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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Lágrimas

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Lágrimas (valsa) - 1935 - Cândido das Neves (Índio)--clique para ouvir amostra da música


Em---- Am------ Em---- Am---- Em--- Em/G
Ai, deixa-me chorar para suavizar
--------------B7
O que não sei dizer, mas sei sentir
Am ---------Am6------------------- B7
Não prantear um amor que se perdeu
É a nossa alma enganar
-------------------Em----- B7---- Em --Am ----Em--- Am
E ao próprio coração querer mentir / Rir é quase iludir
---------------E7 ----------------Am
É querer forçar o próprio coração a gargalhar
-----------Am6------- Em----- Gb7 ---B7--- Em------ E7
Quando ele está solitário na dor / ---A soluçar de amor
Am--------------------------- Em------------------ Em/G-- B7
É mais sublime a lágrima / Que exprime as nossas emoções
------------------Em -------------B7
Amenizando a alma cheia de ilusões
Am --------Am6------------------- Em
Do que sorrir para esconder a mágoa
-------------------Gb7------ B7----- Em
Que o olhar não diz / Não há ninguém feliz
Am----------- Am6-------------- Em
Quero fazer das lágrimas que choro
----------------B7---------------- Em
Estrelas a brilhar / Rosas de cristal
Do pranto emocional
Am
Mas se ela voltar
-----------------Em ----------------Gb7
Fulgente diadema então lhe ofertarei
---------B7--------- Em
Do pranto que chorei
Em -----Am----------- Em ---Am----------------- Em
Sim, quem nunca chorou /------- Certo nunca amou
-----------------B7
Talvez nem alma tenha para sentir
Am------- Am6------- B7
Não me faz inveja este prazer
Eu gosto até de padecer
----------------------Em---------- B7
Chorar é a mágoa em pérolas diluir
Em -----Am----- Em --Am
Mas quem quiser amar
------------------E7
Certo há de chorar
--------------------Am
Há de sentir morrer o coração
------------Am6--- Em -------Gb7
Porque o amor sendo belo falaz / Como os ais
-------B7 ----Em--- Am--- E
Se desfaz em ilusão
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A última estrofe

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Além de ter a melhor letra e a melhor melodia de Cândido das Neves, "A Última Estrofe" é sua canção mais popular. Não há seresteiro que a desconheça, com seus versos apaixonados ( "Lua, vinha perto a madrugada / quando em ânsias minha amada / nos meus braços desmaiou..."), tão representativos do parnasianismo exarcebado de seu autor. E por falar em seresteiro, coube a Orlando Silva uma participação importante na história de "A Última Estrofe". Gravada inicialmente por Fernando Castro Barbosa, foi na voz de Orlando que a composição tornou-se um sucesso, acompanhando-o por toda a carreira.

A última estrofe (valsa-canção) - 1935 - Cândido das Neves (Índio)--clique para ouvir amostra da música

(Dm)           (Gm)    (Dm)             (E7)
A noite estava assim enluarada, quando a voz
(
Dm) (E7) (A7) (Dm)
Já bem cansada / eu ouvi de um trovador
(
Dm) (Gm) (Dm)
nos versos que vibravam de harmonia, ele em
(
Eb) (Dm) (E7) (A7) (Dm) (A7) (Dm)
lágrimas dizia / da saudade de um amor
D7 Gm Eº
Falava de um beijo aapaixonado, de um amor
Dm Bb7 A7 D7
desesperado, que tão cedo teve fim
Gm Eº Dm
E, dos seus gritos e lamentos, eu guardei no pensamento
E7 A7 (Dm) (A7) (Dm) (A7)
uma estrofe que era assim:

ESTROFE:

D A7 D Bm
Lua, vinha perto a madrugada, quando, em ânsias, minha amada
Em B7 Em A7
em meus braços desmaiou. E o beijo do pecado
D A7
em seu véu estrelejado/ a luzir glorificou
D A7 D B7
Lua, hoje eu vivo tão sozinho, ao relento, sem carinho
Em Gm D
na esperança mais atroz, / de que cantando em noite linda
B7 E7 A7 D (A7) (Dm)
esta ingrata, volte ainda, escutando a minha voz
(
Dm) (Gm) (Dm) (Eb) (Dm)
A estrofe derradeira merencórea revelava toda a história
(
E7) (A7) (Dm) (Dm) (Gm) (Dm)
de um amor que não morreu. E a lua que rondava a natureza,
Eb (Dm) (E7) (A7) (Dm) (A7) (Dm)
solidária com a tristeza/entre as nuvens se escondeu.
D7 Gm Eº Dm
Cantor! Que assim falas à lua, minha história é igual à tua
Bb7 A7 D7 Gm
meu amor também fugiu. Disse a ele em ais convulsos
Eº Bb7 (E7) (Dm) (A7) (Dm) (A7)
Ele então entre soluços toda a estrofe repetiu

Lua . . . . (estrofe)
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Ao luar (Dileta)

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Ao Luar (Dileta) - valsa-canção - 1933
Cândido das Neves (Índio)

(Am)
---------E7------- Am
Esta noite prateada / Minha eterna e doce amada
------------------------E7---------- Dm6---- E7
A chamar-te me insinua / Nos acordes desta lira
----------------------------------------------------------Am
Que de amor geme e suspira / Ante o albor níveo da lua
---------E7---------- Am
O rendado da neblina / Mas parece uma cortina
---------------------E7 ------------Dm6-- E7
Numa festa de noivado / A lua é noiva bela
-----------------------------------------------Am
Recostada na janela, de um palácio constelado
----------E7---------- Am
Que beleza nas estrelas / Ah! Se tu pudesses vê-las
-------------------E7-------------- Dm6------- E7
Como estão no céu sorrindo / Espreitando com cautela
--------------------------------------------------------Am
Pelas frestas da janela / Do quarto onde estás dormindo
---------E7--------------- Am
Minh’alma dorme sonhando / Geme e chora te chamando
------------------------E7------------------- Dm6--- E7
Pelo espaço como louca / Ah se a aurora despontasse
------------------------------------------------------Am
Quem dera que me encontrasse / A beijar a tua boca

------Dm ----Dm6-------------- Am ---------------------E7
Desperta, vem matar o meu desejo / A minh’alma vaga incerta à procura
-----------Am--- Dm----- Dm6 ----Am
do teu beijo / Dileta, tu formosa, eu poeta

---------------------------E7 ---------------------------Am
Quero para os tristes versos meus / As rimas dos beijos teus
--------E7 ------Am
A natureza te chama / O meu peito já reclama
-----------------------E7--------- Dm7------------ E7
A quentura dos teus seios / Os astros já são escassos
----------------------------------------------------------------Am
Vem sufoca-me em teus braços Antes que eu morra de anseios
---------E7--------- Am
As estrelas cintilantes / São lanternas dos amantes
------------------E7----------- Dm6-------E7
Pelo espaço a flutuar/ Como Deus é inspirado
------------------------------------------------Am
Inventou para o pecado / Estas noites de luar


------Dm----------- Dm6--------- Am -------------------------E7
Desperta vem matar o meu desejo / A minh’alma vaga incerta
----------------------Am----- Dm------ Dm6-- Am
À procura do teu beijo / Dileta, tu formosa, eu poeta
----------------------------E7------------------------- (Am) (E7) (Am)
Quero para os tristes versos meus / As rimas dos beijos teus
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Noite cheia de estrelas

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Contrastando com o humor irreverente de Noel e Lamartine, 1932 teve também o romantismo derramado de Cândido das Neves em "Noite cheia de Estrelas". Filho do palhaço, cantor e compositor Eduardo das Neves, Cândido - conhecido como Índio, apesar de ser negro - foi um seguidor de Catulo da Paixão Cearense, notabilizando-se como autor de canções seresteiras. Exemplo disso é "Noite Cheia de Estrelas", um tango-canção cheio de imagens rebuscadas e palavras escolhidas no dicionário: "as estrelas tão serenas / qual dilúvio de falenas / andam tontas ao luar / todo astral ficou silente / para escutar / o teu nome entre endechas / as dolorosas queixas / ao luar...". Gravada por Vicente Celestino, a canção é um clássico dos repertórios do cantor e do autor.

Noite Cheia de Estrelas - 1932 - Cândido das Neves-- clique para ouvir amostra da música
Tom: Gm
Intro: Gm G# Gm D# G# D7 Gm

Gm
Noite alta, céu risonho
A quietude é quase um sonho
Dm5-/7
O luar cai sobre a mata
G7
Qual uma chuva de prata
Cm
De raríssimo esplendor
Am5-/7
Só tu dormes, não escutas
D7 Gm
O teu cantor
Cm
Revelando à lua airosa
D7 Gm D7
A história dolorosa desse amor
Gm
Lua...
D7 Gm D7 Gm
Manda a tua luz prateada
Cm
Despertar a minha amada
Am5-/7
Quero matar meus desejos
D# D7
Sufocá-la com os meus beijos
Gm D7
Canto
Gm E7 Gm
E a mulher que eu amo tanto
G7 B° Cm
Não me escuta, está dormindo
Canto e por fim
Am5-/7 D7 Gm
Nem a lua tem pena de mim
Am5-/7
Pois ao ver que quem te chama sou eu
D7 Gm D7 Gm
E entre a neblina se escondeu
Lá no alto a lua esquiva
Está no céu tão pensativa
Dm5-/7
As estrelas tão serenas
G7
Qual dilúvio de falenas
Cm
Andam tontas ao luar
Am5-/7
Todo o astral ficou silente
D7 Gm
Para escutar
Cm
O teu nome entre as endechas
D7
A dolorosas queixas
Gm
Ao luar
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terça-feira, 3 de julho de 2007

Cândido das Neves

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Cândido das Neves, apelidado de "Índio", compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 24/07/1899 e faleceu em 04/11/1934. Filho do popular cantor e palhaço Eduardo das Neves, começou a se interessar pelo violão desde os cinco anos de idade. O pai, no entanto, queria que ele tivesse instrução e por isso colocou-o num colégio interno. Em 1917, porém, já aparecia como integrante do rancho Heróis da Piedade. Concluiu seus estudos, tendo perdido o pai a 11 de novembro de 1919, dia de sua formatura. Empregou-se como funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, tornando-se conferente de estação.
Nessa época já compunha e fazia serestas pelas madrugadas cariocas, com seus colegas de trabalho Henrique de Melo Moraes (tio de Vinícius de Moraes) e Uriel Lourival, entre outros. Em 1922 gravou, cantando, Saudades do sertão e o fox-trot Quadra de amor na Odeon (em discos mecânicos da Casa Edison), composições suas. Por 1925-1926 foi transferido para Conselheiro Lafaiete MG, onde passou um ano, continuando a cantar e tocar nas serestas com os companheiros da Central do Brasil.
Sua primeira gravação de sucesso foi o tango Noite cheia de estrelas (inspirado no tango Madre de Francisco Pracanico e Verminio Servetto, de muito sucesso na época), gravado em 1932, já na fase elétrica, por Vicente Celestino. Suas letras, sempre muito extensas, cantavam a natureza duma forma romântica, tornando-se muito apreciadas pelo público. Por volta de 1930 apresentou-se, algumas vezes, no programa de Gastão Lamounier na Rádio Educadora da Brasil, com Melo Moraes.
Em 1932 gravou com Melo Moraes, fazendo a segunda voz, as canções-sertanejas Rosa morena e Luar de minha terra (ambas de sua autoria). Nessa mesma época compôs Versos de longe, gravada por Melo Moraes. Em suas apresentações era aplaudido não só pelos seus versos e voz, como também pela sua execução no violão. Dedicou-se também ao ensino, pois escrevia e lia música. Sempre fiel à modinha popular, compôs também valsas, serestas e tangos. Nessa época começou a se afastar gradativamente das rodas boêmias, por problemas de saúde.
Em 1934, ganhou o primeiro lugar no concurso de músicas carnavalescas da revista O Malho, na categoria samba, com Perdi o meu pandeiro, que não foi gravado. Sofria já de tuberculose galopante na laringe, que o levou à morte. Muitas de suas músicas, que se tornaram grandes sucessos, só vieram a ser gravadas após seu desaparecimento. Entre elas se encontram A última estrofe, inicialmente gravada em 1932 par Fernando Castro Barbosa, regravada por Orlando Silva em 1935, e que viria a ter gravações de Vicente Celestino, Nelson Gonçalves e Sílvio Caldas; Lágrimas, gravada por Orlando Silva em 1935; Apoteose do amor, gravada em 1936 por Orlando Silva; e Página de dor, feita em parceria com Pixinguinha, gravada por Orlando Silva em 1938, na Victor.
Obra completa
Abismo de amor, valsa, 1931; Anjo enfermo, canção, 1933; Apoteose do amor, valsa, 1936; Um beijo só (com Bonfiglio de Oliveira), samba, 1932; Cabocla serrana, canção, 1932; Canção do ceguinho, canção, 1930; Castelos de areia, valsa, 1935; Cinzas, valsa, 1937; Cinzas do amor, canção, 1930; Com iaiá é assim, samba-canção, 1930; De tanga, samba, 1930; Dileta, tango-canção, 1932; E nada mais, tango-canção, 1932; Em delírio, canção, 1936; Entre lágrimas, canção, 1932; Foi muamba (com Pixinguinha), samba carnavalesco, 1930; Fonte abandonada (com Pixinguinha), canção, 1930; lnfeliz amor, tango-canção, 1931; Íntima lágrima, valsa-modinha, 1929; Jura de Caboclo, canção regional, 1932; Lágrimas, valsa-canção, 1935; Lenda sertaneja, canção sertaneja, 1930; Luar de minha terra, canção sertaneja, 1933; A maior descoberta, marcha, 1934; Nas asas brancas da saudade, valsa, 1933; Nênias, tango canção, 1929; Noite cheia de estrelas, tango, 1928; A órfã, canção, 1933; Página de dor (com Pixinguinha), valsa, 1938; Para sempre adeus, valsa, 1933; Por que gosto de você, samba, 1930; Rancho abandonado (com Pixinguinha), canção, 1930; Rasguei o teu retrato, tango-canção, 1935; Renúncia em prantos (com Juca Kalut), canção, 1933; Rosa morena, canção sertaneja, 1933; Sim, mas desencosta, samba-canção, 1930; A última estrofe, noturno, 1932; Vangelina, canção, 1933; Versos de longe, 1933; Voltaste, canção dolente, 1937.
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