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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Zé Menezes

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Zé Menezes (José Menezes França), violonista, nasceu em Jardim (CE) em 6/9/1921. Começou a tocar profissionalmente aos 8 anos, quando ainda explorava o cavaquinho, em Juazeiro do Norte (CE).Aos 11 anos era instrumentista da banda municipal, e trabalhou durante algum tempo como músico de cinema e bailes. No final dos anos 30 mudou-se para Fortaleza, onde trabalhou na Ceará Rádio Clube como violonista.

Em 1943 foi para o Rio de Janeiro a convite de César Ladeira, que o ouvira tocar em Fortaleza. Na então capital federal foi contratado da Rádio Mayrink Veiga, onde conheceu o sucesso como solista graças aos dois programas semanais que apresentava, tocando violão, cavaquinho, viola, guitarra, bandolim, violão tenor e banjo.

Em 1947 foi para a Rádio Nacional, onde tocou ao lado de Garoto. Como compositor, sua primeira música gravada foi Nova ilusão (parceria com Luís Bittencourt), pelo conjunto Os Cariocas.

Outros de seus sucessos foram Não interessa não, com Luís Bittencourt, gravado por César Ladeira e Heleninha Costa, Tudo azul, na interpretação de Zezé Gonzaga, Cinzas, cantada por Ernani Filho, Pau-de-arara, baião gravado por Carmélia Alves e outras composições, sempre em parceria com Luís Bittencourt.

Gravou vários discos como solista, alcançando o sucesso com suas interpretações de Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro) e Um domingo no jardim de Alah (Lírio Panicali).

Viajou pela Europa com o Sexteto Radamés Gnattali em 1959, e formou o grupo Velhinhos Transviados, que gravou 13 LPs. Em 1995 lançou o CD Chorinho in Concert e em 1998 foi a vez de Relendo Garoto, só com músicas do violonista paulista com quem tocou com muito sucesso na década de 40.


Homem dos Mil Instrumentos

Chamá-lo de homem dos mil instrumentos nem chega a ser exagero. O cearense de Jardim, nascido em 1921, toca praticamente todos os de corda. Já atuou em dupla com o virtuose do violão Garoto durante o período áureo da Rádio Nacional, integrou o Quinteto do rigoroso Radamés Gnattali e reforçou os primeiros discos de Roberto Carlos tocando guitarra. Fez até a música de abertura do programa Os Trapalhões.

Onipresente nos bastidores de várias gerações (e estilos) da MPB, Zé começou muito cedo em um cavaquinho de uma corda só. Aos oito anos exibiu-se para o lendário Padre Cícero tocando sua composição Meus Oito Anos. Aprendeu requinta (um clarinete uma quinta acima), escalou o violão, o bandolim, o violão-tenor (quatro cordas) e não parou mais.

Ao lado de Radamés ao piano (e Vidal, baixo, Luciano Perrone, bateria, Chiquinho, acordeom), atuou com alguns dos principais intérpretes nacionais, mas nunca renunciou a sua assinatura pessoal. Compôs o samba-canção modernista Nova Ilusão (com Luiz Bittencourt), que se tornaria prefixo da primeira fase do grupo vocal Os Cariocas, em 1948, e também Comigo é Assim, outro sucesso do grupo (da mesma dupla) que Miúcha e Tom Jobim regravariam em 1977.

Outras composições suas conseguiram projetar-se como Mais uma Ilusão, na voz de Nuno Roland, Castigo por Gilberto Milfont e Pau-de-Arara por Carmélia Alves. Seu estoque de choros instrumentais também é expressivo: Sereno, Vitorioso, Encabulado, Caititu, entre outros.

Aos 11 anos, músico de banda em Juazeiro, foi descoberto por César Ladeira quando tocava na Ceará Rádio Clube, em 1943. Contratado pela Rádio Mayrink Veiga carioca, ele passaria mais tarde para a Nacional onde se apresentou em dupla com Garoto. Trabalhou ainda com o tecladista Djalma Ferreira no conjunto Milionários do Ritmo, excursionou pela Europa a bordo do Sexteto de Radamés Gnattali (que começou como quarteto e chegou a Orquestra Brasileira de Shows com Zé, Garoto e Bola Sete nas cordas).

Gravou treze discos com o bem-humorado grupo de estúdio Velhinhos Transviados, que "envelhecia" (e envenenava com Menezes na guitarra) por meio de uma formação de bandinha do interior os sucessos das paradas, incluindo rock e derivados. Sua enorme carreira discográfica, no entanto, tem poucos solos como os dois LPs de dez polegadas registrados na Sinter no início dos 50 (Dançando com Zé Menezes, A Voz do Violão) e os mais recentes CDs Chorinho in Concert, na CID, de 1995, e Relendo Garoto, produzido por Pelão em 1998, no qual ele realiza o velho sonho do parceiro que desejava ver suas músicas reintepretadas por orquestra. E de quebra por um homem-orquestra, o gênio modesto Zé Menezes.

Tárik de Souza - ENSAIO - 22/9/1998

Fontes: ClicMusic; SESC-SP MPB.
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Luís Bittencourt

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Luís Bittencourt (Luís Gonzaga Bittencourt), compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 6/5/1915. O pai, Antônio Lourenço Bittencourt, pianista que acompanhava filmes mudos, ensinou-lhe as primeiras noções de música.

Iniciou a carreira em 1930, participando de programas na Rádio Educadora do Brasil (hoje Tamoio) e também do programa Horas do Outro Mundo, de Renato Murce, na extinta Rádio Philips.

A partir de 1935, passou a dedicar-se profissionalmente à música, integrando a orquestra do Cassino da Urca. De 1936 a 1960, participou como violonista das orquestras da Victor e da Rádio Nacional. Em 1937, sua composição Lua triste (com Leonel Azevedo) foi gravada na Odeon por Sílvio Caldas.

Como instrumentista, atuou em conjuntos famosos, como o Regional de Dante Santoro, o de Benedito Lacerda, Conjunto Regional Victor, Conjunto Regional Guanabara, Regional Rogério Guimarães, além das orquestras das gravadoras Sinter, Musidisc e Continental.

Como compositor, tem cerca de 130 músicas gravadas, entre as quais Nova ilusão (com José Menezes), que fez sucesso em 1948 com Os Cariocas, Aquelas palavras (com Benny Woldoff), de 1945, Casadinhos (com Tuiú), de 1945, e A grande verdade (com Marlene), de 1948.

De 1950 a 1965, foi diretor musical e artístico de várias gravadoras, entre as quais a Sinter e a Musidisc, e de 1967 a 1975 exerceu cargos na Ordem dos Músicos do Brasil. Desde 1961, integra a Orquestra Sinfônica Nacional, do Ministério de Educação e Cultura.

Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Egberto Gismonti

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Egberto Gismonti

Egberto Gismonti (Egberto Amin Gismonti), compositor, instrumentista e arranjador nasceu em uma família de músicos em Carmo, pequena cidade do interior do estado do Rio (5/12/1944), filho de pai libanês e mãe italiana. É considerado um dos maiores compositores brasileiros de música instrumental. Começou a estudar piano aos cinco anos.

Ainda na infância e adolescência, seus estudos no Conservatório já incluíram flauta, clarinete, violão e piano. Interessou-se pela pesquisa da música popular e folclórica brasileira, chegando a passar uma temporada vivendo com os índios no Xingu.

Em 1968, participou de um festival da TV Globo com a canção O sonho, defendida pelos Três Morais, que atraiu a atenção do público e elogios da crítica. Partiu nesse mesmo ano para a França, onde estudou música dodecafônica com Jean Barraqué e análise músical com Nadia Boulanger.

Em 1969, lançou seu primeiro disco, Egberto Gismonti, com forte influência da bossa nova. O álbum, hoje cult, acabaria sendo uma de suas obras mais acessíveis, dado que, nos anos 1970, Gismonti se dedicaria a pesquisas musicais e experimentações com estruturas complexas e instrumentos inusitados, voltando-se quase exclusivamente para a música instrumental.

No V Festival Internacional da Canção, em 1970, concorreu com Mercador de serpentes.

A hesitação das gravadoras brasileiras com o seu estilo o levou a procurar refúgio em selos europeus, pelos quais lançou vários álbuns pelas décadas seguintes. Gismonti explorou diversas avenidas da música, sempre imprimindo o seu interesse pessoal: o choro o levou a estudar o violão de oito cordas e a flauta, a curiosidade com a tecnologia e a influência da Europa o levaram aos sintetizadores, a curiosidade com o folclore e as raízes do Brasil o levaram a estudar a música indígena do Brasil, tendo mesmo morado por um breve período com índios yawaiapiti, do Alto Xingu.

A carreira de Gismonti prosseguiu sólida - se não comercialmente explosiva - e o artista continuou gravando seus álbuns e participando de discos alheios, além de fazer turnês de sucesso, especialmente na Europa. Entre os músicos com os quais colaborou ou colaboraram com ele, destacam-se Naná Vasconcelos (Dança das cabeças, de 1976), Marlui Miranda, Charlie Haden, Jan Garbarek, André Geraissati, Jaques Morelenbaum, Hermeto Paschoal, Airto Moreira e Flora Purim.

Gravou quinze discos entre 1977 e 1993 para o selo norueguês ECM, dez dos quais lançados no Brasil pela BMG em 1995. Através de seu selo Carmo, recomprou seu repertório inicial, e é um dos raros compositores brasileiros donos de seu próprio acervo.

Recentemente sua obra passou a ser gravada maciçamente por outros instrumentistas. Algumas peças do disco Alma, de 1987, tornaram-se hits, como Palhaço e Loro.

Fontes: Wikipédia; Clique Music.
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Hermeto Pascoal

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Hermeto_Pascoal_1985

No dia 22 de junho de 1936 nasceu Hermeto Pascoal, compositor, multi-instrumentista e grande contador de histórias, no pequeno município de Lagoa da Canoa em Alagoas. Filho de roceiros, escapou do trabalho na enxada por ser albino e não poder ficar exposto ao sol.

O próprio Hermeto conta que quando criança, na escola, os professores davam trabalhos para construir instrumentos com latas de goiabada. E de uma lata de goiabada ele fez um "violãozinho". Essa foi sua primeira criação.

Seu primeiro parceiro musical foi o irmão mais velho José Neto, tocando nos bailes de "pé-de-pau", realizados ao ar livre, sob as árvores, comuns naquela época. Além disso, os dois irmãos mostravam seu talento em batizados e casamentos, suando um bocado enquanto andavam, às vezes um dia inteiro para chegar até o local da festa. Em 1950 a família mudou-se para Recife, onde Hermeto e José Neto começaram a tocar acordeão nas rádios Tamandaré e Jornal do Commércio. Seu primeiro instrumento foi uma sanfona de 8 baixos.

Um ano mais tarde, Hermeto já se destacava como acordeonista e começava suas experimentações musicais, sempre estudando e pesquisando novos sons. Autodidata, uma caraterística que marca esse gênio da musica, valia-se dos mais diversos artefatos, como foices, enxadas, machados e garrafas, batendo em ferros e tentando repetir os sons no acordeão.

Em 58 foi para a Paraíba, tocar na Rádio Tabajara, em João Pessoa, como integrante da Orquestra do Maestro Gomes. Passou pouco tempo na Paraíba e nesse mesmo ano mudou-se para o Rio de Janeiro, levado pelo seu irmão, José Neto, para tocar na Rádio Mauá.

No Rio começou a se interessar pelo piano, na própria Rádio Mauá. Hermeto chegava com horas de antecedência para estudar e sentir as teclas. Mas foi tocando nas boates do Rio que se tornou realmente um pianista. Com isso mudou-se para São Paulo e tornou-se o pianista da Boate Chicote, em 61.

Em 1962, após deixar seu lugar no piano da Boate La Vie en Rose, Hermeto entrou para o Som Quatro. Dois anos depois formou o Sambrasa Trio (com Claiber, no baixo, e Airto Moreira, na bateria). Ainda em 64 foi tocar piano na Boate Stardust e começou seu interesse pela flauta. Para praticar o instrumento, Hermeto se trancava no banheiro da boate ou ia para a Igreja da Consolação durante o intervalo das apresentações, chegando a dominar o instrumento em apenas um mês. Logo recebeu um convite do cantor Walter Santos para participar da gravação do seu LP Caminho, lançado em 65, como flautista.

No ano seguinte, entrou para o Trio Novo (Théo de Barros, Airto Moreira e Heraldo), que se transformou em Quarteto Novo. Esse grupo foi um marco na história da música instrumental brasileira. Em 1967 o quarteto lançou seu único disco, Quarteto Novo, pela Odeon, que, segundo a crítica, foi uma valiosa experiência musical com ritmos nordestinos. Esta experiência musical consistia em aplicar as sofisticadas harmonias de jazz aos riquíssimos rimtos nacionais. Aí encontra-se a primeira música de Hermeto a ser gravada: O ovo. Em 69 o grupo se desfez e Hermeto passou a tocar com Edu Lobo. O próprio Heraldo do Monte relata que "esse Albino é muito louco!".

Já Airto Moreira foi para os Estados Unidos, integrar a banda de Miles Davis. Nada mais óbvio que ele, Hermeto, fosse para os EUA como arranjador de um disco de Airto. Nesta viagem conheceu Miles Davis e logo gravou com o músico americano, que colocou o carinhoso apelido de "Albino Crazy". Nesse LP, Miles Davis Live, o pistonista incluiu duas músicas de autoria de Hermeto: Igrejinha e Nenhum talvez. A participação do grande músico brasileiro com o mestre do trompete consagrou mais ainda o nome Hermeto Paschoal.

Em 71 Airto Moreira incluiu em um dos seus discos, Gaio de roseira, música com arranjo de Hermeto, composta por seu pai. A crítica inglesa colocou a música entre as melhores do ano, dando início ao reconhecimento da obra do músico no exterior. Ainda nesse ano gravou o disco solo Hermeto, lançado pela Buddah Records, já se utilizando de instrumentos inusitados e experimentações nas melodias.

Em 73, lançou o primeiro disco no Brasil, A Música Livre de Hermeto Pascoal, incluindo músicas de grandes artistas brasileiros como Pixinguinha (com a faixa Carinhoso) e Luiz Gonzaga (Asa branca), além de gravar também Gaio de roseira. Nesse disco também, está gravado Bebê, um baião que todo instrumentista brasileiro quer ou tem a honra de tocar.

1977 foi o ano em que Hermeto foi ao EUA gravar um dos seus discos mais famosos, o Slave Mass (Missa dos Escravos). Este disco é considerado um marco na música instrumental, também lançado no Brasil e aplaudido pela crítica.

Participou do Festival de Jazz de São Paulo no final de 78 e logo no início de 79 gravou o disco Zabumbê-Bum-á, na WEA. Uma curiosidade foi a participação dos pais de Hermeto nos vocais, em duas faixas.

Os anos 80 foram de muitas viagens e excurssões para Hermeto. Em parte devido ao seu contrato com a gravadora Som da Gente. Neste período, sua carreira se consolidou no exterior. Também se encontrava num período de grande produção e lançamento de discos.

Em 80 ele gravou Cérebro magnético e neste mesmo ano, apresentou-se no Festival de Montreux, na Suíça. Dois anos mais tarde participou do Festival Horizonte, em Berlim.

Em 1982, Hermeto lançou o disco Hermeto Pascoal & Grupo, grupo este que ficou conhecido mundialmente e permaneceu junto por mais de um década. Em 1984 o grupo lança Lagoa da Canoa Município de Arapiraca, cujo título homenageia a cidade natal de Hermeto.

Em 1985 é lançado Brasil Universo, pela gravadora Som da Gente. Em 1987 lançou Só Não Toca Quem Não Quer e em 1988 seu último disco lançado nessa década, Por Diferentes Caminhos: Piano Acústico, onde Hermeto tocou sozinho.

A década e 90 foi marcada por seu rompimento com as grandes gravadoras. Seu disco de 92, Festa dos Deuses, lançado pela PolyGram, segundo o próprio Hermeto foi mal distribuído e não repassaram os direitos autorais da obra.

Depois disso, Hermeto passou sete anos sem lançar discos. Neste tempo, ele se dedicou a compor, inclusive criou o projeto "Calendário do Som", onde Hermeto compôs um chorinho para cada dia do ano.

O disco Eu e Eles, de 99, marca a volta de Hermeto ao mercado fonográfico. Gravado pelo selo Rádio Mec, o disco foi aplaudido pela crítica, e traz o músico tocando todos os instrumentos, convencionais e os que ele mesmo inventa.

O atual projeto de Hermeto é o "Contagem Regressiva", que consiste na criação de uma música por dia até a virada do milênio, podendo se estender além desta data. O grupo de Hermeto Pachoal sempre traz grandes talentos. A grande característica é que todos, além dos ensaios, estudam juntos.

Fontes: Agenda do Samba & Choro; Programa Retrato do Artista da Radio Unesp de Bauru - 1995; Hermeto Home Page.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Ernâni Alvarenga

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Ernâni Alvarenga, compositor, instrumentista e cantor, nasceu em São Paulo SP (10/06/1914) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (01/01/1992). Nascido no bairro da Barra Funda, aos quatro anos de idade mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde fez o curso primário.

Aprendeu a tocar cavaquinho e em 1927 participava de um regional, começando a compor no ano seguinte. Durante o Carnaval, convidado pelo sambista Paulo da Portela, que desfilava pelo bloco Vai Como Pode, passou a participar, juntamente com seu Bloco da Rua D, da escola de samba que estava sendo organizada e que em 1935 se tornaria conhecida como G. R. E. S. da Portela.

Em 1931 o Vai Como Pode desfilou na Praça Onze, cantando Dinheiro não há, samba de sua autoria, que mais tarde, com uma segunda parte composta por Benedito Lacerda, foi gravado por Leonel Faria. Sambista da velha guarda da Portela, atuou na escola compondo e tocando cavaquinho de quatro e cinco cordas, instrumento no qual se aperfeiçoou com a ajuda de Luperce Miranda.

Em 1937, a convite de Paulo Leblon, diretor da Rádio América, de São Paulo, afastou-se da escola para apresentar-se como cantor no programa Big Show América. Depois de passar alguns anos em São Paulo, voltou ao Rio de Janeiro para trabalhar na Rádio Mayrink Veiga e a seguir na Rádio Guanabara. Doente das cordas vocais, deixou a vida artística por alguns anos, reaparecendo no início da década de 1970.

Morador do subúrbio carioca de Osvaldo Cruz, foi um dos últimos remanescentes do grupo de fundadores da Portela. Freqüentava esporadicamente os ensaios e rodas de samba promovidos pela escola. Dois de seus sambas, Salário mínimo e Dinheiro não há, foram regravados por Beth Carvalho.

Obras

Aumento de salário (c/Paquito), 1932; Cheques a granel (c/Paquito), 1932; Dinheiro não há (c/Benedito Lacerda), 1932; Seu Aristeu (c/Paquito), 1932.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Ernesto de Souza

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Ernesto de Souza (1864 - 1928 - Rio de Janeiro - RJ), compositor, teatrólogo, farmacêutico e instrumentista. Nascido no centro do Rio de Janeiro, na Rua Buenos Aires, morou depois no Andaraí numa casa que tinha um galpão onde apresentava teatro com artistas amadores do bairro, com representações de revistas, comédias e operetas. Pai do músico Gastão Penalva.

Fez fortuna como industrial farmacêutico principalmente devido ao sucesso popular do seu Trinoz e Rum Creosotado, para o qual fez conhecido reclame publicitário. Foi grande proprietário de terras no Rio de Janeiro estendendo-se suas propriedades desde a Rua Uruguai na Tijuca até o trecho que se tornou depois o bairro do Grajaú.

Publicou reclames comerciais em forma de versos e também poemas na revista O Malho depois reunidos no livro Galhardetes. Colaborou ainda com o jornal A Noite. Foi autor do primeiro hino da República que não chegou a ser aproveitado. Foi homenageado ainda em vida com uma rua do bairro do Andaraí recebendo o seu nome.

Ficou famosa a sua cançoneta Quem inventou a mulata?, da peça junina São João na roça. Sua casa era frequentada por figuras como Artur Azevedo, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Catulo da Paixão Cearense, Sátiro Bilhar e outros como os atores Figueiredo e Brandão.

Escreveu ainda com sucesso as músicas Mulata da Bahia, Me compra, ioiô e Angu do Barão.

Sua carreira artística começou no final do século XIX quando juntamente com Moreira Sampaio fundou o Clube Bogari, no qual criou uma orquestra de amadores com 25 componentes intitulada Estudantina Carioca grupo que apresentou diversos concertos.

É autor do famoso reclame publicitário afixado em bondes e veiculado nas rádios no século passado que dizia: "Veja ilustre passageiro/ O belo tipo faceiro/ Que o senhor tem a seu lado/ E, no entanto, acredite,/ Quase morreu de bronquite,/Salvou-o o Rum Creosotado".

Suas primeiras composições foram gravadas em 1902, as cançonetas Angu do barão e O arame pelo cantor Bahiano em disco Zon-O-Phone. Nesse ano, escreveu e dirigiu a revista A cançoneta.

Por volta de 1908, o tango A mulata da Bahia e a cançoneta O angu do Barão foram gravadas na Victor Record pelo cantor João Barros. Por essa época a cançoneta Me compra ioiô e a canção A mulata da roça foram gravadas pela cantora Iracema Bastos, e a cançoneta O arame, pelo cantor Acácio.

Foi tema do programa História das Orquestras e músicas do Rio apresentado por Almirante na Rádio Nacional. Segundo Almirante, deixou mais de 50 composições especialmente cançonetas.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.
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Valzinho

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Valzinho (Norival Carlos Teixeira), compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 26/12/1914 e faleceu em 1980. O pai era ferroviário e violonista, e a mãe, pianista. É irmão do cantor, compositor e violonista Newton Teixeira. Fez o primário na escola primária Nilo Peçanha, além de haver estudado desenho, escultura e gravura com Calmon Barreto. Seu primeiro emprego foi na Casa da Moeda, como gravador artístico.

Começou a carreira em 1933 na Rádio Guanabara, tocando cavaquinho no conjunto do violonista Pereira Filho, do qual participavam Luís Bittencourt (violão), Darci (pandeiro) e Dante Santoro (flauta). Já como violonista, em 1934 passou a atuar em um conjunto de Pixinguinha, ao lado de Valdemar (violão), João da Baiana (pandeiro e voz) e Joca (pandeiro).

A partir de 1936, com o regional do bandolinista Luperce Miranda, atuou durante alguns anos na Rádio Mayrink Veiga. Em 1938 fez a primeira música, Tudo foi surpresa (com Peterpan), que seria gravada em 1940, na Victor, por Araci de Almeida.

Em 1939 passou a integrar o regional de Dante Santoro, com o qual ficou durante 30 anos atuando na Rádio Nacional. A formação original do conjunto era Dante Santoro (flautista), Carlos Lentini (violão), Valdemar (cavaquinho), Joca (pandeiro), Norival Guimarães (violão) e Rubens Bergman (violão). Durante pouco tempo, participou também do conjunto Bossa Clube, dirigido por Garoto onde já usava técnica que antecipava de certa maneira a bossa nova. Em 1940 e 1950 foi premiado em gravura e escultura pelo Salão Nacional de Belas Artes.

Entre suas composições de maior sucesso estão Não sei por quê (com Luperce Miranda), de 1944, gravada por Gilberto Alves; Doce veneno (com Carlos Lentine e Espiridião Machado Goulart), de 1945, gravado por Marion e o conjunto de Djalma Ferreira — e que, mais tarde, seria relançado por Jamelão, Gaúcho e Orquestra, Britinho e Orquestra, Paulinho da Viola e Elisete Cardoso; Tormento, de 1946, gravada por Orlando Silva; Súplica (com Pernambuco), de 1947; Óculos escuros (com Orestes Barbosa), de 1955, gravado por Zezé Gonzaga e relançado, em 1971, por Paulinho da Viola.

Obras

Doce veneno (c/Carlos Lentine e Espiridião Machado Goulart), samba, 1945; Óculos escuros (c/Orestes Barbosa), samba, 1955; Tudo foi surpresa (c/Peterpan), samba, 1940.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.
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domingo, 30 de dezembro de 2007

Pedrinho Mattar

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Pedrinho Mattar

Pedrinho Mattar (Pedro Mattar), instrumentista, nasceu em São Paulo SP em 19/08/1936 e faleceu em 07/02/2007, em Santos SP. Membro caçula de uma família de dez irmãos, quase todos ligados ao piano, começou a tocar aos oito anos de idade.

Sua primeira apresentação em público ocorreu em 1953, na União Cultural Brasil-Estados Unidos, de São Paulo, onde estudava, acompanhando os cantores nos song fests. No ano seguinte formou o Pedrinho Mattar Trio, que teve numerosas formações. Estudou piano clássico em 1956 com Helena Plant, na Escola Madalena Tagliaferro.

Três anos depois, realizou sua primeira excursão ao exterior, acompanhando a cantora Leny Eversong a Las Vegas, EUA, seguida em 1960 de uma tournée pelo Uruguai e Argentina, acompanhando Agostinho dos Santos. No mesmo ano, tocou no bar paulistano Baiúca e conheceu Claudete Soares, com quem trabalhou durante dez anos em shows e boates.

De 1960 a 1962, atuou em diversos shows de bossa nova em São Paulo e no Rio de Janeiro e fez a produção musical dos programas de televisão de Bibi Ferreira, atuando como solista ou acompanhando cantores convidados. Mais tarde, teve seu próprio programa na TV Excelsior, de São Paulo, Boa Tarde Gente, que durou cinco meses. No mesmo período, tocou na boate Juão Sebastião Bar, de São Paulo, acompanhando Claudete Soares, Taiguara, Marisa Gata Mansa e Chico Buarque, entre outros.

Ainda em 1962, viajou com Maysa para apresentações em Portugal e Espanha, e gravou seu primeiro LP, Pedrinho Mattar Trio, pela Farroupilha. Nos dois anos seguintes foram lançados Pedrinho Mattar Trio n°2 e Pedrinho Mattar Trio n°3, pelos quais recebeu o título de Melhor Solista do Ano em 1963 e 1964.

Tocou pela primeira vez no Teatro Municipal, de São Paulo, em 1965, com orquestra sinfônica dirigida por Diogo Pacheco, a Rhapsody in Blue, de George Gershwin (1 898—1937); no ano seguinte, gravou a composição pela RCA Victor e recebeu os prêmios de Melhor Disco e Melhor Solista do Ano.

Instalou-se no Rio de Janeiro de 1971 a 1974, onde participou de diversos shows, como o da boate Pujol, com Sandra Brea e Miele, com quem também excursionou por todo o Brasil, além de espetáculos em teatro, como Fica combinado assim, com Claudete Soares e Agildo Ribeiro, no Teatro Princesa Isabel (1971), e Misto quente (1972).

Em 1971 gravou o LP Um show de Mattar, na Copacabana. Três anos depois, excursionou com Raul Solnado pela Venezuela e com Cauby Peixoto pela Argentina.

Paralelamente a suas atuações na música popular, dedicou-se também à música clássica: apresentou-se com a Orquestra Sinfônica Nacional em várias oportunidades, participou dos Concertos para a Juventude, da Rádio MEC, em 1972, e em 1979 realizou show nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, reunindo grande número de espectadores.

Na década de 1990 continou tocando na noite de São Paulo, apresentando programas em televisão, como o Pianíssimo, da Rede Vida, e realizando shows no exterior.

CDs: Pianomania, 1996, RGE 8506-2; As 20 preferidas, 1997, RGE 5553-2.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Folha - PubliFolha.
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Ed Lincoln

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Ed Lincoln (Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia), instrumentista, compositor e arranjador, nasceu em Fortaleza (CE), em 31/5/1932. Em 1951, mudou-se para o Rio de Janeiro, iniciando a carreira artística como contrabaixista e depois passando para o piano e o orgão elétrico. Atuou na boate Plaza tocando baixo e piano ao lado de Luiz Eça e Johnny Alf, fazendo parte também do conjunto de Dick Farney.

Em 1955 formou seu próprio conjunto. No mesmo ano, gravou seu primeiro disco interpretando Amanhã eu vou, de Nilo Sérgio e Nunca mais, de sua autoria e Sílvio César. Entre 1955 e 1958, atuou na boate Drink, no Rio de Janeiro no conjunto de danças dirigido por Djalma Ferreira. Ainda no final dos anos 1950, acompanhou gravações do iniciantes Claudete Soares e Baden Powell.

Em 1961 gravou os LPs Ao teu ouvido e Ed Lincoln boate, que incluiu Saudade fez um samba, de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli. Nessa época, exerceu a função de diretor musical da gravadora Musidisc. Durante os anos 1960 foi um dos mais requisitados animadores de bailes. Ficaram famosas as apresentações da Domingueira dançante no Clube Monte Líbano.

Em 1963, lançou o LP Ed Lincoln - Seu piano e seu órgão espetacular, que tinha como destaques as músicas Só danço samba, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes; Influência do jazz, de Carlos Lyra; Vamos balançao, de Carlos Imperial, Balansamba, de Luiz Bandeira; Um samba gostoso, de sua autoria; Pra que?, de Silvio César; Tristeza, de sua autoria e Luiz Bandeira e Olhou pra mim, de sua parceria com Silvio César. No mesmo ano, sefreu um grave acidente de carro que o manteve afastado das atividades artísticas por sete meses, período no qual foi substituído nos bailes por Eumir deodato. No ano seguinte, lançou o LP A volta.

Em suas orquestras atuaram como crooners os cantores Orlandivo, Toni Tornado, Silvio César, Emílio Santiago, Humberto Garin e Pedrinho Rodrigues. Também atuaram em seus conjuntos diversos músicos consagrados, entre os quais Durval Ferreira, Marcio Montarroyos, Luis Alves, Wilson das Neves, Paulinho Trompete e Celinho.

Em 1965, gravou o LP Órgão espetacular, com destasque para Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, Locomotion, de Joe Coco; Mulher de 30, de Luís Antônio; Teléco-teco nº 2, de Oldemar Magalhães e Nelsinho; O amor e a rosa, de Pernambuco e Antônio Maria e Vivendo e aprendendo, de sua autoria e Silvio César.

No ano seguinte lançou novo LP, que trazia entre outras É o Cid e Se eu tiver, de sua parceria com Silvio César, O ganso e O amor que eu guardei, de sua parceria com Orlandivo e Querida e Eu não vou mais, de Orlandivo e Durval Ferreira.

Em 1967, gravou O bêbado, Eu quero ir e Eu vou embora, de Orlandivo e Durval Ferreira; As gaivotas, de sua autoria e Se você quiser, de Orlandivo; Em 1968, fez os arranjos para o sucesso Anjo azul, gravado pela cantora Adriana. No mesmo ano, lançou um de seus LPs de maior prestígio e que trazia entre outros sucesso Zum, zum, zum, de Silva e Adamastot, Waldemar, de Orlandivo e Deval e Choro do bebê, de De Savoya, sendo considerado por muitos historiadores o primeiro LP independente brasileiro.

Em 1971, teve um de seus LPs, que trazia entre outras O bêbado, de Orlandivo e Durval Ferreira, Saci Pererê, de Mendes e Terra" e As gaivotas, de sua autoria, relançado pela gravadora CID. Por essa época, começou a se afastar os bailes e passou a atuar como músico de estúdio gravando gingles e trilhas sonoras além de lançar discos com coletâneas dançantes de sucessos nacionais e internacionais assinados com os mais diferentes pseudônimos, como: Glória Benson, Orquestra Los Angeles e Orquestra Romance Tropical. Foi um dos primeiros músicos brasileiros a se dedicar à música eletrônica e a fazer experiências com música através de computador.

Em 1988, gravou em um microcomputador Commodore 64 o LP Toque novo, lançado no ano seguinte. Em 1989, lançou pelo selo Elenco/PolyGram o LP Novo toque, com a regravação de antigos sucessos entre os quais Ai, que saudade dessa nega, de sua autoria.

Em 2000, fez participação especial na faixa Conversa mole, no CD do cantor Ed Mota. Por essa época, muitas de suas músicas, como Cochise e Se você quiser, passaram a ser presença frequente nas pistas de dança da Inglaterra, dando ensejo a uma onda de pirataria de seus discos fora de catálogo. Nessa mesma época teve a música É o Cid, parceria com Silvio César, regravada pela equipe de bailes Furacão 2000, considerada como o novo "Rei dos bailes" dos subúrbios do Rio de Janeiro.

Em 2001, teve a música Jogaram o caxangá relançada na coletânea Samba soul 70 - Rare groove party, do selo belga Ziriguiboom. Em 2002, o selo inglês Whatmusic.com relançou em Cd o LP que trazia entre outras Zum zum zum, Waldemar e O choro do bebê. Em 2003, apresentou-se com seu conjunto no projeto Sambalanço - A bossa que correu o mundo concebido pelo músico Henrique Cazes e apresentado no Centro Cultural Primeiro de Março. No mesmo ano, apresentou no Centro Cultural Banco do Brasil o show Saudade fez um samba, depois de 30 anos longe dos palcos.

Cerca de dois anos depois, teve problemas de saúde e teve que se afastar da carreira artística morando na cidade de Petrópolis. Em 2007, retomou as atividades gravando em órgão Hammond o samba "Sem compromisso", de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro para ser incluído no novo CD de Marcelinho da Lua.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Antônio Rago

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Antonio Rago e Regional

Antônio Rago, instrumentista e compositor, nasceu em São Paulo SP em 2/7/1916. Filho de imigrantes italianos, desde criança interessava-se por música e costumava ouvir o sapateiro Rafael Fezza, famoso violonista do bairro do Bexiga. Aos 14 anos já acompanhava ao violão as canções populares da época. Aos 17 anos, iniciou estudos de música clássica com o professor Melo.

Em 1936, como integrante do conjunto Regional do Armandinho, começou a atuar na Rádio Record. Com Armandinho e Zezinho (mais tarde chamado Zé Carioca) formava o trio de violões desse conjunto, que fez sucesso durante algum tempo. Depois, foi convidado a se apresentar na Rádio Belgrano, em Buenos Aires, Argentina, com o cantor Arnaldo Pescuma. A excursão estendeu-se até o Uruguai, com sucesso.

Em 1937, de volta ao Brasil, passou a trabalhar na Rádio Tupi, de São Paulo, com Zezinho e seu Conjunto. Nesse ano, tornou-se acompanhador de Francisco Alves, com quem se apresentou até 1940. Em 1938, compôs a primeira música, a valsa Velhos tempos, gravada por ele em 1940, na Columbia, em solo de violão. No ano seguinte, algumas de suas composições foram incluídas na peça Nós temos balangandãs, de Costa Lima.

Em 1942, tornou- se diretor do regional da Rádio Tupi. Em 1946, o desenho animado Cozinhando um samba, de Jaime Moniz, teve música sua e participação de seu regional e do cantor Caco Velho. Em 1947 Rego e seu Regional gravaram na Continental o bolero Jamais te esquecerei (com Juraci Rago), que foi incluído em 1949 no filme Quase no céu, dirigido por Oduvaldo Viana.

Em 1950 o Regional do Rago recebeu o troféu Roquete Pinto, como o melhor conjunto regional do ano. Nessa época, o grupo era formado por ele (violão solo), Orlando Silveira (acordeom), Siles (clarineta), Petit e Carlinhos (violões), Esmeraldino (cavaquinho), Correia (contrabaixo) e Zequinha (pandeiro).

Participou da televisão brasileira desde a sua inauguração, na TV Tupi, com programa próprio, e também como acompanhante de cantores como Isaura Garcia, Linda Batista, Sílvio Caldas, além de atuar em vários programas de rádio, como A Brigadada Alegria, na Rádio Tupi, de São Paulo.

Em 1952 acompanhou Francisco Alves em sua última apresentação, num programa da Rádio Nacional, de São Paulo, cuja gravação fez parte do LP A voz do rei, lançado em 1975, pela Odeon. Ainda nesse ano, passou a atuar na TV Paulista e na Rádio Nacional, no programa Ronda dos Bairros, além de ter gravado, com seu conjunto, o primeiro LP, na Continental, Jamais te esquecerei, com músicas de sua autoria, como o baião-toada Folhinha, os choros Mentiroso e Mambo na Glória, os boleros Jamais te esquecerei e Em tuas mãos (com Ribeiro Filho), a batucada-choro O Barão na dança (com Mário Vieira) e o baião-fado Festa portuguesa (com Mário Vieira). Gravou mais três LPs na Continental, um na Odeon e dois na Chantecler.

Entre seus parceiros mais constantes além de Ribeiro Filho, destacam-se Teixeira Filho com quem fez Sozinha, e João Pacífico, com quem compôs Não foi adeus, Não convém e Custá pra arranjá, entre outras.

Em 1962, como solista, gravou na Continental o LP Recital de violão, que incluía algumas de suas obras eruditas, como Flor triana e Sonatina em lá menor. Por volta de 1964, o regional se desfez, e ele passou a produzir programas de rádio em Santos, Campinas e outras cidades do Estado de São Paulo, a ensinar violão e a gravar discos solos, como os LPs Especialmente para você (Chantecler, 1974), Rago (Continental, 1978) e Solos de violão (3M, 1986).

CD: Violões, 1992, Projeto Memória Brasileira 110039.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.
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Armandinho

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Armandinho (Armando Neves), instrumentista e compositor, nasceu em Campinas-SP (28/11/1902) e faleceu em São Paulo-SP (12/10/1976). Freqüentava na infância a casa do professor de violino Antônio Paula de Sousa, e já tocava violão, de ouvido, pois nunca aprendeu a ler e escrever uma nota musical. Quem transcrevia suas composições para o papel era o seu professor.
Foi jogador de futebol até 1919, depois boiadeiro pelo interior de São Paulo. Aos 21 anos transferiu-se para São Paulo, estudando violão com os irmãos José e Joaquim Matoso e em 1926 com Larosa Sobrinho, com quem ingressou na Rádio educadora Paulista (hoje Gazeta), organizando o primeiro Conjunto Regional de São Paulo. No final do ano seguinte, entrou para o conjunto Os Turunas Paulistas, de Canhoto, considerado o melhor violonista da época.
Com a morte de Canhoto, em 1928, ingressou na então inaugurada Rádio Record, organizando o primeiro regional dessa emissora, do qual seria chefe durante 30 anos. Em 1930 tocou para o violonista paraguaio Agustín Barrios e, nesse mesmo ano, gravou dois discos para a Parlophon, com Larosa Sobrinho.
Especializado em acompanhamento ao violão, fez somente uma gravação de solo, num disco 78 rpm, de propriedade particular, com o selo Decelith, em 1938. Funcionário público da Secretaria de Estado e Saúde Pública aposentou-se em 1955.
Suas composições foram gravadas por Garoto, José Menezes, Aimoré, Antônio Rago e Geraldo Ribeiro, entre outros. Seu choro Mafuá foi gravado por José Meneses na Sinter, em 1957. Essa mesma música foi gravada por Aimoré em janeiro de 1966. Em abril de 1966, Antônio Rago gravou Maxixe. Em 1970, Geraldo Ribeiro incluiu algumas músicas suas no LP Geraldo Ribeiro, na Fermata.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.
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Aymoré

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Aymoré (José Alves da Silva), instrumentista e compositor, nasceu em Redenção da Serra-SP (24/6/1908) e faleceu em São Caetano-SP (5/6/1979). Começou tocando machete (cavaquinho) e depois aprendeu a tocar viola, com o pai, e violão prático, pelo método Paraguaçu.
Em 1925 estudou música com Tango (Sebastião Patrício), pistonista da banda de Poços de Caldas MG e Franca SP, e dois anos depois estreou no Teatro São Paulo, de São Paulo, com o nome de Zezinho, ao lado de Jararaca e Ratinho, Canhoto e Paraguassu.
Em 1928 passou a integrar o conjunto Chorões Sertanejos, de Raul Torres, e no ano seguinte gravou pela primeira vez, na Parlophon, um 78 rpm, com Jacaré está no caminho (Raul Torres) e Apanhei-te cavaquinho (Ernesto Nazareth).
Em 1930 conheceu Aníbal Augusto Sardinha, o Moleque do Banjo (mais tarde Garoto), com quem formou uma dupla que se apresentava em rádios e festas em casas de família. Em 1933 passou a integrar o Regional de Armandinho, na Rádio Record, de São Paulo, onde tocavam Vicente de Lima (flauta), Armandinho (violão), Pinheirinho (cavaquinho) e Pingo (pandeiro). Nessa época, adotou o pseudônimo de Aymoré.
Em 1934 foi contratado pela Rádio Cosmos (hoje América), de São Paulo, participando de seu conjunto regional, sob direção de Petit (Hudson Gaia). Ainda nesse ano compôs com Garoto a música Quinze de Julho. No ano seguinte organizou com Petit e Garoto um trio, que se apresentou no salão nobre do Edifício Martinelli.
Ainda em 1935 participou do filme Fazendo fita, de Vittorio Capellaro, com o conjunto regional da Rádio Cosmos. Com o fechamento da emissora, a dupla Aimoré e Garoto foi para a Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro RJ, por indicação de Sílvio Caldas. No Hora do Brasil, realizou programas em dupla com Laurindo de Almeida, pois Garoto adoecera.
Em 1942 formou o regional da Rádio Difusora, de São Paulo, com Miranda (cavaquinho), Antoninho (clarineta), Ernesto (violão) e Petit (violão). Em fins do mesmo ano, atuou na Rádio Cruzeiro do Sul (depois Piratininga), de São Paulo, onde organizou outro conjunto. Apresentou-se também em programa seu, solando ao violão, tendo mais tarde dirigido o regional da Rádio América.
A partir de 1950, durante 11 anos, trabalhou como arquivista da orquestra do Teatro Municipal, de São Paulo, e participou de seus programas de ópera. Acompanhou Vanja Orico na trilha sonora do filme O cangaceiro, de Vítor Lima Barreto, sob a direção do maestro Gabriel Migliori, em 1953. Cinco anos depois, trabalhou com Camargo Guarnieri na trilha do filme Rebelião em Vila Rica, direção de Geraldo e Renato dos Santos Pereira.
Participou em 1974 da gravação do LP de Poli Músicos maravilhosos, pela Chantecler, em que foi homenageado juntamente com Garoto, acompanhando o choro Quinze de Julho, primeira gravação sua com Garoto (1936).
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Canhoto da Paraíba

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Não são poucos os violonistas canhotos no Brasil. Alguns deles, com status de estrelas de primeiríssima grandeza (como o paulista Américo Giacomino, o Canhoto, o maior nome do instrumento no início do século), deram importantes contribuições para a fixação do violão como o mais brasileiro dos nossos instrumentos populares. Mas todos eles necessitavam inverter as cordas para aprender; primas para cima, bordões para baixo, de maneira que somente canhotos pudessem dedilhar o instrumento. Todos, menos um.

No alto sertão paraibano, na lendária cidade de Princesa Isabel (onde "pau-pereira já roncou", como cantava Luiz Gonzaga), entre nove irmãos, nasceu Francisco Soares de Araújo, em 19 de maio de 1928. O avô era clarinetista da banda, o pai tocava violão, os irmãos distribuíam-se entre vários instrumentos e logo o Chico começou a tocar todos eles, por conta própria. Tanto assim que, já adolescente, tomou puxão de orelha de "seu" vigário, que tolerava a maneira suingada como seu pequeno sacristão tocava os sinos, mas não perdoou quando o flagrou rasgando o frevo Vassourinhas, no... órgão da igreja.

Mas Chico gostava mesmo era de violão. O problema é que para ensiná-lo "só mesmo na frente do espelho", como dizia seu pai, quando desanimou da tarefa. Canhoto irreversível, tratou de aprender sozinho. Como o instrumento era usado pela família toda, não podia inverter as cordas, o negócio era simplesmente virá-lo ao contrario, de cabeça para baixo e...tocar.

Tocar magistralmente, a ponto de em pouco tempo a confraria dos gênios musicais brasileiros saber dele. Pixinguinha, Luperce Miranda, Tia Amélia, Severino Araújo, Dilermando Reis já sabiam que pelo Nordeste - agora já adulto, tocando no Regional da Rádio Jornal do Comercio do Recife, depois de estágio nas mesmas funções na Rádio Tabajara, de João Pessoa - existia um violonista fora de série, à altura dos melhores do país.

Em 1959, visita o Rio de Janeiro e em um sarau na famosa casa de Jacob do Bandolim, em Jacarepaguá, torna-se amigo de todos os seus ídolos, principalmente do jovem Paulinho da Viola, que o homenageia com o choro Abraçando o Chico Soares. Nunca quis fazer carreira no Sul, mesmo tendo gravado um LP (produzido por Paulinho), preferindo continuar sua vida de "chorão" ao lado dos amigos no Recife.

Tão bom compositor quanto intérprete, Canhoto da Paraíba - nome com que se inscreveu definitivamente na história do violão brasileiro - realizou algumas incursões por São Paulo e Rio de Janeiro, exibindo um talento que sempre deixou um gosto de "quero mais" nos que tiveram contato com ele.

Arley Pereira
ENSAIO - 12/4/1994
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Rildo Hora

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Rildo Hora (Rildo Alexandre Barreto da Hora), instrumentista, compositor e cantor, nasceu em Caruaru PE em 20/4/1 939. Começou a tocar gaita-de-boca aos seis anos, quando foi morar no subúrbio carioca de Madureira.
Autodidata, desenvolveu sua técnica tocando chorinhos, frevos e outras músicas populares que ouvia no rádio. Aos 12 anos venceu concurso das Gaitas Hering, na Rádio Mauá, do Rio de Janeiro, e foi convidado pelo apresentador do programa, Fred Williams (também gaitista), a integrar a equipe da emissora.
Convidado por Moleque Saci (Caué Filho), participou de shows circenses, acompanhando cantores ao cavaquinho — que também tocava desde os 14 anos — e, como solista, tocando gaita. Tomou parte também do programa Festival de Gaitas, na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro.
Em 1958 formou com Sérgio Leite e Luís Guimarães o trio Malabaristas da Gaita, aproveitando a grande aceitação do instrumento nos programas radiofônicos. No ano seguinte, fez sua primeira composição, com Gracindo Júnior, Brigamos com o amor, gravada por Carminha Mascarenhas. Na época da bossa nova, passou também a tocar violão e a cantar.
Em 1961 — época em que trabalhava na boate carioca Cangaceiro —, compôs com Clóvis Melo Canção que nasceu do amor, lançada por Cauby Peixoto, regravada mais tarde por Elisete Cardoso. No ano seguinte, Alaíde Costa gravou, dele e Gracindo Júnior, Como eu gosto de você, arranjo de César Camargo Mariano.
Acompanhou Elisete Cardoso como violonista em shows por todo o Brasil, de 1965 a 1967. No ano seguinte, quando era cantor e professor de violão, iniciou carreira de produtor de discos, aceitando o convite de Geraldo Santos para trabalhar na RCA; sua primeira produção foi o LP Música nossa, seguida dos discos de Antônio Carlos e Jocafi, João Bosco, Martinho da Vila e Maria Creuza.
Estudou então harmonia, contraponto e composição na Pró-Arte, com o maestro Guerra-Peixe. Compôs com Sérgio Cabral Janelas azuis, gravada em 1973 por Maria Creuza. Em 1987 executou na Sala Cecília Meireles, Rio de Janeiro, o Concerto para harmônica e orquestra, de Villa-Lobos, sob regência do maestro Davi Machado.
Em 1988 interpretou Suíte quatro cordas, de Guerra-Peixe, obra escrita e orquestrada especialmente para ele. Em 1992 lançou o CD Espraiado, pela gravadora Caju, que, distribuído nos EUA pela etiqueta Milestone, em 1994, foi considerado um dos dez melhores discos de jazz latino do ano.
Além de ter mais de 200 composições gravadas, é arranjador e produtor de discos de artistas como Martinho da Vila (de quem é produtor desde 1970), Beth Carvalho, Leni Andrade e Elis Regina, tendo recebido vários prêmios. Também participou como instrumentista de discos de inúmeros artistas. Já se apresentou nos E.U.A., Argentina, Angola, Moçambique e países europeus.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha
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Paulinho da Viola

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Paulinho da Viola

Paulinho da Viola (Paulo Cesar Batista de Faria), compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro em 12/11/1942. Seu pai, o violonista César Faria, que fez parte do conjunto Época de Ouro, sempre trazia para tocar em sua casa os grandes chorões da época, como Pixinguinha e Jacó do Bandolim, mas não desejava que seu filho fosse músico.
Este, no entanto, convenceu-o a dar-lhe um violão, instrumento que começou a aprender sozinho e, depois, com Zé Maria, amigo da família. Residindo no bairro de Botafogo, todos os fins de semana ia visitar sua tia em Jacarepaguá, onde tinha mais liberdade para sair à noite e ouvir mÚsica. Por essa época, chegou a organizar um bloco carnavalesco, Foliões da Anália Franco, que mais tarde se transformou em conjunto, e no qual tocava violão.
A primeira escola de samba que freqüentou foi a União de Jacarepaguá, onde conheceu sambistas como Jorge Mexeu e Catoni. Compôs seu primeiro samba, Pode ser ilusão, em 1962, quando já pertencia à ala dos compositores da escola e tocava cavaquinho. No ano seguinte, foi convidado a mudar de escola por seu primo Oscar Bigode, diretor de bateria do G.R.E.S. da Portela, que o levou para conhecer os membros da ala dos compositores. Na ocasião, mostrou a primeira parte de um samba que estava fazendo, e Casquinha, um dos grandes compositores da Portela, gostou, completando Recado.
Passou então para a Portela, escola que defendeu com seus sambas, preocupando- se também em conservar-se o mais fiel possivel à sua raiz popular. Nesse penedo, estudava contabilidade e trabalhava numa agência bancária, onde um dia reconheceu o poeta Herminio Belo de Carvalho, que freqüentava as rodas de choro; este se tornou grande incentivador de sua carreira, nascendo dai nova parceria.
Ainda em 1963, o poeta apresentou-o a Cartola, compositor da Mangueira, ídolo que influenciou sua obra no inicio da carreira. Cartola e sua mulher, Zica, tinham um restaurante (Zicartola) onde se apresentavam diversos sambistas. Ai, passou a acompanhar, no violão ou cavaquinho, compositores e cantores, apresentando-se tambem cantando música de outros autores. Depois de fazer um show com o compositor Zé Kéti, foi por ele incentivado a cantar suas próprias músicas no Zicartola. Um ano depois, decidiu abandonar o emprego de bancário e dedicar-se definitivamente à música.
Em 1965, já com o nome de Paulinho da Viola, que lhe fora dado por Sérgio Cabral e Zé Kéti, participou com mais quatro sambistas (Elton Medeiros, Nelson Sargento, Nescarzinho do Salgueiro e Jair do Cavaquinho) do musical, montado por Hermínio Belo de Carvalho, Rosa de ouro. O musical foi montado inicialmente no Teatro Jovem, do Rio de Janeiro, indo depois para São Paulo SP e Salvador BA, representando grande passo em sua carreira, com a gravação, naquele mesmo ano, pela Odeon, do LP Rosa de ouro, volume 1.
Também em 1965, seu nome apareceu em mais dois LPs, Roda de samba, volumes I e II, da Musidisc: a pedido dessa gravadora, Zé Kéti organizara o conjunto A Voz do Morro, com sambistas do Rosa de Ouro, acrescido dele próprio, de Oscar Bigode e Zé Cruz, que fazia ritmo num chapéu de palha. No primeiro disco — do qual não participou Nelson Sargento — apareciam três sambas seus, Coração vulgar, Conversa de malandro e Jurar com lágrimas. No segundo LP, que incluiu Nelson Sargento, aparecem outros dois sambas seus: Recado e Responsabilidade. Por essa época, ja era conhecido também como cantor.
Em 1966, seu samba-enredo Memórias de um sargento de milícias venceu pela Portela; no mesmo ano, gravou o terceiro LP com o conjunto A Voz do Morro e também gravou com Elton Medeiros o LP Na madrugada, que incluia seus sambas Arvoredo, Catorze anos, Momento de fraqueza, Minhas madrugadas (com Candeia) e Jurar com lágrimas, ambos pela RGE. Mudou-se nessa epoca para o Solar da Fossa, onde moravam vários compositores em inicio de carreira. Aí, conviveu com o grupo baiano Gilberto Gil, Caetano Veloso, Capinam, entre outros —, conhecendo o trabalho que desenvolviam. Nesse mesmo ano, participou do II FMPB, da TV Record, de São Paulo, quando sua composição (com Capinam) Canção para Maria, interpretada por Jair Rodrigues, obteve o terceiro lugar.
Ainda em 1966, com seu amigo e parceiro Elton Medeiros, acompanhou Clementina de Jesus no Festival de Arte Negra em Dacar, Senegal. Em 1967 foi lançado o LP Rosa de ouro, volume II, pela Odeon. No ano seguinte, seu samba Coisas do mundo, minha nega foi classificado em sexto lugar na I Bienal do Samba (Teatro Paramount, São Paulo), defendido por ele próprio.
Em 1968 gravou na Odeon seu primeiro LP individual, Paulinho da Viola. No mesmo ano, compôs com Herminio Belo de Carvalho o samba Sei lá, Mangueira, que foi inscrito no IV FMPB e, defendido por Elza Soares, classificou-se entre os finalistas, acabando por criar um problema com a Portela, pois o tema era a Mangueira. No ano seguinte, no V FMPB, obteve o primeiro lugar com Sinal fechado, composição que revela outra face de sua obra, musicalmente mais elaborada e resultante de pesquisas a que também se dedicava.
Em 1970 obteve grande sucesso no Carnaval, com sua homenagem à Portela, Foi um rio que passou em minha vida, que fez parte do LP do mesmo nome lançado naquele ano pela Odeon. Ainda em 1970, produziu um LP pela RGE Portela, passado de glória, em que foram reunidos os velhos compositores da escola, entre eles seu pai tocando violão.
Em 1971 lançou mais um LP pela Odeon, no qual presta homenagem a Nelson Cavaquinho com o samba Sol e pedra. Relembrou-o ainda na II Bienal do Samba, quando tocou beliscando as cordas, como fazia Nelson Cavaquinho. Em 1972 lançou outro LP pela Odeon, Dança da solidão, e, em novembro, apresentou-se na então R.F.A. e na Áustria, com Maria Betânia, Terra Trio, Sebastião Tapajós, iorge Arena e Pedro Sorongo.
Um ano depois fez um show com Sérgio Cabral, o Sarau, no Teatro da Lagoa, Rio de Janeiro, em que se apresentou com o conjunto Época de Ouro, concretizando velha idéia sua de reafirmar o choro na música popular brasileira. Ainda em 1973, foi lançado seu LP Nervos de aço pela Odeon, em que aparecem Choro negro (com Fernando Costa) e Comprimido, entre outros, confirmando a versatilidade de sua obra.
Durante o ano de 1974, dedicou- se a apresentações em todo o pais e, no ano seguinte, com Outros compositores e críticos, participou da fundação do Clube do Choro, no Rio de Janeiro. Ainda em 1975, lançou Outro LP, o Amor a natureza, pela Odeon. No ano seguinte, lançou o álbum duplo Memórias 1: cantando e Memórias 2: chorando (EMI). Em 1977 lançou o LP Paulinho da Viola e, no ano seguinte, outro LP com mesmo titulo, em que apresenta Coração leviano, Sentimento perdido e Sofrer, entre outras.
Em 1979 lançou Zumbido (EMI), no qual voltou a gravar composições de Wilson Batista, como Chico Brito. Lançou em 1981 mais um LP com o título de Paulinho da Viola (WEA). Em 1982 lançou o LP A toda hora rola uma estória (EMI). O CD Eu canto samba (RCA) saiu em 1989 e, nele, além da música-título, destacam-se O tímido e a manequim e Quando bate uma saudade.
Em 1994 abriu o Heineken Concerts, no Palace, São Paulo, com Canhoto da Paraíba, Gilberto Gil e a Velha Guarda da Portela. No mesmo ano, Mansa Monte regravou Dança da solidão, no CD Cor-de-rosa e carvão. Em 1995, a Musidisc relançou em CD seu primeiro LP, Roda de samba. Na mesma ocasião, a EMI relançou em CD Paulinho da Viola (de 1975) e, pela Série 2 em 1, Memórias 1: cantando e Memórias 2: chorando (de 1976), Nervos de aço (de 1973) e Paulinho da Viola (de 1978).
Em 1996, a EMI reeditou em CD 11 LPs esgotados, lançados pela Odeon. No inicio do ano, participou de um show de fim de ano na praia de Copacabana, ao lado de Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa e Milton Nascimento, seguindo-se grande polêmica por ter ele recebido um cachê três vezes menor do que os outros artistas. Ainda em 1996, após oito anos sem gravar, lançou pela BMG o CD Bebadosamba. O CD, que lhe rendeu seu primeiro disco de ouro pelas 100 mil cópias vendidas, também deu origem a um show homônimo, eleito como um dos melhores do ano.
Ainda em 1996, lançou o CD duplo Bebadachama, gravado ao vivo durante apresentação ao lado de seu pai, em um show no Tom Brasil, em São Paulo, premiado como o melhor do ano pela APCA. Em maio de 1997, a RGE relançou em CD dois de seus primeiros discos: Na madrugada (com Elton Medeiros) e A voz do morro.
Obra
Abraçando Chico Soares, samba, 1971; Abre os teus olhos, 1976; O acaso não tem pressa, samba, 1971; Alô, alô, samba, 1966; Ame (c/Elton Medeiros), 1996; Amor à natureza, samba, 1975; Amor é assim, 1979; Amor é de lei (c/Sérgio Natureza), 1979; Ansiedade, samba, 1968; Aquela felicidade, 1979; Argumento, samba, 1975; Arvoredo, samba, 1966; Bebadosamba, 1996; Beliscando, 1976; Brancas e pretas (c/Sérgio Natureza), 1982; Canção para Maria (c/Capinam), samba-canção, 1966; Cantando, 1976; Cantoria (c/Hermínio Belo de Carvalho), 1989; O Carnaval acabou, 1976; Um caso perdido, 1989; Catorze anos, samba, 1966; Um certo dia para 21, samba, 1971; Choro de memórias, 1976; Choro negro (c/Fernando Costa), choro, 1973; Chuva, samba, 1974; Cidade submersa, samba, 1973; Coisas do mundo, minha nega, samba, 1969; Comprimido, samba, 1973; Conversa de malandro, samba, 1965; Coração da gente, 1981; Coração imprudente (c/Capinam), samba, 1971; Coração leviano, 1978; Coração vulgar, samba, 1965; Crotalus terrificus (c/Arrigo Barnabé), 1983; Da vida eu não sei, samba, 1966; Dama de “espadas”, 1996; Dança da solidão, samba, 1972; Depois de tanto amor, samba, 1966; Deixa pra lá, 1979; Dívidas (c/Elton Medeiros), 1976; Dona Santina e seu Antenor, samba, 1971; É difícil viver assim, 1996; Ela vem com as cartas marcadas e diz, 1996; Encontro, 1968; Essa nega pede mais, samba, 1973; Estamos noutra (c/Elton Medeiros), 1989; Estou marcado, samba, 1970; Eu canto samba, 1989; Feito passarinho (c/Salgado Maranhão), 1981; Flor esquecida, 1981; Foi demais (c/Mauro Duarte), 1979; Foi um rio que passou em minha vida, samba, 1970; Fulaninha, 1989; A gente esquece, samba, 1968, Guardei minha viola, samba, 1972; Inesquecível, 1976; Ironia, samba, 1972; Jurar com lágrimas, samba, 1965; Ladeira do chapelão, 1981; Lua, 1981; Mar grande (c/Sérgio Natureza), 1996; Maré mansa (c/Martinho da Vila), samba, 1974; Mariana, samba, 1975; Memórias conjugais, 1996; Memórias de um sargento de milícias, samba-enredo, 1966; Mensagem de adeus, samba, 1975; Mesmo sem alegria, samba, 1970; Meu novo sapato, 1976; Meu violão, 1982; Minhas madrugadas (c/Candeia), samba, 1966; Moema morenou (c/Elton Medeiros), samba, 1971; Momento de fraqueza, samba, 1966; Muito pessoal, samba, 1966; Na linha do mar, samba, 1973; Nada de novo, samba, 1969; Nada se perdeu, samba, 1975; Não é assim, 1982; Não leve a mal, samba, 1973; Não posso negar, 1979; Não quero vingança, 1981; Não quero você assim, samba, 1970; Nas ondas da noite, samba, 1971; No Carnaval da paixão, 1989; No pagode do Vavá, samba, 1972; Nossa alegria (c/Elton Medeiros), samba, 1974; Num samba curto, samba, 1971; Nuvem Mariana das ruas, samba, 1975; Olhar indiferente, samba, 1966; Onde a dor não tem razão (c/Elton Medeiros), 1981; Oração de Outono, 1976; Orgulho (c/Capinam), samba, 1972; Papo furado, samba, 1970; Para jogar no oceano, 1981; Para não contrariar você, samba, 1970; Para um amor no Recife, samba, 1971; Para ver as meninas, samba, 1971; Perder e ganhar, samba, 1971; Perdoa, 1976; Pintou um bode, 1989; Pode guardar as panelas, 1979; Pra fugir da saudade (c/Elton Medeiros), 1982; Pra que obedecer, samba, 1970; O pranto deste mundo (c/Herminio Belo de Carvalho), samba, 1972; Pressentimento, samba, 1970; Quando bate uma saudade, 1989; Quando o samba chama, 1996; Quem sabe um dia?, samba-canção, 1965; Recado (c/Casquinha), samba, 1965; Reclamação (c/Mauro Duarte), samba, 1971; Recomeçar (dElton Medeiros), 1979; Responsabilidade, samba, 1965, Reverso da paixão, 1996; Roendo unhas, samba, 1973; Romanceando, 1976; Rosa de ouro (c/Elton Medeiros e Herminio Belo de Carvalho), samba, 1965; Rosinha, essa menina, 1976; Ruas que sonhei, samba, 1970; Rumo dos ventos, 1982; Samba do amor (c/Herminio Belo de Carvalho e Elton Medeiros), 1968; Sei lá, Mangueira (c/Hermínio Belo de Carvalho), samba, 1968; Sem ela eu não vou, samba, 1968; Sentimento perdido, 1978; Simplesmente Maria, samba, 1970; Sinal fechado, samba, 1969; Sinhá não disse, samba, 1966; Só o tempo, 1982; Sofrer, 1978; Sol e pedra, samba, 1971; Solução de vida (Molejo dialético) (c/Ferreira Gullar), 1996; Tempo de decisão, samba, 1967; O tímido e a manequim, 1989; Timoneiro (c/Hermínio Belo de Carvalho), 1996; Tudo se transformou, 1980; Último lance (c/Sérgio Natureza), 1981; Vela no breu (c/Sérgio Natureza), 1976; O velório do Heitor, 1976; Vida (c/Elton Medeiros), samba, 1974; Vinhos finos.., cristais (c/Capinam), samba, 1971; Viver sem amor (c/Capinan), 1981; Zumbido, 1979.
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Moacir Santos

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Moacir Santos Opus3_No1

Moacir Santos (Moacir José dos Santos), regente, arranjador, instrumentista, professor e compositor, nasceu em Vila Bela, Pernambuco, em 8/4/1924. Criado em Flores do Pajeú (PE), recebeu as primeiras noções de teoria musical do Mestre Paixão, iniciando carreira como instrumentista da banda local.

Em 1940 deixou a cidade e passou a acompanhar um circo pela região. Em seguida, passou pelas cidades de Recife (PE), Fortaleza (CE) e João Pessoa (PB), onde ingressou na Força Pública da Paraíba. Pouco depois, abandonou a carreira militar e passou a trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco.

Em 1948 foi para o Rio de Janeiro, onde começou a tocar no clube Brasil Danças. Logo entrou para a orquestra da Rádio Nacional, na qual permaneceu por 18 anos, primeiro como saxofonista e depois como maestro e arranjador. Nesse período, estudou teoria musical com o maestro Guerra-Peixe e com o professor Hans Joachim Koellreutter de quem se tornou assistente.

Na década de 1950, firmou-se como um dos principais arranjadores do Brasil. Foi professor de Paulo Moura, Baden Powell, Nara Leão, Eumir Deodato, Dom Um, Airto Moreira, entre outros.

Em 1963 realizou os arranjos do disco Vinícius de Moraes e Odete Lara. Em 1965 lançou seu primeiro disco no Brasil: Coisas.

No final dos anos de 1960, pela trilha do filme Amor no Pacífico, recebeu do Itamaraty uma passagem para os EUA Fixou residência em Pasadena, onde deu aulas e tocou até ser descoberto pelo pianista Horace Silver, quando então passou a gravar para o mercado norte-americano: The Maestro (1971), Saudade (1973) e Carnaval dos espíritos (1975), todos pela etiqueta Blue Note, além de Opus 12 nr.1, pela Discovery.

Em 1985 esteve no Brasil e, com Radamés Gnattali, foi homenageado no Free Jazz Festival. Em 1992 esteve novamente no Brasil, participando do projeto Memória Brasileira, Série Arranjadores, lançado em CD.

Entre suas principais composições destacam-se Nanã (com Mário Teles), Coisas (nr.1 a 12), e, em parceria com Vinícius de Moraes, Menino travesso, Triste de quem, Lembre-se e Se você disser que sim.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
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Carramona

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Albertino Ignácio Pimentel, instrumentista, regente e compositor (Rio de Janeiro RJ 12/4/1874 – id. 6/8/1929), foi o primeiro mestre militar da Banda de Música do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, substituiu o maestro Agostinho Luiz de Gouvêa. Amigo particular de Anacleto de Medeiros e de Agostinho Pereira, fazia parte de orquestras e bandas civis do Rio de Janeiro.

Naquele tempo o chamavam de Carramona, alguns pesquisadores dizem que era apelido, hoje, esclarecemos que seu nome verdadeiro era Albertino Pimentel Carramona, e quando já estava no Corpo de Bombeiros, no boletim de 20 de novembro de 1903, pela ordem do dia Nº 116, foi mandando retificar em seus assentamentos, o nome de Albertino Pimentel Carramona, para Albertino Ignácio Pimentel.

Segundo o livro de Ary Vasconcelos, Albertino foi aprendiz dos Meninos Desvalidos de Vila Isabel, onde naturalmente aprendeu a tocar seu instrumento, que o faria mais tarde um dos maiores trompetistas e compositores do Rio de Janeiro.

Foi protegido pela Princesa Isabel, pois estando a Banda dos Meninos Desvalidos tocando um dia no Palácio Guanabara, a princesa ficou encantada pelo solo de trompete, mandado vir a sua presença, notou que ele tinha uma das vistas vazadas, que muito sentiu, e ordenou que fosse apresentado a um oculista que colocou uma prótese tão perfeita, que não se notava o defeito.

Na Banda do Corpo de Bombeiros, como dito anteriormente, realizou sua grande obra. No meio civil, em sua época, foi um grande compositor, com várias músicas gravadas, muitas destas composições com letras de Catulo da Paixão Cearense.

Faleceu no posto de segundo-tenente reformado da Banda do Corpo de Bombeiros. Deixou produção volumosa, especialmente polcas, que depois foram incorporadas ao repertório dos choros.

Alexandre Gonçalves Pinto fala ainda em seu livro O Choro: "Carramona mostrou competência e saber de um verdadeiro artista, seguindo com capacidade e respeito o querido amigo Anacleto. Tornando-se um exímio professor, compositor, e continuador do seu inesquecível mestre, tendo-lhe substituído no nível de igualdade. As músicas de Carramona, são disputadas pelo valor de elevada inspiração".

Obras

Albertina, polca, s.d.; Ameno Resedá, polca, s.d.; Amorosa, xótis, s.d.; Araci, valsa, s.d.; Arisca, xótis, s.d.; Arrufos, polca, s.d.; Botão de rosa, xótis, s.d.; Carnavalesca, polca, s.d.; Catita, valsa, s.d.; Cavação, polca, s.d.; Chininha, polca, s.d.; Choques e cheques, polca, s.d.; Chora, Jesus, polca, s.d.; Colúmbia, dobrado, s.d.; Coralina, polca, s.d.; Deixe-me viver, polca, s.d.; Dengos de moça, xótis, s.d.; Dezenove de abril, xótis, s.d.; Diva, polca, s.d.; Diva, valsa, s.d.; Emilia, gavota, s.d.; Encantadora, mazurca, s.d.; Espumas, valsa, s.d.; Esquecida polca, s.d.; Fagulhas, polca, s.d.; Fantasia ao luar (ou Templo ideal, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), polca, s.d.; Felicidade, polca, s.d.; Os filhos da noite, polca, s.d.; Fio de ouro, polca, s.d.; Fogo vivo, polca, s.d.; Garbo e civismo, dobrado, s.d.; Gaúcho (ou Ondas, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), tango, s.d.; Gueixas, xótis, s.d.; Helena, polca, s.d.; Iracema, polca, s.d.; Joaninha, polca, s.d.; Jorge, dobrado, s.d.; Juçara, polca, s.d.; Jurandi, polca, s.d.; Jurema, polca, s.d.; Lágrimas sinceras, valsa, s.d.; Marfisa, valsa, s.d.; Marília, polca, s.d.; Marília, xótis, s.d.; As mariposas, polca, s.d.; Mas que pagode, polca, s.d.; Meiga, polca, s.d.; Monteiro no sarilho, polca, s.d.; Morrer contente, polca, s.d.; Nanazinha, valsa, s.d.; Não perca a cabeça, polca, s.d.; Noêmia, tango, s.d.; Nonô, polca, s.d.; Olhos furtivos, polca, s.d.; Ouve as minhas súplicas, xótis, s.d.; Pairando no azul, valsa, s.d.; Patuscada, polca, s.d.; A pequena Maria, polca, s.d.; Pérola, polca, s.d.; Raios de luar, valsa, s.d.; Recordações de Lili, valsa, s.d.; Recordações de Paquetá, polca, s.d.; Recorda-te, valsa, s.d.; Sacuda-se, tango, s.d.; Saudades de Luísa, valsa, s.d.; Saudades do Anacleto, dobrado, s.d.; Sempre chegou, xótis, s.d.; A sombra da floresta, polca, s.d.; Sonhando, valsa, s.d.; O Sousa brincando, polca, s.d.; Suavidade, valsa, s.d.; Sugestiva, valsa, s.d.; Tapir, xótis, s.d.; Tinguagiva, polca, s.d.; Tiririca, polca, s.d.; Vaga-lume, paso-doble, s.d.; Yvette (suíte), valsa, s.d.

Fontes: Banda Maravilhosa de Luiz Viana; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora.
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Ovídio Chaves

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Ovídio Chaves (Ovídio Moojen Chaves), compositor, escritor e instrumentista, nasceu em Lagoa Vermelha RS em 29/7/1910 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 2/8/1978. O pai, comerciante, tocava bandônio e o incentivou no gosto pela música, que começou a estudar aos sete anos.
Em 1932 foi aluno de José Lucchesi no Conservatório de Música de Porto Alegre RS, mas desde 1925 já trabalhava como violinista de orquestra, acompanhando projeções de cinema mudo em Lagoa Vermelha.
Na capital gaúcha foi redator do jornal Correio do Povo. Além do violino, tocava violão; em 1939 estreou como compositor com Fiz a cama na varanda (com Dilu Melo), gravada pela parceira em 1941, na Continental. A música transformou-se no grande sucesso de sua carreira, sendo mais tarde gravada, entre outros, por Inezita Barroso, Dóris Monteiro, Nara Leão, Cantores de Ébano, a Orquestra de Radamés Gnattali, conjuntos de rock e, ainda, na França, em versão.
Em 1942 compôs Alecrim da beira d’água, seguida em 1943 por Menino dos olhos tristes. Dois anos depois compôs o xote Rede de Maria. Em parceria novamente com Dilu Melo, lançou em 1951 a polca Meia-canha. Entre suas músicas posteriores mais importantes, destaca-se a Toada do jangadeiro (com Enoque Figueiredo), de 1962. Em 1967 recebeu o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, no gênero poesia.
Tem cerca de vinte composições gravadas. Publicou os livros de poesias O cancioneiro, Porto Alegre, 1933; O anel de vidro, Porto Alegre, 1934; Uma janela aberta (foto acima), Porto Alegre, 1938; ABC de Paquetá, Rio de Janeiro, 1965; e o romance Capricornius, Porto Alegre, 1945.
Obras: Alecrim da beira d’água, 1942; Fiz a cama na varanda (c/Dilu Melo), 1939; Meia-canha (c/Dilu Melo), polca, 1951.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.
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César Camargo Mariano

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César Camargo Mariano (Antônio César Camargo Mariano), arranjador / instrumentista, nasceu em São Paulo SP em 19/9/1943. Autodidata, começou a tocar piano aos 13 anos e aos 17 iniciou carreira na orquestra de William Fourneau. A partir dessa época, passou a estudar, por conta própria, instrumentação, orquestração e arranjos.
Em 1961 tocou no conjunto Três Américas. Por essa época participou da gravação de um LP de Alaíde Costa, na RGE, como pianista e arranjador do grupo, que se transformaria, anos depois, no Som-3.
Integrou o conjunto São Paulo Dixieland Band, em 1962, e, no mesmo ano, formou em São Paulo o Sambalanço Trio, do qual era pianista e líder, ao lado do contrabaixista Humberto Claiber e do baterista Airto Moreira. O grupo gravou três LPs e acompanhou o cantor-bailarino Lennie Dale em sua temporada no Teatro de Arena, em São Paulo, e depois na boate Zum-Zum, no Rio de Janeiro RJ, em 1963.
Liderou o trio Som-3 (1965- 1971), que reunia o baterista Toninho Pinheiro e o contrabaixista Sabá, com o qual gravou diversos LPs. Ainda em 1965, foi arranjador e pianista dos LPs de Lennie Dale e Elisete Cardoso e do LP de seu octeto. Nesse mesmo ano aceitou o convite de Wilson Simonal para fazer os arranjos de seu repertório, tarefa para a qual teve inicialmente orientação de Eumir Deodato.
A partir de 1965 e até 1971, foi o responsável pelos arranjos de todos os discos de Wilson Simonal, cantor que acompanhou em excursões ao México, Argentina, Peru, Venezuela, Itália, França, Portugal e Inglaterra.
Participou do júri de todos os festivais da TV Record, de São Paulo, a partir de 1966, ano em que também se apresentou, com o Som-3, no Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal. Como pianista, em 1967 esteve presente nas gravações dos LPs de os Três Morais, Os Farroupilhas e O Quarteto.
Em 1971 passou a ser arranjador e pianista da Philips, participando de todos os discos de Elis Regina gravados a partir dessa data, também como teciadista. Nessa época, realizou com Elis Regina tournées pela América Latina, EUA e Europa. Foi ainda pianista e arranjador de discos de Chico Buarque, João Bosco, Maria Bethânia, Claudete Soares, Erasmo Carlos, Wanderléia, Beth Carvalho, Jorge Ben Jor, Elisete Cardoso e Cristina.
Apresentou em 1977 o show São Paulo/Brasil/Crônica, que a RCA lançou como LP no mesmo ano. Na década de 1980 foram lançados os LPs César Camargo Mariano e Cia (1980) e Samambaia (1981, com destaque para sua composição Maria Rita), ambos pela Odeon; e A todas as amizades (1983, Som Livre), com repertório que incluiu as composições Blue Moon (Rodgers e Hart), Novo tempo (Ivan Lins e Vítor Martins) e Avenida Paulista (com Regina Werneck) e a participação de cantores como Milton Nascimento, Nana Caymmi, Fafá de Belém e Quarteto em Cy, entre outros.
Compôs músicas e fez arranjos para os filmes Eu te amo, de Arnaldo Jabor (1980) e Além da paixão, de Bruno Barreto (1984). Em 1994 mudou-se para New Jersey, EUA, e aí tem se apresentado em casas noturnas e trabalhado como produtor e arranjador. No Brasil em 1997, apresentou-se no Palace, em São Paulo, no festival Heineken Concerts.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
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