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sábado, 30 de agosto de 2008

Duo Guarujá

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Dupla sertaneja formada por Nilsen Ribeiro e Armando Castro. Nilsen começou cantando em festas de amigos, onde impressionava os convidados. Acabou impressionando também a Armando Castro, crooner do grupo Vagalumes do Luar, que era conjunto exclusivo da Rádio Record e da gravadora Continental. Durante um ano fez parte da equipe contratada pela Rádio Farroupilha.

Em 1951, Nilsen e Armando se casaram. Resolveram formar uma dupla adotando o nome artístico de Duo Guarujá, escolhido em concurso. Em 1955, gravaram o primeiro disco cantando a canção italiana Non dimenticare e a guarânia Filha de Maria, de Mário Vieira e Ado Benatti. Fizeram grande sucesso.

Em 1956, recebem o Prêmio Roquette Pinto como o melhor duo vocal. Também naquele período, três músicas suas entraram nas paradas de sucesso. Em 1958, gravaram dois de seus maiores sucessos, o huapango Cucu-rru-cucu Paloma de T. Mendez e Carlos Américo, e a guarânia Cabecinha no ombro, de Paulo Borges. Cabecinha no ombro permaneceu seis meses em primeiro lugar nas paradas e obteve todos os prêmios de música na época. Seu repertório compunha-se predominantemente de boleros.

Em 1960, gravaram o bolero Alguém me disse, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, e a guarânia Serenata suburbana, de Capiba.

Em 1977, fizeram a gravação da música Despedida, de Roberto Carlos. Ao longo da carreira gravaram cerca de 30 discos 78 rpm e 23 Lps.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.
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Campanha e Cuiabano

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Antônio Campanha (Campanha) nasceu em Monte Alto-SP no dia 05/12/1925; Olívio Campanha (Cuiabano) nasceu também em Monte Alto-SP no dia 05/03/1928 e faleceu em São José do Rio Preto-SP no dia 16/06/1981.

Antônio iniciou sua carreira musical ainda criança, com apenas 12 anos de idade, quando formou dupla com seu irmão mais velho Augusto Campanha, que era considerado excelente cantor e violeiro, na época. Integrou com alguma regularidade a dupla Campanha e Angelim e, quando já contava com seus 20 anos, Antônio venceu um concurso de cantadores na região e integrou também a dupla Campanha e Paulista.

Junto com seu irmão Olívio, Antônio chegou tocar em alguns circos em São José do Rio Preto-SP. A dupla com Olívio foi formada nessa época, no ano de 1948, ocasião na qual começaram cantando na Rádio PRB-8 de São José do Rio Preto-SP. A nova dupla costumava se apresentar com o nome de "Irmãos Campanha" e também como "Campanha e Seu Ir mão".

No ano de 1952, Antônio e Olívio seguiram para a capital paulista onde fizeram um teste na Rádio Nacional, com o diretor Costa Lima. Foram aprovados e se apresentaram durante vários anos nessa famosa emissora paulistana. Antes disso, os dois irmãos estiveram pertinho de fechar o contrato com a extinta Rádio Tupi, mas acabaram, de última hora, perdendo a vaga para a dupla Palmeira e Luizinho. Foi por sujestão dos compositores Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Jr. que Antônio e Olívio acabaram adotando para a dupla o nome artístico de "Campanha e Cuiabano", apesar de Olívio não ter nascido em Cuiabá.

De acordo com Ayrton Mugnaini Jr. em seu livro Enciclopédia das Músicas Sertanejas e também no encarte do CD da dupla na Série Luar do Sertão lançada pela BMG, "...numa reunião de amigos, incluindo Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Jr., comentou-se que 'Irmãos Campanha' não era um bom nome, por ser pouco marcante, não destacando um ou outro integrante da dupla. Perguntou-se quem mais se destacava; era Antônio, o compositor. Então ele ficou sendo o Campanha. Faltava um nome marcante para seu irmão; e o escolhido foi Cuiabano, por ser sonoro e ainda não ter sido usado por qualquer outra dupla vocal..."

O primeiro disco 78 RPM de Campanha e Cuiabano foi gravado no ano de 1953, com o cururu Barra Bonita (Arlindo Pinto - Priminho) e a moda campeira Pião Vira-Mundo (Campanha - Benedito Seviero). No ano seguinte, Campanha e Cuiabano conheceram o acordeonista Célio Cassiano Chagas, o Celinho, de Conceição das Alagoas-MG, que se juntou à dupla e os acompanhou durante alguns anos, porém, somente em apresentações ao vivo.

A partir de 1960, Celinho passou a acompanhar a dupla Pedro Bento e Zé da Estrada, com quem se apresenta até os dias atuais. Campanha e Cuiabano também foram acompanhados em algumas gravações pelo acordeonista Pirigoso. Foi no ano de 1957, que Campanha e Cuiabano gravaram pela primeira vez Meu passarinho (Campanha - Zé Rosa) , sem dúvida, o maior sucesso da dupla.

Também merecem destaque outras belíssimas interpretações de Campanha e Cuiabano tais como Genuína cana verde (Celinho - Lázaro Franco de Godoy), Novo Castelo (Campanha - Pirigoso), Um berrante na solidão (Ramon Cariz - George AB), Desprezo de amor (Souza - Campanha), Rolinha cabocla (João Pacífico - Raul Torres), Morrendo de saudade (Jane Rossi da Rocha - Cuiabano), Lá na fazenda (Francisco Lacerda - Ricarda Jardim) e Rei da estrada (Quintino Eliseu - Luiz Alves Pereira), apenas para citar algumas.

Apesar de terem gravado na Sinter, Copacabana, RCA, Odeon e Chantecler, a discografia de Campanha e Cuiabano encontra-se quase que totalmente esquecida e praticamente inexistente no comércio, excessão apenas ao CD da série Luar do Sertão que a BMG remasterizou no ano 2000, com belíssimas interpretações bastante representativas da dupla, gravadas entre 1961 e 1963.

Cuiabano, pouco antes do seu falecimento em 1981, chegou a transferir seu nome artístico ao seu outro irmão João Jaime Campanha (nascido em Palestina-SP em 1943 e falecido em São José do Rio Preto-SP em 1999). Campanha ainda chegou a formar uma dupla com o acordeonista Pirigoso com quem gravou o LP Mourão da porteira pela K-Tel em 1981. E em 1983 Campanha chegou a gravar em carreira-solo o LP Baile das cordas pelo selo Laço.

Consta que Campanha trabalha atualmente como empreiteiro na compra e venda de imóveis e também apresenta o seu programa de rádio na Emissora Independência de Mirassol-SP.

Fontes: Boa Música Brasileira; Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista Viola Caipira.
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Célia e Celma

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A dupla sertaneja Célia (Célia Mazzei - Ubá, MG - 2/11/1952) e Celma (Celma Mazzei - Ubá, MG - 2/11/1952), irmãs gêmeas, começaram a cantar ainda crianças. O pai era fotógrafo profissional e nas horas vagas tocava bombardino numa banda da cidade de Ubá.

Aos cinco anos de idade começaram a cantar no rádio e em circos da cidade. Participaram de festas típicas e religiosas, foram coroadeiras de Nossa Senhora, e pelas ruas da pequena cidade acompanhavam os irmãos mais velhos em tradicionais serenatas. Estudaram música no Rio de Janeiro e se diplomaram pelo Instituto Villa-Lobos. Paralelamente começaram a cantar,como profissionais,em orquestras de baile.

Em 1975, viajaram ao Japão e, na casa Saci Pererê, se apresentaram por seis meses cantando música brasileira. Em 1990 participaram da novela Ana Raio e Zé Trovão, da TV Manchete, na qual foram as personagens Luminada e Luminosa. Em 1995, receberam do governo de Minas Gerais o título Embaixador do Centenário, pelo trabalho em prol da cultura do estado.

Celia e Celma já dividiram o palco com grandes nomes, como Cauby Peixoto, Emílio Santiago e até mesmo com o ministro da cultura, Gilberto Gil, cantando Aquarela do Brasil no centenário de Ary Barroso, em 2003, no Palácio do Planalto.
Produzem, dirigem e apresentam o programa Celia & Celma, no Canal Rural, desde abril de 1998, espaço aberto para a música de raiz e o folclore brasileiro. São autoras dos livros A cozinha caipira de Celia & Celma, Nova Fronteira, 1994, e Por todos os cantos, Ibrasa, 2004, com prefácio do jornalista Sérgio Cabral e apresentação do vice-presidente da república, José Alencar Gomes da Silva.

Também tiveram participação, cantando em cena, em O viajante, filme de Paulo César Sarraceni, de 1998, e atuaram no documentário Carrego comigo, de Chico Teixeira, de 2002. Participaram ainda do programa Meu Cunhado, no SBT, em 2004, ao lado do comediante Ronald Golias.
Discografia
Pilantrália (c/Carlos Imperial e a Turma da Pesada), 1970, Odeon LP; O coelhinho e o ratinho. Célia e Celma para o público infantil, 1970, Odeon Cs; Portela e Dó ré mi fá (Turma da Pesada), 1971, Odeon Cs; Cabo Frio devagar, 1971, Continental Cs; Procurando tu (Turma da Pesada), 1972, CID Cs; Célia e Celma. Vem quente que eu estou fervendo, 1978, Continental Cs; Célia e Celma, 1987, 3M LP; Na cozinha caipira de Célia e Celma, 1996, CD; Ary Mineiro (Revivendo), 1998, CD; Caipirarte, 1999, CPC-Umes CD.
Fontes: Senac-SP; Dicionário Cravo Albin da MPB.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Os Garridos

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Os Garridos - Dupla formada pelos atores de teatro de revista Alda Palm Garrido (São Paulo SP 1896 - Rio de Janeiro RJ 1970) e seu marido, Américo Garrido, fazendo duetos até 1920, em São Paulo.

Mudam-se para o Rio de Janeiro e organizam uma companhia para o Teatro América, estreando com Luar de Paquetá, de Freire Júnior, 1924, que permanece seis meses em cartaz com sucesso.

A dupla recebe convite para trabalhar com o empresário Pascoal Segreto, e na sua companhia atuam, entre outras, em Ilha dos amores, Quem paga é o Coronel, ambas de Freire Júnior, Francesinha do Bataclan, de Gastão Tojeiro, todas em 1926.

A temporada projeta Alda Garrido, que é contratada pelo empresário de teatro de revista Manoel Pinto, pai de Walter Pinto, para atuar na Companhia Nacional de Revistas, no Teatro Recreio.

O sucesso que a atriz obtém no gênero a faz manter desde então uma dupla atuação profissional - de um lado as comédias de costume que monta em sua própria companhia com produção do marido, de outro, os contratos com os empresários do teatro de revista.

Mas aos poucos os espetáculos de sua companhia acabam se rendendo ao sucesso do teatro musicado, como em Brasil pandeiro, 1941, com texto de seu autor favorito, Freire Júnior, em parceria com Luiz Peixoto, uma dupla das mais requisitadas no gênero revisteiro.

Em 1939, o empresário Walter Pinto faz com que, no espetáculo Tem marmelada, de Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses, Garrido e Araci Cortes dividam o palco pela primeira e última vez, no Teatro Recreio.

Entre as revistas de maior sucesso de sua carreira estão Maria Gasogênio - sátira à falta de gasolina nos anos da Segunda Guerra - e Da Favela ao Catete, de Freire Júnior e Joubert de Carvalho, 1935.

Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural - Teatro - Alda Garrido
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Abel e Caim

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Abel e Caim é uma dupla sertaneja formada pelos primos José Vieira (Itajobi SP 1929—) e Sebastião Silva (Monte Azul Paulista SP 1944—). Sebastião, o Caim, iniciou carreira na infância, integrando o Trio Mirim, que em 1955 tinha um programa próprio, de muito sucesso, na Rádio Clube de Marília SP.
Em 1956 José (Abel) formou dupla com Xupim, atuando na Rádio A Voz de Catanduva. Mais tarde, os dois primos se encontraram e resolveram apresentarem-se juntos em São Paulo SP, atuando na TV Cultura, canal 2, no programa Cidade Sertaneja.
Em 1966, foram premiados num torneio de violeiros, ocasião em que Gilberto Meireles sugeriu que adotassem o nome artístico de Abel e Caim. No ano seguinte, a dupla gravou o primeiro LP na Chantecler, incluindo, entre outros, os sucessos Desilusão (Dadá), Santa Luzia (Iolando Mondim e Dorival Teixeira) e Mãe amorosa (Tanabi e Aleixinho), sendo este um dos maiores destaques de sua carreira. No ano seguinte lançou outro LP pela Chantecler, com os sucessos A bandinha (Leo Canhoto), Menino boiadeiro (Tanabi) e A natureza (Dino Franco), entre outros.
Em 1968 a dupla gravou duas músicas pela Continental, Derradeiro adeus (Dino Franco) e Milagre do retrato (Sulino e Paulo Calandro), e dois anos depois, pela etiqueta Tropicana da CBS lançou outro LP, em que se destacaram as faixas Arca de Noé (Martins Neto) e Pretinho aleijado (Teddy Vieira e Luisinho).
Em 1972, na RCA, a dupla gravou um LP, incluindo os sucessos Chuva, sangue da terra (Lourival dos Santos e Tião Carreiro) e Triste ocorrência (Jack e Abel), lançando em 1975 mais um LP, pela Continental, com os sucessos O barco (Jack e Abel), O menino e o cachorro (Dino Franco e Caim), Adeus, boiada (Nestor e Zeca) e Ingratidão de filho (Jack e Caim), entre outros.
Trinta anos depois do primeiro disco gravado, a dupla continua se apresentando com sucesso em feiras, rodeios e circos, principalmente em cidades do interior.
CDs

Abel e Caim, 1991, Continental 997280-2; Som da Terra: Abel e Caim, 1994, Warner 997780-2.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Os Geraldos

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Geraldo Magalhães, cantor, nasceu no Rio Grande do Sul em 31/5/1878 e faleceu em Lisboa, Portugal, em 11/7/1970. Dançarino e cançonetista, lançou-se artisticamente no Rio de Janeiro RJ em fins do séc. XIX, apresentando-se no Salon Paris, da Rua do Ouvidor. A partir de 1900 passou a exibir-se em casas de chope e cafés cantantes do bairro carioca da Lapa e da área teatral da Praça Tiradentes - no Moulin Rouge e na Maison Moderne - sempre acompanhado da "castelhana" Margarita, com quem formava a dupla Os Geraldos.

Por volta de 1905 estabeleceu nova dupla com a gaúcha Nina Teixeira, exibindo-se em cançonetas picantes e dançando maxixes, inclusive no pequeno palco do Passeio Público.

Ocasionalmente apresentavam-se fora do Rio de Janeiro, como em 1902, quando foram contratados para a inauguração de um café-concerto em Santos SP. Em fins de 1908 a dupla viajou para o México e de lá para a Europa, lançando no início de 1909, em Paris, França, o tango-chula Vem cá mulata, que eles mesmos haviam gravado três anos antes em disco da Casa Edison, do Rio de Janeiro. Voltando ao Brasil ainda em 1909, trouxe como partenaire a portuguesa Alda Soares, com quem lançou a novidade do one step com a canção norte-americana Caraboo (Sam Marshall). Com letra em português de Alfredo de Albuquerque, essa canção seria um dos grandes sucessos do Carnaval carioca de 1916.

A dupla Os Geraldos retornou à Europa, provavelmente nos primeiros anos da década de 1920, atuando no teatro musicado de Lisboa até 1926, quando ele se retirou da vida artística. Vendedor de uma companhia de vinhos a partir de 1937, ainda voltou ao palco eventualmente, ao lado de Alda, com quem viveu em Lisboa até a morte aos 92 anos. Sobrevivendo ao companheiro apenas alguns meses, Alda Soares morreu em princípios de 1971.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / Publifolha

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terça-feira, 3 de julho de 2007

Jararaca e Ratinho

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Dupla sertaneja formada em 1927 por José Luís Rodrigues Calazans, o Jararaca (Maceió AL 1896-Rio de Janeiro RJ 1977) e Severino Rangel de Carvalho, o Ratinho (Itabaiana PB 1896-Duque de Caxias RJ 1972). José Luís encontrou Severino em 1918, nas rodas artísticas de Recife PE. Começaram a tocar juntos, organizando um conjunto, os Turunas Pernambucanos, onde apareciam ao lado de Pirara e Romualdo Miranda (violões), Robson (cavaquinho) e Artur Sousa (ganzá). Todos os integrantes adotaram apelidos de bichos, permanecendo os de Jararaca e Ratinho mesmo depois da dissolução do conjunto.
Em 1921 os Turunas exibiram-se por 15 dias no Cine-Teatro Moderno, com o conjunto Oito Batutas, que visitava Recife. Foi o estímulo decisivo para o grupo, convidado então para os festejos do centenário da Independência, no Rio de Janeiro, em 1922, fazendo grande sucesso com suas emboladas, cocos, baiões, e com seus trajes típicos: alpercatas e chapéu de couro. O vespertino A Noite deu-lhe ampla cobertura, chefiada pessoalmente por seu proprietário, Irineu Marinho. O conjunto foi convidado a gravar dois discos na Odeon, obtendo grande êxito com Espingarda-pá-pá-pá-pá - arranjo de Jararaca sobre tema folclórico - (escute uma amostra dessa música no fim do artigo), e Jararaca gravou também um disco solo, com Vamos embora Maria, samba sertanejo, e Passarinho verde, canção nortista (ambas de sua autoria).
O conjunto excursionou então pelo Sul e, contratado pela companhia Abigail Maia, apresentou-se em Buenos Aires, Argentina, desfazendo-se em seguida. Jararaca (violão e canto) e Ratinho (saxofone) ainda se apresentaram por algum tempo no Café Rio Branco, em Montevidéu, Uruguai, mas a dupla só se formou com a inauguração do Teatro Santa Helena, na Praça da Sé, de São Paulo SP, em 1927, fazendo grande sucesso com emboladas entremeadas de quadros humorísticos. Em 1928 Francisco Alves gravou, de Jararaca, Meu sabiá, na Odeon, e no ano seguinte Meu Brasil, na Parlophon; e foi na Odeon que a dupla gravou seu primeiro disco, em 1929, apresentando, de sua autoria, Caipirada e Lista do baile. Começou então a desenvolver seus quadros, explorando determinadas situações, como as relações dos "turcos" com os caipiras, das quais Aniversário do Abdula e A loja do turco são um exemplo.
A dupla excursionou pelo interior com Cornélio Pires. Em 1930 Ratinho gravou ao saxofone alguns choros e valsas de sua autoria, entre os quais Saxofone, por que choras (amostra da música no fim desse artigo), Curiatã de coqueiro, Cenira, Eu e eles. Dois anos depois a dupla cantava músicas nordestinas e regionais, e contava piadas na Casa de Caboclo, apresentando-se também na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro. Jararaca passou então a compor com o maestro Vicente Paiva, fazendo sucesso no Carnaval de 1937 com a marcha Mamãe eu quero, gravada por Jararaca na Odeon. Outra composição da dupla, o samba Pode ser que sim foi gravado pelo conjunto Os Trigêmios Vocalistas em 1943, na Columbia. Com o advento do Estado Novo, veio a fase áurea da Rádio Nacional e o apogeu da dupla, que teve programa próprio, além de participar do programa Eucalol, em que Ratinho tocava choros e valsas ao saxofone.
Em 1942 a dupla gravou pela Odeon um disco representativo dessa fase, apresentando, de sua autoria, o desafio Desafiando e a embolada Oi, Chico, seguindo-se, em 1945, disco com a marcha Bonito e a batucada Meu pirão primeiro. Dois anos depois, Ratinho gravou, ainda na Odeon, o choro Pinicadinho, grande sucesso da dupla. Na Rádio Nacional, onde atuou de 1936 e 1945, e excursionando pelo país, a dupla integrou a famosa Lira do Xopotó, banda que sugeria um conjunto do interior do Brasil, em que Jararaca fazia o papel de Mestre Filó e Ratinho o de Jararaca. Quando a programação radiofônica começou a ser feita em disco, a dupla passou para a televisão, estreando com o programa A-E-I-O-Urca, na TV Tupi.
Em 1960 a dupla apresentou em São Paulo a burleta Por que me ufano de Bananal, desempenhando nessa década o mesmo papel de compadres caipiras representado durante toda a carreira, nos programas Balança mas não Cai, UAU e Aquele Abraço, na TV Globo. Após a morte de Ratinho, Jararaca continuou se apresentando em papéis cômicos na televisão, em diversos programas.
Algumas amostras de músicas :
Espingarda-pá-pá-pá-pá-clique para ouvir amostra da música, Sapo no saco-clique para ouvir amostra da música, Saxofone, por que choras?-clique para ouvir amostra da música, Vamo apanhá limão-clique para ouvir amostra da música

turunas pernambucanos

Foto: Em 1922 os Turunas Pernambucanos desembarcavam no Rio de Janeiro. Entre eles, Jararaca (o terceiro senatado à direita) e Ratinho (de pé, à esquerda, com o clarinete).

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Irmãos Valença

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Irmãos Valença. Dupla de compositores, formada por João Vítor do Rego Valença (Recife PE 1890-id.1983) e Raul do Rego Valença (Recife 1894-id. 1977). João Vítor iniciou-se em música aos oito anos de idade, aprendendo piano com Artur Marques de Oliveira. Mais tarde, estudou solfejo com o professor Ramalho, continuando como autodidata. Raul começou a aprender violão em 1914, com Cândido Filho, prosseguindo como autodidata. A família Valença cultivava a tradição de fazer representações de presépio no Natal, baseadas em cenas de óperas e operetas, costume do início do século. Esse foi o ambiente artístico que os irmãos encontraram em casa desde pequenos, motivando-os a compor.

Além das operetas e comédias que fez com Raul, João compôs marchas juninas, maracatus e outros gêneros, com outros parceiros, e diversos hinos oficializados, como o Hino Juarez Távora e Hino do detento.

Os Irmãos Valença, como se tornaram conhecidos, publicaram cerca de 30 obras, entre as quais as valsas Maria de Bagdala e Carminha (edição Irmãos Vitale), além de inéditas. Em 1924 formaram, com primos e amigos, uma sociedade teatral, o Grêmio Familiar Madalenense, compondo suas primeiras músicas para teatro, iniciando com a opereta Espinho de rosa, encenada ainda em 1924. A esta seguiram-se as comédias musicadas Gato escaldado, Cartazes de amor, Coração de violeiro (gênero opereta regional), Morenas brasileiras, Querida Sinhá, além de algumas revistas.

De autoria de João Valença com outros parceiros, entre eles Silvino Lopes e Samuel Campelo, são as peças teatrais Noites de novena, Uma senhora viúva e Luar do Norte, e música para as peças infantis O Pequeno Polegar e Mulatinha, todas representadas no Grêmio Familiar Madalenense e mais tarde no Teatro Santa Isabel, de Recife, pelo grupo Gente Nossa. Escreveu ainda as canções Viola querida, Capionga e Devoção, além do Hino de São Sebastião (com Ariano Suassuna).

Em 1930, compuseram sua primeira música de Carnaval, a marcha Mulata, na qual dois anos depois Lamartine Babo introduziu modificações, principalmente na letra, transformando-a em O teu cabelo não nega. Gravada por Castro Barbosa em disco Victor, transformou-se num dos maiores sucessos carnavalescos de todos os tempos, tendo causado alguma confusão quanto à autoria, pois muitos a atribuíram somente a Lamartine Babo. Mais tarde, porém, os irmãos desfizeram publicamente o equívoco e a marcha teve inúmeras regravações com outros intérpretes.

Em Recife, foram três vezes campeões do Carnaval, com o maracatu Ô, já vou, as marchas Nós dois e Foi você. São ainda os autores de Você não gosta de mim, que em 1933 marcou a estréia de Carlos Galhardo em disco, pela Victor.

No ano seguinte, a marcha A lua veio ver foi gravada por Ary Barroso, e em 1937 a dupla lançou mais um grande sucesso carnavalesco, a marcha Um sonho que durou três dias. Foram ainda autores de outros êxitos, como os maracatus Pisa, baiana e Sustenta o baque, tendo também participado do Bloco Carnavalesco Pavão Dourado, de Recife, para o qual compuseram as marchas A gruta do pavão, Onda giratória e Saudade, entre outras.

Em 1959 lançaram o frevo Cocorocó, tendo ainda feito marchas e frevos para os clubes Lenhadores e Vassourinhas, e composto canções, valsas, foxes, toadas e músicas juninas. Antes de morrer, Raul já havia preparado o frevo-canção Xique-xique-bum e o maracatu Rainha dos palmares, para o Carnaval de 1978.
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quarta-feira, 27 de junho de 2007

Cascatinha e Inhana

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Dupla sertaneja formada por Francisco dos Santos, o Cascatinha (Araraquara SP 20/4/1919-São José do Rio Preto SP 14/3/1996) e Ana Eufrosina da Silva Santos, a Inhana (Araras SP 28/3/1923-São Paulo SP 11/6/1981). Aos 18 anos, Francisco cantava ao violão modinhas, canções e valsas românticas, e tocava bateria. Com a chegada do Circo Nova Iorque a sua cidade, formou dupla com Chopp, artista do circo, usando o pseudônimo de Cascatinha, marca de cerveja, para combinar com o do parceiro.
A dupla tornou-se conhecida em pouco tempo, transformando-se, em 1941, no Trio Esmeralda, quando Francisco se casou com Ana, chegando então a ganhar, no Rio de Janeiro RJ, prêmios no programa César Ladeira, da Rádio Mayrink Veiga, e nos programas de Manuel Barcelos e Papel Carbono, de Renato Murce, da Rádio Nacional.
Em 1942 Chopp separou-se do casal, enquanto a dupla restante ingressava no Circo Estrela-Dalva, excursionando entre o Rio de Janeiro e São Paulo, e passando depois por vários circos e parques de diversões, como o Imperial, onde atuaram durante cinco anos. Em São Paulo, em 1947, atuou na Rádio América.
Em 1950, a dupla foi contratada pela Rádio Record, onde permaneceu 12 anos, estreando em disco na Todamérica em 1951, com Fronteiriça, de Zé Fortuna, compositor preferido de Cascatinha. Nessa época a dupla fez tanto sucesso com as composições de Elpídio Santos Despertar do sertão e Ave Maria do sertão (ambas de parceria com Pádua Moniz), que Cascatinha foi nomeado diretor-artístico da gravadora.
Na Todamérica, em 1952, a dupla lançou um 78 rpm que trazia Índia (Maria Ortiz Guerrero e José Asunción Flores, versão de José Fortuna) e Meu primeiro amor (versão de José Fortuna para Lejanias, de Hermínio Giménez), batendo todos os recordes de vendagem.
Em 1955 participaram do filme de Ademar Gonzaga Carnaval em lá maior, interpretando Meu primeiro amor. Em 1966 a dupla gravou o LP Vinte e cinco anos (RCA-Camden), lançado em 1967, alcançando sucesso com Vinte e cinco anos (Nonô Basílio), O menino do circo (Eli Camargo), Flor do cafezal (Carlos Paraná) e A estrela que surgiu (Zacarias Mourão e Mário Albanesi).
Pela Chantecler lançou, em 1970, o LP Dueto de amor, incluindo os sucessos Amor eterno (Alfredo Borba e Edson Borges), Se tu voltasses (Cascatinha e Carijó), Como te quero (Alberto Conde e Nilza Nunes) e Castigo (Marciano Marques de Oliveira). Dois anos depois gravou com êxito, pela Continental, Olhos tristonhos (Dora Moreno).
No Teatro Alfredo Mesquita, de São Paulo, em 1978, levaram o espetáculo Índia, de grande repercussão, no qual contaram sua trajetória artística. Durante toda a carreira, a dupla percorreu vários Estados brasileiros, atuando em circos, emissoras de rádio e televisão, além de gravar mais de 30 discos. Em 1995 a gravadora Revivendo lançou, em dois CDs, uma coletânea de seus maiores sucessos.
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terça-feira, 26 de junho de 2007

Deny e Dino

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Deny e Dino. Dupla vocal formada pelos cantores e compositores José Rodrigues da Silva, o Deny (Santos SP 1944-) e Décio Scarpelli, o Dino (Santos 1942-São Paulo SP 1994). Conheceram-se em Santos em 1956 e, identificados pelo mesmo gosto musical - o rock , decidiram apresentar-se em dupla.
No final da década de 1950, exibiram-se como Os Boas Pintas em programas de rádio e boates. Na década seguinte, convidados para participar dos programas de televisão de Hugo Santana, adotaram os cognomes de Deny e Dino, gravando o primeiro compacto na Odeon, com a música Coruja (da dupla), que obteve sucesso.
Presentes no programa Jovem Guarda da TV Record, de São Paulo, lançaram outras composições, como Eu não me importo, Lição de moral, O estranho homem do disco voador, incluídas no LP Coruja (Odeon, 1966).
Em 1969 a dupla gravou o LP Deny e Dino, na mesma fábrica. Os sucessos da dupla incluem: O maior golpe do mundo (Continental, 1975), com música-título de Marcos Lago e Dino Rossi, e Cantem comigo (Top Tape, 1973).
Após a morte do companheiro em 1994, Deny continuou carreira com outro parceiro, que manteve o cognome Dino, e gravou o CD Essencial (selo Acervo, 1995), com regravações de antigos sucessos ao lado de músicas novas. Deny participou também de shows comemorativos dos 30 anos da Jovem Guarda e passou a apresentar programas de rádio dedicados ao rock das décadas de 1950 e 1960.
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quarta-feira, 20 de junho de 2007

Leno e Lílian

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Leno e Lílian. Dupla vocal formada por Lílian (Sílvia Lília Barrie Knapp, Rio de Janeiro RJ 1948-) e Leno (Gileno Osório Wanderley de Azevedo, Natal RN 1949-). A cantora, compositora e modelo Lílian começou a se apresentar com sucesso ao lado do compositor Leno durante a década de 1960, no programa Jovem Guarda, da TV Record, de São Paulo SP, gravando pela CBS em 1966 o compacto simples Devolva-me (Lílian e Renato Barros), além de Pobre menina (Russell, versão de Leno), seu primeiro sucesso.
Nesse mesmo ano a dupla gravou o LP Leno e Lílian (CBS), incluindo Devolva-me, Pobre menina e ainda Eu não sabia que você existia (Renato Barros e Tony), gravando no ano seguinte o LP Não acredito, que apresentou, entre outros, Não acredito (Neil Diamond, versão de Rossini Pinto), e Coisinha estúpida (Carson Parks, versão de Leno).
A dupla se apresentou em rádios, televisões e shows em todo o país, dissolvendo-se em 1968, passando os cantores a atuar individualmente, quando Leno gravou o LP Leno (CBS), que incluía, de Renato Barros, Papel picado e A pobreza.
No ano seguinte, gravou A festa dos seus quinze anos (CBS), incluindo, além da faixa-título (Ed Wilson), E quando você me deixou (Pedro Paulo e Getúlio Cortes).
Em 1972 a dupla voltou a gravar na CBS, realizando o LP Leno e Lílian, que incluía, entre outros, Deus é quem Sabe (Raul Seixas) e Esqueça e perdoe (Getúlio Cortes), gravando no ano seguinte o segundo Leno e Lílian, com Mesmo sem luar (Charden) e Amantes de verão (Ramírez), ambas versões de Fred Jorge.
Em 1995 participaram dos shows e discos comemorativos dos 30 anos da Jovem Guarda. Continuam se apresentando, em dupla ou separadamente, em shows e gravações ocasionais.
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terça-feira, 29 de maio de 2007

Tonico e Tinoco

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Dupla sertaneja formada por João Salvador Pérez, o Tonico (São Manuel SP 1919-São Paulo SP 1994) e José Pérez, o Tinoco (Botucatu SP 1920-). Em 1930, quando a família Pérez trabalhava na fazenda Tavares, em Botucatu, os dois irmãos ouviram discos da série caipira de Cornélio Pires. João freqüentava a escola rural e dava lições para os colonos mais velhos, que lhe pagavam com frutas, rapadura, melado e dinheiro.
Cinco anos depois, juntada a quantia de 10 mil-réis, compraram uma viola feita a canivete e passaram a cantar em dupla, formando conjunto nos arrasta-pés e serenatas. Em 1938 a família foi trabalhar na pedreira Santa Helena e na fábrica de tecidos Santa Maria, em Sorocaba SP, seguindo depois para a fazenda São João de Sintra, em São Manuel, onde encontraram o primeiro incentivo na pessoa de José Augusto de Barros, administrador da propriedade. Por seu intermédio, foram à Rádio Clube de São Manuel e apresentaram-se cantando Namoro de velhos, sendo convidados para cantar na emissora aos domingos, sem remuneração.
Em 1943 foram para São Paulo SP, acompanhados do primo Miguel Pérez, e inscreveram-se no programa de calouros comandado por Chico Carretel (Durvalino Peluzo), na Rádio Emissora de Piratininga, mas o sucesso esperado não veio dessa vez. O Capitão Furtado, que estava sem violeiro em seu programa Arraial da Curva Torta, na Rádio Difusora, promoveu então um concurso para preencher a vaga: os dois, juntamente com seu primo, candidataram-se com o nome provisório de Trio da Roça, cantando o cateretê Tudo tem no sertão (Tonico).
Classificados para a final, interpretaram de Raul Torres e Cornélio Pires Adeus, campina da serra, conquistando o primeiro lugar; sem o primo, foram batizados pelo Capitão Furtado como Tonico e Tinoco. A dupla estreou em disco, na Continental, em 1945, com o cateretê Em vez de me agradecer (Capitão Furtado, Jaime Martins e Aimoré). Bem sucedida com essa gravação, que serviu de teste, gravou seu primeiro disco completo, a moda-de-viola Sertão do Laranjinha, motivo popular adaptado pela dupla e Capitão Furtado, e Percorrendo o meu Brasil (com João Merlini), que foi sucesso imediato.
No mesmo ano destacam-se também Canoeiro (Zé Carreiro), uma das músicas mais importantes do cancioneiro caboclo, e Cana verde (de sua autoria). Desde então, tornou-se a dupla sertaneja mais famosa do país.
Em 1945 lançou Chico Mineiro (com Francisco Ribeiro), principal sucesso entre inúmeras gravações. No ano seguinte, vieram Rei do gado (Teddy Vieira) e Boi de carro (Anacleto Rosas Júnior). Em 1947 a dupla participou da gravação do primeiro 33 rpm do gênero sertanejo, o LP Arraial da curva torta, com o cateretê Tudo tem no sertão (de sua autoria). No ano seguinte, foi a vez de Destinos iguais (Capitão Furtado e Ochelsis Aguiar Laureano).
Em 1950 a dupla lançou Arrasta-pé na tuia e Baianinha (ambas de sua autoria), e foi para o programa Na Beira da Tuia, da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro RJ, transferindo-se para a Philips um ano depois, quando gravou Canta moçada (Tonico e Nhô Fio), Boiada (Zé Paioça, o Fernandes Bortolon), Mourão da porteira (Raul Torres e João Pacífico) e Moreninha linda (Tonico, Priminho e Maninho).
Em 1952 surgiram Gaúcha alegre (Tonico e Zé Carreiro) e Chofer de caminhão (Tonico e Ado Benatti). Mudando-se para a Victor, a dupla gravou Viola cabocla (Tonico e Piraci) e Seresteiro do sertão (Tonico e Garrafinha), em 1953; Querer bem (Irmãos Mota), Pé da letra (Tonico e Augusto Altran) e Presépio (Tonico), em 1954; Canoeiro do mar(com José Alencar Borges), Carreiro triste (Tonico e Bolinha, o Euclides Pereira Rangel), em 1955.
No ano seguinte transferiu-se para a Chantecler, gravando Cabelo de trança (Tonico e Zé Paioça), Rei dos pampas (Raul Torres) e Pinho sofredor (Segisfredo M. Camargo e Capitão Furtado); em 1957, Adeus Mariana (Pedro Raimundo) e, um ano depois, Brasil caboclo (Tonico e Walter Amaral) e Artista de circo (Zé Tapera e Zé Fortuna).
A dupla voltou para a Continental em 1959, quando foram lançadas Maldita cachaça (Tonico, Ana Maria Pereira e Capitão Furtado), Boiadeiro do Norte (Zulmiro) e Fim de baile (Tonico e Zé Paioça). Do ano seguinte são Fandango mineiro (Zé Carreiro e Carreirinho) e Barqueiro (Tonico).
Em 1961 gravaram Meu sertão (Tinoco e José Lopes), trabalhando ainda no filme Lá no sertão, de Eduardo Llorente. Três anos depois, gravou, com a participação de Araci de Almeida, o cateretê de Mário Vieira Tô chegando agora. Em 1963, lançou na Continental o Último roubo (Tonico e Capitão Furtado). No ano seguinte Tonico adoeceu, sendo substituído nos shows pelo irmão mais novo, Francisco Pérez, o Chiquinho. Novamente reunida, a dupla não concordou com a imposição da gravadora de incluir acompanhamento de guitarras elétricas nas gravações sertanejas e parou de gravar.
A Continental relançou então velhos sucessos do duo para atender aos pedidos dos lojistas. Quando a dupla voltou a gravar, lançou pela Continental alguns sucessos obtidos na Chantecler, como o arrasta-pé Curitibana (Tonico e Pirigoso) e Saudade da estância (Capitão Furtado e Frontalini).
Em 1965 a dupla fez o filme Obrigado a matar, de Eduardo Llorente, e três anos depois, ainda na Continental, gravou o LP Vinte e seis anos de glória, transferindo-se para a Rádio Bandeirantes. Em 1969, lançou o LP Vinte e sete anos de Tonico e Tinoco, de Tonico e Capitão Furtado, incluindo velhos sucessos imortalizados por vários intérpretes: Maringá (Joubert de Carvalho), Luar do sertão (Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco), Chuá, chuá (Pedro de Sá Pereira e Ari Pavão), Tristezas do jeca (Angelino de Oliveira), Saudades de Matão (Francana) (Jorge Gallatti, Raul Torres e Antenógenes Silva) e Boiada cuiabana (Raul Torres).
No ano seguinte, prestou homenagem a Raul Torres, interpretando, deste, Moda da mula preta e Segredo se guarda, e Pingo d'água e Chico Mulato (ambas com João Pacífico). No mesmo ano, atuou no filme A marca da ferradura, de Nelson Teixeira Mendes.
Em 1971 lançou Transamazônica (Tonico e José Caetano Erba) e a toada Pra frente, sertão (Tonico, Capitão Furtado e Sílvio Toledo). Em 1972 a dupla comemorou 30 anos de carreira, gravando o LP Adeus, campina da serra e participando do filme Luar do sertão, de Osvaldo de Oliveira. No ano seguinte novo LP, em que se destaca Azul cor de anil (Arlindo Santana), ao qual se sucederam quatro LPs em 1974, sobressaindo a composição Salve Campos do Jordão (Tonico e Mamarama, o Mário Mauro Ramos Matoso). Um ano depois, mais quatro LPs, incluindo Motorista do progresso (Teixeirinha) e Trinta e três anos, poema de Mamarama, contando a vida artística da dupla.
Cantando em todos os canais de televisão de São Paulo, com programa exclusivo na TV Bandeirantes, a dupla excursionou pelos Estados do Centro e Sul do país. Sempre preferiu, entretanto, as estações de rádio, onde atuou com programas exclusivos na Tupi, na Nacional e na Bandeirantes, todas de São Paulo. Em julho de 1979 apresentaram-se com sucesso no Teatro Municipal de São Paulo e comemoraram o feito com o LP A viola no teatro (Continental, 1979), com faixa-título de Tonico e José Caetano Erba. As gravações da dupla chegam a mais de 700 músicas.
Algumas músicas
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domingo, 20 de maio de 2007

Alvarenga e Ranchinho

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Alvarenga e Ranchinho

Alvarenga e Ranchinho - Dupla sertaneja formada em 1929 por Murilo Alvarenga (Itaúna/MG 22.05.1912 - 18.01.1978) e Diésis dos Anjos Gaia, o Ranchinho (Jacareí/SP 23.05.1913 - 05.07.1991). Através do tio, que era empresário de circo, Alvarenga começou a trabalhar aos 11 anos como trapezista e malabarista, passando depois a se apresentar como cantor de tangos. Conheceu Ranchinho numa serenata em Santos/SP, em 1928. Resolveram, então, cantar juntos em circo, interpretando, desde o início, o gênero caipira, que os caracterizou e que era uma novidade na época.
Apresentaram-se em São Paulo/SP, em 1933, com a Companhia Bataclã e, no ano seguinte, foram convidados por Breno Rossi, maestro da orquestra da Rádio São Paulo, para cantar nessa emissora. Ainda em 1934, forma com Silvino Neto o trio Os Mosqueteiros da Garoa, que, apesar do sucesso obtido, durou pouco.
Formada novamente, a dupla começou a se destacar em 1935, com a marcha Sai, feia (Alvarenga), que venceu o concurso de músicas carnavalescas de São Paulo. Ainda em 1935, a convite do Capitão Furtado, compositor sertanejo, trabalhou no filme Fazendo fita, de Vittorio Capellaro, em São Paulo, e, em 1936, foi para o Rio de Janeiro/RJ, para uma temporada na Casa de Caboclo, de Duque. Embora já tivesse certo nome em São Paulo, a dupla teve que recomeçar praticamente a carreira no Rio de Janeiro, iniciando por se apresentar na Hora do Guri, programa vespertino da Rádio Tupi, passando para a programação noturna só depois de obter sucesso.
A boa aceitação conseguida através do rádio fez que conseguisse gravar o primeiro disco, pela Odeon, ainda em 1936, a moda-de-viola Itália e Abissínia (parceria com Capitão Furtado) e o cateretê Liga das Nações (de sua autoria). Em novembro de 1936, apresentou-se no teatro Smart, em Buenos Aires, Argentina, e, no ano seguinte, passou a fazer parte do elenco do Cassino da Urca, onde trabalhou até o seu fechamento, dez anos depois. Foi lá que a dupla começou a fazer sátiras políticas, que se tornaram um dos seus pontos fortes e, em 1938 lançou a marcha Seu condutor (em parceria com Herivelto Martins), que constituiu o maior sucesso carnavalesco da dupla.
Nesse mesmo ano, Ranchinho afastou-se pela primeira vez de seu companheiro, e Alvarenga, então, gravou, pela Odeon, em dupla com Bentinho (da dupla Xerém e Bentinho) e com o grupo chamado Alvarenga e Sua Gente. Essa separação temporária de Ranchinho voltaria a ocorrer outras vezes nos 27 anos seguintes e nessas ocasiões seria substituído por outros, como Bentinho ou Delmare de Abreu.
Em 1939, Ranchinho voltou à dupla e novas gravações foram feitas pela Odeon, inclusive algumas gravações com o Capitão Furtado. Até então, a dupla vinha tendo muitos problemas com a censura oficial, por suas sátiras políticas, mas em 1939 a questão foi resolvida da seguinte maneira: Alzira Vargas, filha do presidente Getúlio Vargas, convidou a dupla para tocar no Palácio das Laranjeiras para seu pai; Getúlio, depois de ouvir todas as músicas, inclusive algumas que se referiam a ele, deu ordens para que as composições da dupla fossem liberadas em todos o território nacional. Ainda em 1939, excursionou pelo Rio Grande do Sul e passou a se apresentar na Rádio Mayrink Veiga, ganhando o slogan de Os Milionários do Riso.
Lançou, em 1940, a valsa Romance de uma caveira (com Chiquinho Sales), em disco Odeon, que se tornou um dos maiores sucessos de seu repertório, e, três anos depois gravou Drama da Angélica (Alvarenga e M. G. Barreto), cujo gênero foi definido no selo do disco como "canto tétrico".
Com o fechamento dos cassinos, em 1946, Alvarenga abriu uma boate no Posto Seis, em Copacabana, mantendo-a durante dois anos. A dupla apresentou-se, em 1950, durante um mês, no Cassino Estoril, em Lisboa, Portugal, e, em 1952, lançou com destaque a marcha de sua autoria Cordão japonês.
Em toda sua carreira, o duo participou de mais de 30 filmes, incluindo Carnaval em lá maior, de 1955, dirigido por Ademar Gonzaga. Com seu repertório de sátiras política, participou também de campanhas eleitorais, como as de Ademar de Barros, Juscelino Kubitschek, e Lucas Nogueira Garcez. Ficaram célebres ainda suas paródias de músicas de sucesso, como as que foram feitas sobre o tango Adíos muchachos (Julio C. Sanders e César Vedani), Nervos de Aço (Lupicínio Rodrigues) e de Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros).
Em 1959, a dupla deixou o rádio, para trabalhar apenas na televisão, e, em 1965, Diésis foi substituído por Homero de Sousa Campos, que passou a ser o Ranchinho efetivo. Nos anos 70 apresentaram-se principalmente em cidades do interior do país. Em 1997 a BMG lançou Os Milionários do Riso, reedição de um LP ao vivo gravado em 1973.
Algumas músicas:
Fonte: - Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora
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sexta-feira, 18 de maio de 2007

Dupla Preto e Branco

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Dupla Preto e Branco - Dupla vocal formada por Herivelto Martins (foto) e Francisco Sena seu colega no Conjunto Tupy . Inicialmente ensaiaram a música Preto e Branco, e em 1933 fizeram uma apresentação no Cine Odeon chamando a atenção de todos, sendo contratados logo em seguida pelo diretor do cinema, que escolheu o nome para a dupla: A Dupla Preto e Branco.

Em 1934, a dupla gravou o primeiro disco, pela Odeon interpretando os sambas Quatro horas e Preto e branco, de Herivelto Martins e Francisco Sena, com acompanhamento de Bonfiglio de Oliveira e sua embaixada. No mesmo ano, a dupla gravou a marcha Vamos soltar balão, de Herivelto Martins e Francisco Sena, e o samba Como é belo, de Gastão Viana e Pereira Filho, que também contou com acompanhamento de Bonfíglio de Oliveira e sua embaixada.

Apesar das gravações e apresentações solo a dupla continuou atuando no Conjunto Tupy, em locais como o circo Dudu, na Praça da Bandeira, Rio de Janeiro. Em 1935, a dupla gravou as marchas Bronzeada, de Moisés Friedman e Pedro Paraguassu, e Passado, presente, futuro, de Herivelto Martins e Francisco Sena com acompanhamento da Orquestra Odeon.

Ainda em 1935, a dupla gravou na Columbia as marchas Um pouquinho só e Bela morena, ambas de Príncipe Pretinho, com acompanhamento da Orquestra Columbia, naquele que seria o último disco com a participação de Francisco Sena, que faleceria no mesmo ano, o que acarretou no fim da dupla.

Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

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Irmãs Pagãs

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Irmãs Pagãs - Dupla vocal formada pelas irmãs Rosina Pagã (Rosina Cozzolino), Itararé, SP - 1919 e Elvira Pagã (Elvira Cozzolino) Itararé, SP - 1920 - Rio de Janeiro, RJ - 8/5/2003.

As irmãs Cozzolino ainda na infância transferiram-se com a família para o Rio de Janeiro, onde passaram a estudar no colégio Imaculada Conceição, situado em Botafogo. Organizavam e participavam de muitas festas e, por intermédio de integrantes do Bando da Lua, passaram a conhecer alguns artistas da época.

Em 1935, apresentaram-se com os Anjos do Inferno na inauguração do Cine Ipanema, ocasião em que foram apresentadas por Heitor Beltrão como as Irmãs Pagãs. Foram levadas para a Rádio Mayrink Veiga pelo radialista César Ladeira, fazendo grande sucesso na década de 1930.

Em seu primeiro disco na Odeon, gravaram as marchas Não foi assim, de Antenógenes Silva e Osvaldo Santiago, e O carnaval é rei, também de Antenógenes em parceria com Ernâni Campos. Nesse mesmo ano, mais dois discos, dos quais se destaca a marcha Não beba tanto assim, de Geraldo Décourt, apresentada pela dupla no filme Alô, alô, carnaval, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro.

Em 1936, participaram do filme Cidade mulher, de Humberto Porto, onde apresentaram a música título (de Noel Rosa), cantando com Orlando Silva. Em 1937, gravaram sambas de Assis Valente, dentre os quais Se você me deixar, Oba oba, Tristeza e O samba acabou. Foram contratadas pela Rádio Nacional e, neste período, excursionaram por quatro meses pela Argentina, Peru e Chile.

Em 1938, passaram a gravar na Columbia, destacando-se o grande sucesso carnavalesco Eu não te dou a chupeta, de Silvino Neto e Plínio Bretas. Dentre os êxitos da dupla estão os sambas Nobreza, de Assis Valente, e a marcha Água mole em pedra dura, de Sátiro de Melo e Manuel Moreira, sucesso de 1940.

Com o casamento de Elvira, a dupla chegou ao fim, deixando um total de 13 discos gravados. Rosina seguiu carreira solo, tendo gravado mais 11 discos até 1946, entre eles a versão Chiu... chiu... (N. Molinari e Oswaldo Santiago) e participado de vários filmes como atriz. Ainda nesse ano, seguiu turnê em Cuba, EUA e México, cidade onde se casou e passou a residir.

Elvira Pagã seguiu carreira como estrela do teatro de revista, tendo gravado mais de dez discos entre os anos de 1944 e 1953, tendo destque o samba Na feira do cais dourado (Nelson Teixeira e Nelson Trigueiro). Alcançou grande notoriedade, sobretudo por sua atuação como vedete, sendo considerada uma das mais belas mulheres de sua época - os anos 40, 50 e até começo dos 60.

A partir dos anos 70, Elvira começou a pintar, passando logo depois a realizar temas esotéricos em seus trabalhos. Em meados dos anos 1990, demonstrando grande instabilidade de comportamento, ao alterar momentos de euforia com rasgos de ira, recusou-se terminantemente a fazer depoimento para o Museu da Inglaterra. Em 1979 Elvira Pagã foi homenageada com um rock da cantora Rita Lee.

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segunda-feira, 14 de maio de 2007

Joel e Gaúcho

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Joel e Gaúcho
Joel e Gaúcho - Dupla vocal formada em 1930, no Rio de Janeiro, que teve sua fase principal até 1947, composta pelo cantor Joel de Almeida, nascido no Rio de Janeiro em 1913 e falecido em São Paulo em 1993 e o violonista e cantor Francisco de Paula Brandão Rangel, o Gaúcho nascido na cidade de Cruz Alta no Rio Grande do Sul em 1911 e falecido no Rio de Janeiro em 1971.
Em 1932 Joel trabalhava na Casa Edison, de Fred Figner, e da janela costumava ver compositores subirem a escada de um prédio próximo, a fim de que o pianista Freitinhas fizesse a escrita de suas músicas. Um dia resolveu apresentar suas composições a ele. Para sua surpresa Freitas marcou uma gravação na Odeon. Seu parceiro na ocasião foi Breno Bonifácio e nesse disco gravaram em dueto dois sambas, Eu quero é viver e Meu prazer, de autoria de ambos.
Ao chegar do Rio Grande do Sul Gaúcho conheceu Joel em 1933, nas rodas boêmias do bairro carioca da Tijuca, e logo começaram a se apresentar em festas e serenatas. No ano seguinte Renato Murce levou-os para seu programa Horas do Outro Mundo, na Rádio Phillips. Contratados pela emissora passaram a cantar no Programa Casé, com Gaúcho acompanhando ao violão e Joel batucando no chapéu de palha. Foram chamados de os irmãos Gêmeos da Voz por Alziro Zarzur, embora Cesar Ladeira tenha sido creditado com a invenção do apelido.
Em 1935 a dupla obteve seu primeiro destaque em disco com Estão batendo (Gadé e Valfrido Silva) gravado na Columbia. Em 1936, pela Victor, lançaram Pierrô apaixonado (Heitor dos Prazeres e Noel Rosa) marcha de grande sucesso no Carnaval, que marcou o início de uma série de êxitos carnavalescos. No mesmo ano a dupla participou do filme Alô, alô Carnaval passando também a se apresentar nos cassinos da Urca e Atlântico além do Copacabana Palace Hotel.
No Carnaval de 1940 a dupla obteve outro grande sucesso com “ Cai, cai (Roberto Martins) lançando no mesmo ano a marcha Maria Caxuxa (Antônio Almeida e Saint-Clair Sena) e, no carnaval de 1941, Aurora (Roberto Roberti e Mário Lago) com enorme êxito. No ano seguinte a dupla gravou o sucesso A mulher do padeiro (J. Piedade, Germano Augusto e Bruni) e em 1943 a marcha O Danúbio...azulou (Nássara e Eratóstenes Frazão).
Outro grande êxito da dupla foi o Boogie-woogie do rato (Denis Brean) lançado em 1947, ano em que também excursionou por Buenos Aires, Argentina, apresentando-se na boate Embassy e na Rádio El Mundo. Na capital argentina a dupla se desfez, tendo Joel lá permanecido como cantor e Gaúcho retornado ao Brasil.
De volta ao país em 1952, Joel tornou a formar dupla com Gaúcho, mas somente por breve período, pois no mesmo ano, após algumas apresentações, Gaúcho abandonou o rádio e foi morar em Itacuruça, Rio de Janeiro. Joel prosseguiu carreira sozinho, como cantor e compositor, principalmente carnavalesco, tendo obtido grande sucesso em 1956, com sua gravação de Quem sabe, sabe (com Carvalhinho).
Dois anos depois, outro destaque, com Madureira chorou (Carvalhinho e Júlio Monteiro) época em que também trabalhou como diretor artístico da gravadora Polydor durante um ano e meio. Nessa função resolveu lançar um cantor jovem para concorrer com João Gilberto: assim, 1959, produziu o primeiro disco de Roberto Carlos.
Em 1962 Joel e Gaúcho se encontraram novamente para gravar o LP Joel e Gaúcho, na RCA Victor, relançando antigos sucessos como Aurora, Cai, cai e Pierrô apaixonado, entre outras, com orquestração de José Meneses. Depois da morte de Gaúcho, Joel , conhecido como o Magrinho Elétrico, continuou sua carreira sozinho, como cantor compositor e radialista, apresentando programas noturnos na Rádio Tupi, de São Paulo.
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Antônio Carlos e Jocafi

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Antonio Carlos & Jocafi
Antônio Carlos e Jocafi - Dupla vocal formada pelos compositores Antônio Carlos Marques Pinto (Salvador/BA 1945-) e José Carlos Figueiredo (Salvador 1944—). Atuaram isoladamente até 1968, tendo Antônio Carlos composto Festa no terreiro de Alaketu, que foi apresentada por Maria Creusa, em 1967, no III FMPB da TV Record, de São Paulo SP.
Em 1969, já como parceiros, inscreveram no V FMPB a música Catendê, interpretada por Maria Creuza, que a gravou em 1971. Com a mesma música, participaram em 1970 de um festival do Nordeste.
No Rio de Janeiro, a dupla foi logo contratada pela RCA, gravando, ainda em 1971, Você abusou (várias vezes regravada), Mudei de idéia e Desacato, que obtiveram grande sucesso. Desde então a dupla participou de vários festivais e apresentou-se com êxito no Brasil e no exterior.
Em 1974, além da repercussão de suas músicas Toró de lágrimas (com Calazans) e Dona Flor e seus dois maridos, classificou-se em segundo lugar no primeiro World Popular Song Festival, de Tóquio, Japão, com a música Diacho de dor.
A dupla continua realizando shows e gravando. Entre seus discos mais recentes destaca-se Samba, prazer e mistério (selo RCA, 1994), relançado pela etiqueta Sky Blue, em 1997, e que reúne regravações de sucessos antigos e músicas novas como Vá brincando e Negócio de cumadre.
Obras: Desacato, 1971; Desmazelo (c/Tavares e Ildázio), 1972; Dona Flor e seus dois maridos, samba, 1974; Mas que doidice, 1971; Mudei de idéia, 1971; Negócio de cumadre, 1994; Perambulando, 1972; Super-Manoela (c/Heitor Valente), samba, 1974; Toró de lágrimas (c/Calazans), 1974; Vá brincando, 1994; Você abusou, 1971.
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quinta-feira, 10 de maio de 2007

Pena Branca e Xavantinho

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Pena Branca e Xavantinho
A dupla formada pelos irmãos José Ramiro Sobrinho (Pena Branca), nascido em Uberlândia (MG), em 1939, e Ranulfo Ramiro da Silva (Xavantinho, Uberlândia, 1942-1999) é um raro caso de fidelidade às raizes caipiras no universo sertanejo atual.
Criado na roça com cinco irmãos, José Ramiro aprendeu "de orelha" no cavaquinho do pai antes de passar para a viola. A dupla com o irmão começou em mutirões, feiras, folias de reis e teve outros nomes como José e Ranulfo, Peroba e Jatobá, Zé Mirante e Miramar e até Xavante e Xavantinho.
Num festival organizado pelo sertanejo Zé Bétio, eles conquistaram o primeiro lugar e o direito de gravar uma música, Saudade, de Xavantinho, num compacto duplo em 1971. Em 1980, outra música de Xavantinho, Que Terreiro é Esse?, foi classificada para a final do festival MPB-Shell da TV Globo e a dupla finalmente estreou em LP, Velha Morada - Rodeio, já se distinguindo pela escolha do repertório: incluía entre as faixas a dissonante O cio da terra de Chico Buarque e Milton Nascimento.
A audácia de afrontar o comercialismo do mercado gravando material selecionado, das folclóricas Cuitelinho (recolhida por Paulo Vanzolini) e Calix Bento (recolhida e adaptada por Tavinho Moura) a Vaca Estrela e Boi Fubá (do cearense Patativa do Assaré), deu certo. Logo a dupla seria um dos esteios do programa de TV Som Brasil, apresentado pelo ator e intérprete Rolando Boldrin, que a incluiria em seus shows Brasil adentro.
Boldrin produziu o segundo disco dos dois, Uma Dupla Brasileira. Milton Nascimento cantou (e gravou) com eles o Cio da Terra, além de levá-los ao Teatro Municipal para o espetáculo em que recebia o Prêmio Shell, de 1986.
Além de Tavinho Moura, com quem Xavantinho faria Encontro de Bandeiras, a dupla foi ampliando sua participação na MPB em encontros (e gravações) com Fagner, Almir Sater, Tião Carreiro, Marcus Viana, entre outros.
Em 1990, eles ganharam o Prêmio Sharp de melhor música com Casa de barro, de Xavantinho e Moniz, e de melhor disco, Cantadô do mundo afora. Dois anos depois, ao vivo em Tatuí levaram outro Sharp de melhor disco e também foram escolhidos pela Associação Paulista de Críticos de Arte.
Sempre mesclando repertório matuto, clássicos da MPB e obras de lavra própria, PB & X gravaram de Mário de Andrade, Viola quebrada, a Ivan Lins e Vitor Martins, Ituverava, Caetano Veloso, O ciúme, e o Uirapuru (Murilo Latini/Jacobina), sucesso do grupo Nilo Amaro e seus Cantores de Ébano em Violas e Canções, de 1993, ano em que os dois excursionaram também aos EUA.
Em Pingo d'água (1996), o rei do baião Luiz Gonzaga, A vida do viajante, convive com os caipiras históricos João Pacífico e Raul Torres da faixa título. E no Coração matuto (1998), entram Djavan, Lambada de serpente, Milton Nascimento, Morro Velho, com participação do próprio, e até Guilherme Arantes, Planeta Água.
Já sem o irmão, falecido no ano anterior, Pena Branca prosseguiria solo em Semente caipira (2000). Congregando de Tom Jobim e Luiz Bonfá, Correnteza, a Renato Teixeira, Quando o amor se vai, Joubert de Carvalho, Maringá, e composições próprias, Casa amarela, Rio abaixo vou viver, o disco de Pena Branca mantém acesa a chama de integridade que marcou a trajetória da dupla e continua lhe servindo de farol.
Tárik de Souza / ENSAIO / 21/2/1991
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quarta-feira, 9 de maio de 2007

Sá e Guarabira

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Carioca de Vila Isabel, Luís Carlos (Pereira de) Sá (1945) emergiu na era da bossa nova, em meados dos 60 e foi gravado por Pery Ribeiro (Escadas do Bonfim, Giramundo) e Nara Leão (Menina de Hiroshima, com Chico de Assis).
Classificou Inaiá entre as finalistas do I FIC e no ano seguinte, 1967, atuaria ao lado do futuro parceiro Gutemberg (Nery) Guarabira (Filho) e Sidney Miller na inauguração do teatro Casa Grande no Rio. Este foi o ano de Gut, baiano da cidade de Barra (1947), que a bordo do Grupo Manifesto (Gracinha e Fernando Leporace, Mariozinho Rocha, Guto Graça Melo) ganhou o II FIC com Margarida, derrotando nada menos de três músicas do estreante Milton Nascimento.
Engrenada apenas em 1972, a dupla começou como trio, com a inclusão do tecladista e compositor Zé Rodrix (ex-Momento 4uatro), que sairia em 1973 e só voltaria em 2001. O trio e depois duo, foi responsável por um novo conceito, o rock rural, adaptação nativa muito mais próxima do folk/rock estradeiro que do "country" americano. Mas o sotaque sempre foi brasileiro, embora a Primeira Canção da Estrada, tenha operado como hino da geração "hippie" nativa, incluído no disco de estréia do trio, Passado Presente e Futuro.
No ano seguinte sairia Terra, o último do trio com O Pó da Estrada. A partir de Nunca (1973) com a 2ª Canção da Estrada seriam apenas S&G, também sócios do estúdio Vice-versa com o maestro tropicalista Rogério Duprat.
A habilidade de produzir melodias colantes, refletida nos jingles publicitários do estúdio como o da Pepsi-Cola ("Só tem amor/ quem tem amor pra dar") que chegou a ser lançado em compacto nas lojas, resultou numa profusão de sucessos. De Pirão de Peixe com Pimenta (1977) saltaram Sobradinho e Espanhola. E ao celebrar 10 Anos Juntos (1983) somavam-se ainda Dona, Caçador de mim, Vem queimando a nave louca e Sete Marias.
Sem formar o que seria uma dupla sertaneja apesar do canto a duas vozes, Sá e Guarabira costuraram com acordes inspirados o enredo interiorano (Cheiro mineiro de flor, Roque Santeiro, Me faça um favor) às guitarras urbanas.
Tárik de Souza – ENSAIO - 8/4/1994.
Fonte: SESC SP
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Irmãs Galvão

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Irmãs Galvão - Dupla sertaneja formada por Mary Zuil Galvão (Ourinhos SP 1940-) e Marilene Galvão (Palmital SP 1942-). Mary toca sanfona; Marilene, viola e violão. Incentivadas pelos pais, formaram a dupla em julho de 1947, em Sapesal SP.
Apresentaram-se depois na Rádio Paraguaçu Paulista, em programa de auditório, já com grande sucesso. No ano seguinte, cantaram na Rádio Difusora, de Assis SP, no programa Pinguinho de Gente.
Em 1952 viajaram para São Paulo SP com os pais. O pai inscreveu a dupla no programa Tenda do Salomão, na Rádio Piratininga. Depois passaram para o programa Torre de Babel, da Rádio Piratininga, ao lado de artistas famosos como Nelson Gonçalves e Dolores Duran. Contratada pela Rádio Nacional, a dupla apresentou-se no programa Ronda dos Bairros.
Em 1954 estrearam na Rádio Bandeirantes, no programa Serra da Mantiqueira, com o Comendador Biguá e Capitão Barduíno. Seus primeiros discos 78 rpm foram gravados em 1957 e 1958, na RCA Victor.
Em 1959 foram contratadas pela Chantecler, na qual gravaram seu primeiro LP, além de alguns discos 78 rpm. É a mais antiga dupla sertaneja feminina em atividade no Brasil. Comemorou seus 50 anos de carreira com um show no parque da Água Branca, em São Paulo, com a presença de 6 mil pessoas, sendo homenageadas por Sula Miranda, Cézar e Paulinho, Tinoco e Tinoquinho, entre outros.
Em sua longa carreira - até 1997, 22 LPs, 10 rpm e 3 CDs (destaque para Lembranças, pela Warner) -, tiveram vários sucessos, como o disco Olhos de Deus, pela Continental East West, que inclui a moda-de-viola Rei do gado (Teddy Vieira), o bolero Pedaço de mim (Elias Muniz), a toada Cheiro de relva (Zé Fortuna e Dino Franco) e o pagode As três maravilhas (Moacir dos Santos e Paraíso), além da faixa-título, o balanço Olhos de Deus (Fátima Leão). Fizeram sucesso ainda com o "rock-pira" Coração laçador (Carlos Puppy) e a guarânia Pedacinhos (Carlos Randall).
A dupla recebeu Disco de Ouro em 1986, com No calor dos teus abraços, lambada de Cecílio Nena e Nicéia Drummond. Em 1994 recebeu o Prêmio Sharp de melhor dupla sertaneja. CDs: Lembranças, 1992, Warner 177642-2; Olhos de Deus, 1996, Continental 063015833-2.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Ed., 1977. 3p.
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