quinta-feira, 10 de maio de 2007

Paulo Soledade

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Paulo Soledade (Paulo Gurgel Valente do Amaral) nasceu em 1919 Paranaguá, PR, e morreu em 1999 no Rio de Janeiro, RJ. Compositor, produtor de shows, empresário. Interessou-se por música desde a infância, mas sua primeira atividade artística foi como ator.
Em fins da década de 1930, trabalhou em um pequeno grupo onde atuavam Gustavo Dória, Luísa Barreto Leite, Ziembinski, entre outros. Na década de 1940, viajou para os Estados Unidos para realizar curso de piloto de caça. Regressou como tenente da Força Aérea Norte-Americana, ingressando posteriormente em uma companhia aérea comercial como comandante. Manteve-se nessa função por um período de sete anos, abandonando-a por problemas de saúde.
Fundou no Rio de Janeiro o "Clube dos Cafajestes", grupo de boêmios que ficou famoso com o "Hino dos cafajestes" que ele compôs para grupo. Nessa época atuou também como produtor de shows.
Em 1950, teve sua primeira composição gravada, a marcha Zum-Zum, com Fernando Lobo lançada por Dalva de Oliveira. Foi um grande sucesso do Carnaval. Nos anos seguintes, teve muito êxito com as composições feitas em parceria com Marino Pinto, Fernando Lobo e outros. Suas músicas foram gravadas por cantoras como Araci de Almeida, Eliseth Cardoso, Linda Batista, Emilinha Borba.
Em 1961, abriu a Boate "Zum-Zum", onde apresentava produções de Aloysio de Oliveira, quase sempre ligadas ao novo movimento musical carioca – a Bossa Nova –, do qual participavam artistas como Sylvia Telles, Lenie Dale e Vinícius de Moraes. Data dessa época a marcha-rancho Estão voltando as flores, que logo se tornaria um hino nas noites cariocas.
Em 1980, teve as músicas O pato e O relógio, parcerias com Vinícius de Moraes, lançadas no LP "A Arca de Noé". No ano seguinte, as músicas O peru, O pinguim e A formiga, em parceria com Vinícius de Moraes, foram gravadas no disco "A arca de Noé volume 2".
Em 1990, no projeto "O Som do Meio-Dia" foi apresentado espetáculo em sua homenagem, no qual suas obras foram executadas. Em 1996, Miltinho regravou Estão voltando as flores e Emílio Santiago fez o mesmo no ano seguinte.
Em julho de 2001, o crítico R. C. Albin homenageou-o no espetáculo "Estão voltando as flores", com as Cantoras do Rádio. O show virou disco de igual título, lançado em 2002 pela Som Livre. Dentre seus sucessos, destacam-se ainda Estrela do mar, com Marino Pinto, Insensato coração, com Antônio Maria, Já é noite, com Fernando Lobo e Sonho desfeito, com Tom Jobim, e as músicas infantis como O pato.
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Hermínio Bello de Carvalho

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Hermínio Bello de Carvalho nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1935. Neto de violeiro e filho de ator, morava no bairro da Glória quando começou a freqüentar reuniões na casa do músico Burle Marx, onde conheceu Claudete Soares e Helena de Lima.
Adolescente, gostava muito de música clássica, tendo sido presidente do Centro Cívico Carlos Gomes, de sua escola. Aos 14 anos, cantava em coro de igreja e, em 1958, começou sua carreira na Rádio MEC, do Rio de Janeiro, tendo escrito, entre outros, os programas Violão de Ontem e de Hoje, Reminiscências do Rio de Janeiro, Retratos Musicais e Concertos para a Juventude.
Agitador cultural, poeta, produtor musical, compositor e descobridor de talentos, desde cedo Hermínio conviveu de perto com a música e com os músicos brasileiros. Em 1962, publicou seu primeiro livro de uma série de cerca de 20 que viriam depois, entre eles poesias e crônicas dos personagens da MPB.
Em 1964, com a inauguração do bar Zicartola, no Rio de Janeiro, aproximou-se de Cartola e de alguns de seus futuros parceiros como Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Mauricio Tapajós, com quem fez sua primeira música, Mudando de conversa.
No ano seguinte, dirigiu um musical que marcou época, Rosa de ouro, apresentado no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro, que contou com a participação de Clementina de Jesus e Araci Cortes, acompanhadas pelo conjunto Rosa de Ouro, liderado por Paulinho da Viola e Elton Medeiros, que se consagrariam a partir desse show. O musical foi transformado em disco gravado ao vivo – Rosa de Ouro, volume I –, considerado por unanimidade o melhor do ano.
Ainda em 1965 promoveu, com Edu Lobo, no Teatro Jovem, a Feira de Música Popular, reunindo nomes como Nara Leão, Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Torquato Neto, realizou palestras sobre Villa-Lobos, em Lisboa, Portugal, Madrid, Espanha, e Paris, França, e compôs com Zé Keti o samba Cicatriz. Produziu mais de cem discos, como os de Radamés Gnattali, Dalva de Oliveira, Pixinguinha e Eliseth Cardoso. Foi o primeiro a fazer discos de Cartola, Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça.
Na primeira metade da década de 1960, dedicou-se a poesia, lançando vários livros: Chove azul em teus cabelos, Rio de Janeiro, 1961; Ária e percussão, Rio de Janeiro, 1962; Novíssima poesia brasileira, Rio de Janeiro, 1963; e Poemas do amor maldito, Rio de Janeiro, 1964.
A partir de 1964, iniciou movimento de integração da música popular e erudita, produzindo concertos mistos, num dos quais apresentou pela primeira vez em público Clementina de Jesus, acompanhada pelo violonista clássico Turíbio Santos.
Deixou a Funarte em 1989 após 13 anos no cargo de diretor adjunto da Divisão de Música Popular Brasileira. Neste período, esteve à frente dos seguintes projetos: Almirante, de recuperação de arquivos e gravação de discos pouco comerciais; Lúcio Rangel, de biografias de MPB; e, o mais conhecido, o Pixinguinha, de shows, uma reedição nacional do Projeto Seis e Meia, que reuniu duplas inesquecíveis para cantar pelo país. Foi membro fundador do Conselho de Música Popular do Museu da Imagem e do Som (MIS).
Em 1978 recebeu o Troféu Estácio de Sá, do MIS, por ter sido a personalidade que mais prestou serviços à musica naquele ano. Apresentou na TVE o musical "Água Viva", de 1976 a 1977 e de 1981 a 1983. Na comemoração dos seus 60 anos, em 1995, foi homenageado com shows e a exposição Isso é que é viver – Homenagem aos 60 anos de Hermínio Bello de Carvalho, do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, quando autografou seu livro Umas e Outros.
Ainda em 1995 foram lançados o livro Sessão Passatempo pela Relume-Dumara, RJ, em que conta histórias sobre personalidades da música popular e dois CDs Alaíde Costa canta Hermínio Bello de Carvalho, com canções remasterizados do LP de 1982 e composições novas como a inédita O sabiá e o vento (com Vicente Barreto), e a coletânea de sua obra na série Mestres da MPB, da Warner, em que participam intérpretes como Dalva de Oliveira, Maria Bethânia, Elizeth Cardoso e Gal Costa.
Em 1997 idealizou o Centro de Memória da Mangueira, para a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Rio de Janeiro.
Fonte: Educarede
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Pena Branca e Xavantinho

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Pena Branca e Xavantinho
A dupla formada pelos irmãos José Ramiro Sobrinho (Pena Branca), nascido em Uberlândia (MG), em 1939, e Ranulfo Ramiro da Silva (Xavantinho, Uberlândia, 1942-1999) é um raro caso de fidelidade às raizes caipiras no universo sertanejo atual.
Criado na roça com cinco irmãos, José Ramiro aprendeu "de orelha" no cavaquinho do pai antes de passar para a viola. A dupla com o irmão começou em mutirões, feiras, folias de reis e teve outros nomes como José e Ranulfo, Peroba e Jatobá, Zé Mirante e Miramar e até Xavante e Xavantinho.
Num festival organizado pelo sertanejo Zé Bétio, eles conquistaram o primeiro lugar e o direito de gravar uma música, Saudade, de Xavantinho, num compacto duplo em 1971. Em 1980, outra música de Xavantinho, Que Terreiro é Esse?, foi classificada para a final do festival MPB-Shell da TV Globo e a dupla finalmente estreou em LP, Velha Morada - Rodeio, já se distinguindo pela escolha do repertório: incluía entre as faixas a dissonante O cio da terra de Chico Buarque e Milton Nascimento.
A audácia de afrontar o comercialismo do mercado gravando material selecionado, das folclóricas Cuitelinho (recolhida por Paulo Vanzolini) e Calix Bento (recolhida e adaptada por Tavinho Moura) a Vaca Estrela e Boi Fubá (do cearense Patativa do Assaré), deu certo. Logo a dupla seria um dos esteios do programa de TV Som Brasil, apresentado pelo ator e intérprete Rolando Boldrin, que a incluiria em seus shows Brasil adentro.
Boldrin produziu o segundo disco dos dois, Uma Dupla Brasileira. Milton Nascimento cantou (e gravou) com eles o Cio da Terra, além de levá-los ao Teatro Municipal para o espetáculo em que recebia o Prêmio Shell, de 1986.
Além de Tavinho Moura, com quem Xavantinho faria Encontro de Bandeiras, a dupla foi ampliando sua participação na MPB em encontros (e gravações) com Fagner, Almir Sater, Tião Carreiro, Marcus Viana, entre outros.
Em 1990, eles ganharam o Prêmio Sharp de melhor música com Casa de barro, de Xavantinho e Moniz, e de melhor disco, Cantadô do mundo afora. Dois anos depois, ao vivo em Tatuí levaram outro Sharp de melhor disco e também foram escolhidos pela Associação Paulista de Críticos de Arte.
Sempre mesclando repertório matuto, clássicos da MPB e obras de lavra própria, PB & X gravaram de Mário de Andrade, Viola quebrada, a Ivan Lins e Vitor Martins, Ituverava, Caetano Veloso, O ciúme, e o Uirapuru (Murilo Latini/Jacobina), sucesso do grupo Nilo Amaro e seus Cantores de Ébano em Violas e Canções, de 1993, ano em que os dois excursionaram também aos EUA.
Em Pingo d'água (1996), o rei do baião Luiz Gonzaga, A vida do viajante, convive com os caipiras históricos João Pacífico e Raul Torres da faixa título. E no Coração matuto (1998), entram Djavan, Lambada de serpente, Milton Nascimento, Morro Velho, com participação do próprio, e até Guilherme Arantes, Planeta Água.
Já sem o irmão, falecido no ano anterior, Pena Branca prosseguiria solo em Semente caipira (2000). Congregando de Tom Jobim e Luiz Bonfá, Correnteza, a Renato Teixeira, Quando o amor se vai, Joubert de Carvalho, Maringá, e composições próprias, Casa amarela, Rio abaixo vou viver, o disco de Pena Branca mantém acesa a chama de integridade que marcou a trajetória da dupla e continua lhe servindo de farol.
Tárik de Souza / ENSAIO / 21/2/1991
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Nelson Ferreira

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Nelson Ferreira (Nelson Heráclito Alves Ferreira), o Moreno Bom, nasceu em 9.12.1902 na cidade de Bonito, PE, filho de vendedor de jóias e violonista amador e de professora primária. Aprendeu violão, piano e violino e já aos 14 anos compôs sua primeira música, a valsa Vitória, a pedido da Companhia de Seguros Vitalícia Pernambucana. Daí em diante mais valsas, foxes, tangos, canções, vindo a especializar-se no frevo.
Ainda jovem tocou em pensões alegres, cafés, saraus e nos famosos cinemas Royal e Moderno do Recife. Foi o pianista mais ouvido na época do cinema mudo. Nos primeiros anos do rádio foi convidado pelo pioneiro Oscar Moreira Pinto para ser o diretor-artístico da Rádio Clube de Pernambuco, onde, além de compor, fundou vários grupos e orquestras e apresentou os mais variados programas, atingindo, com o seu talento e versatilidade, todas as camadas sociais.
Formou a partir dos anos 40 uma Orquestra de Frevos, cuja fama extrapolou as fronteiras pernambucanas, conseguindo sucesso nacional. Também foi homem do disco, na função de diretor-artístico da Fábrica Rosenblit, selo Mocambo, instalada nos anos 50 no Recife, então a única gravadora fora do eixo São Paulo-Rio.
Seu sorriso aberto e franco, sua bondade, seu espírito nativo e criativo, valeram-lhe muitos amigos em todos os segmentos. Alguns até se tornariam seus parceiros musicais: Sebastião Lopes (o bom Sebastião), Ziul Matos, Aldemar Paiva e tantos outros famosos na radiofonia pernambucana. Compôs sete Evocações, apreciadas em todo o Brasil nas quais homenageou carnavalescos, velhos companheiros, jornalistas e imortais da poesia como Manuel Bandeira, e artistas da dimensão de Ataulfo Alves, Lamartine Babo, Francisco Alves, entre outros.
Nelson é um dos nordestinos que possui maior número de músicas gravadas dentro da discografia nacional, embora grande parte seja desconhecida do resto do Brasil. Sua produção, ao lado da de outros pernambucanos, como Raul e Edgar Morais, Zumba, Levino Ferreira, Irmãos Valença, Luiz Gonzaga e Capiba, e outros mais, é de importância enorme no estudo das manifestações músico-sócio-culturais da região.
Teve sua primeira música gravada, em ritmo de samba, Borboleta não é ave, no Odeon 122.381, pelo Grupo do Pimentel, concomitantemente pelo cantor Bahiano, no Odeon 122.384, como marcha, ambos os registros para o Carnaval de 1923.
No final dos anos 20 suas músicas são constantemente gravadas no Sul pelos artistas mais famosos: Francisco Alves, Almirante, Carlos Galhardo, Araci de Almeida, Joel e Gaúcho, Augusto Calheiros, Minona Carneiro, e, nos anos seguintes, por Dircinha Batista, Nelson Gonçalves, várias orquestras, além de intérpretes pernambucanos do maior valor, no Recife, como Claudionor Germano e Expedito Baracho.
Sua importância como autor vai além dos frevos, já que compôs valsas tão aplaudidas na região quanto as vienenses, que lhe valeram do escritor Nilo Pereira estas palavras: “Feiticeiro do piano, fixador dum tempo que as suas valsas revivem como se estivessem falando. Se meia-hora antes de sair o meu enterro tocarem as valsas de Nelson, velhas valsas tão íntimas do meu mundo, irei em paz, sonhando.”
Sua projeção nacional evidenciou-se de forma efetiva em 1957 através de sua Evocação nr. 1, frevo de bloco sucesso no Carnaval de todo o país, no qual resgata com saudade momentos inesquecíveis do Carnaval do Recife: “Felinto, Pedro Salgado/Guilherme Fenelon/Cadê seus blocos famosos?...”
A Mocambo, em 1973, resgatou em 4 LPs uma produção de 50 anos do querido maestro, abrangendo valsas e frevos de rua, de bloco e canção, coletânea documental que é um retrato da própria história sócio-cultural de Pernambuco. Em sua extraordinária obra, Nelson fez adivinhações, brincou de Boca de Forno, de Coelho Sai, fez evocações, cantou a sua Veneza Americana e seus tipos populares, registrou a Revolução de 30 e a Segunda Guerra Mundial, os momentos românticos, alegres e tristes, disse da natureza humana, da tradição e dos costumes de sua gente.
Antes de falecer fez questão de demonstrar a enorme gratidão que sentia pela cidade que o fez seu cidadão. “Olhar meu Recife/Amar a sua gente/Que a graça da bondade sempre me concedeu/Vivendo um mundo assim/De ternura e de beleza/Quanto é bom envelhecer/Assim como eu”. Ainda em vida foi homenageado por governadores, prefeitos, clubes e entidades, tendo recebido a condecoração presidencial de Oficial da Ordem do Rio Branco.
Casado desde 1926 com D. Aurora, sua musa inspiradora durante toda a vida, confessava que os maiores orgulhos de sua vida eram ser pernambucano e poder despertar para Aurora. Foram anos e anos de doce felicidade com o filho e depois os netos no antigo casarão da avenida Mário Melo, onde se encontra a praça Nelson Ferreira com seu busto.
Veio falecer em 21.12.1976, com 74 anos. Foi velado na Câmara Municipal e fez o itinerário em direção á última morada nos braços do povo e ao som dos seus frevos e evocações. O maestro Vicenti Fittipaldi declarou de certa feita: “Ele era como Mário Melo, Ascenso Ferreira, Valdemar de Oliveira, uma das instituições da cidade. Era, com sua música, aquilo que Garrincha foi com o seu futebol, a alegria do povo. Tenho plena convicção de que daqui a duzentos anos Gostosão e a Evocação serão tocados e cantados pela gente do Recife. Não serão mais de Nelson Ferreira, serão folclore, serão como Casinha Pequenina, Prenda Minha e o Meu Limão, Meu Limoeiro, que, sem dúvida, também tiveram um autor”.
Quando seus olhos se cerraram pela última vez, escreveu Gilberto Freyre no Diário de Pernambuco: “O vazio que deixa é o que nos faz ver como era grande pela sua música, pelo seu sorriso, pela sua fidalguia de pernambucano.”
Renato Phaelante da Câmara
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Norival Reis

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Norival Reis (Norival Torquato Reis), compositor e instrumentista, nasceu em Angra dos Reis/RJ em 24/3/1924. Criado em Dona Clara, bairro situado entre os subúrbios cariocas de Madureira e Osvaldo Cruz, freqüentou desde pequeno o G.R.E.S. da Portela e o G.R.E.S. Império Serrano.
Começou a trabalhar na gravadora Continental, e, influenciado pelo convívio com vários compositores, decidiu-se a compor. Em 1945, fez sua primeira marchinha, Até vestida, realizando logo depois O barão. De sua autoria foram gravados com sucesso Hoje ou amanhã (com Rutinaldo de Morais), pela dupla Joel e Gaúcho; A lua se escondeu (com Alcibíades Nogueira), por Rui Rei; e A saudade não foi leal (com Jorge Duarte), por Ângela Maria.
Em 1969 entrou para a ala dos compositores da Portela, levado por Cabana, com quem compôs Ilu ayê, samba-enredo dessa escola para o Carnaval de 1972, e em 1975, em parceria com Davi Antônio Correia, compôs Macunaíma, também samba-enredo vencedor.
Composições suas foram escolhidas como sambas-enredo ainda nos anos de 1983 (Hoje tem marmelada, com Jorge Macedo e Davi Antônio Correa) e 1984 (ABC dos orixás, com Dedé da Portela).
Estuda cavaquinho, toca um pouco de violão e é conhecido como um dos maiores especialistas em técnica de acústica e gravação de som, tendo ficado nacionalmente conhecido por ser o responsável pelo som personalizado do cavaquinho de Waldir Azevedo, para o qual criou um sistema especial de câmaras de eco improvisadas, antes de existir o aparelho no Brasil.
Obras: Amigo do rei (c/Alberto Rego), marcha, 1953; Barra da Tijuca (c/Irani Oliveira), samba, 1955; Hoje ou amanhã (c/Rutinaldo Silva), samba, 1952; Iaiá da Bahia (c/José Batista), batucada, 1957, Ilu ayê (Terra da vida) (c/Cabana), samba-enredo, 1972; A lua se escondeu (c/Alcíbiades Nogueira), marcha, 1952; Macunaíma (c/Davi Antonio Correia), samba-enredo, 1975; O morro canta assim (c/José Batista), samba, 1956; O samba é bom assim (c/Hélio Nascimento), samba, 1958; A saudade não foi leal (c/Jorge Duarte), samba, 1961.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora
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Olga Praguer Coelho

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Olga Praguer Coelho, soprano e violonista, nasceu em Manaus, AM em 12/8/1909. Sua iniciação musical foi feita pela mãe. Em 1920, a família transferiu-se para Salvador. Em 1923 estabeleceram-se no Rio de Janeiro, num casarão situado na Rua das Laranjeiras. Posteriormente, em 1927, teve aulas de violão com o cantor e violonista Patrício Teixeira.
Em 1928 Patrício Teixeira a levou para a Rádio Clube do Brasil. No ano seguinte, realizou sua primeira gravação para a Odeon, registrando a embolada A mosca na moça, de motivo popular e o samba do norte Sá querida, de Celeste Leal Borges. Nessas gravações foi acompanhada pelos violões de Patrício Teixeira e Rogério Guimarães.
Ainda em 1929, passou a estudar sob a orientação do compositor Lorenzo Fernandez, com quem teve aulas de teoria, harmonia e composição. Em 1932, ingressou no Instituto Nacional de Música, estudando sob a orientação de Lorenzo Fernandez. Concluiu o curso rapidamente, diplomando-se no ano seguinte. Passou então a tomar aulas de canto com Riva Pasternak e Gabriella Bezansoni. Casou-se com o poeta Gaspar Coelho.
Em 1930, lançou mais três discos pela Odeon dos quais se destacam os motivos populares Puntinho branco, com versos de Olegário Mariano, Morena, com versos de Guerra Junqueiro e a canção Vestidinho novo, de Joubert de Carvalho.
Em 1935, assinou contrato de exclusividade com a Rádio Tupi do Rio de Janeiro e São Paulo. No mesmo ano, apresentou-se em Buenos Aires na Argentina, quando da visita do Presidente Vargas aquele país. No ano seguinte, gravou 7 discos na Victor (14 músicas), entre as quais adaptações de canções tradicionais - tipo de trabalho que caracterizaria sua carreira artística, como a modinha Róseas flores e o lundu Virgem do rosário além da canção Luar do sertão, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense e a modinha Gondoleiro do amor, de motivo popular com versos de Castro Alves.
Gravou ainda com Pedro Vargas o lamento Canto de expatriação, de Humberto Porto e o acalanto Boi, boi, boi, de motivo popular com adaptação de Georgina Erisman. Ainda no mesmo ano, foi indicada pelo governo Vargas como Embaixatriz do Brasil no Congresso Internacional de Folclore realizado em Berlim na Alemanha.
Em 1937, seguiu para Europa, onde teve aulas de canto com Rosner. Em 1938, lançou mais um disco na Victor com o registro da modinha Mulata tema popular com versos de Gonçalves Crespo e a macumba Estrela do céu, uma adaptação sua de um motivo popular.
Em 1939, apresentou-se em Lisboa, empreendendo em seguida uma turnê pela Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. Em 1942 gravou na Victor o coco Meu limão, meu limoeiro, do folclore brasileiro e a modinha Quando meu peito..., de domínio público.
Em 1944, conheceu o violonista espanhol Andres Segovia (1893-1987) com quem passou a viver. Segovia lhe dedicou várias transcrições e arranjos para canto e violão. Passou desde então a residir em Nova York e empreendeu uma vitoriosa carreira artística internacional. Freqüentou a elite musical européia tendo sido apresentada na França pelo compositor Darius Milhaud, na Itália por Mario Castelnuovo-Tedesco, em Estocolmo por Segóvia e em Nova York por Sergey Koussevitzky e Aaron Copland.
Vários compositores lhe dedicaram obras e transcrições para voz e violão, destacando-se no conjunto dessas a da famosa "Bachianas nº 5" de Villa Lobos (original para oito violoncelos), feita especialmente para ela, que contava com o apoio da esposa de Villa Lobos, Dª Mindinha, para convencê-lo a tal empreendimento. A obra foi estreada com enorme sucesso em concerto no Town Hall em Nova York, contando com a presença de Segóvia e Villa-Lobos na platéia.
Em 1956, jornais de várias nacionalidades destacaram a beleza de sua arte. Para o "Le Figaro", ela possuía "uma bela voz, uma extraordinária musicalidade a serviço de um repertório único". No "New York Times" recebeu crítica do famoso musicólogo americano Olin Downes, dizendo que "cantando Villa-Lobos, o legendário pássaro uirapuru brasileiro, Olga também toca seus acompanhamentos de guitarra com a maestria que aprendeu de Segovia. Um alcance extraordinário de voz e de repertório. A maior folclorista que este crítico já encontrou".
Na velhice, passou a viver em um apartamento na Rua das Laranjeiras, num prédio construído no lugar do casarão onde morou com sua família na sua juventude.
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Otília Amorim

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A atriz e cantora Otília Amorim nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 13/11/1894 e faleceu em São Paulo/SP, circa 1970. Estudou num colégio de freiras, até que dificuldades financeiras da família levaram à interrupção de seus estudos.
Estreou como artista em 1910 atuando como atriz no filme Vida do Barão do Rio Branco, de Alberto Botelho. No ano seguinte estreou como corista no Teatro de revistas com Peço a palavra, no Teatro Carlos Gomes do Rio de Janeiro.
Era uma completa atriz de revista. Dançava, era caricata, representava, era bonita e desembaraçada, com total domínio da platéia, foi, segundo o poeta Orestes Barbosa, "a precursora do samba no palco". Grande dançarina de maxixes, seu primeiro papel importante foi de Olga na opereta Ela encenada no antigo Teatro Chantecler.
Trabalhou em muitas companhias teatrais, dentre as quais a de Carlos Leal e Procópio Ferreira. Trabalhou com Leopoldo Fróes, com quem excursionou pela Bahia e Pernambuco, até ingressar no Teatro São José, onde estreou em 1918, na burleta Flor do Catumbi, de Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt, com música de Júlio Cristóbal e Henrique Sánchez.
Em 1919, voltou ao cinema, atuando nos filmes Alma sertaneja e Ubirajara, ambos de Luís de Barros. No ano seguinte, apresentou-se no Teatro São José cantando com grande sucesso, ao lado de Álvaro Fonseca a marcha Pois não, de Eduardo Souto e Philomeno Ribeiro, no quadro Gato, Baêta e Carapicu, na revista Gato, baeta e carapicu, de Cardoso de Meneses, Bento Moçurunga e Bernardo Vivas.
Em 1922 , exibiu-se com sua própria companhia no Teatro Recreio, excursionando em seguida por São Paulo e Rio Grande do Sul. Na revista Se a moda pega, de Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses com música de Henrique Vogeler, encenada em 1925 no Teatro João Caetano, interpretou a marcha Zizinha, de Freitinhas.
Sua discografia é pequena, e se iniciou somente em 1931, com cinco discos para a Victor, de onde se destacam o samba Eu sou feliz e o samba batuque Nego bamba, ambos de J. Aimberê. Neste mesmo ano, participou do filme Campeão de futebol, de Genésio Arruda. Ainda na mesma época, gravou do maestro pernambucano Nelson Ferreira, o samba Tu não nega sê home.
Em 1932 estreou no Teatro recrio a revista Calma, Gegê!, onde interpretou o grande sucesso da temporada, a marcha Gegê, de Getúlio Marinho. No mesmo ano gravou na Columbia a marcha Napoleão, de Joubert de Carvalho.
O escritor e musicólogo Mário de Andrade, no Compêndio de História da Música, relacionou entre seus sambas preferidos, quatro gravados por ela: Nego bamba, Vou te levar, Eu sou feliz e Desgraça pouca é bobagem.
Após casamento com empresário paulista, retirou-se da vida artística. Em 1963, recebeu a medalha Homenagem ao Mérito, da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, por sua dedicação ao teatro brasileiro. Em 1989, o selo Revivendo lançou o LP Sempre sonhando com interpretações suas e de Gastão Formenti, Alda Verona, Raul Roulien.

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Pepa Delgado

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Pepa Delgado (Maria Pepa Delgado), cantora e atriz de teatro de revistas nasceu em 21/7/1887 em Piracicaba, SP e faleceu em 11/3/1945, no Rio de Janeiro, RJ. Era filha Ana Alves e do toureiro espanhol Lourenço Delgado, que se tornou fotógrafo ao chegar ao Brasil.
Em 1902 veio com o pai para o Rio de Janeiro e, aos 15 anos de idade, se tornou atriz e cantora. Entre 1902 e 1920, atuou em várias revistas encenadas no Teatro São José, no Rio de Janeiro. Em 1905, gravou para a Casa Edison a cançoneta O abacate e o maxixe Café ideal, ambos da revista Cá e lá, com música da maestrina Chiquinha Gonzaga. No mesmo ano, gravou Um samba na Penha, da revista Avança e A recomendação, de Assis Pacheco.
Em 1912, a Columbia lançou discos seus, nos quais se lia em uma das faces: "Atriz brasileira que tem feito sucesso e arrancado (sic) de nosssas platéias as mais ruidosas manifestacoes (sic)". Em algumas dessas gravações, se apresentou cantando em duetos com Mário Pinheiro, registrando, entre outras, o tango Vatapá, de Paulino Sacramento.
Entre suas gravações, destacam-se ainda a canção Iara (Rasga o coração), de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense e, principalmente, Corta-jaca (Gaúcho), de Chiquinha Gonzaga, sua gravação de maior sucesso, ao lado do cantor Mário Pinheiro.
Em 1920, casou-se com o oficial do Exército Almerindo Álvaro de Moraes, que era tesoureiro do Clube dos Democráticos, onde se tornara mais conhecido pelo apelido de Lambada.
Pepa muitas vezes saiu integrando a comissão de frente no desfile dos Préstitos da terça-feira gorda. Nesse mesmo ano seguiu com o marido para a cidade de Campos-RJ, onde se apresentou em teatros.
Encerrou sua carreira artística em 1924, aos 37 anos de idade. Foi ela quem solicitou a Fred Figner, proprietário da Casa Edison e diretor-geral da Odeon Brasileira, que doasse um terreno em Jacarepaguá para construir o Retiro dos Artistas, situado na Rua dos Artistas, ainda hoje em funcionamento.

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Paquito

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Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior), compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 9/2/1915 e faleceu na mesma cidade em 31/7/1975. Compositor de músicas carnavalescas, geralmente satirizando os dramas da "vida apertada" dos moradores dos subúrbios cariocas, obteve seu primeiro grande sucesso no carnaval de 1941 com O trem atrasou (com Estanislau Silva e Artur Vilarinho), gravado por Roberto Paiva.
Lançou o samba Não me diga adeus (com Luís Soberano e João Correia da Silva), gravado por Araci de Almeida, para o carnaval de 1948. Tornou-se, a partir do ano seguinte, presença constante nas paradas carnavalescas, começando nessa época a compor com Romeu Gentil, que seria seu grande parceiro durante toda a vida.
Jacarepaguá (com uma melodia semelhante à da rumba Cubanchero), o primeiro grande êxito da dupla, em parceria com Marino Pinto, foi gravado pelos Vocalistas Tropicais para o carnaval de 1949.
Seguiram-se vários sucessos, como a marcha Daqui não saio, também gravada pelos Vocalistas Tropicais e grande sucesso do carnaval de 1950, satirizando o problema de moradia no Rio de Janeiro; Tomara que chova, gravado pelos Vocalistas Tropicais e por Emilinha Borba para o Carnaval de 1951; a Marcha do conselho gravada por Roberto Paiva em 1954; e no ano seguinte Água lava tudo, marcha da dupla com Jorge Gonçalves, gravada depois por Emilinha Borba.
Em 1956, Jackson do Pandeiro fazia grande sucesso com Boi da cara preta, marcha da dupla com José Gomes e em 1961 surgia Bobeei, sendo Bigorrilho o último sucesso da dupla, gravado em 1964 por Jorge Veiga e inspirado no samba de Pixinguinha O malhador.
Foi um dos fundadores da SBACEM, da qual foi fiscal, morrendo depois de longa doença.
Obras: Água lava tudo (c/Romeu Gentil e Jorge Gonçalves), marcha, 1955; Bigorrilho (c/Romeu Gentil e Sebastião Gomes), samba, 1964; Bigu (c/Romeu Gentil e Sebastião Gomes), samba, 1965; Boi da cara preta (c/Romeu Gentil e José Gomes), marcha, 1956; Daqui não saio (c/Romeu Gentil), samba, 1950; Jacarepaguá (c/Romeu Gentil e Marino Pinto), marcha, 1949; Não me diga adeus (c/Luís Soberano e João Correia da Silva), samba, 1947; Nem de vela acesa (c/Romeu Gentil), marcha, 1950; Tomara que chova (c/Romeu Gentil), marcha, 1951; O trem atrasou (c/Estanislau Silva e Artur Vilarinho), samba, 1941.
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Quarteto em Cy

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Quarteto em Cy
Quarteto em Cy - Conjunto vocal formado em Salvador BA pelas irmãs Cyva (Cyva de Sá Leite, Ibirataia BA 1939-), Cybele (Cybele de Sá Leite, Ibirataia 1940-), Cynara (Cynara de Sá Leite, Ibirataia 1945-) e Cylene (Cylene de Sá Leite 1946-).
Inicialmente Cynara e Cylene, Cyva e Cybele cantavam em duplas em Salvador. Depois, uniram-se, formando o quarteto, que estreou na TV Itapoã, em Salvador. Em 1959, Cyva foi para o Rio de Janeiro RJ tentar carreira artística, e depois as outras a seguiram. Conheceram, então, Vinícius de Moraes, que sugeriu o nome para o quarteto.
Em maio de 1963, o conjunto gravou com Catulo de Paula a trilha sonora do filme Sol sobre a lama, de Alex Viany. Em 1964 o quarteto fez o primeiro show, na boate carioca Bottle's, e em seguida acompanhou Vinícius de Moraes e Dorival Caymmi em show produzido por Aluísio de Oliveira na boate carioca Zum-Zum, gravando o primeiro LP - Quarteto em Cy - pela Forma, onde se destacaram suas interpretações de Reza (Edu Lobo e Rui Guerra) e Berimbau (Baden Powell e Vinícius de Moraes).
Em 1965 lançou, também pela Forma, o LP Som definitivo, com, entre outras, Arrastão (Edu Lobo e Vinícius de Moraes) e Das rosas (Dorival Caymmi); e, em 1966, gravou o LP Quarteto em Cy, pela Elenco, com Pedro pedreiro (Chico Buarque de Hollanda) e Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinícius de Moraes).
Sem Cylene, que saiu do grupo para casar e foi substituída por Regina, cantora carioca que mudou seu nome para Cyregina, o quarteto foi aos EUA, ainda em 1966, apresentando-se em televisão. Na volta, participou do Show do crioulo doido, de Sérgio Porto, no Teatro Toneleros, no Rio de Janeiro.
A partir de 1967, Cynara e Cybele, sem se desligarem do quarteto, começaram a cantar em dupla, defendendo Carolina (Chico Buarque de Hollanda), no II FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, em que foram classificadas em terceiro lugar. Ainda no mesmo ano, o grupo lançou o LP Marré em Cy pela Elenco.
Em 1968, Cynara e Cybele cantaram a música vencedora do III FIC: Sabiá (Chico Buarque de Hollanda e Tom Jobim); e o quarteto gravou, nesse mesmo ano, o LP Em Cy maior, pela Elenco, com Samba do crioulo doido (Sérgio Porto) e Juliana (Dorival Caymmi).
Através do produtor Aluísio de Oliveira, casado com Cyva, o quarteto foi contratado para atuar nos EUA. Cynara e Cybele deixaram o conjunto nessa ocasião e foram substituídas por Cynthia e Cymíramis, ficando apenas Cyva, do quarteto original. No entanto, em janeiro de 1970, ainda nos EUA, o grupo se desfez, sendo reestruturado em 1972, quando Cyva voltou ao Brasil. A partir de então o quarteto foi formado por Cyva e Cynara e mais Soninha (Sônia Maria Ferreira de Medeiros Albuquerque, Rio de Janeiro 1947-) e Dorinha (Dora Tapajós Gomes, Rio de Janeiro 1950-).
O conjunto gravou, em 1972, pela Odeon, o LP Quarteto em Cy, com Quando o carnaval chegar (Chico Buarque de Hollanda) e Tudo o que você podia ser (Lô e Márcio Borges). Em 1975, lançou pela Philips o LP Antologia do samba-canção, com pot-pourri de Ary Barroso, Lupicínio Rodrigues, Herivelto Martins e outros, e em 1979 saiu Cobra de vidro, LP gravado com o MPB-4. No ano seguinte Cybele voltou ao grupo em lugar de Dorinha, e essa formação permanece há 18 anos, sempre sob a direção musical de Célia Vaz.
Na década de 1980 gravaram os discos Quarteto em Cy interpreta Caetano, Milton, Gonzaguinha e Ivan (1981, Philips); Pontos de luz (1983, Som Livre); A arte do Quarteto em Cy (1984, Philips); e Para fazer feliz a quem se ama (1989, CBS).
Em 1989 o quarteto apresentou-se em Tóquio, participando de um festival de bossa nova, de shows na boate Kay e de um especial para a TV japonesa, juntamente com Carlos Lyra e Leila Pinheiro. Em 1992 viajou pela Espanha, com Carlos Lyra, Gilson Peranzetta e Maria Creuza, participando das comemorações dos 500 anos do descobrimento da América a convite do governo espanhol.
O quarteto voltou a se apresentar no Japão em 1997. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Sharp de Música como o melhor grupo vocal do ano e lançou pela Polygram o CD Bate boca, em que interpreta músicas de Chico Buarque e Tom Jobim ao lado do MPB-4. Na década de 1990 foram lançados os discos Chico em Cy (1991, CID); Vinícius em Cy (1993, CID); Trinta anos (1994, Polygram) e Brasil em Cy (1996, CID).
Fonte: Adaptado da Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.
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