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domingo, 5 de junho de 2011

Fred Figner

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Fred Figner (Frederico Figner), comerciante e empresário, nasceu em Milesko u Tabor, na Boêmia, República Tcheca, em 02/12/1866, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 19/01/1947. Foi o empresário pioneiro, responsável pelo início da história da música popular brasileira gravada.

Em 1882, mudou-se para os Estados Unidos e, ao adquirir cidadania americana, tornou-se comerciante. Conheceu o primeiro fonógrafo em San Antonio, Texas, em 1889. Segundo suas palavras, "Era um aparelho com uns canudos que as pessoas punham nos ouvidos e riam".

Embora não tenha ouvido o som da engenhoca, aceitou a proposta de seu cunhado de serem sócios na compra da máquina. Ainda em suas palavras, "sem querer ter a curiosidade de ver primeiro o que era o tal fonógrafo, aceitei a proposta. Era a base de uma máquina de costura que tinha de ser tocada com os pés, para fazer funcionar o fonógrafo. Compramos uma porção de cilindros em branco para preparar o repertório para expor nos países latinos".

Excursionou pela América Latina por um período de 15 meses, até que decidiu vir ao Brasil: "Eu aparafusei o Brasil na minha cachola". Em outubro de 1891, aos 26 anos de idade, chegou ao Brasil, mais precisamente a Belém do Pará, surpreendendo os participantes da Festa do Círio de Nazaré. Na máquina falante, tocou operetas, valsas, regtime e até mesmo a voz de políticos importantes. Ainda em Belém, gravou cilindros com árias cantadas por Concetta Bondalba, que estava à frente da companhia de ópera em cartaz no Pará. Logo depois seguiu viagem, passando por Fortaleza, Natal, Recife, João Pessoa e Salvador.

Na Bahia reencontrou Bondalba e gravou mais algumas árias. No percurso, registrou também modinhas e lundus locais, quando percebeu que este repertório era o que realmente chamava a atenção das pessoas.

Em abril de 1892, desembarcou no Rio de Janeiro, onde continuou a mostrar a máquina falante. Pouco depois, com medo da febre amarela, deixou o país, retornando em 1896. Ao chegar, alugou uma loja na rua do Ouvidor, onde inicialmente exibiu "Inana", peça de revista com truques de espelhos que davam a impressão de que a personagem principal flutuava no ar sem qualquer ponto de apoio. O sucesso foi tanto, que lhe possibilitou montar uma loja de equipamentos sonoros em 1897.

Em 1900, fundou a Casa Edison (nome em homenagem a Edison, o inventor do fonógrafo), estabelecimento destinado a vender equipamentos de som, máquinas de escrever, geladeiras etc.

Seguia vendendo cilindros com lundus e modinhas, trazendo em seguida a novidade dos gramofones que, diferentemente dos fonógrafos, tocavam chapas de maior durabilidade e definição sonora. Neste mesmo ano, escreveu para a companhia Gramophone de Londres, solicitando que a firma enviasse ao Brasil técnicos para gravar música brasileira. Com a vinda do técnico alemão Hagen, Fred Figner instalou uma sala de gravação ao lado da Casa Edison, situada na Rua do Ouvidor, 105. Foram então gravados os primeiros discos brasileiros, em seguida enviados à Europa para serem prensados.

Até 1903, a Casa Edison produziu 3 mil gravações, conferindo ao Brasil o terceiro lugar no ranking mundial (estavam à frente os Estados Unidos e a Alemanha). Fred Figner enriqueceu, tornando-se proprietário de tudo o que se produzia em música brasileira. Como próximo passo, montou a primeira loja de varejo do Brasil, com um sistema de distribuição em todo o país, com filiais, vendedores pracistas e produção de anúncios e catálogos.

Em 1912, a International Talking Machine - Odeon instalou uma fábrica de prensagem de discos no Rio de Janeiro e Fred Figner passou a ser vendedor exclusivo da Odeon, recebendo o encargo de fornecer o terreno e construir a primeira fábrica de discos instalada no Brasil e a maior da América Latina.

Um ano mais tarde, a fábrica Odeon começou a produzir um total de 1,5 milhão de discos por ano, o quarto maior mercado de discos do mundo. A vendagem durante a Primeira Guerra se mantém, tendo a Casa Edison comercializado quatro mil gravações de música brasileira.

Em 1925, a empresa holandesa Transoceanic foi encampada pela Columbia Gramophone de Londres, que desenvolveu o sistema de gravação elétrica inventado pela Western Electric. No ano seguinte, a empresa afasta Fred Figner, passando a dominar a distribuição de discos no Brasil.

Em 1927, entregou o selo Odeon e passou a gravar pelo selo Parlophon. Em 1932, novamente é afastado do negócio pela Transoceanic. A partir deste ano, a casa Edison restringiu sua linha de mercadorias a máquinas de escrever, geladeiras e mimeógrafos.

Em 1960, encerrou as atividades como oficina de máquinas de escrever e calcular. Foi muito ligado ao espiritismo de Alan Kardec, apesar de suas origens judaicas. Morreu vitimado por problemas cardíacos aos 80 anos de idade, deixando uma imagem de pioneirismo, tendo sido o primeiro "diretor artístico" de gravadora no Brasil e o responsável pela fundação das bases profissionais do mercado musical brasileiro.

Em 2002 foi lançada uma coleção de discos da Casa Édison, coordenada por Humberto Franceschi e editada pelo Instituto Moreira Salles em parceria com o selo Biscoito Fino.

Fontes: ALBIN, Ricardo Cravo; Wikipedia - A Enciclopédia Livre; Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin; AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008.
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terça-feira, 31 de maio de 2011

Disco fonográfico no Brasil

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A Banda da Casa Edison.

O primeiro suplemento de discos brasileiros foi lançado em agosto de 1902 pela Casa Edison, empresa pertencente ao importador Fred Figner, estabelecida à rua do Ouvidor n 107, no Rio de Janeiro RJ.

Os discos, originalmente chamados de chapas, eram gravados no Rio de Janeiro e fabricados na Alemanha, pela International Zonophone Co., subsidiária da Universal Talking Machine Co. Nesse suplemento eram apresentadas duas séries: a 10000 e a X-1000, respectivamente de sete e dez polegadas de diâmetro.

Assim, pode-se considerar o Zon-O-Phone n 10001, com o lundu Isto é bom, gravado pelo cantor Bahiano, como o primeiro disco brasileiro. Essas chapas, gravadas pelo sistema mecânico, o único na época, traziam fonogramas impressos nas duas faces. 

No final de 1904, a Casa Edison adotou a marca Odeon, então recém-fundada em Berlim, Alemanha, pela International Talking Machine Co. A partir de 21 de dezembro de 1912, os discos da Casa Edison passaram a ser prensados pela Fábrica Odeon, instalada pela International no Rio de Janeiro, e que seria a primeira de grande porte a funcionar na América do Sul. 

Durante o período em que vigorou no Brasil o sistema de gravação mecânica (1902-1927), foram lançados cerca de sete mil discos, a maioria pela Casa Edison e os demais por gravadoras de vida curta como a Faulhaber, a Phoenix e os discos Gaúcho. 

Em julho de 1927, já então pertencendo à Transoceanic Trading Co., a Odeon lançou o primeiro suplemento da era da gravação eletro-magnética no Brasil. Seu disco inicial, novamente de número 10001, trazia a marcha Albertina e o samba Passarinho do má, ambos de autoria do dançarino Duque e gravados pelo cantor Francisco Alves

Daí, até 1964, quando o padrão de 78 rpm foi abandonado no Brasil, seriam gravados nesse sistema cerca de 28 mil discos, num total de 56 mil fonogramas. A principio sozinha, a Odeon logo passaria na fase elétrica a compartilhar o mercado com a Victor (depois RCA-Victor) e a Columbia (depois Continental), até o final da década de 1940. 

Nas décadas seguintes, somaram-se a essas empresas a CBS, a Philips, a Copacabana, a RGE, a Polydor e mais algumas dezenas de marcas de efêmera duração. 

Criado em 1948, o long-playing (LP), micro-sulco de 33 1/3 rpm, fabricado em vinil, foi lançado comercialmente no Brasil em janeiro de 1951 pela empresa Sinter (utilizando o selo Capitol), trazendo o disco inicial músicas para o Carnaval desse ano. Outra novidade, o sistema de 45 rpm, que não vingou no mercado brasileiro, seria lançada em 1953. 

Mas o LP levaria alguns anos para ser implantado, só começando a suplantar o antigo sistema (juntamente com os formatos compacto simples e compacto duplo) a partir de 1958. Por essa época, as principais inovações tecnológicas que aperfeiçoaram no pós-guerra o processo de gravação — como o emprego da fita magnética e da máquina de múltiplos canais — já estavam incorporadas à rotina de produção de nossa indústria fonográfica, embora o uso da estereofonia só viesse a se popularizar na década seguinte, com a confecção dos chamados discos compatíveis, que funcionavam também em aparelhos monaural. 

Finalmente, com o mercado em expansão, a fonografia brasileira entrou em novembro de 1984 na era da gravação digital, com o lançamento pela Polygram do primeiro CD interpretado por artistas nacionais. 

Três anos depois, a empresa paulista Microservice inaugurava a primeira fábrica brasileira de CDs. Atuando em um país marcadamente musical, a indústria fonográfica brasileira alcançaria, em 1996, o sexto lugar no ranking mundial, com 94 milhões de discos vendidos, dos quais 90 por cento foram CDs.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - Publifolha - 1998 - 2a. Edição - São Paulo
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