ser tua, tua, tua, moreninha prosa
G Dº D7 G
Lá no céu a própria lua, lua, lua não é mais formosa
A7 D
Rainha da cabeça aos pés
E7 A7 D
Morena eu te dou grau 10

Ebº A7 Ebº A7 D
O inglês, diz: "yes, my baby!"
G Gb7 Cº Gb7 Bm
O alemão, diz: "Yá, corraçon!"
G Dº D
O francês, diz: "Bonjour, mon amour!"
Dº A7 Dº A7 D
Trés bien! Trés bien! Trés bien!
Ebº A7 Ebº A7 D
O argentino, ao te ver tão bonita
G Gb7 Cº Gb7 Bm
Toca um tango e só diz: "Milonguita"
G Dº D
O chinês diz que diz, mas não diz
Dº A7 Dº A7 D
Pede bis, pede bis, pede bis!
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Uma andorinha não faz verão

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Esta andorinha teve dois verões. O primeiro em 1931, com letra e música de João de Barro, gravada por Alvinho, e o segundo em 1934, quando Lamartine Babo entrou na parceria e a marchinha tornou-se sucesso na voz de Mário Reis.
A reunião dos dois maiores autores de marchas carnavalescas deu-se por iniciativa de Lamartine que, admirador do refrão ("Vem moreninha / vem tentação / não andes assim tão sozinha / que uma andorinha / não faz verão"), propôs a Braguinha fazer uma nova segunda parte.
Proposta aceita, ele prontamente cumpriu a tarefa, apresentando música e letra que complementavam com perfeição o estribilho. Na verdade, as românticas estrofes originais eram boas, mas muito extensas. Lamartine preferiu compor versos mais carnavalescos, sobre uma melodia de oito compassos (o original tinha dezesseis), o que sem dúvida contribuiu para o sucesso.
Uma andorinha não faz verão (marcha/carnaval) - 1934 - João de Barro e Lamartine Baboclique para ouvir amostra da música

( Am )
Dm Am E7 A7
Vem moreninha / vem tentação
Dm Am
Não andes assim tão sozinha
B7 E7 Am
Que uma andorinha não faz verão

Dm E7
Dizem morena / Que teu olhar
Am
Tem correntes de luz que faz secar
( Am ) Dm
O povo anda dizendo / Que essa luz do teu olhar
E7
A Light vai mandar cortar.
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Ride Palhaço

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Ride Palhaço (marcha/carnaval) - 1934 - Lamartine Babo---clique para ouvir amostra da música
Dm
Ride palhaço
Gm6 A7 Dm
Lá, rá, rá, rá, rá, rá
C7 F
Lá, rá, rá, rá, rá, rá
E7 A7
Lá, rá, rá, rá, rá, rá
Há, há, há...
Dm
Ride palhaço
Gm6 A7 D
Lá, rá, rá, rá, rá, rá

A7 Aº A7
Eu sou o teu Pierrô
D
Colombina, Colombina
D7
Reparte esse amor
G
Metade pra mim
D B7 E7 A7 D
Metade pro teu Ar..lequim
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Isto é lá com Santo Antônio

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Isto é lá com Santo Antônio (marcha/carn., 1934) - Lamartine Babo--clique para ouvir amostra da música


Eu pedi numa oração / Ao querido São João
Que me desse um matrimônio / São João disse que não!

São João disse que não! / Isto é lá com Santo Antônio!
Eu pedi numa oração / Ao querido São João
Que me desse um matrimônio / Matrimônio! Matrimônio!
Isto é lá com Santo Antônio!

Implorei a São João / Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio / São João ficou zangado
São João só dá cartão / Com direito a batizado
Implorei a São João / Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio / Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio!

São João não me atendendo / A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso / Disse o velho num sorriso:
Minha gente, eu sou chaveiro! / Nunca fui casamenteiro!
São João não me atendendo / A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso / Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio
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História do Brasil

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História do Brasil (marcha/carnaval) - 1934 - Lamartine Babo
   A    B7                           E
Quem foi que inventou o Brasil?
B7
Foi seu Cabral!
E E7 D#7 D7
Foi seu Cabral!

C#7 A A#º
No dia vinte e um de abril
E F#7 B7 E
Dois meses depois do carnaval

B7
Depois
E
Ceci amou Peri
B7
Peri beijou Ceci
Ao som...
E
Ao som do Guarani!

E7 A
Do Guarani ao guaraná
Am E
Surgiu a feijoada
F#7 B7 E
E mais tarde o Paraty

B7
Depois
E
Ceci virou Iaiá
B7
Peri virou Ioiô

De lá...
E
Pra cá tudo mudou!
E7 A
Passou-se o tempo da vovó
Am E
Quem manda é a Severa
F#7 B7 E
E o cavalo Mossoró
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Moleque indigesto

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Moleque indigesto (marcha/carn., 1933) - Lamartine Babo--clique para ouvir amostra da música

C          G7      C                          G7
Eta, moleque bamba / Pega a cabrocha
C
Pisca o olho / E cai no samba

C7 F
Esse moleque / Sabe ser bom
A7 Dm
Faz o "footing" / Lá no Leblon
F Gbº C
Bebe, joga, fuma "Yolanda"
G7 C
Toca trombone na banda

C7 F
Esse moleque / É de encomenda
A7 Dm
Já foi vaqueiro / Numa fazenda
F Gbº C
Pega, pega, como ninguém
G7 C
Aquelas vacas de cem...

C7 F
Esse moleque / É bom rapaz
A7 Dm
Tem um defeito / Come demais
F Gbº C
Come, come, não deixa resto
G7 C
Ó que moleque indigesto!
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Linda Morena

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A partir do sucesso de "O teu cabelo não nega", cresceu bastante a presença da marchinha no repertório carnavalesco. Houve mesmo uma certa supremacia sobre o samba, que durou até o início dos anos quarenta. Assim, em 1933, reinaram quase sem concorrência "Formosa" (que era samba e virou marcha, por sugestão de Francisco Alves), "Good bye", "Segura Esta Mulher", "Moreninha da praia", "Trem Blindado", "Moleque indigesto", "Aí, hein!", "Boa Bola" e "Linda morena", as quatro últimas de autoria de Lamartine Babo.

Ingênua, alegre, sentimental, bem representativa do estilo lamartinesco, "Linda Morena" foi um dos grandes sucessos do ano, tendo inspirado até várias par«dias, o que na época valia como comprovante de popularidade de uma canção.

Linda morena (marcha/carnaval) - 1933 - Lamartine Babo ---clique para ouvir amostra da música
             F       D7     Gm
Linda morena, morena
C7 F
Morena que me faz penar
D7 Gm Bbm
A lua cheia que tanto brilha
F C7 F
não brilha tanto quanto o teu olhar

Gm
Tu és morena, uma ótima pequena
C7 F
Não há branco que não perca até o juízo
Gm
Onde tu passas sai ás vezes bofetão
C7 F
Toda gente faz questão do teu sorriso

Gm
Teu coração é uma espécie de pensão
C7 F
de pensão familiar à beira-mar
Gm
Ó moreninha, não alugues tudo não!
C7 F
Deixa ao menos o porão pra eu morar

Gm
Por tua causa já se faz revolução
C7 F
Vai haver transformação na cor da lua
Gm
Antigamente a mulata era a rainha
C7 F
Desta vez, ó moreninha, a taça é tua!
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Chegou a hora da fogueira

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Ao contrário dos balões - que, mesmo proibidos, continuam subindo -, as marchas juninas desapareceram do repertório musical. Mas, para animar os festejos dos três santos (Pedro, Antônio e João), restaram os clássicos, na maioria lançados na década de 1930, que eram assinados por compositores como João de Barro, Alberto Ribeiro, Benedito Lacerda, Ary Barroso e Lamartine Babo, este último o mais prolífico no gênero.

Dele é "Chegou a Hora da Fogueira" ("Chegou a hora da fogueira / é noite de São João..."), gravado inicialmente pela dupla Carmen Miranda e Mário Reis, sustentada por um arranjo excepcional de Pixinguinha.

Chegou a Hora da Fogueira (marcha, 1933) - Lamartine Babo--clique para ouvir amostra da música

Chegou a hora da fogueira / É noite de São João
O céu fica todo iluminado / Fica o céu todo estrelado
Pintadinho de balão / Pensando no caboclo a noite inteira
Também fica uma fogueira / Dentro do meu coração

Quando eu era pequenino / De pé no chão
Eu cortava papel fino / Pra fazer balão
E o balão ia subindo / Para o azul da imensidão

Hoje em dia o meu destino / Não vive em paz
O balão de papel fino / Já não sobe mais
O balão da ilusão / Levou pedra e foi ao chão
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Aí, hein!

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Aí, hein! (marcha de Carnaval) - 1933---clique para ouvir amostra da música
Lamartine Babo Babo e Paulo Valença


Gbm
Aí hein!
B7 E D7 Db7
Pensas que eu não sei?
Gbm
Toma cuidado
B7 E
Pois um dia eu fiz o mesmo e me estrepei
Gbm
Aí hein
B7 E D7 Db7
Pensas que eu não sei?
Gbm
Sou camarada
B7 E
Faz de conta que eu não sei

Gbm
Menina que chega em casa
E E7 Eb7
Às quatro da madrugada
D7 Db7 Gb7
Enquanto pela escada vai subindo
B7 E
Na boca dos vizinhos vai caindo

Gbm
Velhota que anda sem meia
E E7 Eb7
Na praia, toda inocente
D7 Db7 Gb7
Brincando com as crianças lá na areia
B7 E
Vai pondo areia nos olhos da gente
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A tua vida é um segredo

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A tua vida é um segredo (marcha, 1933) - Lamartine Babo --clique para ouvir amostra da música

          Am       E7              Am
A tua vida é... é um segredo
E7 Am
É um romance e tem... e tem enredo
G7 C B7 E7 Am
A tua vida, é um livro amarelado / Lembranças do passado
Bm E7 A7 Dm Am
Folhas soltas da saudade / A tua vida, romance igual ao meu
B7 E7 Am E7 Am
Igual a muitos outros / Que o destino me escreveu
G7 C B7 E7 Am
A tua vida, foi sonho e foi ventura / Foi lágrima caída
Bm E7 A7 Dm
No caminho da amargura / São nossas vidas
Am B7 E7 Am
Comédias sempre iguais / Três atos de mentira
E7 Am
Cai o pano e nada mais
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Só dando com uma pedra nela

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Só Dando com uma Pedra Nela (marcha)- 1932 - Lamartine Babo

Mulher de setenta anos / já cheia de desenganos
que usa vinte e cinco gramas / de vestido na canela

Só dando com uma pedra nela! / Só dando com uma pedra nela!

Menina que pede esmola / com um corre de ferro imenso
Que pede pra Santo Onofre / pra levar pra São Lourenço

Netinha da cozinheira / A avó já no cemitério
Na hora das três pós de cal / em vez de cal joga pá... nela

Cantora do Instituto / que canta toda semana
Ao escrever no quadro-negro / "Artilharia" Rusticana

Jogai quadro-negro nela! / Jogai quadro-negro nela!

Não tomo de voleibol / Não tomo de basquetebol
com esse meu corpinho assim / eu só tomo é leite Bol

Só dando com uma pedra em mim! / Só dando com uma pedra em mim!
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O teu cabelo não nega

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A marchinha carnavalesca já existia desde a década de 1920, com características definidas por seus sistematizadores. O prestígio do gênero, porém, somente se consolidou a partir de 1932, com o lançamento de "O Teu Cabelo Não Nega", uma das maiores marchas de todos os tempos. A história de "O Teu Cabelo Não Nega" é curiosa. Em sua forma original - um frevo intitulado "Mulata", dos irmãos pernambucanos Raul e João Valença -, a composição foi oferecida à gravadora Victor para eventual aproveitamento em disco.

Aprovando em parte a melodia, mas achando que a letra tinha um teor excessivamente regional, a direção da gravadora encarregou, então, Lamartine Babo de adaptar "Mulata" ao gosto carioca. Especialista na arte de melhorar canções alheias, ele logo pôs mãos à obra, transformando o frevo na vitoriosa marchinha.

Conforme análise do maestro Roberto Gnattali, que comparou as partituras, o trabalho de Lamartine Babo pode ser resumido no seguinte: "Na primeira parte a letra é a mesma, sendo as notas quase todas iguais, salvo as quatro últimas do verso final que Lamartine, muito sabidamente, ao invés de descer, como no original, subiu, encerrando a estrofe para cima. O ritmo é semelhante, mas o adaptador lhe deu mais balanço, através de antecipações rítmicas, quebrando a quadratura do original. A harmonia é idêntica, estando as melodias construídas com apenas dois acordes: tônica e dominante.

Na segunda parte, letra e música são diferentes, com exceção de cinco notas do 9° para o 10° compasso (início da segunda frase musical) que Lamartine aproveitou. Aliás, é o melhor momento da música dos Valença nesta parte (mulata, mulatinha meu amor..), sendo a do Lamartine toda boa... A harmonia é praticamente a mesma (pelo menos nos pontos chave, nas cadências). As introduções são completamente diferentes".

Como se vê, Lamartine aproveitou o que tinha de aproveitar - como o excelente estribilho -, substituindo o que não prestava. Por exemplo, não há termo de comparação entre o humor pobre dos versos desprezados ("Tu nunca morre de fome / que os home / te dá sapato de sarto / bem arto / pra tu abalançá o gererê...") e a letra de Lamartine ("Quem te inventou / meu pancadão / teve uma consagração / a lua te invejando fez careta / porque mulata tu não és deste planeta..."). "Pancadão" e "não é do planeta" eram gírias da época, significando, respectivamente, "mulherão" e "pessoa ou coisa excepcionalmente valiosa".

Concluída a marchinha, o compositor ofereceu-a à dupla Jonjoca e Castro Barbosa, que gravava na Victor. A propósito, conta João de Freitas, o Jonjoca: "'O Teu Cabelo Não Nega' nos foi mostrada por Lamartine num encontro, casual na Cinelândia. Achamos uma beleza. Então ele disse: 'É de vocês podem gravá-la!' Dias depois, como íamos gravar também o 'Bandonô', de minha autoria, ocorreu-me a infeliz idéia de propor: 'Ô Castro, vamos gravar essas músicas individualmente. Você fica com uma e eu com a outra'. Quanto à escolha, decidimos num cara ou coroa. Deu cara e eu fiquei com `Bandonô'...".

Quem também se interessou pelo "O Teu Cabelo Não Nega" foi Almirante. Depois de conhecer a marcha através do cantor Minona Carneiro, ele chegou a pedir à direção da Victor para gravá-la. Mas era tarde, o disco já fora gravado no dia 21 de dezembro de 1931 por Castro Barbosa, acompanhado pelo Grupo da Guarda Velha, na ocasião composto de piano, dois saxofones, trompete, banjo, baixo, prato, cabaça, omelê, tantã e coro de seis vozes masculinas e uma feminina. O arranjo e a direção musical eram de Pixinguinha. As primeiras tiragens do disco omitiram, por culpa da gravadora, a co-autoria dos Irmãos Valença na composição. O fato gerou uma questão judicial, com repercussão na imprensa, que acabou por fazer valer os direitos dos reclamantes.

O Teu Cabelo Não Nega - 1932--- clique para ouvir amostra da música
- Lamartine Babo e Irmãos Valença

E7 A

O teu cabelo não nega mulata

E7 A

Porque és mulata na cor...

E7 A

Mas como a cor não pega mulata

E7 A

Mulata eu quero o teu amor

A B7

Tens um sabor / Bem do Brasil

E7 A

Tens a alma cor de anil

A7 D B7

Mulata, mulatinha, meu amor / Fui nomeado

E7

Teu tenente interventor

ESTRIBILHO

A B7

Quem te inventou / Meu pancadão

E7 A

Teve uma consagração.....

A7 D

A lua te invejando fez careta

B7 E7

Porque mulata, tu não és deste planeta

ESTRIBILHO

A B7

Quando meu bem / Vieste à terra

E7 A

Portugal declarou guerra

A7 D

A concorrência então foi colossal

B7 E7

Vasco da Gama contra o batalhão naval

ESTRIBILHO




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AEIOU

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Com versos brincalhões, recheados de disparates, "A.E.I.O.U." dá bem uma mostra da verve de seus criadores, Lamartine Babo e Noel Rosa. Embora seja tarefa impraticável descobrir-se a contribuição de cada um na feitura da composição pode-se, talvez, atribuir ao primeiro uma maior participação, tendo em vista o estilo dos versos e da melodia. Classificada pela dupla como "marcha colegial", "A.E.I.O.U." fez grande sucesso em 1932, só suplantado naquele ano pelo de "O teu cabelo não nega", também de Lamartine.

A.E.I.O.U. - 1932 - Noel Rosa e Lamartine Babo---clique para ouvir amostra da música


Intr.: G G#° D/A D/F# F° Em A7 D D7
G G#° D/A D/F# F° Em A7 D


(A Capella) Uma, duas, angolinhas

Finca o pé na pampulinha
D R
Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar E
A7/C# D G/B A7 F
A... E... I... O... U... Dabliú, dabliú R
D Ã
Na cartilha da Juju, Juju O
A7/C# D G/B A7
A... E... I... O... U... Dabliú, dabliú
D D/C
Na cartilha da Juju, Juju

G/B G G#° D/A D/F# F° A7/E
A Juju já sabe ler, a Juju sabe escrever
A7 D° D D/C
Há dez anos na carti...lha
G/B G G#° D/A D/F# F° A7/E
A Juju já sabe ler, a Juju sabe escrever
A7 D
Escreve sal com cê-cedilha!

*REPETE REFRÃO

G/B G G#° D/A D/F# F° A7/E
Sabe conta de somar, sabe até multiplicar
A7 D° D D/C
Mas, na divisão se enras...ca
G/B G G#° D/A
Outro dia fez um feio
D/F# F° A7/E
Pois partindo um queijo ao meio
A7 D
Quis me dar somente a casca!

*REPETE REFRÃO

G/B G G#° D/A D/F# F° A7/E
Sabe História Natural, sabe História Universal
A7 D° D D/C
Mas não sabe Geografi...a
G/B G G#° D/A
Pois com um cabo se atracando
D/F# F° A7/E A7 D
Na bacia navegando, foi pra Ásia e teve azia

*REPETE REFRÃO
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No Rancho Fundo

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Este samba foi lançado pela cantora Araci Cortes em junho de 1930, na revista É do outro mundo. Na ocasião chamava-se "Este mulato vai ser meu" (com o subtítulo "Na Grota Funda"), e tinha letra do caricaturista J. Carlos (José Carlos de Brito Cunha, autor da revista. Ouvindo a composição, Lamartine Babo achou ruins os versos "Na Grota Funda / na virada da montanha / só se conta uma façanha / do mulato da Raimunda".

Autorizado por Ary Barroso, escreveu nova letra ( "No Rancho Fundo / bem pra lá do fim mundo / onde a dor e a saudade / contam coisas da cidade..."), sendo o samba gravado por Elisa Coelho, no ano seguinte.
O lirismo nostálgico, que predomina na composição, já aparece na introdução instrumental dessa gravação, com o próprio Ary ao piano. A melodia, por sua vez, caminha suavemente em frases descendentes para um final melancólico, em perfeita sintonia com a letra. Quem não gostou da nova versão foi J. Carlos, que julgou a rejeição de sua letra uma desfeita, rompendo com Ary Barroso.

No Rancho Fundo - 1931 - Lamartine Babo e Ary Barroso --clique para ouvir amostra da música
                 D                    Gb7              Bm
No rancho fundo / Bem pra lá do fim do mundo
Gb7 G Em7 A7 D Dº
Onde a dor e a saudade/ Contam coisas da cidade....
D Gb7 Bm
No rancho fundo/ De olhar triste e profundo
Gb7 G
Um moreno canta as mágoas
Em7 A7 D Dº D
Tendo os olhos rasos dӇgua

B7 Gbm7 B7 Em
Pobre moreno / Que tarde no sereno
Gm7 Gbm7 Em7 A7 D Dº
Espera a lua no terreiro/ Tendo o cigarro por companheiro
B7 Gbm7 B7 Em
Sem um aceno / Ele pega da viola
Gm7 D Em7 A7 D Gm D
E a lua por esmola / Vem pro quintal deste moreno

D Gb7 Bm
No rancho fundo / Bem pra lá do fim do mundo
Gb7 G Em7 A7 D Dº D
Nunca mais houve alegria/ Nem de noite e nem de dia
D Gb7 Bm
Os arvoredos/ Já não contam mais segredos
Gb7 G Em7 A7 D Dº D
Que a última palmeira/ Já morreu na cordilheira

B7 Gbm7 B7 Em
Os passarinhos / Internaram-se nos ninhos
Gm7 D Bm7 Em7 A7 D Dº D
De tão triste essa tristeza/ Enche de treva a natureza
B7 Gbm7 B7 Em
Tudo por que ? / Só por causa do moreno
Gm7 D
Que era grande, hoje é pequeno
Em7 A7 D
Para uma casa de sapê
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Canção para inglês ver

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Nenhuma antologia da canção humorística brasileira pode ignorar "Canção Para Inglês Ver", uma obra-prima no gênero. Espirituosa, crítica, brincalhona, esta composição é uma sátira ao uso de palavras e expressões estrangeiras que se tornou moda entre nós, quando da chegada do cinema falado.
Empregando o recurso do nonsense, Lamartine Babo construiu os versos mais absurdos, através dos quais rimou "I love you" com "Itapiru"; "independence day" com "me estrepei" e outros disparates. Tudo isso sobre uma bela melodia, ao melhor estilo dos foxes americanos.
Gravada pelo autor, "Canção Para Inglês Ver" fez sucesso no país inteiro e ainda estimulou outros compositores a desenvolverem peças sobre o tema, como "Não tem tradução" (de Noel Rosa) e "Good bye" (de Assis Valente).

Canção para inglês ver (fox-humorístico, 1931)- Lamartine Babo-clique para ouvir amostra da música


Ai loviu forguétiscleine meini itapirú
forguetifaive anda u dai xeu
no bonde Silva Manuel
ai loviu tchu revi istiven via catchumbai
independence la do Paraguai estudibeiquer Jaceguai
ou ies mai gless salada de alface flay tox mail til
oh istende oiu ou ié forguet not mi
ai Jesus abacaxi uisqui of xuxu
malacacheta independancin dei
istrit flexi me estrepei
delícias de inhame reclaime de andaime
mon Paris jet'aime sorvete de creme
ou ies mai veri gudi naiti
dubli faiti isso parece uma canção do oeste
coisas horríveis lá do faroeste
do Tomas Veiga com manteiga
mai sanduíche eu nunca fui Paulo Iscrish
meu nome é Laski Enen Claudi Jony Felipe Canal
laiti endepauer companhia limitada
aiu Zé Boi Iscoti avequi Boi Zebu
Lawrence Olivier com feijão tchu tchu
trem de cozinha não é trem azul
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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Lalá e seus trocadilhos

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Com a equipe do América F. C. em destaque, decidindo a Taça Guanabara, me vem à mente a imagem daquela figura esquálida, quase um esqueleto: Lalá. Um dos maiores compositores de marchinhas para carnaval e, talvez, o maior torcedor do América, tanto que fez o hino para este clube:

“Hei de torcer, torcer, torcer / Hei de torcer até morrer / Morrer, morrer / Pois a torcida americana / É toda assim / A começar por mim / A começar por mim / A cor do pavilhão / É a cor do nosso coração / Trá-lá-lá-lá-lá-lá / Trá-lá-lá-lá-lá-lá / Trá-lá-lá-lá / Campeões de 13, 16 e 22 / Trá-lá-lá-lá / Temos muitas glórias / E surgirão outras depois / Trá-lá-lá-lá / Campeões com a pelota nos pés / Fabricamos aos montes, aos dez / Nós ainda queremos muito mais / América unido vencerás”.

Era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, não perdendo nunca a chance de um trocadilho ou de uma piada. Em uma entrevista afirmou "Eu me achava um colosso. Mas um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso". Numa outra, lhe perguntam qual era a maior aspiração dos artistas, Lalá não vacila: "A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um... Uns desejam ir ao céu... já que atuam no éter... Outros evaporam-se nesse mesmo éter... Os pensamentos da classe são éter... ó... gênios..." - valeu-lhe o título de "O Pior Trocadilho de 1941".
Lamartine Babo nasceu na Rua Teófilo Otoni, centro da cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904. Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e Dona Bernardina Gonçalves Babo, logo teve que se mudar com a família para a Tijuca, em função da construção de novas avenidas no local onde moravam. Lamartine fez o curso primário numa escola pública, perto de sua casa, na Tijuca. Aos onze anos foi para o Colégio São Bento para cursar o ginásio. Teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre freqüentavam sua casa.

Sua primeira marchinha gravada foi "Os Calças-Largas", em que Lamartine debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino. Em 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, carnavalescos irreverentes como ele ficaram proibidos de utilizar a sátira em suas composições. Sem a irreverência costumeira, as marchinhas não foram mais as mesmas. Em 1951, aos 47 anos, Lamartine, que nunca tivera sorte no amor, casou-se, enfim. Morreu vitimado por um enfarte, no dia 16 de Junho de 1963, deixando seu nome no rol dos grandes compositores deste país.
Biografia completa
Lamartine de Azeredo Babo nasceu na Rua Teófílo Otoni, centro da cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904. Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e D.Bernardina Gonçalves Babo, logo teve que se mudar com a família para a Tijuca, em função da construção de novas avenidas no local onde moravam. Lamartine fez o curso primário numa escola pública, perto de sua casa, na Tijuca. Aos onze anos foi para o Colégio São Bento para cursar o ginásio. Teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Eernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre freqüentavam sua casa.
Por isso, o pequeno e magro Lamartine muito cedo posou de compositor para seus colegas de escola. Para provar que conseguia compor uma música usando apenas as notas sol, dó e mi, acabou fazendo o fox-trot "Pandorama", um ritmo norte-americano muito em alta na época. Lamartine era um menino muito criativo e acabou vencendo um concurso literário com a poesia "O Frade que pedia esmola". Sua primeira valsa, "Torturas de amor", foi composta quando tinha apenas treze anos de idade.
Em 1917 morreu o pai de Lamartine Babo. Em 1919 Lamartine compôs, sob influência da educação beneditina, "Ave Maria", que foi tocada em seu casamento e que até hoje é cantada nas igrejas católicas.Concluído o ginásio, Lamartine foi para o Colégio Pedro II, onde se bacharelou em letras, equivalente ao colegial de hoje.
Lamartine queria, em 1920, cursar a Escola Politécnica, mas a situação financeira da família, que vinha se tornando precária desde a morte do pai, o obrigou a trabalhar como office-boy na Light, ganhando 50 mil réis por mês. Do seu magro salário, Lamartine conseguia economizar uns trocados para, de vez em quando, freqüentar o Teatro Municipal, o Lírico ou o São Pedro de Alcântara, hoje João Caetano, onde deliciava-se com alegres operetas vienenses. Nesse mesmo ano Lamartine compôs sua primeira opereta: "Cibele".
O bom-humor e a facilidade de fazer piadas e trocadilhos levaram Lamartine, em 1923, a colaborar na revista 'Dom Quixote', dirigida por Bastos Tigre e especializada em humor, sátiras e críticas à época. Demitido da Light em 1924, Lamartine conseguiu um emprego na Companhia Internacional de Seguros, onde ficou por pouco tempo, passando, em seguida, a escrever e compor para o teatro de revista. Ainda nesse ano, sob os pseudônimos de Frei Caneca, Poeta Cinzento, T. Misto, Janeiro Ramos, Luxurious e N. N., Lamartine escreveu artigos e poesias simples para as revistas "Paratodos" e "Shimmy".
Orientado por seu amigo Eduardo Souto, Lamartine descobriu o fértil campo das marchinhas carnavalescas e, em 1925, começou a compor para os ranchos "Recreio das Flores" "Africanos", "Jardim dos Amores" e "Ameno Resedá", fazendo sucesso com a marchinha "Foi você". Em 1926 Lamartine compôs, anonimamente, para as revistas "Prestes a chegar" e "A mascote" e, em 1927, para "Paulista de Macaé" e "É da pontinha".
Como revistógrafo e compositor, o nome de Lamartine apareceu com sucesso em novembro de 1927, na revista "Os calças-largas", cuja música título, composta em parceria com Gonçalves de Oliveira e que satirizava a moda das calças boca-de-sino, foi gravada por Frederico Rocha, na Odeon, para o Carnaval de 1928; esta foi a primeira composição gravada de Lamartine Babo. A revista "Ouro à beça", de Lamartine com colaboração de Djalma Nunes, J. Castilho e Henrique Vogeler, foi uma das maiores atrações de 1928. Autor da comédia musicada "Este mundo vai mal", que estreou com sucesso em outubro de 1928, Lamartine colaborou também, no mesmo ano, na revista "Vai haver o diabo", que estreou em novembro.
Ainda nesse ano, para ajudar no orçamento, Lamartine deu aulas de dança no Clube Tuna Comercial e no Ginásio Português. Também de 1928 são suas composições "Nunca, jamais" e "Raios de um olhar" e, ainda, "Amor de mulato", "Cachorro quente" e "Oh! Nina", em parceria com Ary Barroso; "Cai n'água", com Lírio Panicali; "Cariocadas", com Hekel Tavares; "O ciúme é que te mata", com Osvaldo Cardoso de Menezes; "Cresça e apareça", com L. N. Menezes; "Cuidado com ela", "Essa velha tem malícia" e "Foi você", com Pedro Cabral; "Elza", com A F. Conceição e Xavier Pinheiro; "Eu não sei por que é", com F. Fonseca Costa; "Noite de amor", com J. Ramen; e "Seu Voronoff", em parceria com João Rossi.
Lamartine iniciou sua carreira no rádio em 1929, na Rádio Educadora, onde cantava com sua voz de falsete, contava piadas e fazia esquetes. De 1929 são suas composições "Dona boa", "Gemer no violão", "Uma tarde em New York" e "Zeca Ivo" e, também, "Amor na Penha", em parceria com João Rossi; "O campeão de xadrez", em parceria com J. Machado; "A capixaba", "Didi", "Em Santa Catarina tudo é flor", "Fruta do Pará", "Guanabara", "Maranhão, terra poética", "Meu Ceará", "Mineirinha", "Na terra do bom tempero", "Oh! Linda praia de amor", "Paraíba", "Perfil de gaúcha", "Sergipe, apelido do amor", "Seu Goiás", "Sonhos de Natal" e "Vou pro Piauí", em parceria com Henrique Vogeler e J. M. Pereira; "Helena de Azambuja", em parceria com A. R. de Jesus; "Lágrimas ocultas", em parceria com A. Miniutti; "O meu penar", em parceria com Pedro Cabral; "Tem gente olhando", em parceria com Tuiú; e "A vida é um inferno onde as mulheres são os demônios", em parceria com Zeca Ivo.
Em 1930, na Rádio Educadora, Lamartine começou a fazer o programa "Horas Lamartinescas", onde divulgava suas músicas, contava piadas e improvisava trocadilhos e onde também se apresentaram Noel Rosa e Marília Batista, entre outros. Nesse mesmo ano Lamartine venceu um concurso promovido pela revista "O Cruzeiro", com a marchinha "Bota o feijão no fogo". Desse ano também são as composições "Altofalante", "Chora", "A descoberta da América", "Eu quero casar" e "Rosinha" e, ainda, "Cutuca, Maroca", em parceria com D. Guimarães; "Diga", com Gonçalves de Oliveira; "Amazonas", "A Bandeirante", "Terra fluminense" e "Toada alagoana", com Henrique Vogeler e J. M. Pereira; "Como é gostoso amar", com Glauco Viana; "Devaneios", com Carlos Rodrigues; "Mulher sublime", com Donga; "Sonhos de Rinetti", com Jonas Aragão; "Teus olhos castanhos", com Bonfiglio de Oliveira; e "Tristeza havaiana", com Furinha.
Em 1931 Lamartine compôs e gravou o fox-charge "Canção para inglês ver", cuja letra revela a grande originalidade de Lamartine, uma das principais características de sua obra. Ainda nesse ano Lamartine passou a colaborar nos jornais "Correio da Manhã", "Gazeta de Notícias" e "Diário de Notícias" e venceu um concurso da Casa Edison com "Bonde errado", além de ter alcançado grande sucesso com "Lua Cor de Prata" e "Minha cabrocha". Nesse ano Lamartine também compôs "Gegê - Seu Getúlio"; com Noel Rosa, compôs "A.b.surdo"e "Nega"; com Sátiro de Almeida , "Gandaia"; com Vantuil de Carvalho e Domingos Carvalho,"Juraci"; com Josué de Barros, "Olha a cara dela"; com A. Demerval, "Onde você está morando?"; com Bonfiglio de Oliveira, "Sonho Brasileiro"; e, entusiasmado com a melodia que Ary Barroso havia composto para o poema "Na grota funda", de J. Carlos, Lamartine resolveu fazer outra letra, mudando o título da composição para "No rancho fundo". Ary gostou tanto do trabalho de Lalá que a partir daí compuseram juntos uma série de sucessos.
Com os Irmãos Valença, Lamartine compôs a marcha que foi um dos maiores sucessos carnavalescos de 1932 e de todos os tempos: "O teu cabelo não nega". Inicialmente, essa marcha era uma música dos Irmãos Valença, de Pernambuco, que a enviaram à Victor com o título de "Mulata". Como a linguagem dos versos era muito regional, a gravadora pediu a Lamartine que adaptasse a composição ao gosto carioca. Ele mudou radicalmente o original: alterou o ritmo, modificou a letra e acrescentou a famosa introdução. A marchinha acabou sendo gravada como "motivo do Norte com arranjos de Lamartine Babo" e editada como de exclusiva autoria de Lamartine. Os Irmãos Valença levaram o caso à justiça, que lhes deu ganho de causa, passando à legítima condição de parceiros de Lamartine.
Em 1932 Lamartine compôs, com Noel Rosa, "AEIOU"; com Francisco Alves e Ismael Silva, "Ao romper da aurora"; com Antonio Viana, "Eterna prontidão"; com Bonfiglio de Oliveira, Lamartine compôs "Meu sabiá"; e com Ary Barroso, "Palmeira Triste". Também de 1932 são as composições de Lamartine: "Babo...zeira...", "Uma família radiante", "Marchinha do amor", "Papai não deixa", "Passarinho... passarinho", "Rapsódia em réus maiores", "Só dando com uma pedra nela" e "A tua vida é um segredo", que foi um dos campeões do carnaval de 1933.
Em 1933 Lamartine fez sucesso com "Linda morena" e "Moleque indigesto" e, também, com "Aí, hein! " e "Boa bola", estas compostas em parceria com Paulo Valença. "Linda Morena", muito cantada pelos foliões, foi originalmente gravada por Lamartine, Mário Reis e o Grupo da Guarda Velha, para o carnaval de 1933. Ainda em 1933, em parceria com Alcir Pires Vermelho, Lamartine compôs "Dá cá o pé...loura"; com João de Barro, compôs "Eu queria ser ioiô"; com Noel Rosa, "Eu queria um retratinho de você"; e com Ari Pavão, compôs "Infelizmente". Nesse mesmo ano Lamartine compôs, sem parceria, "Bem-te-vi", "As cinco estações do ano", "Lola", "Paisagens de São Lourenço", "Tarde na serra" e "Chegou a hora da fogueira", que revela Lamartine num gênero, hoje, quase esquecido: as marchinhas juninas.
Em 1934, em parceria com João de Barro, Lamartine compôs "Uma andorinha não faz verão"; com Moacir Araújo, compôs "Baiana do meu coração"; com Assis Valente, "Bis " com Alcir Pires Vermelho, "E... foi assim..."; e com Hervé Cordovil, "Menina Oxygené". Também de 1934 são as composições "Deixa a velhinha", "Dois a dois", "Eu também", "História do Brasil", " "Isto é lá com Santo Antônio", "Marchinha nupcial", "Paisagem de minha terra", "Parei contigo", "Ride palhaço", "O sol nasceu pra todos" e "Rasguei a minha fantasia", que foi composta para o carnaval de 1935 e gravada por Mário Reis, transformando-se num dos grandes êxitos daquele ano.
Em 1935 Lamartine venceu novamente o carnaval com "Grau dez", composta em parceria com Ary Barroso. Desse ano são também as composições "Chora... chora..." "Pistolões", "Rapsódia Lamartinesca nº 2", "Senhorita Carnaval", feita para promover o sabonete marca Carnaval, e "Verbo amar". E, ainda, "Antônio, por favor", feita em parceria com José Maria de Abreu; "Canção apaixonada", "A melhor das três" e "Roda de fogo", em parceria com Alcir Pires Vermelho; "E o samba continua" e "Na virada da montanha", com Ary Barroso; "Mariana", com Bonfiglio de Oliveira; e "Moreninha sweepstake" e "Seu Abóbora", com Hervé Cordovil.
O ano de 1936 trouxe "Marchinha do grande galo", composta por Lamartine em parceria com Paulo Barbosa e lembrada até hoje: "O galo tem saudades da galinha carijó". Nesse mesmo ano Lamartine compôs "Cinqüenta por cento" e "A tal". Em parceria com Hervé Cordovil, compôs "Alô, alô Carnaval" e "Rio"; com Nássara, "Cadência"; com Alberto Ribeiro, "Comprei uma fantasia de pierrô"; com Assis Valente, "Jeanette"; com Noel Rosa, "Menina dos meus olhos"; e com Alberto Ribeiro e João de Barro, "Cantores de Rádio", que, originalmente gravada pelas irmãs Carmen e Aurora Miranda, pertencia ao filme "Alô, Alô, Carnaval". Depois foi gravada por Chico Buarque, junto com Nara Leão e Maria Bethânia, como parte da trilha sonora do filme "Quando o carnaval chegar", de Carlos Diegues.
Em 1935 Lamartine havia recebido, da cidade de Boa Esperança, Minas Gerais, uma carta poética e apaixonada, assinada por Nair Pimenta de Oliveira. Lamartine e Nair se corresponderam por cerca de um ano, até que veio o adeus, numa última carta de Nair. Meses mais tarde Lamartine recebeu uma correspondência do dentista Carlos Alves Neto, da mesma cidade de Nair, convidando-o para a festa de estréia de um conjunto musical. Sonhando encontrar-se com Nair, Lamartine foi para Minas e teve uma incrível surpresa: Nair era uma garotinha, sobrinha do dentista, o qual era o autor das cartas. Carlos colecionava fotos de artistas e se valeu das correspondências com Lamartine para aumentar sua coleção. Essa história foi a responsável pelo surgimento de uma famosa canção de Lamartine, "Serra da Boa Esperança", gravada por Francisco Alves em 1937 e depois, em 1952, três dias antes de morrer em acidente automobilístico.
De 1937 também são as composições de Lamartine "Ganga", "Gauchinha", "Já tirei meu chapéu", "Menina das lojas", "Só nós dois no salão e esta valsa" e, ainda, "Mais uma valsa, mais uma saudade ", composta em parceria com José Maria de Abreu e "Pensão do Catete", em parceria com Milton Amaral. A partir de 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo, as composições carnavalescas de Lamartine Babo tornaram-se esporádicas, mas ele continuou seu trabalho de radialista. As "Horas Lamartinescas" da Rádio Educadora foram substituídas pelo programa "Canção do Dia", na Rádio Mayrink Veiga, onde Lamartine apresentava uma música inédita por programa; na Mayrink Veiga, Lamartine produziu também o "Clube da Meia-Noite". Em 1937 Lamartine foi para a Rádio Nacional, levando o "Clube da Meia-Noite", que passou a se chamar "Clube dos Fantasmas" e onde produziu também a série "Vida Pitoresca dos Compositores da nossa Música Popular".
Em 1938, com Hervé Cordovil, Lamartine compôs "Esquina da sorte"; com Carlos Neto, compôs "Vaca amarela", e, sem parceria, compôs "Hino do Carnaval Brasileiro", uma de suas últimas criações carnavalescas. Em 1939, para o show "Joujoux e balangandans", que foi apresentado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e do qual era diretor musical, Lamartine compôs a marcha "Jou jou balagandans". Ainda em 1939 Lamartine compôs "Voltei a cantar"; em parceria com Celso Macedo, compôs "Cessa tudo"; e com Enéias, compôs "Tamanho não é documento".
De 1940 é a composição de Lamartine "De... cadência de pierrô", feita em parceria com Alcir Pires Vermelho. Em 1941 Lamartine compôs o fox-blue "Perdão, amor"; com Moacir Araújo, compôs a marcha "Minha companhia é a Colombina"; e com Francisco Matoso, a valsa "Eu sonhei que tu estavas tão linda ", imortalizada na voz de Carlos Galhardo.
Em 1942 Lamartine criou, na Rádio Nacional, o programa "Trem da Alegria", onde apresentou o Trio de Osso, integrado por Heber de Bôscoli, Iara Sales e por ele mesmo. O programa tornou-se um dos mais famosos do Brasil e passou por diversas emissoras de Rádio, mantendo-se no ar até 1955, ano em que, com a morte de Heber de Bôscoli, Lamartine deixou o rádio e passou a dedicar-se à União Brasileira de Compositores - UBC, como diretor. De 1942 também são suas composições "O V da vitória", "Alma dos violinos", esta em parceria com Alcir Pires Vermelho, e "La Canga", em parceria do Heber de Boscoli.
Apaixonado por futebol e torcedor do América Futebol Clube, Lamartine Babo escreveu hinos para todos os clubes cariocas, lançando-os, em 1943, no "Trem da Alegria".
Em 1944 Lamartine compôs, em parceria com José Maria de Abreu, "Uma valsa azul". Em 1945, em parceria com Moacir Araújo, compôs "En avant". Em 1949 compôs "Noites de junho". O eclético compositor Lamartine Babo também produziu programas para a televisão, foi produtor da Copacabana Discos e publicou dois livros humorísticos: "Lamartiníadas" e "Pindaíbas".
Somente em 1951, aos 47 anos, Lamartine optou pelo casamento e já não era mais o Lalá magrinho, tão caricaturado, quando se casou com Maria José Barroso. Havia parado de fumar, engordara, perdera os dentes e gostava de receber os amigos com uísque escocês, em sua ampla residência na Tijuca. Também de 1951 são as composições "Adeus, ano velho", "É... elas voltaram", esta em parceria com Roberto Roberti e "Volta", feIta em parceria com Roberto Martins.
Em 1952 Lalá compôs, em parceria com José Maria de Abreu, "Valsa da formatura". Em 1954, em parceria com Roberto Martins, compôs "Valsa do calendário". Em 1955 compôs os sambas "Estranha coincidência" e "Três de abril". O ano de 1957 trouxe as composições "Marcha pro Oriente", em parceria com Ataulfo Alves; "O rapaz de minha rua", em parceria com Roberto Martins; e "Sonhei com Noel", em parceria com Marques Junior e Roberto Roberti. Vez ou outra Lamartine voltava a animar o carnaval com alguma composição. Em fins de 1958, a pedido do rancho Rouxinóis, da Ilha de Paquetá, compôs a marcha-rancho "Os Rouxinóis", lançada na revista "Bom mesmo é mulher", que estreou em janeiro de 1959.
Em 1959 Lalá compôs o samba "Maria dos Anjos". Em 1960, compôs "Meu carnaval do passado" e "Ontem à tarde". Em 1961, a marcha-rancho "Ressurreição dos velhos carnavais". De 1963 são as composições "Noites de gala", em parceria com Alcir Pires Vermelho; "Qual delas?", em parceria com Carlos de La Riestra; e "Seja lá o que Deus quiser", só de Lamartine. Nesse mesmo ano Carlos Machado produziu, na boate do Copacabana Palace Hotel, o show "O teu cabelo não nega", baseado na vida de Lamartine Babo. Lalá freqüentou os ensaios, mas não chegou a assistir ao show: morreu de enfarte, provocado pela emoção da homenagem, no dia 16 de junho de 1963, poucos dias antes da estréia do show, mas consagrado pelos foliões de ontem e de hoje, que nunca deixaram de cantar "O teu cabelo não nega".
Algumas músicas
A melhor das três, A tua vida é um segredo, A.b.surdo, AEIOU, Aí, hein!, Antônio, por favor, Boa bola, Canção para inglês ver, Cantores de Rádio, Chegou a hora da fogueira, Dá cá o pé...loura, Deixa a velhinha, Dois a dois, En avant, Esquina da sorte, Eu sonhei que tu estavas tão linda, Eu também, Gauchinha, Grau dez, Hino do América, Hino do Botafogo, Hino do Carnaval Brasileiro, Hino do Flamengo, Hino do Fluminense, Hino do Vasco da Gama, História do Brasil, Infelizmente, Isto é lá com Santo Antônio, Jeanette, Jou jou balagandans, La Canga, Linda morena, Marcha pro Oriente, Marchinha do grande galo, Marchinha nupcial, Maria dos Anjos, Mais uma valsa, mais uma saudade, Menina Oxygené, Minha companhia é a Colombina, Moleque indigesto, No rancho fundo, O teu cabelo não nega, Parei contigo, Pistolões, Rapsódia lamartinesca, Ressurreição dos velhos carnavais, Ride palhaço, Roda de fogo, Senhorita Carnaval, Serra da Boa Esperança, Só dando com uma pedra nela, Tamanho não é documento, Uma andorinha não faz verão, Vaca amarela.
Fontes: Cifrantiga, Samba-choro, Artistas, Memórias da MPB (Samira Prioli Jaime).
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