quarta-feira, 27 de junho de 2007

Belchior

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Cearense de Sobral, filho de músicos amadores, foi bastante influenciado pelos cantores do rádio dos anos 50. Mais tarde trabalhou como programador de rádio e nos anos 60 participou de festivais de música no Nordeste, se aproximando de outros músicos cearenses como Fagner e Ednardo.
Em 1971 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu Sérgio Ricardo, que possibilitou a gravação de "Mucuripe", sua parceria com Fagner. Sua composição "Na hora do almoço" venceu o Festival Universitário e marcou sua estréia com um compacto.
Mas foi a inclusão de duas de suas composições ("Como nossos pais" e "Velha roupa colorida") no show de Elis Regina que o projetou como compositor, sendo gravado de Jair Rodrigues ("Galos, noites e quintais") a Vanusa ("Paralelas"). Teve outros sucessos como "Apenas um rapaz latino-americano", "Tudo outra vez" e "A palo seco". Em 1999 lançou o CD duplo "Auto-Retrato", em que faz uma releitura de suas principais obras. Belchior também atua como pintor, desenhista e caricaturista.
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Beth Carvalho

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Beth Carvalho (Elizabeth Santos Leal de Carvalho), cantora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 5/5/1946. Criada na Zona Sul, já aos sete anos participava de programas de calouros, como o Trem da Alegria, da Rádio Mayrink Veiga.
Com essa idade entrou para a E.N.M.U.B., onde estudou iniciação musical e teoria. Por volta de 1961, participou de shows de bossa-nova em colégios e faculdades, apresentando-se mais tarde em festivais universitários. Sua primeira gravação foi feita em 1965: um compacto simples para a RCA Victor, com a música Por quem morrer de amor (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli).
Nos dois anos seguintes, cantou nos espetáculos Música nossa, ao lado de Egberto Gismonti e Tibério Gaspar, e Hora e vez do samba, com Zé Kéti e Os Cinco Crioulos, e fez parte do Conjunto 3-D, integrado por Antônio Adolfo, (piano), Chico Batera (bateria), Luís (contrabaixo) e Eduardo Conde, com quem cantava em dupla.
Em 1968, classificou em terceiro lugar no III FIC, da TV Globo, do Rio, a música Andança (Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi), que defendeu acompanhada dos Golden Boys. No ano seguinte, lançou seu primeiro LP, pela Odeon - Andança - e, a partir de 1971, quando gravou Rio Grande do Sul na festa do preto forro (samba-enredo do G.R.E.S. Unidos de São Carlos), passou a interpretar só sambas.
Transferindo-se para a gravadora Tapecar, lançou em disco compacto simples Amor, amor (do bloco carnavalesco Bafo da Onça) e a seguir gravou, em 1973, o LP Canto para um novo dia. Pela mesma gravadora, lançou, em 1974, o LP Pra seu governo. O disco fez muito sucesso e foi editado na França, onde, na mesma época, fez uma temporada numa boate parisiense.
Passou a apresentar-se em shows, acompanhada pelo grupo A Fina Flor do Samba. Em 1975 lançou o LP Pandeiro e viola (Tapecar) e em 1976, Mundo melhor (RCA). A partir de 1977, sua carreira tomou novo impulso com os LPs Nos Botequins da Vida (RCA) que vendeu 400 mil cópias, e De pé no chão (RCA, 1978), um dos primeiros na onda do pagode carioca. Seu disco seguinte, No pagode, de 1979, incluiu o sucesso Coisinha do pai (Jorge Aragão, Luiz Carlos e ???) - posteriormente incluído no repertório eletrônico da sonda espacial Pathfinder.
No carnaval de 1984, foi homenageada pela Escola de Samba Unidos do Cabuçu com o enredo Beth Carvalho, a enamorada do samba. Apelidada "a madrinha do pagode", no início da década de 90 comemorou 25 anos de carreira com Pérolas, disco em que interpreta clássicos de Adoniran Barbosa, Pixinguinha, Cartola e outros.
Em 1996 lançou Brasileira da gema, seu primeiro disco inédito em cinco anos e teve quatro álbuns relançados em CD Nos Botequins da Vida; De pé no chão; No pagode e Sentimento brasileiro.
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Boleros inesquecíveis

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Houve uma época em que se cantava, dançava e praticamente só se respirava o bolero. Esse gênero romântico, de tantas paixões, invadiu vários países, inclusive o Brasil, influenciando a nossa querida MPB. Com certeza esse período já passou faz muito tempo.
Esse ritmo é tão real como a própria vida porque encerra carinho, loucura e paixão, que é fundamental para muitos. Para relembrarmos tão lindo gênero musical, ousei elaborar esta página.
Quase quatro centenas de boleros que marcaram época pela sua beleza e estilo foram compilados e cifrados para o violão. Muitos estão sem cifras ou incompletos, ou, talvez, melodicamente errados. Mas, aos poucos, estou corrigindo as canções e ajustando a página.
Já estão publicadas as biografias, letras e músicas cifradas de vários representantes do gênero como: Agustín Lara (México), Altemar Dutra (Brasil), Armando Manzanero (México), Consuelo Velázquez (México), Gregorio Barrios (Argentina), Lucho Gatica (Chile), Luis Miguel (México), Mario Clavell (Argentina), Rafael Hernández (Porto Rico), Roberto Yanés (Argentina), Trío los Panchos (México) e Trio Yrakitan (Brasil).
Agradeço a todos que contribuíram para atualização desta página, principalmente ao Dr. Enrique Crispin Insaurralde Costa que nos presenteou com mais de 300 boleros. Copiem e cantem os canções que mais gostarem. Muito obrigado pela sua visita! (Everaldo José dos Santos / Itajaí -SC -Brasil, 03/11/2003).
Alguns canções cifradas e letras de bolero




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Bossa Nova

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As primeiras manifestações do que viria a ser conhecido como Bossa Nova ocorreram na década de 50, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ali, compositores, instrumentistas e cantores intelectualizados, amantes do jazz americano e da música erudita, tiveram participação efetiva no surgimento do gênero, que conseguiu unir a alegria do ritmo brasileiro às sofisticadas harmonias do jazz americano.

Ao se falar de Bossa Nova não se pode deixar de citar Antonio Carlos Jobim, Vinícius de Moraes, Candinho, João Gilberto (na foto acima), Carlos Lyra, Roberto Menescal, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, Baden Powell, Luizinho Eça, os irmãos Castro Neves, Newton Mendonça, Chico Feitosa, Lula Freire, Durval Ferreira, Sylvia Telles, Normando Santos, Luís Carlos Vinhas e muitos outros.

Impossível precisar quando a Bossa Nova realmente começou. Mas é certo que o lançamento, em 1958, dos discos Canção do amor demais, com Elizeth Cardoso interpretando composições de Tom e Vinicius, e Chega de saudade, com o clássico de Tom e Vinicius de um lado e Bim bom, de João Gilberto, do outro -, nos quais João surpreendeu a todos com a nova batida de violão, foi o resultado de vários anos de experiências musicais. Experiências empreendidas não só por João mas por toda a turma que se encontrava nas famosas reuniões na casa de Nara Leão.

História

Incompreendida no início, a bossa nova, depois de firmar-se no Brasil, acabou por ganhar o mundo, influenciar a música internacional e transformar a criação musical popular subseqüente. Movimento renovador da música popular brasileira, influenciado pelo jazz, a bossa nova surgiu na segunda metade da década de 1950 entre jovens de classe média da zona sul do Rio de Janeiro. Caracterizou-se por romper com as fórmulas tradicionais de composição e instrumentação, por harmonias mais elaboradas e por letras coloquiais.

À época do surgimento da bossa nova, a música popular brasileira vivia um momento de impasse, em que os ritmos americanos e caribenhos dominavam o mercado fonográfico. Nesse contexto, um público carioca de elite, do ponto de vista econômico e cultural, redescobriu o samba nascido nos morros e nos subúrbios, criado e interpretado por músicos populares. Esse público era também ouvinte de jazz, que teve influência decisiva, especialmente em sua forma cool, no trabalho de compositores e intérpretes considerados precursores da bossa nova: Dick Farney, o conjunto vocal Os Cariocas, Antonio Maria, Ismael Neto, Johnny Alf, Nora Nei, Dóris Monteiro e Maysa.

A partitura da peça Orfeu da Conceição, de 1956, projetou mundialmente os nomes de Antônio Carlos Jobim (Tom), como compositor, e de Vinícius de Morais, como letrista. Em 1958 foi lançado o disco Canção de amor demais, com músicas e arranjos de Tom e Vinícius, com a cantora Elizeth Cardoso. Apontado mais tarde como um antecedente direto da bossa nova, o disco apresentava em algumas faixas o violonista João Gilberto, cuja revolucionária batida sincopada caracterizaria, daí em diante, a bossa nova.

Em 1959 foi lançado Chega de saudade, disco considerado o marco fundador da bossa nova, com composições de Tom, Vinícius, Newton Mendonça, Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, ao lado de autores tradicionais, como Ari Barroso e Dorival Caymmi. Interpretadas no estilo contido e coloquial de João Gilberto e acompanhadas pela batida de seu violão, as músicas desse disco apresentavam um surpreendente predomínio dos tons menores, o que simulava desafinação. Desafinado, aliás, era o título de uma das faixas, que se tomaria um clássico do movimento.

Vários nomes logo se destacaram como compositores, além dos já citados: Baden Powell, Roberto Menescal, Oscar Castro Neves, Sérgio Ricardo, Luís Bonfá, Geraldo Vandré e João Donato, entre outros. Entre os intérpretes, que inauguraram um estilo isento de impostação e virtuosismo, cabe destacar as cantoras Sylvia Teles, Nara Leão e Alaíde Costa; e os conjuntos Quarteto em Cy, Sexteto Bossa Rio, Tamba Trio e Zimbo Trio. Em 1962, uma polêmica apresentação de bossa nova no Carnegie Hall de Nova York projetou internacionalmente o movimento.

Além dos nomes mais ligados ao movimento, muitos outros compositores e intérpretes, como Dolores Duran, Maysa, Billy Blanco, Juca Chaves e Lúcio Alves se deixaram influenciar por ele. Outros foram divulgadores da bossa nova nos Estados Unidos, como Maria Helena Toledo, Astrud Gilberto e Sérgio Mendes.

Embora bem recebida pelo público jovem, a bossa nova era criticada por seu alheamento aos problemas sociais. O espetáculo Opinião foi o divisor de águas entre a chamada "música de apartamento", repassada de humor, ironia e nostalgia, centrada no amor e rica em imagens como a do "barquinho a deslizar no macio azul do mar", e a música engajada, chamada "de protesto". Opinião apresentava dois compositores de origem popular, o maranhense João do Vale e o carioca Zé Kéti, mas foram especialmente jovens de classe média os que mais se destacaram como autores da música de protesto: Marcos e Paulo Sérgio Vale, Geraldo Vandré e Théo de Barros, Rui Guerra, Oduvaldo Viana Filho, Ari Toledo e sobretudo Carlos Lyra e Sérgio Ricardo.

A partir de 1964, a bossa nova começou a perder espaço, que foi ocupado por outras tendências, como o tropicalismo ou a jovem guarda. A música popular, no entanto, estava radicalmente mudada e revalorizada. A influência da bossa nova foi determinante na obra dos excepcionais compositores que se lhe seguiram, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, Milton Nascimento e Gilberto Gil.

Veja também em Bossa Nova:

Agostinho dos Santos / Alaíde Costa / Aloysio de Oliveira / Baden Powell / Billy Blanco / Bossa Nova, Dicionário da / Bossa Nova, mais letras / Cariocas, Os / Carlos Lyra / Chico Feitosa / Edu Lobo / Elizeth Cardoso / João Gilberto / Johnny Alf / Leila Pinheiro / Luiz Bonfá / Lula Freire / Maysa / Nara Leão / Newton Mendonça / Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli / Sylvia Telles / Tom Jobim / Vinícius de Moraes

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Caetano Veloso

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cveloso

"Se você tem uma idéia incrível / é melhor fazer uma canção / está provado que só é possível / filosofar em alemão." Como recomenda nos versos de Língua, o compositor e intérprete Caetano Veloso preferiu enriquecer a música popular com seu talento e cultura a trilhar o caminho da erudição e do saber acadêmico. Caetano Emanuel Viana Teles Veloso nasceu em Santo Amaro BA, em 7 de agosto de 1942, último filho de Dona Canô e Seu Zeca.
Em 1959 conheceu a música de João Gilberto e no ano seguinte mudou-se para a capital do estado, onde estudou violão. Interessado também em cinema e artes plásticas, cursou filosofia na Universidade Federal da Bahia, onde conheceu Gilberto Gil e Gal Costa.
Em 1965 foi para o Rio de Janeiro, como acompanhante da irmã, Maria Bethânia, convidada para integrar o elenco do show Opinião. Premiado em dois festivais paulistas de música, gravou o primeiro disco, Domingo (1967). No mesmo ano, Caetano e Gil foram presença marcante no terceiro festival da Record, como líderes do movimento tropicalista, que unia ritmos regionais a guitarras elétricas. No ano seguinte, o grupo lançou o disco Tropicália ou Panis et circensis.
Preso pela ditadura militar, em 1969 Caetano exilou-se em Londres, com Gil, onde permaneceu até 1972. Seu primeiro disco depois da volta ao Brasil foi Araçá azul (1973), obra polêmica e experimental que acabou recolhida por absoluto fracasso comercial.
Outra obra polêmica foi sua incursão no cinema, com o filme Cinema falado (1986). Em 1992, ano em que Caetano Veloso completou cinqüenta anos, o álbum Circuladô recebeu os Prêmios Sharp de melhor canção, intérprete e projeto visual.
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Canções latinas

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Carlos Cachaça

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Carlos Moreira de Castro, o Carlos Cachaça, compositor, nasceu no Rio de Janeiro em 03/08/1902. Nasceu perto do morro da Mangueira, onde foi morar aos oito anos de idade. Nunca deixou as vizinhanças do subúrbio e já aos 12 anos saía nos blocos carnavalescos formados pelos freqüentadores do morro.
Abandonou os estudos no curso ginasial para se dedicar ao samba, passando a fazer parte, como pandeirista, em 1918, do conjunto de Elói Antero Dias, o Mano Elói, um dos primeiros a gravar pontos de macumba em discos. Começou a trabalhar na estrada de Ferro Central do Brasil, seguindo o mesmo ofício do pai.
Por volta de 1922 conheceu o compositor Cartola, que se tornaria um dos seus grandes parceiros, com quem formou três anos mais tarde o Bloco dos Arengueiros, embrião da G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, fundada em 1928. Seu primeiro samba - Ingratidão - foi composto em 1923; nos anos seguintes, dedicou-se a sambas-enredo e sambas de terreiro, para a então fundada escola de samba.
Em 1932 a Mangueira foi campeã do desfile com o samba Pudesse meu ideal, primeira composição sua em parceria com Cartola. Compôs, em 1933, Homenagem, um dos primeiros sambas-enredo a incluir personagens da história do Brasil, gênero que o tornou conhecido também fora do morro.
Araci de Almeida gravou na Victor, em 1937, seu samba, feito em parceria com Cartola e Zé da Zilda, Não quero mais, depois chamado Não quero mais amar a ninguém, regravado em 1973 por Paulinho da Viola no seu LP Nervos de aço (Odeon), e que no ano do lançamento tirou o primeiro lugar entre os sambas apresentados no desfile de escolas.
Seu apelido surgiu na casa de certo tenente do Corpo de Bombeiros, ponto de encontro de sambistas, vários deles chamados Carlos; para distingui-los, cada um ganhou um apelido, e o seu ficou sendo Carlos Cachaça por causa de sua bebida preferida. Sua última participação ativa na Mangueira ocorreu em 1948, quando a escola foi a primeira a colocar som no desfile, para o samba-enredo Vale de São Francisco, mais uma parceria com Cartola.
No LP de Cartola editado pela Marcus Pereira, em 1974, teve incluídos seus sambas Quem me vê sorrir (com Cartola) e Alvorada no morro (com Cartola e Hermínio Belo de Carvalho). Ele próprio gravou Vingança e Homenagem no LP sobre a Mangueira, da série História das escolas de samba, lançado pela Marcus Pereira em 1974.
Em dezembro de 1980 lançou pela Ed. José Olympio, em co-autoria com Marília T. Barboza da Silva e Arthur L. Oliveira Filho, o livro Fala, Mangueira. Em 1997 comemorou 95 anos com festa na quadra da Estação Primeira em homenagem ao único fundador vivo da escola.
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Carlos Gardel

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Carlos Gardel
Foi incomum a popularidade conquistada por Cados Gardel na Europa, na primeira década do século XX, quando ajudou a difundir o tango argentino, sobretudo na França. Após sua morte precoce, converteu-se num mito da cultura popular argentina.
Carlos Gardés, conhecido como Carlos Gardel, nasceu em 11 de dezembro de 1890 em Toulouse, França, e sua mãe emigrou com o filho para a Argentina quando ele tinha três anos de idade. Iniciou a carreira artística ainda muito jovem, cantando sob o nome nome artístico de "El Morocho" nos cafés dos subúrbios de Buenos Aires. Em 1917, a atuação num teatro da capital lançou-o à fama, pela forma sensual e original de interpretar o tango e seu ritmo precursor, a milonga.
Principal intérprete das composições da chamada "nova guarda", estilo de tango que surgiu por volta de 1920, Gardel também compôs muitos tangos famosos, como Mi Buenos Aires querido, Melodía de Arrabal, Arrabal amargo e Volver.
Sua voz ficou imortalizada em discos que foram vendidos em quantidades inusitadas para a época. Estrelou também vários filmes realizados nos primeiros anos do cinema sonoro, como Luces de Buenos Aires (1931), El tango en Broadway (1934) e El día que me quieras (1935). Carlos Gardel morreu em 24 de junho de 1935, núm acidente de avião em Medellín, Colômbia.
Gardel, o mito
O nome do cantor confunde-se com o tango em todo o mundo. Mais do que uma lembrança, Gardel tornou-se uma lenda. Passados 64 anos de sua morte, poucos mitos tiveram a transcendência do cantor Carlos Gardel. Na Argentina, talvez, Evita Peron compare-se a ele.
O peronismo, porém, já perdeu muito de sua influência entre os argentinos. O mesmo não se pode falar do tango, que ainda hoje se confunde no mundo inteiro, incluindo o Brasil, com seu mais brilhante intérprete. O que pouca gente sabe é que Gardel teve como seu mais famoso parceiro um brasileiro, Alfredo Le Pera.
Gardel, que nasceu há 110 anos, em 11 de dezembro, não era argentino.Charles Romuald Gardés, como foi batizado, nasceu na cidade francesa de Toulouse, em 1890.
Três anos depois, sua mãe Berthe foi expulsa de casa pelos pais, e foi para Buenos Aires com o filho. O cantor nunca conheceu o pai. Enquanto não conheceu a glória, o pequeno Carlito – que logo teve seu nome trocado para Carlos Gardel – teve uma infância dura. Enquanto a mãe trabalhava em casas abastadas, ele vivia de pequenos furtos nas proximidades do mercado de Abasto. Daí, a origem de um de seus mais famosos apelidos, El Morocho (moreno) del Abasto. Gardel logo sumiu de casa para cantar em bares e cafés de categoria duvidosa.
Em 1915, tendo como parceiro o uruguaio José Razzano, viu a vida melhorar. Naquele ano, chegou a se apresentar no Teatro Municipal de São Paulo. Mas a dupla só começaria a conhecer fama em 1917, quando Gardel estourou com o tango “Mi Noche Triste”, no Teatro Esmeralda. Razzano teve má sorte.
Em 1925, após problemas nas cordas vocais, encerrou a carreira. Gardel começa então a viver uma vida de astro. Freqüentava as corridas de cavalo, virou padrão de beleza e charme, era assediado pelas mulheres. Por esta época, o cantor passou a estreitar relações com Alfredo Le Pera. Paulistano do Bexiga, e dez anos mais jovem que El Morocho, Le Pera foi levado com dois meses para Buenos Aires, pelos pais. Além de escritor sensível, o brasileiro conhecia teoria musical, fato que agradou a Gardel, um compositor de ouvido nato. A combinação mostrou-se perfeita, e gerou tangos antológicos, como “Mi Buenos Aires Querido”, “El día que me quieras” e “Arrabal Amargo”.
Le Pera também escreveria argumentos para filmes de Gardel na Europa, como Cuesta Abajo e Tango Bar, entre outros. A parceria de Gardel e Le Pera só foi interrompida pela tragédia. Esta aconteceu em 24 de junho de 1935, uma segunda-feira de São João, quando ambos deixavam Bogotá para se apresentar em Cali, na Colômbia. Após uma escala em Olaya Herrera, Medelin, o desastre. Ao ganhar velocidade para decolar, o trimotor F-31 da Sociedade Aérea Colombiana chocou-se com outro avião parado na pista, incendiando-se. Além da dupla, morreram no acidente outras 16 pessoas. Carbonizado, Gardel só teve seu corpo identificado pela pulseira que usava, gravada com seu nome.
Logo após o acidente, que levou algumas mulheres portenhas ao suicídio, Gardel virou personagem de lendas. Uma delas dizia que ele não morrera naquele acidente. Deformado por cicatrizes e muito vaidoso, o cantor teria se negado a aparecer em público. Por muitos anos, no entanto, há quem diga tê-lo visto cantando, solitário, pelas ruas de Buenos Aires. Le Pera acabou relegado a segundo plano, ofuscado pela fama do parceiro.
fontes: Cifrantiga - Cifras e História da MPB, Jornal da Tarde de 07/11/99.
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