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domingo, 14 de janeiro de 2007

Candinho Trombone

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Candinho Trombone (Cândido Pereira da Silva), instrumentista e compositor nasceu no Rio de Janeiro RJ em 30/1/1879 e faleceu na mesma cidade em 12/12/1960. Viveu parte da infância no Asilo de Meninos Desvalidos (depois Instituto João Alfredo).
Integrou a banda de música da Fábrica de Tecidos Confiança, de Vila Isabel, chegando a contramestre. Depois serviu na Brigada Policial, na banda de música do Primeiro Batalhão de Infantaria, sendo também seu contramestre no posto de sargento. Alem de trombone, tocava bombardão e bombardino, ingressando mais tarde na orquestra do Teatro São José.
Começou a compor e participar dos chorões a partir de 19 anos, tendo como companheiros mais constantes Irineu de Almeida, Licas, Luís Gonzaga e Anacleto de Medeiros. Organizou e manteve, por muitos anos, grupos de músicos em Vila Isabel e outros bairros. Alguns membros desses grupos se tornaram famosos, como Amora Cavaquinho e Nolasco.
Conviveu com os grandes chorões das primeiras três décadas do século XX, entre os quais Carramona, Luís de Sousa, Mano Cavaquinho, Cupertino de Menezes, Quincas Laranjeiras, Juca Kalut, General Gasparino, Paulino Sacramento, Catulo da Paixão Cearense, Donga e Pixinguinha, fazendo parte dos grupos Carioca e Malaquias.
Em 1933 ingressou por concurso na orquestra do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1951, quando se aposentou. Compôs uma obra extensa, mas pouco editada, formada em sua maior parte por choros, entre os quais se tornou famoso O nó, tido como modelo no gênero por suas modulações imprevistas.
Obras: Abigail, polca, s.d.; Aldeiazinha, valsa, s.d.; Aniversario do Alarico, polca, s.d.; Artur virou bode, polca, s.d.; Bismarck brincando, polca, s.d.; Brandão no choro, polca, s.d.; Brincando, valsa, s.d.; Brincando de escrever, choro, s.d.; Candinho no choro, polca, s.d.; Carioca, polca, s.d.; Chorando, polca, s.d.; Colar de pérolas, valsa, s.d.; Coralina, valsa, s.d.; Dalba, valsa, s.d.; Dança do urso, polca, s.d.; Deixai-os penar, polca, s.d.; Deliciosa, xotis, s.d.; Um dia em Petrópolis, polca, s.d.; Dulcinéia leal, valsa, s.d.; É isso mesmo, polca, s.d.; Edelvira, valsa, s.d.; Elazir, valsa, s.d.; Floriano brincando, polca, s.d.; Glorinha, polca, s.d.; Graças a Deus, valsa, s.d.; Gratidão de um beijo, valsa, s.d.; Isaura, polca, s.d.; Ivone, valsa, s.d.; Leonila, valsa, s.d.; O Licas procurando, polca s.d.; Martirizando, tango, s.d.; Nadir, polca, s.d.; Não chores, valsa, s.d.; Não digas, polca, s.d.; Não escapa, polca, s.d.; Não se meta, polca, s.d.; O nó, choro, s.d.; Preludiando, xotis, s.d.; Queixosa, valsa, s.d.; Raios de sol, valsa, s.d.; Sapeca, polca, s.d.; Uma saudade, valsa, s.d.; Sílvia, valsa, s.d.; Solicitando, polca, s.d.; Soluçando, polca-marcha, s.d.; Sonho divinal, valsa, s.d.; Súplica, valsa, s.d.; O teu sinal, polca, s.d.; Tinguaciba, polca, s.d.; Trinta janeiros, valsa, s.d.; Triste alegria, polca, s.d.; Uianinha, valsa, s.d.; Vai levando, polca, s.d., Violinista, valsa, s.d.; Ziza, polca, s.d.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.
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Licas

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O instrumentista Licas viveu no Rio de Janeiro entre os fins dos séculos XIX e XX. Tipógrafo, residente no subúrbio da Piedade, começou carreira musical como flautista. Integrou a banda do Corpo de Bombeiros, sob a direçao de Anacleto de Medeiros, destacando-se como executante de bombardino e bombardão.
Freqüentou as rodas de choro mais famosas de sua época, ao lado de Candinho Trombone, Anacleto de Medeiros, Cupertino de Menezes, Catulo da Paixão Cearense, Mano Cavaquinho e Sátiro Bilhar.
Ficaram famosos os contracantos que fazia no bombardino, imitando os baixos melódicos do violao.
Reminiscencias dos chorões antigos - Por Alexandre Gonçalves Pinto:
"Lica, era typographo, morava na rua Sá, em Piedade, foi um grande bohemio e um grande chorão, bombardão falado e conquistado, fazia gosto vel-o tocar, por esta razão era deveras apreciado pelos amantes dos "chôros" pela sua sympathia, conhecia o seu instrumento demais, por este motivo executava com muita cadencia, conhecedor de seu mecanismo, dava sempre preferencia em acompanhar flauta, cavaquinho e violão, sendo pelos mesmos acclamado tal era a macieza de seu sôpro e suavidade das notas melodiosas de seu bombardão.
Houve um tempo em que elle se dedicou á flauta e com este instrumento fez prodigios no meio dos chorões, depois Lica, foi fazer parte da banda de musica do Corpo de Bombeiros debaixo dabatuta do prestigioso e inesquecivel maestro Anacleto de medeiros, de quem se tornou um fervoroso amigo.
Lica, tinha verdadeiro amor e devotamento á arte musical, nos chôros onde elle fazia parte e dispunha de liberdade, pedia a palavra em louvor sempre de Santa Cecilia, tal era o seu enthusiasmo, tambem tinha muita habilidade nas representações de scenas comicas.
Ninguem como o Lica, fazia um anão nos intervallos dos chôros pondo um cesto na cabeça coberto com um pannobranco, fazendo uma carranca na barriga, entrava nos salões arrancando applausos da assistencia.
Elle ia longe a procura de seus companheiros de "chôro" com um bombardão velho e enzinhavrado cumprindo assim a sua palavra, a chegada de Lica, nos "chôros" á ultima hora tinha radiante recepção, pela anciedade de sua presença. Lica, foi um "chorão"inveterado que deixou saudades aos chorões da velha guarda.
Tal a macieza de seu sôpro, como contra baixo de cordas. Acompanhando muitas vezes com o seu velho bombardão até modinhas, fazendo nas suas notas um violão".
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