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sábado, 4 de agosto de 2007

Os olhos dela

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Os olhos dela (chótis - 1906) -----clique para ouvir amostra da música
Eu sou capaz de confessar / Aos pés de Deus / Que eu nunca vi em mundo algum / Uns olhos como os teus! / Eu não sei mesmo / Como os hei de comparar, não sei / Eu já tentei cantar / O teu divino olhar
Depois de tanto versejar / Debalde em vão / Depois de tanto apoquentar / A minha inspiração / Cheguei à triste conclusão / De que eu só sei sofrer / E o que teus olhos são / Não sei dizer
Deixa-te estar que quando eu morrer / Irei verter os prantos meus nos céus / Hei de contar em segredo a Deus / As travessuras desses olhos teus / Hei de mostrar ao Senhor Jesus / Ao Pai nos céus, apiedado / Meu coração crucificado / Nos braços teus de luz
Os olhos teus são lágrimas do amor / Os olhos teus são dois suspiros de uma flor / São dois soluços d’alma / São dois cupidos de poesia / Que sinfonia tem o teu olhar / Que até às vezes já nos faz chorar! / Ai, quem me dera me apagar assim / À luz do teu olhar!
Os olhos teus / Quando nos querem castigar / Parecem dois astros de gelo / Que nos vêm gelar / Mas quando querem nos ferir / Direito o coração / Eu não te digo não / O que os teus olhos são
Pois quando o mundo quiser / De vez findar / Basta acendê-lo com um raio / Desse teu olhar / Que os olhos todos das mulheres / Que mais lindas são / Dos olhos teus / Não têm a irradiação
Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras.
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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Irineu de Almeida

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Irineu de Almeida, compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 1890 e faleceu em 1916, na mesma cidade. Foi também conhecido como Irineu Batina, pela longa sobrecasaca que costumava usar. Além de compositor, tocava oficlide, bombardino e trombone, integrando a banda do Corpo de Bombeiros.
Companheiro dos grandes chorões da época, como Luís de Sousa, Carramona, Licas, Catulo da Paixão Cearense, Anacleto de Medeiros, Juca Kalut e Quincas Laranjeiras, foi também amigo e hóspede do pai de Pixinguinha, Alfredo da Rocha Viana. Foi diretor de harmonia do rancho Filhas das Jardineiras da Cidade Nova e professor de música de Pixinguinha, cujo talento profetizou. Autor de várias composições de sucesso, muitas das quais receberam versos de Catulo da Paixão Cearense, morreu no bairro de Catumbi, na cidade do Rio de Janeiro.
Meu Ideal
(música de Irineu de Almeida e versos de Catulo da Paixão Cearense)
Pudesse esta paixão na dor cristalizar / E os ais do coração em pérolas congelar / De tudo o que sofreu na tela deste amor / Faria ao nome teu divino resplendor / Pudesse est’alma assim com a tua entrelaçar / E aos pés de Deus num surto ao fim voar / E as nossas almas transmutar / Numa só alma de um insonte querubim
Lá, lá nos céus então / Contigo ali / Do amor na pura e etérea floração / Lá, junto a Deus então / Cantar uma canção / De adoração a ti / Lá eu diria aos pés do Redentor / Perante os imortais: / Senhor, eu venero muito a ti / Mas confessor sem temor/ Que a ela eu amo mais
Minh’alma ascende além, que Deus já te esqueceu / E a terra não contém afeto igual ao teu / Procuras, mas em vão, na térrea solidão / Ouvir a pulsação do coração do amor / Num raio inspirador, no plaustro do luar / Percorre o céu, o inferno, a terra e o mar / Não acharás, não acharás amor igual / Que o teu amor é imortal
Obra completa: Afeto sincero, xótis, s.d.; Albina, polca, s.d.; Bem te quero (ou No céu, na terra, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), valsa, s.d.; Carlotinha (ou A Rosa apaixonada, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), valsa, s.d.; Dainéia (c/versos de Catulo da Paixão Cearense), polca, s.d.; Digitalis (ou Lamento, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), valsa, s.d.; Eva, chótis, s.d.; Inocente desejo (id., c/versos de Catulo da Paixão Cearense), valsa, s.d.; Irene (ou As Tuas mãos, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), valsa, s.d.; Jaci, chótis, s.d.; Maria Eugênia, valsa, s.d.; Meu ideal (id., c/versos de Catulo da Paixão Cearense), chótis, s.d.; O Meu jasmineiro (id., c/versos de Catulo da Paixão Cearense), romance, s.d.; Morcego, tango, s.d.; Nininha, polca, s.d.; Os Olhos dela (id., c/versos de Catulo da Paixão Cearense), chótis, s.d.; Princesa de cristal (ou Salve, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), chótis, s.d.; Ruth (ou Licor de ilusão, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), valsa, s.d.; São João debaixo d’água, polca, s.d.; Susana (ou Se cantas ao violão, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), polca, s.d.; Tude, polca, s.d.
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