segunda-feira, 14 de maio de 2007

Murilo Caldas

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Murilo Caldas, cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 27/6/1905. Do bairro de São Cristóvão assim como seu irmão Sílvio Caldas. Compôs o samba Alô melancia, e foi mostrá-lo a Eduardo Souto, diretor-artístico da Odeon. Depois de cantá-lo várias vezes, esperava um cantor indicado para gravar e, para sua surpresa, foi ele o indicado, tendo saido no disco Parlophon 13345, em 1931, gravando no lado B Desilusão (Ary Barroso).
No Carnaval de 1932, gravou na Victor sua marcha Isola, isola, em dueto com Carmen Miranda, e na Columbia as marchas Sobe no bonde (Arlindo Marques Jr.) e A turma lá de casa (Canuto), com sucesso. Nesse ano gravou com Sílvio Caldas o samba Pobre e esfarrapada.
Em 1933 gravou de sua autoria o samba Desacato (com Wilson Batista e Paulo Vieira), fazendo trio com Francisco Alves e Castro Barbosa, e o samba Mossoró, minha nega (Ary Barroso).
A partir de 1938, passou a gravar com sua mulher, Lolita França, músicas bem-humoradas e bem-aceitas, tendo viajado pelo Brasil, Uruguai e Argentina. Em 1939 gravou de sua autoria os sambas Lourinha audaciosa e Linha cruzada, e, em 1940, o samba Mulher exigente e a marcha O papai e a filhinha (com Miguel Lima).
Bom sambista, compôs Teleco-teco (com Marino Pinto), interpretado por Isaura Garcia em 1942, com grande sucesso. No Carnaval de 1946, lançou a marcha Marmiteiro (Valdomiro Lobo), muito cantada. De 1931 a 1956, gravou cerca de 37 discos em 78 rpm com 65 músicas, os últimos com sua segunda mulher, a cantora Linda Marival.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
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Paulo da Portela

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Paulo da Portela (Paulo Benjamim de Oliveira), compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 18/6/1901 e faleceu em 30/1/1949. Lustrador de profissão pertenceu a ranchos carnavalescos que reuniam funcionários públicos e operários têxteis, antes de aderir ao samba, levado por Heitor dos Prazeres.
Bem falante e destacando-se sempre por sua elegância, no início da década de 1920 já freqüentava, no subúrbio de Osvaldo Cruz, a casa da baiana Ester Maria da Cruz, onde se realizavam festas de candomblé e rodas de samba.
Nos Carnavais dessa época, desfilava na Praça Onze, durante o dia no bloco Quem Fala de Nós Come Mosca, organizado por dona Ester, e, de noite no Baianinhas de Osvaldo Cruz, do qual era líder. Em 1923, da fusão desses dois blocos, surgiu o Vai Como Pode, cujo ponto de reunião era uma jaqueira que havia na Estrada da Portela.
Seu samba Quem espera sempre alcança foi lançado em disco Odeon, em 1932, por Mário Reis. Em 1934, já com muitos sambas divulgados na escola, participou como primeiro tesoureiro da União Geral das Escolas de Samba, a primeira associação criada para defender os interesses das escolas.
No ano seguinte, introduziu alegorias em sua escola, que tirou o primeiro lugar no desfile na Praça Onze, cantando o seu samba Guanabara, que, com o título modificado para Cidade-mulher, foi gravado 40 anos depois por Alcides Lopes, no LP Portela, da serie Histórias das escolas de samba, da gravadora Marcus Pereira.
A partir de 1935, a Vai Como Pode passou a ser chamada G.R.E.S. da Portela, nome mais “respeitável”, sugerido por um delegado de polícia. No ano seguinte, foi eleito Cidadão Momo. Em 1937, teve seu samba Cantar para não chorar (com Heitor dos Prazeres), gravado por Carlos Galhardo, em disco Víctor.
Recebeu, ainda em 1937, o título de Cidadão Samba, dado pela União Geral das Escolas de Samba. Dois anos depois, a Portela venceu novamente o desfile das escolas com seu enredo Teste de samba. Juntamente com Cartola, trabalhou, em 1941, na Rádio Cruzeiro do Sul, fazendo o programa A Voz do Morro, no qual os dois compositores apresentavam sambas inéditos para os quais os ouvintes deveriam sugerir títulos.
Ainda em 1941, a Portela foi a vencedora do desfile de escolas de samba, com o seu samba Dez anos de glória (com Antônio Caetano), iniciando assim o período de ouro da escola, que seria campeã durante os sete anos seguintes. Ironicamente, esse foi o último ano em que desfilou pela Portela: desentendendo-se com a diretoria, transferiu-se para a escola de samba Lira do Amor, do subúrbio de Bento Ribeiro, onde passou a atuar como mestre de canto.
Em 1942, formou, com Cartola e Heitor dos Prazeres, o Grupo Carioca, trio que realizou apresentações em São Paulo SP, num programa da Rádio Cosmos. Nessa temporada na capital paulista, os três sambistas exibiram-se também individualmente, cantando em lugares públicos de diferentes bairros da cidade.
Depois de sua morte, os sambistas que conviveram com ele se encarregaram de transmitir seus sambas para as novas gerações e, assim, em 1965, o seu Pam-pam-pam-pam foi incluído no show Rosa de ouro, levado no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro, gravado no LP Rosa de ouro, da Odeon; seu partido-alto Cocoró foi interpretado pela Velha Guarda da Portela no LP Portela, passado de glória, lançado pela RGE em 1970; seu samba até então inédito, Quitandeiro, foi lançado em 1974 por Alvaiade, no LP Portela, da Marcus Pereira.
Além dessas gravações, foi também homenageado por outros compositores, em sambas como De Paulo da Portela a Paulinho da Viola (Francisco Santana e Monarco) e Passado de glória (de Monarco).
Obras
Cantar para não chorar (c/Heitor dos Prazeres), samba, 1937; Dez anos de glória (c/Antônio Caetano), samba, 1941; Guanabara (Cidade-mulher), samba, 1974; Quem espera sempre alcança, samba, 1932; Quitandeiro, samba, 1934.

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Namorados da Lua

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namorados da lua
Namorados da Lua. Conjunto vocal organizado no Rio de Janeiro/RJ em 1941 e desfeito em 1947. Teve quatro formações diferentes, sempre liderado por Lúcio Alves, crooner, arranjador e violonista do grupo. Composto por Nei Costa, Agostinho, Geraldo, Joãozinho e Madalena, apresentou-se em público pela primeira vez em 1941, tirando o primeiro lugar no programa de calouros de Ary Barroso, na Rádio Tupi.
Em 1942 gravou seu primeiro disco 78 rpm pela Victor, cantando Vestidinho de Iaiá e Te logo, sinhá (ambas de Assis Valente). Com a saída de Agostinho e Geraldo e a entrada de Russinho — José Ferreira Soares —, o grupo gravou em 1944 na Continental seu segundo disco, Agora sim e Caráter de mulher (ambas de Francisco Santos e João Dinis).
No ano seguinte, gravaram com sucesso na mesma marca os sambas Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida) e Morena faceira (Janet de Almeida). A partir dessa gravação, o grupo passou a ser destaque nas programações da Rádio Tupi e gravou dois discos. Novamente com outra formaçao — Lúcio, Nei Costa, Russinho, Joãozinho, Chiquinho (Francisco Storino), Rui Peres e Horaci Medela —, o grupo apresentou-se em temporada no Cassino Atlântico.
Em dezembro de 1945, o grupo se desfez e, em 1946, Lúcio formou novo conjunto, para atender a um compromisso de Carnaval, do qual faziam parte Chiquinho, Miltinho, Nanai (Arnaldo Humberto de Medeiros), Silveirinha (Otaciliano Silveira) e Chicão (Francisco Guimarães Coimbra). Com essa formação, o grupo fez uma temporada no Cassino Copacabana, durante o Carnaval daquele ano, voltou a gravar pela Continental e foi contratado pela Rádio Nacional, até ser desfeito, definitivamente, em 1947.
Dessa última formação, as músicas de mais sucesso foram Dança do ban zan-zan (Janet de Almeida e Francisco Storino) e Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), em abril de 1946; Não bobeie, Calamazu (Caco Velho e Nilo Silva) em maio de 1946;
Em 1947 alcançam sucesso com a gravação do samba De conversa em conversa (Lúcio Alves e Haroldo Barbosa), com a cantora Isaura Garcia na Victor; e Guerra ao pardal (Alberto Ribeiro e Peterpan), marcha lançada no Carnaval de 1948, último disco do grupo.
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Neusa Maria

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Neusa Maria (Vasilíki Purchio), cantora, 1/12/circa 1928, São Paulo/SP. Filha de uma família italiana radicada em São Paulo, começou a cantar em apresentações para a vizinhança, ainda menina, aos 12 anos.
Mais tarde ganhou o "slogan" de "Rainha do Jingle" e "Voz doçura do Brasil". Adotou o nome artístico de Neusa Maria, por sugestão de Abílio Caldas, pois seu nome de batismo, Vasilíki, era de difícil pronúncia.
Destacou-se nas décadas de 1940 e 1950 como cantora de sambas, boleros e de "jingles", estes últimos gravados por ela com regularidade nas décadas subseqüentes. Começou cantando em programas de calouros de rádio, incentivada pelos amigos. Estreou em meados de 1942, no programa de Gabus Mendes da Rádio Record paulista, recebendo na ocasião o primeiro lugar.
Ainda no início da década de 1940, conheceu Abílio Caldas, um representante comercial da loja em que ela trabalhava, que também era radialista e levou-a, por insistência das colegas da loja, para cantar na Rádio Cruzeiro do Sul. Foi um grande êxito, e Neusa Maria acabou sendo contratada pela Rádio Tupi paulista para um programa.
Em 1943 recebeu o título de "A Estrela do Ano" num concurso que reuniu vários artistas do cenário musical de São Paulo. Em 1945 foi ao Rio de Janeiro para fazer sua primeira gravação na Continental. Nessa ocasião conheceu César de Alencar que a levou a Renato Murce para um teste, o que lhe garantiu um contrato com a Rádio Clube do Rio de Janeiro. Quando César transferiu-se para a Rádio Nacional, Neusa o acompanhou, permanecendo nos quadros da emissora por longos anos.
Seu primeiro sucesso foi Eu sei que ele chora, baião de Nestor de Holanda e Ismael Neto. Depois gravou Arrivederci Roma, Nunca jamais, Siga, Molambo, Murmúrios, Gondoleiro e Picolísima serenata. Foi eleita "A melhor cantora do rádio de 1956", em pesquisa feita pelo Clube do Disco e "A melhor cantora do rádio de 1957", em pesquisa realizada pela célebre "Revista do Rádio", quando seus discos entravam com freqüência em todas as paradas de sucesso da época.
Recebeu o troféu Disco de Ouro de "O Globo" em 1956. Gravou dois discos pela Continental, 23 pela Sinter entre 1950 e 1957, 10 pela RCA Victor entre 1958 e 1960. Gravou ainda pela CBS e pela Star.

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Neide Fraga

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Neide Fraga (Neide Hor-meyll Fraga), cantora, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 17/12/1924 e faleceu em São Paulo/SP em 14/12/1987. Iniciou carreira em 1942 no programa de calouros Hora da Peneira, da Rádio Cultura, de São Paulo, trabalhando também nos programas matinais da Rádio Cruzeiro do Sul.
Dois anos mais tarde, foi para a Bandeirantes e depois para a Record. Em 1949 gravou seu primeiro disco na etiqueta Elite Especial, a toada Triste adeus (Rômulo Pais) e o baião Eh! Boi!... ( Hervé Cordovil).
Em 1950, recebeu o prêmio Roquete Pinto pela primeira vez, repetindo o feito quatro anos depois, logo após uma viagem pela Argentina. Lançou pela Odeon seus maiores sucessos: Quando alguém vai embora (Ciro Monteiro e Dias da Cruz), Bangalô de chocolate (Macedo Guedes e Miranda Alves) e Minha infância (Hervé Cordovil e Marisa Pinto Coelho).
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Teddy Vieira

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Teddy Vieira (Teddy Vieira de Azevedo), compositor, nasceu em Itapetininga/SP em 23/12/1922 e faleceu em 16/12/1965. Fez o curso primário em Itapetininga e em seguida transferiu-se para São Paulo, onde concluiu o secundário.
Aos 18 anos já escrevia versos de inspiração sertaneja. Serviu o Exército em 1946 e, dois anos depois, teve suas primeiras músicas gravadas, pela dupla Mineiro e Manduzinho, que lançou, em etiqueta particular, Preto de alma branca (com Lauripe Pedroso) e João de barro (com Muibo Cury), esta com várias regravações de sucesso, entre as quais a de Sérgio Reis, em 1974, na RCA.
Entre 1948 e 1949 Palmeira e Biá lançaram, pela Victor, Couro de boi (com Palmeira), número incluído no repertório de diversas duplas de violeiros. O cururu O menino da porteira (com Luisinho), lançado em 1955 por Luisinho, Limeira e Zezinha, na Victor, consagrou-o como compositor e é considerado um clássico da música regional brasileira. Essa composição conta com inúmeras regravações, entre as quais a de Tião Carreiro na Chantecler, em 1968, e a de Sérgio Reis, em 1973, na RCA.
Em 1956, passou a ser diretor sertanejo da Columbia, criando a dupla Tião Carreiro e Pardinho, que obteve sucesso com Cavaleiros do Bom Jesus (com João Alves e Nhô Silva). Nesse mesmo ano foi gravado na Columbia, por Moreno e Moreninho, o cururu Treze de Maio (com Riachão e Riachinho), regravado em 1968 por Moreninho e Minuano, na Chantecler.
Ainda na Columbia, por 1956-1957, lançou em disco a dupla Zico e Zeca, com composições que marcaram época, como a Enxada e a caneta (com o Capitão Barduino), que também foi seu parceiro, junto com Serrinha, na moda-de-viola Besta bailarina e Força do destino. Essa mesma dupla gravou, tambem na Columbia, na mesma época, Namoro no portão, que teve grande sucesso.
Tião Carreiro e Pardinho lançaram em 1957, ainda na Columbia, Boiadeiro punho de aço (com Pereira), regravada com sucesso por Pedro Bento e Zé da Estrada, em 1963, na Chantecler. Em 1958, foi para a Chantecler, onde ficou como assessor do Palmeira, diretor artístico da gravadora. Nesse mesmo ano, Liu e Léu gravaram Rei do café. Essa composição conta inúmeras regravações, entre as quais a de Tião Carreiro, em 1961, na Chantecler, e a de Inesita Barroso, em 1972, na Copacabana.
Em 1960 compôs, em parceria com Lourival dos Santos, Pagode em Brasília, e com Nelson Gomes O mineiro e o italiano, gravadas por Tião Carreiro e Pardinho na Chantecler, sucesso até hoje. Nesse mesmo ano, Vieira e Vieirinha lançaram, pela Chantecler, a composição em parceria com Alceu Maynard Araújo, Rio Preto.
A dupla Sulino e Marrueiro, em 1961, lançou pela Chantecler Morena de olhos pretos (com Ado Benatti), além de outras composições suas. Em 1962, após a saída de Palmeira da Chantecler, continuou como assistente artístico da direção.
Bandeireiro do Divino (com Alves Lima), gravado por Tonico e Tinoco, em 1964, foi um dos maiores sucessos da Chantecler nesse ano. Em 1965, Alberto Calçada gravou a valsa Mariazinha (com Palmeira).
Em 1965 Nísio e Nestor fizeram sucesso com Cigana (com Salvador dos Santos Dias). Pedro Bento e Zé da Estrada, no mesmo ano e nessa gravadora, lançaram com sucesso Meu Amigo (com Nísio). Até hoje tem mais de 200 composições gravadas.

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Capitão Barduíno

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Capitão Barduíno (Pedro Astenori Marigliani), compositor e radialista, nasceu em Socorro/SP em 13/11/1904 e faleceu em São Paulo em 1/8/1967. Filho de italianos, desde criança pretendeu trabalhar em rádio.
Em 1937, levado pelo Capitão Furtado à gravadora Odeon, estreou como compositor, quando Nhá Zefa e Juca Matias lançaram a moda-de-viola Casá!? só ansim, com musica de Nhá Zefa (Maria de Leo). Dedicou-se esporadicamente à composição, destacando-se A enxada e a caneta (com Teddy Vieira), lançado por Zico e Zeca, na Columbia.
Em 1939, na Rádio Bandeirantes, de São Paulo, foi contratado por Otávio Gabus Mendes, então diretor artístico da emissora e responsável pelo nome por que ficou conhecido. Como redator e apresentador de programas de rádio, destacou-se com A Câmara dos Despeitados, sátira política que marcou época.

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Nhá Zefa

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Nhá Zefa (Maria Di Léo), cantora, era filha de italianos. Era considerada a caipira preferida de Cornélio Pires, embora não fosse exatamente uma caipira, pois nasceu na capital paulista. Fez bastante sucesso nos anos 1930.
No início dos anos 1930, atuou no programa de rádio "Cascatinha do Genaro", apresentado por Ariovaldo Pires, o Capitão Furtado, primeiramente na Rádio Cruzeiro e, posteriormente, na Rádio São Paulo. Em 1935, gravou com Laureano a moda de viola Itália e Abissínia, que falava de modo satírico da invasão italiana na Abissínia, e que seria posteriormente gravada por Alvarenga e Ranchinho.
Apresentou o programa "Saudades do sertão", primeiramente na Rádio Bandeirantes e, posteriormente, na Rádio Bandeirantes. Em 1937, gravou com Raul Torres o desafio Desafio nº 1. No mesmo ano, gravou em dueto com o cantor Paraguaçu as batucadas Baiana dengosa, de motivo popular com arranjo de Paraguaçu, e Olá, seu Barnabé, de Paraguaçu.
Nos anos 1940, fez sucesso com a mazurca Me leva contigo. Em 1940, gravou com Capitão Furtado e Juca Matia a moda de viola Casá? Só anssim, de sua autoria e Capitão Barduíno. No mesmo ano, lançou a toada Nunca mais a gente esquece, de Tirso Pires e Laureano, e a moda de viola Num tenho medo de home, dela e Ariovaldo Pires, ambas em dueto com Nhô Pai. Ainda em 1940, gravou em dueto com Serrinha a moda de viola A coisa mió do mundo e a toada Coração dos meus penares, ambas de Serrinha.
Em 1941, gravou com Nhô Pai e Ariovaldo Pires o cateretê Agricultura hoje tem seu lugar. Durante a década de 1940 realizou diversas gravações em parceria com Nhô Pai, entre as quais as modas de viola Moda da fila, Viaje a Parmitá, dela e Sereno, o rasqueado Coisas do Paraguai, de Nhô Pai, a contradança Um pé de laranja doce, de Nhá Zefa e Irmãos Cachoeira, e o cateretê Caboclo lindo, de Nhá Zefa.
Em 1943, gravou o quadro musicado A voz da saudade, de Ariovaldo Pires e José Nicolini, com a participação da Embaixada de Nhá Zefa e Morais Neto no canto. Um de seus principais parceiros foi Ariovaldo Pires, com quem compôs as modas de viola Pobre cego, Outro drama da vida e Tenho visto, e a mazurca Me leva contigo, gravada em 1978 pela dupla Cambuí e Cambuzinho, e, posteriormente, pelo Duo Ciriema.
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Flávio Cavalcanti

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Flávio Cavalcanti (Flávio Antônio Barbosa Nogueira Cavalcanti), nasceu no Rio de Janeiro a 15 de janeiro de 1923. Começou, aos 22 anos, a trabalhar no Banco do Brasil. Mas ao mesmo tempo, estreou como repórter no jornal carioca A Manhã.
Posteriormente foi funcionário da Alfândega do Rio de Janeiro, onde ficou até 1964. Seu pendor maior era pelo jornalismo e fez entrevistas memoráveis com o político fluminense Tenório Cavalcanti, o “Homem da Capa Preta”. Esteve ainda nos Estados Unidos e entrevistou o presidente Kennedy, na casa Branca.
Entrou para a televisão e tinha estilo tão marcante que registrou época, pois entre outras coisas criou o primeiro júri da televisão brasileira. Começou também a compor e influenciou muito nas tendências musicais. Artistas, que se tornaram consagrados, começaram com Flávio Cavalcanti. Seu estilo era contundente. Letras medíocres, músicas iam para o lixo. Literalmente. Ele quebrava discos e jogava fora. Criou gestos marcantes, como a mão direita estendida para o alto, ao pedir o intervalo. O “tira bota” dos óculos também foi marcante.
Seu primeiro programa foi Discos Impossíveis. Em 1951 compôs Mancha de Baton, que foi gravada pelo conjunto Os Cariocas. Em 1952, na Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, seu programa fazia sucesso. Dolores Duran gravou sua música Manias. Essa música, além de outras, Flávio fez em parceria com o irmão Celso.
Em 1955, com Jacinto de Thormes, estreou o programa: Nós os Gatos. Em 1957, na TV Tupi, estreou seu programa definitivo: Um Instante Maestro. Em 1965 lançou na TV Tupi Excelsior o Júri, que muito marcou.
Em 1966 reeditou o mesmo programa e lançou mais dois: A Grande Chance e Sua Majestade é a Lei. Em 1968 realizou o programa: A Grande Chance em Portugal. Em 1970 lançou: Programa Flávio Cavalcanti na TV Tupi do Rio. Seu programa foi suspenso pela censura militar.
Em 1976 reeditou Um Instante, Maestro, na TVS do Rio. Em 1977 esteve na Rádio Mulher em São Paulo, com um programa diário. Em 1978 novamente fez : Programa Flávio Cavalcanti na TV Tupi carioca. Em 1982 foi para a TV Bandeirantes de São Paulo, fazendo o programa Boa Noite, Brasil. Em 1983, no SBT de São Paulo fez o Programa Flávio Cavalcanti.
Por seus programas passaram nomes consagrados, como: Oswaldo Sargentelli, Marisa Urban, Erlon Chaves, Márcia de Windsor, entre outros. Inteligente, brilhante, inquieto, como bem mostra sua biografia, o carioca Flávio Cavalcanti, porém, teve uma vida familiar tranqüila. Casou se com dona Belinha e teve três filhos, sendo o filho que levava seu nome, um executivo de telecomunicações.
Flávio Cavalcanti faleceu de enfarte, aos 16 de maio de 1986, após apresentar o programa Flávio Cavalcanti, em São Paulo. Nome inesquecível na memória de todo o Brasil ele é.
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Nora Ney

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Nora Ney
Bastaram menos de dois anos, quase vinte meses, para que a carreira de contadora fosse esquecida e a carioca (de 23 de março de 1922) Iracema de Souza Ferreira fosse coroada Rainha do Rádio, com direito a faixa, trono, fã-clube e toda a liturgia que criava o mito radiofônico no início da década de 50.
Em fins de 1951, Iracema ainda freqüentadora do Sinatra-Farney Fã-Clube, onde cantava nas tardes de domingo acompanhada pelo acordeom de João Donato e o piano de Johnny Alf, dois garotinhos imberbes, foi levada para a Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Aí já sob o nome de Nora May (o Ney viria depois), estreou cantando em inglês com seu grave vozeirão.
Em 1953 já era ídolo nacional, cantando samba-canção, naturalmente em português. Contratada pela Rádio Nacional, era ouvida pelo Brasil inteiro todas as noites no famoso programa Ritmos da Panair, transmitido diretamente da boate Midnight, do Copacabana Palace Hotel. Foi aí que conheceu o cantor Jorge Goulart, seu companheiro na vida e carreira a partir de então.
Gravou Ninguém me ama (de Antônio Maria e Fernando Lobo), Menino grande (só do Maria), De cigarro em cigarro (Luiz Bonfá), com imenso sucesso e, nesse mesmo ano, foi eleita Rainha do Rádio.
Cada gravação de Nora Ney era sucesso garantido e ela foi em seqüência: Preconceito (Antônio Maria e Fernando Lobo); É tão gostoso, seu moço (Mário Lago e Chocolate); Aves daninhas (Lupicínio Rodrigues); Se eu morresse amanhã (Antônio Maria); Só louco (Dorival Caymmi); Vai Mesmo (Ataulfo Alves).
Em companhia de Jorge Goulart e outros artistas brasileiros, excursiona longamente pela Europa, Américas, África, Oriente Médio e Ásia, com amplo sucesso, transformando-se na maior divulgadora da música popular brasileira em países até então jamais visitados por artistas nacionais.
Passa por período de preconceito profissional em virtude de posições políticas, mas acaba por retomar sua carreira, cantando com o brilhantismo e calor habituais. Em 1989, faz parte do simpaticíssimo grupo As Eternas Cantoras do Rádio, dividindo o palco e emoções com as companheiras de microfones da fase áurea da radiofonia, Carmélia Alves, Violeta Cavalcanti, Zezé Gonzaga, Rosita Gonzales e Ellen de Lima.
Em 1992, depois de 39 anos de vida em comum, casou com Jorge Goulart. Concedeu esta entrevista ao programa MPB Especial, da TV Cultura de São Paulo, em 1973, aos 50 anos.
Arley Pereira - MPB ESPECIAL - 5/2/1973
"Antônio Maria começou comigo, começamos juntos, ele como compositor e eu como cantora. A primeira música que eu gravei de Antônio Maria foi Menino Grande. Ele fez para ele mesmo e queria que alguém cantasse para ele essa música, Menino Grande. Ele era muito gordo, muito simpático, uma figura engraçada.
Uma vez, eu estava trabalhando no Copacabana Palace e ele foi lá me levar uma música, Onde Anda Você?, e foi de pijama mesmo. Uma delícia, ele foi de pijama, entrou no Copacabana Palace pela entrada dos artistas. Os músicos tinham uma entrada separada. Eu era crooner. E ele foi de pijama mesmo e levou Onde Anda Você?.
O que mais posso falar de Antônio Maria? Amou muito, viveu muito, sofreu muito. Era um sátiro também, maravilhoso e era um grande amigo, o bom Maria, como o chamavam. Vou cantar um outro número do Maria, de parceria com Fernando Lobo. Aliás, Ninguém Me Ama também é parceria com Fernando Lobo".
Nora Ney faleceu em 27/10/2003. Aos 81 anos de idade, a carioca Iracema de Souza Ferreira morreu de falência múltipla dos órgãos (em decorrência de um enfisema pulmonar), no Hospital Samaritano, no mesmo Rio de Janeiro onde nasceu em 1922.
Algumas cifras e letras:
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