segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Arrasta a sandália

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Arrasta a Sandália (samba/carnaval) - 1933
Aurélio Gomes e Osvaldo Vasques

------D ---------------D#º--- Em
Arrasta a sandália aí, morena
A7 --------------------------D
Arrasta a sandália aí, morena

------D --------------D#º------ Em
Arrasta a sandália aí, no terreiro
-------------------A7------------- D
Estraga, que custa o meu dinheiro
-----------------A7
Arrasta a sandália, arrasta


---D----------------- D#º----- Em
Vou te dar uma sandália bonita
------------------A7------- D
De veludo, enfeitada de fita
------------------A7
Arrasta a sandália, arrasta

-------D------------- D#º -------Em
Arrasta a sandália, minha morena
-------------------A7------------ D
Estraga mesmo e não tenha pena
------------------A7
Arrasta a sandália, arrasta

-------D ------------D#º----- Em
Arrasta a sandália aí, todo dia
---------------------------A7------- D
Que eu mando vir outra lá da Bahia
------------------A7
Arrasta a sandália, arrasta
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Aí, hein!

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Aí, hein! (marcha de Carnaval) - 1933---clique para ouvir amostra da música
Lamartine Babo Babo e Paulo Valença


Gbm
Aí hein!
B7 E D7 Db7
Pensas que eu não sei?
Gbm
Toma cuidado
B7 E
Pois um dia eu fiz o mesmo e me estrepei
Gbm
Aí hein
B7 E D7 Db7
Pensas que eu não sei?
Gbm
Sou camarada
B7 E
Faz de conta que eu não sei

Gbm
Menina que chega em casa
E E7 Eb7
Às quatro da madrugada
D7 Db7 Gb7
Enquanto pela escada vai subindo
B7 E
Na boca dos vizinhos vai caindo

Gbm
Velhota que anda sem meia
E E7 Eb7
Na praia, toda inocente
D7 Db7 Gb7
Brincando com as crianças lá na areia
B7 E
Vai pondo areia nos olhos da gente
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A tua vida é um segredo

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A tua vida é um segredo (marcha, 1933) - Lamartine Babo --clique para ouvir amostra da música

          Am       E7              Am
A tua vida é... é um segredo
E7 Am
É um romance e tem... e tem enredo
G7 C B7 E7 Am
A tua vida, é um livro amarelado / Lembranças do passado
Bm E7 A7 Dm Am
Folhas soltas da saudade / A tua vida, romance igual ao meu
B7 E7 Am E7 Am
Igual a muitos outros / Que o destino me escreveu
G7 C B7 E7 Am
A tua vida, foi sonho e foi ventura / Foi lágrima caída
Bm E7 A7 Dm
No caminho da amargura / São nossas vidas
Am B7 E7 Am
Comédias sempre iguais / Três atos de mentira
E7 Am
Cai o pano e nada mais
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Uma jura que fiz

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Uma Jura Que Fiz - 1932----clique para ouvir amostra da música
Ismael Silva, Francisco Alves e Noel Rosa

Não tenho amor / Nem posso amar
Pra não quebrar / Uma jura que fiz
E pra não ter / Em quem pensar
Eu vivo só / E sou muito feliz

Aquela que eu mais amava / Só pensava em me trair
Quando eu menos esperava / Partiu sem se despedir
Essa mesma criatura / Quis voltar mas eu não quis
E hoje cumprindo a jura / Vivo só e sou feliz
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Tem francesa no morro

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A primeira letra de sucesso de Assis Valente foi Tem francesa no morro, samba gravado por Araci Cortes, em 1932, em que satiriza a moda dos burgueses cariocas de infestarem suas falas de expressões francesas.

O compositor insurgiu-se, não contra os neologismos franceses, mas contra os modismos, frutos da pura exibição de quem queria mostrar que sabia francês: ''Donê muá si vu plé lonér de dancê aveque muá'', escreve ele, limitando-se a transcrever o francês falado pela gente fina e nobre.

Debochado, acrescentava o estribilho, repetido a cada dupla de versos do desjeitoso francês: ''Dance Iaiá, dance Ioiô''. ''Si vu frequentê macumbe entrê na virada e finí por sambá/ dance Iaiá, dance Ioiô''. ''Vian petite francesa, dancê lê classique em cime da mesa/ Quand la dance comece, on dance ici, on dance aculá''.

E terminava dizendo: ''si vu ne pa dancê, pardon, ma cherri, adie, je me vá''. Naturalmente, não era necessário, como não é ainda, nenhuma tradução. Aquele francês macarrônico era entendido por todos.

Tem francesa no Morro - 1932 - Assis Valente

Donê muá si vu plé lonér de dancê aveque muá
Dance Ioiô / Dance Iaiá

Si vu frequenté macumbe entrê na virada e fini por sambá
Dance Ioiô / Dance Iaiá

Vian / Petite francesa
Dancê le classique / Em cime de mesa

Quand la dance comece on dance ici on dance aculá
Dance Ioiô / Dance Iaiá

Si vu nê vê pá dancê, pardon mon cherri, adie, je me vá
Dance Ioiô / Dance Iaiá
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Sofrer é da vida

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Na linha dos versos simples mas bem-humorados, este samba fez um enorme sucesso no carnaval de 1932, quando lançado por Mário Reis. Repetiu a dose em 1967, ao fazer parte de um LP lançado para reviver os grandes momentos na voz de Mário, chamado Os grande sucessos de Mário Reis: “Sofrer é da vida/Eu já me convenci/Adeus, minha querida/Não foi pra você que eu nasci (...)”
Sofrer é da Vida (marcha/carnaval) - 1932---clique para ouvir amostra da música
------A
Sofrer é da vida,
------D6--- D#º--- A
Eu já me convenci
-----D6---- D#º---- A
Adeus minha querida
-------F#7------ B7------ E7- A
Não foi pra você que eu nasci...

--------D6--- D#º---- A
Você tem boa conversa
------------D6----D#º-- A
Mas não vai me tapear
---------D6--- D#º----- A
Pode até fazer promessa
------F#7--------- B7---- E7 A
Porque eu não torno a voltar

--------D6 -------D#º--- A
Seu amor ninguém atura
-------------D6--- D#º---- A
Quem me disse não mentiu
--------D6 -----D#º-- A
Você me fez uma jura
--------F#7-- B7----- E7-- A
Que até então não cumpriu
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Só dando com uma pedra nela

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Só Dando com uma Pedra Nela (marcha)- 1932 - Lamartine Babo

Mulher de setenta anos / já cheia de desenganos
que usa vinte e cinco gramas / de vestido na canela

Só dando com uma pedra nela! / Só dando com uma pedra nela!

Menina que pede esmola / com um corre de ferro imenso
Que pede pra Santo Onofre / pra levar pra São Lourenço

Netinha da cozinheira / A avó já no cemitério
Na hora das três pós de cal / em vez de cal joga pá... nela

Cantora do Instituto / que canta toda semana
Ao escrever no quadro-negro / "Artilharia" Rusticana

Jogai quadro-negro nela! / Jogai quadro-negro nela!

Não tomo de voleibol / Não tomo de basquetebol
com esse meu corpinho assim / eu só tomo é leite Bol

Só dando com uma pedra em mim! / Só dando com uma pedra em mim!
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Se ela perguntar

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Se ela perguntar (valsa) - 1932 - Dilermando Reis e Jair Amorim

--------------Dm ---------------------------Gm
Se ela um dia, por acaso perguntar por mim
---------------A7-------------- Dm----- A7
Diga, por favor, que eu sou feliz ...
---------Dm -------------Dm6 -------------Am
É preciso a própria mágoa disfarçar assim,
---------------------F E7------------------- Bb7--- A7
Dissimulando a dor à sombra de um sorriso...
--------Dm------------------------------------ Gm
Coração talvez não tenha aquela por quem dei
-----------------A7---------- Eb7--- D7
Tudo o que sofri e que sonhei
---------------Gm--------- E°----------- Dm
Estrela solitária que no céu do meu amor
--------------------------------E7
Eternamente, desde que brilhou,
-----A7 ---------Dm
Nunca se apagou!
-------A7----------------- Dm
Esperança de revê-la ainda
--------D7------------------ Gm
Amargura de poder somente
-----------------------E°--------------- Dm
Suplicar por ela, assim, alucinadamente
E7
Na paixão / Que é perdição / No amor
------------------A7
Que sempre é dor
---------------------Gm
Feliz porque não diz / As lágrimas que
------A7--------------------------- Dm
Sempre, sempre, esconderei sorrindo
---------D7--------------------- Gm
Desfolhando apenas malmequeres.
------------------E°--------------------- Dm
Pois ferir o coração é próprio das mulheres
--------E7------------ A7----- Dm
É sofrer, mesmo assim, é VIVER!

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Pierrot

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O teatrólogo Pascoal Carlos Magno procurava uma canção inédita para a abertura de sua peça "Pierrô", prestes a estrear. Além de romântica, a canção deveria explorar o timbre agudo de Jorge Fernandes, o cantor escolhido para interpretá-la. Todos esses requisitos seriam preenchidos por Joubert de Carvalho, que compôs a tempo, sobre uma letra de Pascoal, a dramática canção "Pierrô" ( "Arranca a máscara da face, Pierrô / para sorrir do amor / que passou..."), sucesso no palco e no disco.
Pierrot (valsa-canção) - 1932----clique para ouvir amostra da música
- Joubert de Carvalho e Paschoal Carlos Magno

(Em)-------------------------- Am
Há sempre um vulto de mulher
------Em-------------------- B7------- E
Sorrindo / Em desprezo à nossa mágoa
---------------G°----- Gbm---- B7
Que nos enche os olhos d’água

---(E)-------- E------------------------ B7
Pierrot, Pierrot ! ... / Teu destino tão lindo
-----------------------------Gbm
É sofrer, é chorar toda a vida
----------------B7------------ B7/5--------- B
Por amor, do amor, de alguém ... de alguém
--------E7----------------- A------- Db°
Arranca a máscara da face, Pierrot,
------------E -------B7---- E----- Em
Para sorrir do amor / Que passou

----------------------------Am------- Em----------- B7----- E
Deixar de amar não deixarei / Porque o amor feito saudade
---------G°------ Gbm---B7----- (E)------- E
É a maior felicidade /------- Pierrot, Pierrot ! ....

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O teu cabelo não nega

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A marchinha carnavalesca já existia desde a década de 1920, com características definidas por seus sistematizadores. O prestígio do gênero, porém, somente se consolidou a partir de 1932, com o lançamento de "O Teu Cabelo Não Nega", uma das maiores marchas de todos os tempos. A história de "O Teu Cabelo Não Nega" é curiosa. Em sua forma original - um frevo intitulado "Mulata", dos irmãos pernambucanos Raul e João Valença -, a composição foi oferecida à gravadora Victor para eventual aproveitamento em disco.

Aprovando em parte a melodia, mas achando que a letra tinha um teor excessivamente regional, a direção da gravadora encarregou, então, Lamartine Babo de adaptar "Mulata" ao gosto carioca. Especialista na arte de melhorar canções alheias, ele logo pôs mãos à obra, transformando o frevo na vitoriosa marchinha.

Conforme análise do maestro Roberto Gnattali, que comparou as partituras, o trabalho de Lamartine Babo pode ser resumido no seguinte: "Na primeira parte a letra é a mesma, sendo as notas quase todas iguais, salvo as quatro últimas do verso final que Lamartine, muito sabidamente, ao invés de descer, como no original, subiu, encerrando a estrofe para cima. O ritmo é semelhante, mas o adaptador lhe deu mais balanço, através de antecipações rítmicas, quebrando a quadratura do original. A harmonia é idêntica, estando as melodias construídas com apenas dois acordes: tônica e dominante.

Na segunda parte, letra e música são diferentes, com exceção de cinco notas do 9° para o 10° compasso (início da segunda frase musical) que Lamartine aproveitou. Aliás, é o melhor momento da música dos Valença nesta parte (mulata, mulatinha meu amor..), sendo a do Lamartine toda boa... A harmonia é praticamente a mesma (pelo menos nos pontos chave, nas cadências). As introduções são completamente diferentes".

Como se vê, Lamartine aproveitou o que tinha de aproveitar - como o excelente estribilho -, substituindo o que não prestava. Por exemplo, não há termo de comparação entre o humor pobre dos versos desprezados ("Tu nunca morre de fome / que os home / te dá sapato de sarto / bem arto / pra tu abalançá o gererê...") e a letra de Lamartine ("Quem te inventou / meu pancadão / teve uma consagração / a lua te invejando fez careta / porque mulata tu não és deste planeta..."). "Pancadão" e "não é do planeta" eram gírias da época, significando, respectivamente, "mulherão" e "pessoa ou coisa excepcionalmente valiosa".

Concluída a marchinha, o compositor ofereceu-a à dupla Jonjoca e Castro Barbosa, que gravava na Victor. A propósito, conta João de Freitas, o Jonjoca: "'O Teu Cabelo Não Nega' nos foi mostrada por Lamartine num encontro, casual na Cinelândia. Achamos uma beleza. Então ele disse: 'É de vocês podem gravá-la!' Dias depois, como íamos gravar também o 'Bandonô', de minha autoria, ocorreu-me a infeliz idéia de propor: 'Ô Castro, vamos gravar essas músicas individualmente. Você fica com uma e eu com a outra'. Quanto à escolha, decidimos num cara ou coroa. Deu cara e eu fiquei com `Bandonô'...".

Quem também se interessou pelo "O Teu Cabelo Não Nega" foi Almirante. Depois de conhecer a marcha através do cantor Minona Carneiro, ele chegou a pedir à direção da Victor para gravá-la. Mas era tarde, o disco já fora gravado no dia 21 de dezembro de 1931 por Castro Barbosa, acompanhado pelo Grupo da Guarda Velha, na ocasião composto de piano, dois saxofones, trompete, banjo, baixo, prato, cabaça, omelê, tantã e coro de seis vozes masculinas e uma feminina. O arranjo e a direção musical eram de Pixinguinha. As primeiras tiragens do disco omitiram, por culpa da gravadora, a co-autoria dos Irmãos Valença na composição. O fato gerou uma questão judicial, com repercussão na imprensa, que acabou por fazer valer os direitos dos reclamantes.

O Teu Cabelo Não Nega - 1932--- clique para ouvir amostra da música
- Lamartine Babo e Irmãos Valença

E7 A

O teu cabelo não nega mulata

E7 A

Porque és mulata na cor...

E7 A

Mas como a cor não pega mulata

E7 A

Mulata eu quero o teu amor

A B7

Tens um sabor / Bem do Brasil

E7 A

Tens a alma cor de anil

A7 D B7

Mulata, mulatinha, meu amor / Fui nomeado

E7

Teu tenente interventor

ESTRIBILHO

A B7

Quem te inventou / Meu pancadão

E7 A

Teve uma consagração.....

A7 D

A lua te invejando fez careta

B7 E7

Porque mulata, tu não és deste planeta

ESTRIBILHO

A B7

Quando meu bem / Vieste à terra

E7 A

Portugal declarou guerra

A7 D

A concorrência então foi colossal

B7 E7

Vasco da Gama contra o batalhão naval

ESTRIBILHO




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