quarta-feira, 9 de maio de 2007

Sérgio Reis

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Sérgio Reis (Sérgio Basini), cantor e compositor, nasceu em São Paulo-SP em 23/6/1940. Desde criança gostava de cantar, mas somente em 1958 se apresentou pela primeira vez em público, no programa Enzo de Almeida Passos, transmitido pela Rádio Bandeirantes, das principais ruas da cidade. Três anos mais tarde, gravou seu primeiro disco, pela Chantecler, Lana (de Roy Orbison, versão de Carlos Alberto Lopes).
Foi na época da Jovem Guarda, liderada por Roberto Carlos, que se firmou junto ao público. Conquistou então grande êxito, em 1967, com a gravação de Coração de papel (de sua autoria), lançada pela Odeon, mesma gravadora que lançou Anjo triste, em 1968.
Contratado em 1969 pela RCA, ali gravou vários discos, obtendo em 1972 expressivo sucesso com O menino da gaita (versão de sua autoria sobre composição de Fernando Arbex). No ano seguinte, lançou, pela mesma gravadora, o LP Sérgio Reis, em que foi incluído O menino da porteira (Teddy Vieira e Luisinho), e gravou Eu sei que vai chegar a hora (de sua autoria), grande sucesso no México, Argentina e Peru.
Em 1974 lançou ainda pela RCA outro LP, João-de-barro, destacando-se a música - titulo (Teddy Vieira e Muíbo Cury). A partir dai, passou a dedicar-se à pesquisa da musica sertaneja, resultando o LP, lançado pela RCA, em 1975, Saudade da minha terra, em que foram reunidos famosos clássicos do gênero, incluindo a faixa - título (Goiá e Belmonte), Coração de luto (Teixeirinha), Mágoa de boiadeiro (Nonô Basílio e Índio Vago), Pingo d'água (Raul Torres e João Pacífico) e Chalana (Mário Zan e Arlindo Pinto).
Em 1972 tornou-se o primeiro artista sertanejo a tocar em uma emissora FM. Atuou no filme O menino da porteira, de Jeremias Moreira Filho, grande sucesso de público, em 1976. Nesse mesmo ano lançou o LP Retrato do meu sertão (RCA). Em 1977 lançou a trilha sonora do filme O menino da porteira e a coletânea Disco de ouro (RCA). No ano seguinte, lançou, pela RCA, Natureza.
Em 1979 estrelou Outro grande sucesso de bilheteria, Mágoa de boiadeiro, de Venceslau M. Silva, e lançou o disco Bandeira do Divino (RCA). Gravou em 1980 Lobo da estrada (RCA), e em seguida transferiu-se para a Som Livre, lançando, no ano seguinte, Boiadeiro errante e Magoa de boiadeiro, que incluía o sucesso Filho adotivo (Artur Moreira e Sebastião E. da Silva).
Em 1982 participou da novela Paraíso, da TV Globo, interpretando o mesmo papel que interpretava no cinema, o de peão-violeiro. Ainda em 1982, lançou a coletânea O melhor de Sérgio Reis (Som Livre), e retornou para a RCA, lançando a coletânea Os grandes sucessos e o disco inédito A sanfona do menino.
Seu terceiro filme foi Filho adotivo, de Deni Cavalcanti, de 1983, ano em que lançou o disco Panela velha e a coletânea Sérgio Reis — Talento, ambos pela RCA. Por esta mesma gravadora lançou ainda Adeus Mariana (1984), É disso que o velho gosta (1985), Filho adotivo (1986), Pinga ni mim (1987) e Viajante solitário (1988).
Em 1990 voltou a atuar em mais uma novela, Pantanal (TV Manchete), formando dupla com Almir Sater, com quem compôs em 1980 o sucesso Peão de boiadeiro. Ainda em 1990, aproveitando o sucesso da novela, lançou o disco Pantaneiro (RCA).
Em 1991 saiu o disco Toda vez que a gente encontra um novo amor (RCA) e, no ano seguinte, transferiu-se para a Continental, lançando Casamento é uma gaiola. Dois anos depois voltou a lançar pela RCA: Vento uivante e Acervo especial (coletânea).
Em 1995 lançou novo disco pela Continental, Marcando estrada, e participou do disco comemorativo 30 anos de Jovem Guarda (Polygram). No ano seguinte, participou de outro disco em homenagem aos 30 anos da Jovem Guarda: Os originais — Jovem Guarda 67 (Odeon). Ainda em 1996, voltou a participar de outra novela de sucesso ao lado de Almir Sater, O rei do gado, da TV Globo. Aproveitando o grande êxito da novela, lançou pela RCA Boiadeiro (Rei do gado) e, pela Som Livre, Rei do gado II — Pirilampo e Saracura.
Em 1997 estreou o programa dominical Sérgio Reis do Tamanho do Brasil, na TV Manchete, no Rio de Janeiro. Até então, havia gravado mais de 40 discos e conquistado mais de 20 discos de ouro, oito de platina, um de platina dupla e um de diamante.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.
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Alcione

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Alcione (Alcione Nazaré) nasceu em São Luís, MA, em 21 de novembro de 1947. O pai, João Carlos Dias Nazareth, foi mestre de banda da Polícia Militar de São Luís do Maranhão e professor de música. Foi ele quem lhe ensinou, ainda cedo, a tocar diversos instrumentos de sopro, como o clarinete, que começou a estudar aos 13 anos. Com essa idade, tocava e cantava em festas de amigos e familiares.
Sua primeira apresentação foi aos 12 anos, na Orquestra Jazz Guarani, da qual seu pai era integrante. Certa noite, o crooner da orquestra ficou rouco, sendo substituído pela menina, que, mais tarde, ficou conhecida como "Marrom". Na ocasião cantou com sucesso a música Palma branca e o fado Ai, Mouraria.
Formou-se como professora primária e continuou a se dedicar à música, tendo apresentando-se na TV do Maranhão, nos anos de 1965 e 1966.
Em 1968 mudou-se para o Rio de Janeiro indo trabalhar em uma loja de discos. Começou cantando na noite, levada pelo cantor Everardo, que ensaiava no Little Club, boate situada no conhecido Beco das Garrafas, reduto histórico do nascimento da bossa nova, em Copacabana.
Destacou-se ao vencer as duas primeiras eliminatórias do programa A Grande Chance, de Flávio Cavalcanti. Nessa mesma época, assinou o primeiro contrato profissional com a TV Excelsior, apresentando-se no programa Sendas do Sucesso.
Depois de seis meses nessa emissora, realizou uma turnê de quatro meses pela América Latina. Em 1970, viajou também à Europa, onde ficou por dois anos, principalmente na Itália. Nessa época, costumava apresentar-se com o cantor Emílio Santiago, na boate "Preto 22", de Flávio Cavalcanti, em Ipanema, Rio de Janeiro.
Em meados dos anos 70, foi para São Paulo apresentar-se no "Blow-up", onde conheceu o cantor Jair Rodrigues, que a levou para a gravadora PolyGram, na qual no ano de 1972 gravou o primeiro compacto simples, no qual constavam Figa de Guiné (Reginaldo Bessa e Nei Lopes) e O sonho acabou.

Algumas músicas cifradas:
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Aldir Blanc

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Aldir Blanc Mendes, compositor, nasceu no Rio de Janeiro, em 02 de agosto de 1946, no bairro do Estácio. Tinha 16 anos quando começou a compor e aos 17 anos aprendeu bateria, organizando um conjunto, o Rio Bossa Trio.
Com a inclusão de seu parceiro Sílvio Silva Júnior, que conhecera em Paquetá, em 1965, passou a se chamar GB-4. Nessa época atuou em diversos shows, como baterista do Teatro Azul. Em 1966 ingressou na faculdade de Medicina e Cirurgia, onde se especializou em psiquiatria.
Em 1968 sua composição A Noite, a maré e o amor (com Sílvio Silva Júnior) foi uma das classificadas no III FIC (Festival Internacional da Canção), da TV Globo. No II Festival Universitário de Música Popular Brasileira, no Rio de Janeiro, em 1969, conseguiu classificar três músicas: Nada sei de eterno (com Sílvio Silva Júnior), interpretada por Taiguara, Mirante (com César Costa Filho), interpretada por Maria Creuza, e De esquina em esquina (com César Costa Filho), interpretada por Clara Nunes.
No V FIC, em 1970, classificou Diva (com César Costa Filho) e, no mesmo ano, sua composição, em parceria com Sílvio Silva Júnior, Amigo é pra essas coisas, participou do III Festival Universitário de Música Popular Brasileira. Nessa época, com César Costa Filho e Ivan Lins, integrou o Movimento dos Artistas Universitários (MAU), que pretendia maior divulgação da música, independente da existência de festivais.
Ainda em 1970, através de um amigo, conheceu João Bosco, jovem compositor mineiro, estudante de engenharia em Ouro Preto MG, que começou a enviar-lhe fitas com suas composições para que colocasse letra.
Em 1972 lançaram sua primeira composição gravada, Agnus sei, interpretada e acompanhada ao violão por João Bosco, no primeiro Disco de Bolso, do semanário O Pasquim. Nesse mesmo ano, em LP da Phillips, Elis Regina gravou Bala com bala, primeiro sucesso da dupla.
Em 1973, a RCA Victor lançou um LP em que João Bosco interpreta composições de ambos, como Agnus sei, Bala com bala e Cabaré.
Foi um dos fundadores da SOMBRAS (Sociedade Musical Brasileira), entidade destinada a defender os compositores e os direitos autorais, e da Saci, Sociedade do Artista e Compositor Independente.
Em 1974, Elis Regina lançou outro LP pela Phillips incluindo novas composições da dupla: O mestre-sala dos mares, Dois pra lá, dois pra cá e Caça à raposa.
Em 1975, saiu pela RCA o LP Caça à raposa, de João Bosco, com De frente pro crime, Kid Cavaquinho, e outras, além daquelas lançadas por Elis Regina em 1974.
Em 1983 rompeu a parceria com Bosco. Com sua criatividade, riqueza e fluidez verbal, nem sempre é fácil encontrar um compositor que se adeqüe à poesia de Aldir. Teve vários outros parceiros, sendo os mais constantes Moacir Luz e Guinga.
Leila Pinheiro gravou em 1996 o disco Catavento e Girassol, exclusivamente com composições da dupla Guinga/Aldir Blanc. Com Moacir Luz e P.C. Pinheiro compôs Saudades da Guanabara. Maurício Tapajós é o parceiro de Querelas do Brasil. Com Guinga, além de Catavento e Girassol, escreveu Baião de Lacan, Canibaile, Chá de panela, O Coco do coco e outras. Aldir é também cronista, e escreve colunas no jornal carioca O Dia.
Em 1996 foi lançado o disco comemorativo Aldir Blanc - 50 Anos, com diversas participações especiais. Também foi encenado em 1999 o musical Aldir Blanc, Um Cara Bacana, escrito por Cláudio Tovar.
Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.
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Amelinha

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Amelinha (Amélia Claudia Garcia Colares) nasceu em 21/7/1950. Deixou o Ceará em 1970 para estudar comunicação em São Paulo. A carreira de cantora começou de maneira amadora, participando de shows do amigo e conterrâneo Fagner.
Em 1974, decidida a seguir na música, passou a aparecer em programas de TV. No ano seguinte, fez uma temporada em Punta del Leste, acompanhando Toquinho e Vinícius de Moraes, quando o Poetinha compôs para ela Ah! Quem me Dera.
Ao lançar o disco Flor da Paisagem (1977), produzido por Fagner, começou a ser apontada como a revelação nordestina ou "a Gal Costa do Ceará". Com o segundo trabalho, Frevo mulher (1979), recebeu disco de ouro. Mas a consagração veio mesmo no ano seguinte, quando viu o Maracanãzinho acompanhá-la em Foi Deus quem fez você, durante o MPB-80, festival promovido pela Rede Globo.

A composição de Luiz Ramalho classificou-se em segundo lugar, vendeu mais de um milhão de compactos e foi a primeira música a alcançar o primeiro lugar entre as mais executadas tanto nas faixas de FM quanto de AM.

O tema de abertura da série Lampião e Maria Bonita (Rede Globo), Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor, fez Amelinha estourar novamente em 1982. O disco homônimo ficou mais de 30 semanas entre os 50 LPs mais vendidos do ano.

Em 1984, a cantora entrou em nova fase. Separada do marido Zé Ramalho, que produziu três dos seus primeiros cinco discos e compôs muitos de seus sucessos, ela entregou sua voz à produção de Mariozinho Rocha e ao acompanhamento instrumental do Roupa Nova, que imprimiu algo de pop em seu trabalho. Foi o início de uma remodelação que culminou com o show 1989, Saudades da Amélia, em que deixou os frevos e baiões de lado para um repertório com músicas de Tom Jobim, Caetano Veloso e Chico Buarque.

Após sete anos sem gravar, em 1994, aderiu ao forró, relembrando clássicos como Pisa na Fulô e A vida do viajante. Em 1999, fez uma turnê pelo país com inéditas de seu novo disco, Só com você, e sucessos como Foi Deus que fez você.

Fonte: CliqueMusic

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Ângela Rô Rô

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A cantora Ângela Rô-Rô (Ângela Maria Diniz Gonçalves) nasceu no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1949. Estudou piano erudito desde os cinco anos, e ainda na adolescência ganhou o apelido Ro Ro por causa da voz grave e rouca.

Começou a tocar profissionalmente em casas noturnas do bairro carioca de Ipanema, seguindo suas preferencias pessoais, que incluíam Maysa, Jacques Brel e Ella Fitzgerald.

Contratada em 1979 pela Polygram, gravou nesse ano seu primeiro disco, Ângela Ro Ro, com duas faixas que fizeram sucesso, Amor, meu grande amor e A mim e a mais ninguém.

De temperamento irreverente, como se nota em canções como Tola foi você, lançou discos esporadicamente. Seus êxitos de cantora e compositora incluem Tango da bronquite (1980), Escândalo (1981, de Caetano Veloso) e Fogueira (1983).

Em 1996, o Barão Vermelho regravou com grande sucesso Amor, meu grande amor e, no mesmo ano, a Polygram relançou em CD o LP de 1982, Simples carinho. Em 1997 saiu pela gravadora Eldorado o CD Prova de Amor, relançamento do LP de 1988.

Algumas músicas cifradas:

Agito e uso, Amor, meu grande amor, Balada da arrasada, Bárbara, Blues do arranco, Demais, Escândalo, Gota de sangue, Me acalmo danando, Não há cabeça, Simples carinho, Tola foi você.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

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Arrigo Barnabé

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Arrigo Barnabé nasceu em Londrina, PR, em 14 de Setembro de 1951. Em São Paulo, cursou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (1971 a 1973) e a Escola de Comunicações e Artes (1974 a 1979), onde fez o curso de composição, no Departamento de Musica. Ainda na década de 1970, participou do Festival Universitário da TV Cultura com a musica Diversões eletrônicas. Lançou seu primeiro LP, Clara Crocodilo, em 1980.
Excursionou pelo Brasil em 1983, ano em que compôs a Saga de Clara Crocodilo para a Orquestra Sinfônica Juvenil do Estado de São Paulo e grupo de rock. Ainda em 1983, recebeu prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Gramado RS pela musica do filme Janete, de Chico Botelho. No ano seguinte, obteve reconhecimento internacional com seu segundo disco, Tubarões voadores (selo Barclay), eleito pela revista francesa Jazz Hot como um dos melhores do mundo.
Em 1985 foi premiado no Riocine Festival pela música do filme Estrela nua, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins. Um ano depois, a APETESP deu-lhe o prêmio de melhor composição para teatro, pela musica de Santa Joana. No mesmo ano, lançou o LP Cidade oculta e recebeu prêmio de melhor trilha sonora no Riocine Festival, pela musica do filme Cidade oculta, de Chico Botelho. Dois anos depois, no Festival de Cinema de Brasília DF, ganhou o prêmio de melhor trilha sonora, pelo filme Vera, de Sérgio Toledo.
No Festival de Cinema de Curitiba PR de 1988, ganhou o prêmio de melhor trilha sonora pela musica do filme Lua cheia, de Alain Fresnot. Com Itamar Assumpção, participou de shows por todo o Brasil, em 1991. No ano seguinte, lançou o CD Façanhas.
Em 1993 apresentou-se no Podenville, em Berlim, Alemanha. Sua peça Nunca conheci quem tivesse levado porrada, para a Orquestra Jazz Sinfônica, banda de rock e quarteto de cordas, teve apresentação no Memorial da América Latina, em São Paulo, em 1994.
Em 1995 participou do Primeiro Festival de Jazz e Música Latino-Americana, em Córdoba, Argentina. No Teatro Municipal, de São Paulo, apresentou sua peça Música para dois pianos, percussão, quarteto de cordas e banda de rock. Trabalhou então com um grupo heterodoxo: um quinteto de percussão (do qual fazia parte), um quarteto de cordas de São Paulo e a Patife Band, de rock pesado, liderada por Paulo Barnabé, seu irmão.
Apresentou-se em 1996 no Teatro Rival, na série Encontros Notáveis, em duo de pianos com Paulo Braga. No mesmo ano, dividiu com Tetê Espíndola um show no Centro Cultural São Paulo.
Com trabalho singular na música brasileira, tem composições de características que vão do dodecafonismo a atonalidade. Sempre na fronteira entre o erudito contemporâneo e o popular, na década de 1990 escreveu quartetos de cordas e peças para a Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo.
Em 1997, depois de quatro anos sem gravar, lançou o CD Ed Mort, do selo Rob Digital, trilha sonora do filme de mesmo nome, dirigido por Alain Fresnot.
Fonte: Enciclopédia da Música Popular - Art Editora e PubliFolha.
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Surdo e Tamborim: como surgiram

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Surdo
Desde molequinho, Bide batia tamborim e pensava que era seu inventor. Mas de surdo, ele tinha certeza: de uma grande lata de manteiga, dois aros e um couro esticado, o sambista construiu a alma das escolas de samba.
Ismael Silva desenhava um retângulo e explicava ao compositor Hermínio Bello de Carvalho: “Pois bem, aqui está a escola de samba. Milhões de pessoas. Um solista. Quando o samba entra na segunda parte, entra o solista. Pois bem, como é que, naquela confusão toda, o pessoal vai saber quando deve atacar a primeira parte novamente? Aí entra o ‘surdo’, que dá aquelas duas porradas fortes e o pessoal entra maçico. certinho”.
Fica então clara a importância do surdo. Tamborins, latas de manteiga, cuícas e pandeiros compunham a bateria da Deixa Falar, em sua estréia. Faltava um instrumento de marcação que comandasse a escola e fosse ouvido por todos os componentes.
Alcebíades Barcelos, Bide, que já tocava seu tamborim desde menino e que trouxera o instrumento para a escola, observando o som das grandes latas de manteiga usadas na percussão, resolveu melhorá-las. Comprou dois aros, fixou um por dentro, outro por fora, segurando o couro com tachas ao redor e pronto.
A Deixa Falar entrou na praça Onze falando mais alto. Todos adotaram a novidade, creditando a Bide a invenção do “surdo”. Quanto ao tamborim, Bide dizia: “Esse não tenho certeza se inventei. Mas o que me lembro é que, desde molequinho, já fazia, encourava e tocava na rua, sem bloco, sem nada, as pessoas querendo saber que instrumento era aquele”.
Fonte: História do Samba - Editora Globo.
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Leny Andrade

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Leny Andrade (Leny de Andrade Lima), cantora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 25/1/1943. Aos nove anos de idade apresentou-se no Clube do Guri, programa da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, e mais tarde cantou nos programas Silveira Lima e César de Alencar.
Em 1961, estreou na boate Bacará e em seguida no Bottle’s Bar. Em 1962, foi crooner da orquestra de Dick Farney, em São Paulo.
Em 1966 estabeleceu-se no México, onde permaneceu durante cinco anos, e se exibiu inúmeras vezes com o cantor Pery Ribeiro. Voltou a gravar no Brasil somente depois de 1971.
Entre seus LPs de maior sucesso estão A sensação Leny Andrade e A arte maior de Leny Andrade, o primeiro lançado pela RCA Victor e o segundo pela Polydor.
CDs: Luz neon, 1989, Eldorado 584027; Cartola, 1994, Velas 11V-002; Luz negra — Nelson Cavaquinho por Leny Andrade, 1994, Velas 11-V062.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.
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Dercy Gonçalves

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Dercy
A imagem de Dercy Gonçalves, já uma senhora, mas ainda muito bonita em seu maiô rebordado de strass, as imensas plumas coloridas de avestruz na cabeça e na cauda, liderando — vedete absoluta, como mandava o figurino — o elenco reluzente da Companhia Dercy Gonçalves, era a da grande estrela, em seu elemento, o palco.
Meados dos anos 50, o teatro era o desaparecido Santana, na rua 24 de Maio, em São Paulo. Só ver Dercy encerrar o espetáculo cantando o samba Até amanhã de Noel Rosa, secundada por atores, atrizes, lindas mulheres, todos entregando-se ao ritmo brasileiro que, então, dominava por completo o teatro de revista, valia o ingresso.
Boa cantora, bela figura, desenvolta e com jeito brasileiro em cena, logo se tornou caricata e intérprete de sambas, desde que chamou a atenção da crítica, na revista Rumo A Berlim, de Freire Júnior e Walter Pinto, em 1942, no Teatro Recreio.
Cresceu tanto que, em 1944, já imitava ninguém menos que Araci Cortes, a rainha da revista, em Barca da Cantareira, de Luiz Peixoto e Custódio Mesquita. Cantando samba, naturalmente. Como sempre o faria, no decorrer dos 30 anos em que foi das vedetes mais aplaudidas do país.
Filha de alfaiate e neta de coveiro, Dolores Gonçalves Costa (nascida a 23 de junho de 1907), ficou sem a mãe muito cedo. A lavadeira Margarida descobriu que o marido tinha uma amante. Ofendida e humilhada arrumou as trouxas e foi para o Rio de Janeiro, largando os sete filhos para que o infiel tomasse conta. Vitória, a amante de seu Manoel, passou a freqüentar a casa. "Ficavam namorando na sala, de mãos dadas. Mas papai nunca assumiu o romance. A certa altura da noite, ela ia embora."
Dercy, bilheteira de cinema, escandalizava a cidade ao pintar o rosto como as atrizes dos filmes mudos. Dançava para alegrar os hóspedes do Hotel dos Viajantes em troca de um prato de comida. Na missa, de vestido de chita, cantava de pé num banquinho abraçada à imagem de Jesus. Aí se apaixonou por Luís Pontes, um rapaz de bons modos. "Foi a primeira pessoa que me deu carinho. Mas a família dele proibiu o namoro." Quando encontrou a companhia de teatro mambembe, Dercy tinha todas as razões do mundo para fugir de casa.
Em Conceição de Macabu (RJ), passou a ser assediada pelo cantor Eugenio Pascoal. "Não sabia que eu era moça, não tinha virado mulher." Só tomou coragem para se entregar quando a turnê chegou a Leopoldina (RJ), duas semanas depois. Gentil, Pascoal saiu do quarto para que ela colocasse a camisola feita de saco de arroz. Tinha até inscrito no peito: "Indústria Brasileira de Arroz Agulhinha, arroz de primeira." Os carinhos preliminares não a incomodaram, mas quando ele a penetrou Dercy deu um pulo. Viu que estava sangrando e imaginou-se ferida. "Sentei o pé nele e saí porta afora. Socorro! Esse homem me furou! Imaginei que tinha enfiado um facão e rasgado minhas tripas."
Nunca mais houve clima para romance, mas eles se tornaram grandes amigos, até Pascoal morrer, tuberculoso. Pior: contagiou Dercy. Foi quando ela encontrou Ademar Martins, exportador de café mineiro, casado, muito católico. Levou-a para um sanatório perto de Juiz de Fora, aparecia uma vez por semana para vê-la e pagar a conta. Depois, instalou Dercy num hotel na praça Tiradentes, no Rio. Só então transaram pela primeira vez. Nasceu Dercimar, a única filha de Dercy. "Teve aulas de boas maneiras, aprendeu francês e casou com um quatrocentão da Tijuca. É uma dama na expressão da palavra", deleita-se Dercy.
Estrela das comédias da praça Tiradentes e das revistas musicais do Cassino da Urca, fez do palavrão cavalo de batalha. "Sou um retrato do País, que é a própria escrotidão", dispara. Ao imitar os trejeitos de Carmen Miranda, coçava o corpo todo. Ironizava o caminhar manco de Orlando Silva e fazia troça do vozeirão de Vicente Celestino.
Fez 36 filmes e, a partir de 1957, entrou também na televisão. Nos anos 60, Consultório sentimental, na TV Globo, uma espécie de talk-show primitivo ela esculhambava o convidado, chegou a ter 90% da audiência dos aparelhos ligados.
"Sou uma escola de irreverência." Dercy chega aos 92 anos sozinha. Casou na década de 40 com o jornalista Danilo Bastos, dez anos mais jovem. "Não era amor, e sim troca." Teve um caso tórrido com o acrobata Vico Tadei, mas amor verdadeiro, de chorar, só o Luís Pontes, o rapaz de bons modos de Madalena. "Escrevia cartas e as lágrimas caíam no papel. Mas o tempo passou e eu esqueci Luís Pontes. Ai de nós se não houvesse o esquecimento."
Fontes: Isto É - 0 Brasileiro do Século; História do Samba - Editora Globo.
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Tropicalismo

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Tropicalismo - Movimento cultural do fim da década de 60 que, usando deboche, irreverência e improvisação, revoluciona a música popular brasileira, até então dominada pela estética da bossa nova.

Liderado pelos músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil, o tropicalismo usa as idéias do Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade para aproveitar elementos estrangeiros que entram no país e, por meio de sua fusão com a cultura brasileira, criar um novo produto artístico. Também se baseia na contracultura, usando valores diferentes dos aceitos pela cultura dominante, incluindo referências consideradas cafonas, ultrapassadas ou subdesenvolvidas.

O movimento é lançado com a apresentação das músicas Alegria, alegria, de Caetano, e Domingo no parque, de Gil, no Festival de MPB da TV Record em 1967. Acompanhadas por guitarras elétricas, as canções causam polêmica em uma classe média universitária nacionalista, contrária às influências estrangeiras nas artes brasileiras.

O disco Tropicália ou Panis et Circensis (1968), manifesto do movimento, vai da estética brega do tango-dramalhão Coração materno, de Vicente Celestino (1894-1968), à influência dos Beatles e do rock em Panis et Circences, cantada por Os Mutantes. O refinamento da bossa nova está presente nos arranjos de Rogério Duprat (1932-), nos vocais de Caetano e na presença de Nara Leão (1942-1989).

O tropicalismo manifesta-se, ainda, em outras artes, como na escultura Tropicália (1965), do artista plástico Hélio Oiticica, e na encenação da peça O Rei da Vela (1967), do diretor José Celso Martinez Corrêa (1937-).

O movimento acaba com a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968. Caetano e Gil são presos e, depois, exilam-se na Inglaterra. Em 1997, quando se comemoram os 30 anos do tropicalismo, são lançados dois livros que contam a história do movimento: Verdade Tropical, de Caetano Veloso, e Tropicália - A História de uma Revolução Musical, do jornalista Carlos Calado.

Fonte: Tropicália

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