quinta-feira, 28 de junho de 2007

Luís Antônio

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Luís Antônio (Antônio de Pádua Vieira da Costa), compositor e letrista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 16/4/1921 e faleceu em 1/12/1996. Estudou em uma escola pública e no Colégio Militar do Rio de Janeiro, de onde passou para a Escola Militar de Realengo, saindo aspirante em 1944.
Compositor desde os 14 anos, autor das músicas cantadas nas competições esportivas dos cadetes, escreveu o Hino da Escola Militar, depois oficializado. Tenente de infantaria integrou em 1945 a Força Expedicionária Brasileira na campanha da Itália.
Passou a compor profissionalmente em 1948, e sua primeira canção gravada foi Somos dois (com Klecius Caldas e Armando Cavalcanti). Grande sucesso em 1951 com o samba carnavalesco Sapato de pobre (com Jota Júnior) gravado por Marlene, no Carnaval seguinte consolidaria seu prestígio com a marcha Sassaricando (com Jota Júnior e Oldemar Magalhães) e o samba Lata d'água (com Jota Júnior). Marcaria presença novamente no Carnaval de 1953, com Zé Marmita (com Brasinha) e o clássico Barracão (com Oldemar Magalhães). Em algumas de suas letras sobressai a preocupação com temas sociais.
De 1959 a 1962, viveu a segunda grande fase de sua carreira, com uma série de sambas românticos como Menina moça, Mulher de 30, Poema do adeus e, com Djalma Ferreira, Recado, Lamento, Devaneio e outros mais, a maioria na voz do cantor Miltinho. Seu último sucesso foi o samba Eu bebo sim (com João do Violão), gravado por Elizeth Cardoso, em 1973.
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Luiz Gonzaga

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Luiz Gonzaga do Nascimento, compositor, cantor e instrumentista, nasceu em Exu PE (13/12/1912) e faleceu em Recife PE (2/8/1989). Filho do sanfoneiro Januário, que tocava em bailes e nas horas vagas consertava sanfonas, aprendeu a tocar o instrumento com o pai. Nascido numa fazenda, desde pequeno trabalhou na roça, tocando em bailes, forrós e feiras. Já era relativamente conhecido como sanfoneiro, quando, em 1930, fugiu de casa e foi para Fortaleza CE onde ingressou no Exército.
Com a revolução de 1930, seu batalhão deslocou-se para a Paraíba e outros Estados do Nordeste, seguindo depois para Juiz de Fora MG. Ali conheceu Dominguinhos Ambrósio, famoso sanfoneiro mineiro que também estava no Exército e com quem estudou, além de aprender as músicas mais populares no Sul. Transferido para Ouro Fino MG, apresentou-se como sanfoneiro num clube local.
Em 1939 foi para São Paulo SP, para comprar uma sanfona nova, seguindo depois para o Rio de Janeiro RJ, onde deu baixa do Exército. Passou então a se apresentar nos bares cariocas do Mangue, tocando fados, foxes, valsas e tangos em dupla com o guitarrista português Xavier Pinheiro. Atuava também em cabarés da Lapa e festinhas, além de tocar nas ruas, passando o pires para recolher dinheiro. Depois, começou a participar de programas de calouros, sempre apresentando um repertório de ritmos estrangeiros, sem êxito. Até que, no programa de calouros de Ary Barroso, na Rádio Nacional, cantou o chamego Vira e mexe, obtendo grande sucesso.
Passou, então, a participar de vários programas radiofônicos e, em 1941, depois de acompanhar Genésio Arruda em uma gravação na Victor, foi convidado a gravar como solista. De início gravou apenas música instrumental - mais de 50 músicas. Lançou dois 78 rpm pela Victor com a mazurca Véspera de São João (com Francisco Reis), as valsas Numa serenata (de sua autoria) e Saudades de São João del Rei (Simão Jandi), e o chamego Vira e mexe. Ainda em 1941 foi contratado pela Rádio Clube do Brasil, apresentando-se em vários programas, entre os quais Alma do Sertão, onde substituiu Antenógenes Silva. Foi depois para a Rádio Tamoio, continuando também a gravar como sanfoneiro na Victor.
Em 1943, na Rádio Nacional, umas das principais divulgadoras de ritmos regionais, em obediência à política de união cultural de Getúlio Vargas, encontrou-se com o sanfoneiro Pedro Raimundo, cujos trajes tipicamente gaúchos faziam grande sucesso, e teve a idéia de vestir-se como vaqueiro nordestino. Nesse mesmo ano, conheceu seu primeiro parceiro, Miguel Lima, que colocou letra em Vira e mexe, transformando-a em Xamego, música gravada com sucesso por Carmen Costa. Nessa época recebeu de Paulo Gracindo o apelido de Lua.
No início de 1945, gravou pela primeira vez como cantor, lançando pela Victor sua mazurca Dança, Mariquinha (com Miguel Lima). Continuando a compor com Miguel Lima, gravou Dezessete e setecentos, que foi lançado também em 1945 pelo cantor Manezinho Araújo. No mesmo ano, lançou o chamego Penerô xerém (com Miguel Lima) e a mazurca Cortando pano (com Miguel Lima e Jeová Portela), obtendo significativo êxito. A partir de agosto do mesmo ano, tornou-se parceiro do cearense Humberto Teixeira, com quem estabeleceu o ritmo, o estilo e a temática de uma nova categoria musical: o baião.
A parceria com Humberto Teixeira voltou-se para os costumes e a cultura nordestinos e rendeu-lhe alguns dos maiores êxitos de sua carreira, como Baião, lançado pelos Quatro Ases e Um Curinga (1946), No meu pé de Serra (1946), Asa branca, um de seus principais sucessos (1947), e Juazeiro (1948). Ainda em 1945, assumiu a paternidade do filho da dançarina e cantora Odaléia, dando-lhe o nome de Luís Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha.
Em 1948 casou-se com Helena das Neves. No ano seguinte, lançou com Humberto Teixeira mais uma composição de destaque, Mangaratiba, e em 1950 Paraíba e Baião de dois. Por essa época, passou a compor somente com o estudante de medicina José de Sousa Dantas Filho, o Zé Dantas, pois Humberto Teixeira, eleito deputado federal, deixou a parceria. Suas músicas se tornaram mais politizadas, por vezes denunciando o abandono do povo.
Em 1950 lançaram, entre outras, Cintura fina e A volta da asa branca. Três anos mais tarde, ABC do sertão e, depois, Algodão, Vozes da seca e Paulo Afonso. Em 1953 participou do programa No Mundo do Baião, na Rádio Nacional, ao lado de Paulo Roberto e Zé Dantas. O baião viveu sua época de ouro até 1954, quando era enorme a popularidade do compositor, apelidado Rei do Baião. Com a ascensão da bossa-nova, o baião caiu no esquecimento nos grandes centros urbanos. Afastado do cenário artístico, Luís Gonzaga preferiu apresentar-se em cidades do interior, onde continuava muito popular.
Em 1962, com o falecimento de seu parceiro Zé Dantas, passou a compor com outros músicos, entre os quais Hervé Cordovil e João Silva. Em 1965, Geraldo Vandré gravou Asa branca e Gilberto Gil, iniciando sua carreira, citou-o como uma de suas principais influências.
Na década de 1970, várias de suas músicas foram incluídas em gravações, como Asa branca, por Caetano Veloso, em 1971. No mesmo ano, lançou o LP O canto jovem de Luís Gonzaga, RCA, com composições de Gil, Caetano, Edu Lobo, Dori Caymmi, Geraldo Vandré e outros. Em março de 1972 fez um show no Teatro Teresa Raquel, do Rio de Janeiro, o Luís Gonzaga volta pra curtir.
Em 1977 participou do show comemorativo Trinta anos de baião, realizado no Teatro Municipal, de São Paulo, com Carmélia Alves, Hervé Cordovil e Humberto Teixeira. Lançou em 1979 o LP Eu e meu pai, pela RCA, em homenagem a seu pai, que faleceu em 1978.
No início da década de 1980, sua carreira ganhou novo impulso, graças principalmente a Gilberto Gil e Caetano Veloso. Em 1981, fez parceria com Gonzaguinha e, na tournée de divulgação de seu LP A vida do viajante, retomou a carreira de sucesso e ganhou o apelido de Gonzagão, que usou até a morte. No mesmo ano, lançou A festa, RCA, LP no qual interpreta, ao lado de Milton Nascimento, com grande sucesso, Luar do sertão.
Em 1984 obteve o primeiro disco de ouro com o LP Danado de bom (maioria das músicas em parceria com João Silva). Apresentou-se pela primeira vez na Europa em 1982, no Teatro Bobino, de Paris, França, a convite de Nazaré Pereira, cantora amazonense radicada em Paris. Em 1984 recebeu o Prêmio Shell e dois anos depois retornou a Paris, para fazer o show de encerramento do festival de música brasileira Coleurs Brésil. Nesse mesmo ano, foi lançado o livro Luiz Gonzaga, o rei do baião - Sua vida, seus amigos, suas canções, de autoria de José J. Ferreira (Editora Ática, São Paulo). Afastado das TVs e das rádios, ainda na década de 1980 continuava a apresentar-se em shows pelo interior do Brasil, cantando em quermesses, circos, cinemas, feiras e fábricas.
Em 1990, foi lançado o livro Eu vou contar pra vocês, de autoria de Assis Ângelo, Ícone Editora, São Paulo. Em 1996, a BMG lançou o CD triplo 50 anos de chão, uma reedição em CD da caixa de cinco LPs homônima, lançada em 1988, que compreendia o período de 1941 a 1987, com seleção dele mesmo. Mais um livro sobre sua vida foi lançado em 1996: Vida de viajante - A saga de Luiz Gonzaga, de autoria de Dominique Dreyfus e prefácio de Gilberto Gil (Editora 34, Coleção Ouvido Musical, São Paulo).
A Editora Globo lançou, em 1997, fascículo e CD Luiz Gonzaga, na série MPB Compositores, n° 20. No mesmo ano, o Jornal da Tarde lançou o CD e fascículo Luiz Gonzaga, na série MPB NO JT, nQ 5.
Participou de inúmeras iniciativas em prol dos flagelados pela seca no Nordeste, muitas vezes por conta própria. Em 1982, no show Nordeste urgente, em Natal RN, conheceu Alceu Valença, que participou de seu disco Luiz Gonzaga, 70 anos de sanfona e simpatia, em 1983. Em meados da década de 1980, criou a Fundação Vovô Januário, destinada a ajudar as mulheres de Exu.
Algumas cifras e letras
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Marino Pinto

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Marino Pinto (Marino do Espírito Santo Pinto), compositor e jornalista, nasceu em Bom Jardim RJ, em 18/7/1916 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 28/1/1965. Filho de Diogo Feliciano Pinto, barbeiro que tocava violão e cantava nas horas vagas, foi para o Rio de Janeiro, em 1927, morar com um tio. No ano seguinte, ingressou no Ginásio São Bento, onde conheceu o músico Plácido Oliveira, seu grande incentivador. Nessa época fez sua primeira composição, Ilka, dedicada à namorada.
Em 1929, freqüentando a Rádio Philips, tornou-se amigo do cantor Sílvio Caldas e da cantora Sônia Barreto. Em 1934 entrou na Faculdade de Direito, onde conheceu J. Maia, autor de teatro musicado, e o caricaturista Ozon, com os quais passou a freqüentar o meio jornalístico e o Café Nice, ponto de reunião dos artistas, tornando-se amigo dos grandes compositores da época, entre os quais Orestes Barbosa, Custódio Mesquita, Jorge Faraj e Mário Lago. Nessa época, trancou a matrícula na faculdade e começou a trabalhar no jornal Avante.
Em 1936, foi credenciado pelo jornal O Globo como seu representante na assembléia legislativa do Rio de Janeiro e, nessa função, conheceu o então interventor Ernâni do Amaral Peixoto, de quem se tornou amigo. Trabalhou depois nos jornais A Pátria, A Nação, O Mundo e A Nota e nas sucursais da Folha de S. Paulo.
Em 1939 fez a letra de Fale mal, mas fale de mim (com Ataulfo Alves), dedicado ao escritor teatral Paulo Magalhães e gravado por Araci de Almeida. No ano seguinte ainda com Ataulfo Alves, compôs Positivamente não e Continua, também gravados por Araci, na Victor. Ainda em 1940, fez Deus no céu e ela na terra (com Wilson Batista), gravado por Carlos Galhardo, e em 1941 compôs N-A-O-til, não (com Wilson Batista).
Em 1942 fez A morena que eu gosto (com Wilson Batista) e Aos pés da cruz (com Zé da Zilda), grande sucesso na voz de Orlando Silva. No ano seguinte, abandonou o jornalismo e passou a trabalhar como gerente da Casa Waldeck cujos vendedores eram Milton de Oliveira e Haroldo Lobo, o qual, mais tarde, seria seu parceiro no samba Por mais um pouco e na marcha Retrato do velho. Ainda em 1943, em parceria com Sílvio Caldas, compôs 50%, gravado por Araci de Almeida.
Deixando o emprego e dedicando-se somente à música, em 1945 compôs Ele disse adeus (com Claudionor Cruz), samba gravado por Araci de Almeida, na Odeon. Em 1946, com Nestor de Holanda e outros compositores, fundou a SBACEM. Nesse mesmo ano, compôs Eu, ele e você (com Luís Bittencourt), que foi gravado por Orlando Silva, na Odeon.
Em 1947 fez Cidade do interior (com Mário Rossi), lançado pela Odeon, na voz de Araci de Almeida. Ainda nesse ano, escreveu a segunda parte da letra de Segredo e Cabelos brancos, composições de Herivelto Martins que se tornaram grandes êxitos nas vozes de Dalva de Oliveira e dos Quatro Ases e Um Curinga, respectivamente. Também em 1947, compôs o samba Rei do circo (com José Roy e Mário Rossi), onde antecipava a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República.
No Carnaval de 1951 Vargas já era presidente, quando Francisco Alves lançou, com muito sucesso, a marcha Retrato do velho (com Haroldo Lobo). Nesse ano, foi nomeado censor do Departamento Federal de Segurança Pública e obteve novo sucesso com a gravação da música Se o tempo entendesse (com Mário Rossi), por Lúcio Alves.
Em 1957 e 1958 foi presidente do conselho deliberativo da SBACEM. Ainda em 1958, compôs Prece (com Vadico), gravado por Helena de Lima. Em 1959, foi eleito conselheiro vitalício da SBACEM e no ano seguinte tornou-se presidente da entidade. Ainda em 1960, Elizeth Cardoso lançou pela Copacabana o LP Magnífica, incluindo apenas composições dele com seus parceiros. Em 1962 e 1964 foi reeleito para a presidência da SBACEM.
De 1965 é sua última música, a valsa Minha cidade (com Mário Rossi). Deixou cerca de 300 composições, inclusive muitos sucessos de Carnaval, como Chega, já é demais (com Humberto Porto), gravado por Carlos Galhardo em 1940, e Jacarepaguá (com Paquito e Romeu Gentil), gravado pelos Vocalistas Tropicais em 1949.
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Mário Rossi

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Mário Rossi, letrista, nasceu em Petrópolis RJ, em 23/5/1911, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 12/10/1981. Aos dez anos já trabalhava durante o dia e estudava à noite, tendo cursado apenas até o terceiro ano ginasial, por causa das constantes mudanças de sua família, de origem italiana, em busca de melhores empregos como operários, passando pelo Rio de Janeiro RJ e por Barbacena MG, antes de voltar a Petrópolis.
Em 1925 trabalhou como balconista no comércio e ingressou na Escola de Aprendizes Marinheiros de Angra dos Reis RJ, que abandonou no ano seguinte. Estudou desenho de tecidos e por quatro ou cinco anos foi contramestre de tecelagem da Fábrica Andorinha, em Santo Aleixo RJ.
Por volta de 1930 enviou suas primeiras colaborações a jornais de Majé RJ e Angra dos Reis. Colaborou também em O Malho e, em 1933, no Jornal de Petrópolis, ingressando em seguida no Exército, no I Batalhão de Caçadores, do qual saiu como cabo no ano seguinte.
Transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro em 1935, trabalhando durante oito meses num escritório e, a partir de 1936, como guarda-civil, quando ficou conhecendo o "rei das valsas" Gastão Lamounier. Com ele compôs a valsa E o destino desfolhou, gravada em 1937 por Carlos Galhardo na Odeon. Publicou no mesmo ano seu livro Poemas para ler e esquecer.
Em 1943 deixou a Guarda-Civil. Seu maior sucesso foi Renúncia (com Roberto Martins). Outros cantores que gravaram suas composições foram Gilberto Alves, Dalva de Oliveira e Vicente Celestino, e entre seus principais parceiros, além de Gastão Lamounier e Roberto Martins, estão Marino Pinto, Newton Teixeira e também Vicente Celestino. Embora a principal fase de sua extensa obra como letrista tenha sido na década de 1940, continuou escrevendo, e em 1975 compôs, com Adelino Moreira, o samba Orgulhosa.
Obras
Beija-me (c/Roberto Martins), samba, 1943; Dorme que eu velo por ti (c/Roberto Martins), 1942; E o destino desfolhou (c/Gastão Lamounier), valsa, 1937; Orgulhosa (c/Adelino Moreira), samba, 1975; Renúncia, (c/Roberto Martins), fox, 1943; Restos de ventura (c/Gastão Lamounier), valsa, 1938; A valsa dos noivos (c/Roberto Martins), 1944.
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Raul Torres

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Raul Montes Torres, cantor e compositor, nasceu em Botucatu SP (11/7/1906) e faleceu em São Paulo SP (12/7/1970). Filho de espanhóis, nasceu e foi criado na cidade paulista de Botucatu, onde participava de pagodes e quermesses com amigos, cantando modas-de-viola. Para ingressar profissionalmente na vida artística, foi para São Paulo, arranjando de início emprego de cocheiro, com ponto no Jardim da Luz, mas cantava sempre que surgisse oportunidade, em cabarés, circos, teatros e bares. Ouvindo os sucessos da época, como Augusto Calheiros, Turunas da Mauricéia e Jararaca e Ratinho, mudou o estilo de cantar, adotando o gênero nordestino, principalmente as emboladas, que faziam grande sucesso.
Em 1927 entrou para a Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), que pela primeira vez reunia um elenco popular, em que figuravam Paraguaçu, Pilé, o violonista Canhoto e Arnaldo Pescuma, entre outros. No ano seguinte, com a inauguração da Rádio Cruzeiro do Sul (depois Piratininga), foi convidado a atuar no seu elenco, ao lado de Paraguaçu e Arnaldo Pescuma.
Em 1927 gravou seu primeiro disco no selo Brasilphone, de São Paulo, com a embolada Segura o coco, Maria e o samba Verde e amarelo, ambos de sua autoria. Na Columbia lançou, de sua autoria, Olha o rojão, além de Mauricéia (A. Portela e Marabá), com o Regional do Canhoto, Belezas de minha terra (com José Val) e O que tem o cotia e A festa do sapo (ambas de sua autoria). Nessa gravadora, em 1930 e 1931, na série caipira de Cornélio Pires, gravou com o pseudônimo de Bico Doce, acompanhado de Sua Gente do Norte, Galo sem crista, de sua autoria, e mais três composições.
No mesmo período, gravou também na Parlophon, com o nome de Raul Torres e os Turunas Paulistas, no gênero moda-de-viola, várias de suas composições, entre as quais Rola rolinha (com Atílio Grany), Oi Juvená, Caipira no mercado (com Atílio Grany e Arnaldo Pescuma), e o grande sucesso Olhos de morena, com acompanhamento do conjunto Os Chorões. Além dessas, a consagrada embolada Jacaré no caminhão, Saudade de Rio Pardo, interpretada em dupla com Azulão (Artur Santana), também apresentada na cena cômica de Genésio Arruda Uma festa no arraial. Destacaram-se ainda interpretações suas como o cateretê Não zanga comigo não (Nair Mesquita), gravado em dupla com a autora, pela Columbia, que passou a Continental posteriormente.
Em 1933 gravou pela Odeon Sereno cai, toada, com coro de Francisco Alves, Castro Barbosa, Moreira da Silva, Jaime Vogeler e Jonjoca, e a embolada Pisei no rabo do tatu. Lançou ainda a embolada Sururu no galinheiro e o jongo A morte de um cantador (ambas de sua autoria), interpretadas em dueto com Nestor Amaral. No mesmo ano conheceu João Pacífico, com quem formou dupla vocal, gravando, na Odeon, acompanhado pelo seu conjunto Embaixada, a embolada Seu João Nogueira, de autoria da dupla. Com a Embaixada lançou ainda Balança os cacho, sinhá, embolada do compositor e caricaturista cearense Manuel Queirós, e o clássico da música sertaneja Mestre carreiro (de sua autoria). Depois, formou um duo com seu velho amigo, de Botucatu, Joaquim Vermelho, com quem gravou na Odeon as modas-de-viola A codorninha e Sistema americano, composições da nova dupla, e Caninha verde (com Luís Machado). Com Florêncio, lançou em disco Apelido dos jogadores (com Palmeira).
Em 1935 gravou na Columbia a marchinha Dona Boa (Adoniran Barbosa e J. Aimberê) e, na Odeon, sua composição A cuíca tá roncando, batucada, sucesso no Carnaval carioca desse ano e premiada em Portugal. Transferiu-se em 1937 para a Victor, na qual, em dupla com seu sobrinho Antenor Serra, o Serrinha, gravou Cigana, moda-de-viola de sua autoria, com João Pacífico, a toada Chico Mineiro (Tonico e Tinoco e Francisco Ribeiro) e a moda-de-viola Adeus campina da serra (com Cornélio Pires). Depois, novamente em dupla com Serrinha, lançou a moda-de-viola Boiada cuiabana (de sua autoria), que se transformou em grande sucesso da dupla Tonico e Tinoco. Gravou ainda a famosa valsa Saudades de Matão (com Jorge Galati e Antenógenes Silva), em que formou trio com Serrinha e Mariano.
Em 1938, em dupla com Serrinha, gravou sua composição Balanceiro da usina, embolada, sendo, no mesmo ano, contratado pela Rádio Record de São Paulo. No ano seguinte, a dupla lançou em disco as toadas Do lado que o vento vai e Meu cavalo zaino, (ambas de sua autoria).
Em 1940, com João Pacífico, gravou Cabocla Tereza, Minas Gerais, toada, e A mulher e o trem, moda-de-viola, todas de autoria da dupla, o cateretê de sua autoria Trem de ferro, e a marcha Tem boi na linha (com Rui Martins). No ano seguinte, com Serrinha, lançou sua composição Mingirinha, de grande sucesso, e, em 1942 na Odeon, suas composições Mourão de porteira (com João Pacífico), grande sucesso, Campo Grande, Mulambaia, Conceição (com Aparício Cerqueira), Sexta-feira 13 (com Capitão Furtado), O rei mandou me chamar (autoria da dupla), Cadê minha morena (com João Pacífico) e Vamos pra São Manuel, entre outras. No ano seguinte, foram feitas na Continental as últimas gravações da dupla Raul Torres e Serrinha, como A Copa do Mundo, Meus padecimentos, Moda do viaduto e Quero vê... quero oiá (todas de sua autoria).
Depois de separados, tio e sobrinho ainda vieram a gravar as composições de sua autoria Cheguei na casa da véia, Eu fui passiá em São Paulo e Quando eu cantei no rádio. Formou então nova dupla, com João Batista Pinto, o Florêncio (Barretos SP 1910-), com quem já havia gravado dez anos antes, lançando em disco, em 1944, Pingo d'água e depois A moda da mula preta, clássicos da música sertaneja (ambas com João Pacífico).
A partir de 1945 fez poucas gravações, como Feijão queimado (com José Rielli), arrasta-pé de grande sucesso, principalmente nas festas caipiras, e posteriormente Enquanto a estrela brilhar (com João Pacífico).
Deixou em 78 rotações cerca de 204 discos com 398 gravações. Passou a dedicar-se mais ao rádio e fez na Rádio Record, de São Paulo, o programa Os Três Batutas do Sertão, formando o trio de mesmo nome inicialmente com Florêncio e José Rielli, e a partir de 1947, com Florêncio e Rielli Filho (Emílio Rielli).
Sua consagrada composição Mestre carreiro foi interpretada no filme Sertão em festa (Osvaldo de Oliveira, 1970), por Tião Carreiro e Pardinho. Em 1970, gravou com Os Três Batutas do Sertão, pela gravadora Vitória, o LP O maior patrimônio da música sertaneja, vindo a falecer alguns dias depois.
Algumas músicas
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René Bittencourt

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René Bittencourt (René Bittencourt Costa), compositor nasceu em Paquetá RJ em 23/12/1917 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 21/11/1979. Durante muitos anos foi animador de shows de circos e teatros, e empresário de artistas. Mais tarde, como jornalista, colaborou em várias revistas e jornais especializados em música.
Sua primeira composição gravada foi o samba Felicidade (com Noel Rosa), que também o gravou em disco Columbia, em 1932. O primeiro sucesso foi Sertaneja, canção gravada por Orlando Silva na Victor em 1940. No ano seguinte, também pela Victor, Orlando Silva gravou Sinhá Maria. Em 1945 foram gravadas Era uma vez, por Gilberto Alves, e Senhor da floresta, por Augusto Calheiros, ambas na Victor.
Em 1947 Augusto Calheiros gravou Garoto da rua, na Victor. Em 1957 Caubi Peixoto gravou Prece de amor, pela Columbia, e em 1958 Nono Mandamento (com Raul Sampaio), pela Victor. Compôs ainda, em parceria com Francisco Alves, Canção da criança e Brasil de amanhã, ambas gravadas pelo cantor, acompanhado pelo Coro das Crianças da Casa de Lázaro, na Odeon, em 1952.
Durante 25 anos assinou a seção Feira de Amostras da Revista do Rádio. Foi membro do conselho deliberativo da SBACEM e integrante de suas comissões de finanças e repertório.
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Waldir Azevedo

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Waldir Azevedo, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 27/1/1923 e faleceu em São Paulo em 21/9/1980. Nascido no bairro da Piedade e criado no Engenho Novo, aos sete anos comprou uma flauta transversal com o dinheiro obtido na venda dos passarinhos que apanhava. Influenciado por amigos com que se reunia aos sábados para tocar, resolveu trocar a flauta pelo bandolim. Passou depois para o cavaquinho, instrumento que deixou de lado quando entrou em moda o violão elétrico. Por essa época também tocava violão, mas foi como flautista que se apresentou em público pela primeira vez, no Carnaval de 1933, executando o Trem blindado (João de Barro) no Jardim do Meyer.
Problemas cardíacos o impediram de realizar seu sonho de ser aviador, e empregou-se na Light. Em 1945, quando passava a lua-de-mel em Miguel Pereira RJ, recebeu um telefonema de um amigo, avisando sobre uma vaga no regional de Dilermando Reis, em um programa da Rádio Clube do Brasil. Tocou cavaquinho durante dois anos no conjunto, assumindo sua liderança em 1947, com a saída de Dilermando Reis.
Sua primeira composição foi o choro Brasileirinho, cuja parte inicial é quase toda numa só corda, gravado na Continental, por sugestão de João de Barro, diretor artístico da gravadora. A década de 1950 representou o ponto mais alto de sua carreira, fazendo muito sucesso com as composições Delicado (baião), Pedacinhos do céu, Chiquita e Vê se gostas, entre outras.
Durante 11 anos percorreu a América do Sul e a Europa, incluindo duas excursões patrocinadas pelo Itamarati, na Caravana da Música Brasileira, e nas outras com o seu conjunto. Suas músicas foram gravadas no Japão, Alemanha, EUA., onde o disco de Percy Faith e sua orquestra, com a faixa Delicado, vendeu mais de um milhão de cópias. Participou de um programa na B.B.C. de Londres, Inglaterra, transmitido para 52 países.
Teve 132 músicas gravadas, entre chorinhos, valsas e baiões, lançou 20 LPs (um deles com Jacó do Bandolim) e cerca de 50 discos de 78 rpm. Em 1964, por morte de sua filha, afastou-se dos meios musicais. Mudou-se para Brasília DF em 1971, onde sofreu um acidente com um cortador de grama em que quase perdeu seu dedo anular, impedindo-o de tocar durante um ano e meio. Recuperou-se somente depois de várias cirurgias e muitos exercícios, voltando a gravar.
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Zé da Zilda

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Zé da Zilda (José Gonçalves), compositor e cantor nasceu no Rio de Janeiro RJ em 6/1/1908 e faleceu em 10/10/1954. Filho de músico, nascido no subúrbio de Campo Grande, aos cinco anos começou a se interessar pelo cavaquinho, aprendendo os rudimentos de música com o pai. Por volta de 1920 morava no morro da Mangueira, onde fez amizade com vários sambistas, entre os quais Cartola, que mais tarde seria seu parceiro.

Na companhia teatral Casa de Caboclo, organizada por Duque, começou a cantar emboladas e sambas, acompanhando-se ao cavaquinho e violão, e interpretando o personagem Zé com Fome, que durante muito tempo foi seu nome artístico.

A convite de Duque, ingressou na Rádio Educadora, formando dupla com Pente Fino (Claudionor Cruz). Depois foi para a Rádio Transmissora, já como chefe de um regional e com programa próprio, no qual conheceu a cantora Zilda, que fazia sua estréia. Com ela formou inicialmente a Dupla da Harmonia.

No Carnaval de 1936, seu samba Não quero mais (com Cartola e Carlos Cachaça), foi cantado com grande sucesso pelo G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, na Praça Onze, gravado no ano seguinte por Araci de Almeida, na Victor, e mais tarde relançado por Paulinho da Viola, no LP Nervos de aço, com o nome de Não quero mais amar a ninguém .

Em 1938 casou com Zilda e passaram a atuar na Rádio Clube do Brasil. Em seguida, Orlando Silva gravou na Victor Meu pranto ninguém vê (com Ataulfo Alves). Em 1939 a dupla passou a atuar na Rádio Cruzeiro do Sul, no programa de Paulo Roberto, que os batizou de Zé da Zilda e Zilda do Zé, nome que adotaram em suas apresentações, inclusive em circos.

Em 1940, participou da gravação de Leopold Stokowski no navio Uruguai, para o álbum de música brasileira editado nos EUA pela Columbia. No ano seguinte compôs, com Marino Pinto, o samba Aos pés da cruz, gravado por Orlando Silva na Victor com grande sucesso.

Com seus choros Fim de eixo e Levanta, José, a dupla estreou em disco, na Victor, em 1944. A partir dessa época realizaram várias gravações de músicas suas e de outros compositores, como Só pra chatear (Príncipe Pretinho). Em 1945 começaram, com grande sucesso, a gravar para o Carnaval, estreando com Conversa, Laurindo (com Ari Monteiro), na Continental, e ao mesmo tempo trabalharam na Rádio Mayrink Veiga.

Do Carnaval de 1954 é o grande sucesso da dupla, em parceria com Zilda e Valdir Machado, a marcha Saca-rolha, conhecida por seu primeiro verso, "As águas vão rolar...", que eles mesmos gravaram na Odeon. No mesmo ano lançaram para o Carnaval o samba Jura (com Marcelino Ramos e Adolfo Macedo).

Pouco antes de morrer, deixou gravados com Zilda, para o Carnaval de 1955, a marcha Ressaca(da dupla com Valdir Machado) e o samba Império do Samba (da dupla). No ano seguinte Zilda homenageou sua memória com o samba Vai que depois eu vou (com Zilda do Zé, Adolfo Macedo e Aírton Amorim), lançado pela Odeon, com enorme sucesso. Voltou a lembrar o marido, com o samba Vem me buscar (Zilda com Adolfo Macedo).

Outras músicas de sua autoria, entre as quais os sambas de breque Nega zura, Mulher malandra e Garota Copacabana, foram gravadas e relançadas por Jorge Veiga em 1975, no seu LP O melhor de Jorge Veiga, pela Copacabana.

Obras

Aos pés da cruz (c/Marino Pinto), samba, 1942; Conversa, Laurindo (c/Ari Monteiro), samba, 1945; Fim de eixo, choro, 1944; Garota Copacabana, samba, 1975; Império do samba (c/Zilda do Zé), samba, 1954; Jura (c/Marcelino Ramos e Adolfo Macedo), samba, 1954; Levanta José, choro, 1944; Meu pranto ninguém vê (c/Ataulfo Alves), samba, 1938; Mulher malandra, samba, 1975; Não quero mais (Não quero mais amar a ninguém) (c/Cartola e Carlos Cachaça), samba, 1937; Nega zura, samba, 1938; Quem mente perde a razão (c/Edgard Nunes), samba, 1942; Ressaca (c/Zilda do Zé e Valdir Machado), marcha, 1953; Saca-rolha (c/Zilda do Zé e Valdir Machado), 1953; Santo Antônio amigo (c/Marino Pinto e J. Cascata), samba, 1941.
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Zilda do Zé

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Zilda do Zé (Zilda Gonçalves), cantora e compositora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 18/3/1919. Iniciou carreira artística apresentando-se na Rádio Transmissora, onde conheceu o compositor José Gonçalves, com ele formando a Dupla da Harmonia.
Em 1938 casaram e, no ano seguinte, passaram a atuar na Rádio Cruzeiro do Sul, no programa de Paulo Roberto que rebatizou a dupla com o nome Zé da Zilda e Zilda do Zé.
Estrearam em disco em 1944, na Victor, com dois choros de Zé da Zilda, Fim de eixo e Levanta, José. A partir de 1945 passaram a lançar, com grande êxito, músicas carnavalescas. Desse ano é a gravação de Conversa, Laurindo (Zé da Zilda e Ari Monteiro), sucesso no Carnaval de 1946. Também nessa época se apresentaram na Rádio Mayrink Veiga. Para o Carnaval de 1953 lançaram a marcha Parafuso (Zé da Zilda e Adelino Moreira).
No Carnaval seguinte tiveram um de seus maiores êxitos com Saca rolha (com Zé da Zilda e Valdir Machado). Suas últimas gravações em dupla foram a marcha Ressaca (da dupla com Valdir Machado) e o samba Império do Samba (de autoria da dupla), lançadas para o Carnaval de 1955, após a morte de Zé da Zilda.
Homenageou a memória do marido com os sambas Vai que depois eu vou (com Zé da Zilda, Adolfo Macedo e Aírton Amorim), de 1956, e Vem me buscar (com Adolfo Macedo).
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Adelino Moreira

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Adelino Moreira de Castro, compositor, nasceu na cidade do Porto, em Portugal, no dia 28 de março de 1918. Filho de um joalheiro, emigrou com a família para o Brasil em 1919, fixando residência no bairro carioca de Campo Grande. Estudou até o segundo ano científico, que abandonou para trabalhar com o pai. Não se tornou exímio na ourivesaria, como também se contagiou pelo amor paterno pela poesia e pela música.
Em 1936 casou-se com Maria da Conceição (da qual se separaria em 1951). Por volta de 1938 começou a aprender bandolim, passando depois para a guitarra portuguesa. No início da década de 40, seu pai patrocinava o programa Seleções Portuguesas, na Rádio Clube do Brasil, dirigido pelo maestro Carlos Campos, seu professor de guitarra. Foi através dele que Adelino começou a se apresentar no Rádio como cantor.
Em 1945, convidado por João de Barro, diretor-artístico da Continental, gravou os fados Olhos d'alma e Anita, o samba Mulato artilheiro e a marcha Nem cachopa, nem comida, todos de sua autoria. Em 1948 foi para Portugal onde gravou, como intérprete, diversas músicas brasileiras na Parlophon portuguesa, além de ter participado, também como cantor, da revista musicada Os Vareiros. De volta ao Brasil, deixou de cantar, continuando a trabalhar com o pai e a compor.
Em 1951 compôs a marcha Parafuso (parceria com Zé da Zilda e Zilda do Zé), gravada pela dupla em 1953. Em 1952, foi apresentado a Nelson Gonçalves, a quem entregou sua composição Última seresta (parceria com Sebastião Santana) para ser gravada. Essa gravação, realizada na Victor em 1952, foi a primeira de uma série de outras feitas pelo cantor, que se tornaria seuprincipal intérprete.
Nos anos seguintes, Nelson lançaria os primeiros dois grandes sucessos do compositor: Meu vício é você (gravado em 1955) e A volta do boêmio (gravado em 1956). Adelino e Nelson passaram também a compor juntos, surgindo assim vários sucessos, como o bolero Fica comigo esta noite (1961) e os sambas-canções Escultura (1958) e Êxtase (1959).
Na década de 60, vários outros cantores gravaram músicas de Adelino, entre eles, Ângela Maria, Carlos Galhardo e Orlando Silva. Por volta de 1966, alguns desentendimentos separaram Adelino de Nelson Gonçalves. Entre 1967 e 1969, atuou como disc-jockey na Rádio Mauá, no Rio de Janeiro. Em 1970 abriu uma churrascaria em Campo Grande, onde se apresentaram muitos cantores famosos.
A briga com Nelson duraria até 1971, quando voltaram a trabalhar juntos. E, em meados da década de 70, além de continuar a compor, tornou-se empresário do cantor. Em 1978, Maria Bethânia grava uma nova versão do samba-canção Negue, de Adelino Moreira (parceria com Enzo de Almeida Passos), fazendo enorme sucesso.
Faleceu aos 84 anos de idade, na madrugada de 09 de maio de 2002, de infarto fulminante. Foi encontrado por sua esposa caído no chão da cozinha de sua casa, na Estrada do Monteiro, em Campo Grande.
Adelino Moreira foi um caso raro na história da MPB: um compositor que construiu a carreira com talento e cuidado, conseguindo manter um confortável padrão de vida, principalmente porque nunca parou de receber direitos autorais. Exerceu a vice-presidência e cargo de conselheiro na SBACEM.
Algumas músicas
fontes: História do Samba - Editora Globo; Cifrantiga - História da MPB e Cifras.
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