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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Leonardo Mota

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Leonardo Mota (Leonardo Ferreira da Mota), jornalista e folclorista, nasceu em Pedra Branca CE, em 10/5/1891, e faleceu em Fortaleza CE, em 2/1/1948. Formou-se pela Faculdade de Direito do Ceará, em 1916.

Colaborou na imprensa cearense e do Sul do país. Publicou alguns volumes com farto documentário sobre o sertão nordestino, principalmente com referência à literatura oral — poesia, anedotário e adagiário:
 
Cantadores, Rio de Janeiro, 1921 (2ª. ed., Rio de Janeiro, 1953; 3ª. ed., Fortaleza, 1961); Violeiros do Norte, São Paulo, 1925 (2ª. ed., Rio de Janeiro, 1955; 3ª. ed., Fortaleza, 1962); Sertão Alegre, Belo Horizonte, 1928 (2ª. ed., Fortaleza, 1965; 3ª. ed., Rio de Janeiro, 1976); No tempo de Lampião, Rio de Janeiro, 1930; Prosa vadia (Palestras lítero-humorísticas), Fortaleza, 1932; A padaria espiritual, Fortaleza, 1939.

Leota na defesa do folclore nordestino

Nos cafés existentes na antiga Fortaleza, onde intelectuais e poetas se reuniam diariamente, uma figura se destacava nas conversas, nas histórias bem humoradas sobre o homem do sertão: Leonardo Mota. Com o poder incomum de declamação, atraia sempre a atenção geral, divulgando através de sua memória prodigiosa os mais belos versos do cancioneiro popular. No Café Riche, Maison Art Noveau e Bar do Majestic, palcos tradicionais da sociedade cearense da época, ele brilhava na poesia. Um autêntico boêmio que legou ao Brasil os maiores estudos sobre o folclore. Um escritor que alcançou, em vida, a fama, o sucesso.

Rachel de Queiroz, da Academia Brasileira de Letras, lembra que o livro de estréia de Leonardo Mota, "Cantadores", conseguiu ser naquele tempo um "best-seller": "Sucesso difícil para um gênero considerado árido - pois quem, senão eruditos, lê folcloristas? Mas Leonardo Mota - ou antes Leota, o seu pseudônimo predileto - era lido com avidez e entusiasmo não só pelos seus colegas especialistas, como também pelo público em geral, dada a apresentação deliciosa dos temas, a inteligência na escolha do Material posto nos livros, a par da fidelidade exemplar com que ele reproduzia o falar sertanejo em toda a sua pura autenticidade e riqueza".

A autora do romance "O Quinze" observa que tais estudos não calam nos exageros e ridículos do chamado "falar caipira", que é uma contrafação posta em voga pelo teatro de revista, com fins de comicidade fácil". Diz que a seriedade de seus trabalhos era de tal forma surpreendente que "os cantadores profissionais consideravam a inclusão de seus versos num dos livros de Leonardo, como a consagração suprema, e a disputavam com afinco".

- E olha que não se tratava - complementa Rachel - de "cantadores" dessa fauna pobre e poluída pelo rádio, que anda hoje por ai, era o tempo dos gigantes, dos mestres ainda não superados e até agora imitados, que deixaram marca indelével no cancioneiro nordestino.

Sânzio de Azevedo, professor de Literatura na Universidade Federal do Ceará, destaca a importância de Leonardo Mota: "Ele se aprofundou nas pesquisas sobre o folclore, sendo imenso o número de trovas, desafios e anedotas que colheu diretamente do povo, em longas viagens ao interior, o que lhe valeria a fama de um dos maiores folcloristas do Brasil em todos os tempos". Além de recolher trabalhos que eram dispersos pelo tempo, Leota se dedicava também à poesia. O soneto "Pedra" um exemplo:

- Pedra que eu amo, pedra confidente/De todo o mal que o coração tortura,/Tu, que tens a serena compostura/De quem da vida a inquietação não sente,/Tu, que vives de todo indiferente/Ao lodaçal desta charneca impura/Que nós chamamos mundo, pedra escura/Que eu te cobice a placidez consente!/Pudesse eu ter a calma soberana/Que tens, em vez de agitação insana/A sacudir meu peito de preceito ... /Faze-me, pedra à tua semelhança:/ - Dá-me o sossego, a plácida confiança,/Faze desta alma um bloco de granito!.

O escritor Florival Seraine, do Instituto Histórico do Ceará, afirma que nenhum pesquisador de folclore no Brasil pode prescindir de consulta à obra de Leonardo Mota: "Ele realizou trabalho de extrema importância para a preservação da cultura popular. Realmente é impossível o desenvolvimento de qualquer pesquisa sem antes verificar as contribuições de Leota sobre os estudos nordestinos". O poeta Cláudio Martins, Presidente da Academia Cearense de Letras, manifesta-se admirador de Leota:

- Foi o homem mais vocacionado de todos os que se dão ao luxo do trabalho intelectual no Pais. Leota desfez-se do seu cartório para fazer pesquisa no plano da literatura natural, popular. Mesmo sendo ótimo poeta, preferiu dedicar-se à divulgação dos mais importantes versos populares brasileiros. Revelou ao Brasil a grandeza existente na poesia nordestina. Se não fosse seu esforço, muito da cultura popular estaria hoje perdida.

Leonardo Ferreira da Mota nasceu em Pedra Branca, em 10 de maio de 1891, filho de Leonardo Ferreira da Mota e Maria Cristina da Silva Mota. Terminou os preparatórios no Liceu do Ceará (1909), depois de Ter estudado em escolas primarias de Quixadá, no Seminário de Fortaleza (1903) e no “Colégio São José” na Serra do Estevão (1904 a 1908). Bacharel pela Faculdade de Direito do Rio de janeiro, em 1916, foi redator de jornal "Correio do Ceará" e diretor da "Gazeta Oficial". Foi notário público, tendo vendido o cartório para, com o dinheiro, custear as suas excursões folclóricas. Conhecido pelo pseudônimo de "Leota" assinava crônicas na imprensa cearense sobre os mais variados assuntos. Em 1921, publicou um de seus mais importantes livros: ''Cantadores''.

Dedicado totalmente ao folclore, reuniu depois suas pesquisas nos volumes "Violeiros do Norte" (1925), "Sertão Alegre" (1928), "No Tempo de Lampião" (1930), "Prosa Vadia" (1932) e "A Padaria Espiritual" (1938). Pela relevância de sua obra, foi eleito para a Academia Cearense de Letras e Instituto do Ceará. Considerado o "príncipe dos folcloristas nacionais", faleceu em Fortaleza, em 2 de janeiro de 1948.

No dia da morte de Leonardo Mota, os originais do livro "Adagiário Brasileiro” sumiram misteriosamente. Até hoje não se sabe de seu paradeiro. Graças ao trabalho persistente de seus filhos Moacir e Orlando Mota, aquele documento foi reconstituído numa tarefa que levou quinze anos, através de manuscritos, rascunhos e recortes de jornais, Com seiscentas páginas, "Adagiário" reúne dez mil ditados, locuções, modismos, ditos e comparações matutas.

O escritor Moreira Campos compartilha da opinião geral de que Leonardo Mota é o nosso maior folclorista: "Sem dúvida que neste campo uma grande autoridade do Nordeste e do Brasil, do ponto de vista da interpretação dos fenômenos folclóricos, é a Câmara Cascudo. Mas ele não excedeu a Leonardo Mota no que este pode recolher em relação sobretudo ao Nordeste". E acrescenta:

- De resto, destaque-se a graça com que escrevia. A força com que sabia transmitir os fatos. E isto está não só nos seus livros, como nas conferências que pronunciou. Conferências aliciantes, pelo seu jeito de narrar, pelos efeitos que tirava de sua exposição. Ele esqueceu todos os bens materiais para perseguir seu objetivo que foi o folclore.

Otacílio Colares, no livro "Lembrados e esquecidos" (Vol. 11), traça o perfil de Leonardo Mota: "Ledor incansável, periodista de têmpera, "causeur" inimitável, possuidor de extraordinária memória e de uma "verve" somente igualável aos seus talentos expressionais, alcançou, no Brasil, ao tempo em que seu nome começou a projetar- se, fora do Ceará, como o de um dos mais dedicados soldados de pesquisa folclórica, à época, justamente, do fastígio da conferência artístico-literária. A época em que, no Sul, os escritores mais populares tinham na tribuna do conferencista (conferente, como se dizia, então) o veículo, maior de sua popularidade".

Em conferência proferida no antigo Clube Iracema, em Fortaleza, Leonardo Mota falou sobre sua paixão "pela observação e estado dos costumes, da linguagem e da poesia das nossas gentes do sertão". Interessado desde menino pelo assunto, foi seduzido pela "vaidade de ser no nosso País, uni arauto da inteligência do brasileiro nordestino". "Realmente, Leonardo Mota mostrava toda a revolta contra a marginalização imposta aos nordestinos, ao desrespeito por sua cultura e folclore. Em "Musa Matuta", um dos capítulos do livro "Violeiros do Norte", revela a postura assumida em sua peregrinação pelo Brasil:

- Fui intransigente na defesa do sertão esquecido, do sertão ridicularizado, do sertão caluniado e só lembrado quando dele se quer o imposto nos tempos de paz ou o soldado nos tempos de guerra. E foi, sobretudo, contra o labéu de cretinice do sertanejo nordestino que orientei a minha documentada contradita: em todo o meu "Cantadores" e nas conferências que proferi, de Norte e Sul, pus o melhor dos meus empenhos em fazer ressaltar a acuidade, a destreza de espírito, a vivacidade da desaproveitada inteligência sertaneja, de que os menestréis plebeus são a expressão bizarra e esquecida, apesar de digna de estudos.

Em todos as capitais que Leonardo Mota visitava, ouvia-se a sua voz contra o preconceito existente em relação ao sertanejo: "Todo me devotei a uma campanha de morigerado nacionalismo, refutando a velha injustiça de as populações litorâneas ou citadinas só exergarem no sertanejo ou o cangaceiro "de alma, de lama e de aço", a que se reporta Gustavo Barroso, ou o ser desfibrado e lerdo que "magina de cócoras" e tão inexoravelmente caricaturado por Monteiro Lobato. Protestei contra essa mania de autodesmoralização que tristemente nos singulariza".

Existe ainda outra característica de Leonardo Mota muito conhecida entre seus amigos: a da improvisão de versos espontâneos, elaborados de forma jocosa, humorística. Entre as dezenas de casos vividos pelo poeta, um dos mais conhecidos é sempre contado nas rodas boêmias. A história se originou quando, em viagem pelo interior, Leota recebeu um bilhete no hotel em que estava hospedado. O proprietário, de nome "Maleta", pedia que ele "quitasse" a divida de alguns dias de permanência. Em resposta, escreveu o seguinte bilhete:

- "Meu caro amigo Maleta, /tenha pena do poeta./Eu vejo a coisa tão preta/que não quero ser profeta/. Posso lá dizer-lhe a data/em que eu terei a dita/ de pagar-lhe esta maldita/conta que tanto me mata./Eu não sou homem de fita/e por isso evito a rata/de dizer-lhe a data exata/em que esta conta se "quinta"/Veja bem a minha luta./A paciência se esgota./Que vida filha da p ... /Saudações, Leonardo Mota".

Fontes: Leonardo Ferreira da Mota - Vithor.cjb.net; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - Publifolha - 2a. Edição - 1998 - São Paulo
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domingo, 6 de março de 2011

Marlui Miranda

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Marlui Miranda
Marlui Miranda (Marlui Nóbrega Miranda), compositora, cantora e pesquisadora, nasceu em Fortaleza CE, em 12/10/1949. Criada em Brasília DF, depois de vencer um festival estudantil, em 1968, trocou o curso de arquitetura pela música.

Em 1971 mudou-se para o Rio de Janeiro RJ, onde estudou violão clássico com Turíbio Santos , Oscar Cáceres, Jodacil Damasceno, João Pedro Borges e Paulo Bellinati. Passou a tocar com artistas como Macalé, Taiguara, Milton Nascimento e Egberto Gismonti, que produziu seu primeiro LP, Olho d’água (Continental, 1979).

Na década de 1970, começou a pesquisar as falas e os cantares indígenas e com o fotógrafo Marcos Santilli, produziu o audiovisual Nharamaã, fruto de pesquisas sobre a colonização de Rondônia. Produziu e gravou os LPs Revivência (Memória, 1984) e Rio acima (Memória, 1986); produziu o disco Patter Merewa (Música dos índios suruís de Rondônia), com 13 canções suruís reunidas por ela e pela antropóloga Betty Mindlin.

A partir de 1990, recebeu bolsas da Rockefeller Foundation e The John Simon Guggenheim Memorial Foundation (New York, EUA) e da Fundação Vitae (São Paulo SP) para seu projeto Preservação e Recriação da Música Indígena da Amazônia Brasileira.

Em 1990 participou como supervisora geral e intérprete na trilha sonora do filme Brincando nos campos do Senhor, de Hector Babenco. Em 1992 foi solista e responsável pela recriação da música indígena na Ópera dos 500, de Naum Alves de Sousa e Grupo Pau Brasil. No mesmo ano, com o Grupo Pau Brasil, criou a trilha para o documentário Arawetê, produzido pelo Centro de Documentação e Informação (CEDI).

Em 1993 produziu o CD Amazon Rainforest Music, para a gravadora alemã Sonoton. Em 1995 gravou o CD IHU — Todos os sons, com músicas e canções de povos indígenas brasileiros e participações de Gilberto Gil, Uakti e Coralusp, entre outros. O espetáculo IHU Todos os sons, apresentado no mesmo ano, foi transformado em especial exibido pela TV Cultura.

Em 1996, o CD IHU foi lançado nos EUA (com concertos em New York e Miami), Áustria, Suíça e Alemanha, onde recebeu o German Phono Academy Award. Em 1997 foi lançado 2 IHU — Kewere: rezar, missa indígena criada a partir de músicas de diversas tribos, com as participações da Orquestra Jazz Sinfônica e coral de 90 vozes, e apresentada pela primeira vez em junho de 1996 na catedral da Sé, em São Paulo, nas comemorações dos 400 anos da morte do padre José de Anchieta.

Em 1998, juntamente com Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter, lançou pelo selo Pau Brasil o disco O sol de Oslo, no qual foram incluídas de sua autoria Sebastiana e Eu te dei meu ané, esta última em parceria com Gilberto Gil. Ainda neste ano, realizou a palestra Trilhas para alcançar a música indígena brasileira, desta vez no Departamento de Letras da USP.

Em 1999, realizou diversas palestras, entre elas, Influência da cultura indígena na música brasileira e Hiperantropia: Desenvolvendo parcerias com os povos Indígenas Brasileiros, Visão geral da música indígena brasileira, na The University of Chicago; Aldeias sem cruz: Missionários e a transfiguração da música indígena no Brasil, em seminário em Salzburg, na Áustria. no Center of Latin American Estudies in Wiscosin-Madison University, No mesmo ano, recebeu o prêmio de melhor CD de música latina pela Native American Society. Participou também do Festival de Música Sagrada na Casa do Tibet, em Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos, organizado pelo Dalai Lama.

Em 2000, foi lançado o filme Hans Staden, de Luís Alberto Pereira, com trilha sonora de sua autoria. No ano de 2002 com a Orquestra Popular de Câmara (de São Paulo), apresentou-se na 4ª Edição do Festival do Mercado Cultural da Bahia. Interpretou e adaptou cantos tradicionais de muitas nações indígenas brasileiras.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin da MPB.
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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Celso de Magalhães

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Celso de Magalhães
Celso de Magalhães (Celso Tertuliano da Silva Magalhães ou Celso da Cunha Magalhães), escritor, jornalista e folclorista, nasceu em Penalva, MA, em 11/11/1849, e faleceu em São Luís, MA, em 09/06/1879.

Bacharelou-se em 1873 pela Faculdade de Direito de Recife, PE. Colaborou ativamente na imprensa maranhense e pernambucana.

Publicou em 1873, no jornal O Trabalho, de Recife, uma série de artigos sobre a poesia popular brasileira (nos n°s 2 a 11), terminando de publicá-los nos n°s 16 e 17 de O Domingo, de São Luís, em maio e agosto de 1873.

Foi um dos precursores dos estudos folclóricos no Brasil, coligindo romances tradicionais, quadrinhas, danças etc.

Só recentemente essa obra foi publicada em livro: A poesia popular brasileira, São Luís, 1966.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - São Paulo - 1998.
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Basílio de Magalhães

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Basílio de Magalhães
Basílio de Magalhães, professor, historiador, jornalista e folclorista, nasceu em São João del Rei, MG, em 17/6/1874, e faleceu na cidade de Lambari, MG, em 14/12/1957. Diplomou-se pela Escola de Minas de Ouro Preto MG, e foi professor de história em São Paulo SP e no Rio de Janeiro RJ, onde dirigiu o Instituto de Educação.

Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Senador e deputado federal por Minas Gerais, abandonou a política em 1930, dedicando-se inteiramente ao magistério, à pesquisa histórica e ao jornalismo.

Mestre do folclore brasileiro, foi um dos primeiros a aprofundar seu estudo e a atribuir-lhe significação erudita.

Entre abril de 1941 e agosto de 1942 escreveu em Cultura Política, Rio de Janeiro, uma série de artigos sob o título “O povo brasileiro através do folclore”.

Sobre folclore publicou O folclore no Brasil (com uma coletânea de contos organizada por João da Silva Campos), Rio de Janeiro, 1928 (2ª. ed., Rio de Janeiro, 1939; 3ª. ed., revista por Aurélio Buarque de Holanda, Rio de Janeiro, 1960); O café. Na história, no fo/clore e nas belas artes, Rio de Janeiro, 1937 (2ª. ed., aumentada e melhorada, São Paulo, 1939). 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

João do Rio

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João do Rio
João do Rio (João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto), folclorista, teatrólogo, romancista e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 05/07/1881, e faleceu na mesma cidade, em 23/06/1921.

Era filho de educador Alfredo Coelho Barreto e de Florência Cristóvão dos Santos Barreto. Adepto do Positivismo, o pai fez batizar o filho na igreja positivista, esperando que o pequeno Paulo viesse a seguir os passos de Teixeira Mendes. Mas Paulo Barreto jamais levaria a sério a igreja contista, nem qualquer outra, a não ser como tema de reportagem.

Fez os estudos elementares e de humanidades com o pai. Aos 16 anos, ingressou na imprensa. Em 1918, estava no jornal Cidade do Rio, ao lado de José do Patrocínio e o seu grupo de colaboradores. Surgiu então o pseudônimo de João do Rio, com o qual se consagraria literariamente.

Pesquisou a vida e os costumes do Rio de Janeiro, reunindo suas impressões em vários livros. Escreveu também sobre o movimento literário e atividades religiosas.

Trabalhou nos períodicos Cidade do Rio, Gazeta de Notícias e O País, tendo participado da fundação do Rio-Jornal, a Pátria e Atlântida, e colaborado na revista Kosmos.

Ocupou a cadeira número 26 da Academia Carioca de Letras. Nos diversos jornais em que trabalhou, granjeou enorme popularidade, sagrando-se como o maior jornalista de seu tempo. Usou vários pseudônimos, além de João do Rio, destacando-se: Claude, Caran d’ache, Joe, José Antônio José.

Sobre folclore publicou As religiões do Rio, Rio de Janeiro, 1904 (2a. ed., Rio de Janeiro, 1906); A alma encantadora das ruas, Rio de Janeiro, 1908.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998; João do Rio - Passeiweb.
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Índios Tabajaras

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Índios Tabajaras - Dupla formada pelos irmãos Antenor Moreira Lima (Tianguá CE) e Natalício Moreira Lima (Crato CE 1918—). Índios da tribo Tabajara, Muçaperê e Erundi (Terceiro e Quarto, em língua tupi) saíram de sua terra com a família em 1933, a pé, rumo do Rio de Janeiro RJ. Nos três anos de caminhada em que atravessaram o país, entraram em contato com violeiros e cantadores.

No Rio de Janeiro, por iniciativa do tenente Hildebrando Moreira Lima, registraram-se como cariocas: Muçaperê tornou-se Antenor e Erundi, Natalício. Por volta de 1945, cantaram pela primeira vez na Rádio Cruzeiro do Sul, do Rio de Janeiro, com o nome de Índios Tabajaras, assinando contrato com a emissora.

Doze anos depois excursionaram pela Argentina, Venezuela e México, onde estudaram música. Natalício compôs então uma série de músicas eruditas para violão.

Seguiram para os EUA, onde durante três anos se apresentaram em shows com repertório variado: de smoking, executavam obras eruditas, sobretudo Villa-Lobos; e com trajes indígenas, sambas e motivos folclóricos.

Voltaram ao Brasil em 1960, interrompendo a carreira por três anos, quando excursionaram novamente pelos EUA. Em meados da década de 1960 exibiram-se no Japão, Europa, China e outros países da Ásia, voltando ao Brasil em 1968, ano em que gravaram um disco com músicas havaianas.

Instalados em Nova York, EUA, lançaram em 1969-1970 um LP de músicas japonesas, onde se destaca Sakura-Sakura.

Gravaram 48 discos LP, que venderam milhões de cópias. O maior sucesso da dupla foi o fox Maria Helena, incluído em LP que vendeu um milhão e meio de exemplares.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998
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Natho Henn

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Nathalino Henn
Natho Henn (Nathalino Henn), compositor e pianista, nasceu em Quaraí, RS, em 26/12/1901, e faleceu em Porto Alegre, RS, em 1/8/1958. Iniciou-se no piano com a mãe aos cinco anos de idade.

Tendo estudado em Montevidéu, Uruguai, com Williams Kokler e Eduardo Fabini (1883—1950), retornou a Quaraí, onde lecionou piano e compôs músicas sobre temas folclóricos.

Mudou-se para Livramento RS e fundou um curso musical, que hoje tem seu nome. Em 1942 fixou-se em Porto Alegre.

A 18 de maio de 1946 realizou um concerto na Associação Brasileira de Imprensa, do Rio de Janeiro RJ, na segunda parte de uma conferência proferida pelo jornalista Paulo Antônio Moritz sobre o Rio Grande do Sul.

Obra

Música orquestral: Hino Glória ao Brasil, 1943/4. 

Música instrumental: A carreta, p/piano, c.1945; Feitiço, p/piano, c.1945; Imembuí, bailado p/piano, s.d.; Páginas do Sul, p/piano, c.1945; Pastoral, p/piano, c.1945; Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, bailado p/piano, 1955; Rolinha, p/piano, c.1945; Toada, p/piano, c.1945. 

Música vocal: Canção do baú, p/canto e piano, s.d.; Caravelas, p/canto e piano, s.d.; Trovas, p/canto e piano, 1943. 

 Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Gustavo Barroso

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Gustavo Barroso - 1956
Gustavo Barroso (Gustavo Dodt Barroso), historiador e folclorista, nasceu em Fortaleza, CE, em 29/12/1888, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 3/12/1959.

Concluiu no Rio de Janeiro, em 1911, o curso de direito que iniciara em Fortaleza. Desde muito moço participou do jornalismo cearense, escrevendo e desenhando. Até os últimos meses de vida, colaborou em revistas, pesquisando temas pouco conhecidos da história, sociologia e folclore.

Foi redator do Jornal do Ceará (Fortaleza) e do Jornal do Comércio (Rio de Janeiro), diretor das revistas cariocas Fon-Fon e Seleta, membro da Academia Brasileira de Letras (1923), do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1932) e organizador e primeiro diretor do Museu Histórico Nacional, de 1922 até a morte. Participou de vários congressos e conferências. 

Sua bibliografia, cerca de 100 volumes, compreende desde antropologia cultural até poesia, romance, conto, fábula, viagens etc. Usou do pseudônimo João do Norte. 

Publicou, entre outras obras, Terra de sol, Rio de Janeiro, 1912; Heróis e bandidos, Rio de Janeiro, 1917; Casa de marimbondos, São Paulo, 1921; Ao som da viola, Rio de Janeiro, 1921 (2 ed. aumentada, Rio de Janeiro, 1949); O sertão e o mundo, Rio de Janeiro, 1923; Através dos folclores, São Paulo, 1927; Almas de lama e de aço, São Paulo, 1930; Mythes, contes et légendes des indiens, Paris, 1930; Aquém da Atlântida, São Paulo, 1931; As colunas do templo, Rio de Janeiro, 1932. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.
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Alceu Maynard Araújo

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Alceu Maynard Araújo
Alceu Maynard Araújo, folclorista e historiador, nasceu em Piracicaba, SP, em 21/12/1913, e faleceu em São Paulo, SP, em 23/2/1974. 

Bacharel em ciências políticas e sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1944), foi um dos fundadores e instrutor-chefe do Clube dos Menores Operários da divisão de educação e recreio do Departamento de Cultura, da prefeitura municipal de São Paulo (1937—1946).

Foi chefe de pesquisas folclóricas do Departamento Estadual de Informações (1947). Dedicou-se durante vários anos à pesquisa e à coleta de material folclórico. 

Publicou Cururu, São Paulo, 1948; Danças e ritos populares de Taubaté (em colaboração com Manuel Antônio Franceschini), São Paulo, 1948; Folias-de-reis de Cunha, São Paulo, 1949; Rodas infantis de Cananéia, São Paulo, 1952; Documentário folclórico paulista, São Paulo, 1952; Instrumentos musicais e implementos, São Paulo, 1954; Literatura de cordel, São Paulo, 1955; Ciclo agrícola, calendário religioso e magias ligadas à plantação, São Paulo, 1957; Cem melodias folclóricas (em colaboração com Vicente Aricó Júnior), São Paulo, 1957; Alguns ritos mágicos, São Paulo, 1958; A congada nasceu em Roncesvales, São Paulo, 1960; Medicina rústica, São Paulo, 1961; Escorço do folclore de uma comunidade, São Paulo, 1962; Estórias e lendas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina (em colaboração com Vasco José Taborda), São Paulo, 1962; Folclore nacional, 3 volumes, São Paulo, 1964; Cultura popular brasileira, São Paulo, 1973 (2 ed., São Paulo, 1973). 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Paixão Cortes

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Paixão Cortes (João Carlos D'Ávila Paixão Cortes), folclorista e compositor, nasceu em Santana do Livramento, RS, em 12/7/1927. Em 1953 estreou em rádio e televisão como produtor e apresentador de programas regionalistas, inicialmente na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre RS, e depois na Guaíba. No mesmo ano fundou o conjunto folclórico Tropeiros da Tradição.

Com Barbosa Lessa recolheu várias canções folclóricas gaúchas, gravadas em 1955: O anu, Balaio, Cana verde, Chimarrita-balão, Maçanico, Pezinho, Quero-mana, Tatu, O xótis (Xótis da laranjeira). Seu primeiro lançamento em disco foi Xote carreirinho (de sua autoria), pela Columbia, em 1958, ano em que se apresentou no Olympia, de Paris, França.

Em 1962 gravou seu primeiro LP pela Philips, Folclore do pampa, e dois anos depois, pela mesma gravadora, Tradição e folclore do Sul. Ainda em 1964 exibiu-se na Feira Mundial de Transportes e Comunicações, em Munique, então República Federal da Alemanha. Em 1970 saiu seu terceiro LP, Paixão Cortes, pela Continental. 

Sobre folclore gaúcho, publicou Festança na querência, Porto Alegre, 1959; Terno de Reis, Porto Alegre, 1960; Folclore musical do pampa (coletânea musical), Porto Alegre, 1960; Vestimenta do gaúcho, Porto Alegre, 1961; e Gaúchos de faca na bota, Porto Alegre, 1966. 

Em colaboração com Barbosa Lessa, publicou ainda o Manual de danças gaúchas, com suplemento musical e ilustrativo, Porto Alegre, 1956 (2 ed., São Paulo, 1961; 3’ ed., São Paulo, 1968); e Danças e andanças da tradição gaúcha, Porto Alegre, 1975 (2’ ed., Porto Alegre, 1975). 

Atuou em 1971 no filme Um certo capitão Rodrigo, de Anselmo Duarte, interpretando o personagem Pedro Terra. Em 1986, durante um mês, realizou shows na Inglaterra, divulgando traduções de seus livros para o inglês. Em 1992 a estátua do Laçador, de Antônio Caringi, para a qual serviu de modelo em 1954, foi escolhida como símbolo da cidade de Porto Alegre. 

Em 1994 publicou o livro O Laçador: história de um símbolo, Porto Alegre, e colaborou na produção da coletânea A música de Porto Alegre — as origens, Prefeitura de Porto Alegre. Continua publicando textos e realizando estudos e cursos sobre o folclore gaúcho. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.
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domingo, 17 de fevereiro de 2008

Ely Camargo

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Ely Camargo

Ely Camargo, cantora e compositora, nasceu em Goiás GO (12/2/1930). Influenciada pelo pai, o maestro e regente da Orquestra Sinfônica, de Goiânia GO, Joaquim Edison Camargo, participou ainda criança de programas na Rádio Clube de Goiânia e de coros de igreja.

Em 1960 atuou no conjunto vocal Trio Guairá, de Goiânia, e nos dois anos seguintes apresentou-se no programa que ela mesma produzia na Rádio Brasil Central, retransmitido em Brasília DF pela Rádio e TV Nacional.

Mudou-se para São Paulo SP em 1962, e assinou contrato com a Rede Tupi (rádio e televisão), gravando ainda o primeiro LP, Canções de minha terra, pela Chantecler, etiqueta pela qual lançou sua primeira composição, Boneca de pano, em 1966.

Pesquisadora de folclore, formou acervo particular em suas viagens pelo Norte e Nordeste do Brasil, firmando-se como uma das mais fiéis e competentes intérpretes de música folclórica brasileira.

Gravou 12 LPs, entre os quais Folclore do Brasil, Gralha azul, Danças folclóricas e folguedos populares do Brasil, Cantos da minha gente, Cantigas do povo — Água da fonte, além de uma série de compactos. Tem discos lançados em Portugal, África do Sul, Itália e Alemanha.

Integrante do conselho da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia GO, produz, apresenta e interpreta os seguintes programas semanais na Rádio Universitária da Universidade Federal de Goiás: Brasil de Canto a Canto, Ely Camargo Convida e Alma Brasileira.

Algumas músicas do seu repertório: Azulão, História triste de uma praieira, Luar do sertão, Maringá, Sodade meu bem sodade, Vida marvada, Viola cantadera.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora E PubliFolha.
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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Urubu malandro

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Com o título de "Samba do Urubu" e classificado como "dança característica", o "Urubu Malandro" foi gravado pela primeira vez em 1914. O disco (Phoenix n° 70589) tinha como intérprete Lourival Inácio de Carvalho, o Louro, compositor, instrumentista e solista do grupo (clarinete, cavaquinho e violão) que levava o seu nome. Este mesmo Louro, a quem é geralmente atribuída a autoria da composição, é na verdade somente o autor das variações que a popularizaram.

O "Urubu Malandro" é um antigo tema folclórico da região norte do estado do Rio de Janeiro. Tema, aliás, excelente para improvisos, sendo um dos preferidos de Pixinguinha e outros mestres do choro como Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho, ambos nascidos na mesma região onde surgiu o curioso tema.


Urubu malandro - Autor desconhecido---=- clique para ouvir amostra da música


------A --------------------------------------E7
Urubu veio de riba / Com fama de dançadô
-----------------------------------------------A
Urubu chegou no Rio / Urubu nunca dançou
---------------------E7-------------- A
Dança, dança urubu / Eu não, sinhô

-------A-------------------------------------- E7
Urubu não vai ao céu / Nem que seja rezadô
-------------------------------------------------A
Urubu catinga muito / Persegue Nosso Senhor
------------------E7-------------- A
Foge, foge urubu / Eu não, sinhô

--------A----------------------------------- E7
Urubu está cantando / Que nada sabe dizê
---------------------------------------------------A
Em Mato Grosso se ouve: / Que foi a tropa fazê?
-----------------E7------------- A
Fala, fala urubu / Eu não, sinhô

--------A -----------------------------------------E7
Urubu lá do Pará / Quem tem fama de avançadô
--------------------------------------------------------A
Larga o trono, vem embora / Deixa o Lauro por favô
--------------------E7-------------- A
Deixa, deixa urubu / Eu não, sinhô

-------A------------------------------ E7
Urubu delegado / É um moço de valô
------------------------------------------------A
É bonito e é letrado / Sabe mais que um dotô
------------------E7------------- A
Sabe, sabe urubu / Eu não, sinhô

-------A ---------------------------------E7
Urubu municipá / Larga o osso por favô
------------------------------------------------------A
Vê se come os intendente / Da mão do bispo, sinhô
--------------------E7------------- A
Come, come urubu / Eu não, sinhô

-------A--------------------------------------- E7
Urubu chega disposto / Deixa o povo por amô
-----------------------------------------------------A
Corta os casaca-lavado / Que é pessoá avançadô
--------------------E7------------- A
Corta, corta urubu / Eu não, sinhô

--------A------------------------------------ E7
Urubu Nascimento / Carinha que Deus pintô
-----------------------------------------------A
Meta a mão na algibeira / Paga aquele cantor
-------------------E7------------- A
Paga, paga urubu / Eu não, sinhô
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sábado, 4 de agosto de 2007

Casinha Pequenina

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A modinha, o gênero mais lírico e sentimental de nosso cancioneiro, é também o mais antigo, existindo desde o século XVIII. E entre todas as modinhas surgidas nesse longo espaço de tempo, nenhuma seria tão cantada e gravada como a "Casinha Pequenina". Lançada em disco por Mário Pinheiro em 1906, teria dezenas de gravações figurando no repertório dos mais variados intérpretes, de Bidu Sayão e Beniamino Gigli a Cascatinha e Inhana, de Sílvio Caldas e Nara Leão aos maestros Radamés Gnattali, Lírio Panicali e Rogério Duprat.
Atribuída a autor desconhecido, a "Casinha Pequenina" teve a origem pesquisada pelo musicólogo Vicente Sales, que acredita ser seu criador o paraense Bernardino Belém de Souza. Carteiro e pianista, Bernardino tocou durante algum tempo em navios que faziam a linha Rio-Manaus, aproveitando as viagens para divulgar suas composições no sul do país. Outra autoria possível, mas não comprovada, seria a dos atores Leopoldo Fróes e Pedro Augusto. Segundo Íris Fróes, biógrafa do primeiro, Leopoldo teria recebido de Pedro a letra da "Casinha Pequenina" pronta, e composto a melodia em 1902. A verdade é que nenhum deles jamais reivindicou a paternidade da canção, apesar do sucesso.
Casinha Pequenina (Folclore Popular)----- clique para ouvir amostra da música
Tu não te lembras da casinha pequenina / Onde o nosso amor nasceu / Tu não te lembras da casinha pequenina / Onde o nosso amor nasceu / Tinha um coqueiro do lado / Que coitado de saudade já morreu / Tinha um coqueiro do lado / Que coitado de saudade já morreu
Tu não te lembras das juras e perjuras / Que fizeste com fervor / Tu não te lembras das juras e perjuras / Que fizeste com fervor / Do teu beijo demorado prolongado / Que selou o nosso amor / Do teu beijo demorado prolongado / Que selou o nosso amor
Tu não te lembras do olhar que a meu pesar / Dou-te o adeus da despedida / Tu não te lembras do olhar que a meu pesar / Dou-te o adeus da despedida / Eu ficava tu partias tu sorrias / E eu chorei por toda a vida / Eu ficava tu partias tu sorrias / E eu chorei por toda a vida
Letra da música enviada em 24/06/2000 por: Sirley Thaumaturgo Siqueira. Email: sirley73@hotmail.com.
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sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Mário de Andrade

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Mário de Andrade (Mário Raul de Morais Andrade). Poeta, escritor, musicólogo, folclorista, crítico, jornalista. São Paulo SP 9/10/1893—id. 25/2/1945. Filho de Carlos Augusto de Andrade e de Maria Luísa de Morais Andrade fez estudos secundários no Ginásio do Carmo, dos irmãos maristas, em São Paulo.

Em 1911, matriculou-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo nos cursos de música, piano e canto, diplomando-se em 1917. Publicou os primeiros ensaios de crítica de arte em jornais e revistas, e seu primeiro livro, Há uma gota de sangue em cada poema (São Paulo, 1917). Foi o início de uma atividade intelectual das mais vigorosas da história literária e artística do país.

Em 1922 tornou-se professor de história da música e de estética musical do conservatório onde se diplomara e publicou Paulicéia desvairada, obra pioneira da poesia modernista do Brasil. A crítica conservadora cobriu o livro e seu autor de insultos e ápodos, ressalvando-se, entretanto, os pronunciamentos de Amadeu Amaral e João Ribeiro, que demonstraram compreensão para o “movimento modernista” que se iniciava e que culminou com a realização da Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal, de São Paulo, em fevereiro de 1922, e da qual terá sido, possivelmente, a figura principal.

Em 1924 assumiu no conservatório a cátedra de história da música e de piano. Somente depois de ter publicado algumas Obras de literatura — poesia, prosa e crítica — voltou-se para a música, com uma série de Obras em que fixou as bases teóricas para a formação de uma consciência musical brasileira. Com o Ensaio sobre a música brasileira (São Paulo, 1928) esboçou os rumos para a sistematização dos estudos musicológicos no Brasil.

No ano seguinte publicou o Compêndio de história da música (São Paulo, 1929), depois reescrito e reintitulado Pequena história da música (São Paulo, 1942), e a seguir Modinhas imperiais (São Paulo, 1930), antologia de peças do século XIX, precedida de um prólogo e de notas bibliográficas em que aborda em profundidade a história da modinha brasileira de salão. Em Música, doce música (São Paulo, 1933) reuniu escritos, conferências e crítica.

Em 1935 foi nomeado pelo prefeito Fábio Prado para a direção do então criado Departamento de Cultura, da prefeitura de São Paulo. Teve nesse encargo a colaboração de Paulo Duarte, que o indicara ao prefeito. Criou os parques infantis, a Discoteca Pública Municipal, e, para incentivar o cultivo da música, empregou recursos oficiais na criação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, do Quarteto Haydn (depois Quarteto Municipal), do Coral Paulistano e de um Coral Popular.

Desligou-se do Departamento de Cultura em 1936 e assumiu, no Rio de Janeiro, o Instituto de Artes, da Universidade do Distrito Federal, onde também passou a reger a cátedra de filosofia e história da arte. Desse ano é o ensaio A música e a canção populares no Brasil, editado pelo Serviço de Cooperação Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, e depois incluído no volume VI das Obras completas.

Ainda em 1936 efetuou o tombamento dos monumentos históricos paulistas para o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que ajudara a projetar. Em 1937 fundou a Sociedade de Etnografia e Folclore de São Paulo e foi um dos organizadores do I Congresso da Língua Nacional Cantada, cujos trabalhos constam dos Anais publicados em 1938 pelo Departamento de Cultura da prefeitura de São Paulo.

Em 1939, com a extinção da Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar no Serviço (hoje Instituto) do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Elaborou, na época, o projeto de uma Enciclopédia Brasileira, nunca materializado.

Em 1940 o Instituto Brasil - Estados Unidos publicou sua conferência A expressão musical dos Estados Unidos, incluída no volume VII das Obras completas. Retornou a São Paulo em 1941, onde passou a ser assessor técnico da seção paulista do IPHAN e reassumiu a cátedra de história da música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Nesse ano a Editora Guaíra, de Curitiba PR, lançou seu livro Música do Brasil, contendo estudos sobre história e folclore, incluídos nos volumes XI e XVIII das Obras completas.

Foi uma das inteligências mais construtivas do Brasil e sua obra atesta uma atividade intelectual e artística que se desdobram em setores dos mais variados aspectos, como a questão da língua nacional e os problemas fonéticos do canto erudito e da declamação lírica em vernáculo. Suas contribuições para o desenvolvimento da música no Brasil seriam depois enaltecidas por Camargo Guarnieri e Francisco Mignone, entre muitíssimos outros.

Influenciou por todo o país o trabalho de pesquisa do folclore musical, em particular o de Frutuoso Viana e o de Luciano Gallet (reuniu as pesquisas deste último em Estudos de folclore, Rio de Janeiro, 1934, para o qual escreveu um ensaio histórico e critico).

Em fevereiro de 1970 a Biblioteca Municipal Mário de Andrade dedicou-lhe número especial de seu Boletim bibliográfico, contendo, além de estudos, uma “Cronologia geral da obra de Mário de Andrade”. Inúmeros trabalhos e escritos seus publicados em revistas e jornais foram incorporados às suas Obras completas, cuja publicação, iniciada em 1944 pela Livraria Martins Editora, de São Paulo, compreende 20 volumes, dos quais os volumes XIII (Música de feitiçaria no Brasil, 1963) e XVIII (Danças dramáticas do Brasil, 3 tomos, 1959) foram organizados por Oneyda Alvarenga (sistematização geral, introdução e notas).

Dos demais volumes relacionados com música e folclore brasileiros citem-se: VI — Ensaio sobre a música brasileira (Ensaio sobre a música brasileira; A música e a canção populares no Brasil), 1962; VII — Música, doce música (Música doce música; A expressão musical nos Estados Unidos), organizado por Oneyda Alvarenga, 1963; VII — Pequena história da música, 1942; IX — Namoros com a medicina (Terapêutica musical; Medicina dos excretos), s.d.; XI — Aspectos da música brasileira (Evolução social da música no Brasil; Os compositores e a língua nacional; A pronúncia cantada e o problema nasal brasileiro através dos discos; O samba rural paulista; Cultura musical), 1965; XVI — Padre Jesuíno do Monte Carmelo, 1963; Modinhas imperiais, 1964.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.
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quinta-feira, 17 de maio de 2007

Heitor Villa-Lobos

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Heitor Villa-Lobos

A 5 de março de 1887, nascia Heitor Villa-Lobos, na Rua Ipiranga, bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Sua mãe, Noêmia Villa-Lobos, cuidava dos filhos e da casa. Seu pai, Raul Villa-Lobos, era funcionário da Biblioteca Nacional e dedicava-se à música, como amador.
Na casa dos Villa-Lobos, todos os sábados, nomes respeitados da época reuniam-se para tocar até altas horas da madrugada. Esse hábito, que durou anos, influiu decisivamente na formação musical de Villa-Lobos que, logo cedo, iniciou-se na música. Aos seis anos de idade, aprendeu a tocar violoncelo com o pai, em uma viola especialmente adaptada.
Foi também nessa época - e graças à sua tia Fifinha que lhe apresentou os Prelúdios e Fugas do "Cravo Bem Temperado" - que "Tuhú" (seu apelido de infância) fascinou-se pela obra de Johann Sebastian Bach, compositor que acabou por lhe servir de fonte de inspiração para a criação de um de seus mais importantes ciclos, o das nove "Bachianas Brasileiras".
Além da cidade do Rio de Janeiro, Villa-Lobos residiu com a família em cidades do interior do Estado e também de Minas Gerais. Nessas viagens, entrou em contato com uma música diferente da que estava acostumado a ouvir: modas caipiras, tocadores de viola, enfim, uma parte do folclore musical brasileiro que, mais tarde, viria a universalizar-se através de suas obras.
Ao voltar ao Rio de Janeiro, a música praticada nas ruas e praças da cidade também passou a exercer-lhe um atrativo especial. Era o "choro", composto e executado pelos "chorões", músicos que se reuniam regularmente para tocar por prazer e, ainda, em festas e durante o carnaval. Tal interesse levou-o a estudar violão escondido de seus pais, que não aprovavam sua aproximação com os autores daquele gênero, pois eram considerados marginais.
Com a morte de Raul Villa-Lobos, em 1899, D. Noêmia não conseguiu mais conter o filho. No início dos anos 20, como conseqüência desse envolvimento com o choro, começaria a compor um ciclo de quatorze obras, para as mais diversas formações, intitulado "Choros"; nascia aí uma nova forma musical, onde aquela música urbana se mesclava as modernas técnicas de composição.
Em 1905, Villa-Lobos partiu em viagens pelo Brasil. Visitou os estados do Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, passando temporadas em engenhos e fazendas do interior, em busca do folclore local. Tempos depois, seguia para outra viagem - uma excursão pelo interior dos estados do Norte e Nordeste - que se estenderia por mais de três anos. Foi nesse momento que teria conhecido a Amazônia - fato ainda não comprovado - o que teria marcado profundamente sua obra.
Por onde passava, Villa-Lobos ia recolhendo temas folclóricos que utilizaria em suas composições, como no "Uirapuru", e em seu futuro trabalho de educação musical, através da coleção "Guia Prático".
O ano de 1915 marca o início da apresentação oficial de Villa-Lobos como compositor, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Na época, casado com a pianista Lucília Guimarães, ganhava a vida tocando violoncelo nas orquestras dos teatros e cinemas cariocas, ao mesmo tempo em que escrevia suas obras. Os jornais publicavam críticas contra a modernidade de sua música. Anos mais tarde, o compositor fez questão de explicar:
"Não escrevo dissonante para ser moderno. De maneira nenhuma. O que escrevo é conseqüência cósmica dos estudos que fiz, da síntese a que cheguei para espelhar uma natureza como a do Brasil. Quando procurei formar a minha cultura, guiado pelo meu próprio instinto e tirocínio, verifiquei que só poderia chegar a uma conclusão de saber consciente, pesquisando, estudando obras que, à primeira vista, nada tinham de musicais. Assim, o meu primeiro livro foi o mapa do Brasil, o Brasil que eu palmilhei, cidade por cidade, estado por estado, floresta por floresta, perscrutando a alma de uma terra. Depois, o caráter dos homens dessa terra. Depois, as maravilhas naturais dessa terra. Prossegui, confrontando esses meus estudos com obras estrangeiras, e procurei um ponto de apoio para firmar o personalismo e a inalterabilidade das minhas idéias".
No Brasil do início do século, a influência européia e a permanência do espírito conservador do fim de século incomodavam a juventude, que começava a reagir a tudo isso. Surgiu, então, um movimento chamado Modernista que, em fevereiro de l922, foi oficializado em São Paulo, através da Semana de Arte Moderna. Atividades de vários campos da arte foram apresentadas no Teatro Municipal daquela cidade.
Convidado por Graça Aranha, Villa-Lobos aceitou participar dos três espetáculos da "Semana", apresentando, dentre outras obras, as "Danças Características Africanas".
Já bastante conhecido no meio musical brasileiro, alguns de seus amigos começaram a incentivá-lo a ir à Europa, e apresentaram à Câmara dos Deputados um projeto para financiar sua ida a Paris. A proposta foi aprovada e Villa-Lobos partiu, em 1923, para o que seria sua primeira viagem ao Velho Continente. Chegou com mentalidade própria e se impôs em menos de um ano. Um grupo de amigos ajudou-o nas despesas e apresentou-o aos editores Max-Eschig, enquanto o pianista Arthur Rubinstein - que já o conhecia do Brasil - e a soprano Vera Janacópulus divulgavam suas obras em recitais por vários países.
De volta ao Rio de Janeiro, em 1924, Villa-Lobos foi assim saudado pelo poeta Manuel Bandeira: "Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que chegue cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou cheio de Villa-Lobos. Todavia uma coisa o abalou perigosamente: a "Sagração da Primavera", de Stravinsky. Foi, confessou-me ele, a maior emoção musical da sua vida.(...)".
Em 1927, o compositor retornou a Paris para organizar concertos e publicar várias obras. Fez amigos, e muitos artistas de renome freqüentavam sua casa e participavam das feijoadas dos domingos. A partir dessa segunda temporada na capital francesa, ganhou prestígio internacional, apresentando suas composições em recitais e regendo orquestras nas principais capitais européias, causando forte impressão, ao mesmo tempo em que provocava reações por suas ousadias musicais.
No segundo semestre de 1930, Villa-Lobos - a convite - retornava provisoriamente ao Brasil para a realização de um concerto em São Paulo. Contudo, não previa que, neste seu retorno, estaria inaugurando um novo capítulo em sua biografia.
Villa-Lobos preocupava-se com o descaso com que a música era tratada nas escolas brasileiras e acabou por apresentar um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A aprovação do seu projeto levou-o a mudar-se definitivamente para o Brasil.
Em 1931, reunindo representações de todas as classes sociais paulistas, organizou uma Concentração Orfeônica chamada "Exortação Cívica ", com a participação de cerca de 12 mil vozes.
Após dois anos de trabalho em São Paulo, Villa-Lobos foi convidado oficialmente pelo Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro - Anísio Teixeira - para organizar e dirigir a Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA), que introduzia o ensino da Música e o Canto Coral nas escolas.
Como conseqüência do seu trabalho educativo, viajou de Zeppelin, em 1936, para a Europa, representando o Brasil no Congresso de Educação Musical em Praga.
Com o apoio do então Presidente da República, Getúlio Vargas, organizou Concentrações Orfeônicas grandiosas que chegaram a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares e, em 1942, terminou por criar o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, cujo objetivo era formar candidatos ao magistério orfeônico nas escolas primárias e secundárias, estudar e elaborar diretrizes para o ensino do Canto Orfeônico no Brasil, promover trabalhos de musicologia brasileira, realizar gravações de discos, etc.
"Irei aos Estados Unidos somente quando os americanos quiserem me receber como eles recebem a um artista europeu, isto é, em razão das minhas próprias qualidades e não por considerações políticas..."
Apesar dessa resistência inicial (era o momento da chamada "política da boa vizinhança" praticada pelos EUA com aliados na 2ª Guerra Mundial), Villa-Lobos, convencido pelo Maestro Leopold Stokowski, seu amigo desde Paris, aceitou o convite do Maestro norte-americano Werner Janssen para uma turnê pelos EUA, em 1944.
A partir daí, retornou àquele país várias vezes, onde regeu e gravou suas obras, recebeu homenagens e encomendas de novas partituras, além de ter travado contato com grandes nomes da música norte-americana, fechando, assim, o ciclo de sua consagração internacional. Villa-Lobos morreu de câncer em 17 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro.

Fonte: Museu Villa-Lobos
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domingo, 14 de janeiro de 2007

Waldemar Henrique

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O compositor e pianista Waldemar Henrique (Waldemar Henrique da Costa Pereira) nasceu em Belém do Pará (15/2/1905) e faleceu na mesma cidade em 28/3/1995. Depois de passar a infância na cidade do Porto, Portugal, regressou ao Brasil e iniciou-se na música.
Começou a estudar solfejo e piano com Nicote de Andrade, em 1918, em Belém. Em seguida, fez cursos de violino, harmonia, composição e canto. Seu primeiro sucesso, Minha terra, é de 1923. Em 1929 ingressou no Conservatório Carlos Gomes, onde foi aluno de Filomena Brandão Baars e do maestro Ettore Bosio e de Beatriz Simões.
Em fins de 1933 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde estudou piano, composição, orquestração e regência com Barroso Neto, Newton Pádua, Athur Bosmans, Lorenzo Fernandez e Outros. Dedicou-se especialmente à composição, sobretudo de canções, de inspiração folclórica principalmente amazônica, mas também indígena, nordestina e afro-brasileira.
Trabalhou em rádios, teatros e cassinos do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, além de haver realizado excursões por todo o Brasil, Argentina, Uruguai, França, Espanha e Portugal. Nessas viagens, apresentava-se com sua irmã, a cantora Mara Costa Pereira (Mara Henrique Ferraz, 1916—1975).
Durante alguns anos, no Rio de Janeiro, dedicou-se ao magistério e produziu programas para diversas emissoras, como a Rádio Roquette Pinto, de que foi diretor da seção de música orquestral. Por comissionamento do Itamaraty, realizou excursões artísticas pela França, Espanha e Portugal, em 1949 e 1955, e pelo Paraguai, Uruguai e Argentina, em 1953 e 1954.
Em 1956 gravou seu primeiro LP, com interpretaçao vocal de Jorge Fernandes. Em 1958, sua música-tema para Morte e vida Severina, poema dramático de João Cabral de Meio Neto (1920—), obteve o prêmio Jornal do Comércio, como o melhor do ano. Dirigiu por mais de dez anos o Teatro da Paz, de Belém.
Até 1967 trabalhou no Departamento de Cultura e no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. Em 1978 a Funarte publicou Waldemar Henrique: o canto da Amazônia, de José Claver Filho, volume 2 da Coleção MPB. Foi eleito em 1981 para a Academia Brasileira de Música.
Ao completar 80 anos, em 1985, foi homenageado em desfile de escola de samba, em Belém, cidade onde há um teatro que leva seu nome. Escreveu mais de 120 canções ao longo de sua carreira.
Obras
Abá-Logum, 1948; Abaluaiê, 1947; Adeus, 1961; Boi-bumbá, 1934; Cabocla malvada, 1932; Canção dos remadores, 1938; Cobra grande, 1934; Coco peneruê, 1934; Curupira, 1934; Essa negra fulô, 1935; Eu me agarro na viola, 1936; Matintaperera, 1933; Meu boi vai-se embora, 1936; Meu último luar, 1934, Minha terra, 1923; Morena, 1935; No jardim de Oeira, 1948; Rolinha, 1935; Sem seu, 1952; Senhora dona Sancha, 1932; Sonho de curumim, 1937; Tamba-Tajá, 1934, Trem de Alagoas, 1939; Uirapuru, 1934; A vela que passou, 1936.
CD
O canto da Amazônia, Projeto Uirapuru vol. 2, 1997, Secult Pará PA0010.
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