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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Noemi Cavalcanti

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Noemi Cavalcanti (Noemi Knupp Brustt), cantora, nascida em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo (1926), integrou, em 1950, o Trio de Ouro na sua segunda formação (Nilo Sérgio e Herivelto Martins), quando do desquite de Herivelto com Dalva de Oliveira.

Em 1952 Noemi e Nilo Chagas passaram a atuar em dupla, ocasionando uma nova formação no Trio de Ouro: Herivelto, Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—) e Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt, São Paulo, 30/10/1923—Rio de Janeiro, 19/08/1979).

Noemi formou também, com sua irmã Odemi, o duo Irmãs Cavalcanti. Em 1954, gravaram pela Columbia o baião Lumiô, lumiô, de autoria da dupla, e a guarânia Ponta Porã, de Pereirinha e Jamir da Silva Araújo. No mesmo ano gravaram os rasqueados Além das fronteiras, de Pereirinha, e Noites do Paraguai, de S. Aguayo e Herivelto Martins.

Em 1955, gravaram de Pereirinha e Noemi Cavalcanti o rasqueado Terra distante, e de autoria das irmãs a valsa Saudosa Minas Gerais.

Seu marido era maestro do cantor e barítono Vicente Celestino, que foi seu padrinho de casamento, com a cineasta Gilda de Abreu como madrinha. Morava em Friburgo-RJ quando contraiu tuberculose. Foi para a casa de seu filho em Bauru-SP, onde veio a falecer em 26 de abril de 2001. Nenhum jornal comentou a sua morte (pobre memória da nossa MPB!).

Fontes: Noemi Cavalcanti e o Trio de Ouro - de Roberto de Azevedo (forniturarob@ig.com.br) - Agenda do Samba & Choro; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira; Cine Claquete - atores - Lurdinha Bittencourt; Loronix: Challenge / What is the name of this vocal group and whohttp are they? (imagem de Noemi Cavalcanti).
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Bidu Reis

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A cantora, compositora, poeta, pianista e radioatriz Bidu Reis (Edila Luísa Reis) nasceu em 1920 no Rio de Janeiro, RJ. Pertence à União Brasileira de Compositores e é uma das diretoras da Associação Defensora dos Direitos dos Fonomecânicos. Em 2000, era também presidente da Associação das Donas de Casa da zona norte da cidade do Rio de Janeiro (na foto: Emilinha Borba e Bidu Reis).

Foi integrante do grupo As Três Marias, ao lado de Marília Batista e Salomé Cotelli. O grupo, formado em 1942 na Rádio Nacional do Rio de Janeiro por seu diretor artístico, José Mauro, lançou o primeiro disco ainda em 1942, acompanhando Linda Batista nos sambas Bom-dia, de Herivelto Martins e Aldo Cabral e Aula de música, de Haroldo Barbosa e Herivelto Martins. Em 1943, lançaram o segundo disco, acompanhando Francisco Alves e participaram, cantando, do filme É proibido sonhar, de Moacir Fenelon. No ano seguinte o conjunto lançou discos, acompanhando Roberto Paiva, Nilo Sérgio e Albertinho Fortuna.

Em 1945, saiu do grupo para cantar na Rádio Globo e na Orquestra Tabajara. Em 1951, gravou no selo Carnaval a marcha Não me fale em pretoria, de Fernando Lobo e Nestor de Holanda. Em 1954, foi escolhida pelo Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro como "Rainha dos músicos" com a expressiva soma de 98.185 votos.

Em 1955, gravou na Continental o baião Adeus, minha gente, de Alcir Pires Vermelho e Gilvan Chaves e o samba Sozinha, de sua autoria e José Bastos com acompanhamento de Radamés Gnattali e seu conjunto. No mesmo ano, o conjunto vocal Os Cariocas gravou seu samba Qu'est ce que tu penses, parceria com Haroldo Barbosa.

Em 1956, teve o samba Quatro histórias diferentes, parceria com Dora Lopes gravado pelo grupo Quatro Estrelas e a canção É Natal, parceria com Arsênio de Carvalho, por Emilinha Borba na Continental.

Em 1957, seu bolero Interesseira, parceria com Murilo Latini foi gravado pelo grupo Os Sinuelos na gravadora Sinter. Essa mesma música foi regravada no ano seguinte pelo grupo Os Seresteiros na gravadora Columbia e por Jairo Aguiar na Copacabana, além de ter sido posteriormente grande sucesso na voz de Anísio Silva. Ainda em 1957, conheceu seu maior sucesso, Bar de noite, parceria com Haroldo Barbosa e gravada por Creusa Cunha na Mocambo. Esta música foi regravada por inúmeros intérpretes, o principal dos quais foi Nora Ney, que a incorporaria ao seu repertório permanente. Em 1960, Lúcio Alves gravou na Philips a valsa Festa de luz, parceria com Murilo Latini, sendo posteriormente regravada por Dilu Melo.

É autora do livro A inteligência dos animais, história infantil que foi radiofonizada na década de 1960 e que somente em 1996 foi publicada como livro pela Editora Sette Letras. Bar da noite (Garçon, apaga esta luz/ Que eu quero ficar sozinha), em parceria com Haroldo Barbosa, é considerada um dos clássicos mais significativos do samba-canção. Gravada ao final da década de 1950 por Nora Ney, a música foi incluída no CD Estão voltando as flores - com as Cantoras do Rádio, no registro de Carmélia Alves, em expressa homenagem ao repertório de Nora Ney.

Em 2003, teve a composição Folhas mortas, parceria com Motta Vieira gravada pela cantora Marion Duarte no CD Fonte de energia, para o qual escreveu a apresentação.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Marília Medalha

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Marília Medalha

Marília Medalha, cantora e compositora, nasceu em Niterói RJ em 25/7/1944. Aos cinco anos cantava para os amigos da família e, adolescente, freqüentava reuniões musicais em Niterói, das quais participavam Sérgio Mendes e Tião Neto, que a acompanhavam em algumas apresentações públicas na cidade. Nesse período, realizou espetáculos no Clube de Regatas de Icaraí e no Clube Central.

Em 1965, Sérgio Mendes, já radicado nos EUA e famoso, convidou-a para integrar seu conjunto; recusou, preferindo participar, a convite de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, da peça Arena conta Zumbi, no Teatro de Arena, de São Paulo, recebendo, por sua atuação, o prêmio de Atriz-revelação de 1965, conferido pela Associação Paulista de Críticos Teatrais.

Dois anos depois, apresentou-se com Edu Lobo num show da boate carioca Zum-Zum e começou a tomar parte no programa da TV Excelsior, de São Paulo, Ensaio Geral, ao lado de Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Sérgio Ricardo.

Interpretou no III FMPB, da TV Record, de São Paulo, em 1967, a música Ponteio (Edu Lobo e Capinam), vencedora do concurso. No festival seguinte da mesma emissora, cantou a música (que se classificou em segundo lugar) Memórias de Marta Saré (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri). Ainda em 1968, defendeu na I Bienal do Samba, também na TV Record, a composição colocada em terceiro lugar, de autoria de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, Pressentimento, gravada no seu primeiro LP — Marília Medalha — lançado pela Philips nesse mesmo ano.

Em 1970 apresentou-se ao lado de Toquinho e Vinícius de Moraes, no Teatro Castro Alves, em Salvador, e também em Buenos Aires, Argentina, na boate La Fusa. No LP Como dizia o poeta, gravado em 1971, junto com Vinícius de Moraes e Toquinho, interpretou duas composições suas, feitas em parceria com Vinícius, Valsa para o ausente e O grande apelo.

Até 1972, excursionou pelo exterior (Argentina, Uruguai, França), com Vinícius de Moraes e Toquinho. Lançou, em 1973, um LP com composições suas e letras de Vinícius, como Encontro e desencontro, e se apresentou no show Caminhada, no Teatro da Praia, no Rio de Janeiro, com direção geral de Silnei Siqueira e direção musical de Paulo Moura.

Participou, dois anos depois, da remontagem do show Opinião (Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Armando Costa), ao lado de Zé Kéti e João do Vale, sob a direção de Bibi Ferreira, no Teatro Opinião, do Rio de Janeiro.
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sábado, 4 de agosto de 2007

Anastácia

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Anastácia (Lucinete Ferreira), cantora e compositora, nasceu no Recife, PE, em 30/5/1941. Seu interesse pela música surgiu muito cedo, aos sete anos de idade. Nessa época, acompanhava um cantador de cocos no bairro Macaxeira, onde ela vivia.

Iniciou a carreira no ano de 1954, cantando na Rádio Jornal do Comércio no Recife. Interpretava canções do sul do país, principalmente sucessos de Celly Campello. Em 1960, transferiu-se para São Paulo, onde passou a cantar gêneros nordestinos.

Fez shows pelo interior paulista, participando da "Caravana do peru que fala", com Sílvio Santos. Em seguida apresentou-se com a dupla nordestina Venâncio e Corumba. Ganhou nessa época o nome artístico de Anastácia, dado pelo produtor, cantor e compositor Palmeira, então diretor da gravadora Chantecler.

Gravou em 1960 seu primeiro disco, um compacto com as músicas Noivado longo, de Max Nunes, Chuleado, A Dica do Deca e Forró fiá, todas de Venâncio e Corumbá. Em 1961 gravou o primeiro LP pela Chantecler.

Em 1963, o cantor Noite Ilustrada gravou a primeira composição de Anastácia, Conselho de amigo, feita em parceria com Italúcia. Passou, em seguida, para a gravadora Continental onde gravou quatro LPs, que obtiveram sucesso especialmente no Nordeste.

Em meados da década de 60, conheceu o cantor Dominguinhos num programa de Luiz Gonzaga na extinta TV Continental no Rio de Janeiro, com quem se casou e fez parceria musical. Com Dominguinhos participou de uma caravana artística com o "Rei do baião".

Em 1969, participou com Dominguinhos do Festival de Música Regional Nordestina, promovido pela TV Bandeirantes, com as composições Um mundo de amor, que não foi classificada e De amor eu morrerei, que chegou em segundo lugar, as duas defendidas pela cantora nordestina Marinês. Com Dominguinhos compôs mais de 50 músicas.

Em 1969, lançou pela RCA Victor o disco Caminho da roça, com a participação de Luiz Gonzaga nas faixas Minha gente, eu vou me embora, de Antônio Barros e Feira do pobre, de Onildo Almeida.

Em 1970, lançou o LP Canto do sabiá, apenas com composições próprias. No mesmo ano, gravou duas composições, De amor eu morrerei e Um mundo de amor, no LP Festival nordestino, ambas de sua autoria e Dominguinhos. Em 1971, lançou o LP Torrão de ouro.

Em 1973, Gilberto Gil gravou sua composição Eu só quero um xodó, parceria com Dominguinhos, em gravação clássica. Essa música recebeu mais de 20 regravações. O mesmo Gilberto Gil gravou com sucesso a canção Tenho sede, regravando-a em 1994 no disco Unplugged.

Em 1974, teve duas de suas músicas gravadas por duas das maiores cantoras brasileiras, Gal Costa, que regravou De amor eu morrerei e Ângela Maria que gravou Amor que não presta não serve pra mim.

Anastácia gravou cerca de 30 discos, constituindo-se numa das maiores nomes do forró. Outros intérpretes que gravaram composições suas foram Nana Caymmi, Cláudia Barroso, Jane Duboc, Doris Monteiro, José Augusto, Ângela Maria e outros, além dos internacionais Paul Murriat, Timy Thomas e Ornela Vanoni.

Fonte: http://br.geocities.com/cantorasdobrasil/cantoras/anastacia.htm
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Fátima Guedes

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Fátima Guedes, cantora e compositora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 6/5/1958. Criada entre a Zona Norte e o subúrbio carioca, iniciou carreira como compositora em 1973.
Em 1976, sua música Passional venceu o Festival de Música da Faculdade Hélio Alonso. Autora de trilhas sonoras para teatro, compôs Onze fitas, para a peça O dia da caça, de José Louzeiro. Sua música Bicho medo foi gravada por Wanderléia e Meninas da cidade interpretada no show Transversal do tempo, por Elis Regina.
Participou, em 1980, do Festival da Nova Música Popular Brasileira, com Mais uma boca. Lançou seu primeiro disco, Fátima Guedes, em 1979, com as composições Onze fitas, Meninas da cidade e Passional. Em 1980 lançou outro disco, também com o nome Fátima Guedes, contendo Cheiro de mato e Mais de uma boca, também suas.
Em 1981 lançou Lápis de cor, com a composição Arco-íris, e chamou a atenção de toda a crítica musical. Em 1983 saiu Muito prazer, em que se destaca Absinto; e, em 1985, Sétima arte, com a composição de mesmo nome. Seu segundo CD, Pra bom entendedor, conta com composições suas (Minha senhora e Mãos de jardineiro) e da dupla Guinga e Aldir Blanc.
Tem músicas gravadas por Elis Regina (Onze fitas), Nana Caymmi (Chora brasileira), Zizi Possi, Joanna e Simone (Condenados).
CDs: Pra bom entendedor, 1993, Velas 11-V017; Grande tempo, 1995, Velas 11-V114.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.
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sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Baby do Brasil

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Baby Consuelo (Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade), cantora e compositora, nasceu em Niterói RJ em 18/7/1952. Aos nove anos, ganhou da mãe o primeiro violão; cresceu ouvindo Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi Beatles e João Gilberto.
Em 1966 mudou seu nome para Baby Consuelo; dois anos depois, foi morar em Salvador BA, onde ficou conhecendo Pepeu, guitarrista do recém-formado conjunto Os Novos Baianos, que passou a integrar como vocalista e percussionista.
Em 1978 iniciou carreira solo com o disco O que vier eu traço, que incluía Menino do Rio (Caetano Veloso), um de seus maiores êxitos. Lançou ainda os discos Pra enlouquecer (1980), Canceriana telúrica (1981) — com o sucesso Todo dia era dia de Índio —, Cósmica (1982), Krishna Baby (1984), Sem pecado e sem juízo (1985), Ora pro nobis (1991).
Depois de uma peregrinação a Santiago de Compostela, Espanha, mudou seu nome para Baby do Brasil. Em 1997, reencontrou Os Novos Baianos, para gravar o CD duplo Infinito circular (Globo/Polydor); no mesmo ano, lançou o CD Um, que marcou seu ingresso na dance music.
CD: Um, 1997, BMG/Ariola 7432145483.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora PubliFolha
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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Chiquinha Gonzaga

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Chiquinha Gonzaga (Francisca Edwiges Neves Gonzaga), compositora e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro em 17/10/1847 e faleceu em 28/02/1935. Filha bastarda do marechal-de-campo José Basileu Neves Gonzaga e de Rosa Maria, mulata e mãe solteira, nasceu na Rua do Príncipe e estudou piano com o maestro Lobo. Aos 11 anos compôs sua primeira música, uma cantiga de Natal, “Canção dos Pastores”. Casou-se aos 13 anos, com o oficial de marinha mercante Jacinto Ribeiro do Amaral, escolhido por seus pais. Aos 18 anos abandonou o marido, levando consigo os filhos, e passou a viver com um engenheiro de estradas de ferro, de quem se separou pouco depois (figura ao lado: a jovem Francisca aos 18 anos).
Sozinha, ensinava piano para obter sustento. Através do flautista Callado, passou a viver a freqüentar as rodas dos chorões e a tocar em festas. Seu primeiro sucesso foi a polca “Atraente”, de 1877, composta ao piano, de improviso, durante uma festa em homenagem ao compositor Henrique Alves de Mesquita, que recebera do governo português a Comenda de São Tiago. Publicada pelo Imperial Estabelecimento de Pianos e Músicas, de Artur Napoleão e Leopoldo Miguez, tornou-se também êxito popular, chegando a ganhar uma letra anônima, que fazia referências ferinas ao estilo de vida da autora. Nessa época, aperfeiçoou seus conhecimentos de piano com Artur Napoleão. Desejando ingressar no teatro, meio até então fechado às mulheres, musicou o libreto de Artur Azevedo “Viagem ao Parnaso”, recusado por todos os empresários. Não desistiu, escrevendo e musicando a peça em um ato “Festa de São João”, em 1883.

Em 1887 promoveu no Teatro São Pedro, no Rio de Janeiro, um concerto de cem violões. Participou ativamente do movimento pela libertação dos escravos, vendendo suas partituras de porta em porta para angariar fundos destinados à Confederação Libertadora. Com o produto da venda de sua partitura “Caramuru”, em 1888, comprou a alforria do escravo músico José Flauta, antecipando-se de poucos meses à Lei Áurea. Ligou-se também à campanha pela proclamação da República.

Em 1897 compôs no ritmo rural estilizado do corta-jaca o tango “Gaúcho”, lançado na peça “Zizinha Maxixe”, de Machado Careca. Este, que fazia grande sucesso dançando o tango “Gaúcho” com sua parceira Maria Lino, quatro anos depois escreveu uma letra para a composição, que passou a se chamar “Corta-Jaca”. A música continuava sendo um êxito: foi incluída na revista luso-brasileira “Cá e lá”, encenada em Portugal e executada numa audição no Palácio do Catete, por indicação da esposa do presidente Hermes da Fonseca, Nair de Tefé. Em 1899, a pedido do Cordão Rosa de Ouro, do Andaraí, escreveu a primeira marcha carnavalesca “Ò abre alas”.

Entre 1902 e 1910 fez várias viagens à Europa, percorrendo na primeira delas, Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Escócia. Em 1904 apresentou-se no salão Neuparth, de Lisboa, e na igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, Lisboa. Na sua terceira viagem a Portugal, em 1906, tornou-se bastante conhecida do público ao musicar várias peças portuguesas, entre elas “As três graças” (com Luís Galhardo) e “A bota do diabo” (com Avelino Andrade). Voltou ao Brasil em 1912, para assistir à estréia de “Forrobodó”, opereta em três atos de Luís Peixoto e Carlos Bittencourt, que musicou. A opereta teve 1.500 apresentações (figura ao lado: Chiquinha Gonzaga aos 78 anos).

Em 1915 musicou a peça “A sertaneja”, de Viriato Correia. A 27 de setembro de 1917 participou da fundação da sociedade arrecadadora SBAT. Em 1919 lançou uma campanha de fundos, destinada à construção de uma nova sepultura para Francisco Manuel da Silva, compositor do “Hino Nacional Brasileiro”. Seu último trabalho data de 1933: a música da peça “Maria”, de Viriato Correia, Entre 1885 e 1933, musicou 77 peças teatrais, das quais cinco inéditas. Sua obra reúne composições nos mais variados gêneros: valsas, polcas, tangos, maxixes, lundus, quadrilhas, fados, gavotas, mazurcas, barcarolas, habaneras, serenatas e algumas músicas sacras.

Em 1984 foi lançada a biografia “Chiquinha Gonzaga, uma história de vida”, pela escritora Edinha Diniz (Ed. Rosa dos Tempos, Rio de Janeiro), que revelou arquivo pessoal, inédito, cuidado durante décadas por Joãozinho Gonzaga. Em 1997, por ocasião dos 150 anos do seu nascimento, foram lançados o livro “Sofri e chorei... tive muito amor”, de Dalva Lazarone (Editora Nova Fronteira) e os CDs “Chiquinha com jazz”, do pianista e arranjador Antonio Adolfo, que inclui oito músicas inéditas, e “Chiquinha Gonzaga”, 150 anos”(Eldorado), da pianista Rosária Gatti.

Algumas obras com letras: Lua branca (clique para ouvir a música), Ò abre alas (clique para ouvir midi), Santa, Casa de caboclo, Machuca, A brasileira e Corta-Jaca (clique para ouvir a música),

Obra completa de Chiquinha:

À memória do general Osório, marcha fúnebre, A.N., s.d.; À Nossa Senhora das Dores, 1909; Ada, polca, s.d.; Agnus-Dei, s.d.; Água do vintém, tango, B.G., s.d.; Aguará (Garça vermelha), valsa para flauta, 1932; Aguará, valsa para piano, s.d.; Ai, morena, B.G.. s.d.; Ai, que broma! (com Ernesto Matoso), bolero, 1885; Alegre-se, viúva, B.G., s.d.; Amarguras (com Paulo Araújo), balada, s.d.; Amendoim, cançoneta, s.d.; Amor (com João de Deus Falcão), canção, s.d.; Angá (Antoinette), mazurca, s.d.; Angá-catu-rama, rancheira, 1932; L'Ange du Seigneur, s.d.; Angelitude (com Gonzaga Filho), s.d.; Animatógrafo, valsa, s.d.; Anita, polca, B.G.. s.d.; Aracê (O dia sai), choro, 1932; Araribóia, polca, s.d.; Arcádia, B.G, s.d.; Ari (Filha do céu), valsa, s.d.; Atraente, polca, A.N., 1877; Aurora, fado, 1909; Ave Maria, 1909; A avezinha (com Mário Monteiro), serenata, 1917; A baiana dos pastéis, A.E., s.d.; Balada, s.d.; O bandolim, s.d.; Barcarola, s.d.; O beijo (com J.Brito), canção, s.d.; Beijos (com Luís Murat e Alfredo de Sousa), s.d.; Beijos do céu (Um sonho) (com Raimundo Correia), romance, B.G., s.d.; A bela jardineira, valsa, B.G., s.d.; Bela rosa (com Cardoso Júnior), modinha, s.d.; Bella fanciulla io t'amo, valsa, V.M., s.d.; Bijou, tango, N.S., 1909; Bionne, tango, B.G., s.d.; Borboleta, valsa-choro, 1932; A bota do diabo (com Avelino de Andrade), maxixe, 1907; O boulevard da imprensa, s.d.; A brasileira (com José Sena), canção, A.E., 1910; Brasileira, B.G., s.d.; Burro de carga, B.G., s.d.; Cá por cousas (com Oscar Pedrneiras), V.M., s.d.; Cá e lá, tango, s.d.; Camila, polca, A.N., 1884; Cananéia, valsa, B.G., 1913; Canção brasileira (com Carlos Galhardo), canção, s.d.; Canção de Lauro (com Viriato Correia), canção, 1933, Candomblé (com Augusto de Castro), batuque, 1888; Caobimpará (Mar azul), polca, s.d.; Caramuru, B.G., 1888; Carijó, choro, s.d.; Carioca, polca, s.d.; Cariri, valsa, s.d.; Carlindo, B.G., s.d.; Carlos Gomes, valsa, A.N., s.d.; Carmencita, B.G., s.d.; Carnavalesco (com Luís Peixoto e C. Cordeiro), dobrado, s.d.; Carta à Zitinha (com Filinto Almeida), B.G., s.d.; Casa de caboclo (com Luís Peixoto), V.M., s.d.; Catita, polca, B.G., s.d.; Ceci, valsa, s.d.; Coco velho, 1902; O coió (com Luís Ribeiro), B.G., s.d.; Colégio de senhoritas (Os pombos) (com Paulo Araújo), dueto, s.d.; Compensação (com Orlando Teixeira), cançoneta, s.d.; Conspiradores, B.G., s.d.; Cora (com Furtado Coelho), romance, s.d.; Corcundinha (com Viriato Correia), canção, 1919; Corta-jaca, 1901; A corte na roça (com Francisco Sodré), balada, B.G., 1885; O cozinheiro, canção, s.d.; Cuatemoc (com Avelino de Andrade), marcha, s.d.; Cubanita, B.G., s.d.; Dama de ouros, valsa, B.G., s.d.; Dança brasileira, polca, 1892; Dança das fadas, valsa, B.G., s.d.; Dança n. 1 (tempo de minueto). s.d.; Dança n. 2, s.d.; Day-break, B.G., s.d.; Democrático, s.d.; Desalento, valsa, A.N., s.d.; Desejos (com Esculápio), V.M., s.d.; A desfilada dos mortos (com Paulo Araújo), hino, s.d.; Deus de fogo, B.G., 1888; Diabinho, tango, A.N., s.d.; Diálogo, valsa-canção, s.d.; Diário de notícias, polca, B.G., s.d.; Djanira, polca, B.G., s.d.; Doce fado, fado, s.d.; Dona Adelaide (com Patrocínio Filho), B.G., s.d.; Duas horas (Oh! Mon étoile). A.N., s.d.; Dueto de amor, s.d.; Duquesne, marcha, s.d.; É enorme, polca, B.G., s.d.; Eis a sedutora, B.G., s.d.; Elvira (com Bruno Nunes), B.G., s.d.; Em guarda, B.G., s.d.; Escandanhas/Mulata (com Luís Peixoto e Carlos Bittencourt), 1912; O esfolado (com Raul Pederneiras e Vicente Reis), 1902; Espanha e o Brasil (com Patrocínio Filho), V.M., s.d.; Estrela-d'alva (com Mário Monteiro), fado, 1920; Eu já volto, polca, B.G., s.d.; Eu te adoro, tango, 1886; Eu te amo, B.G., s.d.; Evoé, B.G., s.d.; Faceira, B.G., s.d., Faceira, escuta, R.B., s.d.; Um fado, s.d.; Fado de Coimbra, s.d.; Falena, valsa, B.G., s.d.; Fani, valsa, B.G., s.d.; Fantasia, s.d.; Feijoada do Brasil, A.N., s.d., Fênix, B.G., s.d.; Feno de Atkinsons, valsa, s.d.; Festa de São João, romance, 1883; A fiandeira (com Maria Cunha), raconto, s.d.; A filha da noite, polca, B.G., s.d.; Fogo-foguinho (com Viriato Correia), 1919; Foi um sonho (com Ernesto de Sousa), s.d.; Forrobodó (com Luís Peixoto e Carlos Bittencourt), 1912; Gaúcho (Corta-jaca), tango, V.M., 1897; Genéia (com Paulo Araújo), valsa-canção, s.d.; General Osório, B.G., s.d.; Gondoleira, s.d.; Gonza (Manobras do amor) (com Osório Duque Estrada), s.d.; Grata esperança, valsa, B.G., s.d.; Gruta das flores, polca, B.G., s.d.; Guaianases, polca, s.d.; Guasca, polca, s.d.; A guitarra (com Raul Pederneiras), fado, s.d.; Há alguma novidade? (com Moreiro Sampaio), cançoneta, s.d.; Habanera, s.d.; Harmonia das esferas, valsa, A.N., s.d.; Harmonias do coração, valsa, A.N., s.d.; Heloísa, valsa, B.G., s.d.; Heróica, marcha, s.d.; Hip, B.G., s.d.; Iaiá fazendo etc e tal (com Almeida Júnior), V.M., s.d.; Iara, valsa, B.G., s.d.; Invocação, s.d.; Ismênia, valsa, A.N., s.d.; Itararé, polca, B.G., s.d.; Jagunço, tango, A.N., s.d.; A Jandira (com Rubem Gil e Alfredo Breda), canção, 1921; Janiquinha, B.G., s.d.; Júlia, A.N., s.d.; Juraci, valsa, B.G., s.d.; A juriti (com Viriato Correia), prelúdio, 1919; Laurita, B.G., s.d.; Leontina, B.G., s.d.; Lídia (com Batista Cardoso Júnior), 1902; Linda Morena, valsa, s.d.; Lua branca, V.M, 1912; Machuca (com Patrocínio Filho), s.d.; Manhãs de amor (com C. C.), A.N., s.d.; O mar (com Holanda Cunha), balada, s.d.; Marcha do cordão, marcha, s.d.; Meditação, habanera, 1893; Meia-noite, polca, B.G., s.d.; Menina faceira, canção, s.d.; Os mineiros, chula, s.d.; Minha pátria, B.G., s.d.; Minho em festa (com Cândido Costa), romance, s.d.; Morena (com Guerra Junqueiro), B.G., s.d.; Morena, morena (com Ernesto de Sousa), B.G., s.d.; Morgadinha, polca, N.C., s.s.; A mulatinha (com Patrocínio Filho), B.G., s.d.; Mulher-homem, polca, B.G., s.d.; Musiciana, polca, B.G., 1885; Os namorados da lua, B.G. s.d.; O namoro (com Frederico Júnior), B.G., s.d.; Não insistas, rapariga, polca, A.N., 1881; Não morreu, polca, s.d.; Não se impressione (com Luís Peixoto e Carlos Bittencourt), tango, 1912; Não sonhes (com Lutegarda Caires), romance, s.d.; Não venhas (com Batista Coelho e Batista Cardoso Júnior), 1902; A noite, gavota, s.d.; A noiva, valsa-canção, s.d.; Noivado (com Lúcio de Mendonça), s.d.; Nossa Senhora das Dores, s.d.; Nu e cru (com Antonio Quintiliano), 1907; Ò abre-alas, marcha carnavalesca, 1899; Oh! Não me iludas, I.B., s.d.; Os Oito Batutas, tango, s.d.; Os olhos dela, polca, A.N., s.d.; Olhos irresistíveis, polca, s.d.; Ortruda, valsa, A.N., s.d.; O padre Amaro, valsa, B.G., s.d.; Uma página triste, s.d.; Palaciana, marcha, s.d.; Para a cera do Santíssimo (com Artur Azevedo), B.G., s.d.; Paraguaçu, choro, s.d.; Os passos no choro, polca, 1911; Pedrinho (com Batista Cardoso Júnior), 1902; O perdão (com Avelino Andrade), romance, s.d.; A peroba (com Antonio Quintiliano), s.d.; Piu-dudo (Beija-flor), batuque, 1889; Plangente, valsa, s.d.; Platina, valsa, s.d.; Poesia e amor (com Cassimiro de Abreu), s.d.; Polca militar, polca, B.G., s.d.; As pombas (com Raimundo Correia), B.G., s.d.; Por que choras (com Vitor Cunha), romance, s.d.; Os portugueses (com Batista Cardoso Júnior), 1902; Prece à Virgem, s.d.; Prelúdio, s.d.; Primeira gaivota, B.G., s.d.; Promessa (com Paulo Araújo), valsa-canção, s.d.; Psiquê, choro, s.d.; Pudesse essa paixão (com Álvaro Colás), valsa, 1913; Pwhó-Pequim, B.G., s.d.; O que é - simpatia (com Casimiro de Abreu), s.d.; Radiante, polca, s.d.; A redentora, hino, 1888; Redes ao mar (com Mário Monteiro), barcarola, s.d.; A República, B.G., s.d.; Robertinha, valsa, B.G., s.d.; Roda, ioiô (com Ernesto de Sousa), s.d.; Romeu e Julieta (Mário e Beatriz) (com Renato Viana), dueto. s.d.; Rondolini-rondolinão (com Oscar Pederneiras), s.d.; Rosa, valsa, B.G., s.d.; Sabiá da mata, polca, s.d.; Saci Pererê, s.d.; Saci-pererê, batuque, s.d.; Sada, tango, s.d.; Santa (com Alberto de Oliveira), B.G., s.d.; São Paulo, tango, 1902; Satã, lundu, 1891; Saudade, valsa, s.d.; SBAT, 1917; Se o ferreta está de veneta, polca, B.G., s.d.; Sedutor, tango, s.d.; Sereia (com Aluísio Azevedo), balada, s.d.; Serenata (com Aluísio Azevedo), balada, s.d.; A sertaneja (com Viriato Correia), desafio, 1915; O sertanejo (com Antonio Quintiliano), 1907; Si fuera verdad, s.d.; Só na flauta, polca, 1911; Só no choro, s.d.; Soberano, B.G., s.d.; Sonhando, habanera, A.N., 1897; A sorte grande (com A. Armando), canção, s.d.; Sultana, polca, A.N., 1882; Suspiro, tango, A.N., s.d.; Os talheres (com Antonio Quintiliano), cançoneta, 1907; Tambiquererê, B.G., s.d.; Tamoio, choro. s.d.; Tango brasileiro, 1880; Tango característico, 1887; Tapuia, choro, s.d.; Te amo, 1911; Techi, romance, s.d.; Teu sorriso, polca, A.N., s.s.; Teus olhares (com Avelino Andrade), canção, s.d.; Tim-tim, B.G., s.d.; Timbira, valsa, s.d.; Toujours et encore, polca, B.G., s.d.; As três Graças (com Luís Galhardo), fado, 1906; As tricanas de Coimbra, fado, s.d.; Trigueira (com Júlio Dinis), s.d.; Tuniquins, valsa, s.d.; Tupã, tango, 1890; Tupi, valsa, s.d.; Tupiniquina, valsa, s.d.; Valquíria, valsa, B.G., 1885; Vamos à missa, s.d.; Vida ou morte, dobrado, s.d.; Vilancete (com Haddock Lobo), balada, s.d.; Vinde!, vinde!, s.d.; La violette, s.d.; Viva la gracia, valsa, B.G., s.d.; Viva o Carnaval, polca, B.G., 1884; Viver e folgar (Filha do Guedes), valsa, B.G., s.d.; Vou dar um banho em minha sogra, polca, A.N., s.d.; Xi!, B.G., s.d.; Yo te adoro!, B.G. , s.d.

Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Enciclopédia da Música Brasileira- Art Editora e Publifolha

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terça-feira, 3 de julho de 2007

Marília Batista

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Marília Batista (Marília Monteiro de Barros Batista), cantora e compositora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 13/4/1918 e faleceu em 9/7/1990. Neta do poeta Luís Monteiro de Barros, começou a tocar violão e a compor desde criança e mais tarde estudou no I.N.M., formando-se em teoria, solfejo e harmonia, e abandonando o curso de piano no quarto ano.
A 29 de agosto de 1930, com 12 anos, levada pelo jornalista Lauro Sarno Nunes (pai de Max Nunes), deu seu primeiro recital de violão no Cassino Beira-Mar, cantando entre canções sertanejas, sambas e cateretês, suas primeiras composições.
Josué de Barros (lançador de Carmen Miranda), que a ouviu, ofereceu-se para lhe dar aulas de violão, de graça. Durante seis meses estudou com ele, mas depois, como pretendia ser concertista, tomou aulas de violão clássico com José Rebelo. Em 1931, convidada para cantar no espetáculo Uma Hora de Arte, no Grêmio Esportivo Onze de Junho, conheceu Noel Rosa e, numa festa na casa da cantora Elisinha Coelho, onde também cantou e foi muito aplaudida, conheceu Hekel Tavares, Luiz Peixoto, Almirante e Bando de Tangarás. No ano seguinte, acompanhada de João Martins (bandolim) e Rogério Guimarães (violão), gravou pela Victor seu primeiro disco, cantando duas composições suas feitas em parceria com seu irmão Henrique Batista - o samba Pedi, implorei e a marcha Me larga.
Em 1933, a convite de Almirante, participou, ao lado de Sílvio Caldas e Ary Barroso, do show Broadway Cocktail, levado no Cine-Teatro Broadway, e logo depois foi contratada por Ademar Casé, que assistira ao espetáculo, para seu programa na Rádio Philips. No programa Casé, apresentou-se inicialmente (1934) ao lado de Noel Rosa, com quem improvisava versos cantados com o estribilho "De babado sim / De babado não", e depois sozinha (1935), lançando pelo rádio o samba de Noel Pela décima vez.
No ano seguinte gravou, com Noel, na Odeon, De babado (Noel Rosa e João Mina) e Cem mil réis (Noel Rosa e Vadico). Ainda com Noel e acompanhada pelo conjunto de Benedito Lacerda, lançou mais dois discos nesse ano: pela Victor, os dois cantaram os sambas Quem ri melhor (Noel Rosa) e Quantos beijos (Noel Rosa e Vadico); e, em disco Odeon, registraram Provei (Noel Rosa e Vadico) e Você vai se quiser (Noel Rosa). Aos poucos, foi-se tornando conhecida como compositora e uma das principais intérpretes de Noel Rosa. Já por essa época, seu trabalho lhe valeu o título de Princesinha do Samba e, em 1940, gravou na Victor o samba-canção de Noel Rosa Silêncio de um minuto.
Em 1945 casou-se e interrompeu por alguns anos suas atividades musicais, retornando à vida artística cinco anos depois, quando lançou pela Musidisc o LP Samba e outras coisas, que reuniu as composições que fez com o irmão Henrique Batista - Nunca mais, Você não é feliz porque não quer, Imitação, Vai, eu te dou liberdade, Praia da Gávea, Vila dos meus amores e mais duas composições de Noel Rosa.
Pela mesma etiqueta, gravou, em 1954, LP só com músicas de Noel Rosa, nele incluindo o samba Tipo zero e, nove anos mais tarde, voltou a gravar só composições do compositor de Vila Isabel, num álbum com dois LPs, editado pelo selo Nilser, de Nilo Sérgio, intitulado História musical de Noel Rosa.
Em 1967 voltou a gravar sambas desse compositor. Em toda a sua carreira, gravou cerca de 30 discos, além dos LPs citados. Dentre seus méritos, o maior foi ter contribuído para a divulgação de Noel Rosa.
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Dircinha Batista

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Dircinha Batista (Dirce Grandino de Oliveira), cantora e compositora, nasceu em São Paulo SP em 7/4/1922. Filha do ventríloquo e humorista Batista Júnior (João Batista de Oliveira), de quem adotou o sobrenome artístico, e irmã da cantora Linda Batista, sua família já morava no Rio de Janeiro RJ, no bairro do Catete.Aos quatro anos, começou a ser alfabetizada num grupo escolar da Praça José de Alencar, cursando os dois anos seguintes, respectivamente, nos colégios Sion e São Marcelo. Já aos seis anos fez sua estréia, cantando Morena cor de canela (Ari Kerner), em um espetáculo organizado por Raul Roulien, no Teatro Santana, em São Paulo, para o qual o pai tinha sido convidado. Passou então a apresentar-se como cantora, acompanhando o pai em suas apresentações.
Ainda em 1928, cantou com sucesso no Cine Boulevard, em Vila Isabel, Rio de Janeiro. No ano seguinte ingressou no Colégio Divina Providência, onde terminou o curso primário. Em 1930, com oito anos, gravou seu primeiro disco, na Columbia, com o nome de Dircinha de Oliveira. As duas primeiras músicas gravadas, Borboleta azul e Dircinha, eram de autoria de seu pai, e o acompanhamento foi feito por Gaó, Jonas e Zezinho (Zé Carioca).
Em 1933 gravou pela Odeon seu segundo disco, cantando A órfã e Anjo enfermo (Cândido das Neves), que, junto com Tute, a acompanhou no violão. Um ano mais tarde, estreou na Rádio Cajuti (hoje Vera Cruz), participando do programa de Francisco Alves; aí ficou apenas um ano, passando em seguida para a Rádio Clube (hoje Mundial).
Em 1935, quando cursava o ginásio no Ateneu São Luís, estreou no cinema, cantando Eu vi você no posto três (João de Barro), no filme Alô, alô, Brasil, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. No ano seguinte, já com o nome de Dircinha Batista, cantou e dançou no filme de Ademar Gonzaga Alô, alô, Carnaval, interpretando as marchas Pirata e Muito riso, pouco siso (ambas de João de Barro e Alberto Ribeiro), gravadas no mesmo ano em disco Victor, da mesma forma que as marchinhas Meu sonho foi balão (Alberto Ribeiro) e Meu moreno (Hervé Cordovil).
A marchinha Periquitinho verde (Nássara e Sá Róris), seu primeiro grande sucesso, no Carnaval de 1938, aconteceu quase que por acaso: em 1937, Benedito Lacerda convidou-a para gravar na Columbia Não chora, música de sua autoria e de Darci de Oliveira, e, como não houvesse música para o outro lado do disco, Nássara terminou a segunda parte de Periquitinho verde no próprio estúdio, a tempo de ser incluída na gravação.
Em 1938, participou de três filmes: Bombonzinho, de Mesquitinha, e Banana da terra e Futebol em família, ambos de J. Rui. No final desse ano, gravou pela Columbia a marcha Tirolesa (Osvaldo Santiago e Paulo Barbosa), muito cantada no Carnaval seguinte. O ano de 1939 trouxe vários sucessos para a intérprete, contratada pela Columbia até 1953: entre eles, o chorinho Moleque teimoso (Roberto Martins e Jorge Faraj) e a marcha Barba Azul (Osvaldo Santiago). Com a marcha Upa, upa (Meu trolinho) (Ary Barroso), marcou com êxito sua presença no Carnaval de 1940. Ainda nesse ano, foi escolhida como A Cantora da Cidade pelo jornal carioca O Globo, participou do filme Laranja da china, de J. Rui, e passou a pertencer, após curto período, ao elenco da Rádio Ipanema.
Sua primeira viagem artística ao exterior foi realizada também em 1940, quando se apresentou na Rádio Municipal e no Teatro Colón, de Buenos Aires, Argentina, em programas mantidos pelo governo brasileiro para propaganda do café.
A partir de 1943 seus discos passam a sair com o selo Continental (até 1948), e no mesmo ano começou a trabalhar na Rádio Tupi. Fez parte do elenco do filme Abacaxi azul, de J. Rui, em 1944, gravando outro sucesso para o Carnaval de 1945, o samba Eu quero é sambar (Peterpan e Alberto Ribeiro).
Em 1947, participou do filme Fogo na canjica, de Luís de Barros, e no ano seguinte foi a primeira artista a ser eleita Rainha do Rádio pela Associação Brasileira de Rádio. Fez sua estréia como radioatriz na novela Meu amor, de Hélio do Soveral, e gravou Nunca (Lupicínio Rodrigues), em 1951, ano em que também fez parte da Companhia Teatral de Derci Gonçalves, apresentando-se no Teatro Glória, do Rio de Janeiro. No final desse mesmo ano, assinou contrato com as rádios Nacional e Clube. Nesta última fez o programa Recepção, escrito por Eugênio Lira Francisco e dirigido musicalmente pelo maestro Alceu Bocchino. Quando a Rádio Clube fechou, permaneceu apenas na Rádio Nacional, onde fazia o programa Galeria Musical, escrito por Paulo Roberto e com direção musical de Leo Peracchi.
O ano de 1953 marcou sua segunda experiência teatral, também no Teatro Glória, desta vez com a Companhia Barreto Pinto, além de sua transferência para a gravadora Victor, onde gravou um de seus maiores êxitos, o samba-canção Se eu morresse amanhã de manhã (Antônio Maria). Nos seis anos seguintes participou de sete filmes: Carnaval em Caxias, de Paulo Wanderley, em 1954; Guerra ao samba, de Carlos Manga, em 1955; Tira a mão daí, de J. Rui, e Depois eu conto, de José Carlos Burle, em 1956; Metido a bacana, de J. B. Tanko, em 1957; É de xuá, de Vítor Lima, em 1958; e Mulheres à vista, de J. B. Tanko, em 1959.
No Carnaval de 1958, fez sucesso com a música Mamãe, eu levei bomba (J. Júnior e Oldemar Magalhães). Como repórter e animadora de programas, passou a trabalhar na TV Tupi, em 1961. Para o Carnaval de 1963, gravou, pela Mocambo, a marchinha O último a saber, de Klécius Caldas e Brasinha, a mesma dupla de Casa de sapé, que foi seu sucesso no Carnaval de 1965.
Em 1964 lançou A índia vai ter neném (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira). Na década de 1970 encerrou sua carreira, depois de mais de 40 anos de atividades artísticas e mais de 300 gravações em 78 rpm.
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Gilda de Abreu

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Gilda de Abreu, cantora, compositora, escritora, cineasta e atriz nasceu em Paris, França (23/09/1904) e faleceu no Rio de Janeiro (04/06/1979). Filha da cantora Nícia Silva de Abreu, veio para o Brasil com quatro anos para ser batizada. Em 1914, com a Primeira Guerra Mundial, a mãe, que cumpria periodicamente contratos na Europa, instalou-se definitivamente no Rio de Janeiro. Aos 18 anos começou a estudar canto com a própria mãe, que se havia dedicado ao ensino, revelando-se excelente soprano ligeiro.
Principiou a cantar em festas de caridade e concertos, chegando a interpretar em 1920 (ano em que conheceu Vicente Celestino), no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, as óperas Les Contes d'Hoffmann, de Jacques Offenbach (1819-1880), Il Barbiere di Siviglia, de Gioacchino Rossini (1792-1868) e Lakmé, de Léo Delibes (1836-1891).
Em 1933 iniciou suas atividades no teatro musicado, participando da opereta A canção brasileira, de Luís Iglésias, Miguel Santos e Henrique Vogeler, trabalhando ao lado de Vicente Celestino, no Teatro Recreio, do Rio de Janeiro, com quem casou cinco meses após a estréia e passou a trabalhar em estreita colaboração. Ainda em 1933 escreveu todo um ato da opereta A princesa maltrapilha, levada à cena no mesmo ano.
Em 1935, estrelou o filme de Oduvaldo Viana Bonequinha de seda, baseado na valsa de mesmo nome, de sua autoria, um dos sucessos de Vicente Celestino. Nesse ano, compôs a opereta Aleluia, estreada em 1939, no Teatro Carlos Gomes, do Rio de Janeiro.
Em 1937 fez o filme Alegria, que não teve grande repercussão. Em 1942, escreveu a letra das canções Mestiça (música de Ary Barroso) e Ouvindo-te (música de Vicente Celestino). Até 1944, esteve ligada a uma companhia de operetas, da qual Vicente também fazia parte, que realizou excursões por todo o Brasil. Em 1946 escreveu o roteiro e dirigiu o filme O ébrio, também inspirado em outra composição de sucesso do marido, que atuava no papel-título.
Em 1949 escreveu o roteiro e dirigiu o filme Pinguinho de gente e, em 1951 escreveu o roteiro, dirigiu e interpretou o papel principal do filme Coração materno, título de outro grande sucesso de Vicente Celestino. Em 1950 compôs com Vicente Celestino e Ercole Varetto a opereta A patativa, e escreveu com Luís Iglésias o libreto da opereta Olhos de veludo (música de Vicente Celestino). Autora de vários livros infantis e romances, publicou também A vida de Vicente Celestino, São Paulo, 1946.
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sábado, 30 de junho de 2007

Linda Batista

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Linda Batista (Florinda Grandino de Oliveira), cantora e compositora, nasceu em São Paulo SP (14/6/1919) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (17/4/1988). Filha do ventríloquo e humorista Batista Júnior (João Batista de Oliveira) e irmã da cantora Dircinha Batista, sua família já residia no Rio de Janeiro, no bairro do Catete, quando nasceu na casa da avó.
Fez o curso primário no Colégio Sion. Por essa época, levada pela empregada, costumava ouvir música na Corbeille de Flores, gafieira próxima de sua casa. Aos dez anos começou a aprender violão com o cantor Patrício Teixeira, chegando a compor uma música intitulada Tão sozinha. Aos 12 anos passou a freqüentar programas de rádio, acompanhando a irmã Dircinha ao violão. Terminado o ginásio no Colégio São Marcelo iniciou cursos de contabilidade e corte-e-costura.
Em 1936, por um atraso de Dircinha, substituiu-a, estreando como cantora no programa que Francisco Alves fazia na Rádio Cajuti, interpretando Malandro, de Claudionor Cruz. Obteve sucesso, sendo convidada para outras apresentações nessa emissora. No ano seguinte foi eleita Rainha do Rádio, num concurso promovido no Iate dos Laranjas, barco carnavalesco atracado na Esplanada do Castelo, título que manteve durante 11 anos consecutivos.
A 31 de março de 1937 casou com Paulo Bandeira, de quem se separou menos de seis meses depois. Ainda em 1937 atuou no filme Maridinho de luxo, de Luís de Barros, e realizou uma excursão ao Nordeste. Tornou-se crooner da orquestra de Kolman, no Cassino da Urca e, em 1938, pela Odeon, lançou seu primeiro disco, em que interpretava, em dupla com Fernando Álvarez, Chimarrão (Djalma Esteves) e Churrasco (Djalma Esteves e Augusto Garcez).
Em 1939 participou do filme Banana da terra, de J. Rui, e, no mesmo ano, quando viajou a São Paulo, para uma temporada na Rádio Cultura, foi convidada para se apresentar na inauguração do cassino da Ilha Porchat, em São Vicente SP, onde acabou ficando por seis meses. Retornou ao Rio de Janeiro em abril de 1939 e começou a atuar no Cassino da Urca, onde foi atração até 1946; nesse período lançou vários sucessos, inclusive do compositor Chiquinho Sales, contratado pelo cassino especialmente para compor para ela.
Em 1940 transferiu-se para a Victor, onde sua primeira gravação foi a marcha-conga Passei na ponte (Ary Barroso). Em 1941 fez uma excursão a Buenos Aires, Argentina, e lançou Tudo é Brasil (Vicente Paiva e Sá Róris) e Batuque no morro (Russo do Pandeiro e Sá Róris), com muito sucesso; nesse mesmo ano, apresentou-se na Rádio Nacional. No ano seguinte viajou novamente à Argentina e em 1943 assinou contrato com a Rádio Tupi. Para o Carnaval de 1944 lançou Clube dos barrigudos (Cristóvão de Alencar e Haroldo Lobo).
Em 1946 excursionou pelas capitais brasileiras e no ano seguinte, além de atuar no filme Caídos do céu, de Luís de Barros, gravou com êxito No boteco do José (Wilson Batista e Augusto Garcez). Em 1947 foi contratada pela boate Vogue, onde permaneceu até 1952.
Em 1948 gravou Enlouqueci (Luís Soberano, Valdomiro Pereira e João Sales). Nega maluca (Fernando Lobo e Evaldo Rui), samba lançado para o Carnaval de 1950, foi um dos seus maiores sucessos, chegando a ser nome de uma rua no bairro paulistano do Jabaquara.
Em 1951 voltou à Rádio Nacional, com o programa Coisinha Linda. Também nesse ano atuou no filme Agüenta firme, Isidoro, dirigido por Luís de Barros e Ademar Gonzaga; viajou à Europa, apresentando-se em Portugal, na boate Vogue, em Paris, França, na televisão, e na boate Open Gate, em Roma, Itália; e lançou o samba-canção Vingança (Lupicínio Rodrigues), o maior sucesso de sua carreira.
Em 1952 trabalhou nos filmes Tudo azul, de Moacir Fenelon, Está com tudo, de Luís de Barros, e É fogo na roupa, de Watson Macedo. Em 1954 participou dos filmes Carnaval em Caxias, de Paulo Wanderley, e O petró!eo é nosso, de Watson Macedo.
Em 1955 passou para a Rádio Mayrink Veiga e atuou no filme Carnaval em Marte, de Watson Macedo. No ano seguinte transferiu-se para a Rádio Tupi e atuou nos filmes Tira a mão daí, de J. Rui, e Depois eu conto, de José Carlos Burle, e, em 1957, em Metido a bacana, de J. B. Tanko. Nesse ano e no seguinte excursionou pelo Uruguai, tendo ainda participado do filme É de xuá, de Vítor Lima.
Após uma viagem à Argentina, em 1959 voltou à Rádio Nacional e recebeu da UBC e da SBACEM o troféu Noel Rosa, por gravar exclusivamente música brasileira. A partir de 1960 lançou principalmente músicas de Carnaval (inclusive algumas de sua autoria), participando de programas de televisão. Seguindo a trajetória de suas companheiras Emilinha Borba, Marlene, Nora Ney e a irmã Dircinha Batista, autênticas representantes da fase áurea do rádio carioca, também afastou-se a partir dos anos de 1960 das atívidades artísticas.
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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Zilda do Zé

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Zilda do Zé (Zilda Gonçalves), cantora e compositora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 18/3/1919. Iniciou carreira artística apresentando-se na Rádio Transmissora, onde conheceu o compositor José Gonçalves, com ele formando a Dupla da Harmonia.
Em 1938 casaram e, no ano seguinte, passaram a atuar na Rádio Cruzeiro do Sul, no programa de Paulo Roberto que rebatizou a dupla com o nome Zé da Zilda e Zilda do Zé.
Estrearam em disco em 1944, na Victor, com dois choros de Zé da Zilda, Fim de eixo e Levanta, José. A partir de 1945 passaram a lançar, com grande êxito, músicas carnavalescas. Desse ano é a gravação de Conversa, Laurindo (Zé da Zilda e Ari Monteiro), sucesso no Carnaval de 1946. Também nessa época se apresentaram na Rádio Mayrink Veiga. Para o Carnaval de 1953 lançaram a marcha Parafuso (Zé da Zilda e Adelino Moreira).
No Carnaval seguinte tiveram um de seus maiores êxitos com Saca rolha (com Zé da Zilda e Valdir Machado). Suas últimas gravações em dupla foram a marcha Ressaca (da dupla com Valdir Machado) e o samba Império do Samba (de autoria da dupla), lançadas para o Carnaval de 1955, após a morte de Zé da Zilda.
Homenageou a memória do marido com os sambas Vai que depois eu vou (com Zé da Zilda, Adolfo Macedo e Aírton Amorim), de 1956, e Vem me buscar (com Adolfo Macedo).
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Dolores Duran

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Dolores Duran

Terceira dos quatro filhos do Sargento da Marinha Armindo José da Rocha e de Josefa Silva da Rocha, Adiléia Silva da Rocha, verdadeiro nome de Dolores, nasceu no dia 7 de junho de 1930, no Rio de Janeiro. Morando nos subúrbios de Irajá e de Pilares, cantava desde os 3 anos de idade. Aos 5 já participava das tradicionais festas do Rio, como reisados desfile das pastorinhas Adiléia ia vestida de anjo: era o anjo cantor. Aos seis anos, durante uma festa de Natal promovida por uma fábrica de louças no subúrbio de Pilares, Adiléia venceu um concurso de calouros e ganhou o prêmio revelação.
Aos dez anos apresentou-se no programa Calouros em Desfile , comandado por Ary Barroso, aos domingos, na Rádio Tupi, onde, interpretando Vereda tropical, de Gonzalo Curiel, não só conseguiu a nota máxima, dividindo o primeiro lugar com o conjunto Nativos da Lua, como também recebeu elogios do temido animador. Em seguida, Adiléia apresentou-se no programa Escada de Jacó, comandado pelo Professor Bacurau e passou a integrar a equipe, cantando todos os domingos em shows de bairro, cinemas, teatros e circos.
Nos doze anos, a morte do pai agravou a situação financeira da família, que já era precária. Nessa época Adiléia participava de radiotetatro, na Rádio Tupi, num programa de histórias infantis chamado Teatro da Tia Chiquinha. Apoiada pela mãe, passou também a integrar o elenco, que apresentava peças infantis no Teatro Carlos Gomes, onde trabalhou nas peças 'Mãe d'água' , 'Aladim e a Lâmpada Maravilhosa', 'O gaúcho' e 'O príncipe do limo verde', na qual cantava a valsa Primavera de Afonso Henriques.
Autodidata, muito cedo também começou seu processo de aprender línguas: ouvia discos em inglês, francês, castelhano e italiano e praticamente dominava esses idiomas. Em virtude disso, inscreveu-se no concurso 'À Procura de uma cantora de boleros', organizado por Renato Murce, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em que a vencedora foi Rosita González. Esse episódio não desanimou Adiléia, que continuou freqüentando a Rádio Nacional, conhecendo e sendo conhecida pelos artistas e participando de alguns programas.
Numa dessas apresentações, aos 16 anos de idade, estava presente o Barão Von Stuckart, proprietário da Boate Vogue, freqüentada pelos colunáveis da época. O Barão fez um teste com Adiléia, que cantou em inglês, francês e espanhol e ele resolveu contratá-la para a boate. Começando uma prematura carreira profissional de crooner de casa noturna, desaparecia o anjo Adiléia. Em seu lugar, surgia a cantora Dolores Duran.
Logo que começou a cantar na Vogue, Dolores foi ouvida pelo radialista César Alencar, que a contratou para o seu programa na Rádio Nacional, onde Dolores cantava músicas internacionais. Já com um bom salário, Dolores deixou a casa materna e foi dividir um apartamento com uma amiga, a cantora Julie Joy, no mesmo bairro de Ipanema, onde morava sua mãe.
Com um vasto repertório internacional, Dolores cantou nas mais famosas boates do Rio de Janeiro, conquistando vários amigos, como Sérgio Porto, Antônio Maria, Nestor de Holanda e Mister Eco, famosos cronistas da noite carioca.
A estréia de Dolores, em disco, aconteceu em 1952, quando gravou dois sambas para o Carnaval de 1953: Que bom será de Alice Chaves, Salvador Miceli e Paulo Marques e Já não interessa de Domício Costa e Roberto Faissal.
Em 1953 Dolores gravou Outono, de Billy Blanco e Lama, de Paulo Marques e Alice Chaves. Mas só começou a se tornar conhecida do grande público em 1954, quando gravou Tradição, de Ismael Silva; Bom é querer bem, de Fernando Lobo; O amor acontece, de Celso Cavalcanti e Flávio Cavalcanti; e, principalmente, Canção da volta, de Antonio Maria e Ismael Neto, música que deu uma maior dimensão à nova cantora.
Em 1955 Dolores apresentou-se em Punta Del Este, no Uruguai. Neste mesmo ano gravou Praça Mauá, de Billy Blanco; Carioca 1954, de Antonio Maria e Ismael Neto; Manias, dos irmãos Celso e Flávio Cavalcanti; e Prá que falar de mim, de Ismael e Macedo Neto, cuja gravação acabou aproximando Dolores de Macedo Neto. Após um rápido namoro, acabaram se casando no dia 8 de julho de 1955. Ainda de 1955 é a primeira composição de Dolores, feita em parceria com Tom Jobim: Se é por falta de adeus, que foi gravada por Dóris Monteiro.
De 1956 é um dos maiores sucessos de Dolores como intérprete: Filha de Chico Brito, de Chico Anísio. Mesmo fazendo sucesso, Dolores parecia insatisfeita e resolveu dar novo rumo à sua carreira, trocando a boate pelo circo. Assim, passou a integrar a Caravana Paulo Gracindo, que atuava nos pavilhões armados nos subúrbios cariocas e onde atuou junto com Adelaide Chiozzo, Blecaute, Rui Rei, Carmen Costa e Carlos Matos, entre outros. Neste ano Dolores viajou para a Argentina, com o violonista Bola Sete e seu Conjunto e para o Uruguai, onde se apresentou na Rádio Carve e na Boate Club de Paris.
Em 1957, Tom Jobim, que ainda era praticamente desconhecido do grande público, mostrou a Dolores uma composição feita em parceria com Vinícius de Moraes. Entusiasmada com a melodia, Dolores fez uma letra, à qual Vinícius se rendeu, rasgando, humildemente, a própria letra; assim surgiu Por causa de você.
Ainda em 1957 Dolores compôs, em parceria com Fernando César, a toada Só ficou a saudade e, em parceria com Tom Jobim, o samba-canção Estrada do sol, a composição mais original da dupla, principalmente pela música de Tom Jobim, que prenunciava o que ele faria na bossa nova. "Estrada do sol" pode ser considerada um dos primeiros impulsos em direção à esse movimento.
Em 1958 Dolores separou-se de Macedo Neto. Nesse mesmo ano, junto com Jorge Goulart, Nora Ney, Conjunto Farroupilha e outros artistas, excursionou pela União Soviética. O sucesso foi tão grande que eles foram convidados a ir à China. Mas, em virtude de desentendimentos, Dolores separou-se do grupo e foi para Paris, onde permaneceu um mês, apresentando-se num barzinho freqüentado por brasileiros. De volta ao Rio de Janeiro, Dolores pediu ao pianista Ribamar que musicasse Quem sou eu? que Dolores havia escrito durante a viagem Moscou-Paris.
Também de 1958 é a composição de Dolores, Castigo, uma de suas músicas de maior destaque do chamado "estilo fossa" e que foi um dos maiores sucessos da década de 50, transformando-se em clássico da música romântica.
Em 1959, em parceria com Edson Borges, Dolores compôs Canção da Tristeza, Deus me perdoe, Tome continha de você e Olha o tempo passando. O samba-canção Pela rua foi gravado por Marisa Gata Mansa e incluído em seu primeiro e histórico LP.
Muitas vezes Dolores escrevia os versos e guardava a melodia na memória, para depois cantarolá-la para um eventual parceiro. Assim foram feitas algumas de suas melhores obras, como é o caso do samba-canção Solidão. Embora seja uma das composições mais famosas de Dolores Duran e tenha sido gravado por muitos intérpretes que o transformaram em sucesso, o samba-canção abolerado Fim de caso passou praticamente despercebido quando da sua primeira gravação, feita pela própria Dolores, em setembro de 1959. A letra é de um sentido poético notável e a música acompanha com perfeição o crescente desconsolo dos versos.
Outra composição de Dolores, que só veio a fazer sucesso mais tarde, foi o samba-canção A noite do meu bem, também gravado por Dolores em setembro de 1959, não obtendo, na época, grande repercussão.
Desde menina Dolores apresentava problemas de saúde, provocados por reumatismo infeccioso. Dolores Duran morreu dormindo, no dia 23 de outubro de 1959, depois de ter cantado na boate Little Club e de ter dado um "esticada", junto com amigos, no Clube da Aeronáutica e no Kilt Club. Não se sabe se sua morte foi provocada por distúrbios cardíacos ou por dose excessiva de barbitúricos.
Naquela mesma noite de 23 de outubro, Marisa Gata Mansa, amiga íntima de Dolores, tinha estréia marcada no Bom Gourmet, onde iria mostrar a mais recente composição de Dolores: Noite de paz. Com Marisa Gata Mansa haviam ficado alguns versos de Dolores, que foram musicados por Ribamar após a morte da compositora, como é o caso de Ternura antiga e Quem foi?.
Algumas músicas e cifras
fonte: memórias da mpb - Samira Prioli Jayme.
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terça-feira, 26 de junho de 2007

Consuelo Velazquez

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Consuelo Velázquez, pianista e compositora, nasceu em Zapotlán el Grande, Jalisco, México, em 29 de de agosto de 1924. Pouco tempo depois foi levada para a cidade de Guadalajara, onde iniciou seus estudos de música com R. Serratos. Mudou-se para a Cidade do México para estudar na Escola Normal de Música, da qual Serratos havia sido nomeado diretor.
Ali se formou como professora de piano, aos 15 anos de idade (1939). Em pouco tempo compôs o bolero Bésame mucho, popularizado em todo o mundo; logo compôs outras canções, como por exemplo, Que seas feliz, a mais popular de 1956.
Casou com Mariano Rivera, diretor da RCA Victor, empresa que gravou muitos de suas canções. Como pianista ofereceu numerosos recitais no Palácio de Belas Artes e outros locais importantes no país. Foi presidente da Sociedade de Autores e Compositores, a que pertencem 44 países. Entre outras condecorações, foi nomeada compositora da América pelo Conselho Panamericano de Sociedades Autorais. Foi, também, deputada federal a qüinquagésima legislatura no período que corresponde de 1979 a 1982.
Entre suas canções mais conhecidas encontram-se: Bésame Mucho, Que Seas Feliz, No Volveré, Amar y vivir, Anoche, Verdad amarga, Aunque Tengas Razón, Al Nacer este Día, Yo no Fui, Los Pequeños Detalles, Amor sobre Ruedas, Cachito, Orgullosa y Bonita, Canción de Cuna a Josefina, ¡Qué Tontería! ¡Qué Divino!, Chiqui Chiqui, Corazón, Déjame Quererte, Donde Quiera, Enamorada, Enamorado Perdido, Franqueza, Para Ti , Pasional, Pensarás en Mí, Por eso te Quiero, Ser o no Ser, Sólo Amor, Será por eso, Tenaz Obsesión, Tú, Mi Amor, etc.
fonte: Diccionario de Música en México - Gabriel Pareyón
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Edith Piaf

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Edith Piaf (1915-1963), cantora parisiense mundialmente conhecida iniciou sua carreira com 15 anos de idade, cantando em cafés e nas ruas. Em 1935, fez sua estréia teatral e, em poucos anos, foi convidada para cantar em grandes teatros e casas de espetáculo de Paris.
Sua voz potente e seu estilo expressivo ao interpretar canções como Non je ne regrette Rien e La vie en rose lhe garantiram grande número de admiradores. Incentivada pelo ator Maurice Chevalier, atuou também em filmes, comédias e operetas.
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quarta-feira, 20 de junho de 2007

Maysa

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Maysa

Maysa Figueira Monjardim, cantora e compositora, nasceu em São Paulo (16/11/1936) e faleceu no Rio de Janeiro (11/11/1977). Descendente de tradicional família do Espírito Santo, aos 12 anos, estudante de piano, compôs sua primeira música, o samba-canção Adeus. Foi aluna interna no Colégio Sacré Cour de Marie, de onde saiu com 18 anos para casar com o milionário paulista André Matarazzo.
Depois de casada, continuou a compor, mas cantava raramente, em festas de amigos da alta sociedade paulista. Numa dessas festas, em 1956, foi convidada por um produtor de discos para gravar suas composições.

O LP Convite para ouvir Maísa foi lançado pela RGE depois do nascimento de seu filho, e incluía os sambas-canções Meu mundo caiu, Adeus e Ouça, o grande sucesso que a revelou como cantora e compositora de música de fossa. 0 disco bateu recordes de vendagem, mas, por imposição do marido, toda a renda foi doada para a campanha contra o câncer. A partir de então, começou a se apresentar em diversos programas da TV Record e em shows de boates, como a Oásis e a Cave, cujo proprietário, Jordão de Magalhães, muito incentivou sua carreira.
Em 1957, passou a ter seu próprio programa, inicialmente realizado nos estúdios e depois no Teatro Record, transmitido em cadeia de rádio e televisão. A separação do marido deixou-a abalada e levou-a a beber e engordar, o que contribuiu para criar-lhe a imagem de cantora agressiva.
Em 1960 foi para o Rio de Janeiro, onde, por influência de Ronaldo Boscoli, passou a gravar músicas de bossa nova, como O barquinho, Ah! Se eu pudesse e Nós e o mar (todas de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli). Com esse novo repertório, gravou na CBS, acompanhada pelo conjunto de Roberto Menescal, o LP Barquinho, que fez muito sucesso. Viajou em seguida pelo Brasil, Uruguai e Argentina com o mesmo conjunto, transformando-se numa das primeiras divulgadoras de bossa nova no exterior.
Entre 1961 e 1965, apresentou-se no Olympia, de Paris, França, no Blue Angel, de New York, E.U.A., e em Estoril, Portugal, onde conheceu o advogado e industrial espanhol Miguel Azanza, com quem casou. Morando na Espanha fez tratamento de saúde e realizou apresentações e gravações em toda a Europa.
Enquanto isso, eram lançados no Brasil seus LPs Maísa canta sucessos (RGE, 1952), com as músicas Estou pensando em ti (Raul Sampaio e Benil Santos), A canção dos teus olhos (Pernambuco e Antônio Maria) e Ri (Luís Antônio), entre outras; Os grandes sucessos de Maísa (RGE, 1963), com uma coletânea de gravações anteriores, como Ouça e Meu mundo caiu; e Voltei (RGE, 1963), incluindo Meditação (Newton Mendonça e Tom Jobim), Alguém me disse (Jair Amorim e Evaldo Gouveia) e Solidão (Antônio Bruno).
Numa de suas viagens ao Brasil, em 1964, participou de um programa ao lado do jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), na TV Record. Nos anos seguintes, as etiquetas RCA e Elenco lançaram mais dois LPs, ambos com o título Maísa, trazendo entre outras as músicas Ne me quitte pas (Jacques Brel) e Tristeza (Haroldo Lobo e Niltinho), e Bom dia tristeza (Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes), Demais e Dindi (ambas de Aloysio de Oliveira e Tom Jobim).
Em 1969 retomou a carreira profissional no Brasil, formando com o marido a Guelmay, empresa destinada a produzir seus programas e discos. Nesse mesmo ano, fez um show para um grande público na cervejaria Canecão, do Rio de Janeiro, apresentado depois em São Paulo, no Restaurante Urso Branco, e gravado com o título Canecão apresenta Maísa (Copacabana, 1969), com as músicas Se você pensa (Erasmo Carlos e Roberto Carlos) e Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim e Vinícius de Morais), entre outras.
Em 1970 lançou pela Philips o LP Ando só numa multidão de amores, com as músicas Molambo (Meira e Augusto Mesquita), Chuvas de verão (Fernando Lobo) e Que eu canse e descanse (Marcos Vale e Paulo Sérgio Vale). Passou em seguida a trabalhar em teatro e televisão, participando em 1971 da novela O cafona, da TV Globo, para a qual compôs o Tema de Simone.
Em 1974 saiu novo LP pela gravadora Evento, com as músicas Bloco da solidão (Jair Amorim e Evaldo Gouveia) e Agora é cinza (Alcebíades Barcelos e Armando Marçal), entre outras, e no ano seguinte apareceu na novela Bravo, da TV Globo, e em outros programas de televisão. Faleceu em acidente automobilístico na ponte Rio-Niterói.
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