
Carioquíssimo, Roberto Silva nasceu no dia 9 de abril de 1920 e já aos 18 anos tentava a sorte no programa Canta Moçada, da Rádio Guanabara. Mas, só dois anos depois, teve sua chance na Mauá, de onde foi levado para a Nacional, o equivalente, hoje, à Rede Globo, pelas mãos dos compositores Evaldo Rui e Haroldo Barbosa.
Foi quando gravou seu primeiro disco, um 78 rpm, com os sambas O Errado Sou Eu (E. Andrade e Djalma Mafra), de um lado; de outro, Ele É Esquisito, de L. Guilherme, Walter Teixeira e R. Lucas. O grande sucesso, porém, viria um pouco mais tarde, quando já integrava o elenco da Tupi, a convite de Paulo Gracindo: Mandei Fazer um Patuá, de Raimundo Olavo e Norberto Martins, dupla que o abasteceria com outros êxitos, como Normélia, no qual Roberto brinca com as modulações no estilo que seria sua marca inconfundível.
Discreto, um tanto sisudo, Roberto Silva sempre se manteve à margem dos modismos, preferindo eternizar seus poucos sucessos e fazer uma releitura precisa dos clássicos, impressas na série antológica Descendo o Morro (dez elepês irrepreensíveis) que se iniciou em 1958 e varou as décadas de 60 e 70.
Ouvi-lo é o mesmo que abrir um baú de relíquias e surpreender-se com o frescor e a riqueza tão variada que dele exalam.
Alberto Helena Junior - ENSAIO - 27/12/1990
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