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sábado, 4 de agosto de 2007

Odeon

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Enesto Nazareth ouviu os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares, e os levou para o piano, dando-lhes roupagem requintada. Sua obra se situa, assim, na fronteira do popular com o erudito, transitando à vontade pelas duas áreas. Em nada destoa se interpretada por um concertista, como Arthur Moreira Lima, ou um chorão como Jacó do Bandolim.

O espírito do choro estará sempre presente, estilizado nas teclas do primeiro ou voltando às origens nas cordas do segundo. E é esse espírito, essa síntese da própria música de choro, que marca a série de seus quase cem tangos-brasileiros, à qual pertence "Odeon". Obra-prima no gênero, este tango é apenas mais uma das inúmeras peças de Nazareth em que "melodia, harmonia e ritmo se entrosam de maneira quase espontânea, com refinamento de expressão", como opina o pianista-musicólogo Aloysio de Alencar Pinto.

"Odeon" é dedicado à empresa Zambelli & Cia., dona do cinema homenageado no título, onde o autor tocou na sala de espera. Localizado na Avenida Rio Branco 137, possuía duas salas de projeção e considerado um dos "mais chics cinematógraphos do Rio de Janeíro". Em 1968, a pedido de Nara Leão, Vinícius de Moraes fez uma letra para "Odeon"(clique aqui para escutar o midi Odeon) :

Ai, quem me dera / O meu chorinho / Tanto tempo abandonado / E a melancolia que eu sentia / Quando ouvia / Ele fazer tanto chorar / Ai, nem me lembro / Há tanto, tanto / Todo o encanto / De um passado / Que era lindo / Era triste, era bom / Igualzinho a um chorinho/ Chamado Odeon.
Terçando flauta e cavaquinho / Meu chorinho se desata / Tira da canção do violão / Esse bordão / Que me dá vida / Que me mata / É só carinho / O meu chorinho / Quando pega e chega / Assim devagarzinho / Meia-luz, meia-voz, meio tom / Meu chorinho chamado Odeon
Ah, vem depressa / Chorinho querido, vem / Mostrar a graça / Que o choro sentido tem / Quanto tempo passou / Quanta coisa mudou / Já ninguém chora mais por ninguém / Ah, quem diria que um dia / Chorinho meu, você viria / Com a graça que o amor lhe deu / Pra dizer "não faz mal / Tanto faz, tanto fez / Eu voltei pra chorar com vocês"
Chora bastante meu chorinho / Teu chorinho de saudade / Diz ao bandolim pra não tocar / Tão lindo assim / Porque parece até maldade / Ai, meu chorinho / Eu só queria / Transformar em realidade / A poesia / Ai, que lindo, ai, que triste, ai, que bom / De um chorinho chamado Odeon
Chorinho antigo, chorinho amigo / Eu até hoje ainda percebo essa ilusão / Essa saudade que vai comigo / E até parece aquela prece / Que sai só do coração / Se eu pudesse recordar / E ser criança / Se eu pudesse renovar / Minha esperança / Se eu pudesse me lembrar / Como se dança / Esse chorinho / Que hoje em dia Ninguém sabe mais.
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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No bico da chaleira

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Diariamente, o Morro da Graça no bairro das Laranjeiras no Rio de Janeiro era freqüentado por dezenas de pessoas - senadores, deputados, juízes, empresários ou, simplesmente, candidatos a cargos públicos ou mandatos eletivos. A razão da romaria era que no alto do morro morava o general senador José Gomes Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Conservador, que dominou a política nacional no início do século.

Pois foi para satirizar o comportamento desses bajuladores que o maestro Costa Júnior (Juca Storoni) fez a animada polca "No Bico da Chaleira", sucesso do carnaval de 1909: "Iaiá me deixe subir nessa ladeira / eu sou do grupo que pega na chaleira...". E tamanha foi a popularidade da composição que acabou por consagrar o uso dos termos "chaleira" e "chaleirar" como sinônimos de bajulador e bajular. Isso porque, dizia-se na época, o pessoal que subia a ladeira da Graça disputava acirradamente o privilégio de segurar a chaleira que supria de água quente o chimarrão do chefe.

Com a morte de Pinheiro Machado, assassinado por um débil mental em 1915, deram seu nome à Rua Guanabara, onde começava a subida para sua casa, na qual passou a funcionar o Colégio Sacre Coeur e tempos depois uma empresa construtora.

No bico da chaleira (Juca Storoni)

Iaiá / me deixa subir esta ladeira / Eu sou do bloco / Mas não pego na chaleira / Na casa do Seu Tomaz / Quem grita / é que manda mais / Que vem de lá / Bela Iaiá / Ó abre alas / Que eu quero passar / Sou Democrata / Águia de Prata / Vem cá mulata / Que me faz chorar

Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

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Fado Liró

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Fado Liró (fado - 1908) - Nicolino Milano

Guitarra, guitarra geme / Que o meu peito todo treme
Ao cantar ao meu amor / Passemos a vida unidos
A soltar nossos gemidos / Pra acalmar a nossa dor

Mas se a vida são dois dias / Procuremos alegrias
Gozar a vida é mister / Desprezamos a africana
Se ela nos é desumana / Busquemos outra mulher

Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!

Entre as verdes ramarias / Ouvem-se belas poesias
Entre os verdes do choupal / São versos cheios de dores
De quem sofre por amores / De quem sente um grande mal
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Ontem ao luar (Choro e poesia)

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Ontem ao luar Por sua semelhança com a canção "Love Story", do filme homônimo, a polca "Choro e Poesia" voltou a ser sucesso na década de 1970. Esse retorno rendeu-lhe mais de dez gravações, só que com um detalhe: todas traziam apenas o título "Ontem ao Luar", que recebeu de Catulo da Paixão Cearense quando, em 1913, o poeta lhe pôs uma letra, à revelia do autor. E o que é pior, várias dessas gravações tal como edições da partitura, somente registravam o nome de Catulo, omitindo o de Pedro de Alcântara.
Em 1976, graças aos esforços de uma neta de Alcântara, sua autoria foi restabelecida através de uma decisão judicial. "Choro e Poesia" tem duas partes, ambas construídas com variações de um mesmo motivo, usado com muita engenhosidade especialmente na segunda parte, em tom maior.
Ontem ao Luar (Choro e Poesia) (1907)--- clique para ouvir amostra da música
- Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara

----Am-------------------------- B7
Ontem ao luar / Nós dois em plena solidão
E7
Tu me perguntaste
-----------------Am
O que era a dor de uma paixão
A7 -------------------Dm
Nada respondi, calmo assim fiquei
B7 -----------------------------------(E7)
Mas fitando o azul / Do azul do céu a lua azul
-------------Am---------------------------- B7
Eu te mostrei, mostrando a ti os olhos meus
------------------------E7--------------- Am
Correr sem ti uma nívea lágrima e assim te respondi
A7----------------- Dm-------------------- Am
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima
---(B7)-- (E7)--- Am--- E7
Dos olhos a sofrer

A--------------------- B7
A dor da paixão, não tem explicação
E7------------------ A
Como definir o que só sei sentir
Dm ------------A ------------Gbm
É mister sofrer, para se saber
---------------Bm------ E7 ------A -----E7
O que no peito o coração não quer dizer
A---------------------- B7
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
E7 -----------------------A
De noite a chorar na onda toda azul
-------Dm-------------- A-------- Gbm
Pergunta ao luar, do mar a canção
--------------B7------- E7---------- (A) (E7) (A) (E7)
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
-----A----------- Gb7------------ Bm
Se tu desejas saber o que é o amor e sentir
----------E7------------------ A------------ Dbm7
O seu calor o amaríssimo travor do seu dulçor
------------------ E7
Sobe o monte a beira mar ao luar
------------E7-------- A
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
--------------A------Gb7------ Bm------------------ E7
Ouve o silêncio a falar na solidão do calado coração
----------------A -----------A7
A pena a derramar os prantos seus
D ----------Dm -----A -----------Gb7------- Bm
Ouve o choro perenal / A dor silente universal
-------------E7---------------- A F A
E a dor maior que é a dor de Deus

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora Publifolha e A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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Iara (Rasga o coração)

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"Melodia espontânea e escorreita; harmonização singela com alguns acordes arpejados, principalmente no tempo fraco dos compassos." Assim o maestro Batista Siqueira analisa o xote "Iara", por ele considerado "uma obra prima de beleza e simplicidade".
Composto por volta de 1896, em homenagem a um barco homônimo, campeão de regatas, "Iara" só seria gravada em 1907, ano da morte de seu autor Anacleto de Medeiros. Tempos depois, quando já era peça obrigatória no repertório de bandas, recebeu letra de Catulo que a rebatizou de "Rasga o Coração".
Essencialmente instrumental, o xote perdeu em graça e leveza ao ser transformado em canção, embora os versos de Catulo tenham-lhe aumentado a popularidade. Esses versos, aliás, são tão numerosos que mereceram de Guimarães Martins (no livro Modinhas) a curiosa e acaciana recomendação: "O cantor que não desejar interpretar todas estas estrofes escolherá as que mais lhe agradarem". Admirador de Anacleto de Medeiros, Villa-Lobos aproveitou o tema de "Iara" em seu Choros n° 20.
Iara - Rasga o Coração----- clique para ouvir amostra da música
(letra de Catulo da Paixão Cearense e música de Anacleto Medeiros)
Se tu queres ver a imensidão, / Do céu e mar,
Refletindo a prismatização / Da luz solar,
Rasga o coração, / Vem te debruçar,
Sobre a vastidão, / Do meu penar,
Rasga, o que hás de ver, / Lá dentro a dor, a soluçar,
Sob o peso de uma cruz, de lágrimas chorar,
Anjos a cantar, Preces que dirás,
Deus a ritmar, seus pobres ais,
Sorve todo olor, que anda a recender,
Veras que espinhosas, florações do meu sofrer,
Vê se podes ler, nas suas pulsações,
As brancas ilusões, que eu releguei, no seu gemer,
O que não pode é te dizer, nas palpitações,
Ouve-o, brandamente, docemente, a palpitar,
A se for por tal, num terno vesperal,
Mais puro que uma grande,
A se ouvir um hino, só de flores a cantar,
Sob um mar de pétalas de dores, ao luar,
Doido a te chamar, penso em te esperar,
Na ânsia de te ver, ou de morrer,
Tens o meu perdão, flor me vem abrir,
Este coração, na primavera desta dor,
Ao reflorir, mas ao sorrir, Nos rubros lábios teus,
Terás minha paixão, sorrindo, / Adeus !
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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Clélia (Ao desfraldar da vela)

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Clélia (Ao desfraldar da vela) - valsa - 1907 ----clique para ouvir amostra da música
- Catulo da Paixão Cearense e Luís de Souza
Clélia adeus! / Adeus, minha doce Clélia adeus! / Desce à praia e vem calmar o verde mar / Que em breve irei sulcar além / Clélia, ó vem! / Adeus, vou me separar de ti / Vem. Ó vem meu bem! / Vem ouvir-me aqui
Vou singrar a vastidão do mar / A imensidão do mar, do mar / Vou cantar a minha dor / Sob este céu primaveril / Clélia, adeus! / Que o céu é todo puro anil, gentil / Beija a lua o verde mar / Na areia a se enrolar

Ai, que lancinante é o meu sofrer! / Ai, pensar em nunca mais te ver! / Ó, são horas de partir meus ais! / A vela a desfraldar / Pede um sorrir, um teu olhar / Ó vem, ó minha Clélia, adeus! / Vai meu coração em chaga / De vaga em vaga / À solidão do mar clamar
Clélia adeus! / Adeus, vem dizer-me o eterno adeus! / Desce à praia e vem calmar o verde mar / Que em breve irei sulcar além / Vem, ó vem! / Por Deus, vem me dar um beijo aqui / Vem, ó vem, Clélia meu bem! / Vem meu ouvir aqui
Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras
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A pequenina cruz do teu rosário

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A pequenina cruz do teu rosário (1907)----clique para ouvir amostra da música
Fernando Weyne e Roberto Xavier de Castro

----Bm--------- Gb7------- Bm B7
Agora não te vejo a meu lado
------------Em------------ Em6-- Bm
A segredar-me apaixonadas juras,
-------------B7----------------------- Em---Em6
Busco, às vezes, em nosso amor passado,
--------Bm--------- Gb7------ Bm Bm/D
Recordar essas íntimas loucuras.

---------------Gb7---------------------- Bm
Faz tanto tempo, não me lembro quando,
---------------Gb7------------------ Bm
A vida é longa e o pensamento vário,
-------------B7 -------------------------Em Em6
Tu me mostravas, a rir, que delírio santo !
----------Bm----Gb7------- (Bm) (Gb7) (Bm)
A pequenina cruz do teu rosário.

---------Bm-------- Gb7----- Bm B7
E sempre que a via, recordava
--------------Em------- Em6-- Bm
Do nosso amor a fantasia louca.
----------B7------------------------- Em Em6
Toda vez que a pequenina cruz beijava
---------Bm--- Gb7------- Bm Bm/D
Eu beijava, feliz, a tua boca.

-------------Gb7 ---------------------Bm
Já vou trilhando a estrada da amargura
------------Gb7-------------------------- Bm
Antes, porém, que chegue ao meu calvário.
---------------B7 --------------Em Em6
Dá-me a beijar, ò Santa criatura
--------Bm -----Gb7------- (Bm) (Gb7) (Bm)
A pequenina cruz do teu rosário

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Vem cá mulata

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Embora existindo desde 1902, "Vem Cá Mulata" só ficou famosa em 1906 quando se destacou como sucesso carnavalesco. Aliás, sucesso duradouro, uma vez que continuou alegrando mais dois ou três carnavais, tornando-se uma das músicas mais populares da década. O motivo por que caiu no gosto dos foliões está em seu caráter bastante animado - o que não é de se admirar tendo como um dos autores Arquimedes de Oliveira, carnavalesco adepto do Clube dos Democráticos.

A classificação de "Vem Cá Mulata" ora como tango-chula, ora como polca-chula, merece uma observação: muitas das classificações que aparecem em discos e partituras do começo do século carecem de precisão. Geralmente são meros rótulos dados por funcionários subalternos das editoras. Isso numa fase de nossa música em que alguns gêneros ainda não estavam definidos.

Vem cá Mulata (Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre)----clique para ouvir amostra da música
C-------------- G7-----------------C
Vem cá, mulata / Não vou lá, não
-----------------G7---------------C
Vem cá, mulata / Não vou lá, não
----------------G7---------------C
Sou Democrata / Sou Democrata
---------------G7-----------C
Sou Democrata / De coração

-------------Am-------------E7----------------------------Am

O Democráticos, gente jovial / Somos fanáticos do carnaval
------------------------------E7-------------------------------Am
Do povo, vivas nós recolhemos / De nós cativas almas fazemos
------------------------------E7-------------------------Am
Ao povo damos sempre alegria / E batalhamos pela folia
----------------------------E7---------------------------Am
Não receamos nos sair mal / E letra damos no carnaval
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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Três estrelinhas (O que tu és)

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Três estrelinhas (O que tu és) - polca - 1906-----clique para ouvir amostra da música
- Catulo da Paixão Cearense e Anacleto de Medeiros

Se um riso vem / Teus lábios colorir de almo rubor / As almas a teus pés / Vêm prosternar-se com ardor / A luz transluz nos céus / Nos céus dos olhos teus / Saudosos como o luar / No mar a cintilar

Tua alma cheira mais / Que um alvo jasmineiro todo em flor / Onde tu passas fica um aroma a soluçar / Tu és de Deus a obra-prima / Não tens par! / És uma rima singular

Tu és a pérola ideal / Que o mar gerou / Tu és a flor mais aromal / Que Deus sonhou / A mais plangente e meiga lira sons não tira / Como as notas desse teu falar

Teus seios têm o sacro / E doce aroma de um missal / Teus lábios têm a eterna / Sensação da extrema-unção / Tu fazes sem pensar os astros palpitar / Tu fazes sem querer as almas padecer

Tuas tranças cheiram mais / Que as rosas trescalantes de um rosal ; Que a madrugada vem de orvalho perolar / És uma flor da fonte à margem / De cristal / És um poema divinal!

És a mais sonora estrofe do Senhor / És a irradiação mais branca do luar / És a luz solar / Um hino sideral! / Nos olhos tens os raios / De uma estrela vesperal

Nos lábios tens a graça / Inebriante de hidromel / Da imagem do perdão / Tu és a cópia mais fiel / Tu és um coração de orvalho lá do céu / Que um anjo a chorar verteu

Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras
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Os olhos dela

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Os olhos dela (chótis - 1906) -----clique para ouvir amostra da música
Eu sou capaz de confessar / Aos pés de Deus / Que eu nunca vi em mundo algum / Uns olhos como os teus! / Eu não sei mesmo / Como os hei de comparar, não sei / Eu já tentei cantar / O teu divino olhar
Depois de tanto versejar / Debalde em vão / Depois de tanto apoquentar / A minha inspiração / Cheguei à triste conclusão / De que eu só sei sofrer / E o que teus olhos são / Não sei dizer
Deixa-te estar que quando eu morrer / Irei verter os prantos meus nos céus / Hei de contar em segredo a Deus / As travessuras desses olhos teus / Hei de mostrar ao Senhor Jesus / Ao Pai nos céus, apiedado / Meu coração crucificado / Nos braços teus de luz
Os olhos teus são lágrimas do amor / Os olhos teus são dois suspiros de uma flor / São dois soluços d’alma / São dois cupidos de poesia / Que sinfonia tem o teu olhar / Que até às vezes já nos faz chorar! / Ai, quem me dera me apagar assim / À luz do teu olhar!
Os olhos teus / Quando nos querem castigar / Parecem dois astros de gelo / Que nos vêm gelar / Mas quando querem nos ferir / Direito o coração / Eu não te digo não / O que os teus olhos são
Pois quando o mundo quiser / De vez findar / Basta acendê-lo com um raio / Desse teu olhar / Que os olhos todos das mulheres / Que mais lindas são / Dos olhos teus / Não têm a irradiação
Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras.
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Casinha Pequenina

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A modinha, o gênero mais lírico e sentimental de nosso cancioneiro, é também o mais antigo, existindo desde o século XVIII. E entre todas as modinhas surgidas nesse longo espaço de tempo, nenhuma seria tão cantada e gravada como a "Casinha Pequenina". Lançada em disco por Mário Pinheiro em 1906, teria dezenas de gravações figurando no repertório dos mais variados intérpretes, de Bidu Sayão e Beniamino Gigli a Cascatinha e Inhana, de Sílvio Caldas e Nara Leão aos maestros Radamés Gnattali, Lírio Panicali e Rogério Duprat.
Atribuída a autor desconhecido, a "Casinha Pequenina" teve a origem pesquisada pelo musicólogo Vicente Sales, que acredita ser seu criador o paraense Bernardino Belém de Souza. Carteiro e pianista, Bernardino tocou durante algum tempo em navios que faziam a linha Rio-Manaus, aproveitando as viagens para divulgar suas composições no sul do país. Outra autoria possível, mas não comprovada, seria a dos atores Leopoldo Fróes e Pedro Augusto. Segundo Íris Fróes, biógrafa do primeiro, Leopoldo teria recebido de Pedro a letra da "Casinha Pequenina" pronta, e composto a melodia em 1902. A verdade é que nenhum deles jamais reivindicou a paternidade da canção, apesar do sucesso.
Casinha Pequenina (Folclore Popular)----- clique para ouvir amostra da música
Tu não te lembras da casinha pequenina / Onde o nosso amor nasceu / Tu não te lembras da casinha pequenina / Onde o nosso amor nasceu / Tinha um coqueiro do lado / Que coitado de saudade já morreu / Tinha um coqueiro do lado / Que coitado de saudade já morreu
Tu não te lembras das juras e perjuras / Que fizeste com fervor / Tu não te lembras das juras e perjuras / Que fizeste com fervor / Do teu beijo demorado prolongado / Que selou o nosso amor / Do teu beijo demorado prolongado / Que selou o nosso amor
Tu não te lembras do olhar que a meu pesar / Dou-te o adeus da despedida / Tu não te lembras do olhar que a meu pesar / Dou-te o adeus da despedida / Eu ficava tu partias tu sorrias / E eu chorei por toda a vida / Eu ficava tu partias tu sorrias / E eu chorei por toda a vida
Letra da música enviada em 24/06/2000 por: Sirley Thaumaturgo Siqueira. Email: sirley73@hotmail.com.
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Terna saudade (Por um beijo)

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Muita música instrumental de sucesso recebeu letra de Catulo da Paixão Cearense, que assim se fez parceiro de grandes compositores de sua geração. Entre estes está Anacleto de Medeiros, autor da valsa "Terna Saudade", que o poeta transformou na pomposa canção "Por um Beijo": "Ó ri, meu doce amor / sofri lágrimas de flor / teu sorriso inspira a lira / que afinei por teu falar..."
Embora o melhor de "Terna Saudade" seja a melodia, seu autor é citado pelo jornalista Guimarães Martins, no livro Modinhas, como "colaborador de Catulo na parte musical". Herdeiro dos direitos do poeta, Martins procurava sempre minimizar o trabalho de seus parceiros, tachando-os de meros colaboradores.
Terna saudade (Por um beijo) - valsa - 1905--- clique para ouvir amostra da música
(Anacleto de Medeiros / Catulo da Paixão Cearense)
Ó ri, meu doce amor, / Sofri lágrimas de flor / Teu sorriso inspira / A lira que afinei por teu falar / E quer de amor vibrar / Ao sol de teu olhar / Ri meu doce amor / Sorri, pérola da flor / Abre em teu lábio um sorriso / Onde um coração diviso, / De algum anjo que desceu do azul.
Num teu sorriso / Luz de poesia / Vem dar a melodia / E musicar os versos meus / Que eu mostrarei a Deus, / Como eu te amo, / Alma dileta / E sem eu ser poeta / Irei fazer o eterno / Te aclamar nos céus.
Irei estrelas lá no céu roubar / Trarei da lua, um raio de luar / Depois dos céus eu descerei ao mar / E a pérola mais bela irei buscar / Sem recear as iras do Senhor, irei, / Roubar os cofres do Senhor / Trarei a essência do divino amor / Se tu, velada no mais vasto véu, / Concederes-me a vitória / A suprema gloria, / De um só beijo teu !
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Talento e formosura

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A obra mais famosa de Edmundo Otávio Ferreira, foi o chótis Talento e formosura, que recebeu versos de Catulo da Paixão Cearense, sendo gravado, entre outros, pela Banda da Casa Edson e pela Banda do Corpo de Bombeiros, na Odeon; pelos cantores João Barros e Mário Pinheiro, já com versos de Catulo, na Victor Record e pelo Grupo Lulu o Cavaquinho, na Columbia, todas no início do século XX.

Em 1977, Talento e formosura foi regravada por Paulo Tapajós na série "Cantares brasileiros - vol. 1 - a modinha", distribuído pela Companhia Internacional de Seguros como brinde de Natal.

Talento e Formosura (modinha - 1905)
Tu podes bem / Guardar os dons da formosura / Que o tempo um dia / Há de implacável trucidar / Tu podes bem / Viver ufana da ventura / Que a natureza / Cegamente quis te dar

Prossegue embora / Em flóreas sendas sempre ovante / De glórias cheia / No teu sólio triunfante / Que antes que a morte / Vibre em ti funéreo golpe seu / A natureza irá roubando / O que te deu

E quanto a mim / Irei cantando o meu ideal de amor / Que é sempre novo / No viçor da primavera / Na lira austera / Em que o Senhor me fez tão destro / Será meu estro / Só do que for imortal

Terei mais glória / Em conquistar com sentimento / Pensantes almas / De varões de alto saber / E com amor / E com pujança de talento / Fazer um bardo / Ternas lágrimas verter

Isto é mais nobre / É mais sublime e edificante / Do que vencer / Um coração ignorante / Porque a beleza é só matéria / E nada mais traduz / Mas o talento é só espírito / E só luz

Descantarei na minha lira / As obras-primas do Criador / O mago olor da flor / Desabrochando à luz do luar / O incenso d’água / Que nos olhos faz / A mágoa rutilar / Nuns olhos onde o amor / Tem seu altar

E o verde mar que se debruça / N’alva areia a espumejar / E a noite que soluça / E faz a lua soluçar / E a Estrela Dalva / E a Estrela Vésper languescente / Bastam somente / Para os bardos inspirar

Mas quando a morte / Conduzir-te à sepultura / O teu supremo orgulho / Em pó reduzirá / E após a morte / Profanar-te a formosura / Dos teus encantos / Mais ninguém se lembrará

Mas quando Deus / Fechar meus olhos sonhadores / Serei lembrado / Pelos bardos trovadores / Que os versos meus hão de na lira / Em magos tons gemer / Eu morto embora / Nas canções hei de viver

Fonte: Cifrantiga
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Saudades de Matão

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Até 1920, quando Saudades de Matão já se tornara bem conhecida, pouco se sabia sobre sua autoria, sendo por alguns considerada tema popular. Então, através da revista A Lua, de São Paulo, Jorge Galati foi identificado como autor da composição.

Nascido na província de Catanzaro (Itália) cm 1885, ele chegou ao Brasil cinco anos depois, quando a família transferiu-se da Europa para São Carlos do Pinhal (SP). Daí em diante, até sua morte em 1969, viveria em diversas cidades paulistas sempre levado por suas atividades musicais. Assim, após estudar música em São José do Rio Pardo, já exercia com apenas 19 anos a função de mestre da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara. Foi aí, em 1904, que compôs a celebre valsa, originalmente intitulada Francana e que depois, à sua revelia, passou a chamar-se Saudades de Matão. A troca do título aconteceu por volta de 1912, sendo responsável pela mudança Pedro Perches de Aguiar, na época músico em Taquaritinga.

Em 1949, quando Saudades de Matão transformada em sucesso nacional já rendia bons dividendos artísticos e pecuniários, o mesmo Perches resolveu reivindicar sua autoria, estabelecendo-se grande polêmica na imprensa e no rádio.

O assunto mereceu de Almirante rigorosa pesquisa, havendo em seu arquivo variada documentação a favor de Jorge Galati. Há, por exemplo, uma declaração, registrada em cartório, do Sr. Pio Corrêa de Almeida Morais, prefeito de Araraquara em 1904, que afirma ter ouvido muitas vezes naquele ano Galati interpretar a valsa Francana. Mas, segundo Galati, apareceram ainda no decorrer do tempo outros pretendentes à autoria da valsa, como Antonio Carreri, José Carlos Piedade, Protásio Tomás de Carvalho, José Stabile e Antenógenes Silva, sendo que este último registrou um arranjo sobre o tema popularizada como peça instrumental, Saudades de Matão recebeu letra de Raul Torres em 1938.
Saudades de Matão (Jorge Galati, Antenógenes Silva e Raul Torres)--clique para ouvir amostra da música

-------------G--------------- D7--------------------------G
Neste mundo eu choro a dor / Por uma paixão sem fim
--------------------------D7------------------------------- G
Ninguém conhece a razão / Porque eu choro tanto assim
-------------------------D7-------------------- G
Quando lá no céu surgir / Uma peregrina flor
G7-------------------- C--------------------- D7---------------------- G
Pois todos devem saber / Que a sorte me tirou foi uma grande dor
---------D7--------- G---------- D7----------------------- G
Lá no céu junto a Deus / Em silêncio minh’alma descansa
--------D7------------- G
E na terra, todos cantam
---------C----------------- D7---------------------G ----- G7
Eu lamento minha desventura nesta grande dor
C---- G7------- C------------------------ G7
Ninguém me diz / Que sofreu tanto assim
------------------------------------------C------------------ C7
Esta dor que me consome / Não posso viver / Quero morrer
---------------------------------F
Vou partir prá bem longe daqui
------------------------C----- G7------- C
Já que a sorte não quis / Me fazer feliz.

Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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Rato, rato

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Para combater a peste bubônica que se alastrava pelo Rio de Janeiro em 1903, o diretor da Saúde Pública, Osvaldo Cruz, determinou uma desratização da cidade. Dentro dos limitados recursos que dispunha, organizou uma brigada de exterminadores, dando a cada um de seus integrantes a tarefa de apresentar o mínimo de cinco ratos mortos por dia. O que excedia a esse número era gratificado à razão de 300 réis por cabeça...
E lá saíam eles pelas ruas, carregando grandes latas e apregoando a compra de ratos: "rato! rato!" Tal pregão motivou Casimiro da Rocha, pistonista da Banda do Corpo de Bombeiros, a compor a polca "Rato Rato", sucesso que depois ganhou letra de Claudino Costa "Rato, rato, rato / Por que motivo tu roeste meu baú?" Em tempo: a guerra aos ratos deu certo. Em 4 de abril de 1904, foi anunciado oficialmente o fim da peste.

Rato, rato (polca, 1904)-------clique para ouvir amostra da música


A------- A6---- A-------------- A#º----- E7/B------- E7
Rato, rato, rato / Porque motivo tu roeste meu baú?
E7(9)---- E7---- E7(9) -----------------------A
Rato, rato, rato / Audacioso e malfazejo gabiru.
A6------------ A---- F#7---------- Bm------------- D7/F#
Rato, rato, rato / Eu hei de ver ainda o teu dia final
-------- A/E-------- F#7 ------B7-------- E7-------- A
A ratoeira te persiga e consiga, / Satisfazer meu ideal.
A------------------------------ A#º----------- E7/B--------- E7
Quem te inventou? / Foi o diabo, não foi outro, podes crer
E7(9)--------------------------------------------- A
Quem te gerou? / Foi uma sogra pouco antes de morrer!
------------------F#7 ----------------------Bm
Quem te criou?/ Foi a vingança, penso eu
D/F#----- A/E ---F#7 ----B7--- E7---- A -----A7
Rato, rato, rato, rato / Emissário do judeu
--------D------------------------------------------------------- D#º
Quando a ratoeira te pegar, / Monstro covarde, não me venhas
----------E7
A gritar, por favor.
--A7 ----------------------------------------------------D
Rato velho, descarado, roedor/ Rato velho, como tu faz horror!
------------G#º ------------D/A ----------B7 ---------E7
Vou provar-te que sou mau / Meu tostão é garantido
-----------A7------------ D
Não te solto nem a pau.
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Primeiro amor

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Flautista excepcional e muito bom compositor, Patápio Silva começou ainda adolescente atuando em bandas do interior, cursando a seguir o Instituto Nacional de Música, onde se formou em 1903. A partir de então, desenvolveu uma vitoriosa carreira, que seria interrompida pela morte aos 27 anos. A popularidade de Patápio era tão grande que seus discos permaneceram em catálogo por mais de duas décadas.


Um de seus maiores sucessos foi a graciosa valsa Primeiro amor (clique para escutar a música), um clássico do repertório flautístico brasileiro, que dá bem uma idéia do estilo musical do autor, situado na fronteira do popular com o erudito. É provável que Patápio optasse pela música de concerto se tivesse vivido por mais tempo.

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Corta-Jaca

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Conhecido desde 1895, quando foi lançado na opereta-burlesca "Zizinha Maxixe", o tango "Corta-Jaca", cujo título original é "Gaúcho", teve a popularidade redobrada nove anos depois, ao reaparecer na revista Cá e Lá. Comprovam o sucesso as oito gravações que recebeu entre 1904 e 1912 e sua apresentação, em 26.10.1914, numa recepção oficial no Palácio do Catete, então sede do Governo Federal. Na ocasião, foi interpretado pela primeira dama, Sra. Nair de Teffé, fato explorado como escândalo pela oposição.

"Corta-Jaca" ou "Dança do Corta-Jaca", como está classificado em uma de suas edições, é na verdade um maxixe bem sacudido, característica que muito contribuiu para o seu êxito. A fim de ser cantado em Cá e Lá, ganhou letra de Tito Martins e Bandeira de Gouveia, autores da peça ("Ai! Ai! Que bom cortar a jaca / Ai! Sim, meu bem ataca, sem descansar...").
Corta-Jaca - Chiquinha Gonzaga e Machado Careca---clique para ouvir amostra da música

Neste mundo de misérias / quem impera / é quem é mais folgazão. / É quem sabe cortar a jaca / nos requebros / de suprema, perfeição, perfeição.

Ai, ai, como é bom dançar, ai! / Corta-jaca assim, assim, assim / Mexe com o pé! / Ai, ai, tem feitiço tem, ai! / Corta meu benzinho assim, assim!

Esta dança é buliçosa / tão dengosa / que todos querem dançar / Não há ricas baronesas / nem marquesas / que não saibam requebrar, requebrar

Este passo tem feitiço / tal ouriço / Faz qualquer homem coió / Não há velho carrancudo / nem sisudo / que não caia em trololó, trololó

Quem me vê assim alegre / no Flamengo / por certo se há de render / Não resiste com certeza / este jeito de mexer
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Perdão, Emília

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Primeira modinha gravada em 1902 pela Casa Edison. Almirante no programa "O Pessoal da Velha Guarda" de 13 de março de 1952 afirmava: "Entre as velhas e mais plangentes modinhas do Brasil figura a célebre “Perdão Emília”, soturna cantiga que foi [flor?] pelo Brasil afora no tempo das serenatas. Jamais se apurou quem a escreveu. Aproveitando-se dessas circunstâncias, um cantor paulista apossou-se dela, gravando-a em discos com o seu nome. É uma desfaçatez, que foi uma nódoa na decência da profissão de autores e de cantores nessa terra.
“Perdão Emília”, segundo informação de antigos ouvintes, informações a que dão curso sem apoiar ou desapoiar, foi composta por um português chamado José Henrique da Silva, que residiu longo tempo em São João da Barra. Foi escrita há 63 anos, em 1889, quando o seu autor contava 24 anos de idade. Isso, repito, é a informação de um ouvinte que nos deu por carta, e que jamais pudemos apurar."

Perdão, Emília - 1889 - José Henrique da Silva e Juca Pedaço

Já tudo dorme, vem a noite em meio, turva lua surgindo além: / Tudo é silêncio; só se vê nas campas, piar o mocho no cruel desdém. / Depois, um vulto de roupagem preta, no cemitério com vagar entrou. / Junto ao sepulcro, se curvando a medo, com triste frase nesta voz falou:

"Perdão, Emília, se manchei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado... / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado." / "Monstro tirano, por que vens agora, lembrar-me as mágoas que por ti passei? / Lá nesse mundo em que vivi chorando, desde o instante em que te vi e amei.

Chegou a hora de tomar vingança, mas tu, ingrato, não terias perdão... / Deus não perdoa as tuas culpas todas, / Castigo justo tu terás, então. / Perdi as flores da capela virgem, / Cedi ao crime, que perdão não tinha, mas, tu, manchaste a minha vida honesta, / Depois, zombaste da fraqueza minha...

Ai, quantas vezes, ao meus pés, curvado, davas-me prova de teu puro amor. / Quando eu julgava que fosses um anjo, não via fundo nesse olhar traidor. / Mas vês agora, que o corpo em terra tombou, de chofre, sobre a lousa fria."

E quando a hora despontou, na lousa um corpo inerte a dormitar se via: / "Perdão, Emília, se manchei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado... / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado."....
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Isto é bom

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Xisto Bahia compôs a primeira música gravada no Brasil, o lundu "Isto é bom", que completou mais de cem anos. A voz do cantor Bahiano, o primeiro cantor profissional da Casa Edison soava fanhosa, os discos eram frágeis - feitos de cera de carnaúba - e o aparelho para ouvi-los, o gramofone, funcionava a corda. Mas nada disso tirava o glamour de levar para casa, no distante ano de 1902, o registro de uma gravação nos raros discos produzidos pela Casa Edison. O primeiro deles, o Zono-o-Phone 10.001, traz o registro do lundu Isto é bom, do baiano Xisto de Paula Bahia com a honraria de ter sido a primeira música gravada no Brasil.
Isto é bom (Lundu) - 1902 - Xisto Bahia (na versão gravada por Bahiano)

O inverno é rigoroso / Bem dizia a minha vó
Que dorme junto tem frio / Quanto mais quem dorme só

Isto é bom, isto é bom / Isto é bom que dói...

Se eu brigar com meus amores / Não se intrometa ninguém
Que acabado os arrufos / Ou eu vou, ou ela vem

Quem ver mulata bonita / Bater no chão com o pezinho
No sapateado a meio / Mata o meu coraçãozinho

Minha mulata bonita / Vamos ao mundo girar
Vamos ver a nossa sorte / Que Deus tem para nos dar

Minha mulata bonita / Que te deu tamanha sorte
Foi o Estado de Minas / Ou Rio Grande do Norte

Minha viola de pinho / Que eu mesmo fui o pinheiro
Quem quiser ter coisa boa / Não tenha dó de dinheiro

Agora a outra versão da música, possivelmente a original:

Já já você quer morrer (Lundu) - Xisto Bahia

Já já você que morrer / Quando morrer, morramos juntos / Que eu quero ver como cabe / Numa cova dous defuntos

Isto é bom / Isto é bom / Isto é bom que dóe

A saia da Carolina / Me custou cinco mil reis / Arrasta mulata a saia / Que eu dou mais cinco e são dez

Isto é bom / Isto é bom / Isto é bom que dóe

Mulata levanta a saia / Não deixa a renda arrastar / A saia custa dinheiro / Dinheiro custa ganhar

Isto é bom / Isto é bom / Isto é bom que dóe

Os padres gostão de moças / E os solteiros tambem / Eu como rapaz solteiro / Gosto mais do que ninguém

Isto é bom / Isto é bom / Isto é bom que dóe

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A conquista do ar (Santos Dumont)

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O feito de Alberto Santos Dumont, contornando a Torre Eiffel em seu balão n° 6, no dia 19.10.1901, inspirou diversas composições, entre as quais a marcha "A Conquista do Ar", sucesso de 1902. Uma criação de Eduardo das Neves, a canção glorifica o inventor da aviação em versos desbragadamente ufanistas, que o público da época adorou ("A Europa curvou-se ante o Brasil / e clamou parabéns em meigo tom / brilhou lá no céu mais uma estrela / apareceu Santos Dumont").

Palhaço de circo, poeta, compositor e principalmente cantor, Eduardo das Neves foi o nosso artista negro mais popular no início do século. Pai do também compositor Cândido das Neves, deixou modinhas, lundus, cançonetas, sendo de sua autoria os versos em homenagem ao encouraçado Minas Gerais, feitos sobre a melodia da valsa "Vieni sul Mar", do folclore veneziano.

Aliás, ainda sobre a mesma melodia, o radialista Paulo Roberto escreveria, em 1945, nova letra exaltando o estado mineiro ("Lindos campos batidos de sol / ondulando num verde sem fim..."), mantendo o refrão popular ("Ó Minas Gerais / ó Minas Gerais / quem te conhece não esquece jamais...").

No auge da carreira, Dudu das Neves apresentava-se nos palcos de smoking azul e chapéu de seda (Figura: partitura de canção feita por Eduardo das Neves, em homenagem a Santos Dumont).

A conquista do ar (Letra e música do cantor Eduardo das Neves)----clique para ouvir amostra da música

A Europa curvou-se ante o Brasil / E clamou “parabéns” em meio tom. / Brilhou lá no céu mais uma estrela: / Apareceu Santos Dumont.

Salve, Estrela da América do Sul, / Terra, amada do índio audaz, guerreiro! / Santos Dumont, um brasileiro!

A conquista do ar que aspirava / A velha Europa, poderosa e viril, / Quem ganhou foi o Brasil!

Por isso, o Brasil, tão majestoso, / Do século tem a glória principal: / Gerou no seu seio o grande herói / Que hoje tem um renome universal.

Assinalou para sempre o século vinte / O herói que assombrou o mundo inteiro: / Mais alto que as nuvens. / Quase Deus, Santos Dumont – um brasileiro.

Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras.

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