terça-feira, 22 de maio de 2007

Dalva de Oliveira

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Dalva de Oliveira (Vicentina de Paula Oliveira), cantora, nasceu em Rio Claro-SP, em 5/5/1917, e faleceu no Rio de Janeiro-RJ, em 31/8/1972. Filha do carpinteiro, saxofonista e clarinetista Mário Oliveira, desde pequena acompanhava o conjunto amador do pai, os Oito Batutas, nas serenatas e festas de clubes em que se apresentava. Aos oito anos, quando ele morreu, foi mandada com as três irmãs para um orfanato, o Colégio Tamandaré, onde aprendeu piano, órgão e canto coral.
Três anos depois, largou os estudos, por causa de uma doença nos olhos. Foi para São Paulo, onde a mãe já trabalhava como governanta, e empregou-se como babá, arrumadeira, ajudante de cozinheira e, mais tarde, cozinheira do Hotel Metrópole. Em seguida, passou a fazer limpeza numa escola de dança, em que, após o serviço, costumava cantar e improvisar músicas ao piano. Ouvida por um dos professores, foi convidada para participar de uma tournee com o grupo de Antônio Zovetti.
Em 1933, acompanhada da mãe, viajou por várias cidades do interior e chegou a Belo Horizonte, mas Zovetti adoeceu e o grupo se desfez. Sem dinheiro, fez um teste na Rádio Mineira e, aprovada, passou a cantar com o nome de Dalva de Oliveira. No ano seguinte, foi para o Rio de Janeiro e empregou-se como costureira numa fábrica de chinelos, da qual Mílton Guita (Milonguita) — um dos diretores da Rádio Ipanema (hoje Mauá) — era um dos proprietários. Milonguita levou-a para fazer um teste em sua rádio, sendo aprovada.
Mudou-se depois para a Rádio Sociedade e Rádio Cruzeiro do Sul (nesta cantando ao lado de Noel Rosa e, finalmente, para a Rádio Philips. Entre o trabalho em uma e outra emissora, fez temporada popular na Casa de Caboclo, do Teatro Fenix, com Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Ema d’Avila e Antônio Marzullo, atuando como atriz. Ainda no Teatro Fênix, apresentou-se como cantora e atriz de pequenas cenas cômicas entre os números.
Em 1936 conheceu Herivelto Martins, da Companhia Pascoal Segreto, que então atuava no Cine Pátria. Juntou-se a Dupla Preto e Branco, formada por Herivelto Martins e Nilo Chagas, formando um trio que foi batizado por César Ladeira como Trio de Ouro. Foram contratados pela Radio Mayrink Veiga e gravaram em 1937, na Victor, as músicas Itaguari e Ceci e Peri (ambas de Príncipe Pretinho). Casou-se com Herivelto, com quem teve dois filhos: o cantor Peri Ribeiro e Ubiratã.
Em 1938 foram para a Rádio Tupi e, dois anos depois, para a Rádio Clube. Gravou com Francisco Alves, na Columbia, o samba Brasil (Benedito Lacerda e Aldo Cabral) e Valsa da despedida (Robert Burns). A partir dessa data, exibiram-se no Cassino da Urca, ao lado de Grande Otelo e outros artistas, até o encerramento das atividades dessa casa sob o governo Dutra, em 1946.
Com o Trio de Ouro, gravou dois grandes sucessos, os sambas: Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo), na Columbia, em 1942, e Ave Maria do morro (Herivelto Martins), na Odeon, em 1943. No ano seguinte participou do filme Berlim na butucada, dirigido por Luís de Barros, e, dois anos depois, em Caídos do céu, do mesmo diretor.
Gravou na Continental em 1945, com Carlos Galhardo e Os Trovadores, a adaptação de João de Barro para a história infantil Branca de Neve e os sete anões, em dois discos, com músicas de Radamés Gnattali. Em 1947 conseguiu Outro grande êxito com o samba-canção Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto), gravado na Odeon. Em 1949 deixou o trio, quando excursionavam pela Venezuela com a Companhia de Derci Gonçalves.
Em 1951 retomou a carreira solo, lançando os sambas Tudo acabado (J. Piedade e Osvaldo Martins) e Olhos verdes (Vicente Paiva) e o samba-canção Ave Maria (Vicente Paiva e Jaime Redondo), sendo os dois últimos grandes sucessos da cantora. No ano seguinte foi eleita Rainha do Rádio, e excursionou pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires, na qual conheceu Tito Clemente, que se tornou seu empresário e depois marido. Ainda em 1951, filmou Maria da praia, dirigido por Paulo Wanderley, e Milagre de amor, dirigido por Moacir Fenelon.
Em 1952 realizou temporada com Walter Pinto, no Teatro Santana, em São Paulo, e participou do filme Tudo azul, dirigido por Moacir Fenelon. Viajou para a Europa, tendo-se apresentado em Portugal e Espanha e gravado vários discos com Roberto Inglês, em Londres (Inglaterra), destacando-se entre as faixas o baião Kalu (Humberto Teixeira).
Fixou residência na Argentina, vindo ao Rio de Janeiro e São Paulo para curtas temporadas, até 1963, quando então regressou ao Brasil. Separada de Tito Clemente, casou-se com Manuel Nuno Carpinteiro. Em 1965 sofreu acidente automobilístico, e foi obrigada a abandonar a carreira por algum tempo.
Em 1970 lançou a marcha-rancho Bandeira branca (Max Nunes e Laércio Alves), que fez sucesso no Carnaval. No ano seguinte, apresentou-se no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro. No fim da carreira, novamente em evidência, apresentou-se em televisão, shows e casas noturnas.
Em 1997, Roberto Menescal produziu o álbum Tributo a Dalva de Oliveira, reunindo nomes como Elba Ramalho, Sidney Magal, Joanna, Caubi Peixoto, Lucho Gatica e Eduardo Dusek. No mesmo ano, foi lançado pela EMI o álbum A rainha da voz, com quatro CDs, contendo as suas gravações consideradas mais expressivas, num total de 80 músicas. Ver TRIO DE OURO. CDs Dalva de Oliveira: Saudade..., 1993, Revivendo RVCD 050; A rainha da voz (4 CDs), 1997, EMI 854933-2.

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Januário de Oliveira

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Januário de Oliveira (Januário de Oliveira Chirico), cantor e humorista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 24/3/1902, e faleceu em São Paulo SP, em 22/2/1963. Carioca do Catumbi, seu primeiro emprego foi como caixeiro. Depois alfaiate, fazia serestas e brilhava nas festas do Clube Ginástico Português antes de estrear na Rádio Sociedade.
Sinhô tirou-o da Rádio Clube do Brasil, em 1929, para um espetáculo no Teatro Municipal de São Paulo, promovido pelo Clube de Antropofagia em apoio a candidatura de Júlio Prestes à presidência. Gravou então em São Paulo seus primeiros discos na Columbia, com Chequerê, Nossa Senhora do Brasil (homenagem a Tarsila do Amaral), Minha branca e Como se gosta, todas de Sinhô, de quem gravaria 13 composições. Resolveu ficar em São Paulo e Sinhô conseguiu que cantasse na Radio Educadora Paulista (hoje Gazeta). Tornou-se um dos principais artistas da Columbia e gravou 80 músicas numa primeira fase.
Em 1930 fez sucesso com Dança de caboclo e Engenho novo, de Hekel Tavares, Cauã, valsa de Sinhô, e Quebra, quebra gabiroba, marcha carnavalesca de Plínio Brito. No final de 1931, foi para a modesta gravadora Arte-Fone e atuou na Rádio Record. César Ladeira apelidou-o então de A Voz de Veludo.
Em 1933 passou para a RCA Victor e, no ano seguinte, fez sucesso com a valsa Meu destino (José Maria de Abreu e Carlos Rego Barros de Sousa). Nesse ano, começou a cantar na nova Rádio Difusora, de São Paulo, e a atuar no Programa da Saudade, criado em 1935, que se constituiu no mais ouvido do rádio paulista. Em 1935 cantou e fez o papel de galã no filme Fazendo fita, de Vitorio Capelaro, e participou da inauguração da Radio Farroupilha, de Porto Alegre RS, com grande sucesso.
No Carnaval de 1936, em dueto com Arnaldo Pescuma, destacou-se com Mulatinha da caserna (Martinez Grau e Ariovaldo Pires) e Paulistinha querida (Ary Barroso), primeiro e segundo prêmios na categoria de marcha do concurso da Prefeitura de São Paulo. Em 1936 voltou à Columbia e obteve dois sucessos num mesmo disco: Saudades da minha terra (Décio Pacheco da Silveira), valsa, e Alma de violeiro (Décio Pacheco da Silveira e J. Meio Macedo), toada.
Sua discografia, de 1929 a 1938, totaliza 64 discos com 113 músicas. Ao deixar a Rádio Difusora, excursionou pelo Sul com o cantor italiano Carlo Butti e acabou ficando por dois anos na Rádio Farroupilha. Voltou em 1938 para São Paulo e resolveu explorar seu talento humorístico. Passou a ser grande atração em cassinos, teatros e boates de todo o Brasil, ficando conhecido como o Humorista das Quatro Vozes. Fez imitações de Nelson Eddy, Marta Eggerth, Jean Sablon e principalmente Carmen Miranda. Interrompeu sua carreira em 1949, tornando-se empresário de artistas.
CDs: Carnaval vol. 4, 1991, Revivendo RVCD 022; Carnaval vol. 9, 1993, Revivendo RVCD 034; Valsas brasileiras vol. 1, 1993, Revivendo RVCD 048.

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domingo, 20 de maio de 2007

João Petra de Barros

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João Petra de Barros, cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 23/6/1914, e faleceu em 11/1/1947. Estreou como cantor no início da década de 1930, participando do Programa Casé, na Rádio Philips. Logo tornou-se conhecido no rádio como “a voz de 18 quilates”, de timbre muito parecido com o de Francisco Alves.
Freqüentador das rodas de Noel Rosa, Luís Barbosa e Custódio Mesquita, alcançou grande sucesso no Carnaval de 1933 com a gravação, na Odeon, do samba Até amanhã (Noel Rosa), seu disco de estréia. Ao lado de Custódio Mesquita e Carmen Miranda, participou de várias apresentações no rádio e em teatros.
Foi um dos principais artistas do elenco da Rádio Globo. Deixou gravados 48 discos com 94 músicas. Entre suas gravações de maior sucesso estão o samba-canção Palacete de malandro (Custódio Mesquita), Victor, 1933; o fox Cantor de rádio (Custódio Mesquita e Paulo Roberto), Odeon, 1933; Caixa Econômica (Nássara e Orestes Barbosa), Victor, 1933; a marcha Chegou Papai Noel (Roberto Martins e Kid Pepe), Odeon, 1934; o samba Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), Odeon, 1934; a marcha Professora da saudade (André Filho e Orestes Barbosa), Odeon, para o Carnaval de 1935; o samba Foi no teu olhar (André Filho), Odeon, para o Carnaval de 1935; a canção Beijo mascarado (Gadé e Almanir Greco), Odeon, 1935; o fox O que o teu piano me revelou (Custódio Mesquita e Orestes Barbosa), Odeon, 1935; Em cima da hora (Russo do Pandeiro e Valfrido Silva), Victor, 1939; Última inspiração (Peterpan), Victor, 1940; Flor do lodo (Guilherme Pereira), Victor, 1940; o samba Santo Antônio amigo (Zé da Zilda, Marino Pinto e J. Cascata), Victor, para as festas juninas de 1941; o fox Mais um minuto apenas (Newton Teixeira e Mário Lago), Victor, 1942; a marcha Quem é o tal? (Ubirajara Nesdan e Afonso Teixeira), Victor, para o Carnaval de 1943.
Foi também o responsável pelo lançamento, em 1934, de Linda pequena (João de Barro e Noel Rosa), primeira versão da marcha Pastorinhas. Teve sua carreira interrompida por um acidente, do qual resultou a amputação de uma perna e seu falecimento prematuro.

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Aldacir Louro

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Aldacir Louro

Aldacir Louro (Aldacir Evangelista de Mendonça), compositor, cantor e instrumentista nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 22/4/1926 e faleceu em15/6/1996. Nascido no bairro de Botafogo, viveu em diversos outros subúrbios cariocas, freqüentando desde criança as escolas de samba Unidos da Tijuca, Depois te Explico e Braço a Braço, onde tocava tamborim.

Bom intérprete de sambas, começou como apresentador de músicas, contratado por compositores para mostrar produções destes a cantores. Como essa atividade rendesse pouco, decidiu tentar a sorte como autor, lançando em 1946 o samba Onde vamos morar (com Antônio Valentim dos Santos), gravado por Zilá Fonseca. Na época, a música rendeu (cerca de 20 cruzeiros) bem mais do que conseguia como apresentador.

Embora não tivesse estudado música, iniciou assim uma carreira de compositor, cujo maior sucesso foi o samba Recordar (com Aluísio Marins e Adolfo Macedo), que, premiado em concurso carnavalesco de 1955, se tornou peça antológica e obrigatória em muitos Carnavais. Outros êxitos foram o samba Cabeça prateada (com Edgar Cavalcanti e Anício Bichara) e a marcha Trrim-Trrim (com Santos Garcia), ambos lançados no Carnaval de 1956.

Como cantor, atuou em rádio e televisão, apresentando-se na década de 1950 em vários programas das rádios Nacional e Mayrink Veiga, exibindo-se com ritmistas e passistas. Na TV Globo carioca apresentou-se com sua escola de samba. De 1960 a 1973 participou de programas da TV Tupi, do Rio de Janeiro: Bibi ao Vivo e Programa Flávio Cavalcanti, entre outros.

Obras: Cabeça prateada (c/Edgar Cavalcanti e Anício Bichara), samba, 1955, Garota sapeca (c/Fernando Martins), marcha, 1951; Onde vamos morar (c/Antônio Valentim dos Santos), samba, 1946; Recordar (Aluísio Marins e Adolfo Macedo), samba, 1954; Refúgio (c/Linda Rodrigues), bolero, 1959; Trrim-Trrim (c/Santos Garcia), marcha, 1955.

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Isaura Garcia

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Isaura Garcia, cantora, nasceu em São Paulo-SP em 26/2/1919 e faleceu em 30/7/1993. Nasceu na rua da Alegria, no Brás. No final de 1936, com a mãe (Amélia, irmã do pintor José Pancetti), inscreveu-se no programa de calouros A Hora da Peneira Rhodine, da Rádio Cultura, de São Paulo, mas nenhuma das duas chegou a se classificar.
Um ano depois, porém, obteve o primeiro lugar em concurso do programa de calouros Clube Quá-Quá Quarenta, apresentado por Otávio Gabus Mendes, na Rádio Record, de São Paulo, com o samba Camisa listrada (Assis Valente). O êxito deu-lhe oportunidade de participar de um programa especial que reunia calouros selecionados.
Em 1938 foi contratada pela Rádio Record, na qual permaneceu durante toda a carreira. No início, formou dupla com o cantor Vassourinha, tambem da Record, para shows e apresentações em circos. Em seu repertório, predominavam criações de Carmen Miranda e Araci de Almeida, duas cantoras que influenciaram seu estilo. Sua primeira gravação, um jingle para o saponáceo Radium, despertou atenção para seu estilo de Cantar.
Na Columbia, do Rio de Janeiro, gravou em 1941 o primeiro disco, com Chega de tanto amor (Mário Lago) e Pode ser (Geraldo Pereira e Marino Pinto). No mesmo ano, lançou outros discos com A baratinha (Antônio Almeida), Eu não sou pano de prato (Mano Lago e Roberto Martins), Aproveita beleléu (Marino Pinto e Murilo Caldas) e O telefone esta chamando (Benedito Lacerda e Popeye do Pandeiro).
Em 1942, na Victor, obteve os primeiros sucessos em disco, com Aperto de mão (Meira, Dino e Augusto Mesquita) e Sorriso de Paulinho (Gastão Viana e Mário Rossi), lançados no ano seguinte. Ainda em 1943, gravou Duas mulheres e um homem (Ciro de Sousa e Jorge de Castro). Em 1945 lançou Barulho no morro (Roberto Martins) e, no ano seguinte, o samba de Aldo Cabral e Cícero Nunes Mensagem, que se tornaria um dos clássicos de seu repertório.
Em 1947 interpretou, com Os Namorados da Lua, o samba de Lúcio Alves e Haroldo Barbosa De conversa em conversa, outro grande êxito. Nessa época, tinha popularidade nacional e era uma das estrelas da Rádio Record. Costumava apresentar-se também no Copacabana Palace Hotel e no programa César de Alencar, da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, além de realizar excursões por outros Estados. Tambem grande era o êxito que alcançava com as gravações na Victor: a toada Marrequinha (Denis Brean e Raul Duarte), o choro Velho enferrujado (Gadé e Valfrido Silva) e o baião Pé de manacá (Hervé Cordovil e Marisa Pinto Coelho), cantado em dupla com Hervé, foram os sucessos de 1950.
Em 1953 foi eleita a primeira Rainha do Rádio Paulista. Continuou na Victor até 1956 e, nesse ano, transferiu-se para a Odeon, estreando com o samba Mocinho bonito, de Billy Blanco. No ano seguinte, gravou seu primeiro LP (10 polegadas), A personalíssima, com arranjos de Luís Arruda Pais; o título do LP aludia ao cognome que recebera de Blota Júnior, animador da Record. Entre outras faixas, estavam no LP Mocinho bonito (Billy Blanco), Deixa pra lá (Vinícius de Moraes), Contra senso (Antônio Bruno), Se Deus me desse (Alfredo Borba) e Contando estrelas (Alfredo Borba e Edson Borges).
Numa excursão a Recife PE, em meados da década de 1950, conheceu o organista Walter Wanderley, com quem se casou e gravou alguns LPs, entre eles Sempre personalíssima, com Feiúra nao é nada (Billy Blanco) e E daí (Miguel Gustavo); Saudade querida, que incluia Ninho do Nonô (Denis Brean) e Corcovado (Tom Jobim); A pedida é samba, com destaque para Palhaçada (Haroldo Barbosa e Luiz Reis) e Que é que eu faço (Ribamar e Dolores Duran); Sambas da madrugada, incluindo Ah! Se eu pudesse (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli ); e Atualíssima, com Errinho à-toa (Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal), este de 1963.
Em 1969 gravou, na Continental, dois LPs: Martinho da Vila e Dolores Duran na voz de Isaura Garcia e Ary Barroso e Billy Blanco na voz de Isaura Garcia. Nesse ano participou do V FMPB, da TV Record, de São Paulo, defendendo a canção Primavera (Lupicínio Rodrigues e Hamilton Chaves). Em 1970 lançou Chico Buarque e Noel Rosa na voz de Isaura Garcia, e aposentou-se da Rádio Record.
Continuou a apresentar-se em shows na Igrejinha, na Casa de Badalação e no Tédio, em São Paulo. Em 1973 gravou para a Continental o LP Isaura Garcia, em que se destacavam as faixas Desmazelo (Antônio Carlos e Jocafi), De conversa em conversa e Mensagem, estas duas em sua terceira gravação. Sempre morou em São Paulo. CD: Mensagem — Isaura Garcia e Nelson Gonçalves, 1993, Revivendo CD-042.

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Albenzio Perrone

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Albenzio Perrone (Albenzio Gaspare Raffaele Perrone), cantor, nasceu em Marselha, França, em 1/9/1900, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 7/7/1974. Filho de italianos, veio para o Brasil com seis anos. Desde muito jovem dedicou-se ao bel-canto, interpretando canções napolitanas, árias e operetas, tendo viajado com companhias por vários Estados do país. Fez parte do Orfeão Português.
Em 1927 começou no rádio, como cantor e locutor da Rádio Clube do Brasil. No ano seguinte, foi para a Rádio Educadora do Brasil, em que desempenhou durante muitos anos as mesmas e também outras funções, motivo pelo qual deixou o curso de medicina. Começou a gravar na Odeon em 1927. O primeiro disco trazia os tangos Paraguaita (Marcelo Tupinambá) e Pecado (Joubert de Carvalho).
Em 1929 foi para a Victor que se iniciava, gravando primeiramente o choro Meu bem (Rogério Guimarães). Em 1930 gravou a canção Rancho abandonado (Pixinguinha e Índio). Seu maior sucesso foi a valsa Se esses olhos falassem (Gastão Lamounier e Mário Rossi), em 1938. Deste mesmo ano também e a valsa Apoteose de estrelas (dos mesmos autores da anterior), muito apreciada. Em 1939 igualmente foi sucesso a valsa A vigília da lâmpada(Gastão Lamounier e Mário Castelar), após o que sua carreira retraiu-se.
Na década de 1940, lançou apenas dois discos; na de 1950 voltou para o rádio e gravou três discos na Odeon e um no selo Serenata. De 1929 a 1955 deixou 21 discos de 78 rpm com 40 músicas. Por fim, gravou pela Itamarati um LP chamado Revendo o passado, com sucessos antigos. Foi um cantor essencialmente de valsas, canções e tangos-canções, tendo recebido do locutor e amigo Saint-Clair Lopes o slogan de “A Voz Cariciosa e Bonita”.
CDs : Músicas brasileíras vol. 4, 1995, Revivendo RVCD 088; No tempo da seresta vol. 2, 1995, Revivendo RVCD 095; Valsas brasi/eiras vo/. 2, 1995, Revivendo RVCD 094
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Alcides Gerardi

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Alcides Gerardi (João Alcides Gerardi) nasceu no Rio Grande/RS em 15.05.1918. Cantor e compositor, ainda criança mudou de Porto Alegre/RS para o Rio de Janeiro/RJ, onde terminou o curso primário e começou a trabalhar com o pai. Continuou seus estudos, trabalhando ao mesmo tempo no comércio até 1935, quando começou a carreira de cantor, como crooner numa orquestra de dancing. Na mesma época tentou o rádio, candidatando-se como calouro num programa da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, mas não conseguiu ser contratado.
Em 1939 atuou no conjunto Namorados ao Luar como vocalista, época em que sua voz começou a se destacar. Nesse ano gravou, em edição particular, o samba de Nelson Cavaquinho Não faça vontade a ela. Em 1941 foi convidado a formar o conjunto Os Três Marrecos, com Marília Batista e seu irmão Henrique, de curta carreira.
Três anos depois, como crooner da orquestra de danças de Simon Bountman, foi convidado para trabalhar na Rádio Transmissora, pelo seu diretor Arnaldo Sampaio. Com a música Lourdes (George Brass e Mário Rossi), gravou comercialmente pela primeira vez, em 1946, na Odeon. Três anos depois foi para a Rádio Tupi, onde ficou até 1953, quando se transferiu para a Rádio Nacional.
Em 1955 foi contratado pela Organização Victor Costa (depois extinta), tendo três anos mais tarde lançado sua primeira composição, Filha do coronel (com Irani de Oliveira), interpretada por ele mesmo, CBS. É letrista e em outras composições teve como parceiros principais Ernâni Campos, Othon Russo, Antônio Soares, Lázaro Martins e Nilo Barbosa.
Seus maiores sucessos como cantor foram as gravações de Antonico (Ismael Silva), Castelo de areia (Geraldo Jacques, Isaías Freitas e Moreirinha), Brotinho maluco (Aníbal Cruz) e E eu sem Maria (Alcir Pires Vermelho e Dorival Caymmi), pela Odeon, e Tudo foi ilusão (Laert Santos e Arcilino Tavares), pela CBS. Alcides morreu em 01.03.1978 por complicações decorrentes de um acidente de carro, quando voltava de um show pela Via Dutra.
Fonte: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 1977.
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Alda Verona

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Alda Verona (Celeste Coelho Brandão), cantora e radiatriz, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 10/10/1898, e faleceu na mesma cidade em ?/1989. Nasceu no bairro da Tijuca e foi educada nos melhores colégios. Destacava-se nas festas escolares e mostrava grande desejo de ser artista, tendo estudado canto com Eloísa Mastrangioli e outros professores.
Em 1925 sua família mudou-se para Recife, onde teve a oportunidade de cantar pela primeira vez uma opereta, Berenice, de Nelson Paixão e Valdemar de Oliveira. Na volta ao Rio de Janeiro, começou a se apresentar na Rádio Sociedade, cantando músicas de câmara, sua especialidade.
Em agosto de 1929, foi lançado seu primeiro disco pela Parlophon, com as valsas Melodia do amor (Nelson Ferreira) e Veneno louro (Nelson Ferreira e Osvaldo Santiago), junto de outro disco pela Odeon, com as canções Caboca cherosa (Valdemar de Oliveira e Raimundo Brito) e Maracatu (Valdemar de Oliveira e Ascenso Ferreira), estas da opereta citada. Até o ano seguinte gravou outros discos, adquirindo prestígio com sua belíssima voz de soprano e dicção perfeita.
Voltou a gravar na Victor em 1932, na qual permaneceu até 1934. No primeiro disco registrou a versão de um sucesso internacional, a valsa Canção de amor cubano (Fields, McHugh, Sothart, versão de Ari Kerner), que se tornou sua interpretação mais famosa.
Em 1933 gravou em dueto com César Pereira Braga Canção do abandono (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano) e encerrou a carreira discográfica com as canções Diga-me uma vez (Gentner e Sivan) e Tão fácil a felicidade (Valdemar de Oliveira). Gravou um total de 21 discos com 40 músicas.
Tendo certo dia faltado no Programa Casé uma radioatriz, foi chamada para substituí-la, daí por diante acumulando as funções de cantora e radioatriz. Atuou como intérprete nos filmes Cisne branco, de Luís de Barros, em 1940, e O dia é nosso, de Milton Rodrigues, em 1941. Em 1942, a Rádio Nacional contratou-a para seu radioteatro, aí permanecendo por exatos 30 anos, tanto representando papéis dramáticos como humorísticos.
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Alvarenga e Ranchinho

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Alvarenga e Ranchinho

Alvarenga e Ranchinho - Dupla sertaneja formada em 1929 por Murilo Alvarenga (Itaúna/MG 22.05.1912 - 18.01.1978) e Diésis dos Anjos Gaia, o Ranchinho (Jacareí/SP 23.05.1913 - 05.07.1991). Através do tio, que era empresário de circo, Alvarenga começou a trabalhar aos 11 anos como trapezista e malabarista, passando depois a se apresentar como cantor de tangos. Conheceu Ranchinho numa serenata em Santos/SP, em 1928. Resolveram, então, cantar juntos em circo, interpretando, desde o início, o gênero caipira, que os caracterizou e que era uma novidade na época.
Apresentaram-se em São Paulo/SP, em 1933, com a Companhia Bataclã e, no ano seguinte, foram convidados por Breno Rossi, maestro da orquestra da Rádio São Paulo, para cantar nessa emissora. Ainda em 1934, forma com Silvino Neto o trio Os Mosqueteiros da Garoa, que, apesar do sucesso obtido, durou pouco.
Formada novamente, a dupla começou a se destacar em 1935, com a marcha Sai, feia (Alvarenga), que venceu o concurso de músicas carnavalescas de São Paulo. Ainda em 1935, a convite do Capitão Furtado, compositor sertanejo, trabalhou no filme Fazendo fita, de Vittorio Capellaro, em São Paulo, e, em 1936, foi para o Rio de Janeiro/RJ, para uma temporada na Casa de Caboclo, de Duque. Embora já tivesse certo nome em São Paulo, a dupla teve que recomeçar praticamente a carreira no Rio de Janeiro, iniciando por se apresentar na Hora do Guri, programa vespertino da Rádio Tupi, passando para a programação noturna só depois de obter sucesso.
A boa aceitação conseguida através do rádio fez que conseguisse gravar o primeiro disco, pela Odeon, ainda em 1936, a moda-de-viola Itália e Abissínia (parceria com Capitão Furtado) e o cateretê Liga das Nações (de sua autoria). Em novembro de 1936, apresentou-se no teatro Smart, em Buenos Aires, Argentina, e, no ano seguinte, passou a fazer parte do elenco do Cassino da Urca, onde trabalhou até o seu fechamento, dez anos depois. Foi lá que a dupla começou a fazer sátiras políticas, que se tornaram um dos seus pontos fortes e, em 1938 lançou a marcha Seu condutor (em parceria com Herivelto Martins), que constituiu o maior sucesso carnavalesco da dupla.
Nesse mesmo ano, Ranchinho afastou-se pela primeira vez de seu companheiro, e Alvarenga, então, gravou, pela Odeon, em dupla com Bentinho (da dupla Xerém e Bentinho) e com o grupo chamado Alvarenga e Sua Gente. Essa separação temporária de Ranchinho voltaria a ocorrer outras vezes nos 27 anos seguintes e nessas ocasiões seria substituído por outros, como Bentinho ou Delmare de Abreu.
Em 1939, Ranchinho voltou à dupla e novas gravações foram feitas pela Odeon, inclusive algumas gravações com o Capitão Furtado. Até então, a dupla vinha tendo muitos problemas com a censura oficial, por suas sátiras políticas, mas em 1939 a questão foi resolvida da seguinte maneira: Alzira Vargas, filha do presidente Getúlio Vargas, convidou a dupla para tocar no Palácio das Laranjeiras para seu pai; Getúlio, depois de ouvir todas as músicas, inclusive algumas que se referiam a ele, deu ordens para que as composições da dupla fossem liberadas em todos o território nacional. Ainda em 1939, excursionou pelo Rio Grande do Sul e passou a se apresentar na Rádio Mayrink Veiga, ganhando o slogan de Os Milionários do Riso.
Lançou, em 1940, a valsa Romance de uma caveira (com Chiquinho Sales), em disco Odeon, que se tornou um dos maiores sucessos de seu repertório, e, três anos depois gravou Drama da Angélica (Alvarenga e M. G. Barreto), cujo gênero foi definido no selo do disco como "canto tétrico".
Com o fechamento dos cassinos, em 1946, Alvarenga abriu uma boate no Posto Seis, em Copacabana, mantendo-a durante dois anos. A dupla apresentou-se, em 1950, durante um mês, no Cassino Estoril, em Lisboa, Portugal, e, em 1952, lançou com destaque a marcha de sua autoria Cordão japonês.
Em toda sua carreira, o duo participou de mais de 30 filmes, incluindo Carnaval em lá maior, de 1955, dirigido por Ademar Gonzaga. Com seu repertório de sátiras política, participou também de campanhas eleitorais, como as de Ademar de Barros, Juscelino Kubitschek, e Lucas Nogueira Garcez. Ficaram célebres ainda suas paródias de músicas de sucesso, como as que foram feitas sobre o tango Adíos muchachos (Julio C. Sanders e César Vedani), Nervos de Aço (Lupicínio Rodrigues) e de Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros).
Em 1959, a dupla deixou o rádio, para trabalhar apenas na televisão, e, em 1965, Diésis foi substituído por Homero de Sousa Campos, que passou a ser o Ranchinho efetivo. Nos anos 70 apresentaram-se principalmente em cidades do interior do país. Em 1997 a BMG lançou Os Milionários do Riso, reedição de um LP ao vivo gravado em 1973.
Algumas músicas:
Fonte: - Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora
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Alzirinha Camargo

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Alzirinha Camargo (Alzira Camargo), cantora. São Paulo/SP 10/12/1915-. Nascida no bairro do Brás, iniciou-se como amadora na Rádio Record. Em seguida, foi contratada pela Rádio Cruzeiro do Sul, e mais tarde atuou na Rádio Difusora.
Em fins de 1935, foi levada por Sílvia Autuori, conhecida por Tia Chiquinha, para a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro RJ, onde começou a fazer sucesso. No ano seguinte, gravou seu primeiro disco, um 78 rpm, na Victor, que incluía a marcha Cinqüenta por cento (Lamartine Babo) e o samba Você vai se arrepender (Kid Pepe, Germano Augusto e Alberto Fadel). Nessa mesma época, foi descoberta por Alberto Quatrini Bianchi, que a convidou para cantar em sua cadeia de cassinos, espalhados por todo o país.
Ainda em 1936 trabalhou no filme Alô, alô, Carnaval, de Ademar Gonzaga. Também nesse ano ocorreu seu desentendimento com Carmen Miranda: imediatamente após a gravação de Querido Adão (Benedito Lacerda e Osvaldo Santiago), Carmen foi para Buenos Aires, Argentina, sem ter tido tempo de lançar a música, que os autores então lhe ofereceram; e ela, que fazia o mesmo gênero de Carmen, tanto na roupa como no repertório, lançou-a com sucesso absoluto. A rivalidade entre as duas prolongou-se durante toda sua carreira.
Em 1937 atuou no filme O grito da mocidade, de Raul Roulien. Em 1938 apresentou-se, com o conjunto de Benedito Lacerda, em temporada na Rádio El Mundo, de Buenos Aires. De volta ao Brasil, Benedito Lacerda compôs para ela a marcha Meu Buenos Aires querido e o samba Ritmo do coração (com Herivelto Martins), ambos gravados na Odeon.
Em fins de 1939, apresentou-se no Cassino Atlântico com a orquestra norte-americana, regida pelo peruano Ciro Rimac, que em julho de 1940 embarcou no vapor Uruguai, levando-a para cumprir um contrato de seis meses. Ficou nos E.U.A. até 1949, e nos três anos seguintes, percorreu a Espanha e Portugal, apresentando-se no Cassino Estoril.
Em novembro de 1953 regressou ao Brasil, sendo contratada pela Rádio Nacional para fazer o programa Gente que Brilha, de Paulo Roberto. Em seguida atuou esporadicamente em televisão e rádio, no Rio de Janeiro e em São Paulo, tendo também gravado na Polydor.
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