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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Egberto Gismonti

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Egberto Gismonti

Egberto Gismonti (Egberto Amin Gismonti), compositor, instrumentista e arranjador nasceu em uma família de músicos em Carmo, pequena cidade do interior do estado do Rio (5/12/1944), filho de pai libanês e mãe italiana. É considerado um dos maiores compositores brasileiros de música instrumental. Começou a estudar piano aos cinco anos.

Ainda na infância e adolescência, seus estudos no Conservatório já incluíram flauta, clarinete, violão e piano. Interessou-se pela pesquisa da música popular e folclórica brasileira, chegando a passar uma temporada vivendo com os índios no Xingu.

Em 1968, participou de um festival da TV Globo com a canção O sonho, defendida pelos Três Morais, que atraiu a atenção do público e elogios da crítica. Partiu nesse mesmo ano para a França, onde estudou música dodecafônica com Jean Barraqué e análise músical com Nadia Boulanger.

Em 1969, lançou seu primeiro disco, Egberto Gismonti, com forte influência da bossa nova. O álbum, hoje cult, acabaria sendo uma de suas obras mais acessíveis, dado que, nos anos 1970, Gismonti se dedicaria a pesquisas musicais e experimentações com estruturas complexas e instrumentos inusitados, voltando-se quase exclusivamente para a música instrumental.

No V Festival Internacional da Canção, em 1970, concorreu com Mercador de serpentes.

A hesitação das gravadoras brasileiras com o seu estilo o levou a procurar refúgio em selos europeus, pelos quais lançou vários álbuns pelas décadas seguintes. Gismonti explorou diversas avenidas da música, sempre imprimindo o seu interesse pessoal: o choro o levou a estudar o violão de oito cordas e a flauta, a curiosidade com a tecnologia e a influência da Europa o levaram aos sintetizadores, a curiosidade com o folclore e as raízes do Brasil o levaram a estudar a música indígena do Brasil, tendo mesmo morado por um breve período com índios yawaiapiti, do Alto Xingu.

A carreira de Gismonti prosseguiu sólida - se não comercialmente explosiva - e o artista continuou gravando seus álbuns e participando de discos alheios, além de fazer turnês de sucesso, especialmente na Europa. Entre os músicos com os quais colaborou ou colaboraram com ele, destacam-se Naná Vasconcelos (Dança das cabeças, de 1976), Marlui Miranda, Charlie Haden, Jan Garbarek, André Geraissati, Jaques Morelenbaum, Hermeto Paschoal, Airto Moreira e Flora Purim.

Gravou quinze discos entre 1977 e 1993 para o selo norueguês ECM, dez dos quais lançados no Brasil pela BMG em 1995. Através de seu selo Carmo, recomprou seu repertório inicial, e é um dos raros compositores brasileiros donos de seu próprio acervo.

Recentemente sua obra passou a ser gravada maciçamente por outros instrumentistas. Algumas peças do disco Alma, de 1987, tornaram-se hits, como Palhaço e Loro.

Fontes: Wikipédia; Clique Music.
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Ed Lincoln

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Ed Lincoln (Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia), instrumentista, compositor e arranjador, nasceu em Fortaleza (CE), em 31/5/1932. Em 1951, mudou-se para o Rio de Janeiro, iniciando a carreira artística como contrabaixista e depois passando para o piano e o orgão elétrico. Atuou na boate Plaza tocando baixo e piano ao lado de Luiz Eça e Johnny Alf, fazendo parte também do conjunto de Dick Farney.

Em 1955 formou seu próprio conjunto. No mesmo ano, gravou seu primeiro disco interpretando Amanhã eu vou, de Nilo Sérgio e Nunca mais, de sua autoria e Sílvio César. Entre 1955 e 1958, atuou na boate Drink, no Rio de Janeiro no conjunto de danças dirigido por Djalma Ferreira. Ainda no final dos anos 1950, acompanhou gravações do iniciantes Claudete Soares e Baden Powell.

Em 1961 gravou os LPs Ao teu ouvido e Ed Lincoln boate, que incluiu Saudade fez um samba, de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli. Nessa época, exerceu a função de diretor musical da gravadora Musidisc. Durante os anos 1960 foi um dos mais requisitados animadores de bailes. Ficaram famosas as apresentações da Domingueira dançante no Clube Monte Líbano.

Em 1963, lançou o LP Ed Lincoln - Seu piano e seu órgão espetacular, que tinha como destaques as músicas Só danço samba, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes; Influência do jazz, de Carlos Lyra; Vamos balançao, de Carlos Imperial, Balansamba, de Luiz Bandeira; Um samba gostoso, de sua autoria; Pra que?, de Silvio César; Tristeza, de sua autoria e Luiz Bandeira e Olhou pra mim, de sua parceria com Silvio César. No mesmo ano, sefreu um grave acidente de carro que o manteve afastado das atividades artísticas por sete meses, período no qual foi substituído nos bailes por Eumir deodato. No ano seguinte, lançou o LP A volta.

Em suas orquestras atuaram como crooners os cantores Orlandivo, Toni Tornado, Silvio César, Emílio Santiago, Humberto Garin e Pedrinho Rodrigues. Também atuaram em seus conjuntos diversos músicos consagrados, entre os quais Durval Ferreira, Marcio Montarroyos, Luis Alves, Wilson das Neves, Paulinho Trompete e Celinho.

Em 1965, gravou o LP Órgão espetacular, com destasque para Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, Locomotion, de Joe Coco; Mulher de 30, de Luís Antônio; Teléco-teco nº 2, de Oldemar Magalhães e Nelsinho; O amor e a rosa, de Pernambuco e Antônio Maria e Vivendo e aprendendo, de sua autoria e Silvio César.

No ano seguinte lançou novo LP, que trazia entre outras É o Cid e Se eu tiver, de sua parceria com Silvio César, O ganso e O amor que eu guardei, de sua parceria com Orlandivo e Querida e Eu não vou mais, de Orlandivo e Durval Ferreira.

Em 1967, gravou O bêbado, Eu quero ir e Eu vou embora, de Orlandivo e Durval Ferreira; As gaivotas, de sua autoria e Se você quiser, de Orlandivo; Em 1968, fez os arranjos para o sucesso Anjo azul, gravado pela cantora Adriana. No mesmo ano, lançou um de seus LPs de maior prestígio e que trazia entre outros sucesso Zum, zum, zum, de Silva e Adamastot, Waldemar, de Orlandivo e Deval e Choro do bebê, de De Savoya, sendo considerado por muitos historiadores o primeiro LP independente brasileiro.

Em 1971, teve um de seus LPs, que trazia entre outras O bêbado, de Orlandivo e Durval Ferreira, Saci Pererê, de Mendes e Terra" e As gaivotas, de sua autoria, relançado pela gravadora CID. Por essa época, começou a se afastar os bailes e passou a atuar como músico de estúdio gravando gingles e trilhas sonoras além de lançar discos com coletâneas dançantes de sucessos nacionais e internacionais assinados com os mais diferentes pseudônimos, como: Glória Benson, Orquestra Los Angeles e Orquestra Romance Tropical. Foi um dos primeiros músicos brasileiros a se dedicar à música eletrônica e a fazer experiências com música através de computador.

Em 1988, gravou em um microcomputador Commodore 64 o LP Toque novo, lançado no ano seguinte. Em 1989, lançou pelo selo Elenco/PolyGram o LP Novo toque, com a regravação de antigos sucessos entre os quais Ai, que saudade dessa nega, de sua autoria.

Em 2000, fez participação especial na faixa Conversa mole, no CD do cantor Ed Mota. Por essa época, muitas de suas músicas, como Cochise e Se você quiser, passaram a ser presença frequente nas pistas de dança da Inglaterra, dando ensejo a uma onda de pirataria de seus discos fora de catálogo. Nessa mesma época teve a música É o Cid, parceria com Silvio César, regravada pela equipe de bailes Furacão 2000, considerada como o novo "Rei dos bailes" dos subúrbios do Rio de Janeiro.

Em 2001, teve a música Jogaram o caxangá relançada na coletânea Samba soul 70 - Rare groove party, do selo belga Ziriguiboom. Em 2002, o selo inglês Whatmusic.com relançou em Cd o LP que trazia entre outras Zum zum zum, Waldemar e O choro do bebê. Em 2003, apresentou-se com seu conjunto no projeto Sambalanço - A bossa que correu o mundo concebido pelo músico Henrique Cazes e apresentado no Centro Cultural Primeiro de Março. No mesmo ano, apresentou no Centro Cultural Banco do Brasil o show Saudade fez um samba, depois de 30 anos longe dos palcos.

Cerca de dois anos depois, teve problemas de saúde e teve que se afastar da carreira artística morando na cidade de Petrópolis. Em 2007, retomou as atividades gravando em órgão Hammond o samba "Sem compromisso", de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro para ser incluído no novo CD de Marcelinho da Lua.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Moacir Santos

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Moacir Santos Opus3_No1

Moacir Santos (Moacir José dos Santos), regente, arranjador, instrumentista, professor e compositor, nasceu em Vila Bela, Pernambuco, em 8/4/1924. Criado em Flores do Pajeú (PE), recebeu as primeiras noções de teoria musical do Mestre Paixão, iniciando carreira como instrumentista da banda local.

Em 1940 deixou a cidade e passou a acompanhar um circo pela região. Em seguida, passou pelas cidades de Recife (PE), Fortaleza (CE) e João Pessoa (PB), onde ingressou na Força Pública da Paraíba. Pouco depois, abandonou a carreira militar e passou a trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco.

Em 1948 foi para o Rio de Janeiro, onde começou a tocar no clube Brasil Danças. Logo entrou para a orquestra da Rádio Nacional, na qual permaneceu por 18 anos, primeiro como saxofonista e depois como maestro e arranjador. Nesse período, estudou teoria musical com o maestro Guerra-Peixe e com o professor Hans Joachim Koellreutter de quem se tornou assistente.

Na década de 1950, firmou-se como um dos principais arranjadores do Brasil. Foi professor de Paulo Moura, Baden Powell, Nara Leão, Eumir Deodato, Dom Um, Airto Moreira, entre outros.

Em 1963 realizou os arranjos do disco Vinícius de Moraes e Odete Lara. Em 1965 lançou seu primeiro disco no Brasil: Coisas.

No final dos anos de 1960, pela trilha do filme Amor no Pacífico, recebeu do Itamaraty uma passagem para os EUA Fixou residência em Pasadena, onde deu aulas e tocou até ser descoberto pelo pianista Horace Silver, quando então passou a gravar para o mercado norte-americano: The Maestro (1971), Saudade (1973) e Carnaval dos espíritos (1975), todos pela etiqueta Blue Note, além de Opus 12 nr.1, pela Discovery.

Em 1985 esteve no Brasil e, com Radamés Gnattali, foi homenageado no Free Jazz Festival. Em 1992 esteve novamente no Brasil, participando do projeto Memória Brasileira, Série Arranjadores, lançado em CD.

Entre suas principais composições destacam-se Nanã (com Mário Teles), Coisas (nr.1 a 12), e, em parceria com Vinícius de Moraes, Menino travesso, Triste de quem, Lembre-se e Se você disser que sim.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
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César Camargo Mariano

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César Camargo Mariano (Antônio César Camargo Mariano), arranjador / instrumentista, nasceu em São Paulo SP em 19/9/1943. Autodidata, começou a tocar piano aos 13 anos e aos 17 iniciou carreira na orquestra de William Fourneau. A partir dessa época, passou a estudar, por conta própria, instrumentação, orquestração e arranjos.
Em 1961 tocou no conjunto Três Américas. Por essa época participou da gravação de um LP de Alaíde Costa, na RGE, como pianista e arranjador do grupo, que se transformaria, anos depois, no Som-3.
Integrou o conjunto São Paulo Dixieland Band, em 1962, e, no mesmo ano, formou em São Paulo o Sambalanço Trio, do qual era pianista e líder, ao lado do contrabaixista Humberto Claiber e do baterista Airto Moreira. O grupo gravou três LPs e acompanhou o cantor-bailarino Lennie Dale em sua temporada no Teatro de Arena, em São Paulo, e depois na boate Zum-Zum, no Rio de Janeiro RJ, em 1963.
Liderou o trio Som-3 (1965- 1971), que reunia o baterista Toninho Pinheiro e o contrabaixista Sabá, com o qual gravou diversos LPs. Ainda em 1965, foi arranjador e pianista dos LPs de Lennie Dale e Elisete Cardoso e do LP de seu octeto. Nesse mesmo ano aceitou o convite de Wilson Simonal para fazer os arranjos de seu repertório, tarefa para a qual teve inicialmente orientação de Eumir Deodato.
A partir de 1965 e até 1971, foi o responsável pelos arranjos de todos os discos de Wilson Simonal, cantor que acompanhou em excursões ao México, Argentina, Peru, Venezuela, Itália, França, Portugal e Inglaterra.
Participou do júri de todos os festivais da TV Record, de São Paulo, a partir de 1966, ano em que também se apresentou, com o Som-3, no Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal. Como pianista, em 1967 esteve presente nas gravações dos LPs de os Três Morais, Os Farroupilhas e O Quarteto.
Em 1971 passou a ser arranjador e pianista da Philips, participando de todos os discos de Elis Regina gravados a partir dessa data, também como teciadista. Nessa época, realizou com Elis Regina tournées pela América Latina, EUA e Europa. Foi ainda pianista e arranjador de discos de Chico Buarque, João Bosco, Maria Bethânia, Claudete Soares, Erasmo Carlos, Wanderléia, Beth Carvalho, Jorge Ben Jor, Elisete Cardoso e Cristina.
Apresentou em 1977 o show São Paulo/Brasil/Crônica, que a RCA lançou como LP no mesmo ano. Na década de 1980 foram lançados os LPs César Camargo Mariano e Cia (1980) e Samambaia (1981, com destaque para sua composição Maria Rita), ambos pela Odeon; e A todas as amizades (1983, Som Livre), com repertório que incluiu as composições Blue Moon (Rodgers e Hart), Novo tempo (Ivan Lins e Vítor Martins) e Avenida Paulista (com Regina Werneck) e a participação de cantores como Milton Nascimento, Nana Caymmi, Fafá de Belém e Quarteto em Cy, entre outros.
Compôs músicas e fez arranjos para os filmes Eu te amo, de Arnaldo Jabor (1980) e Além da paixão, de Bruno Barreto (1984). Em 1994 mudou-se para New Jersey, EUA, e aí tem se apresentado em casas noturnas e trabalhado como produtor e arranjador. No Brasil em 1997, apresentou-se no Palace, em São Paulo, no festival Heineken Concerts.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
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Geraldo Vespar

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Geraldo Vespar

Geraldo Vespar (Manuel Geraldo Vespar), instrumentista, arranjador e compositor, nasceu em Quixadá CE em 9/11/1937. Estudou teoria e solfejo com Geraldo Amaral (em Goiás), composição e orquestração com Paulo Silva, harmonia e contraponto com Moacir Santos, composição e regência na E.M.U.F.R.J. e fez o curso de harmonia e instrumentação da Berklee School of Music, de Boston, E.U.A.

Começou a carreira em 1952, acompanhando calouros da Rádio Anhangüera, de Goiânia GO, e em 1958 transferiu-se para o Rio de Janeiro, atuando, de 1959 a 1963, como guitarrista em boate; e em 1963 e 1964, com Astor e sua orquestra e com Moacir Silva e seu conjunto.

Realizou sua primeira gravação com Radamés Gnattali, num disco de historietas infantis da Continental; com o pseudônimo de Delano, participou de um disco de guitarra e orquestra (Copacabana) e, com Gerald, da gravação do LP I Love Paris (Continental).

Em 1964, já com o nome de Geraldo Vespar, gravou Take Five, e, em 1965, com a gravação de Samba nova geração, recebeu o prêmio-revelação O Guarani. Em 1966, além de gravar Só vou nas quentes, atuou no conjunto de Peter Thomas e, em 1967, com Chiquinho do Acordeom. Neste ano, fez com Sílvio César a trilha sonora do filme Mineirinho vivo ou morto, dirigido por Aurélio Teixeira.

De 1964 a 1967 integrou também a orquestra da TV Excelsior, regida pelo maestro Zacarias; em 1968 foi para a TV Tupi, como solista e arranjador da orquestra do maestro Cipó, onde ficou até 1973 e com o qual trabalhou ainda como solista num sexteto dejazz. Durante o período em que participou da orquestra de Paul Mauriat (1973 a 1975) como solista e arranjador, gravou o LP Brasil romântico (1974), lançado inicialmente no Japão.

Excursionou com Elza Soares pelo México e E.U.A., e com a Grand Orchestre, de Paul Mauriat, pela França, Países Baixos, Coréia, Grã-Bretanha e Japão. Na década de 1980 continuou tocando com a orquestra de Paul Mauriat.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Hekel Tavares

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Hekel Tavares, compositor, regente e arranjador nasceu em Satuba AL (16/9/1896) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (8/8/1969). Estudou piano com uma tia e, ainda criança, aprendeu harmônica e cavaquinho, já demonstrando grande interesse pelas manifestações populares. Foi para o Rio de Janeiro em 1921 e iniciou-se em orquestração com J. Otaviano. Ao lado de Valdemar Henrique, Marcelo Tupinambá e Henrique Vogeler, sob a influência nacionalista da Semana de Arte Moderna (1922), criou um tipo de música situado na fronteira do erudito e do popular.

Iniciou-se profissionalmente como compositor de teatro de revista, fazendo em 1926 a música para a peça carnavalesca Está na Hora, de Goulart de Andrade, levada no Teatro Glória. Ainda em 1926 apareceu regendo uma orquestra na revista Plus-ultra, no mesmo teatro. Sua primeira composição de sucesso foi Suçuarana (parceria com Luiz Peixoto), lançada em 1927.

Autor de mais de 100 canções, alcançou seu maior êxito com Casa de caboclo (com Luiz Peixoto), gravada em 1928 por Gastão Formenti na Parlophon, e no mesmo ano Eu ri da lagartixa foi lançada por Patrício Teixeira, naquela gravadora. Em 1927, para o Teatro de Brinquedo (idealizado por Álvaro Moreira e outros), que funcionava no subsolo do Teatro Cassino Beira-Mar, musicou a peça de estréia, sendo também o pianista desse espetáculo e de outros que se seguiram. Essa experiência de teatro ligeiro e elegante teve pouca duração, pois era ainda muito reduzido o público de alta classe média, para o qual eram dirigidos os espetáculos. Assim, ainda em 1927, o compositor se viu na contingência de voltar às revistas mais populares dos teatros da Praça Tiradentes.

Em 1933 Jorge Fernandes gravou, na Odeon, O que eu queria dizer ao teu ouvido (com Mendonça Júnior). Nesse início da década de 1930, fez ainda Favela) (com Joraci Camargo), Chove!... chuva!... (com Ascenso Ferreira), Bahia (com Álvaro Moreira), Banzo (com Murilo Araújo), Na minha terra tem (com Luís Peixoto), Felicidade (com Luís Peixoto), Guacyra (com Joraci Camargo), Leilão (com Joraci Camargo), lançada em 1933 por Jorge Fernandes, na Odeon, e Caboclo bom (com Raul Pederneiras), gravada na Columbia em 1942, por Jorge Fernandes etc.

Em 1935 fez sua primeira composição erudita, André de Leão e o demônio de cabelo encarnado, poema sinfônico baseado no poema de Cassiano Ricardo (1895-1974) e lançado em álbum, com libreto ilustrado pelo gravador Osvaldo Goeldi. Inspirando-se sempre na música regional, continuou a produzir no gênero erudito, editando suas obras por conta própria.

De 1949 a 1953 percorreu quase todo o Brasil, em missão especial do então Ministério da Educação e Saúde Pública, pesquisando motivos folclóricos que utilizaria em diversas obras, como no poema sinfônico O Anhangüera, para orquestra, coro misto, solistas e coros infantis (com argumento de sua esposa, Marta Dutra Tavares, e poemas de Murilo Araújo), composição em que utilizou instrumentos de percussão dos índios Tucuna, do alto Solimões, e o conhecido motivo indígena Canide ioune. Ainda com o material obtido na viagem, em 1955 fez Oração do guerreiro, para baixo profundo. Compôs ainda Concerto, para piano e orquestra; Concerto em formas brasileiras, p/violino e orquestra; O sapo domado e A lenda do gaúcho, fantasias infantis. Deixou inacabados: Rapsódia nordestina e Fantasia brasileira, ambas para piano e orquestra, e o drama folclórico Palmares.

Em 1996 Fernando de Bortoli escreveu Hekel Tavares - O mais lindo concerto para piano e orquestra, São Paulo, Edição do autor, onde incluiu listagem das obras, discografia e bibliografia sobre o compositor.

Obras

Azulão (c/Luís Peixoto), canção, 1929; Bahia (c/Álvaro Moreira), s.d.; Banzo (c/Murilo Araújo), canção, 1933; Biá-tá-tá (c/Jaime d'Altavitta), coco, 1934; Caboclo bom (c/Raul Pederneiras), canção, 1942; Casa de caboclo (c/Luís Peixoto), canção, 1928; Chove!... chuva!... (c/Ascenso Ferreira), canção, 1931; Engenho novo, folclore, 1929; Eu ri da lagartixa, cateretê, 1928; Favela (c/Joraci Camargo), canção, 1933; Felicidade (c/Luís Peixoto), s.d.; Funeral de um rei nagô, s.d.; Guacyra (c/Joraci Camargo), canção, 1933; Humaitá, coco, 1934; Leilão (c/Joraci Camargo), 1933; Moleque namorador, fox-trot, 1927; Na minha terra tem (c/Luís Peixoto), canção, 1929; O que eu queria dizer ao teu ouvido (c/Mendonça Júnior), s.d.; Sabiá, canção, 1927; Suçuarana (c/Luís Peixoto), toada sertaneja, 1927.

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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Vicente Paiva

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Vicente Paiva (Vicente Paiva Ribeiro), compositor e arranjador nasceu em São Paulo SP em 18/4/1908 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 18/2/1964. Começou a carreira como pianista em Santos SP em 1926, seguindo depois para o Rio de Janeiro, onde tocou inicialmente na orquestra de Simon Bountman.

Estreou como cantor em 1929, gravando os sambas Beijar não é pecado (Oscar Cardona), na Victor, e Mulher (Pascoal Barros), e o samba-canção Machuca (Donga e De Chocolat), na Parlophon.

Foi diretor musical do Cassino da Urca entre 1934 e 1945 - época em que foram encenados os primeiros grandes shows da noite carioca. Em 1935 compôs com Nelson Barbosa a famosa Marcha do Cordão da Bola Preta, conhecida na época como Segura a chupeta, relançada com letra modificada para o Carnaval de 1962, com gravação de Carmen Costa, na Victor.

No Carnaval de 1937 fez grande sucesso com a marcha Mamãe eu quero gravada por seu parceiro Jararaca, na Odeon, uma das músicas carnavalescas mais conhecidas de todos os tempos. Dois anos depois, lançou o maxixe Vamos, Maria, vamos (com Jararaca), gravado pelo parceiro na Odeon.

Em 1940 foram lançados o samba-canção Bahia, oi, Bahia (com Augusto Mesquita), gravado pelos Anjos do Inferno na Columbia; o samba-batuque Diz que tem... (com Aníbal Cruz), gravado por Carmen Miranda, na Odeon, com grande sucesso; e o samba Voltei pro morro (com Luiz Peixoto), lançado pela mesma cantora na Odeon, outro grande êxito.

No ano seguinte, alcançou êxito o samba Disseram que voltei americanizada (com Luiz Peixoto), gravação de Carmen Miranda na Odeon. Em 1942 Léo Albano gravou, com a orquestra do autor, seu fox Tudo é Brasil (com Sá Róris), na Victor, e Heleninha Costa lançava, no ano seguinte, pela Columbia, o samba Exaltação à Bahia (com Chianca de Garcia).

Foi diretor musical e regente da orquestra da Companhia de Revistas de Walter Pinto de 1945 a 1952, tendo também musicado outras peças de teatro de revista. Em 1945 Dircinha Batista gravou com grande sucesso o samba Calendário (com Chianca de Garcia), pela Continental, e quatro anos depois foi a vez dos sambas Nós dois (com Fernando Martins), gravado por Dircinha Batista, e Bahia de todos os santos (com Chianca de Garcia), gravado pelo conjunto Quatro Ases e Um Curinga, ambos na Odeon.

Na década de 1950, sua orquestra de danças foi das mais solicitadas do Rio de Janeiro, principalmente no Carnaval, quando atuava em bailes tradicionais como o do Clube High-Life. De 1951 datam mais dois grandes sucessos seus, gravados por Dalva de Oliveira na Odeon: os sambas Ave Maria (com Jaime Redondo) e Olhos verdes. Dez anos mais tarde, a convite do governo da então República Federal da Alemanha, participou do Festival de Berlim.

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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Tom Jobim

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Tom Jobim
A soma do grande talento com a formação musical erudita fizeram de Antônio Carlos Jobim mais que um compositor brasileiro reconhecido internacionalmente. Pianista, maestro e arranjador, compôs canções ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis ao gosto popular. Ao lado de João Gilberto e Vinícius de Moraes, foi um dos criadores da bossa nova.
Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, também conhecido como Tom Jobim, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 25 de janeiro de 1927. Desde a infância viveu em Ipanema e já tocava violão quando, aos 13 anos, interessou-se pelo piano. Foi aluno de Lúcia Branco, uma das melhores professoras de música da cidade em sua época, e, a partir de 1941, do alemão Hans-Joachim Koellreutter, mestre de muitos compositores eruditos brasileiros.
Em 1946 iniciou o curso de arquitetura, mas abandonou a carreira para dedicar-se à música. Tocou em casas noturnas e no estúdio da gravadora Continental, onde também foi arranjador e conviveu de perto com o maestro e compositor Radamés Gnatalli.
Seu primeiro sucesso como compositor foi uma parceria com Billy Blanco, Teresa da praia, gravada em 1954 por Lúcio Alves e Dick Farney. Dois anos depois, Vinícius de Moraes pediu a Tom para musicar sua peça Orfeu da Conceição, logo depois adaptada para o cinema pelo francês Marcel Camus. Nasceram assim clássicos da música popular brasileira, como Se todos fossem iguais a você e A felicidade, esta última composta para o filme.
Tom Jobim foi diretor artístico da gravadora Odeon até 1958, ano em que Elizeth Cardoso gravou várias de suas canções com Vinícius no disco Canção do amor demais, marco na história da música no Brasil. Em 1959, com o lançamento do disco Chega de saudade, de João Gilberto, Tom ficou conhecido como um dos principais compositores da bossa nova. As faixas de maior sucesso do disco foram, além da canção-título, Desafinado (1958) e Samba de uma nota só (1960), compostas com Newton Mendonça e que se tomaram a base da sólida carreira internacional do "maestro da bossa nova", introdutor de arranjos que renovaram as estruturas tradicionais da música popular brasileira.
Em novembro de 1962, Tom apresentou-se no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova York, com outros músicos brasileiros. No ano seguinte gravou um disco com o saxofonista Stan Getz e, em 1967, com Frank Sinatra. Em 1968, Sabiá, de Tom e Chico Buarque, venceu o Festival Internacional da Canção.
Nas décadas seguintes, Tom teve canções interpretadas por grandes nomes como Ella Fitzgerald e Elis Regina, musicou filmes e produções para televisão. Tom teve muitos parceiros musicais, entre os quais Dolores Duran (Por causa de você) e Aloysio de Oliveira (Dindi), mas a parceria com Vinícius foi das mais prolíficas e gerou sucessos como Chega de saudade (1958), Eu sei que vou te amar (1958) e Ela é carioca (1963), além de Garota de Ipanema, que chegou a figurar entre as dez canções mais executadas em todo o mundo. Também compôs sozinho alguns clássicos e na maioria deles revela seu amor ao Rio de Janeiro, como em Corcovado (1960), Samba do avião (1963) e Lígia (1973).
Letrista e compositor refinado, autor de inúmeras canções inspiradas na natureza, como Wave (1969), Águas de março (1972) e Passarim, a partir de Urubu, de 1976, Tom Jobim passou a fazer arranjos mais complexos, repletos de efeitos orquestrais. Da década de 1980 em diante, os temas de suas composições voltaram-se cada vez mais para a riqueza da natureza brasileira. Antônio Carlos Jobim morreu em 8 de dezembro de 1994, em Nova York.
Algumas músicas
Obra completa
Acho que sim (c/Billy Blanco), samba, 1961; Adeus (c/Robert Mazoier), 1964; Água de beber (c/Vinícius de Morais), 1961; Águas de março, 1972; Ai quem me dera (c/Marino Pinto), 1981; Un altro addio (c/Vinícius de Morais e Sérgio Bardotti), 1991; Amor em paz, 1960; Amor sem adeus (c/Luís Bonfá), 1960; O amor só traz tristeza (c/Vinícius de Morais), s.d.; Ana Luiza, 1973; Andam dizendo (c/Vinícius de Morais), 1962; Andorinha, 1970; Ângela, 1970; Anos dourados (c/Chico Buarque), 1986; Antigua, 1967; Arpoador (dBilly Blanco), 1954, Arquitetura de morar, 1976; Ataque dos jagunços, 1983; Aula de matemática (c/Marino Pinto), 1958; Bangzália (c/Chico Buarque), 1985; O barbinha branca (c/Luis Bonfá), 1956; Bate-boca (c/Chico Buarque), 1997; Batidinha, 1967; Batucada, s.d.; Bebei, 1987; Berceuse (c/Robert Mazoier), 1964; Blusa vermelha (Red Blouse), 1967; Bonita, 1964; Borzeguim, 1981; Boto (c/Jararaca), 1976; Brasília, sinfonia da alvorada (c/Vinícius de Morais), 1961; Brazilian, s.d.; Brigas (Podes voltar) (c/Newton Mendonça), 1958; Brigas nunca mais (c/Vinícius de Morais), 1959; A cachorrinha (c/Vinícius de Morais), s.d.; Cai a tarde, 1959; Cala meu amor, 1958; Caminho da mata, 1983; Caminho de pedra (c/Vinícius de Morais), 1958; Caminhos cruzados (c/Newton Mendonça), 1958; Caminhos sem fim (c/Vinícius de Morais), s.d.; Canção da eterna despedida (c/Vinícius de Morais), 1959; Canção de amor e paz(c/Vinícius de Morais), 1967; Canção do amor demais (c/Vinícius de Morais), 1958; Canção em modo menor (Coração em prece) (c/Vinícius de Morais), 1962; Canta, canta mais (c/Vinícius de Morais), 1959; Canto da Bahia (dRobert Mazoier), 1964; Captam Bacardi, 1967; Caribe, 1970; Carta do Tom (c/Chico Buarque, Toquinho e Vinícius de Morais), s.d.; Casório, 1983; Cavaleiro monge (c/Fernando Pessoa), 1985; Um certo Capitão Rodrigo (c/Ronaldo Bastos), 1985; Chanson pour Micheile, 1985; Chansong, 1987; Chega de saudade (c/Vinícius de Morais), 1958; A chegada dos candangos (Vinícius de Morais), 1961; Chegada dos retirantes, 1983; Children’s game, 1970; Chora, coração (c/Vinícius de Morais), 1973; Choro, 1970; Choro complicado, s.d.; Choro em lá maior, s.d.; Chovendo na roseira, 1971; A chuva caiu (c/Luís Bonfá), 1956; Cidadão da Gávea (c/Vinícius de Morais), 1980; Coffee deiight, 1958; Coisas do dia (Sete horas) (c/Billy Blanco), samba, 1954; Copacabana (c/Billy Blanco), 1954; Coral (c/Vinícius de Morais), 1961; Corcovado, 1960; Correnteza, 1973; Crônica da casa assassinada, 1973; Dax rides, s.d.; De você, eu gosto (c/Aluísio de Oliveira), 1959; Dedinho de prosa (Tiquinho de amor), s.d.; Demais (c/Aluísio de Oliveira), 1959; Derradeira primavera (c/Vinícius de Morais), 1962; Desafinado (c/Newton Mendonça), 1958; Descendo o morro (c/Billy Blanco), 1954; Deus e o diabo na terra do sol, 1970; O dia que você gostar de mim, 1986; Diálogo, 1967; Dindi (c/Aluísio de Oliveira), 1959; Dinheiro em penca (c/Cacaso), 1979; Discussão (c/Newton Mendonça), 1958; Domingo azul do mar (c/Newton Mendonça), s.d.; Domingo sincopado, 1956; Double Rainbow(c/Gene Lees), 1974; The Dreamer, s.d.; E o amor já chegou (c/Paulo Soledade), s.d.; É preciso dizer adeus (c/Vinícius de Morais), 1958; Ela é carioca (c/Vinícius de Morais), 1963; Engano (c/Luís Bonfá), 1964; Entre a cruz e a caldeirinha, s.d.; Espelho das águas, 1981; Esperança perdida (c/Billy Blanco), 1955; Esquecendo você, 1959; Estamos aí (c/Chico Buarque), 1977; Este seu olhar, 1959; Estrada branca (c/Vinícius de Morais), 1958; Estrada do sol (c/Dolores Duran), 1958; Eu e o meu amor (c/Vinícius de Morais), 1956; Eu não existo sem você (c/Vinícius de Morais), 1957; Eu preciso de você (C/Aluisio de Oliveira), 1959; Eu quero (C/Billy Blanco), s.d.; Eu sei que vou te amar (c/Vinícius de Morais), 1959; Eu te amo (c/Chico Buarque), 1980; Exaltação ao amor (c/Vinícius de Morais), s.d.; Fala, meu amor (c/Vinícius de Morais), 1967; Falando de amor, 1979; O fantasminha Pluft, s.d.; Favela (c/Vinícius de Morais), 1963; Faz uma semana (c/João Stockler), 1953; A felicidade (c/Vinícius de Morais), 1959; Fim de romance (c/Alcides de Sousa Fernandes), s.d.; Flor do mato, 1981; Foi a noite (c/Newton Mendonça), 1956; Foi você (c/Alcides de Sousa Fernandes), s.d.; Forever Green (c/Paulo Jobim), 1994; Fotografia, 1959; Frase perdida (c/Marino Pinto), 1957; Frevo (c/Vinícius de Morais), 1959; Frevo de Orfeu (c/Vinícius de Morais), 1996; Gabriela, 1987; Garota de Ipanema (c/Vinícius de Morais), 1960; Garoto, 1959; Gracioso, 1959; O grande amor (c/Vinícius de Morais), 1960; Hino ao sol (c/Billy Blanco), 1954; O homem (c/Vinícius Morais), 1961; lf You Ever Come to Me (c/Ray Gilbert), 1967; Ilhéus (c/Vinícius de Morais), 1983; Imagina (c/Chico Buarque), 1983; Impossível (c/Alcides Fernandes), s.d.; Incerteza (c/Newton Mendonça) 1953; Insensatez (cNinícius de Morais), 1960; Inútil paisagem (c/Aluísio de Oliveira), 1963; Io ao che ti amero (c/Vinícius de Morais e Sergio Bardotti), 1991; Isto eu não faço, 1960; I Was Just One More for You (c/Billy Blanco e Ray Gilbert), 1994; Janelas abertas (c/Vinícius de Morais), 1958; Jangada de vela, s.d.; O jardim abandonado, 1973; Lamento (c/Vinícius de Morais), 1964; Lamento no morro (c/Vinícius de Morais) 1956; Lá no meu sertão tem um riacho, s.d.; Latin Manhattan, 1958; Latino (c/Mïchael Frank), s.d.; Lenda (em memória de Jorge Jobim), s.d.; Lígia, 1972; El lobo (God and the Devil in the Land of the Sun), 1970; Longe é o céu, sd.; Luar e batucada (c/Newton Mendonça), 1957; Luciana (c/Vinícius de Morais), 1958; Luísa, 1981; Mágoa (c/Marino Pinto), 1958; O mar (c/Billy Blanco), 1954; Maria da Graça (c/Vinícius de Morais), 1958; Maria e dia (c/Paulo Jobim e Ronaldo Bastos), 1981; Maria orgulhosa, s.d.; Marina del rey, 1980; Matei-me no trabalho (c/Billy Blanco), 1954; Matita perê (c/Paulo Cesar Pinheiro), 1973; Meditação (c/Newton Mendonça), 1959; Meninos, eu vi (c/Chico Buarque), 1983; Meu amigo Radamés, 1994; Meu mundo é você (c/Aloísio de Oliveira) 1983; Milagre de Maria (c/Robert Mazoier), 1964; Milagre e palhaços, 1973; Modinha (c/Vinícius de Morais), 1958; Mojave, 1967; A montanha (c/Billy Blanco), 1954; Monólogo de Orfeu (c/Vinícius de Morais), 1956; Moonlight Daiquiri, 1958; O morro (c/Billy Blanco), 1954; O morro não tem vez (c/Vinícius de Morais), 1963; Morte de Orfeu (Macumba) (c/Vinícius de Morais), 1956; Mulher sempre mulher (c/Vinícius de Morais), 1956; Na hora do adeus (c/Vinícius de Morais), 1960; Nas horas mortas (c/Billy Bianco), s.d.; Na solidão da noite, ad. ; Não devo sonhar (c/Helena Jobim), 1956; Não fui só eu (c/Paulo Soledade), s.d.; Noites do Rio (c/Billy Blanco), 1954; Um nome de mulher (c/Vinícius de Morais), 1957; No More Blues (c/Vinícius de Morais e Jessei Hendricks), 1962; O nosso amor (c/Vinícius de Morais), 1959; Nuvens douradas, 1973; O que tinha de ser (c/Vinícius de Morais), 1959; O que vai ser de mim, 1955; Oficina, 1980; Olha, Maria (Amparo) (c/Chico Buarque e Vinícius de Morais), 1970; Olha pro céu (Longe é o céu), 1960; Onde andará o amor? (c/Vinícius de Morais), s.d.; Orfeu da Conceição (Overture) (c/Vinícius de Morais), 1956; Origens, 1983; Outra vez, 1954; Para não sofrer, 1963; Passarim, 1985; Pato preto, 1989; Paulo vôo livre (A lenda dos homens- asa), 1995; Pé grande (Sonho desfeito) (c/Armando Cavalcanti e Paulo Soledade), 1956; Pelos caminhos da vida (c/Vinícius de Morais), 1959; Pensando em você, 1953; Pensando na vida, 1983; O pequeno príncipe, 1957; Perdido nos teus olhos (c/Newton Mendonça), 1959; Piano na Mangueira (c/Chico Buarque), 1992; Pista de grama, s.d.; O planalto deserto (c/Vinícius de Morais), 1961; Pois é (Dedicação) (c/Chico Buarque), 1970; Pollo game, s.d.; Por causa de você (c/Dolores Durán), 1957; Por onde andará o amor (Quem numa tarde triste andou procurando), s.d.; Por toda a minha vida (c/Vinícius de Morais), 1959; Porto das caixas, s.d.; Pra fora, s.d.; Pra mode chatear, 1984; Pra não sofrer, 1963; Praia branca (c/Vinícius de Morais), 1958; As praias desertas, 1958; Preciso de você, s.d.; Promessas (c/Newton Mendonça), 1983; Pulando carniça, 1983; Quando o amor é o amor, s.d.; Quando é noite de luar (c/Newton Mendonça), s.d.; Que é que vai ser de mim, 1954; Quebra pedra (Stone Flower), 1970; A queda, 1967; Querida, 1991; Radamés y Pelé, 1994; Rancho nas nuvens, 1973; Remember, 1970; Retrato em branco e preto (c/Chico Buarque), 1968; O rio da minha aldeia (c/Fernando Pessoa), 1985; Rio de Janeiro (c/Billy Blanco), 1955; Rockanália, 1970; Rodrigo, meu capitão (c/Ronaldo Bastos), 1985; Sabiá (c/Chico Buarque), 1968; Samba Belo Horizonte (c/Vinícius de Morais), s.d.; O samba de amanhã (c/Billy Blanco), 1954; Samba de Maria Luísa, 1994; Samba de uma nota só (c/Newton Mendonça), 1959; Samba do avião, 1962; Samba do grande amor (c/Chico Buarque), 1983; Samba levanta poeira, s.d.; Samba não é brinquedo (d/Luís Bonfá), 1956; Samba para Ari e Caymmi, s.d.; Samba torto (c/Aluísio de Oliveira), 1960; Sambinha bossa nova, 1970; São Paulo, s.d.; Saudade (Vai, conta a ela toda a verdade), s.d.; Saudade do Brasil, 1974; Se é por falta de adeus (c/Dolores Durán), 1955; Se todos fossem iguais a você (c/Vinícius de Morais), 1957, Sem você (c/Vinícius de Morais), 1959; Senhora Dona Bibiana (c/Ronaldo Bastos), 1985; Sinfonia do Rio de Janeiro (c/Billy Bianco), 1954; Só danço samba (c/Vinícius de Morais), 1962; Só em teus braços, 1959; Só saudade (c/Newton Mendonça), 1956; Só tinha de ser com você (c/Aluísio de Oliveira), 1964; Sol, sal, céu (c/Billy Bianco), s.d.; Solidão (c/Alcides Fernandes), 1954; Somewhere in the Hills (c/Ray Gilbert), 1994; Soneto da separação (c/Vinícius de Morais), 1959; Sonho desfeito (c/Marino Pinto), 1956; Spanish Varanda, 1980; Sucedeu assim (c/Marino Pinto), 1957; Sue Ann, 1970; Surfboard, 1964, Takatanga, 1970; Tema de amor de Gabriela, 1980; Tema Jazz, 1970; Tema novo, s.d.; Tema para Ana, 1995; Tempo de amar (c/Paulo Soledade), só.; Tempo do mar, 1973; Teresa da praia (c/Billy Blanco), 1954; Teresa, meu amor, 1970; Teu castigo (c/Newton Mendonça), 1956; This Happy Madness (c/Vinícius de Morais e Ray Gilbert), 1971; Tide, 1970; Toda tristeza guardo comigo, sd.; O trabalho e a construção (c/Vinícius de Morais), 1961; Treck, 1970; Trem de ferro (c/Manoel Bandeira), 1986; Trem para Cordisburgo, 1973; Triste, 1967; Turma do funil (c/Chico Buarque), 1979; Two Kites, 1980; A valsa, s.d.; Valsa das rosas, s.d.; Valsa do amor de nós dois (c/Vinícius de Morais), 1962; Valsa do Porto das Caixas, 1964; Valsa romântica, s.d.; Velho riacho, 1962; Vem viver ao meu lado (c/Alcides de Sousa Fernandes), 1956; Vida bela (c/Vinícius de Morais), 1958; A violeira (c/Chico Buarque), 1983; Vivo sonhando, 1963; Você pra mim foi um sonho (c/Newton Mendonça), s.d., Você vai ver (c/Ana Jobim), 1980; Wave (Vou te contar), 1960; Zíngaro, 1965; Zona Sul (c/Billy Blanco), 1954.
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terça-feira, 26 de junho de 2007

Edu Lobo

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Edu Lobo

Eduardo de Góis Lobo, compositor, instrumentista, arranjador e cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 29/8/1943. Filho do compositor Fernando Lobo, foi criado no Rio de Janeiro e na casa dos tios, em Recife PE, onde passava as férias escolares. Seu primeiro instrumento foi o acordeom, que estudou dos oito aos 14 anos. Fez os cursos ginasial e colegial no Colégio Santo Inácio, e por essa época já tentava algumas composições. Na PUC cursou direito até o terceiro ano. Com 16 anos, começou a se interessar pelo violão, iniciando-se com um amigo de infância, o compositor Téo de Barros, e estudando mais tarde com Vilma Graça.
Por volta de 1961, passou a freqüentar shows, principalmente no Beco das Garrafas, em Copacabana, onde assistia a espetáculos dos representantes da nova geração musical, entre os quais João Gilberto e Sérgio Mendes. Nessa época, com Dori Caymmi e Marcos Vale, formou um conjunto que chegou a atuar em shows.
Seu pai incentivou-o, em 1962, a editar algumas composições. No mesmo ano, conheceu Vinícius de Moraes, que fez a letra para Só me fez bem gravada em 1967, no LP Edu-Betânia, da Elenco. Foi também Vinicius quem escreveu a contracapa de seu primeiro disco, um compacto duplo gravado em 1962 com quatro músicas, entre elas Balancinho e Amor de ilusão (ambas de sua autoria), bem dentro do estilo intimista característico da bossa nova. Logo ampliou seu trabalho com temas e motivos da cultura popular, graças a influência de Sérgio Ricardo, João do Vale, Carlos e principalmente Rui Guerra, seu parceiro em Canção da terra, Reza e Aleluia, canções representativas dessa nova fase de criação, marcada por seu conteúdo social.
Começando a compor para teatro, escreveu em 1963 as músicas para a peça Os Azeredos e os Benevides, de Oduvaldo Viana Filho. Entre elas, a canção Chegança (com Oduvaldo Viana Filho) alcançou grande sucesso. Outro êxito, Borandá, foi incluído no show Opinião, musical de protesto estreado no Rio de Janeiro em 1964. Ainda nesse ano, escreveu músicas para Berço de herói, peça teatral de Dias Gomes, e foi convidado por Gianfrancesco Guarnieri para participar da realização de um musical cuja idéia nascera da canção Zambi (com Vinícius de Moraes).
Em maio de 1965, estreou no Teatro de Arena, São Paulo SP, Arena conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, musicada por ele. Entre as canções do espetáculo, Upa, neguinho (com Gianfrancesco Guarnieri) tornou-se mais tarde um grande sucesso, cantado por Elis Regina. Em abril desse ano, inscreveu-se no I FMPB, da TV Excelsior, de São Paulo, com duas músicas, Aleluia (com Rui Guerra) e Arrastão (com Vinícius de Morais), ambas já gravadas em LP da Elenco, cuja distribuição foi adiada para que ficassem inéditas até o festival. Interpretada por Elis Regina, Arrastão foi a vencedora, projetando nacionalmente o compositor, já definido como um dos mais importantes da geração posterior ao surgimento da bossa nova. Ainda em 1965, apresentou-se ao lado de Nara Leão do Tamba Trio e do Quinteto Villa-Lobos na boate carioca Zum-Zum, em show dirigido por Aluísio de Oliveira.
Contratado pela TV Record, de São Paulo, passou a atuar semanalmente em programas dessa emissora, e em 1966 participou novamente de festivais: no II FMPB apresentou Jogo de roda (com Rui Guerra) e no I FIC, da TV Globo, Rio de Janeiro, concorreu com Canto triste (com Vinícius de Morais), esta classificada entre as finalistas. Nesse ano, excursionou pela Europa com outros artistas, entre os quais Sylvia Telles e o Salvador Trio, tendo o grupo gravado um disco na então República Federal da Alemanha.
No Brasil em 1967, depois de quatro meses em Paris, França, onde fez um filme para a televisão, voltou a participar de festivais, saindo vencedor do III FMPB, com Ponteio (com Capinam), interpretada por ele e Marília Medalha. No ano seguinte, saiu seu terceiro LP pela Philips, destacando o frevo-canção No Cordão da Saideira e a canção Memórias de Marta Saré (com Gianfrancesco Guarnieri), que alcançou o segundo lugar no IV FMPB. Gravada mais tarde (1971 ) nos E.U.A., com o nome de Crystal Illusions, seria também a canção-tema da peça Marta Saré, de Gianfrancesco Guarnieri, musicada por ele, que estreou em janeiro de 1969 no Teatro João Caetano, do Rio de Janeiro.
No início de 1969, participou do MIDEM, em Cannes, França. De volta ao Brasil, depois de uma passagem por Los Angeles, E.U.A., em abril do mesmo ano casou-se com Vanda Sá, partindo em seguida para Los Angeles, onde residiu por dois anos. Aí se dedicou ao estudo sistemático da música, fazendo cursos de orquestração com Albert Harris. Nesse período, excursionou pelo Japão, com Sérgio Mendes, que também produziu o LP Lobo, gravado em 1971 em Los Angeles e lançado pela A & M Records. Gravou ainda com Paul Desmond, saxofonista do Dave Brubeck Quartet, LP com composições suas e de Milton Nascimento.
Dentre os discos feitos nos E.U.A., apenas o LP Cantiga de longe foi editado no Brasil, trazendo a participação de Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Vanda Sá, que reapareceu como intérprete na canção Água verde (de sua autoria).
De volta ao Brasil em 1971, trabalhou principalmente como arranjador, criando também a trilha sonora do filme Barão Otelo no barato dos milhões, de Miguel Borges. Compôs e realizou orquestrações para a peça teatral Woyzeck, de Georg Büchner (1813-1837), dirigida por Marilda Pedroso e encenada no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, em 1971. Fez arranjos para um disco de Marília Medalha e Vinícius de Morais, e em 1973 lançou o LP Edu Lobo (EMI) com músicas inéditas, inclusive uma missa. Ainda em 1973, trabalhou na orquestração das músicas de Calabar, ou O elogio da traição, peça teatral de Chico Buarque e Rui Guerra, algumas das quais foram lançadas em 1974 no LP Chico canta.
Em 1974 e 1975, atuou como arranjador contratado da TV Globo, tendo sido responsáveI pela parte musical de quatro programas da série Caso especial. Em 1975 lançou o LP Deus lhe pague (EMI), com músicas suas e de Vinícius de Moraes. No ano seguinte, pela Continental, lançou o LP Limite das águas. Em 1977 fez tournée por toda a Alemanha, promovendo Limite das águas, lançado no exterior pela etiqueta MPS. Um ano depois, gravou o LP Camaleão (Philips/Polygram), lançado no Brasil e no Japão. Em 1979 compôs a trilha sonora do filme Barra pesada, de Reginaldo Farias, ganhando prêmio no Festival de Cinema de Gramado RS.
Durante a década de 1980, compôs principalmente para teatro e cinema. Em 1980, após lançar o LP Tempo presente (Philips/Polygram), escreveu e compôs o balé Jogos de dança para o Teatro Guaíra, de Curitiba PR, lançado em disco no ano seguinte pela Som Livre. Em 1981, em parceria com Tom Jobim, lançou Tom e Edu (Philips/Polygram). Em 1983, em parceira com Chico Buarque, compôs o espetáculo O grande circo místico, que daria origem a um LP homônimo lançado pela Som Livre, com a participação de Gal Costa, Tom Jobim, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Tim Maia, entre outros. A parceria com Chico Buarque se repetiria com O corsário do rei, de 1985, e Dança da meia-lua, de 1988, ambos lançados em disco pela Som Livre. Em 1984 escreveu a trilha sonora dos filmes O cavalinho azul, de Eduardo Escorel, e Imagens do inconsciente, de Leon Hirshman.
Compôs em 1990 as músicas do programa infantil Rá-tim-bum, da TV Cultura de São Paulo, posteriormente lançado em CD pela Sharp. Em 1992 voltou a apresentar espetáculos, obtendo grande repercussão, o que o levou a gravar um novo disco de intérprete: Corrupião, lançado em CD pela gravadora Velas. Em 1994 recebeu o Prêmio Shell de melhor compositor de música brasileira, pelo conjunto da obra. Lançou em 1995 Meia-noite (Velas), que traz um choro instrumental em homenagem a Tom Jobim: Perambulando. O disco recebeu o Prêmio Sharp como melhor disco de música popular brasileira. Nesse mesmo ano, foi lançado o Songbook Edu Lobo (duplo), pela editora e gravadora Lumiar. Em 1997 compôs Tema de Canudos, em parceria com Cacaso, para o filme Guerra de Canudos, de Sérgio Resende, e foi lançado o CD-Álbum de teatro, com canções em parceria com Chico Buarque.
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Edu Lobo

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Abertura (Premonição de Maria), 1971; Água verde, 1970; Aleluia (c/Rui Guerra), 1965; Alguém sob medida, 1962; Amor de ilusão, 1962; Arrastão (c/Vinícius de Morais), 1965; Balada do campo de junco (c/Rui Guerra), 1972; Balancinho, 1962; Borandá, 1964; Cahuenga (c/Rui Guerra), 1972; Calada cantiga, 1972; Campos da noite, 1972; Canção da faca, s.d.; Canção da terra (c/Rui Guerra), 1965; Canção do amanhecer (c/Vinícius de Morais), 1965; Candeias, 1967; Cantiga de longe, 1970; Canto continental, s.d.; Canto triste (c/Vinícius de Morais), 1967; Cantoria (c/Rui Guerra), 1972; Casa forte, Catarina e Mariana (c/Rui Guerra), 1967; O charlatão, s.d.; Chegança (c/Oduvaldo Viana Filho), 1965; Chorinho de mágoa (c/Capinam), 1972; Choro bandido (c/Chico Buarque), 1985; Cidade nova (c/Ronaldo Bastos), 1970; Cirandeiro (c/Capinam), 1967; O circo místico (c/Chico Buarque), 1983; Círculos (Zanga, zangada), s.d.; Corrida de jangada (c/Capinam), 1967; De você eu quero tudo (c/Rui Guerra), 1972; Definitivamente, 1972; Dois coelhos (c/Rui Guerra), 1973; Dois tempos (c/Capinam), 1967; O dono da verdade, s.d.; Em tempo de adeus (c/Rui Guerra), 1965; Embolada (c/Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal), 1967; O espelho de Maria, s.d.; Estatuinha (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1967; Eu vivo num tempo de guerra (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1966; Feira de Santarém (c/Gianfrancesco Guarnieri e Rui Guerra), 1970; Festa de sangue, s.d.; Festas mortas (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1973; Flor de Itamaracá, s.d.; Foi preciso viver, 1972; Frevo de Itamaracá, 1970; Glória, s.d.; Incelença (c/Rui Guerra), s.d.; Jogo de roda (c/Rui Guerra), 1966; Kyrie, s.d.; Libera nos, s.d.; Lua nova (c/Torquato Neto), 1967; Maré morta (c/Rui Guerra), 1972; Maria e a festa, s.d.; Mariana, Mariana (c/Rui Guerra), 1970; Marta e Romão (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1970; Meia-noite (c/Chico Buarque), 1985; Memórias de Marta Saré (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1968; As mesmas histórias, 1965; Meu caminho (c/Dori Caymmi), 1967; Na ilha de Lia, no barco de Rosa (c/Chico Buarque), 1988; Nego maluco (c/Chico Buarque), 1994; No cordão da saideira, frevo-canção, 1968; Norte sul (c/Rui Guerra), cantoria, s.d.; Oremus, s.d.; Paris seis por oito, 1972; Ponteio (c/Capinam), 1967; Porto do sol (c/Ronaldo B. Ribeiro), s.d.; Pra dizer adeus (c/Torquato Neto), 1967; Quatro ventos, s.d.; Rainha porta-bandeira (c/Rui Guerra), 1972; Rancho de ano novo (c/Capinam), 1970; Réquiem no 3 (c/Rui Guerra), 1972; Réquiem para um amor (c/Rui Guerra), 1965; Resolução (c/Lula Freire), 1965; Reza (c/Rui Guerra), 1965; Rosinha (c/Capinam), 1967; Sailing night (c/Rui Guerra), 1972; Saudades só para mim, 1962; O sim e o não, s.d.; Sinherê (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1967; Só me faz bem (c/Vinícius de Morais), 1967; Sobre todas as coisas (c/Chico Buarque), 1983; O tempo e o rio (c/Capinam), 1967; Upa, neguinho (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1965; Valmi, s.d.; Valsa brasileira (c/Chico Buarque), 1988; Vamos amar (c/Marcos Vale), s.d.; Veleiro (c/Torquato , Neto), 1967; Vento bravo (c/Paulo César Pinheiro), 1973; Viola fora de moda (c/Capinam), 1973; Vira e mexe, s.d.; Zambi (c/Vinícius de Morais), 1964; Zanga, zangada (c/Ronaldo B. Ribeiro), 1973; Zanzibar, 1970.
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quinta-feira, 17 de maio de 2007

Fon-Fon

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Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro), regente, arranjador, instrumentista e compositor nasceu em Santa Luzia do Norte/AL em 31/01/1908 e faleceu em Atenas/Grécia em 10/08/1951. Iniciou as atividades musicais aos dez anos, tocando piano numa zabumba em sua cidade.
Foi para Recife/PE estudar no Colégio Batista, mas, logo depois, abandonou a escola e voltou para Santa Luzia do Norte, onde recebeu convite para trabalhar no interior do Estado de São Paulo. Quando chegou a São Paulo/SP, resolveu permanecer na capital, mas, sem carteira de reservista, e, portanto, sem possibilidades de conseguir emprego, ingressou no Batalhão de Polícia, pensando em participar da banda (o que não foi possível porque não sabia ler música). Voltou para sua terra e, em seguida, foi para Maceió/AL, onde passou a trabalhar como correntista em um escritório. Nessa época, começou a estudar música.
Em 1927, transferiu-se para o Rio de Janeiro/RJ, para servir no 2º Regimento de Infantaria. Com o mestre de frevo Garrafinha, contramestre da banda do regimento, aperfeiçoou seus conhecimentos musicais, estudando saxofone. O apelido foi-lhe dado pelo clarinetista Dedé, companheiro de regimento, porque, quando tocava saxofone, não tirava os agudos com clareza e o som saia sempre parecido com fon-fon.

Por essa época, começou a tocar em "dancings". Numa festa em que Dedé faltou, substituiu-o na clarineta, interpretando, com muito sucesso, You Are Meantfor Me. Em 1930, deixou o Exército e passou a atuar em diversos conjuntos, e com um deles fez uma viagem à Argentina, onde permaneceu por um ano. De volta ao Brasil, ingressou na Orquestra de Romeu Silva e, posteriormente, na de Silvio Sousa.
Em 1935, por motivo de doença, afastou-se das atividades musicais, retomadas em 1939, quando começou a ensaiar sua própria orquestra. Nessa primeira tentativa, não teve êxito. Mais tarde, reuniu novos músicos, com os quais passou a atuar no Cassino Assírio, tendo o maestro Radamés Gnattali como arranjador.
Com o mesmo estilo das orquestras de danças norte-americanas que faziam grande sucesso na época, como as de Benny Goodman, Tommy Dorsey e Artie Shaw, a Orquestra de Fon-Fon alcançou muito êxito entre a elite carioca, freqüentadora do cassino. Em 1941, com sua orquestra, excursionou por Buenos Aires, Argentina, onde se apresentou na Radio Splendid.
De 1942 a 1947, no Brasil, o grupo fez o acompanhamento em dezenas de gravações, na Odeon, para os maiores cantores da época. Gravou poucos discos instrumentais, entre os quais o famoso choro Murmurando (de sua autoria e Mário Rossi), em 1946, na Odeon.
Em 1947, Fon-Fon e sua Orquestra foram para Paris, França, a convite do Club des Champs Elysées, permanecendo na Europa até 1951, e apresentando-se em diversos países, inclusive a Grécia, onde morreu.
Foi no exterior que a orquestra gravou seu único LP, na etiqueta London, não editado no Brasil. Foi o primeiro chefe de orquestra uma banda com naipes de saxofone e metais (trombones e trompetes), com uma sonoridade característica e identificável, contribuindo também para o sucesso de diversos cantores importantes que acompanhou. (fonte: Collector's)
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segunda-feira, 14 de maio de 2007

Lauro Maia

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Lauro Maia (Lauro Maia Teles), compositor, instrumentista e arranjador, nasceu em Fortaleza/CE em 06/11/1912 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 05/01/1950. A mãe era professora de teoria musical e lhe ensinou as primeiras noções de música. Ainda ginasiano, freqüentemente apresentava-se tocando piano no Cine-Teatro Majestic, sendo depois convidado a substituir pianista que adoecera.
Em 1938, formou o Quinteto Lupar, com Paulo Pamplona, Ubiraci de Carvalho, Roberto e Antônio Fiuza, estreando no ano seguinte na Ceará Rádio Clube. Na época, era diretor artístico da emissora, alem de ocasionalmente integrar a orquestra da casa como pianista ou acordeonista. Além disso, liderava a Escola de Samba Lauro Maia, fazia pesquisas sobre o folclore cearense e arranjos de musicas para gravações. Casado com Djanira Teixeira, irmã do compositor Humberto Teixeira, transferiu-se para o Rio de Janeiro, sendo contratado pelos editores Irmãos Vitale.
Passou também a trabalhar em cassinos, e em 1942 sua composição Eu vi um leão foi gravada na Odeon pelos Quatro Ases e Um Curinga, mesmo conjunto que lançou em 1944 a marcha de sua autoria Trem de ferro, um de seus maiores sucessos. Em parceria com Humberto Teixeira compôs outros grandes êxitos, como Só uma louca não vê, gravado por Orlando Silva na Odeon em 1945, e, no ano seguinte, Deus me perdoe, lançada em disco por Ciro Monteiro na Victor, obtendo muito sucesso no Carnaval.
Criou um novo ritmo, o balanceio, que fazia prever o baião urbanizado, como nas músicas Marcha do balanceio, gravada por Joel e Gaúcho, e Tão fácil, tão bom, interpretada pelos Vocalistas Tropicais, ambas na Odeon, também em 1946.
Adoecendo, regressou a Fortaleza no ano seguinte, retornando ao Rio de Janeiro em 1948, onde faleceu dois anos depois. Duas músicas de sua autoria foram lançadas postumamente: Trem ô lá lá (com Humberto Teixeira), em 1950, por Carmélia Alves, e o choro Faísca, gravado por Raul de Barros, na Odeon, um ano depois, obtendo êxito. Sua música Trem de ferro foi regravada por João Gilberto em 1961, com sucesso, constando do terceiro LP desse cantor na Odeon.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - Publifolha.
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Leo Peracchi

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Leo Peracchi nasceu em 30/9/1911 na cidade de São Paulo-SP e faleceu em 16/1/1993 no Rio de Janeiro-RJ. Foi regente, arranjador, pianista, professor, compositor, mestre da instrumentação moderna brasileira e destacado orquestrador da Música Popular Brasileira. Durante sua vida profissional teve enorme importância também como formador de músicos e incentivador de jovens artistas como Toquinho, Tom Jobim e do pianista Arthur Moreira Lima.
Primeiro filho de Memore e Ada Peracchi, seu pai foi professor de música e diretor do Conservatório Benedetto Marcello, depois Conservatório Carlos Gomes. Teve quatro irmãos, três dos quais também musicistas: Henriqueta Elda, pianista, Eldo, violoncelista e Gemma Rina, pianista e professora do conservatório Carlos Gomes, e Tina, secretária e estenógrafa.
Formou-se em piano e composição no conservatório do pai, onde, ainda de calças curtas, passou a dar aula de teoria e solfejo (1927). Começou sua carreira dirigindo pequenas orquestras (1928), acompanhando filmes nos cinemas da cidade, e tornou-se concertista clássico de piano.
Casou-se (1932) com sua primeira mulher, Sofia Giordani, com quem viveu durante 18 anos e teve dois filhos, Márcia e Adriano Lúcio, e passou a trabalhar como pianista e maestro da Rádio Kosmos, de São Paulo (1936). Passado pela Rádio Bandeirantes e pela Rádio Educadora Paulista, seguiu para o Rio de Janeiro (1941), a convite da Rádio Nacional, à época a maior emissora do país, onde participou de vários programas como orquestrador, regente e compositor.
Foi o criador, juntamente com Haroldo Barbosa e José Mauro, do programa Dona Música, que apresentava músicas de todas as partes do mundo. Entre muitas outras atividades, dirigiu a orquestra da Rádio Nacional no programa A história das orquestras do Brasil (1944), também lançado por Almirante.
Passou a viver (1950) com sua segunda mulher, a cantora lírica Lenita Bruno (1929-1987), com quem teve uma filha, a cantora Míriam. Escreveu partituras musicais para diversos filmes da Atlântida e Flama, como a chanchada Tu és Meu (1952), de José Carlos Burle e incontáveis arranjos para discos e regeu várias orquestras.
Foi nomeado (1965) diretor musical da Orquestra Sinfônica de Altoona, na Pensilvânia, cargo no qual permaneceu por dois anos. Lá também dirigiu conjuntos corais e lecionou nas escolas Nossa Senhora de Lourdes e Montessori, além da Universidade da Pensilvânia.
Com a terceira mulher, Nina Campos, mudou-se para Belgrado, antiga Iugoslávia (1968), onde trabalhou com a Orquestra Filarmônica da cidade e escreveu o ballet Stâmena. Voltou para o Brasil (1970), estabelecendo-se em São Paulo, trabalhando nas gravadoras Copacabana e Arlequim, da qual foi diretor musical, e na Editora Vitale e dava aulas particulares de música para jovens interessados, além de aulas de Composição e Conjunto de Câmara no Conservatório Carlos Gomes.
Nessa mesma época, faz trabalhos de regência para o Estúdio Gazeta e para a Orquestra da Rede Globo e adaptou arranjos para teatros e orquestras. Vítima de um princípio de derrame que o impediu de continuar escrevendo partituras, foi morar no Rio de Janeiro (1989) viver sob os cuidados dos filhos, onde faleceu três anos depois, a 16 de janeiro.

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Lírio Panicali

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Lírio Panicali, regente, arranjador compositor e instrumentista, nasceu em Queluz/SP em 26/6/1906 e faleceu em Niterói/RJ em 29/11/1984. Filho de imigrantes italianos, aos 12 anos transferiu-se para São Paulo SP, ingressando no Liceu Coração de Jesus e depois no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.
Em 1922, já no Rio de Janeiro/RJ, estudou no I.N.M. e foi maestro e pianista da Companhia Negra de Revista. Nessa cidade, conheceu Lamartine Babo, com quem escreveu o fox Saias curtas. Por razões familiares, precisou voltar à cidade natal, lá tendo desenvolvido intensa atividade musical, organizando bandas e coros.
De volta a São Paulo, começou a trabalhar na Rádio São Paulo, passando, em 1938, para a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde participou do programa Canção Antiga, de Almirante. Nesse ano organizou a Orquestra Melódica Lírio Panicali e, desde então, começou a escrever temas para novelas da Rádio Nacional, destacando-se nesse gênero suas valsas Encantamento, Magia (com Raimundo Lopes) e Ternura (com Amaral Gurgel).
Em 1939 estreou no cinema, compondo para o filme Aves sem ninhos, dirigido por Raul Roulien seguindo-se as trilhas sonoras para os filmes: em 1943, Moleque Tião, de José Carlos Burle; em 1947, Este mundo é um pandeiro, de Watson Macedo; em 1953, Dupla do baralho, e em 1954 Nem Sansão nem Dalila, ambos de Carlos Manga.
Foi um dos fundadores da gravadora Sinter (1950), onde permaneceu como diretor do setor artístico e gravou, em 1950, seu primeiro LP, Orquestra melódica de Lírio Panicali. Nessa fábrica, gravou inúmeros sucessos carnavalescos. Idealizou com Paulo Roberto o famoso programa Lira de Xopotó, na Rádio Nacional, sobre bandas do interior, de que resultou o LP do mesmo nome com músicas regionais.
Foi maestro contratado da Rádio M.E.C. e fez arranjos para quase todas as gravadoras do país, tendo-se destacado na Columbia, orquestrando discos de artistas como Cauby Peixoto, Tito Madi e Sérgio Murilo. Fez também arranjos para diversas orquestras, entre as quais a de Zacarias. Com o aparecimento das telenovelas, na década de 1960, foi convidado a escrever algumas trilhas sonoras e, mais tarde, em 1972, resumiu esse seu trabalho no LP Odeon Panicali e as novelas.
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quinta-feira, 10 de maio de 2007

Radamés Gnattali

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Radamés Gnattali
Foto: Divulgação / PMPA

O compositor, arranjador, regente, pianista e professor Radamés Gnattali nasceu em Porto Alegre/RS em 27/1/1906 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 13/2/1988. Filho do imigrante italiano Alessandro Gnattali e da pianista gaúcha Adélia Fossati, foi criado em um ambiente tipicamente italiano, com seus costumes, cultura e o amor pela música. Foi envolvido desde cedo pela paixão que os pais nutriam pela ópera, que se refletiu nos nomes dos três filhos do casal: Radamés, Aída e Ernâni, todos personagens de óperas de Verdi.
Aprendeu piano com a mãe e aos 9 anos ganhou um prêmio por sua atuação como regente de uma orquestra infantil, que tocou arranjos feitos por ele. Aos 14 entrou para o Conservatório de Porto Alegre para estudar piano, e acabou dominando também a viola. Já por essa época freqüentava blocos de carnaval e grupos de seresteiros boêmios, para os quais, na impossibilidade de levar o piano, aprendeu a tocar cavaquinho. Até se formar no conservatório, estudava para ser concertista e tocava em cinemas e bailes para se sustentar.
Em 1924, recém-formado, foi para o Rio de Janeiro se apresentar no Teatro Municipal, executando um concerto de Tchaikovski sob regência de Francisco Braga. Nessa viagem conheceu o compositor Ernesto Nazareth, e passou os dois anos seguintes entre Porto Alegre e Rio, sempre trabalhando com música erudita.
Em sua cidade natal montou um quarteto de cordas e com ele viajou por todo o estado, o que fortaleceu sua base para a orquestração. No início dos anos 30 radicou-se definitivamente no Rio de Janeiro, onde se deu sua estréia como compositor, com a apresentação de Rapsódia Brasileira, interpretada pela pianista Dora Bevilacqua. Por essa época, em face às dificuldades com a carreira de concertista, resolveu investir no mercado da música popular. Foi contratado por orquestras que animavam bailes, festas e programas de rádio.
Em 1934 passou a ser o orquestrador da gravadora Victor e dois anos depois participou da inauguração da Rádio Nacional. Lá Radamés atuou como pianista, solista, maestro, compositor, arranjador, usando sua bagagem erudita no trato com a música popular. Permaneceu na Rádio Nacional por 30 anos e criou arranjos antológicos, como Lábios que beijei (J. Cascata e Leonel Azevedo), gravado por Orlando Silva em 1937, e Aquarela do Brasil (Ary Barroso), em 1939.
Em 1943 criou a Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali, que tocava os arranjos do maestro no programa Um Milhão de Melodias, dando um colorido brasileiro aos sucessos estrangeiros. Para isso, Radamés passou a usar os instrumentos da orquestra de forma percussiva, conseguindo efeitos até então inéditos. O programa foi também o primeiro a prestar homenagens a compositores como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu.
Enquanto atuou no rádio não deixou de lado as carreiras de pianista, concertista e compositor. Compôs concertos e peças sinfônicas executadas ao redor do mundo. Em 1960 viajou à Europa com o Sexteto Radamés Gnattali, grupo derivado do Quarteto Continental, criado na Rádio Continental em 1949. O Sexteto era formado por Radamés, Aída Gnattali (piano), Chiquinho do Acordeom, Zé Menezes (guitarra), Pedro Vidal Ramos (baixo) e Luciano Perrone (percussão).
Nos anos 60 foi contratado pela TV Globo, onde trabalhou durante 11 anos como arranjador, compositor e regente. Foi peça fundamental no movimento de redescoberta do choro ocorrido na década de 70, atuando como incentivador e mestre de jovens instrumentistas como Raphael Rabello, Joel Nascimento, Maurício Carrilho, a Camerata Carioca, e estimulando releituras de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e outros mestres do choro.
Em 1983, recebeu o prêmio Shell na categoria música erudita, concedido por unanimidade, ocasião em que foi homenageado com um concerto no Teatro Municipal, que contou com a participação da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, do Duo Assad e da Camerata Carioca.
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