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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Querido Adão

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"Querido Adão" foi uma continuação de "Eva querida" (de Benedito e Luiz Vassalo), do mesmo ano de 1935. Ganhou o primeiro lugar no concurso de marchas da Rádio Tupi. Alzirinha Camargo, durante a estada de Carmen em Buenos Aires, ajudou a divulgar essa marchinha, que Carmen também cantou no filme "Alô, Alô Carnaval".
Querido Adão (marcha/carnaval) - 1936 - B. Lacerda e Osvaldo Santiago--clique para ouvir amostra da música


-----Cm
Adão
-------------------G7
Meu querido Adão
-------------------Cm
Todo mundo sabe
-------------G#---- G7
Que perdeste o juízo
---------C7-------------------- Fm
Por causa da serpente tentadora
---------------Cm
O nosso mestre
------------G7-------- Cm
Te expulsou do Paraíso
Adão, Adão


---------G7
Mas em compensação
-----------Cm
O teu pobre coração
---------C7
Que era pobre, pobre
-------------Fm
Muito pobre de amor
-------------------Cm
Cresceu e eternizou meu Adão
----G7------------------ Cm
O teu pecado encantador

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Eva querida

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Eva Querida (marcha/carnaval)- 1935 - Benedito Lacerda e Luís Vassalo--clique para ouvir amostra da música


Dm-------- A7
Eva querida
----------------------Dm
Quero ser o teu Adão
----------------------A7
Dar-te-ei o meu amor
A minha vida
-------------------Bb7-- A7-- Dm
Em troca do teu co.....ra.....ção


Hei de conquistar
O teu amor, se Deus quiser
Gm-------------- A7
Custe o que custar
Dm
Haja o que houver
Gm -------A7--------- Dm
Serei capaz de qualquer prejuízo
--E7-------- A7------- Dm
Mas te darei um paraíso
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Boneca

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Boneca (valsa-canção) - 1935 - Benedito Lacerda e Aldo Cabral--clique para ouvir amostra da música


-----Em------- B7--------- Em
Eu vi numa vitrine de cristal
----------------B7 ---------Em ----E7
Sobre um soberbo pedestal
-------------------------Am
Uma boneca encantadora
B7----------------------------------------- Em----- Em/G
No bazar das ilusões, no reino das fascinações
Gb7------------------------------ B7
Num cenário de dor todo de amor


---------Em---------- B7-------- Em
Seus lábios entreabertos a sorrir
-------------B7-------- Em----- E7
Na boca rubra a seduzir
---------------------Am
Como se fossem de verdade
-----------Am6-------- Em
Eram dois rubis serenos
----------------------Gb7----- B7--- Em ----Em/G
Dois símbolos carmenos de felicidade

B7
Seu cabelo tinha a cor do sol
---------Em
A irradiar rubros raios de amor
----------B7
Seus olhos eram circunvagos
----------Em--------------- Em/G
No romantismo azul dos lagos

-----------B7
Mãos ideais braços divinais
----------------------Em
O corpo algo sem par
Os pés muito pequenos
-----B7
Enfim eu vi nessa mulher
------------------Em
Uma perfeita Vênus
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terça-feira, 3 de julho de 2007

Benedito Lacerda

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Benedito Lacerda, instrumentista, compositor e regente, nasceu em Macaé RJ, em 14/3/1903, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 16/2/1958. Aos oito anos de idade começou a aprender flauta de ouvido. Iniciou as atividades musicais, em sua cidade natal, como integrante da banda Nova Aurora. Aos 17 anos transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro e passou a tomar lições de flauta com Belarmino de Sousa, pai do compositor Ciro de Sousa.
No Rio, residiu no Estácio, famoso por seus sambistas e batuqueiros. Estudou também no I.N.M., diplomando-se em flauta e composição. Para garantir o sustento, em 1922 ingressou na Polícia Militar, onde podia também continuar sua atividade musical, participando, de 1923 a 1925, da banda do batalhão.
Em 1925, aprovado em um teste em que executou a parte de flauta da ópera Il Guarany, de Carlos Gomes, obteve sua transferência para a Escola Militar do Realengo, como músico de primeira classe, tornando-se solista. Deu baixa em 1927, passando a viver de suas atuações em orquestras de cinemas e teatros. Em 1929 integrou um grupo regional, os Boêmios da Cidade, com o qual foi a São Paulo SP chegando a se apresentar com Josephine Baker. No mesmo ano, com o advento do cinema falado, passou a tocar em grupos de choro, como flautista, e em orquestras de jazz, como saxofonista.
Como não concordasse com a maneira de as orquestras de jazz executarem a música brasileira, resolveu organizar um grupo de músicos que acompanhassem com fidelidade o ritmo brasileiro. Criado no início da década de 1930, incluía, além dele próprio, Canhoto, Russo do Pandeiro, Macrino, Bernardo e Doidinho. Foi o compositor Sinhô quem batizou o conjunto de Gente do Morro, depois de ouvir sua interpretação em disco Brunswick dos sambas No Sarguero (com Ildefonso Norat) e Dá nele (Sinhô), pelo desempenho da percussão, com breques e batuques, e pelos seus ponteios de flauta.
Nesse conjunto, famoso pelas invenções harmônicas que fazia com o samba, atuava como regente, além de executar solos e cantar. Como cantor, gravou sete composições pela Brunswick, com o Gente do Morro. Além do acompanhamento de diversos cantores, o grupo fez gravações, não só na Brunswick, como também na Columbia e na Parlophon. Em 1930, Gente do Morro lançou um disco, pela Brunswick, que incluía Tem agüinha (J. Machado), interpretada por ele, e A nega sumiu (de sua autoria), em dupla com Sílvio Caldas.
Pouco tempo depois, o grupo se desfez, para ressurgir transformado no famoso Conjunto Regional de Benedito Lacerda, caracterizado não mais pela percussão, mas pelos efeitos das instrumentos de sopro e de corda. Em sua primeira formação, era integrado por ele (flauta e líder), Gorgulho (Jaci Pereira) (violão), Ney Orestes (violão), Canhoto (Valdiro Frederico Tramontano) (cavaquinho) e Russo do Pandeiro (pandeiro).
Depois de sofrer algumas mudanças, como a substituição de Gorgulho por Carlos Lentine, a partir de 1937 o grupo se estabilizou com ele próprio na flauta, Dino e Meira nos violões, e Popeye no pandeiro. Com essa formação atuou até 1950, quando se retirou e Canhoto assumiu sua direção, transformando-o no Regional da Canhoto. O Conjunto Regional de Benedito Lacerda, novamente chamado Boêmios da Cidade quando gravava em gravadoras das quais não era exclusivo, acompanhou grandes intérpretes, entre os quais Francisco Alves, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Carmen Miranda e muitos outros.
Em 1933, ingressou na Casa de Caboclo, fundada por Duque. Além de grande instrumentista, foi compositor de sambas, valsas, marchas e choros. Compôs no Carnaval, para o Clube Tenentes do Diabo, ao qual pertencia, a marcha Vai haver o diabo (com Gastão Viana), que se tornou uma espécie de hino de um novo grupo que se formou no clube e que tinha o mesmo nome da música. Ainda em 1933, venceu um concurso do jornal A Noite, com a composição junina Briguei com São João, ganhando como prêmio uma flauta de prata, que sempre conservou consigo. Também na década de 1930, com a ascensão do rádio no Rio de Janeiro, apresentou-se em quase todas as emissoras que surgiam, entre elas a Rádio Guanabara e a Rádio Philips, e na Rádio Tupi, onde atuou durante alguns anos.
Em 1934 compôs com Jorge Faraj a valsa Lela, iniciando com o compositor uma fértil parceria. Em 1936, ao lado de Francisco Alves e Carmen Miranda, participou dos espetáculos de inauguração da Radio El Mundo, de Buenos Aires, Argentina. Um dos maiores sucessos do Carnaval de 1935 foi sua marcha Eva querida (com Luís Vassalo), gravada por Mário Reis. No ano seguinte, obteve êxito igual com a marcha Querido Adão (com Osvaldo Santiago), gravada por Carmen Miranda.
No Carnaval de 1939, em parceria com Humberto Porto, compôs mais um sucesso, a marcha Jardineira, que, gravada por Orlando Silva, levantou polêmicas em relação a sua semelhança com uma composição do início do século. Paralelamente às suas atividades de compositor, continuava sua atuação como instrumentista e líder.
Por volta de 1940, na época áurea dos cassinos, apresentou-se com seu regional no Cassino da Urca e no Cassino Copacabana. Nessa época, como flautista e ao lado de Pixinguinha no saxofone, gravou, com acompanhamento de seu regional, uma série de choros, cuja parceria, segundo consta, teria sido dada, na sua maioria, por Pixinguinha, pela divulgação que vinha fazendo de sua obra. Entre os choros gravados na Victor (na época, dirigida por ele), destacam-se Naquele tempo, Sofres porque queres, Proezas de Sólon, Só para moer, Canhoto, Descendo a serra e Um a zero. Com Pixinguinha, excursionou por todo o Brasil, criando uma nova maneira de tocar, com a flauta fazendo a primeira voz e o sax a segunda, em contraponto.
beneditolac
Uma das primeiras formações do Regional Benedito Lacerda: Popeye (pandeiro), Dino 7 Cordas, Benedito Lacerda (flauta), Canhoto (cavaquinho) e Meira (violão).
Ainda em 1940, em parceria com Aldo Cabral, com quem fez outras músicas, compôs Despedida de Mangueira, samba que fez grande sucesso no Carnaval, gravado por Francisco Alves. Nesse mesmo ano, venceu o concurso carnavalesco promovido pela prefeitura, com a marcha Lero-lero (com Eratóstenes Frazão ), gravada por Orlando Silva. Em 1942 foi um dos fundadores da UBC.
Em 1944 foi novamente vitorioso no concurso do Carnaval, dessa vez nos gêneros marcha, com Verão no Havaí (com Haroldo Lobo), gravada por Francisco Alves, e samba, com Ninguém ensaiou (com Haroldo Lobo), gravado por Araci de Almeida. Venceu ainda o concurso da prefeitura carioca em 1946 com a marchinha Espanhola (com Haroldo Lobo).
Em 1948, o samba Falta um zero no meu ordenado (com Ary Barroso) foi grande sucesso na interpretação de Francisco Alves. Em 1947 transferiu-se para a SBACEM, da qual foi eleito presidente em 1948 e reeleito em 1951. Em 1950, Francisco Alves gravou seu samba A Lapa (com Herivelto Martins), que foi muito cantado no Carnaval. Sua última marcha de sucesso foi Acho-te uma graça (com Haroldo Lobo e Carvalhinho), que, lançada pelo animador e cantor César de Alencar no Carnaval de 1952, foi premiada pela prefeitura.
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