sábado, 4 de agosto de 2007

Odeon

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Enesto Nazareth ouviu os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares, e os levou para o piano, dando-lhes roupagem requintada. Sua obra se situa, assim, na fronteira do popular com o erudito, transitando à vontade pelas duas áreas. Em nada destoa se interpretada por um concertista, como Arthur Moreira Lima, ou um chorão como Jacó do Bandolim.

O espírito do choro estará sempre presente, estilizado nas teclas do primeiro ou voltando às origens nas cordas do segundo. E é esse espírito, essa síntese da própria música de choro, que marca a série de seus quase cem tangos-brasileiros, à qual pertence "Odeon". Obra-prima no gênero, este tango é apenas mais uma das inúmeras peças de Nazareth em que "melodia, harmonia e ritmo se entrosam de maneira quase espontânea, com refinamento de expressão", como opina o pianista-musicólogo Aloysio de Alencar Pinto.

"Odeon" é dedicado à empresa Zambelli & Cia., dona do cinema homenageado no título, onde o autor tocou na sala de espera. Localizado na Avenida Rio Branco 137, possuía duas salas de projeção e considerado um dos "mais chics cinematógraphos do Rio de Janeíro". Em 1968, a pedido de Nara Leão, Vinícius de Moraes fez uma letra para "Odeon"(clique aqui para escutar o midi Odeon) :

Ai, quem me dera / O meu chorinho / Tanto tempo abandonado / E a melancolia que eu sentia / Quando ouvia / Ele fazer tanto chorar / Ai, nem me lembro / Há tanto, tanto / Todo o encanto / De um passado / Que era lindo / Era triste, era bom / Igualzinho a um chorinho/ Chamado Odeon.
Terçando flauta e cavaquinho / Meu chorinho se desata / Tira da canção do violão / Esse bordão / Que me dá vida / Que me mata / É só carinho / O meu chorinho / Quando pega e chega / Assim devagarzinho / Meia-luz, meia-voz, meio tom / Meu chorinho chamado Odeon
Ah, vem depressa / Chorinho querido, vem / Mostrar a graça / Que o choro sentido tem / Quanto tempo passou / Quanta coisa mudou / Já ninguém chora mais por ninguém / Ah, quem diria que um dia / Chorinho meu, você viria / Com a graça que o amor lhe deu / Pra dizer "não faz mal / Tanto faz, tanto fez / Eu voltei pra chorar com vocês"
Chora bastante meu chorinho / Teu chorinho de saudade / Diz ao bandolim pra não tocar / Tão lindo assim / Porque parece até maldade / Ai, meu chorinho / Eu só queria / Transformar em realidade / A poesia / Ai, que lindo, ai, que triste, ai, que bom / De um chorinho chamado Odeon
Chorinho antigo, chorinho amigo / Eu até hoje ainda percebo essa ilusão / Essa saudade que vai comigo / E até parece aquela prece / Que sai só do coração / Se eu pudesse recordar / E ser criança / Se eu pudesse renovar / Minha esperança / Se eu pudesse me lembrar / Como se dança / Esse chorinho / Que hoje em dia Ninguém sabe mais.
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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No bico da chaleira

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Diariamente, o Morro da Graça no bairro das Laranjeiras no Rio de Janeiro era freqüentado por dezenas de pessoas - senadores, deputados, juízes, empresários ou, simplesmente, candidatos a cargos públicos ou mandatos eletivos. A razão da romaria era que no alto do morro morava o general senador José Gomes Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Conservador, que dominou a política nacional no início do século.

Pois foi para satirizar o comportamento desses bajuladores que o maestro Costa Júnior (Juca Storoni) fez a animada polca "No Bico da Chaleira", sucesso do carnaval de 1909: "Iaiá me deixe subir nessa ladeira / eu sou do grupo que pega na chaleira...". E tamanha foi a popularidade da composição que acabou por consagrar o uso dos termos "chaleira" e "chaleirar" como sinônimos de bajulador e bajular. Isso porque, dizia-se na época, o pessoal que subia a ladeira da Graça disputava acirradamente o privilégio de segurar a chaleira que supria de água quente o chimarrão do chefe.

Com a morte de Pinheiro Machado, assassinado por um débil mental em 1915, deram seu nome à Rua Guanabara, onde começava a subida para sua casa, na qual passou a funcionar o Colégio Sacre Coeur e tempos depois uma empresa construtora.

No bico da chaleira (Juca Storoni)

Iaiá / me deixa subir esta ladeira / Eu sou do bloco / Mas não pego na chaleira / Na casa do Seu Tomaz / Quem grita / é que manda mais / Que vem de lá / Bela Iaiá / Ó abre alas / Que eu quero passar / Sou Democrata / Águia de Prata / Vem cá mulata / Que me faz chorar

Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

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Fado Liró

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Fado Liró (fado - 1908) - Nicolino Milano

Guitarra, guitarra geme / Que o meu peito todo treme
Ao cantar ao meu amor / Passemos a vida unidos
A soltar nossos gemidos / Pra acalmar a nossa dor

Mas se a vida são dois dias / Procuremos alegrias
Gozar a vida é mister / Desprezamos a africana
Se ela nos é desumana / Busquemos outra mulher

Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!

Entre as verdes ramarias / Ouvem-se belas poesias
Entre os verdes do choupal / São versos cheios de dores
De quem sofre por amores / De quem sente um grande mal
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Ontem ao luar (Choro e poesia)

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Ontem ao luar Por sua semelhança com a canção "Love Story", do filme homônimo, a polca "Choro e Poesia" voltou a ser sucesso na década de 1970. Esse retorno rendeu-lhe mais de dez gravações, só que com um detalhe: todas traziam apenas o título "Ontem ao Luar", que recebeu de Catulo da Paixão Cearense quando, em 1913, o poeta lhe pôs uma letra, à revelia do autor. E o que é pior, várias dessas gravações tal como edições da partitura, somente registravam o nome de Catulo, omitindo o de Pedro de Alcântara.
Em 1976, graças aos esforços de uma neta de Alcântara, sua autoria foi restabelecida através de uma decisão judicial. "Choro e Poesia" tem duas partes, ambas construídas com variações de um mesmo motivo, usado com muita engenhosidade especialmente na segunda parte, em tom maior.
Ontem ao Luar (Choro e Poesia) (1907)--- clique para ouvir amostra da música
- Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara

----Am-------------------------- B7
Ontem ao luar / Nós dois em plena solidão
E7
Tu me perguntaste
-----------------Am
O que era a dor de uma paixão
A7 -------------------Dm
Nada respondi, calmo assim fiquei
B7 -----------------------------------(E7)
Mas fitando o azul / Do azul do céu a lua azul
-------------Am---------------------------- B7
Eu te mostrei, mostrando a ti os olhos meus
------------------------E7--------------- Am
Correr sem ti uma nívea lágrima e assim te respondi
A7----------------- Dm-------------------- Am
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima
---(B7)-- (E7)--- Am--- E7
Dos olhos a sofrer

A--------------------- B7
A dor da paixão, não tem explicação
E7------------------ A
Como definir o que só sei sentir
Dm ------------A ------------Gbm
É mister sofrer, para se saber
---------------Bm------ E7 ------A -----E7
O que no peito o coração não quer dizer
A---------------------- B7
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
E7 -----------------------A
De noite a chorar na onda toda azul
-------Dm-------------- A-------- Gbm
Pergunta ao luar, do mar a canção
--------------B7------- E7---------- (A) (E7) (A) (E7)
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
-----A----------- Gb7------------ Bm
Se tu desejas saber o que é o amor e sentir
----------E7------------------ A------------ Dbm7
O seu calor o amaríssimo travor do seu dulçor
------------------ E7
Sobe o monte a beira mar ao luar
------------E7-------- A
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
--------------A------Gb7------ Bm------------------ E7
Ouve o silêncio a falar na solidão do calado coração
----------------A -----------A7
A pena a derramar os prantos seus
D ----------Dm -----A -----------Gb7------- Bm
Ouve o choro perenal / A dor silente universal
-------------E7---------------- A F A
E a dor maior que é a dor de Deus

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora Publifolha e A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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Iara (Rasga o coração)

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"Melodia espontânea e escorreita; harmonização singela com alguns acordes arpejados, principalmente no tempo fraco dos compassos." Assim o maestro Batista Siqueira analisa o xote "Iara", por ele considerado "uma obra prima de beleza e simplicidade".
Composto por volta de 1896, em homenagem a um barco homônimo, campeão de regatas, "Iara" só seria gravada em 1907, ano da morte de seu autor Anacleto de Medeiros. Tempos depois, quando já era peça obrigatória no repertório de bandas, recebeu letra de Catulo que a rebatizou de "Rasga o Coração".
Essencialmente instrumental, o xote perdeu em graça e leveza ao ser transformado em canção, embora os versos de Catulo tenham-lhe aumentado a popularidade. Esses versos, aliás, são tão numerosos que mereceram de Guimarães Martins (no livro Modinhas) a curiosa e acaciana recomendação: "O cantor que não desejar interpretar todas estas estrofes escolherá as que mais lhe agradarem". Admirador de Anacleto de Medeiros, Villa-Lobos aproveitou o tema de "Iara" em seu Choros n° 20.
Iara - Rasga o Coração----- clique para ouvir amostra da música
(letra de Catulo da Paixão Cearense e música de Anacleto Medeiros)
Se tu queres ver a imensidão, / Do céu e mar,
Refletindo a prismatização / Da luz solar,
Rasga o coração, / Vem te debruçar,
Sobre a vastidão, / Do meu penar,
Rasga, o que hás de ver, / Lá dentro a dor, a soluçar,
Sob o peso de uma cruz, de lágrimas chorar,
Anjos a cantar, Preces que dirás,
Deus a ritmar, seus pobres ais,
Sorve todo olor, que anda a recender,
Veras que espinhosas, florações do meu sofrer,
Vê se podes ler, nas suas pulsações,
As brancas ilusões, que eu releguei, no seu gemer,
O que não pode é te dizer, nas palpitações,
Ouve-o, brandamente, docemente, a palpitar,
A se for por tal, num terno vesperal,
Mais puro que uma grande,
A se ouvir um hino, só de flores a cantar,
Sob um mar de pétalas de dores, ao luar,
Doido a te chamar, penso em te esperar,
Na ânsia de te ver, ou de morrer,
Tens o meu perdão, flor me vem abrir,
Este coração, na primavera desta dor,
Ao reflorir, mas ao sorrir, Nos rubros lábios teus,
Terás minha paixão, sorrindo, / Adeus !
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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Clélia (Ao desfraldar da vela)

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Clélia (Ao desfraldar da vela) - valsa - 1907 ----clique para ouvir amostra da música
- Catulo da Paixão Cearense e Luís de Souza
Clélia adeus! / Adeus, minha doce Clélia adeus! / Desce à praia e vem calmar o verde mar / Que em breve irei sulcar além / Clélia, ó vem! / Adeus, vou me separar de ti / Vem. Ó vem meu bem! / Vem ouvir-me aqui
Vou singrar a vastidão do mar / A imensidão do mar, do mar / Vou cantar a minha dor / Sob este céu primaveril / Clélia, adeus! / Que o céu é todo puro anil, gentil / Beija a lua o verde mar / Na areia a se enrolar

Ai, que lancinante é o meu sofrer! / Ai, pensar em nunca mais te ver! / Ó, são horas de partir meus ais! / A vela a desfraldar / Pede um sorrir, um teu olhar / Ó vem, ó minha Clélia, adeus! / Vai meu coração em chaga / De vaga em vaga / À solidão do mar clamar
Clélia adeus! / Adeus, vem dizer-me o eterno adeus! / Desce à praia e vem calmar o verde mar / Que em breve irei sulcar além / Vem, ó vem! / Por Deus, vem me dar um beijo aqui / Vem, ó vem, Clélia meu bem! / Vem meu ouvir aqui
Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras
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A pequenina cruz do teu rosário

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A pequenina cruz do teu rosário (1907)----clique para ouvir amostra da música
Fernando Weyne e Roberto Xavier de Castro

----Bm--------- Gb7------- Bm B7
Agora não te vejo a meu lado
------------Em------------ Em6-- Bm
A segredar-me apaixonadas juras,
-------------B7----------------------- Em---Em6
Busco, às vezes, em nosso amor passado,
--------Bm--------- Gb7------ Bm Bm/D
Recordar essas íntimas loucuras.

---------------Gb7---------------------- Bm
Faz tanto tempo, não me lembro quando,
---------------Gb7------------------ Bm
A vida é longa e o pensamento vário,
-------------B7 -------------------------Em Em6
Tu me mostravas, a rir, que delírio santo !
----------Bm----Gb7------- (Bm) (Gb7) (Bm)
A pequenina cruz do teu rosário.

---------Bm-------- Gb7----- Bm B7
E sempre que a via, recordava
--------------Em------- Em6-- Bm
Do nosso amor a fantasia louca.
----------B7------------------------- Em Em6
Toda vez que a pequenina cruz beijava
---------Bm--- Gb7------- Bm Bm/D
Eu beijava, feliz, a tua boca.

-------------Gb7 ---------------------Bm
Já vou trilhando a estrada da amargura
------------Gb7-------------------------- Bm
Antes, porém, que chegue ao meu calvário.
---------------B7 --------------Em Em6
Dá-me a beijar, ò Santa criatura
--------Bm -----Gb7------- (Bm) (Gb7) (Bm)
A pequenina cruz do teu rosário

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Vem cá mulata

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Embora existindo desde 1902, "Vem Cá Mulata" só ficou famosa em 1906 quando se destacou como sucesso carnavalesco. Aliás, sucesso duradouro, uma vez que continuou alegrando mais dois ou três carnavais, tornando-se uma das músicas mais populares da década. O motivo por que caiu no gosto dos foliões está em seu caráter bastante animado - o que não é de se admirar tendo como um dos autores Arquimedes de Oliveira, carnavalesco adepto do Clube dos Democráticos.

A classificação de "Vem Cá Mulata" ora como tango-chula, ora como polca-chula, merece uma observação: muitas das classificações que aparecem em discos e partituras do começo do século carecem de precisão. Geralmente são meros rótulos dados por funcionários subalternos das editoras. Isso numa fase de nossa música em que alguns gêneros ainda não estavam definidos.

Vem cá Mulata (Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre)----clique para ouvir amostra da música
C-------------- G7-----------------C
Vem cá, mulata / Não vou lá, não
-----------------G7---------------C
Vem cá, mulata / Não vou lá, não
----------------G7---------------C
Sou Democrata / Sou Democrata
---------------G7-----------C
Sou Democrata / De coração

-------------Am-------------E7----------------------------Am

O Democráticos, gente jovial / Somos fanáticos do carnaval
------------------------------E7-------------------------------Am
Do povo, vivas nós recolhemos / De nós cativas almas fazemos
------------------------------E7-------------------------Am
Ao povo damos sempre alegria / E batalhamos pela folia
----------------------------E7---------------------------Am
Não receamos nos sair mal / E letra damos no carnaval
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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Três estrelinhas (O que tu és)

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Três estrelinhas (O que tu és) - polca - 1906-----clique para ouvir amostra da música
- Catulo da Paixão Cearense e Anacleto de Medeiros

Se um riso vem / Teus lábios colorir de almo rubor / As almas a teus pés / Vêm prosternar-se com ardor / A luz transluz nos céus / Nos céus dos olhos teus / Saudosos como o luar / No mar a cintilar

Tua alma cheira mais / Que um alvo jasmineiro todo em flor / Onde tu passas fica um aroma a soluçar / Tu és de Deus a obra-prima / Não tens par! / És uma rima singular

Tu és a pérola ideal / Que o mar gerou / Tu és a flor mais aromal / Que Deus sonhou / A mais plangente e meiga lira sons não tira / Como as notas desse teu falar

Teus seios têm o sacro / E doce aroma de um missal / Teus lábios têm a eterna / Sensação da extrema-unção / Tu fazes sem pensar os astros palpitar / Tu fazes sem querer as almas padecer

Tuas tranças cheiram mais / Que as rosas trescalantes de um rosal ; Que a madrugada vem de orvalho perolar / És uma flor da fonte à margem / De cristal / És um poema divinal!

És a mais sonora estrofe do Senhor / És a irradiação mais branca do luar / És a luz solar / Um hino sideral! / Nos olhos tens os raios / De uma estrela vesperal

Nos lábios tens a graça / Inebriante de hidromel / Da imagem do perdão / Tu és a cópia mais fiel / Tu és um coração de orvalho lá do céu / Que um anjo a chorar verteu

Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras
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Os olhos dela

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Os olhos dela (chótis - 1906) -----clique para ouvir amostra da música
Eu sou capaz de confessar / Aos pés de Deus / Que eu nunca vi em mundo algum / Uns olhos como os teus! / Eu não sei mesmo / Como os hei de comparar, não sei / Eu já tentei cantar / O teu divino olhar
Depois de tanto versejar / Debalde em vão / Depois de tanto apoquentar / A minha inspiração / Cheguei à triste conclusão / De que eu só sei sofrer / E o que teus olhos são / Não sei dizer
Deixa-te estar que quando eu morrer / Irei verter os prantos meus nos céus / Hei de contar em segredo a Deus / As travessuras desses olhos teus / Hei de mostrar ao Senhor Jesus / Ao Pai nos céus, apiedado / Meu coração crucificado / Nos braços teus de luz
Os olhos teus são lágrimas do amor / Os olhos teus são dois suspiros de uma flor / São dois soluços d’alma / São dois cupidos de poesia / Que sinfonia tem o teu olhar / Que até às vezes já nos faz chorar! / Ai, quem me dera me apagar assim / À luz do teu olhar!
Os olhos teus / Quando nos querem castigar / Parecem dois astros de gelo / Que nos vêm gelar / Mas quando querem nos ferir / Direito o coração / Eu não te digo não / O que os teus olhos são
Pois quando o mundo quiser / De vez findar / Basta acendê-lo com um raio / Desse teu olhar / Que os olhos todos das mulheres / Que mais lindas são / Dos olhos teus / Não têm a irradiação
Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras.
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