terça-feira, 22 de maio de 2007

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Ataulfo Alves

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Ataulfo Alves inaugurou um novo estilo de fazer samba. Com seu jeito manso e sua tranqüilidade mineira, ele emprestou cores diferentes à música que brotava dos morros e dos subúrbios cariocas na década de 30. A história do compositor Ataulfo é mais que o relato simples de um artista de grande talento e capacidade criativa. É também a trajetória de um filósofo popular, verdadeiro mestre em criar provérbios que atravessam gerações. O mito da Amélia, idealização da mulher que aceita tudo por amor, popularizou-se a partir de uma das músicas mais famosas de Ataulfo, composta na década de 1940, em parceria com Mário Lago.


Ataulfo Alves de Sousa nasceu em Miraí, MG, em 2 de maio de 1909. Com oito anos fazia versos para responder aos improvisos do pai, que era violeiro e repentista. Aos 10 anos perde o pai, e sua mãe, Maria Rita de Jesus, com um porção de filhos, sai da fazenda e vai morar no centro da cidade de Miraí, que ficava próximo.Passa Ataulfo a freqüentar o grupo escolar e a desempenhar os serviços que apareciam. Uma existência pobre, mas tranqüila e feliz, que registraria no samba Meus tempos de criança. (Foto: Mário Lago, parceiro de muitas músicas com Ataulfo). Aos 18 anos, aceitou o convite do Dr. Afrânio Moreira Resende, médico de Miraí, para acompanhá-lo ao Rio de Janeiro, onde fixaria residência. Durante o dia, trabalhava no consultório, entregando recados e receitas, e, à noite, fazia limpeza e outros serviços domésticos na casa do médico. Insatisfeito com a situação, conseguiu uma vaga de lavador de vidros na Farmácia e Drogaria do Povo. Rapidamente aprendeu a lidar com as drogas e tornou-se prático de farmácia. Depois do trabalho voltava para casa no bairro de Rio Comprido, onde costumava freqüentar rodas de samba. Já sabia tocar violão, cavaquinho e bandolim, e organizou um conjunto que animava as festas do bairro.

Em 1928, com apenas 19 anos, casou-se com Judite. Em 1929 trabalhou por algum tempo numa outra farmácia, mas logo voltou ao emprego anterior. Nessa época, em que já começara a compor, tornou-se diretor de harmonia de Fale Quem Quiser, bloco organizado pelo pessoal do bairro. Ainda em 1929, nasceu Adélia, sua primeira filha.
Em 1933, Bide (Alcebíades Barcelos), que viria a fazer sucesso com o samba Agora é cinza (com Marçal), ouviu algumas composições suas no Rio Comprido, e resolveu apresentá-lo a Mr Evans, diretor americano da Victor. Foi então que Almirante gravou o samba Sexta-feira, sua primeira composição a ser lançada em disco. Dias depois, Carmen Miranda, que ele havia conhecido antes de ser cantora, gravou Tempo perdido, garantindo sua entrada no mundo artístico. (Foto: roda de samba)
Em 1935, através de Almirante e Bide, conseguiu seu primeiro sucesso com Saudade do meu barracão, gravado por Floriano Belham. Ainda nesse ano, o Bando da Lua gravou a marcha Menina que pinta o sete, feita em parceria com Roberto Martins. Seu nome cresceu muito quando apareceram as gravações do samba Saudade dela, em 1936, por Sílvio Caldas e da valsa A você (com Aldo Cabral) e do samba Quanta tristeza (com André Filho), em 1937, por Carlos Galhardo, que se tornaria um dos seus grandes divulgadores. Passou a compor com Bide, Claudionor Cruz, João Bastos Filho e Wilson Batista, com quem venceu os Carnavais de 1940 e 1941, com Ò seu Oscar e O bonde de São Januário.
Em 1938, Orlando Silva, outro grande intérprete de suas músicas, gravou Errei, erramos. Em 1941, fez sua primeira experiência como intérprete, gravando seus sambas Leva meu samba (Mensageiro) e Alegria na casa de pobre (com Abel Neto). Em 1942 a situação financeira difícil e a hesitação dos cantores em gravar sua última composição fizeram com que ele próprio lançasse, para o Carnaval do ano, Ai, que saudades da Amélia; gravado com acompanhamento do grupo Academia do Samba e abertura de Jacó do Bandolim, (Na foto: Ataulfo com suas pastoras e Jamelão) o samba, feito a partir de três quadras apresentadas por Mário Lago para serem musicadas, resultou em grande sucesso popular. Juntos fizeram ainda Atire a primeira pedra, para o Carnaval de 1944, e em 1945 lançaram Capacho e Pra que mais felicidade . Resolvido a continuar interpretando suas músicas, juntou-se a um grupo de cantoras, organizando um conjunto que, por sugestão de Pedro Caetano, foi chamado de Ataulfo Alves e suas Pastoras. Inicialmente formado por Olga, Marilu e Alda, lançaram sucessos como Inimigo do samba (com Jorge de Castro), em 1943; Todo mundo enlouqueceu (com Jorge de Castro), Boêmio sofre mais (com Floriano Belham) e Vá baixar noutro terreiro (com Raul Marques), em 1945; e Infidelidade (com Américo Seixas), em 1947.
Representativas da década de 1950, quando faziam sucesso músicas de fossa e de amores infelizes, são suas composições Fim de comédia e Errei, sim, gravadas por Dalva de Oliveira. Em 1954 participou do show "O Samba nasce no coração", realizado na boate Casablanca, quando lançou o samba Pois é.... O pintor
Pancetti gostou muito da música e, inspirado nela, fez um quadro com o mesmo nome, que ofereceu ao compositor. Compôs então Lagoa serena (com J. Batista), dedicando-a a Pancetti, que, novamente, o homenageou com a tela Lagoa serena. Pois é... foi gravado somente em 1955, pela Sinter, pois o compositor havia sido despedido da Victor. Na nova gravadora lançou em 1956 o "LP Ataulfo Alves e suas pastoras" (Foto:A elegância nos trajes e nos gestos foi uma das características que marcaram a figura de Ataulfo Alves).
Em 1957 fez Vai, mas vai mesmo, samba muito cantado no Carnaval de 1958. Ainda em 1957 compôs o lírico Meus tempos de criança, que, relembrando sua infância e as personagens de sua cidade natal, é um dos mais característicos de seu estilo nostálgico. Convidado por Humberto Teixeira, em 1961 participou de uma caravana de divulgação da música popular brasileira na Europa, para onde levou Mulata assanhada e Na cadência do samba (com Paulo Gesta), que acabara de lançar. Retornou no mesmo ano e fundou a ATA (Ataulfo Alves Edições), tornando-se editor de suas músicas. Por essa época, desligou-se de suas pastoras - na ocasião Nadir, Antonina, Geralda e Geraldina -, passando a se apresentar sozinho, esporadicamente.
(Foto: Ataulfo Alves e suas Pastoras interpretam Você passa e eu acho graça, acompanhados por Jacob do Bandolim).
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Depois de realizar em 1964 uma temporada no Top Club, do Rio de Janeiro, como sentisse piorar a úlcera no duodeno, em 1965 decidiu passar o seu título de General do Samba para seu filho, Ataulfo Alves Júnior. Em 1966 fez nova viagem ao exterior, como representante do Brasil no I Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal.
Em 1967 voltou a aparecer em paradas de sucesso, com inúmeras gravações do samba Laranja madura. Nesse mesmo ano, Roberto Carlos gravou Ai, que saudades da Amélia. Compôs ainda, com Carlos Imperial, os sambas Você passa, eu acho graça, Você não é como as flores e sua última música, Mandinga, concluída pelo parceiro e gravada na Odeon por Clara Nunes. Em decorrência do agravamento da úlcera, morreu após uma intervenção cirúrgica (Foto acima: Com Roberto Carlos).
Algumas letras e cifras:
Obra completa:
A você (c/Aldo Cabral), valsa-canção, 1937; Aconteça o que acontecer (c/Felisberto Martins), samba, 1940; Ago-iê, samba, 1955; Agradeça a sua amiga, samba, 1957; Agradeço a Deus, samba, 1951; Ai. ai, meu Deus (c/Wilson Batista), samba, 1951; Ai, amor, samba, 1957; Ai, Aurora, samba, 1963; Ai, que dor (c/J. Batista), samba, 1951; Ai, que saudades da Amélia (c/Mário Lago), samba, 1942; Ainda sei perdoar, bolero, 1952; Alegria na casa de pobre (c/Abel Neto), samba, 1941; Alma perdida (c/Elpídio Viana), samba, 1944; Amor de outono (c/Artur Vargas Júnior), samba, 1969; Amor é mais amor... depois da separação, samba-canção, 1939; Amor perfeito (c/Wilson Batista), marcha, 1951; Ana (c/Orlando Monelo e Antônio Elias), samba, 1945; Antes só do que mal acompanhado (c/Benedito Lacerda), samba, 1945; Aproveita a mocidade, samba, 1964; Arrasta o pé, moçada (c/Maria Elisa), marcha, 1952; As árvores morrem de pé, samba, 1965; Assunto velho (c/Wilson Falcão), samba, 1940; Até breve (c/Cristóvão de Alencar), samba, 1937; Até ela (c/J. Pereira), marcha, 1938; Até Jesus (c/Wilson Batista), samba, 1952; Atire a primeira pedra (c/Mário Lago), samba, 1944; Atraso de vida, samba, 1948; Balança mas não cai, samba, 1953; Batuca no chão (c/Assis Valente), batucada, 1945; Bem que me dizem, samba, 1958; Boca de fogo (c/J. Batista), marcha, 1949; Boêmio (c/J. Pereira), samba, 1937; Boêmio sofre mais (c/Floriano Belham), samba, 1945; O bonde de São Januário (c/Wilson Batista), samba, 1940; Brado de Alerta, samba, 1955; Cabe na palma da mão (c/Artur Vargas Júnior), samba, 1968; Cadê Dalila, marcha, 1952; Calado venci (c/Herivelto Martins), samba, 1947; Caminhando, samba, 1957; Canção do nosso amor, valsa-romance, 1939; Cansei, samba, 1952; Capacho (c/Mário Lago), samba, 1945; Capital de Noel, samba, 1968; A cara me cai (c/Alberto Jesus), samba, 1953; A carta, samba, 1958; Castelo de Mangueira (c/Roberto Martins), samba, 1956; O castigo que te dei (c/Geraldo Queirós), samba, 1949; O Catete vai passar, samba, 1952; Cheque ao portador (c/J. Barcelos), marcha, 1941; Chorar pra quê? (c/Alcides Gonçalves), samba, 1942; Choro (c/Roberto Martins), samba, 1936; Colombina do amor (c/Alberto Ribeiro), marcha, 1937; Com o pensamento em ti (c/Ari Monteiro), samba, 1952; Como a vida me bate, samba, 1965; Como é seu nome? (c/Marino Quintanilha), samba, 1944; Conceição (c/Ari Monteiro), samba, 1953; Continua (c/Marino Pinto), samba, 1940; O coração não envelhece, samba, 1950; Covardia (c/Mário lago), samba, 1938; Cuidado com essa mulher (c/Antônio Almeida), samba, 1941; De janeiro a janeiro, samba, 1958; De onde veio a Eva? (c/Rogério Nascimento), marcha, 1961; Deixa essa mulher pra lá, samba, 1953; Deixa o toró desabar, samba, 1972; Desaforo eu não carrego, samba, 1962; Desta vez não (c/Alcides Gonçalves), samba, 1943; Devagar, morena, samba, 1958; Dia final, samba, 1964; Diga-me com quem andas, samba, 1965; Dilema (c/Aldo Cabral), samba, 1952; Dinheiro pra festa (c/Marino Quintanilha), samba, 1944; Diz o teu nome (c/José Gonçalves), samba, 1945; Dizem, samba, 1952; Dulcinéia (c/Antônio Almeida), samba, 1946; É hoje (c/Dunga), samba, 1954; É negócio casar (c/Felisberto Martins), samba, 1941; E um quê que a gente tem (c/Torres Homem), samba, 1941; É verdade, samba, 1958; É você (c/Aldo Cabral), valsa, 1937; Ela é boa mas é minha (c/Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior), samba, 1942; Ela não quis, samba, 1944; Ela, sempre ela (c/César Brasil), samba, 1950; Endereço (c/Mário Lago), samba, 1956; Errei (c/Claudionor Cruz), samba, 1939; Errei, erramos, samba, 1938; Errei, sim, samba, 1950; Escravo da saudade, samba, 1944; Está tudo errado (Voltei ao que era), samba, 1949; Eu conheço você (c/Roberto Martins), marcha, 1939; Eu que não quero, samba, 1951; Eu não sabia (c/Jorge de castro), samba, 1943; Eu não sei (c/Sílvio Caldas), samba, 1937; Eu não sei por que é (c/Zé Pretinho), batucada, 1941; Eu não sou daqui (c/Wilson Batista), samba, 1941; Eu sou de Niteróí (c/Wilson Batista), samba, 1941; Eu também sou general, samba, 1950; ExaItação à cor (c/J. Audi), samba, 1953; Fala, mulato (c/Alcibíades Nogueira), samba, 1956; Fala, Pedro, samba, 1946; Falem mal, mas falem de mim (c/Marino Pinto), samba, 1939; Falei demais (c/Claudionor Cruz), samba, 1940; Faz um homem enlouquecer (c/Wilson Batista), samba, 1941; Félix (c/Aldo Cabral), samba, 1950; Fidalgo, choro-canção, 1954; Fim de comédia, samba-canção, 1951; Fogueira do coração (c/Torres Homem), canção, 1945; Foi covardia, samba, 1943; Foi você (c/Roberto Martins), samba, 1937; Gastei tudo num dia (c/Jorge Murad), marcha, 1960; Geme, negro (c/Sinval Silva), samba, 1946; Gente, samba, 1967; Gente bem também samba, samba, 1968; Guarda essa arma (c/Roberto Martins), marcha, 1938; Hei de me vingar (c/Osvaldo Guedes), samba, 1938; Herança do desgosto, samba, 1956; O homem e o cão (c/Artur Vargas Júnior), samba, 1968; Índia do Brasil (c/Aldo Cabral), marcha, 1947; Infidelidade (c/Américo Seixas), samba, 1947; Inimigo do samba (c/Jorge de Castro), samba, 1943; Intriga, samba, s.d.; Irajá, batucada, 1948; Ironia (c/Bide e Mário Nielsen), samba, 1938; Isto é que nós queremos, samba, 1946; Já sei sorrir (c/Claudionor Cruz), samba, 1939; João pouca roupa (c/Arlindo Marques Júnior, Roberto Roberti, Haroldo Lobo e Nássara), marcha, 1942; Jubileu, 1959; Juvenal, samba, 1957; Lá na quebrada do monte (c/Felisberto Martins), valsa, 1941; Lagoa serena (c/J. Batista), samba-canção, 1955; Lar antigo (c/Conde), samba, 1956; Laranja madura, samba, 1967; Larga meu pé, reumatismo, samba, 1972; Laura, samba,1944; Lenço branco, samba, 1967; Leonor (c/Djalma Mafra), samba, 1943; Leva meu samba..., samba, 1941; Lírios do campo (c/Peterpan), samba, 1950; Livro aberto, samba, 1965; Macumbê-macumba, samba, 1965; Madalena (c/Adeilton Alves de Sousa), samba, 1973; Madame Garnizé (c/Américo Seixas), samba, 1950; Mais amor para você, samba, 1962; O mais triste dos mortais, samba, 1956; Mal-agradecida (c/Jardel Noronha), samba, 1941; Mal de raiz (clAmérico Seixas), samba, 1950; Malvada, samba, 1962; Mamãe Eva, marcha, 1966; Mandinga (c/Carlos Imperial), samba, 1971; Maneiroso, choro, 1948; Mania da falecida (c/Wilson Batista), samba-batuque, 1939; Marcha da noiva (c/Aldo Cabral), marcha, 1949; Marcha pro oriente (c/Lamartine Babo), marcha, 1957; Maria da Conceição, samba, 1958; Maria Nazaré (c/José Inácio de Castro), marcha, 1967; Mártir no amor (c/Davi Nasser), samba, 1945; Mas que prazer (c/Felisberto Martins), samba, 1941; Me dá meu chapéu, samba, 1963; Me dá meu paletó (c/José Bispo dos Santos), samba, 1964; Me deixa sambar (c/Nelson Trigueiro), samba, 1943; Me queira agora, samba, 1973; Menina que pinta o sete (c/Roberto Martins), marcha, 1935; Mensageiro da dor, samba, 1960; Mensageiro da saudade (c/J. Batista), samba-canção, 1950; Mentira do povo (c/Elpídio Viana), samba, 1951; Mentira pura, samba, 1956; Mentira só, samba, 1964; Meu drama (c/Wilson Batista), samba, 1951; Meu lamento (c/Jacó do Bandolim), samba, 1956; Meu papel (c/Osvaldo França), samba, 1945; Meu pranto ninguém vê (c/José Gonçalves), samba, 1938; Meu protetor (c/Odilon Noronha), batucada, 1944; Meus tempos de criança, samba, 1957; Mil corações (c/Jorge Faraj), valsa, 1938; Minha infância, samba, 1965; Minha mãezinha, samba, 1957; Minha sombra (c/Davi Nasser), valsa, 1940; Minhas lágrimas (c/Conde), samba, 1953; Miraí, marcha, 1962; Morena faceira, samba, 1937; Um motivo, samba, 1947; Mulata assanhada, samba, 1956; Mulher do seu Oscar (c/Wilson Batista), samba, 1940; A mulher dos sonhos meus (c/Orlando Monello), samba, 1941; A mulher fez o homem (c/Roberto Martins), samba, 1941; Mulher fingida (c/Bide), samba, 1937; Mulher, toma juízo (c/Roberto Cunha), samba, 1938; O mundo está errado, samba, 1965; Na cadência do samba (c/Paulo Gesta), samba, 1961; Na ginga do samba, samba, 1964; Na hora da partida (c/Alberto Montalvão), samba, 1946; Não amou, não sofreu, não viveu (c/Luís Bandeira), samba, 1973; Não irei lhe buscar, samba, 1944; Não mando em mim (c/Bide), samba, 1938; Não posso acreditar, samba, 1973; Não posso crer, samba, 1936; Não posso resistir, samba, 1935; Não quero opinião de mulher (c/Newton Teixeira), samba, 1942; Não sei dar adeus (c/Wilson Batista), samba, 1939; Não tenho pressa, samba, 1963; Não vai, Zezé, batucada, 1940; Não volto mais (c/Bide), samba, 1936; Nego, tá se acabando (c/Vítor Bacelar), samba-maracatu, 1946; O negro e o café (c/Orestes Barbosa), samba 1945; Nem que chova canivete, samba, 1968; Nessa rua (c/J. Pereira), marcha, 1937; No apartamento discreto (c/Arlindo Marques Júnior), valsa, 1937; No meu sertão, samba-canção, 1937; Nós das Américas, samba, 1942; Noutros tempos era eu, samba, 1943; Nunca mais, samba, 1964; O que é que eu vou dizer em casa? (c/Miguel Gustavo), samba, 1948; O que que há?, samba, 1962; O ódio não destrói o ódio, samba, 1962; Oh!, seu Oscar (Wilson Batista), samba, 1941; Olha a saúde, rapaz (c/Roberto Roberti), samba, 1945; Ordem do rei, samba, 1960; Pago pra ver, batucada, 1972; Pai Joaquim da Angola, batuque, 1955; Palavra do rei, samba, 1956; Papai não vai (c/Wilson Batista), samba, 1942; Papai Noel (clBide), marcha, 1935; O pavio da verdade (c/Américo Seixas), samba, 1949; A pedida é essa, samba, 1961; Pela luz divina (c/Mário Travassos), samba, 1945; Pelo amor de Deus (c/Luís de França), samba, 1964; Pelo amor que eu tenho a ela (c/Antônio Almeida), samba, 1936; Perdi a confiança (c/Rubens Soares), samba, 1937; Pico a mula (c/José Batista), marcha, 1949; Pois é..., samba, 1955; Por amor ao meu amor, samba, 1937; Positivamente não (c/Marino Pinto), samba, 1940; Pra esquecer uma mulher (c/Claudionor Cruz), samba, 1940; Pra que mais felicidade (c/Mário Lago), samba, 1945; O prazer é todo meu (c/Claudionor Cruz), samba-canção, 1937; Primeiro de maio, marcha, 1962; Primeiro nós (c/Peterpan), batucada, 1941; Protesto, samba, 1965; Quando dei adeus (c/Wilson Batista), samba, 1941; Quando eu morrer, samba, 1958; Quanta tristeza (c/André Filho), samba-canção, 1937; Quantos projetos (c/Antônio Domingues), samba, 1961; Quem bate? (c/Max Bulhões), samba, 1937; Quem é que não sente? (c/Afonso Teixeira), samba, 1950; Quem é você (c/Dunga), samba, 1940; Quem mandou laiá (c/Roberto Martins), samba de partido-alto, 1942; Quem mandou você errar (c/Augusto Garcez), samba, 1940; Quem me deve me paga, samba-batucada, 1956; Quem não quer sou eu (c/Edvaldo Vieira), samba, 1963; Quem quiser que se aborreça, samba, 1962; Quero o meu pandeiro (c/Mário Lago), samba, 1944; Quinta raça (c/Antônio Domingues), marcha, 1967; Rabo de saia (c/Jorge de Castro), samba, 1955; Rainha da beleza (c/Jorge Faraj), samba, 1937; Rainha do mar, samba, 1958; Rainha do samba, samba, 1955; Receita (c/João Bastos Filho), samba, 1939; Rei vagabundo (c/Roberto Martins), samba, 1936; Reminiscências, samba, 1939; Represália, samba, 1942; Requebrado da mulata, samba, 1968; Um retrato de Minas, samba, 1957; Retrato do Rio, samba, 1965; Réu confesso, samba, 1954; Rio, cidade bendita (c/Francisco Caldas), marcha, 1965; Sai do meu caminho, samba, 1956; Salve a Bahia (c/Nelson Trigueiro), samba, 1943; Salve ela (c/Alberto Ribeiro), samba-batucada, 1937; Samba, Brasil (c/Aldo Cabral), samba, 1950; Samba de Bangu, 1957; Samba em Brasília, 1957; Sambou de pé no chão (c/Augusto Garcez), 1951; Santos Dumont (c/Aldo Cabral), marcha, 1957; Saudade da saudade, samba, 1958; Saudade dela, samba, 1936; Saudades da mulata, samba, 1952; Saudades do meu barracão, samba-canção, 1935; Se a saudade me apertar (c/Jorge de Castro), samba, 1955; Se eu fosse pintor, (c/Wilson Batista), samba, 1965; Sei que é covardia mas... (c/Claudionor Cruz), samba, 1939; Semeia mas não cresce, samba, 1960; Será... (c/Wilson Batista), samba, 1939; Seresta, samba, 1960; Sexta-feira, samba, 1933; Sim, foi ela (Darci de Oliveira), samba, 1942; Sim, sou eu, samba, 1940; Sim, voltei, samba, 1957; Sinhá Maria Rosa (c/Roberto Martins), toada-cateretê, 1935; Sinto-me bem, samba, 1941; Só me falta uma mulher (c/Felisberto Martins), samba, 1942; Solidão (c/Aldo Cabral), choro, 1953; Solitário, choro-canção, 1946; Sonhei com ela, samba, 1947; Sonho, samba, 1933; Talento não tem idade, samba, 1958; Tempo perdido, samba, 1934; Tenho prazer, samba, 1936; Terra boa (c/Wilson Batista), samba, 1942; O teu pranto é mentira, samba, 1965; Teus olhos (c/Roberto Martins), samba-choro, 1939; Tô ficando velho, marcha, 1960; Todo mundo enlouqueceu (c/Jorge de Castro), samba, 1945; Trovador não tem data (c/Wilson Falcão), marcha, 1939; Tu és esta canção, valsa-canção, 1940; Vá baixar noutro terreiro (c/Raul Marques), samba, 1945; Vai levando (c/José Batista), samba-batucada, 1953; Vai, Madalena, samba, 1972; Vai, mas vai mesmo, samba, 1958; Vai na paz de Deus (c/Antônio Domingues), samba, 1953; Vassalo do samba, samba, 1967; Velha Guarda, marcha, 1968; Vem amor (c/Raul Longras), samba, 1939; O vento que venta lá, batucada, 1957; Vestiu saia fá pra mim (c/José Batista), samba, 1953; Vida da minha vida, samba, 1949; Você é o meu xodó (c/Wilson Batista), samba, 1942; Você me deixou (c/Arnaldo Vieira Marçal), samba, 1939; Você não é como as flores (c/Carlos Imperial), samba, 1971; Você não nasceu pra titia, samba, 1964; Você não quer, nem eu, samba, 1955; Você não sabe, amor (c/Bide), samba, 1936; Você não tem palavra (c/Newton Teixeira), samba, 1941; Você nasceu pro mal, samba, 1960; Você passa e eu acho graça (c/Carlos Imperial ), samba, 1971; Vou buscar minha Maria (c/Claudionor Cruz), marcha, 1939; Vou tirar meu pé do lodo (c/Conde), batucada, 1953; Zé da Zilda, samba, 1955.
Fontes: MPB Compositores - Ed. Globo; Enciclopédia da Música Brasileira - PubliFolha.
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Luís Americano

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Luís Americano (Luís Americano Rego), instrumentista e compositor, nasceu em Aracaju SE, em 27/2/1900, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 29/3/1960. Começou os estudos de clarineta aos 13 anos com o pai, Jorge Americano, mestre-de-banda em Aracaju. Ingressando no Exército, tornou-se músico do 20º Batalhão de Caçadores, sediado em Maceió AL. Transferido em 1921 para o Rio de Janeiro para servir no 3º Regimento de Infantaria, deu baixa no ano seguinte.
Já dominando o sax-alto e a clarineta, passou a atuar como músico profissional. Integrou diversas orquestras, entre as quais as de Justo Nieto, Raul Lipoff, Simon Bountman e Romeu Silva. No início da década de 1920 participou com destaque de gravações realizadas na Odeon, ainda pelo processo mecânico: Coração que bate, bate..., maxixe (Freire Júnior), gravado em 1922, traz no selo seu nome e do Grupo de Donga.
Em 1928 viajou para a Argentina, levado pelo norte-americano Gordon Stretton, baterista e chefe de orquestra, com quem trabalhou três meses. Integrou em seguida a orquestra do argentino Adolfo Carabelli, regressando em 1930 ao Rio de Janeiro, onde formou o conjunto de danças American Jazz, que gravou na Victor.
Em 1932 passou a integrar o Grupo da Guarda Velha e a partir do mesmo ano foi relançado pela Odeon, revelando-se nessa nova fase como grande compositor e um dos maiores clarinetistas brasileiros. São dessa época os lançamentos de É do que há, choro, e Lágrimas de virgem, valsa, ambos de sua autoria.
Em agosto de 1940 fez parte do grupo de músicos e compositores brasileiros escolhidos por Pixinguinha, a pedido do maestro Villa-Lobos, para realizarem gravações para o maestro Leopold Stokowski (1882—1976), que visitava o Brasil.
Além de atuar por muitos anos no teatro musicado e em dancings, participou como músico de estúdio das orquestras da Rádio Mayrink Veiga — de fins da década de 1930 ate 1950 — e da Rádio Nacional, de 1950 até a morte.
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Ivon Curi

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Ivon Curi

Ivon Curi (Ivon José Curi), cantor e compositor, nasceu em Caxambu MG, em 5/6/1928 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 24/6/1995. Irmão de locutores da Rádio Nacional Alberto e Jorge Curi —, começou a cantar, por volta de 1944, sambas-canções e cançonetas francesas em festas e shows, depois na rádio da sua cidade.
No Rio de Janeiro, teve sua primeira oportunidade através de Caribé da Rocha, que o contratou como crooner da Orquestra Zacarias, do Copacabana Palace Hotel, onde entrou em contato com os maiores astros da época. Era então muito influenciado pelo cantor francês Jean Sablon, criador do sucesso J’attendrais.
Em 1947 conseguiu seu primeiro contrato com a Rádio Nacional, para apresentar-se como convidado nos programas de Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira e Ângela Maria. Transferiu-se em seguida para a Rádio Tupi.
Em 1949 gravou em dupla com Carmélia Alves, pela Continental, o baião Me leva (Hervé Cordovil e Rochinha). Em 1950 participou do filme Aviso aos navegantes, de Watson Macedo, e no ano seguinte apareceu em Ai vem o barão, do mesmo diretor, atuando ainda em 1952 em Barnabé, tu és meu, de José Carlos Burle. Gravou seu primeiro disco na Continental, com as músicas La vie en rose e Nature boy (Eden Abhez), seguindo-se C’est si bon (Charles Trenet), Obrigado (sua autoria), Ta fartando coisa em mim (com Humberto Teixeira), 1950, Humanidade (sua autoria), Margarida (Humberto Teixeira e Copinha), 1952, e Orquídeas ao luar (Gus Khan, Vincent Youmans e Eliscu, versão de Cristóvão de Alencar), 1952. Nessa época modificou seu estilo, passando a fazer mímicas e piadas, tornando-se cançonetista, com repertório nordestino.
Em 1953 lançou, pela Victor, Amor de hoje (Ari Monteiro e Bruno Marnet), música que havia interpretado no filme É fogo na roupa (Watson Macedo, 1952). Gravou Baião das velhas cantigas (Jair Amorim), Caxambu (Zé Dantas e David Nasser), Farinhada (Zé Dantas) e o O xote das meninas (Zé Dantas e Luiz Gonzaga), além da valsa de sua autoria João Bobo e da canção israelita Beija- flor (versão de Caribé da Rocha).
Depois de excursionar pelo Brasil, fez tournée pela Europa em 1956-1957, apresentando-se em Portugal, onde adotou pela primeira vez o estilo one-man-show e foi considerado o melhor intérprete de música brasileira. Em 1961 casou com lvone.
Com o aparecimento da Jovem Guarda, afastou-se temporariamente da vida artística, reaparecendo em 1971 com o show Ivon Curi em todos os tempos, no Teatro Casa Grande, onde se apresentou como show-man e fez uma retrospectiva de sua carreira, lançando então o LP de mesmo nome. Seus maiores sucessos foram João Bobo, Tá fartando coisa em mim, Retrato de Maria (sua autoria), Farinhada, Escuta (sua autoria), Casar é bom (com Meira Guimarães), Amor naquela base (Moura Júnior e Zé Araújo) e Me leva.
Em 1977, a gravadora Continental lançou o LP Ivon Curi, volume 26 da serie Ídolos MPB. Em 1984 voltou a vida artística, festejando 40 anos de carreira, em 1987, com o disco Ivon Curi ontem e hoje. Em 1993, além de ter comandado o programa Show da Manchete, estreou o espetáculo A França e quinze saudades, em que interpretou canções francesas e que deu origem ao disco Douce France, seu último trabalho solo. Sua última gravação foi a faixa Forró do beliscão (Ari Monteiro, João do Vale e Leoncio), incluida, no início de 1995, no disco João Batista do Vale (BMG), tributo ao compositor João do Vale.
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Louro

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Louro (Lourival Inácio de Carvalho), instrumentista e compositor, nasceu em Niterói RJ, em 22/4/1894, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 17/6/1956. Residindo no Barreto, em Niterói, revelou desde cedo interesse pela música. Pelos oito anos, com caixa-de-fósforos, improvisou um precário instrumento de sopro, executando os sucessos da época. Pouco depois, os pais arranjaram-lhe um emprego na fábrica de tecidos local, a Companhia Manufatora Fluminense.
Ali o garoto, conhecido por Louro, devido ao alourado dos cabelos, entrou para a banda da fábrica, chamada Centro Musical Fluminense, onde começou a estudar música. Em pouco tempo aprendeu a tocar clarineta, passando a apresentar-se com a banda em coretos ou festas públicas, sendo sua música de estréia o dobrado Coronel Barbedo. Progredindo rapidamente em seus conhecimentos musicais, logo que deixou a banda foi procurado por um senhor de Rio Bonito RJ, que lhe ofereceu o posto de regente da banda Euterpe Rio-Bonitense. Reorganizando-a, com pouco mais de 16 anos regia 70 músicos profissionais, tendo ocupado o posto até que uma desavença com o tocador de pratos o levou a abandoná-la.
Retornou a Niterói, onde logo recebeu convite para ser mestre da banda do Grupo Vinte e Um de Abril, de Capivari, perto de Campos RJ. Datam dessa época suas variações sobre o tema popular do Urubu malandro, que ficariam famosas. Deixando a banda mais tarde, passou a atuar em festas e bailes no Rio de Janeiro e Niteroi, além de cinemas e circos, acabando por se tornar popular.
Em 1913, resolveu gravar discos (conhecidos como “chapas”) para gramofone. Dirigiu-se a Casa Edison com sua clarineta e ofereceu-se para uma gravação, o que começou a fazer com a ajuda de Chiquinha Gonzaga. Formou o Grupo do Louro para acompanhá-lo, e suas gravações do Urubu malandro e de Moleque vagabundo, esta de sua autoria, fizeram grande sucesso no Rio de Janeiro.
Em 1919 apresentou-se com seu grupo musical no Teatro João Caetano, durante as representações de A juriti (Viriato e Chiquinha Gonzaga) e As pastorinhas (Abadie Faria Rosa e Paulino Sacramento). Dois anos depois, tocavam na sala de espera do Teatro Carlos Gomes executando os sucessos da época.
Freqüentando todos os anos as festas da Penha realizadas sempre no mês de outubro, em 1925 ali encontrou outro clarinetista famoso, o Alfredinho. Estabeleceram uma disputa, e, para demonstrar o fôlego, tocou sua composiçao Choro do galo subindo e descendo os 365 degraus da escadaria, sem interromper a música.
Dois anos mais tarde resolveu ir à Europa, reunindo dois cavaquinhos, dois violões, um pandeiro e um ganzá. Depois de tocar na Bahia e em Pernambuco, apresentou-se em Portugal, atuando no Teatro Olímpia, de Lisboa. Retornando ao Brasil, em 1931, gravou na Victor seu choro Osvaldina, e, tocando sax-alto e clarineta, integrou várias orquestras.
A 9 de Janeiro de 1945 o cantor e radialista Almirante realizou na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, um programa sobre o artista e seu grupo, contando sua vida e relembrando seus sucessos na série A Historia das Orquestras e Músicos do Rio, dirigida pelo proprio Almirante.
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Marlene

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Marlene (Vitória Bonaiutti De Martino), cantora, nasceu em São Paulo-SP, em 18/11/1924. Dos quatro aos 17 anos foi interna no Colégio Batista Brasileiro, em São Paulo. Começou a cantar, ainda como amadora, em 1941, no programa Hora do Estudante, na Rádio Bandeirantes.
Estreou como profissional no ano seguinte, na Rádio Tupi, adotando o nome artístico de Marlene, escolhido pelos estudantes e inspirado em Marlene Dietrich, que estava em evidência na época. Em 1943 mudou-se para o Rio de Janeiro, conseguindo logo um lugar no Cassino Icaraí, de Niterói RJ, por dois meses passando a seguir para o Cassino da Urca, onde trabalhou até o seu fechamento, em abril de 1946.
Nesse ano, foi contratada pelo Rádio Mayrink Veiga e gravou o primeiro disco, pela Odeon, com o acompanhamento da orquestra Brazilian Serenaders, cantando o samba-choro Swing no morro (Felisberto Martins e Amado Régis) e o samba Ginga, ginga, morena (João de Deus e Hélio Nascimento). Passou para a Rádio Globo, no ano seguinte, , atuando também na boate carioca Casablanca, como cantora de um conjunto formado por Benê Nunes (piano), Abel Ferreira (clarineta), Vidal (contrabaixo), Meneses (guitarra), Chevalier (pandeiro), Carequinha (bateria) e Chuca-chuca (vibrafone).
Gravou para o Carnaval de 1947, na etiqueta Odeon, a marcha Coitadinho do papai (Henrique de Almeida e M. Garcez), com os Vocalistas Tropicais, e o samba Um ano depois (Valdomiro Pereira e Valentina Biosca).
Em 1948 assinou contrato com a Rádio Nacional, passando a participar dos programas de auditório de César de Alencar, e foi também contratada pela boate do Copacabana Palace Hotel. Gravou, nesse mesmo ano, pela Continental, disco que fez muito sucesso, com os choros Toca, Pedroca (Pedroca e Mário Morais) e Casadinhos (Luís Bittencourt e Tuiú), este último cantado em dueto com César de Alencar.
Em 1949 veio a consagração: depois de gravar, pela Star (atual Copacabana), a guaracha Candonga (Felisberto Martins e Fernando Martins) e o jongo Conceição da praia (Aldemar Brandão e Dilu Melo), foi eleita Rainha do Rádio, título que manteve no concurso seguinte, em 1951 (o concurso não foi realizado em 1950), quebrando assim o ciclo de vitórias das irmãs Linda e Dircinha Batista. Por essa época, surgem os fã-clubes, suas disputas com Emilinha Borba, estimuladas e promovidas pela imprensa e a própria Rádio Nacional passa a explorar a rivalidade entre as duas, transformando Emilinha em cantora exclusiva do Programa César de Alencar e transferindo Marlene para o programa de Manuel Barcelos.
Em setembro do mesmo ano gravou, com Os Cariocas, pela Continental, os baiões Macapá e Qui nem jiló (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga), dois de seus grandes êxitos. Junto com Emilinha, gravou no final do ano, para o carnaval de 1950, o samba Já vi tudo (Peterpan e Amadeu Veloso) e a marcha Casca de arroz (Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti). O disco foi um sucesso e as duas voltaram a se reunir no início de 1950, gravando para o carnaval a marcha A bandinha do Irajá (Murilo Caldas).
Outros sucessos seus em 1950 foram o choro Dona Vera tricotando (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga); o maxixe Nego, meu amor (José Maria de Abreu e Luiz Peixoto), este em dueto com Ivon Curi; Casamento de Rosa (Luiz Gonzaga e Zé Dantas); o maracatu Cabrinda Briante (Fernando Lobo e Evaldo Rui); o choro Esposa modelo (José Maria de Abreu e Carlos Barros de Sousa) e a polca Tome polca (José Maria de Abreu e Luiz Peixoto).
No Carnaval de 1951, destacou-se com o samba Sapato de pobre (Luís Antônio e Jota Júnior), e, depois de gravar mais de 13 músicas em 1951, lançou no ano seguinte um dos seus grandes êxitos, o samba Lata d'água (Luís Antônio e Jota Júnior). Gravando também a marcha Eva (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) transformou-se numa das cantoras mais populares em todo o Brasil. Nesse período fez sucesso também no cinema, onde havia estreado em 1944, em Corações sem piloto, de Luis de Barros, seguido de Pif-paf, de Ademar Gonzaga e Luís de Barros, em 1945; Caídos do céu, de Luís de Barros, em 1946; Esta é fina, de Luís de Barros e Moacir Fenelon, em 1947; e Tudo azul, de Moacir Fenelon, em 1952. Durante as filmagens do último, conheceu o ator Luís Delfino, com quem casou, passando a dedicar-se, em seguida, ao teatro: estreou na peça Depois do casamento, em 1952. No ano seguinte, recebeu do jornal carioca O Diário da Noite diploma de Maior Figura do Rádio Brasileiro, e gravou mais alguns sucessos: Tenho um negócio para te contar (Silvino Neto) e a versão de Jambalaya (Hank Williams).
Como pretendia seguir carreira teatral, começou a estudar balé, em 1954, e no mesmo ano se apresentou em Angelina e o dentista. Gravou ainda em 1954 mais dez musicas, pela Continental, entre elas Toma jeito, João (Luís Bandeira) É sempre o papai (Miguel Gustavo) e Mora na filosofia (Monsueto e Arnaldo Passos).
Atuou em outra peça em 1955 — Maya — e em seguida reduziu sua atividade artística até afastar-se totalmente, entre 1965 e 1968, reaparecendo nesse ano, a convite de Paulo Afonso Grisolli e Sidney Miller, como estrela de Carnavália, antologia de músicas de Carnaval, com texto de Eneida e participação de Blecaute e Nuno Roland, no Teatro Casa Grande, do Rio de Janeiro.
Em 1970, Hermínio Belo de Carvalho chamou-a para fazer o show É a maior, em que interpretava autores da época (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento) Outras apresentações em teatro foram: Alice no pais do Divino maravilhoso, com Sidney MilIer, Sueli Costa, Marcos Flaksmann, Paulo Afonso Grisolli, Tite de Lemos e Luís Carlos Maciel, em 1969, no Teatro Casa Grande; Marlene ole, olá, dirigida por Haroldo Costa, em 1972, no Teatro Glória; O botequim, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigido por Antônio Pedro, em 1973, no Teatro Princesa Isabel; e Te pego pela palavra, em 1974, show levado, a princípio, na boate Number One, e depois no Teatro João Caetano.
Em 1977 saiu, pela Polygram, o LP Antologia da marchinha. Atuando na carreira com menos freqüência, participou em 1996 do show em homenagem aos 90 anos de João de Barro, apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.
Em 1997, depois de 20 anos, voltou aos estúdios para gravar um CD com músicas de Chico Buarque, João Bosco e outros, e uma inédita, Estrela da vida, que compôs em parceria com Paulo Baiano, o produtor do disco. CD: Marlene, meu bem, 1996, Revivendo RVCD-107

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Odete Amaral

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Odete Amaral, cantora, nasceu em Niterói RJ, em 28/4/1917 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 11/10/1984. Filha caçula de um lavrador, em 1918 a família transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde o pai se tornou chofer de caminhão. Ela começou a trabalhar como bordadeira, estudando a noite no Colégio Uruguai.
Aos 16 anos, fez um teste na Rádio Guanabara, interpretando Minha embaixada chegou (Assis Valente), e foi convidada pelo diretor da emissora, Alberto Manes, para apresentar-se no programa Suburbano, levado ao ar aos domingos. Por intermédio de Almirante, que a conhecera na Rádio Guanabara, apresentou-se na Rádio Clube do Brasil, Radio Philips, Rádio Sociedade e numa revista musical no Teatro João Caetano.
Ainda em 1933, gravou de Ary Barroso, a seu pedido, Foi de madrugada e Colibri, começando a aparecer no coro de diversos discos, o que faria até a década de 1960, em gravações de Carlos Galhardo, Sílvio Caldas, Francisco Alves, Carmen Miranda, Almirante, Dircinha Batista, entre outros.
Em 1935 apresentou-se na inauguração do Cassino Atlantico e na Rádio Ipanema. Levada por Casar Ladeira, que a batizara de A Voz Tropical, em 1936 assinou seu primeiro contrato, na Rádio Mayrink Veiga. Transferiu-se para a Rádio Nacional em 1937 e, no ano seguinte, casou com o cantor Ciro Monteiro, de quem se separou em 1949.
Em 1939, no mesmo ano em que se mudou para São Paulo SP, contratada pela Rádio Cultura, participou do filme da Cinédia O samba da vida, de Luís de Barros. Retornou ao Rio de Janeiro em fins de 1941, quando assinou novo contrato com a Rádio Mayrink Veiga, onde permaneceu ate 1947. Seu maior sucesso, o choro Murmurando (Fon-Fon e Mário Rossi), foi lançado em 1945.
Atuou na Rádio Mundial de 1947 a 1951, ano em que, contratada pela Rádio Tupi, se apresentou no programa matutino O Rio se Diverte e, à noite, no Rádio Seqüência G-3. Contratada pela Odeon em 1954, gravou para o Carnaval os sambas Vem, amor (Chocolate e Jorge de Castro) e Nasci para sofrer (Chocolate e Oldemar Magalhães). Ainda nesse ano lançou o samba canção Quando eu falo com você (Mário Rossi e Gadé); o choro Girassol (Mário Rossi); o ritmo afro Pai Benedito e Iemanjá (Henrique Gonçalves); o samba-canção Divina visão (Vargas Júnior); e Cruz para dois (Chocolate e Jorge de Castro), além da regravação do samba- canção Carteiro (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins).
Uma das cantoras populares brasileiras de voz mais pessoal e afinada, não sem motivo foi chamada a atuar em inúmeros coros de gravação para outros cantores. CD: Jornal de ontem (c/Orlando Silva), 1994, Revivendo RVCD-072.
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