terça-feira, 4 de setembro de 2007

Cantores de Rádio

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Cantores de Rádio (marcha) - 1936
Alberto Ribeiro, João de Barro e Lamartine Babo
clique para ouvir amostra da música

         D
Nós somos as cantoras do rádio
Ebº A7
Levamos a vida a cantar
Gb7 Bm
De noite embalamos teu sono
E7 A7
De manhã nós vamos te acordar
D
Nós somos as cantoras do rádio
D7 G
Nossas canções cruzando o espaço azul
Abº D C7 B7
Vão reunindo num grande abraço
E7 A7 D
Corações de Norte a Sul

D A7
Canto pelos espaços afora
Vou semeando cantigas
D
Dando alegria a quem chora
Bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum
D7 G
Canto, pois sei que a minha canção
Gm D C7 B7
Vai dissipar a tris.......teza
E7 A7 D
Que mora no teu coração

D A7
Canto para te ver mais contente
Pois a ventura dos outros
D
É alegria da gente
Bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum
D7 G
Canto e sou feliz só assim
Gm D C7 B7
Agora peço que can.....tes
E7 A7 D
Um pouquinho para mim
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Boa noite, amor

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A presença de Francisco Alves no rádio está marcada por esta valsa, prefixo e sufixo de suas audições. Além de gravada por ele duas vezes - em 1936 e 1950 -, a canção tem, na condição de prefixo, outras gravações suas de programas radiofônicos, como o realizado no Largo da Concórdia em São Paulo, em 26.09.52, que foi o último de sua vida.
No dia seguinte, um sábado, um caminhão que trafegava pela Via Dutra, à altura de Pindamonhangaba, chocou-se violentamente com seu automóvel, um Buick azul, tendo o cantor morte instantânea.
Chico, que não gostava de viajar de avião, estava com uma certa pressa de chegar ao Rio, a fim de se apresentar descansado em seu programa na Rádio Nacional, domingo ao meio-dia. (Curioso o horário desse programa, sempre anunciado pomposamente pela locutora Lúcia Helena: "Ao se encontrarem os ponteiros na metade do dia...").
"Boa Noite Amor" é a mais conhecida composição da dupla José Maria de Abreu e Francisco Matoso, sendo típica de um pianista (Abreu), como se percebe pelo detalhe harmônico nos compassos 13 a 16 ("Se eu souber que o sonho teu / foi o mesmo sonho meu...") de preparação à idéia principal, que é explorada de três maneiras diferentes. Tem também uma introdução cantada, o recitativo, marcante na obra de José Maria de Abreu e provavelmente herdada da música americana.
Já a letra, de Francisco Matoso, sobre uma despedida apaixonada, não foge ao trivial romântico da época. "Boa Noite Amor" teve uma gravação importante em 1972, que encerra emocionalmente o disco do ano de Elis Regina, em brilhante arranjo de César Camargo Mariano (ao piano), com orquestra de cordas. Embora pouca gente saiba, "Boa Noite Amor" possui uma letra em inglês, de Maria C. Rego, editada pela Vitale ("Good-night sweetheart / my love divine / my dreams belong to you...").

Boa noite amor (valsa) - 1936 - José M. de Abreu e Francisco Matoso-- clique para ouvir amostra da música

Gbm-------- B7 -----E
Quando a noite descer
Dbm----- Gbm -----B7--------- E---- Dbm
Insinuando ------um triste adeus
Gbm ------B7--------- E
Olhando nos olhos teus
Gb7---------- B--------- Gb7---- B7
Hei de, beijando teus dedos, dizer:
---------Am ----B7
Boa noite, amor
-----------D ------B7
Meu grande amor
-------E ----Db7---- Gbm
Contigo eu sonharei
---------Bm ----Ab7--- Dbm
E a minha dor esquecerei
-------------Gb7
Se eu souber que o sonho teu
----C7------------------ B7
Foi o mesmo sonho meu . . .

---------Am---- B7
Boa noite, amor
-------D------- B7
E sonha, enfim,
---------E -------E7 -------A ------Db7
Pensando sempre em mim,
----------A----------- B7
Na carícia de um beijo
---------E--------- Db7
Que ficou no desejo
--------Am ----------B7 -----E---- C7---- E
Boa noite, meu grande amor !
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Balancê

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Balancê (marcha/carnaval, 1936) - João de Barro e Alberto Ribeiro--clique para ouvir amostra da música
 A       E7      A
Ô balancê balancê
D C#7
Quero dançar com você
F#m C#m F#m
Entra na roda morena pra ver
Bm E7 A E7
Ô balancê balancê


A C#7
Quando por mim você passa
D A
Fingindo que não me vê
D G9 C#m7 F#7
Meu coração quase se despedaça
Bm E7 A
No balancê balancê

Refrão

A C#7
Você foi minha cartilha
D A
Você foi meu abc
D G9 C#m7 F#7
E por isso eu sou a maior maravilha
B7 E7 A E7
No balancê balancê

Refrão

A C#7
Eu levo a vida pensando
D A
Pensando só em você
D G9 C#m7 F#7
E o tempo passa e eu vou me acabando
B7 E7 A E7
No balancê balancê

Refrão
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O tic-tac do meu coração

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Tic Tac do meu coração (samba) - 1935)---clique para ouvir amostra da música
- Alcir Pires Vermelho e Valfrido Silva
Tom: F#m
Introd: Bm F#m/C# D C#7 F#m

F#m
O tic-tac do meu coração
F#7 Bm
Marca o compasso do meu grande amor
D F#m
Na alegria bate muito forte
G#7
E na tristeza bate fraco
C#7
Porque sente dor

O tic-tic
F#m
O tic-tac do meu coração
F#7 Bm
Marca o compasso de um atroz viver
D F#m
É o relógio de uma existência
G#7
E pouco a pouco vai morrendo
C#7 F#m (C#7 F#m)
De tanto sofrer
E A
Meu coração já bate diferente
C#7 F#m F#7
Dando o sinal do fim da mocidade
Bm F#m
O seu pulsar é o soluçar constante
G#7 C#7
De quem muito amou na vida com sinceridade
E A
Às vezes eu penso que o tic-tac
C#7 F#m F#7
É um aviso do meu coração
Bm F#m
Que já cansado de tanto sofrer
G#7 C#7 F#m
Não quer que eu tenha nesta vida uma desilusão
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Sonho de papel

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Sonho de Papel (marcha) - 1935 - Alberto Ribeiro--clique para ouvir amostra da música


E um balão vai subindo / Vem caindo a garoa
O céu é tão lindo / E a noite é tão boa
São João, São João / Acende a fogueira
No meu coração

Sonho de papel / A girar na imensidão
Soltei em teu louvor / Um sonho multicor
Oh meu São João

Meu balão azul / Foi subindo devagar
E o vento que soprou / Meu sonho carregou
Não vai mais voltar
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Serenata

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Uma das primeiras composições da dupla Sílvio Caldas (foto) - Orestes Barbosa, "Serenata" foi adotada por Sílvio como marca musical de suas audições para o resto da carreira. Pela beleza de sua letra, carregada de romantismo - "Dorme, fecha este olhar entardecente / não me escutes nostálgico a cantar / pois não sei se feliz ou infelizmente / não me é dado, beijando, te acordar" -, muito bem musicada por Sílvio, "Serenata" é exemplo de modinha do século XX, indispensável em qualquer seresta de bom gosto. Seu sucesso, em 1935, abriu a grande safra de canções de amor que imperaria nos anos seguintes.
Serenata (canção, 1935) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa-clique para ouvir amostra da música
Am------------------------- F
Lá, rá, rá, rá, rá, rá,
----------------------------Am
Lá, rá, rá, rá, rá, rá
---------------------E7
Lá, rá, rá, rá, rá, ri
-------------Am -------E7
La, ri, ri, ri

---Am---------------- E7 ---------Am----- F7
Dorme fecha este olhar entardecente
----------------------------------Am------ F7
Não me escutes nostálgico a cantar
----------------------------------Am
Pois não sei se feliz ou infelizmente
B7 ---------------------------------E7
Não me é dado beijando te acordar
-----A7------------------------- Bb7 ------A7
Dorme deixa o meu canto delirante
---------------------------------------Dm
Dorme que eu olho o céu a contemplar
----------------Eb°-------- Am ---------F7
A lua que procura diamante
---------------------E7 -----------Am------ E7
Para o teu lindo sonho ornamentar
----------Am---------------------- G7
Na serpente de seda dos teus braços
---------------------------------F7
Alguém dorme ditoso sem saber
----------------------E7 ----------A7
Que eu vivo a padecer
Dm -------------Am---------------------- F7
E o meu coração feito em pedaços
Vai sorrindo ao teu amor
--------E7
Mascarado desta dor
Am----------------------------- G7
No teu quarto de sonho e perfume
--------------------------------F7
Onde vive a sorrir teu coração
----------------------E7------ A7
Que é teatro da ilusão
------Dm-------------- Am
Dorme junto a teus pés
--------------------F7
O meu ciúme
Enjeitado e faminto
--------------Am
Como um cão.
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Quase que eu disse

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silvio caldas

Quase que eu disse (valsa) - 1935 - Sílvio Caldas e Orestes Barbosaclique para ouvir amostra da música


A --------------------- A-------------- E7-------- A
Na febre dos meus desejos / Fui à procura de beijos
---------Gb7--------- Bm --Gb7 --Bm----------------- E7
Em bocas tão desiguais / -------E agora de beijos farto
---Gb7 -------------------B7-------------------------- E7
Tristonho volto pro quarto / Quero chorar nada mais

A ------------------------ A------------ E7---------- A
Sabiam quanto eu te amava/ Sabiam porque eu falava
------Gb7 -----------Bm-- Gb7 --Bm ----------Dm ---------A
A todos do meu amor / ------------E logo a vespa da intriga
------Gb7--------- B7 -----Dm -----------E7--------- A ----E7
Originou esta briga /---- Oh! Minha amiga, que horror

Am-------- C7 ----------B7
Um coração sem carinho
E7
---------É como um galho que perde o ninho
------------------------A7 -------------Dm---- Dm6 ----Am
Na fúria de um vendaval / ------E é triste o ninho rolando
----------------------B7------------------------------ E7
Um passarinho cantando em busca de um canto igual

G7 ------------------------C------------------------ E7
Oh! Quanta desgraça junta / Toda a cidade pergunta
------------------------A7-------- Dm-------------- Am
E vai dizendo o que quer / Na mágoa que me devora
-------------------------B7 -------E7------------ Am
Quase que eu disse agora / O nome desta mulher

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Por causa dessa cabocla

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Por causa dessa cabocla (samba) - 1935 - Ary Barroso)--clique para ouvir amostra da música


À tarde
Quando de volta da serra
Com os pés sujinhos de terra
Vem a cabocla passar
As flores vão pra beira do caminho
Pra ver aquele jeitinho
Que ela tem de caminhar
E quando ela na rede adormece
E o seio moreno esquece
De na camisa ocultar
As rolas
As rolas também morenas
Cobrem-lhe o colo de penas
Pra ele se agasalhar na noite

Dos seus cabelos,
Os grampos são feitos de pirilampos
Que às estrelas querem chegar
E as águas dos rios que vão passando
Fitam seus olhos pensando
Que já chegaram ao mar
Com ela dorme toda a natureza
Emudece a correnteza
Fica o céu todo apagado
Somente com o nome dela na boca
Pensando nesta cabocla
Fica um caboclo acordado
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Ouvindo-te

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Ouvindo-te (tango-canção) - 1935 - Vicente Celestino

Basta o castigo que vens dando
Está pouco a pouco me matando
Canto de ti só ouço o contracanto
No entanto queria ver
Justo seria conhecer
Quem vive a amar e adorar

A tua voz estou a ouvir
No entanto eu queria a ti sentir
És tão cruel, que mal te fiz
Que mesmo sem te ver sempre te quis
E teu prazer é que eu sofra de amor por ti
Que te ame sem te ver meu bem-te-vi
E bastaria que só uma vez te visse flor
Depois morrer dizendo bendito amor
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Minha Palhoça

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Todas as delícias da vida campestre - o pomar, o riachão, a passarada, a fonte ao pé do monte - são aqui oferecidas à mulher amada, para ela trocar a cidade pelo sertão. Mas, por via das dúvidas, o convite é reforçado com a promessa de alguns bens da civilização - um rádio, uma Kodak... - pois, afinal, conforto nunca faz mal a ninguém.
Seguindo a linha "rancho-fundo", tão em moda na época, "Minha Palhoça" consagrou-se como um dos melhores sambas do gênero, enriquecendo simultaneamente o repertório de dois cantores: Luís Barbosa, que o popularizou no rádio, e Sílvio Caldas, que a gravou. Curiosa a história de Luís Barbosa. Considerado por muitos o grande sambista de sua geração, teve a carreira quase restrita ao rádio, gravando somente 21 discos.

Minha Palhoça (samba) - 1935 - J. Cascataclique para ouvir amostra da música

A7M  F#7  Bm7  E7/4   E7

A7M
Se você quisesse
E7 A7M
Morar na minha palhoça
E7
Lá tem troça, se faz bossa
A7M Bb° Bm7
Fica lá na roça à beira do riachão

E à noite tem um violão
C#7
Uma roseira
F#m7
Cobre a banda da varanda
F#7 B7
E ao romper da madrugada
G#7
Vem a passarada
E7
Abençoar nossa união

Bm7
Tem um cavalo
E7
Que eu comprei em Pernambuco
A7M
E não estranha a pista

Tem jornal, lá tem revista
A7 D
Uma kodak para tirar nossa fotografia

Vai ter retrato todo dia
Dm A7M
Um papagaio que eu mandei vir do Pará
F#m Bm7
Um aparelho de rádio-batata
E7 A7M
E um violão que desacata


(Solo de clarineta)

B7
Meu Deus do céu que bom seria…

A7M
Se você quisesse... (até)
E7
Abençoar nossa união

Bm7
Tem um pomar

Que é pequenino,
E7
É uma tetéia
A7M
É mesmo uma gracinha

Criação, lá tem galinha
A7
Um rouxinol
D
Que nos acorda ao amanhecer

Isso é verdade pode crer
Dm
A patativa
A7M
Quando canta faz chorar

(Repete 3 vezes):
F#m Bm7
Há uma fonte na encosta do monte
E7 A7M
A cantar chuá-chuá
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