terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Egberto Gismonti

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Egberto Gismonti

Egberto Gismonti (Egberto Amin Gismonti), compositor, instrumentista e arranjador nasceu em uma família de músicos em Carmo, pequena cidade do interior do estado do Rio (5/12/1944), filho de pai libanês e mãe italiana. É considerado um dos maiores compositores brasileiros de música instrumental. Começou a estudar piano aos cinco anos.

Ainda na infância e adolescência, seus estudos no Conservatório já incluíram flauta, clarinete, violão e piano. Interessou-se pela pesquisa da música popular e folclórica brasileira, chegando a passar uma temporada vivendo com os índios no Xingu.

Em 1968, participou de um festival da TV Globo com a canção O sonho, defendida pelos Três Morais, que atraiu a atenção do público e elogios da crítica. Partiu nesse mesmo ano para a França, onde estudou música dodecafônica com Jean Barraqué e análise músical com Nadia Boulanger.

Em 1969, lançou seu primeiro disco, Egberto Gismonti, com forte influência da bossa nova. O álbum, hoje cult, acabaria sendo uma de suas obras mais acessíveis, dado que, nos anos 1970, Gismonti se dedicaria a pesquisas musicais e experimentações com estruturas complexas e instrumentos inusitados, voltando-se quase exclusivamente para a música instrumental.

No V Festival Internacional da Canção, em 1970, concorreu com Mercador de serpentes.

A hesitação das gravadoras brasileiras com o seu estilo o levou a procurar refúgio em selos europeus, pelos quais lançou vários álbuns pelas décadas seguintes. Gismonti explorou diversas avenidas da música, sempre imprimindo o seu interesse pessoal: o choro o levou a estudar o violão de oito cordas e a flauta, a curiosidade com a tecnologia e a influência da Europa o levaram aos sintetizadores, a curiosidade com o folclore e as raízes do Brasil o levaram a estudar a música indígena do Brasil, tendo mesmo morado por um breve período com índios yawaiapiti, do Alto Xingu.

A carreira de Gismonti prosseguiu sólida - se não comercialmente explosiva - e o artista continuou gravando seus álbuns e participando de discos alheios, além de fazer turnês de sucesso, especialmente na Europa. Entre os músicos com os quais colaborou ou colaboraram com ele, destacam-se Naná Vasconcelos (Dança das cabeças, de 1976), Marlui Miranda, Charlie Haden, Jan Garbarek, André Geraissati, Jaques Morelenbaum, Hermeto Paschoal, Airto Moreira e Flora Purim.

Gravou quinze discos entre 1977 e 1993 para o selo norueguês ECM, dez dos quais lançados no Brasil pela BMG em 1995. Através de seu selo Carmo, recomprou seu repertório inicial, e é um dos raros compositores brasileiros donos de seu próprio acervo.

Recentemente sua obra passou a ser gravada maciçamente por outros instrumentistas. Algumas peças do disco Alma, de 1987, tornaram-se hits, como Palhaço e Loro.

Fontes: Wikipédia; Clique Music.

Hermeto Pascoal

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Hermeto_Pascoal_1985

No dia 22 de junho de 1936 nasceu Hermeto Pascoal, compositor, multi-instrumentista e grande contador de histórias, no pequeno município de Lagoa da Canoa em Alagoas. Filho de roceiros, escapou do trabalho na enxada por ser albino e não poder ficar exposto ao sol.

O próprio Hermeto conta que quando criança, na escola, os professores davam trabalhos para construir instrumentos com latas de goiabada. E de uma lata de goiabada ele fez um "violãozinho". Essa foi sua primeira criação.

Seu primeiro parceiro musical foi o irmão mais velho José Neto, tocando nos bailes de "pé-de-pau", realizados ao ar livre, sob as árvores, comuns naquela época. Além disso, os dois irmãos mostravam seu talento em batizados e casamentos, suando um bocado enquanto andavam, às vezes um dia inteiro para chegar até o local da festa. Em 1950 a família mudou-se para Recife, onde Hermeto e José Neto começaram a tocar acordeão nas rádios Tamandaré e Jornal do Commércio. Seu primeiro instrumento foi uma sanfona de 8 baixos.

Um ano mais tarde, Hermeto já se destacava como acordeonista e começava suas experimentações musicais, sempre estudando e pesquisando novos sons. Autodidata, uma caraterística que marca esse gênio da musica, valia-se dos mais diversos artefatos, como foices, enxadas, machados e garrafas, batendo em ferros e tentando repetir os sons no acordeão.

Em 58 foi para a Paraíba, tocar na Rádio Tabajara, em João Pessoa, como integrante da Orquestra do Maestro Gomes. Passou pouco tempo na Paraíba e nesse mesmo ano mudou-se para o Rio de Janeiro, levado pelo seu irmão, José Neto, para tocar na Rádio Mauá.

No Rio começou a se interessar pelo piano, na própria Rádio Mauá. Hermeto chegava com horas de antecedência para estudar e sentir as teclas. Mas foi tocando nas boates do Rio que se tornou realmente um pianista. Com isso mudou-se para São Paulo e tornou-se o pianista da Boate Chicote, em 61.

Em 1962, após deixar seu lugar no piano da Boate La Vie en Rose, Hermeto entrou para o Som Quatro. Dois anos depois formou o Sambrasa Trio (com Claiber, no baixo, e Airto Moreira, na bateria). Ainda em 64 foi tocar piano na Boate Stardust e começou seu interesse pela flauta. Para praticar o instrumento, Hermeto se trancava no banheiro da boate ou ia para a Igreja da Consolação durante o intervalo das apresentações, chegando a dominar o instrumento em apenas um mês. Logo recebeu um convite do cantor Walter Santos para participar da gravação do seu LP Caminho, lançado em 65, como flautista.

No ano seguinte, entrou para o Trio Novo (Théo de Barros, Airto Moreira e Heraldo), que se transformou em Quarteto Novo. Esse grupo foi um marco na história da música instrumental brasileira. Em 1967 o quarteto lançou seu único disco, Quarteto Novo, pela Odeon, que, segundo a crítica, foi uma valiosa experiência musical com ritmos nordestinos. Esta experiência musical consistia em aplicar as sofisticadas harmonias de jazz aos riquíssimos rimtos nacionais. Aí encontra-se a primeira música de Hermeto a ser gravada: O ovo. Em 69 o grupo se desfez e Hermeto passou a tocar com Edu Lobo. O próprio Heraldo do Monte relata que "esse Albino é muito louco!".

Já Airto Moreira foi para os Estados Unidos, integrar a banda de Miles Davis. Nada mais óbvio que ele, Hermeto, fosse para os EUA como arranjador de um disco de Airto. Nesta viagem conheceu Miles Davis e logo gravou com o músico americano, que colocou o carinhoso apelido de "Albino Crazy". Nesse LP, Miles Davis Live, o pistonista incluiu duas músicas de autoria de Hermeto: Igrejinha e Nenhum talvez. A participação do grande músico brasileiro com o mestre do trompete consagrou mais ainda o nome Hermeto Paschoal.

Em 71 Airto Moreira incluiu em um dos seus discos, Gaio de roseira, música com arranjo de Hermeto, composta por seu pai. A crítica inglesa colocou a música entre as melhores do ano, dando início ao reconhecimento da obra do músico no exterior. Ainda nesse ano gravou o disco solo Hermeto, lançado pela Buddah Records, já se utilizando de instrumentos inusitados e experimentações nas melodias.

Em 73, lançou o primeiro disco no Brasil, A Música Livre de Hermeto Pascoal, incluindo músicas de grandes artistas brasileiros como Pixinguinha (com a faixa Carinhoso) e Luiz Gonzaga (Asa branca), além de gravar também Gaio de roseira. Nesse disco também, está gravado Bebê, um baião que todo instrumentista brasileiro quer ou tem a honra de tocar.

1977 foi o ano em que Hermeto foi ao EUA gravar um dos seus discos mais famosos, o Slave Mass (Missa dos Escravos). Este disco é considerado um marco na música instrumental, também lançado no Brasil e aplaudido pela crítica.

Participou do Festival de Jazz de São Paulo no final de 78 e logo no início de 79 gravou o disco Zabumbê-Bum-á, na WEA. Uma curiosidade foi a participação dos pais de Hermeto nos vocais, em duas faixas.

Os anos 80 foram de muitas viagens e excurssões para Hermeto. Em parte devido ao seu contrato com a gravadora Som da Gente. Neste período, sua carreira se consolidou no exterior. Também se encontrava num período de grande produção e lançamento de discos.

Em 80 ele gravou Cérebro magnético e neste mesmo ano, apresentou-se no Festival de Montreux, na Suíça. Dois anos mais tarde participou do Festival Horizonte, em Berlim.

Em 1982, Hermeto lançou o disco Hermeto Pascoal & Grupo, grupo este que ficou conhecido mundialmente e permaneceu junto por mais de um década. Em 1984 o grupo lança Lagoa da Canoa Município de Arapiraca, cujo título homenageia a cidade natal de Hermeto.

Em 1985 é lançado Brasil Universo, pela gravadora Som da Gente. Em 1987 lançou Só Não Toca Quem Não Quer e em 1988 seu último disco lançado nessa década, Por Diferentes Caminhos: Piano Acústico, onde Hermeto tocou sozinho.

A década e 90 foi marcada por seu rompimento com as grandes gravadoras. Seu disco de 92, Festa dos Deuses, lançado pela PolyGram, segundo o próprio Hermeto foi mal distribuído e não repassaram os direitos autorais da obra.

Depois disso, Hermeto passou sete anos sem lançar discos. Neste tempo, ele se dedicou a compor, inclusive criou o projeto "Calendário do Som", onde Hermeto compôs um chorinho para cada dia do ano.

O disco Eu e Eles, de 99, marca a volta de Hermeto ao mercado fonográfico. Gravado pelo selo Rádio Mec, o disco foi aplaudido pela crítica, e traz o músico tocando todos os instrumentos, convencionais e os que ele mesmo inventa.

O atual projeto de Hermeto é o "Contagem Regressiva", que consiste na criação de uma música por dia até a virada do milênio, podendo se estender além desta data. O grupo de Hermeto Pachoal sempre traz grandes talentos. A grande característica é que todos, além dos ensaios, estudam juntos.

Fontes: Agenda do Samba & Choro; Programa Retrato do Artista da Radio Unesp de Bauru - 1995; Hermeto Home Page.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Luciene Franco

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A cantora Luciene Franco (Luciene Habib Franco Freitas Câmara), nascida no Rio de Janeiro-RJ em 3/1/1939, é filha única de Alexandrino Franco e Sarah Habib Franco. Estudou no Colégio Mello e Souza, no Rio, onde sempre viveu (salvo um período de dois anos em que morou em São Paulo, entre 1965 e 1967). Foi casada duas vezes e além da atividade artística é empresária do ramo hoteleiro, sendo proprietária de um hotel em Cabo Frio-RJ.

Uma das intérpretes favoritas de Ary Barroso, iniciou a carreira de cantora em 1957 atuando no rádio carioca. No mesmo ano, lançou pela Copacabana seu primeiro disco, assinando apenas Luciene, com o bolero Tarde morena de Espanha, composição de Luiz Bonfá e o samba-canção Ave Maria, de Vicente Paiva. Por essa época, foi levada por Ary Barroso para cantar com Ernâni Filho na boate "Friend's", no Rio de Janeiro.

Em 1958, atuou na TV Rio, indicada pelo violonista Luís Bonfá. No mesmo ano, gravou pela Copacabana os sambas Paz de espírito, de Luiz Bonfá e Reinaldo Dias Leme, e Eu fui de novo à Penha, de Ary Barroso. No ano seguinte, gravou o samba-canção Conversa, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, e o samba Não foi a saudade, de Severino Filho e Alberto Paz.

Ainda em 1959, gravou de Luiz Bonfá e Antônio Maria, o samba-canção Manhã de Carnaval e o Samba do Orfeu. Ainda na década de 1950, participou da festa de aniversário do presidente Juscelino Kubitschek no Palácio Laranjeiras a convite de Ary Barroso. Com o compositor de Aquarela do Brasil trabalhou em três temporadas na extinta boate Fred's, no Rio de Janeiro cantando ao lado de Ernâni Filho.

Em 1961, gravou um de seus maiores sucessos, o samba-canção Ternura antiga, de Dolores Duran e Ribamar, da qual foi a primeira intérprete, no I Festival da Canção ("Festival do Rio"), realizado no Rio de Janeiro no mesmo ano, sob o patrocínio de "O Rei da Voz". Também em 1961, lançou o samba-canção Poema do adeus, de Luís Antônio.

Em 1962, gravou Folha caída, de Hélio Justo e Berenice Ramos e Imenso amor, de Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo. Em 1963, gravou o fox Gente maldosa, de Fernando e Glauco Pereira, e o schuffle Oração da esperança, de Toso Gomes, Paulo César e Correia. No mesmo ano, gravou com Moacir Franco as canções O bicho papão, de Rogério Cardoso e Luzes da ribalta, de Charles Chaplin, com versão de Antônio de Almeida e João de Barro.

Em 1964, lançou pela Copacabana o LP Luciene a notável com orquestração do maestro Severino Filho, com destaque para o samba Dois amigos, de Ary Barroso, os sambas-canção Diga adeus e vá, de Hianto de Almeida e Macedo Netto, e Chamando você, de Luiz Bonfá, e o Baião triste, de Altamiro Carrilho e Miguel Gustavo.

Gravou três elepês e cerca de dez compactos duplos, tendo tido discos lançados na Espanha, Portugal, França e Argentina. Outros sucessos foram Ma vie, de Alain Barrière, música francesa gravada no original, que ficou nove meses na parada de sucessos em todo o Brasil e Gente maldosa, de Glauco Fernando Pereira.

Fez shows em quase todos os estados brasileiros, salvo o Amazonas, Rondônia, Roraima, Amapá e Acre. Fez shows em vários países. Em Portugal, esteve em várias temporadas, inclusive no Cassino Estoril, onde cantou para o príncipe Vittorio Emanuele da Itália, além de apresentações na RTP. No Uruguai, apresentou-se no Cassino San Rafael, em Punta del Este. Na Espanha, fez temporada na Boate Flamingo, em Madri. Na Itália, apresentou-se na embaixada do Brasil, em Roma, a convite do embaixador Hugo Gouthier. Fez apresentações no México e no Peru.

Foi a primeira cantora a gravar uma composição de Geraldo Vandré (Rosa flor, em parceria com Baden Powell) e de Edu Lobo. Na TV, atuou em todos os principais shows como os de Flávio Cavalcanti, Chacrinha, Jota Silvestre, Jair de Taumaturgo, Sílvio Santos, Blota Jr., Aerton Perlingeiro, Airton Rodrigues e Murilo Nery.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Lana Bittencourt

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Lana Bittencourt

Lana Bittencourt (Irlan Figueiredo Passos) nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 05/02/1931 e desde menina causava sensação cantando nas festas familiares e em casa de vizinhos e amigos da família. Antes de escolher a carreira artística, cursava línguas anglo-germânicas na Faculdade de Filosofia.

Abandonou, em 1954, o curso para ser cantora, estreando, nesse ano, na Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, transferindo-se depois para a Rádio Mayrink Veiga. Logo gravou um jingle que fez muito sucesso na época. No mesmo ano, já gravaria seu primeiro disco em 78 rpm, com as músicas Samba da noite, de Luís Fernando e Wilton Franco e Emoção, de Emanuel Gitahy e Wilson Pereira. Logo depois foi contratada pela Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro.

Nessa época, excursionou pelo interior do Brasil. Sempre se destacou pela capacidade de cantar em vários idiomas, o que lhe valeu um prefixo nas rádios: Lana Bittencourt, "A internacional". Grande parte de seus discos foram gravados na Colúmbia. Em 1954, chegou a ter um programa, exclusivamente seu, na TV Paulista (canal 5 de SP), que tinha a duração de 30 minutos.

Nos anos 60, lançou vários discos: o LP Musicalscope, que trazia a música Se alguém telefonar, de Jair Amorim e Alcir Pires Vermelho e, além de outras, um de seus grandes sucessos, a música Little darling, de Williams; o LP Intimamente; o LP Sambas do Rio, com músicas de Luís Antônio (Amor... amor, Chorou, chorou) e de Tom Jobim (Corcovado); o LP O sucesso é Lana Bittencourt e o LP Exaltação ao samba, com as músicas "Exaltação à Bahia", de Vicente Paiva e Chianca de Garcia e Os quindins de Iaiá, de Ary Barroso (este LP foi reeditado em CD, com o nome de Exaltação à Bahia).

Em 1965, ainda gravou o LP Lana no 1800, com as músicas Castigo, de Dolores Duran, Ma vie e Au revoir, ambas de Alain Barrière, Vidalin e Bécaud. Em 1997, teve lançado pela Polydisc um CD com seus maiores sucessos.

Fonte: Cantoras do Brasil - Lana Bittencourt.

Juca Chaves

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O cantor, compositor e humorista Juca Chaves (Jurandir Czaczkes Chaves) nasceu no Rio de Janeiro em 22/10/1938. Começou a aprender violão aos sete anos e sempre gostou de escrever poesias. Estudou, em São Paulo, no Colégio Mackenzie, onde costumava organizar festas de que participava cantando composições suas. Nessa época, passava férias na praia e, do contato com o mar e os pescadores, surgiu sua inspiração para canções e poesias praieiras.

Estudou com Guerra-Peixe (noções de harmonia, contraponto e fuga), Alceu Maynard Araújo (curso de folclore), Osvaldo Lacerda (teoria) e Nair Medeiros (piano). Foi aluno também do maestro Eleazar de Carvalho, com quem fundou o movimento da Juventude Musical Brasileira.

Aos 16 anos, teve sua composição Nas águas de Saquarema interpretada por Leny Eversong, na Rádio Nacional, de São Paulo, onde Guerra-Peixe era regente da orquestra. Com um grupo de rapazes do Largo São Francisco, de São Paulo, fundou, nessa época, o Grupo de Seresteiros de São Paulo e, entre 16 e 19 anos, produziu diversos poemas. Com Lemos Brito e Ricardo Amaral, foi um dos fundadores em 1955 da revista Rua Augusta Chic, em que escrevia crônicas e versos.

Em 1955, apresentou-se na TV Tupi, de São Paulo. Patrocinado por jovens da alta sociedade, fez seu primeiro recital, em 1957, no Teatro Leopoldo Fróis, contando com a participação de Ricardo Bandeira e sua companhia de mímica. Também no final da década de 1950, editou Pincel da sociedade, coletânea de poemas satíricos, esboçou um início de carreira jornalística, trabalhando como foca nos jornais dos Diários Associados e no diário Última Hora.

Apresentado por Araci de Almeida a Henrique Lobo, diretor da Rádio Bandeirantes, estreou na gravadora Chantecler em 1960, com o disco Nós, os gatos e Chapéu de palha com peninha preta. No ano seguinte registrou em discos compactos, da RGE, seus primeiros sucessos, a modinha Por quem sonha Ana Maria e as sátiras Nasal sensual (referência ao próprio nariz) e Presidente bossa nova (referência ao presidente Juscelino Kubitschek), que seria proibida pela censura, assim como também sua música de 1962 O Brasil já vai à guerra (comentando a compra de um porta-aviões pelo Brasil).

Ainda em 1962, destacou-se com Caixinha.., obrigado, Seguirei teus dúbios passos e Contrabando de café, e, em 1963, gravou Dona Maria Teresa. Nesse mesmo ano foi para a Europa, passando por Portugal, onde realizou apresentações, e depois fixou-se em Roma, Itália; aí tocou órgão em uma igreja, passando depois a tocar piano em cabaré e a se apresentar na televisão.

Compôs, em 1967, Lé com lé, cré com crê, e marcou sua volta ao Brasil, em 1969, com a estréia do show Circo Sdruws, apresentado por todo o país. A seguir teve um programa na TV Record, de São Paulo: Juca, Caviar e Mulher.

Apresentou-se, em 1974, no espetáculo Vá tomar caju, que, tendo sido levado inicialmente na boate Sucata, no Rio de Janeiro, percorreu depois várias cidades do país. Em 1975 lançou Rimas sádicas, música proibida pela censura pelo uso da palavra “tesão”.

Nos anos seguintes, compôs Paixão segundo o nosso amor, Viver de humor, morrer de amor, É vero, ti amo e Sentir-se jovem. No início da década de 1990, criou a gravadora independente Sdruws Records.

Em 1994 lançou novas sátiras musicais e inaugurou, em São Paulo, o Jucabaré — Theatro Inteligente. Dois anos depois, no Teatro Municipal de São Paulo, apresentou o espetáculo Juca Chaves — O menestrel do Brasil, acompanhado pelo Coral Paulistano e pela Camerata Atheneum.

Juca Chaves, o Menestrel do Brasil

A Sátira é a caricatura dos erros de uma sociedade na qual Juca, há mais de três décadas é o seu artista maior. Com sua voz diferente, mas afinidade única, cantava aos dezoito anos, os defeitos do País, debochando, em trovas e canções ousadas demais para a época, políticos, povo e seus costumes. Assim como Gregório de Matos O boca do inferno - Este Cirano moderno, de nariz agressivo, que do violão fez sua espada, pagou e paga um alto pedágio para sua voz, segundo o imortal Jorge Amado, "a mais livre do Brasil". As portas das rádios e TVs se lhe fecharam, os jornais por medo silenciaram e em setembro de 62, com três anos de carreira, o menestrel, assim por todos chamado, exila-se em Lisboa, recebendo de um Jornal de oposição, a República, a alcunha de O Trovador Maldito.

Durante um espetáculo no Teatro Tivoli, para delírio de uma platéia de intelectuais, jovens e estudantes, muitos vindos especialmente de Coimbra só para ouvi-lo, uma piada sua ao Presidente da República, irritou as autoridades portuguesas, em especial o temível PIDE (Polícia Internacional de Defesa de Estado), órgão de repressão do Governo Salazarista, que também não concordou com sua arte liberal. Um novo exílio, desta vez para a Itália onde, por 5 anos virou personagem e fez sua fama.

De retorno à Pátria, em plena ditadura, enfrenta a censura, a imprensa e o temor dos poderosos. Independente, com filosofia própria e sem pertencer a grupos políticos ou, participar de manifestações ideológicas, um modismo dos anos 70, transporta suas músicas aos teatros. Inaugura então seu Circo SDRUWS, atuando sempre sozinho, como um mito isolado da MPB.

Satiriza a Nova República, seus novos hábitos e a velha corrupção. Desafia o poder da comunicação e ironiza a mídia, sendo naturalmente boicotado por algumas revistas, jornais e emissoras de TV e Rádio, que impõem-lhe a Lei do Silêncio. Por outro lado, cativa ainda mais seu público fiel, em programas alternativos. Propõe no Senado o Disco Numerado em defesa do autor, não recebe apoio das autoridades, tampouco da classe e é definitivamente vetado pelas gravadoras e FMs. Cria seu selo independente, a SDRUWS RECORDS - "A VEZ DO DONO" e não "A VOZ DO DONO" - ironizando o cachorrinho da RCA, "Além de burro, ele é surdo", disse Juca - o que lhe custou novo processo.

Em 1994 lança novas sátiras musicais e inaugura seu próprio Theatro Inteligente, o Jucabaré, em São Paulo, onde se apresentou por um ano e fechou as portas para se apresentar nos teatros em todo o país, para segundo ele, "Atender a inúmeros pedidos de credores". Seu lar fica em Itapoã, Bahia. "Lá não faço nada, faço curso para ministro..."

Trinta e nove anos de carreira ou "prostituição artística", como afirma Jurandyr Chaves, o satírico Juca e romântico Juquinha é, inegavelmente, o mais completo e querido one man show. Nisto leva a vantagem de ser man mesmo, ironiza. Compositor, poeta, sonetista das rimas ricas - segundo o Príncipe dos Poetas, Guilherme de Almeida - músico de formação erudita por sua vasta obra (mais de quatrocentas músicas, entre sátiras políticas e sociais e modinhas).

É um mito à parte da cultura brasileira. Recebeu da imprensa portuguesa o título de "O Menestrel da Liberdade" e da brasileira, "O Menestrel do Brasil", na luta contra os patrulhamentos políticos e sociais. Segundo para Zélia Gattai: "É um anarquista". "Graças a Deus", conclui Juca.

Eis aí nosso Juquinha, o Grande Menestrel. Maldito para uns, irreverente para outros, mas para ele mesmo, um Vendedor de Sonhos. O sonho da liberdade, exclusividade daqueles que são e pensam livremente.

Músicas do Juca neste blog

A cúmplice, Por quem sonha Ana Maria, (letras cifradas); A situação, Ah! Se o seu fusca votasse, Amor non sense, Aquarela de sonhos, Assim é o Rio, Atraso ou solução, Auto-retrato, Brasil já vai a guerra, Caixinha obrigado, Cantiga para Iara dormir e sonhar, Dona Maria Tereza, Jeová, Jeová, Legalidade, Melô da merda, Menina, Nasal sensual, Pena preta de urubu, Pequena marcha para um grande amor, Políticos de cordel, Presidente Bossa Nova, Sou sim e daí, Take Me Back To Piauí (só letras).

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha; http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Osvaldo Molles

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Osvaldo Molles (Santos, SP, 1913 - São Paulo, SP, 14/05/1967) aos 16 anos de idade iniciou sua carreira no jornalismo, trabalhando na redação do Diário Nacional e, em seguida, no São Paulo Jornal e no Correio Paulistano.

Viajou pelo interior do Brasil escrevendo reportagens sobre os nordestinos. Fixou residência em Salvador (BA), ocasião em que se juntou ao grupo fundador de O Estado da Bahia.

De volta a São Paulo, participou do lançamento da Rádio Tupi, iniciando sua carreira de grande sucesso na radiofonia nacional, que continuou crescente nas rádios Bandeirantes e Record.

Entre suas produções, podemos citar: História das Malocas, O crime não compensa e a História da literatura brasileira, levada ao ar durante dois anos consecutivos e que contou com a colaboração de Oswald de Andrade e Sérgio Milliet, dentre outros.

Como compositor fez, em parceria com Adoniran Barbosa e João B. dos Santos, o samba Conselho de mulher (1953); Tiro ao álvaro, com Adoniran; e em 1968 torna-se sucesso o samba Mulher, patrão e cachaça, feito também com Adoniran.

Inspirado em Saudosa Maloca, samba de Adoniran lançado pelos Demônios da Garoa em maio de 1955, Molles criou, na Rádio Record, o programa História das Malocas, onde Adoniran figurava como Charutinho, um negrinho malandro e boêmio, com sotaque italianizado dos paulistanos.

Gostava dos fraseados errados do companheiro, considerando-os a expressão do autêntico modo de falar do povo. E foi com a pretensão de aprofundar esse mergulho no espírito popular que Molles produziu esse programa. Sucesso absoluto, História das Malocas ficou no ar durante dez anos, de 1955 a 1965, chegando até a ser levado para a televisão.

Acompanhava de perto e incentivava todo o processo de criação de Adoniran Barbosa. Era ele quem enviava Adoniran para longos passeios pelas redondezas, para observar e extrair histórias para seus programas. Também foi Molles quem deu chance para o amigo e parceiro interpretar diversos tipos.

A parceria dos dois deu tão certo que, em 1946, a imprensa chamava Adoniran de "o milionário criador de tipos" e, Molles, "o milionário criador de programas". Nesse ano, Adoniran fazia nada menos do que dezesseis interpretações diferentes.

Na TV Record, produziu Gente que fala sozinho e outros sucessos, tendo sido agraciado, por onze anos consecutivos, com o Prêmio Roquete Pinto, além dos Prêmios Tupiniquim (4 vezes), Paulo Machado de Carvalho (melhor programador de 1959) , tendo sido condecorado com a Medalha de Ouro do Mérito Radiofônico. Com o roteiro do filme Simão, o caolho, obteve o Prêmio Governador do Estado de São Paulo e o Prêmio Saci.

Poeta, contista e romancista, conquistou o Prêmio Castro Alves e o Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, tendo suas crônicas publicadas nos jornais paulistanos O Tempo, Folha de São Paulo e Diário da Noite e na revista Manchete. Alguns críticos diziam ser ele o sucessor, na literatura paulista, de Antônio de Alcântara Machado.

Fontes: MPB Compositores - Adoniran Barbosa - Editora Globo; Piquenique Classe C - Boa Leitura Editora – São Paulo, sem data, pág. 345; http://www.releituras.com/omolles_natal.asp.

Ernâni Alvarenga

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Ernâni Alvarenga, compositor, instrumentista e cantor, nasceu em São Paulo SP (10/06/1914) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (01/01/1992). Nascido no bairro da Barra Funda, aos quatro anos de idade mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde fez o curso primário.

Aprendeu a tocar cavaquinho e em 1927 participava de um regional, começando a compor no ano seguinte. Durante o Carnaval, convidado pelo sambista Paulo da Portela, que desfilava pelo bloco Vai Como Pode, passou a participar, juntamente com seu Bloco da Rua D, da escola de samba que estava sendo organizada e que em 1935 se tornaria conhecida como G. R. E. S. da Portela.

Em 1931 o Vai Como Pode desfilou na Praça Onze, cantando Dinheiro não há, samba de sua autoria, que mais tarde, com uma segunda parte composta por Benedito Lacerda, foi gravado por Leonel Faria. Sambista da velha guarda da Portela, atuou na escola compondo e tocando cavaquinho de quatro e cinco cordas, instrumento no qual se aperfeiçoou com a ajuda de Luperce Miranda.

Em 1937, a convite de Paulo Leblon, diretor da Rádio América, de São Paulo, afastou-se da escola para apresentar-se como cantor no programa Big Show América. Depois de passar alguns anos em São Paulo, voltou ao Rio de Janeiro para trabalhar na Rádio Mayrink Veiga e a seguir na Rádio Guanabara. Doente das cordas vocais, deixou a vida artística por alguns anos, reaparecendo no início da década de 1970.

Morador do subúrbio carioca de Osvaldo Cruz, foi um dos últimos remanescentes do grupo de fundadores da Portela. Freqüentava esporadicamente os ensaios e rodas de samba promovidos pela escola. Dois de seus sambas, Salário mínimo e Dinheiro não há, foram regravados por Beth Carvalho.

Obras

Aumento de salário (c/Paquito), 1932; Cheques a granel (c/Paquito), 1932; Dinheiro não há (c/Benedito Lacerda), 1932; Seu Aristeu (c/Paquito), 1932.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

O nascimento da Orquestração Brasileira

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Antes de Pixinguinha, o samba das orquestras tinha som de maxixe e os arranjos eram da escola italiana. Com ele, o colorido sonoro ganhou tons verde-amarelos, criando a maneira brasileira de se fazer ouvir.

Ary Barroso foi um dos primeiros a protestar contra a forma como os sambas e outros ritmos brasileiros estavam sendo gravados, nos momentos da expansão da indústria fonográfica no Brasil. Não que tivesse algo de pessoal contra os maestros e instrumentistas estrangeiros encarregados de executar nossas músicas, mas bastava simplesmente ouvi-los para sentir a falta de sotaque brasileiro.

Os arranjos obedeciam à escola italiana, os músicos tocavam como nos velhos tempos dos maxixes, não se observava a presença de ritmistas nas orquestras, faltando molho e sabor nacionais às gravações.

A solução veio com um gênio negro, nascido no Rio de Janeiro, em 1898, e que, aos 12 anos, já era considerado o maior flautista da cidade. No futuro, viria a sê-lo também do Brasil e, em termos de música popular, talvez do mundo. Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, que já tivera a grande experiência internacional liderando Os Oito Batutas em Paris, era nome conhecido e respeitado como músico e líder, quando sua carreira de arranjador, uma guinada em seu destino e no da música popular brasileira, aconteceu.

A primeira vez que formou uma orquestra, ou algo parecido, foi na Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, no Rio de Janeiro. Como ele mesmo contava: “A Rádio Sociedade tinha um estúdio na Exposição.Tinha aqueles alto-falantes e fui irradiar da Exposição. Eu e Zaíra de Oliveira, grande cantora e que veio a ser posteriormente esposa do Donga (...) toquei em uma exposição da General Motors, da qual participou também Villa-Lobos. Eu organizei uma orquestra popular, com instrumentos de orquestra”.

Sérgio Cabral, na biografia de Pixinguinha, aclara: “O compositor e pianista Eduardo Souto, encarregado de convidar os artistas e as orquestras que iriam apresentar-se diariamente, pediu a Pixinguinha para organizar uma orquestra, tarefa cumprida com a participação de todos os batutas e mais o reforço de Bonfiglio de Oliveira e da cantora Zaíra de Oliveira. (...) Durante toda a exposição, Pixinguinha e sua orquestra tocaram diariamente no pavilhão da General Motors”.

Nascia o primeiro maestro brasileiro a tocar música com o nosso sotaque. A primeira escola de arranjos para Pixinguinha foi o teatro de revista. Foi em composições suas e alheias que o maestro burilou o estilo e iniciou o trabalho de criação de uma forma brasileira de execução orquestral. Seu jeito de levar para a pauta a parte de cada instrumento, no todo de um arranjo, foi ganhando forma na soma de trabalhar muitos ritmos e maneiras de fazer música. Ele próprio, compondo para revistas, fazia músicas japonesas, americanas, argentinas, francesas e por aí afora.

Em 1928, logo após a implantação da gravação elétrica no Brasil, Pixinguinha pôde usar a gravadora Odeon como laboratório para seus experimentos orquestrais. Gravou como nunca, músicas dele e de outros compositores. Apresentava-se como Pixinguinha e Conjunto, Orquestra Típica Pixinguinha, Orquestra Típica Pixinguinha-Donga e Orquestra Típica Oito Batutas.

Em maio de 1928, em companhia de Donga, forma uma orquestra de caráter inteiramente brasileiro. Criada para tocar na II Exposição de Automobilismo, Autopropulsão e Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro, dos 40 músicos, 34 eram instrumentistas de cordas e ritmo, visto que Pixinguinha e Donga objetivavam, com essa orquestra “típica”, fazer frente às jazz bands e às típicas argentinas, febre musical da época.

A consolidação como maestro e arranjador viria em 1929, quando a gravadora Victor contratou Pixinguinha como seu orquestrador de discos e maestro da Orquestra Victor Brasileira. Em, no mínimo, seis gravações por ano, apareceria como solista de flauta, completando suas funções.

Sérgio Cabral destaca a partir daí a importância dessa orquestra para o panorama da música brasileira de então, já que finalmente se passou a tocar música brasileira de um jeito brasileiro, incluindo aí o samba provindo do Estácio. As orquestrações de Pixinguinha podiam ser reconhecidas de imediato.

As introduções que criava, compondo sobre temas alheios, deram tom definitivo ao arranjo nacional. A de O teu cabelo não nega chega a ser tão lembrada quanto a própria música. Sem nunca ter parado de estudar e trabalhar, Pixinguinha é uma referência até hoje para os maestros brasileiros, como continuará sendo amanhã.

Fonte: História do Samba - Editora Globo.

Artur Azevedo

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O contista, poeta, teatrólogo e jornalista Artur Azevedo (Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo) nascido em São Luís (MA), em sete de julho de 1855, é considerado o pai do teatro musicado brasileiro. Filho de David Gonçalves de Azevedo e Emília Amália Pinto de Magalhães, aos oito anos demonstrou gosto para o teatro e fez adaptações de textos de autores como Joaquim Manuel de Macedo.

Muito cedo começou a trabalhar no comércio. Foi empregado na administração provincial e logo após foi demitido por publicar sátiras contra autoridades do governo. Ao mesmo tempo lançou as primeiras comédias nos teatros de São Luís (MA).
Antes de completar seus 20 anos foi para o Rio de Janeiro (1873) empregando-se no Ministério da Agricultura e também ensinando português no Colégio Pinheiro.

Mas foi no jornalismo que se desenvolveu em atividades que o projetaram como um dos maiores contistas e teatrólogos brasileiros. Fundou publicações literárias, como A Gazetinha, Vida Moderna e O Álbum. Colaborou em A Estação, ao lado de Machado de Assis, e no jornal Novidades, junto com Olavo Bilac, Coelho Neto, entre outros.

O BilontraNessa época escreveu as peças dramáticas como a opereta francesa La Filie de Madame Angot; fez a paródia A filha de Madame Angu (1876), que chamou as atenções gerais e criou as oportunidades para o começo de sua carreira teatral; O Liberato e A Família Salazar, que sofreu censura imperial e foi publicada mais tarde em volume, com o título de O escravocrata. Escreveu mais de quatro mil artigos sobre eventos artísticos, principalmente sobre teatro (figura ao lado: chamada para peça "O Bilontra": O Mequetrefe - Rio de Janeiro - 1885).

Suas operetas e revistas introduziram no Brasil o teatro musicado, sendo pioneira O Mandarim(1884), seguindo-se Cocota (1885) e O Bilontra (1886). Os textos críticos e bem-humorados sempre eram aplaudidos, mesmo pelos criticados. Um século depois, continuam a ser encenados, como A Capital Federal, escrita em 1897.

Em 1889, reuniu um volume de contos dedicado a Machado de Assis, seu companheiro na Secretaria da Viação. Em 1894, publicou o segundo livro de histórias curtas, Contos fora de moda, e mais dois volumes, Contos cariocas e Vida alheia. Morreu no Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1908.

Fontes: Artur Azevedo - Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa; História do Samba – Editora Globo; “O Bilontra” - Imagens – 1885 pelos jornais.

A Ala das Baianas

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Nem Dante Alighieri, nas mais profundas divagações sobre o Inferno, imaginaria uma ala de baianas desfilando na sua Divina Comédia. Mas, para a grande magia do Carnaval, nada é impossível e nos primórdios das escolas de samba, a primeira delas, a Deixa Falar, desfilava com o enredo O Inferno de Dante.

Como o fundador da Escola, Ismael Silva, exigia a presença de baianas, o jeito foi incluí-las — de saias rodadas, turbantes. pulseiras e colares — entre caldeirões, tridentes e diabos na versão carioca da obra do autor italiano.

A importância da Ala das Baianas nas escolas de samba pode ser medida de imediato pelo valor da nota que lhes é atribuída nos desfiles. Com no máximo trinta componentes, tem o mesmo peso da bateria, que muitas vezes tem mais de quatrocentos integrantes. Carregada de simbologia, a ala representa o elo histórico entre o samba e as antigas baianas.

Desde o primeiro momento, no Rio de Janeiro, quando chegou pelas mãos dos migrantes baianos, o samba foi acalentado nos casarões das velhas “tias”, que preservaram os costumes culinários, musicais e visuais (no que diz respeito aos trajes) trazidos junto com suas mudanças.

O desenhista francês Debret, impressionado com as batas, as saias presas na cintura e que não passavam do meio da canela, ornadas com rendas; os colares de ouro ou coral; as pulseiras e os berloques de prata; as pequenas chinelas que mal abrigavam os dedos, deixando livres os calcanhares, fixou as baianas muitas vezes nas telas em que retratou o Brasil.

Edison Carneiro, em seus estudos folcioristas, conta que o aparecimento das baianas em trajes típicos remonta aos grupos africanos que foram traficados para o Brasil. Segundo ele, o turbante é muçulmano, os panos-da-costa e as saias rodadas, sudanesas, e os colares é figas-de-guiné, o toque final ao conjunto. Tais aspectos dão referências históricas à figura da baiana.

A ala tem a função de aludir, portanto, às origens afro-baianas do samba, elo tradicional que ainda mantém as escolas de samba unidas a seu cordão umbilical, mesmo com toda a pompa e circunstância que cercam hoje seus luxuosos desfiles.

Não foi sem motivo que Ismael Silva exigiu uma ala de baianas, logo no primeiro desfile de sua Escola de Samba Deixa Falar. A exigência foi cumprida, transformando-se em tradição e parte intocável do regulamento dos desfiles das escolas até hoje. Certamente uma homenagem às “tias” baianas, pioneiras e protetoras do samba nos seus primórdios.

A tradição viva: obrigatórias por regulamento, as baianas
mantêm em sua ala as origens culturais do samba.

Fonte: História do Samba - Editora Globo.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Ernesto de Souza

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Ernesto de Souza (1864 - 1928 - Rio de Janeiro - RJ), compositor, teatrólogo, farmacêutico e instrumentista. Nascido no centro do Rio de Janeiro, na Rua Buenos Aires, morou depois no Andaraí numa casa que tinha um galpão onde apresentava teatro com artistas amadores do bairro, com representações de revistas, comédias e operetas. Pai do músico Gastão Penalva.

Fez fortuna como industrial farmacêutico principalmente devido ao sucesso popular do seu Trinoz e Rum Creosotado, para o qual fez conhecido reclame publicitário. Foi grande proprietário de terras no Rio de Janeiro estendendo-se suas propriedades desde a Rua Uruguai na Tijuca até o trecho que se tornou depois o bairro do Grajaú.

Publicou reclames comerciais em forma de versos e também poemas na revista O Malho depois reunidos no livro Galhardetes. Colaborou ainda com o jornal A Noite. Foi autor do primeiro hino da República que não chegou a ser aproveitado. Foi homenageado ainda em vida com uma rua do bairro do Andaraí recebendo o seu nome.

Ficou famosa a sua cançoneta Quem inventou a mulata?, da peça junina São João na roça. Sua casa era frequentada por figuras como Artur Azevedo, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Catulo da Paixão Cearense, Sátiro Bilhar e outros como os atores Figueiredo e Brandão.

Escreveu ainda com sucesso as músicas Mulata da Bahia, Me compra, ioiô e Angu do Barão.

Sua carreira artística começou no final do século XIX quando juntamente com Moreira Sampaio fundou o Clube Bogari, no qual criou uma orquestra de amadores com 25 componentes intitulada Estudantina Carioca grupo que apresentou diversos concertos.

É autor do famoso reclame publicitário afixado em bondes e veiculado nas rádios no século passado que dizia: "Veja ilustre passageiro/ O belo tipo faceiro/ Que o senhor tem a seu lado/ E, no entanto, acredite,/ Quase morreu de bronquite,/Salvou-o o Rum Creosotado".

Suas primeiras composições foram gravadas em 1902, as cançonetas Angu do barão e O arame pelo cantor Bahiano em disco Zon-O-Phone. Nesse ano, escreveu e dirigiu a revista A cançoneta.

Por volta de 1908, o tango A mulata da Bahia e a cançoneta O angu do Barão foram gravadas na Victor Record pelo cantor João Barros. Por essa época a cançoneta Me compra ioiô e a canção A mulata da roça foram gravadas pela cantora Iracema Bastos, e a cançoneta O arame, pelo cantor Acácio.

Foi tema do programa História das Orquestras e músicas do Rio apresentado por Almirante na Rádio Nacional. Segundo Almirante, deixou mais de 50 composições especialmente cançonetas.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Rui Maurity

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Ruy Maurity

Rui Maurity (Rui Maurity de Paula Afonso) nasceu no dia 12 de dezembro de 1949, em Paraíba do Sul (RJ). Sua mãe foi a primeira violinista a integrar a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, e seu irmão é o pianista Antônio Adolfo. Aprendeu sozinho a tocar violão.

Em 1970 venceu o Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música Dia cinco, que compôs junto com Zé Jorge. No mesmo ano, gravou seu primeiro LP, Este é Rui Maurity.

Foi em 1971 que gravou o seu maior sucesso, Serafim e seus filhos, lançado no LP Em busca do ouro. Três anos depois lançou o disco Safra 74, que teve algumas de suas músicas incluídas nas trilhas sonoras das novelas Escalada e Fogo sobre terra, da TV Globo.

Em 76 e 77 lançou, respectivamente, os LPs Nem ouro nem prata e Ganga Brasil, que incluiu a gravação do tema principal da novela Dona Xepa, da TV Globo. Em 1978 gravou o disco Bananeira mangará.

Com o tempo foi caracterizando cada vez mais a sua carreira com os temas e músicas regionais. Na década de 80 gravou os discos Natureza e A viola no Peito.

Realizou ainda inúmeros shows em diversas cidades brasileiras. No ano de 98 lançou o CD De coração, no qual interpreta diversas parcerias com José Jorge.

Letras e cifras: Nem ouro nem prata, Serafim e seus filhos

Fonte: KUARUP DISCOS

Sonia Lemos

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Sonia Lemos

Sonia Lemos (Sonia Maria Melo Lemos), cantora e compositora, nasceu em 19/12/1943 no Rio de Janeiro, RJ. Irmã do poeta e letrista Tite de Lemos e parente do jornalista Carlos Lemos, integrante da diretoria da Escola de Samba Portela, surgiu no cenário musical em 1967, quando gravou um compacto simples com músicas de Geraldo Vandré.

No ano seguinte, lançou o primeiro LP pela gravadora Philips, Sonia Lemos e sua viola enluarada", no qual interpretou, entre outras, Viola enluarada, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle.

Em 1975, gravou pela Discos Continental o LP 7 domingos. O disco foi apresentado pelo poeta e letrista Sérgio Fonseca e incluiu as composições Toda prosa e Sete domingos, ambas de Agepê e Canário, Baiana do rosário (Romildo e Toninho Nascimento), Meus outros anos (Noca da Portela e Sérgio Fonseca), Grêmio Recreativo e Escola de Samba (Leci Brandão) e Oferendas aos orixás (Dida e Everaldo Viola). O LP também contou com o acompanhamento do conjunto Nosso Samba e com a direção musical de Genaro.

No ano seguinte, lançou o LP Pérola de Agonitá, pela gravadora Discos Continental, disco no qual interpretou Pérola de Agonitá (Gérson Alves e Mhariazinha), Bambeia (Noca da Portela e Edinho Biólogo), 1° botequim (Dedé da Portela e Sérgio Fonseca), Amor inesquecível (Dona Ivone Lara), Prezado amigo (Rildo Hora e Sérgio Cabral) e uma composição de sua autoria, Contratempo na contradança, em parceria com Gérson Alves.

No ano de 1978, lançou o disco O amor seja bem-vindo, pela gravadora Polydor, LP no qual interpretou Canto nenhum (Dedé da Portela e Sérgio Fonseca), Autonomia (Cartola), Coração vadio (Edil Pacheco e Paulinho Diniz), Pode ir" (Roberto Corrêa e Jon Lemos), Momento exato (Leci Brandão) e Amor a três (Noca da Portela e Joel Menezes), entre outras.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Waldir Calmon

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Waldir Calmon (Valdir Calmon Gomes), pianista e compositor, nasceu em Rio Novo-MG (30/1/1919) e faleceu no Rio de Janeiro-RJ (11/4/1982). Aos 11 anos já tinha aprendido a tocar piano com a mãe. Entretanto, sua primeira aspiração era ser cantor. Para tanto, foi crooner num conjunto em que formou em Juiz de Fora-MG em sua época escolar.

Em 1936, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu o compositor e flautista Benedito Lacerda e graças a ele, passou a apresentar-se nas rádios Guanabara e Transmissora, inicialmente como cantor, depois como pianista, com o nome Waldir Gomes.

A partir de sua transferência para a Rádio Cruzeiro do Sul, adotou o nome artístico de Waldir Calmon, que não constou de sua primeira gravação, acompanhando Ataulfo Alves em Leva meu samba (Mensageiro), no ano de 1941.

Depois de formar o grupo Gentleman da Melodia, que durou apenas alguns anos, tocou nos Teatros Rival e Serrador, além da boate Meia-Noite, do Copacabana Palace, todos no Rio, e em cassinos, como o Atlântico (Santos, SP). Foi por essa época que começou a tocar o primeiro solovox (pequeno teclado incorporado ao piano, precursor dos sintetizadores) trazido para o Brasil, popularizando o instrumento.

Com o fechamento dos cassinos, em 1946, foi atuar na boate Marabá-SP. Um ano depois, voltou ao Rio e foi contratado pela boate Night and Day, no Centro, onde permaneceu pelos oito anos posteriores.

Em 1951, começou a gravar discos de 78 rpm no selo Star. Na década de 50 seus discos Ritmos Melódicos (na etiqueta Discos Rádio), Para Ouvir Amando, Chá Dançante e Feito para Dançar (Copacabana) venderam como água. Foi o pioneiro a gravar sucessos dançantes em faixas únicas, ininterruptas, adequados a animar festas, eternizando nos acetatos o som que produzia nas boates de então. Nesse período, atuou na Rádio Tupi e na Rádio Serviço Propaganda, gravando muitos jingles.

Em 1955, deixou a boate Night and Day e abriu sua própria casa noturna, a popular Arpège, no Leme (RJ), que funcionaria até 1967 - onde atuaram João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, além de Chico Buarque, que fez um de seus primeiros shows, em 1966, ao lado de Odete Lara e MPB-4.

Seu conjunto era formado nessa época por Paulo Nunes (guitarra), Milton Banana (bateria), Eddie Mandarino e Rubens Bassini (percussão), Gagliardi (contrabaixo) e o próprio Calmon, ao piano e solovox, que rivalizava as atenções do público com Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo na boate vizinha, o Drink. Gravou quatro LPs intitulados Uma Noite no Arpège.

Depois de arrendar sua boate, continuou atuando em bailes e excursões. Entre 70 e o começo de 77, atuou com sua orquestra de baile no Canecão (RJ), antes e depois do show principal. Nos últimos anos de carreira, passou a tocar também sintetizadores. Morreu em 1982 de infarto do miocárdio.

Fonte: Clique Music.

Vera Lúcia

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Vera Lúcia - Confidências

Vera Lúcia (Vera Lucia Ermelinda Balula), cantora, nasceu na cidade de Vizeu, Portugal, em 07/08/1930. Em 1951, lançou pelo pequeno selo Elite Special seu primeiro disco interpretando o samba Copacabana, de Alberto Ribeiro e João de Barro e o baião Veio amô, de Humberto Teixeira. No mesmo ano, gravou um de seus maiores sucessos, a marcha Rita sapeca, de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti.

Em 1952, gravou a marcha Pisca-pisca e "o samba canção Verdadeira razão, de Armando Cavalcânti e Klécius Caldas e o samba Não vou chorar, de Humberto Teixeira e Felícia Godoy e o Baião de Alagoas, de Humberto Teixeira. No mesmo ano, foi contratada pela Odeon onde estreou com a marcha Pagode chinês, de Ari Monteiro e Irani de Oliveira e o samba Vou-me embora, de Humberto Teixeira e Felícia Godoy.

Em 1953, gravou o Baião da saudade, de Fernando Jacques e o samba canção Intriga, de Altamiro Carrilho e Armando Nunes. No mesmo ano, gravou os sambas-canção Filha diferente, de Raul Sampaio e Rubens Silva e É tarde demais, de Hianto de Almeida.

Em 1954, gravou os sambas Não vivo em paz e Eu não perdôo, da dupla Paulo Menezes e Nilton Legey. No mesmo ano, lançou dois sambas canção Eu sei que você não presta, de Chocolate e Mário Lago e Sempre eu, de Alfredo Godinho e Osvaldo França.

Ainda em 1954, passou a gravar na Continental e lançou os sambas Valerá a pena, de Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Hugo Lima e O que os olhos não vêem, de Luiz Bandeira. No mesmo ano, gravou o xote Suspiro vai, de Graça Batista e Álvaro Carrilho e o samba canção Ter saudade, de Haroldo de Almeida.

Foi eleita Rainha do Rádio em 1955, vencendo Ângela Maria, por decisão de Manoel Barcelos, que quis homenagear Carmen Miranda, portuguesa de nacionalidade como ela e que estava no Rio, em fase de recuperação de saúde. Recebeu a coroa das mãos da Pequena Notável.

Nesse ano já fez sucesso com Amendoim torradinho (Henrique Beltrão) e O que os olhos não vêem (Luiz Badeira). Além deste título, ganhou 10 troféus ao longo da carreira, como destaque de programas de televisão, entre eles, os de Chacrinha e Aerton Perlingeiro.

Em 1956, lançou os sambas canção Molambo e Quem sabe é você, de Jaime Florence e Augusto Mesquita e Duvido, de Luiz Vieira e Dario de Souza e o samba "Cansei de ilusões", de Tito Madi.

No ano seguinte, gravou mais uma composição da dupla Jaime Florence e Augusto Mesquita: o samba Zomba de mim. No mesmo ano, lançou o clássico fado canção Nem às paredes confesso, de Artur Ribeiro, Max e F. Trindade. Gravou ainda no mesmo período em dueto com William Duba a marcha Bacana de Copacabana, de William Duba, Nahum Luiz e Elias José.

Em 1958, gravou o samba canção Por causa de você, de Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran. No mesmo ano, passou a gravar pela Sinter e lançou o samba Janela do mundo, de Billy Blanco e o samba canção Castigo, de Dolores Duran.

Em 1959, gravou duas composições de Antônio Carlos Jobim, o samba Este teu olhar e o samba canção Porque tinha de ser, este, parceria com Vinícius de Moraes. No ano seguinte, gravou a marcha Sacode a tristeza", de Miguel Gustavo. Ainda em 1960, gravou um de seus maiores sucessos, o samba Leva-me contigo, de Dolores Duran. Em 1962, lançou as músicas O bilhete e Samba sem pim-pom, da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim.

Gravou diversos discos de 78 rpm e apresentou-se em Portugal, Argentina e Uruguai. Tendo entre seus sucessos Idéias erradas (Ribamar), Rita Sapeca (Klecius Caldas - Armando Cavalcanti), Leva-me contigo (Dolores Duran) e Castigo (Dolores Duran).

Com o primeiro elepê, Confidências de Vera Lucia, ganhou dois discos de ouro. Um dos prêmios, foi entregue pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Durante quase toda a década de 1950 e ainda nos anos 1960, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a maior emissora do país, o que lhe rendeu prestígio e uma certa popularidade. Em 1997, foi homenageada pelo Museu Carmen Miranda com o Troféu Carmen Miranda.

Fonte: Cantoras do Brasil - Vera Lúcia.

Wilson Miranda

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Wilson Miranda

Wilson Miranda (Wilson Antonio Chaves de Miranda), cantor e compositor, nasceu em Itápolis-SP em 27/3/1940. Começou sua carreira no final dos anos 50, como crooner de um conjunto de jazz, e nessa época, junto com Carlos Gonzaga, foi um dos intérpretes que introduziram gêneros como o calypso e o twist no Brasil, além das versões de baladas de rock.

Em 1958 estreou na Chantecler com o calipso Picolissima serenata, de Ferrio, Amurry e Sidney Morais e o samba canção Fui procurar distração. No ano seguinte o rock balada Twilight time, de Nevins e Dunn, com versão de Fred Jorge e o beguine Veneno, de Poly e Henrique Lobo.

Em 1960 assinou contrato com a Rádio Tupi e passou a cantar rock balada e apesar de não ter sido bem recebido pela crítica, Wilson conseguiu sucesso comercial com músicas como Alguém é bobo de alguém e Bata baby.

Em 1965 gravou Tempo Novo, disco que lhe rendeu muitos prêmios. Mesmo assim, nos anos seguintes deixou a carreira de cantor em segundo plano, atuando como produtor em discos de Nelson Gonçalves, Bendegó, Banda de Pífanos de Caruaru, Originais do Samba, Célia, Vanusa, Marília Medalha, entre outros.

Em 1978 voltou a gravar, dessa vez com um repertório mais voltado para a música popular brasileira, afastando-se definitivamente da imagem de roqueiro do início de sua carreira.

Músicas cifradas: Alguém é bobo de alguém, Não tive intenção.

Fontes: Clique Music; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Valzinho

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Valzinho (Norival Carlos Teixeira), compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 26/12/1914 e faleceu em 1980. O pai era ferroviário e violonista, e a mãe, pianista. É irmão do cantor, compositor e violonista Newton Teixeira. Fez o primário na escola primária Nilo Peçanha, além de haver estudado desenho, escultura e gravura com Calmon Barreto. Seu primeiro emprego foi na Casa da Moeda, como gravador artístico.

Começou a carreira em 1933 na Rádio Guanabara, tocando cavaquinho no conjunto do violonista Pereira Filho, do qual participavam Luís Bittencourt (violão), Darci (pandeiro) e Dante Santoro (flauta). Já como violonista, em 1934 passou a atuar em um conjunto de Pixinguinha, ao lado de Valdemar (violão), João da Baiana (pandeiro e voz) e Joca (pandeiro).

A partir de 1936, com o regional do bandolinista Luperce Miranda, atuou durante alguns anos na Rádio Mayrink Veiga. Em 1938 fez a primeira música, Tudo foi surpresa (com Peterpan), que seria gravada em 1940, na Victor, por Araci de Almeida.

Em 1939 passou a integrar o regional de Dante Santoro, com o qual ficou durante 30 anos atuando na Rádio Nacional. A formação original do conjunto era Dante Santoro (flautista), Carlos Lentini (violão), Valdemar (cavaquinho), Joca (pandeiro), Norival Guimarães (violão) e Rubens Bergman (violão). Durante pouco tempo, participou também do conjunto Bossa Clube, dirigido por Garoto onde já usava técnica que antecipava de certa maneira a bossa nova. Em 1940 e 1950 foi premiado em gravura e escultura pelo Salão Nacional de Belas Artes.

Entre suas composições de maior sucesso estão Não sei por quê (com Luperce Miranda), de 1944, gravada por Gilberto Alves; Doce veneno (com Carlos Lentine e Espiridião Machado Goulart), de 1945, gravado por Marion e o conjunto de Djalma Ferreira — e que, mais tarde, seria relançado por Jamelão, Gaúcho e Orquestra, Britinho e Orquestra, Paulinho da Viola e Elisete Cardoso; Tormento, de 1946, gravada por Orlando Silva; Súplica (com Pernambuco), de 1947; Óculos escuros (com Orestes Barbosa), de 1955, gravado por Zezé Gonzaga e relançado, em 1971, por Paulinho da Viola.

Obras

Doce veneno (c/Carlos Lentine e Espiridião Machado Goulart), samba, 1945; Óculos escuros (c/Orestes Barbosa), samba, 1955; Tudo foi surpresa (c/Peterpan), samba, 1940.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Sidney Miller

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Sidney Miller (Sidney Álvaro Miller Filho), compositor, nasceu e faleceu no Rio de Janeiro- RJ ( 18 de Abril de 1945 - 16 de Julho de 1980). Natural de Santa Teresa despontou como compositor no cenário musical brasileiro durante a década de 1960, participando com algum destaque em festivais da Música Popular Brasileira.

Cursou Sociologia e Economia, porém sem concluir nenhum dos cursos. No início da carreira chegou a ser comparado com o também estreante Chico Buarque, uma vez que tinham em comum, além da timidez, a temática urbana e um especial cuidado na construção das letras.

Além disso, a cantora Nara Leão, famosa por revelar novos compositores, teve grande importância na estréia dos dois - inclusive gravando, em 1967, o disco Vento de Maio, no qual dividiam quase todo o repertório: Chico Buarque assinou quatro canções, enquanto Sidney Miller era o autor de outras cinco.

O primeiro registro importante como compositor foi em 1965 no I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior (SP), obtendo o 4º lugar com a música Queixa, composta em parceria com Paulo Thiago e Zé Keti, interpretada por Ciro Monteiro.

Em 1967 pelo famoso selo Elenco de Aloysio de Oliveira lançou o primeiro disco, na qual se destaca por retrabalhar temas populares e cantigas de roda como Circo, Passa passa gavião, Marré-de-cy e Menina da agulha.

Sidney Miller compôs juntamente com Théo de Barros, Caetano Veloso e Gilberto Gil a trilha sonora para a peça Arena conta Tiradentes, dos dramaturgos Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Nesse mesmo ano, ao lado de Nara Leão interpretou a música A Estrada e o violeiro no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record (SP), conquistando o prêmio de melhor letra.

Em 1968, também pelo selo Elenco lançou o Lp Brasil, do Guarani ao Guaraná, que contou com as participações especiais de diversos artistas como Paulinho da Viola, Gal Costa, Nara Leão, MPB-4, Gracinha Leporace, Jards Macalé, entre outros. O maior destaque do disco ficou por conta toada Pois é, pra quê.

A partir de então Sidney Miller intensificou a carreira na área de produção. Juntamente com Paulo Afonso Grisolli organizou no Teatro Casa Grande (RJ) o espetáculo Yes, nós temos Braguinha, com o compositor João de Barro. Também com Grisolli, relançou a cantora Marlene, no show Carnavália, que fez bastante sucesso.

Em 1969 produziu e criou os arranjos do Lp de Nara Leão Coisas do Mundo. Ainda em 69, ao lado de Paulo Afonso Grisolli, Tite de Lemos, Luís Carlos Maciel, Sueli Costa, Marcos Flaksmann e Marlene organizou o espetáculo Alice no País do Divino Maravilhoso, além de compor a trilha sonora do filme Os Senhores da Terra, do cineasta Paulo Thiago. Também para cinema, Sidney Miller foi o autor da trilha dos filmes Vida de Artista (1971) e Ovelha Negra (1974), ambos dirigidos por Haroldo Marinho Barbosa.

Sidney Miller foi autor da trilha sonora das peças Por mares nunca dantes navegados (1972), de Orlando Miranda, na qual musicou alguns sonetos de Camões, e do espetáculo a A torre em concurso (1974), de Joaquim Manuel de Macedo.

Em 1974 lançou pela Som Livre o último disco de carreira o Lp Línguas de Fogo. Nos últimos anos de vida Sidney Miller estava afastado do circuito comercial. Tinha planos de voltar a gravar, agora de forma independente, um Lp que se chamaria Longo Circuito. Trabalhava na Funarte, quando morreu prematuramente aos 35 anos. A sala em que trabalhava passou a se chamar Sala Funarte Sidney Miller e foi transformada num teatro.

Algumas cifras e letras: A estrada e o violeiro, Alô fevereiro, Circo, É isso aí, Ora, acho que vou me embora.

Fonte: Wikipédia

Roquette Pinto

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Roquette Pinto (Edgar Roquette Pinto), médico legista, professor, antropólogo, etnólogo e ensaísta, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 25 de setembro de 1884, e faleceu na mesma cidade em 18 de outubro de 1954. Eleito em 20 de outubro de 1927 para a Cadeira n. 17, na sucessão de Osório Duque-Estrada, foi recebido em 3 de março de 1928, pelo acadêmico Aloísio de Castro. É considerado o pai da radiodifusão no Brasil.

Era filho de Manuel Menelio Pinto e de Josefina Roquette Carneiro de Mendonça. Foi criado pelo avô João Roquette Carneiro de Mendonça. Fez o curso de humanidades no Externato Aquino. Ingressou, em seguida, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Colou grau em 1905. Logo depois de formado iniciou uma série de estudos sobre os Sambaquis das costas do Rio Grande do Sul.

Professor assistente de Antropologia no Museu Nacional em 1906, tornou-se em pouco tempo conhecido como um dos mais sérios antropólogos que o país conhecera. Delegado do Brasil no Congresso de Raças, realizado em Londres, em 1911, resolveu passar mais algum tempo na Europa, a fim de dar prosseguimento aos estudos, com os professores Richet, Brumpt, Tuffier, Verneau, Perrier e Luschan.

Em conexão com a Comissão Rondon, escreveu seu primeiro trabalho acerca dos índios primitivos do Nordeste brasileiro. Professor de História Natural na Escola Normal do Distrito Federal (1916) e professor de Fisiologia na Universidade Nacional do Paraguai (1920).

Fundou, em 1923, na Academia Brasileira de Ciências, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que tinha fins exclusivamente educacionais e culturais e que, em 1936, passou a pertencer ao Ministério da Educação.

A primeira transmissão da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro aconteceu às 20h30 do dia 1º de maio de 1923. O evento aconteceu no interior de uma sala de física da Escola Politécnica, com o equipamento de radiotelegrafia que a Western Eletric trouxera dos Estados Unidos para a Exposição Comemorativa do 1º Centenário da Independência.

Os poucos ouvintes da Estação da Praia Vermelha puderam ouvir, anunciado por Caubi Araújo, o discurso de inauguração da Rádio Sociedade, realizado por seu idealizador Edgar Roquette Pinto. Estava dado o passo inicial para divulgação da arte, cultura e educação através das ondas curtas de rádio.

Após alguns meses de experiências e depois da doação recebida da Pekan - fábrica argentina que doou um modesto transmissor de 10 watts - o grupo que formava a Rádio Sociedade foi ao Presidente Bernardes. Conseguiram que ele obtivesse da companhia Marconi Wireless um transmissor de 1 quilowatt, já que ela era a única companhia fornecedora de material radiotelegráfico. Desta forma a Rádio Sociedade ampliou a sua potência.

Diretor do Museu Nacional em 1926, realizou ali a maior coleção de filmes científicos no Brasil. Em 1932, fundou a Revista Nacional de Educação; fundou e dirigiu, no Ministério da Educação, o Instituto Nacional do Cinema Educativo e fundou, também naquele ano, o Serviço de Censura Cinematográfica.

Esteve em vários congressos nacionais e internacionais sobre temas de sua especialidade. Em 1940 foi eleito diretor do Instituto Indigenista Americano do México. No mesmo ano esteve no México e nos Estados Unidos. Roquette-Pinto era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade de Geografia, da Academia Nacional de Medicina e de inúmeras outras associações culturais, nacionais e estrangeiras.

Em homenagem aos seus estudos científicos, vários naturalistas famosos deram o nome de Roquette-Pinto a algumas espécies de plantas e animais: Endodermophyton Roquettei (Parasito da pele dos índios de Mato Grosso) por Olímpio da Fonseca; Alsophila Roquettei, por Brade e Rosenstock; Roquettia Singularis, por Melo Leitão; Phyloscartes Roquettei (pássaro do Brasil Central) por Snethlage; Agria Claudia Roquettei (borboleta) por May.

Obra

O exercício da medicina entre os indígenas da América (1906); Excursão à região das Lagoas do Rio Grande do Sul (1912); Guia de antropologia (1915); Rondônia (1916); Elementos de mineralogia (1918); Conceito atual da vida (1920); Seixos rolados Estudos brasileiros (1927); Glória sem rumor (1928); Ensaios de antropologia brasiliana (1933); Samambaia, contos (1934); Ensaios brasilianos (1941); além de grande número de trabalhos científicos, artigos e conferências, publicados de 1908 a 1926 em diferentes revistas e jornais.

Fontes: fm94 - Roquette Pinto; Academia Brasileira de Letras.

Alexandre Levy

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Alexandre Levy, compositor, pianista e regente clássico, filho de imigrantes de origem franco-suíça, nasceu em São Paulo-SP em 10 de novembro de 1864. Faleceu na mesma cidade em 17 de janeiro de 1892, com apenas 28 anos.

Desde cedo, manifestou grande interesse pela música. Aos sete anos, estudou com o pianista russo Luis Maurice; depois, com o pianista francês Gabriel Giraudon. Seu pai, o clarinetista Henrique Luiz Levy, possuía uma loja de artigos musicais, a Casa Levy onde era o ponto de encontro de músicos e artistas de São Paulo.

Nessa loja fez muitos amigos e conheceu a nascente produção nacionalista, como a primeira edição de Sertaneja, de Brasílio Itiberê, que executou em concerto aos doze anos.

Em 1880, compôs uma fantasia para dois pianos a partir de temas da ópera O Guarany, de Carlos Gomes e três anos depois iniciou estudos de harmonia e contraponto. A família Levy sempre esteve ligada ao compositor campineiro, desde os tempos em que Henrique Levy se apresentava com Carlos Gomes pelo interior paulista

Em 1887 embarcou para a Europa para aprimorar seus estudos musicais. Estudou harmonia em Paris, com Émile Durand, que também foi professor de Debussy. Nessa época se interessou pelas diversas formas orquestrais e compôs a peça Andante Romantique, que depois foi incorporada à Sinfonia em Mi menor, e Variações Sobre um Tema Brasileiro, da qual se destaca a melodia Vem Cá, Bitú.

No cenário político brasileiro predominavam discursos nacionalistas. Músicos e artistas, passaram a compor a partir de motivos folclóricos e populares. Nascia, assim, o nacionalismo musical, onde se destacaram Levy e Alberto Nepomuceno.

Compôs obras de cunho nacionalista, como Suíte Brasileira e Tango Brasileiro. Samba, a quarta parte da Suíte Brasileira, obteve grande sucesso com a redução para piano feita por seu irmão Luiz Levy.

Precursor do movimento nacionalista na música brasileira, tem sua obra marcada pelo romantismo, com temas brasileiros de saudade e fatalismo.

Obra

Para piano solo: Tango Brasileiro (1890); Variações Sinfônicas Sobre um Tema Brasileiro (Vem Cá, Bitú) (1887); Impromptu-Caprice, Opus 1 (1881-1882); Romance Sans Paroles, Opus 4, nº 1; Pensée Fugitive, Opus 4, nº 3; Trois Morceaux Opus 13; Allegro Appassionato Opus 14; Schumannianas. Para orquestra: Suíte Brasileira, com o famoso Samba; Sinfonia em Mi menor; Comala, poema sinfônico; A Cantata. Música de Câmara: Trio, para piano, violino e violoncelo; Reverie, para quarteto de cordas; Fantasia Sobre Motivos do Guarani (1880), para dois pianos.

(figura ao lado: a obra Samba - chamada na forma afrancesada, como hábito na época, de suite brésilienne e danse negre -, editada postumamente em redução para piano, é ilustrada por desenho que reproduz o que seria uma roda de samba no final do século XIX).

Fontes: Prelúdio - Levy; História do Samba - Editora Globo; Fundação Biblioteca Nacional - Alexandre Levy.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Clementina de Jesus

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Clementina de Jesus, cantora, nasceu no interior do estado do Rio, mudando-se com a família para a capital do estado e radicando-se no bairro de Oswaldo Cruz. Lá acompanhou de perto o surgimento e desenvolvimento da escola de samba Portela, freqüentando desde cedo as rodas de samba da região.

Em 1940 casou-se e mudou para a Mangueira. Trabalhou como doméstica por mais de 20 anos, até ser "descoberta" pelo compositor Herminio Bello de Carvalho em 1963, que a levou para participar do show "Rosa de Ouro", que rodou algumas das capitais mais importantes do Brasil e virou disco pela Odeon, incluindo, entre outros, o jongo "Benguelê".

Devota de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, participava de festas das igrejas da Penha e de São Jorge, cantando músicas de romaria.Considerada rainha do partido-alto, com seu timbre de voz inconfundível, foi homenageada por Elton Medeiros com o partido "Clementina, Cadê Você?".

Além deste gênero gravou corimás, jongos, cantos de trabalho etc., recuperando a memória da conexão afro-brasileira. Em 1968, com a produção de Hermínio Bello de Carvalho, registrou o histórico LP "Gente da Antiga" ao lado de Pixinguinha e João da Baiana.

Gravou quatro discos solo (dois com o título "Clementina de Jesus", "Clementina, Cadê Você?" e "Marinheiro Só") e fez diversas participações, como nos discos "Rosa de Ouro", "Cantos de Escravos" e "Milagre dos Peixes", de Milton Nascimento, em que interpretou a faixa "Escravos de Jó".

Em 1983 foi homenageada por um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a participação de Paulinho da Viola, Joao Nogueira, Elizeth Cardoso e outros nomes do samba.

Fonte: Clementina de Jesus (Samba e Choro)

Nancy

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Nancy (valsa) - 1933 - Luiz Lacerda e Bruno Arelli

(D)
Busquei ansioso um pensamento
-----------Em
Que pudesse traduzir
----------------A7
O que minh’alma fez por ti
-----------------D
Dentro em meu peito assim senti
Tudo que pode oferecer
-----------D7 ------------G
A alma que vibra em mim
--------------Ab°--------- D
É uma canção que idealizei
----------E7 -----A7----- D---- A7/5+
Para poder cantar assim
------D --------------------Em
Ouve esta canção que eu fiz
----------------A7
Pensando em ti

------Em-------- A7--------- D
É uma veneração, Nancy
---------------Em------ A7
Somente poderia a musa traduzir
---------Em----------- A7
Um nome que é poesia
-------D ------D7
Nancy
G------- Ab°--------- D
É a mais linda história de amor
-------------D7
Que conheci
------G---------- Ab°--- D ---------B7
Quando o teu nome assim eu repeti
---Em----- A7 ------D----- A7
Nancy, Nancy, Nancy

------D
Ouve esta canção
------------------Em------------- A7
Que eu mesmo fiz pensando em ti
------Em --------A7 -----D Gm D
É uma veneração, Nancy

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Branca

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"Aurora", "Branca" e "Elza" são os nomes femininos que intitulam três das mais conhecidas valsas de Zequinha de Abreu. Dessas, pelo menos "Branca" seria inspirada por uma musa verdadeira, a jovem Branca Barreto, filha do chefe da estação ferroviária de Santa Rita do Passa Quatro, terra do compositor.
Conta João Bento Saniratto - amigo de Zequinha, citado por Almirante num artigo publicado em O Dia - que a valsa foi composta de improviso, na presença de um grupo que conversava à porta do Grêmio Literário Recreativo. Como na ocasião a moça passasse pelo local, o autor (que era seu admirador) resolveu homenageá-la na composição.
"Branca" é uma bela valsa sentimental, de melodia triste, uma característica predominante na música de Zequinha de Abreu. Composta por volta de 1918, ganhou popularidade a partir de 1924, quando teve a sua primeira edição. Mas, ao que se sabe, somente seria gravada em 1931, no mesmo disco que lançou o Tico Tico no Fubá. Tem uma letra de Duque de Abramonte (Décio Abramo), embora seja uma valsa essencialmente instrumental.
Branca - Zequinha de Abreu e Duque de Abramonte---clique para ouvir amostra da música
Am-------------------------- A7------- Dm
Há tempos que a vi / Que eu a conheci
-----------------------Am
Ela era linda, um primor, de amor
-----B7------------------ E7
Misto de estrela e de flor
Am ----------------------A7------------ Dm
Mas também sofreu / Eu sei vou contar
---------------------Am --------E7------- Am
Pois li naquele olhar, / Cansado de chorar


E7 -----------------------Am
De tarde ao chegar / Os trens um a um
--------E7------------------------- Am
Ela viu desembarcar / Um estranho tentador
E7----------------------- Am ---------------A7
Vi Branca cismar / Num sono de amor
-----------Dm--------- Am ---------E7-------- Am
Ficou logo apaixonada / Do mancebo tentador


C------------ G7------------------------ C
Mas essa flor / Não sentiu florir o amor
---------------------G7 --------------------------C---- G7
Nunca o sentiu florir / Porque ele teve que partir
C--------------- G7--------------------------- C---- C7
Viu-o embarcar / Como um dia após o amar
F------ Fm--- C --A7 ------------------D7 ----G7
E nunca mais / ----Sentiu o puro amor
--------------------C
Do jovem tentador