domingo, 7 de agosto de 2011

Maurício Tapajós

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Maurício Tapajós (Maurício Tapajós Gomes), compositor, instrumentista, cantor e produtor musical, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 27/12/1943, e faleceu na mesma cidade, em 21/04/1995. Nascido em uma família carioca com forte ligação musical (o pai, Paulo Tapajós, era radialista, compositor e cantor e foi, com os irmãos, responsável pela estréia musical do poeta Vinícius de Moraes na parceria Loura ou morena, de 1928; o irmão Paulinho também é músico), começou a compor na década de 60.

Sua primeira composição gravada foi Carro de boi (com Cacaso), pelo conjunto Os Cariocas.

Em 1966, assinou a direção musical e a trilha sonora, em parceria com Hermínio Bello de Carvalho e Antonio Carlos Brito (Cacaso), da ópera popular João Amor e Maria, de autoria de Hermínio Bello de Carvalho. O musical foi encenado no Teatro Jovem (RJ), por um elenco formado por Betty Faria, Fernando Lébeis, José Wilker, José Damasceno, Cécil Thiré e os integrantes do grupo vocal MPB-4, com direção de Kleber Santos e Nélson Xavier e cenários de Marcos Flaksman. A trilha sonora do espetáculo, de sua parceria com Hermínio Bello de Carvalho, foi lançada em disco.

Em 1967, Mudando de conversa (com Hermínio Bello de Carvalho) obteve sucesso na interpretação de Dóris Monteiro.

Teve diversas músicas gravadas na década de 1970, incluindo o clássico anticensura Pesadelo, com Paulo César Pinheiro ("você corta um verso/ eu escrevo outro/ você me prende vivo/ eu escapo morto") e o hino da anistia To voltando. Criou sua própria gravadora, Saci (Sociedade de Artistas e Compositores Independentes). Pela Saci lançou Olha aí e o LP duplo Aldir Blanc & Maurício Tapajós.

Foi fundador da Amar (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes) e presidente da entidade.

No ano de sua morte, foi realizado, no Teatro João Caetano (RJ), o show tributo "Amigos lembram Maurício Tapajós", com a participação de Paulinho Tapajós, Mu Carvalho, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Carlinhos Vergueiro, João Nogueira, Sérgio Ricardo, Cristina Buarque, Miúcha, Os Cariocas, O Trio, Cristóvão Bastos, Zezé Gonzaga, Célia Vaz, Alaíde Costa, Moacyr Luz, Marco Sacramento, Paulo Malaguti, Elza Maria e Amélia Rabelo, entre outros.

Maurício Tapajós faleceu aos 51 anos, em 21 de abril de 1995.

Fontes: CliqueMusic; Memorial da Fama.
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Renato Barros

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Renato Barros (Renato Cosme Vieira de Barros), compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 27/09/1943. Em 1959 criou o grupo Renato e seus Blue Caps, que passou a se apresentar em bailes pela cidade.

Em 1966 teve a música Devo tudo a você gravada pelo cantor Jerry Adriani. O mesmo cantor gravou ainda Não me perguntem por ela, Triste amor, Uma vida inteira e Você quis zombar de mim, parceria com Ed Wilson, entre outras. 

Ainda em 1966, a cantora Wanderléia gravou Tudo morreu quando perdi você. No mesmo ano, foi de sua autoria um dos maiores sucessos do conjunto Renato e Seus Blue Caps, A primeira lágrima.

Em 1979, teve a música Eu não sabia que você existia com Tony gravada pela dupla Jane e Herondy.

Ao longo da carreira assinou parcerias com o irmão Paulo César Barros, Rossini Pinto, Lílian knapp e Ed Wilson, entre outros. Dois de seus maiores sucessos foram Menina linda e Feche os olhos, versões para as músicas I should have know better e All my loving, do conjunto inglês The Beatles, gravadas por Renato e Seus Blue Caps. Outro grande sucesso de sua carreira como compositor foi Devolva-me, parceria com Lilian Knapp e gravada inicialmente por Leno e Lilian e que no final dos anos 1990 ganhou um versão também de sucesso com a cantora Adriana Calcanhoto.

Em 1995 partcipou com seu conjunto das comemorações dos 30 anos da Jovem Guarda com apresentações em diversas casas de shows.

Com mais de 50 músicas gravadas, teve composições registradas por Wanderley Cardoso, The Fevers, Roberto Carlos,  Erasmo Carlos e Leno e Lílian. Em contínua atuação como instrumentista e compositor, voltou a participar, em 2005, das comemorações dos 40 anos da Jovem Guarda, incluindo gravação de DVD comemorativo.

Obras

A garota que eu gosto, A pobreza, A saudade que ficou (c/ Ed Wilson),  Amor sem fim (c/ Alessandro),  Anjo rebelde (c/ Nanni e Cid Chaves),  Aprenda a me conquistar (c/ Lilian Knapp e Carlinhos),  Batom vermelho (c/ Nanni e Gelson Morais),  Blue caps twist,  Bonequinha,  Com você no coração (c/ Nanni),  Como há dez anos atrás,  Coração faminto (c/ Gileno),  Devo tudo a você,  Devolva-me (c/ Lilian Knapp),  Esta noite não sonhei com você,  Eu não aceito o teu adeus (c/ Mauro Motta),  Eu não sabia que você existia (c/ Tony),  Eu te amei demais,  Eu te amo,  Eu te quero, eu te adoro (c/ Rossini Pinto),  Feche os olhos (c/ Lennon e MacCartney),  Gamadinho por você,  Guerrilheiro do amor (c/ Nanni e Hugo Belardi),  Lar doce lar (c/ Carlinhos), Memórias (c/ Nanni), Menina feia,  Menina linda (c/ Lennon e MacCartney),  Meu amigo do peito,  Monaliza da tv (c/ Nanni),  Não foi o que eu fiz (c/ Pedrinho),  Não maltrate um coração,  Não me perguntem por ela,  Não vá embora sem me dizer,  Nos braços, nos olhos e no coração (c/ Nanni),  Nós dois,  O brinquedo se quebrou,  O feio (c/ Getúlio Côrtes),  O pica-pau (c/ Lilian Knapp),  Os costeletas (c/ Getúlio Côrtes e Carlinhos),  Pode me procurar (c/ Nanni),  Pra sempre (c/ Nanni),  Preciso ser feliz (c/ Paulinho e Lilian Knapp),  Primeira lágrima,  Querida Gina,  Se você soubesse (c/ Rossini Pinto),  Sem Suzana,  Sem você,  Sexo frágil (c/ Nanni),  Sim, sou feliz (c/ Paulo César Barros),  Só por causa de você (c/ Gileno),  Sou amor pra te entregar (c/ Massom),  Sou louco por ela (c/ Ed Wilson),  Suco de laranja (c/ Ernani Cardoso e Pantera),  Summer comes again, Triste amor,  Tudo morreu quando perdi você,  Um é pouco, dois é bom, três é demais,  Vamos fundo (c/ Nanni),  Vera Lúcia (c/ Paulinho),  Você deixou saudades (c/ Mauro Motta),  Você é um pedaço de mim,  Você não serve pra mim,  Você quis zombar de mim (c/ Ed Wilson),  Vou ao teu encontro (c/ Ernani Cardoso).

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.
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Waly Salomão

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Waly Salomão (Waly Dias Salomão), poeta, ensaísta e letrista, nasceu em Jequié, BA, em 03/09/1943, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 05/05/2003. Filho de pai sírio e mãe baiana, viveu sua infância na cidade natal, mudando-se, na adolescência, para Salvador (BA) para cursar o 2º grau. Graduou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia, embora nunca tenha exercido a profissão.

Nos anos 1960, aproximou-se de artistas que se identificaram com o movimento tropicalista, como Torquato Neto, Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso ,Gilberto Gi e Jards Macalé. No entanto, Salomão nunca se identificou como integrante do movimento estético tropicalista.

Poeta e letrista — além de produtor cultural e diretor artístico —, é co-autor de músicas como Mel e Talismã, ambas com Caetano e que viraram título dos discos de Maria Bethânia de 1979 (ultrapassando a marca de 1 milhão de cópias) e 1980, Anjo exterminador (com Macalé, também título do disco de Bethânia de 72), Mal Secreto (com Macalé), Assaltaram a gramática (com Lulu Santos, grande sucesso dos Paralamas), Balada de um vagabundo (com Roberto Frejat, gravada por Cazuza), Pista de dança (com Adriana Calcanhotto, gravada pela própria em Marítimo) e Vapor barato (com Jards Macalé), composta em 1968 e gravada por Gal Costa no disco Fa-tal em 1972, que voltou a fazer sucesso em 1995 na trilha sonora do filme Terra Estrangeira.

Ainda na década de 70 desenvolveu a Morbeza (morbidez + beleza) romântica, linha pela qual Jards Macalé lançou o disco Aprender a nadar. O espetáculo Fa-tal, marco na carreira de Gal, foi dirigido por Waly.

Lançou seu primeiro livro do poemas em 1971, Me Segura que Eu Vou Dar um Troço, com textos escritos durante uma temporada passada na prisão, paginados e diagramados pelo artista plástico Hélio Oiticica, amigo de toda a vida e de quem escreveu a biografia, Qual é o Parangolé. 

No ano seguinte participou da organização e edição de Os Últimos Dias de Paupéria, coletânea de artigos do poeta e amigo Torquato Neto, morto em 1972.

Junto com Torquato fez a revista Navilouca, que só teve um número mas fez história. Nessa época, passou a assinar como Wally Sailormoon, pseudônimo que logo abandonou. Outros de seus livros foram Gigolô de bibelôs, Surrupiador de souvenirs, Algaravias, Lábia e Tarifa de embarque, lançado em 2000.

Obras

A cabeleira de Berenice (c/ Moraes Moreira), A fábrica do poema (c/ Adriana Calcanhoto), A voz de uma pessoa vitoriosa (c/ Caetano Veloso), Alteza (c/ Caetano Veloso), Anjo exterminado (c/ Jards Macalé), Assaltaram a gramática (c/ Lulu Santos), Assim sem mais (c/ João Bosco e Antônio Cícero), Balada de um vagabundo (c/ Roberto Frejat), Berceuse crioulle,Campeão olímpico de Jesus (c/ Caetano Veloso), Da gema (c/ Caetano Veloso), Dandara, a flor do gravatá (c/ Gilberto Gil), Domingos Jorge Velho em Pernambuco (c/ Gilberto Gil), Dona do castelo (c/ Jards Macalé), Ganga zumba, o poder da bugiganga (c/ Gilberto Gil), Grafitti (c/ Caetano Veloso e Antônio Cícero), Holofotes (c/ João Bosco e Antônio Cícero), Ladrão de fogo (c/ João Bosco e Antônio Cícero), Lenda de São João (c/ Moraes Moreira), Luz do sol (c/ Carlos Pinto), Maio, maio, maio (c/ João Bosco e Antônio Cícero), Mal secreto (c/ Jards Macalé), Mel (c/ Caetano Veloso), Memória da pele (c/ João Bosco), Misteriosamente (c/ João Bosco e Antônio Cícero), Musa cabocla (c/ Gilberto Gil), Negra melodia (c/ Jards Macalé), O cometa (c/ Gilberto Gil), O dono do pedaço (c/ Caetano Veloso e Antônio Cícero), O faquir da dor (c/ Jards Macalé), O revólver do meu sonho (c/ Gilberto Gil e Roberto Frejat), O senhor dos sábados (c/ Jards Macalé), Odalisca em flor (c/ Moraes Moreira), Olho de lince (c/ Waly Salomão), Olho-d'água (c/ Caetano Veloso), Paranóia (c/ João Bosco e Antônio Cícero), Pista de dança (c/ Adriana Calcanhoto), Pontos de luz (c/ Jards Macalé), Quilombo (c/ Gilberto Gil), Remix século vinte (c/ Adriana Calcanhoto), Revendo amigos (c/ Jards Macalé), Rua Real Grandeza (c/ Jards Macalé), Sábios costumam mentir (c/ João Bosco e Antônio Cícero), Saída de emergência (c/ João Bosco e Antônio Cícero), Senhor dos sábados (c/ Waly Salomão), Talismã (c/ Caetano Veloso), Trem-bala (c/ João Bosco e Antônio Cícero), Vapor barato (c/ Jards Macalé), Zé Pilantra (c/ Itamar Assunção), Zona de fronteira (c/ João Bosco e Antônio Cícero), Zumbi, a felicidade guerreira (c/ Gilberto Gil).

Fontes: Wikipédia; CliqueMusic.
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Luiz Galvão

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Luiz Galvão (Luís Dias Galvão), compositor e escritor, nasceu em Juazeiro, BA, em 1937. Mudou-se para Salvador, onde conheceu Moraes Moreira e Paulinho Boca de Cantor, com os quais criou o conjunto Os Novos Baianos em 1968.

Conhecia João Gilberto desde a adolescência em Juazeiro, o que permitiu que, quando os Novos Baianos fossem para o Rio de Janeiro após realizarem É Ferro na Boneca (1970) em São Paulo, ele contatasse o pai da bossa nova e este influenciasse todo o grupo, culminando no álbum mais aclamado deles, Acabou Chorare (1972).

Sua trajetória na música popular brasileira é extensa. Em 1968, Galvão participou do V Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record (SP), com a canção De Vera (em parceria com Moraes Moreira), interpretada pelo grupo Novos Baianos.

Nos anos 70, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a viver comunitariamente com todos os músicos do grupo, em um sítio localizado em Vargem Grande, onde gravaram Acabou chorare, comunicando-se constantemente com Gilberto.

Escreveu a maioria das canções gravadas pelo conjunto, musicadas por Moraes Moreira, entre elas Acabou chorare, Preta pretinha e Mistério do planeta. O grupo se desfez em 1978, voltando a se reunir no final do século passado, para a gravação do CD ao vivo Infinito Circular.

Publicou, em 1997, o livro Anos 70: Novos e Baianos, lançado pela Editora 34 (SP), relatando a trajetória do grupo.

Hoje em dia mora em Salvador e tem dois cd's de poesias inéditas, lançados de forma independente.

Obras

A menina dança (c/ Moraes Moreira), Acabou chorare (c/ Moraes Moreira), Besta é tu (c/ Moraes Moreira e Pepeu Gomes), Casca de banana que eu pisei (c/ Moraes Moreira), Colégio de Aplicação (c/ Moraes Moreira), De Vera (c/ Moraes Moreira), É ferro na boneca (c/ Moraes Moreira), Felicidade no ar (c/ Moraes Moreira), Mistério do planeta (c/ Moraes Moreira), Preta pretinha (c/ Moraes Moreira), Só se não for brasileiro nessa hora (c/ Moraes Moreira), Sorrir e cantar como Bahia (c/ Moraes Moreira), Swing de Campo Grande (c/ Moraes Moreira e Paulinho Boca de Cantor), Tinindo trincando (c/ Moraes Moreira), Um bilhete para Didi (c/ Moraes Moreira)

Fonte: Wikipedia.
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sábado, 30 de julho de 2011

Armando Fernandes

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Armando Fernandes, o Mamão (Armando Fernandes Aguiar), cantor e compositor, nasceu em 24/8/1938, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Apaixonou-se por samba desde sua infância, quando aos 11 anos desfilou no carnaval pelas ruas de sua cidade, no bloco da escola onde estudava.

Participou do II Festival de Música Popular Brasileira de Juiz de Fora, no final dos anos 1960, com sua canção Adeus diferente, interpretada por Ellen de Lima, e obteve sucesso, como compositor, com a música Tristeza pé no chão, gravada por Clara Nunes, em 1976.

Lançou o CD Mamão com açúcar, contendo suas composições , O beco não perde o tom, Botei seu nome na bandeira, Amor nem pensar e Ao amigo Toninho, todas com Carioca, Sete costados (c/ Marcinho Itaboray), Falou e disse, Samba do aniversário, Endereço, De sapato branco, Decisão, Cordão de metal, Paulinho tanto do tanto, Vila Furtado e Tristeza pé no chão.

Sua primeira composição foi Água deu, água levou contando desavenças de carnaval. Ao longo de sua carreira compôs cerca de 200 sambas. Sua composição mais famosa foi Tristeza pé no chão gravada por Clara Nunes com enorme sucesso.

Fontes: Paixão e Romance; Dicionário Cravo Albin da MPB.

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domingo, 24 de julho de 2011

A impressão musical no Brasil - Parte 8

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Rua Henrique Martins - Manaus, Amazonas - 1901/1902.
Belém - Vicente Sales, em artigo publicado na Revista Brasileira de Cultura, nr. 12 (1972), estudou, de forma exaustiva, as “Editoras de música no Pará”, sendo fonte das informações aqui fornecidas.

Deve-se a Carlos Wiegandt, de nacionalidade alemã, a introdução da litografia na capital paraense. Em 1871 abriu oficina que se incumbia, entre outros trabalhos, de gravar também música. O estabelecimento progrediu rapidamente, tornando-se dos mais importantes no Estado.

Outra oficina, contemporânea de Wiegandt, foi a Imprensa Musical de Francisco Costa Júnior, na Travessa Sete de Setembro, mas imprimindo em muito menor escala.

M. J. da Costa e Silva, estabelecido desde cerca de 1860, na Rua dos Mercadores, 458B, começou a publicar música por volta de 1869, mantendo-se até o final do século, foi editor de Henrique Eulálio Gurjão, Clemente Ferreira Júnior e outros compositores paraenses; as peças eram em geral impressas na Alemanha, com chapas numeradas (C.&S. ..).

Em 1886, José Mendes Leite inaugurava Loja na Rua da Imperatriz (depois Rua Quinze de Novembro), 18, e por volta de 1895 já tinha casa editora. Como seu colega Costa e Silva, mandava imprimir em Leipzig, obras de compositores conterrâneos, chegando a publicar, na primeira década deste século, quase duas centenas de peças, todas numeradas (J.M.L. ...). Com o falecimento de Mendes Leite, seu genro, Abílio Antônio da Fonseca, conhecido fabricante de instrumentos de corda, constituiu nova firma, dando à casa o nome de Empório Musical, Travessa Sete de Setembro, 7, loja essa que até hoje se mantém ativa com o filho, Ernâni Leite da Fonseca. Continuou publicando, mas as peças passaram a ser impressas em São Paulo, algumas com chapas numeradas (A. ... F.).

O Bazar Ideal, de L. Santos & Cia., na Travessa de São Mateus (hoje Padre Eutíquio), 4, vendia artigos diversos e imprimiu também na Alemanha quase uma centena de peças com chapas numeradas (Bazar Ideal).

A Livraria Universal, de Tavares Cardoso & Cia., já funcionando em 1868, só começou a publicar músicas no começo do século XX obras de autores paraenses, mandadas imprimir em Leipzig, com chapas numeradas (L.U. ...).

Data da última década do século passado a Livraria Bittencourt, de R. L. Bittencourt & Cia., Rua 15 de Novembro, 15. Como a maioria, publicou principalmente obras de compositores paraenses, sendo as peças impressas em Leipzig e, mais tarde, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Por volta de 1903, já apresentava, na contracapa de suas edições, um Catálogo das obras publicadas pela casa, período de maior produtividade. Alguns anos depois, a firma passou para Bernardino Leite Bittencourt, filho do fundador (nas somente a indicação de Liv. Bittencourt), sempre no mesmo endereço, até quase meados deste século.

Manaus - João Donizetti Gondim, pertencente a conhecida família de músicos cearenses, abriu em Manaus, por volta de 1917, a Casa Editora Donizettí, na Rua Henrique Martins, 6. Publicou até cerca de 1930 principalmente música de salão, inclusive obras suas e de seu irmão Francisco. As peças eram impressas em São Paulo.

Salvador - Várias oficinas litográficas de Salvador imprimiam música em fins do século passado, entre elas Litografia de M. I. D’Araújo, Litografia Jourdan &Wirz, Litografia Moura (Rua do Julião, 13) e a Tipografia de Camilo de Lélis Masson & Cia. (Rua de Santa Bárbara, 3), que publicou em 1863 o Compêndio breve de música teórica, de Manuel Antônio Justo.

A Loja Leão, de Jesuíno Sobrinho & Cia., instalada inicialmente na Praça do Comércio, 39, mudou-se cerca de 1921 para a Rua Conselheiro Dantas, 12, e publicou também música de salão durante toda a década de 1920, mandando imprimir em São Paulo.

Fortaleza - A Casa Editora Ceará Musical, propriedade do professor de música Antônio Mouta, publicou muita música de dança, por volta de 1920, impressa em São Paulo.

Belo Horizonte - Destacam-se o Estabelecimento Musical Carlos Gomes, de Luís Cantagalli, na Avenida Afonso Pena, 769, e, nessa mesma avenida nr. 791, a Casa Faria, ambas publicando música de salão impressa em São Paulo. Na Rua Espírito Santo, 477, há a Casa das Músicas, de Manuel Evaristo de Paula Xavier.

Curitiba - As Edições Attilio D’Aló, na Rua Marechal Floriano Peixoto, publicaram algumas peças de salão entre 1918 e 1921. Hertel Irmãos, na Praça Municipal, 9, tiveram uma produção bem maior, desde cerca de 1919 até 1927.

Porto Alegre - Mariano Mariante & Irmão, estabelecidos na Rua dos Andradas, 465, publicaram também alguma música, entre 1919 e 1927, sempre impressa em São Paulo.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.
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A impressão musical no Brasil - Parte 7

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Ruas 1º de Março e Duque de Caxias - Recife (Pernambuco) - Últimas décadas do séc. XIX.
Recife - Segundo Pereira da Costa (em Estudo sobre as artes em Pernambuco, Revista do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco, nr. 54, 1900), existia, em 1852, uma Imprensa de Música na Rua Bela, 28, que publicou as valsas Madrugada, para piano, Salto, para flauta, e Luisada, para violão. Na mesma época foram publicadas em Recife várias obras didáticas sobre música.

Em 1843 a Tipografia Santos & Cia. imprimia o Tratado científico metódico-prático de contraponto, de Joseph Fachinetti, e da Tipografia Imparcial da Viúva Roma, na Rua da Praia, 55 (calcografia do padre E. J. de Azevedo), saía em1851 o Indicador dos acordos para violão, de Miguel José Rodrigues Vieira. Seis anos depois, Tomás da Cunha Lima Cantuária, músico e compositor, publicava sua Pequena arte de música. Antônio José d’Azevedo, com oficina litográfica na Rua Nova, 11, imprimiu também, nas últimas décadas do século passado, alguma música de salão.

Ainda no final do século XIX, Victor Préalle, que até 1870 tivera loja de música no Rio de Janeiro, deixou o negócio com Henri Préalle e transferiu-se para Recife, abrindo loja na Rua do Imperador, 55. Continuou imprimindo músicas com chapas numeradas (cerca de 260), em grande maioria peças de Misael Domingues, compositor alagoano. A firma passou então para Préalle & Cia. suc. de Victor Préalle, no mesmo endereço, mudando-se mais tarde para Rua Barão da Vitória, 59.

Em 1899 já tinham imprimido cerca de 390 chapas, na maioria de compositores brasileiros, além de Misael Domingues, Euclides Fonseca, Antônio Rayol, Antônio Henrique Albertazzi, Francisco Libânio Colás e outros. No final da década de 1910 estavam com loja na Rua Floriano Peixoto, 115.

Eduardo Paiva abriu Loja de Pianos, Instrumentos, Músicas e Artigos Diversos, na Rua Nova (hoje Rua Barão da Vitória), 13. Em 1913 iniciou a publicação de músicas, muitas delas impressas em Leipzig, Alemanha, e mais tarde em Recife e São Paulo. As primeiras peças eram todas de Alfredo Gama. Na década de 1920, mudou-se para a Rua das Laranjeiras, 58, como Casa Paiva, imprimindo muito pouco.

Em 1916 abriu-se a Casa Ribas de Artur & Ribas, na Rua da Imperatriz, 173. Três anos depois Artur Aroxa estava sozinho na firma e publicando muita música de salão de compositores brasileiros, que mandava imprimir em São Paulo. As edições não eram numeradas, mas a produção era abundante. Em 1920, eram representantes da Casa Bevilacqua do Rio de Janeiro, e até 1930 continuavam publicando.

Azevedo Júnior & Cia., com Casa de Música na Rua da Imperatriz, 185, imprimiu muita música de salão na década de 1920 até cerca de 1935. Em 1940 a casa continuava no mesmo endereço, mas a firma passara a Cirne & Irmãs.

A Secção de Música, de Dantas Bastos & Cia., na Rua Sigismundo Gonçalves, 95, iniciou por volta de 1929 a publicação da Edição musical mauricéia, sob a direção do compositor Nelson Ferreira, autor da maioria das obras publicadas. No ano seguinte, foi comprada pela Casa Parlophon, de M. G. Martins, continuando no mesmo endereço.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.
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A impressão musical no Brasil - Parte 6

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Casa Levy Pianos em uma foto de 1870  - Rua XV de Novembro - São Paulo
São Paulo - Em meados do século passado, começaram a surgir em São Paulo as primeiras músicas impressas nas oficinas de Gaspar & Guimarães (1863), Henrique Schroeder (1865), José Maria dos Santos (1869) e Jules Martin (Rua São Bento, 37), mas só mais tarde, no final do século, surgiu um serviço regular de impressão de músicas, com a firma Levy Filhos.

Henrique Luís Levy, francês de nascimento, vendedor de jóias e clarinetista, veio para o Brasil em 1848 e, em sua vida de vendedor, fizera amizade com a família de Carlos Gomes, em Campinas SP, participando de vários concertos e tendo mesmo acompanhado o compositor em sua primeira viagem à capital do Estado, em 1859. No ano seguinte abriu loja para venda de jóias, na Rua do Rosário, 2, passando logo a vender também músicas. Foi precursor nesse ramo de negócios com Jean-Jacques Oswald, que em 1857 abriu o Depósito de Pianos e Músicas da Rua da Casa Santa (hoje Rua Riachuelo), 10.

Em 1868, porém, Oswald retirou-se com a família para a Europa, onde seu filho Henrique Oswald deveria completar seus estudos de música. Henrique Luís Levy associou-se, em 1864, ao compositor Emílio Eutiquiano Correia do lago, mas quatro anos depois estava desfeita a sociedade, continuando ele com o Depósito de Pianos, Músicas e Instrumentos, até 1891, na Rua da Imperatriz (hoje Rua Quinze de Novembro). A firma passou então para seus dois filhos, Luís Levy e Alexandre Levy, ambos pianistas e compositores. Levy Filhos começaram a publicar regularmente música, com chapas numeradas (L. ... F.). Não tinham chegado ainda a uma centena, quando a firma mudou para L. Levy & Irmão, com chapas (L. I).

Em 1892, morreu prematuramente Alexandre, o mais talentoso como compositor, sendo que seu pai sobreviveu a ele ainda quatro anos. Com a morte do irmão, Luís assumiu a direção da Casa Levy, continuando a publicar principalmente obras suas e de seu irmão Alexandre, música sertaneja, de dança, hinos, marchas etc., sempre na Rua da Imperatriz, atingindo mais de 400 as peças publicadas até o final da década de 1920. A casa Levy funciona até hoje, mas só para venda de músicas e instrumentos, tendo-se mudado da Rua da Consolação, 381, onde se achava até 1974, para a Rua Azpilcueta, 547, sendo de propriedade dos Irmãos Vitale.

Antônio Di Franco, italiano, tinha, no início da década de 1910, um estabelecimento musical na Rua São Bento, 59, com representação de várias editoras européias, entre elas Schott Frères (Bruxelas, Bélgica) e A. Gaizelli (Paris, França), e imprimia músicas em oficina própria, com chapas numeradas (A.D.F. ...). Publicou um Catálogo e por volta de 1919 já contava com mais de 700 peças impressas.

Em 1921 comprou, com o sócio Francesconi (Di Franco & Francesconi), o Estabelecimento Musical Santa Cecília, na Rua Sebastião Pereira, 21, que vendia, principalmente, instrumentos, e pertencera de 1918 a 1920 a Castagnoli & França. Este imprimia também uma dezena de peças numeradas (C ... F.), sendo sucedido por José França, que continuou a imprimir (J. ... F). A sociedade Di Franco & Francesconi teve pouca duração, continuando com Di Franco & Cia. Por volta de 1922, com a morte do proprietário, encerrava suas atividades.

João Campassi, gravador italiano que viera para o Brasil a chamado de A. Di Franco, estabeleceu com o sócio Pedro Angelo Camin a firma Campassi & Camin — Casa Editora Musical Brasileira (C.E.M.B.), na Avenida Brigadeiro Luís Antônio (1914). Em 1919 adquiriu a Casa Sotero, então localizada na rua Líbero Badaró. Mudaram pouco depois para a rua Direita e mais tarde para a rua São Bento. Fundaram filiais em Santos SP, Rio de Janeiro RJ e Araraquara SP, mas a crise de 1929 obrigou a liquidação desses estabelecimentos. Posteriormente, um grande desfalque praticado por empregados de confiança provocou a concordata da firma em 1933.

Com o objetivo de ajudar a viúva de Di Franco, de quem era parente, constituiu, com parte do acervo original, a Casa A. Di Franco, na Rua São Bento, 50, para venda de instrumentos e músicas, funcionando como redação da revista ilustrada Anel (1923-1929), dirigida inicialmente por Antônio de Sá Pereira, periódico informativo e noticioso sobre o movimento, não apenas musical, mas também de “teatro, arte, literatura e atualidades sociais”.

Contemporâneo de A. Di Franco, o Estabelecimento Musical Sotero de Sousa Ed., na Rua Libero Badaró, 135, iniciou, por volta de 1915, a publicação de músicas, com acentuada preferência pela música sertaneja, canções populares, operetas etc., todas as peças com chapas numeradas (S. ... S.), quase 200. Em 1920, a casa entrou em liquidação e foi em parte comprada por Campassi & Camin — Grande Estabelecimento Musical Campassi & Camin (antigo Sotero de Sousa), mantendo-se depois o nome de Casa Sotero, na Rua Direita, 47. Quatro anos mais tarde já tinha filial em Santos.

Em outubro de 1928 publicaram o 22 Catálogo de música (peças com chapas numeradas até 3.530). Entre 1927 e 1929 tiveram uma filial no Rio de Janeiro, na antiga Rua República do Peru, da qual foi gerente Eduardo Souto. Publicaram, além de métodos e obras didáticas, vasto repertório de música para piano, violino, canto, música de dança, as conhecidas coleções Cine-orquestra e Brasil-orquestra, com repertório para pequenos conjuntos instrumentais, e a Biblioteca pianística, coleção de peças para piano revistas por Luigi Chiaffarelli, Agostino Cantú e Outros.

Em 1920 a firma enfrentou sérias dificuldades financeiras, passando a ser propriedade de Agostino Cantú. No ano seguinte os endereços eram Rua Direita, 37, e São Bento, 42. Em 1932 o Catálogo C.E.M.B. passou para as Edições Musicais Derosa — Rua Álvaro de Carvalho, SA. Continuaram a publicação de peças, seguindo a mesma numeração, primeiro com as iniciais (E.d.R. ...) e mais tarde (D. ... R.). Em 1934 a numeração das chapas era cerca de 5.100 e em 1937 ia a té cerca de 5.280. Por volta de 1940 passou para Impressora Moderna Ltda.— IML., no mesmo endereço, continuando a impressão de músicas, com obras de Agostino Cantú, Fabiano Rodrigues Lozano, Francisco Mignone e outros, atingindo por volta de 5.500 peças. Vendida depois para a Editora Lítero-Musical Tupi 5/A — Rua Sete de Abril, 176, hoje é propriedade das Casas Editoras Musicais Brasileiras Reunidas CEMBRA Ltda., na qual os Irmãos Vitale têm participação.

Em meados da década de 1910, o compositor Francisco Russo imprimia alguma música em sua loja, Casa Ítala, na Rua do Arouche, 30. Por volta de 1919 instalou-se na Rua General Carneiro, 30, mudando o nome da loja para Casa Mignon, como sucessora do Estabelecimento Musical Pietro Mascagni, de propriedade de Attilio Izzo (imprimira cerca de 10 peças numeradas A. ... I.). Em 1920 mudou-se para a Rua Libero Badaró, onde vendia instrumentos e música. Em 1921 mudou o nome da firma para Francisco Giunta Russo e no ano seguinte montou oficina própria para impressão de músicas, mudando novamente o nome da casa para Casa Wagner (antiga Casa Mignon). As peças eram numeradas (C. ... W.). De 1951 em diante, a firma passou para Evaldo Mário Russo — Casa Wagner, e de 1954 até hoje Casa Wagner Ed. Ltda., tendo-se mudado em 1960 para a Rua Barão de Itapetininga, 207/2 andar. Imprimem principalmente material didático, peças para piano (principiantes), acordeão, violão e cantos escolares.

A Casa Manon de Facchini & Zanni, na Rua do Carmo, 20, imprimia desde 1918 alguma música de salão. Em 1920 mudaram-se para a Rua Boa Vista, 48. De 1948 em diante, têm publicado principalmente música para acordeão e métodos para instrumentos. De 1955 em diante o endereço passou a ser Rua Vinte e Quatro de Maio, 242.

Pedro Tommasi, com Estabelecimento Musical na Rua Boa Vista, 55, desde 1918, começou a publicar música em 1920, mantendo-se durante alguns anos, mas com produção reduzida.

Em setembro de 1923 Vicente Vitale iniciou atividades em São Paulo, começando no ano seguinte a publicação de música popular nacional e estrangeira. Associando-se a seu irmão Emllio, logo depois incorporaram-se os outros irmãos: João, Afonso e José, formando a Empresa Editora Musical Irmãos Vitale, na Rua Conselheiro Ramalho, 187. Em 1931, estenderam o âmbito de suas publicações com a compra da Edição Brasília de Nicollini e Pó, incluindo obras de Johann Sebastian Bach (1685—1750), Ludwig van Beethoven (1770—1827), Frédéric Chopin (1810—1849) etc. Tiveram inicialmente como orientador musical o compositor Lorenzo Fernandez, responsável pela Edição cosmos — com finalidade didática, compreendendo obras de compositores brasileiros e estrangeiros, Edição Panamérica e Edição Orfeu — uma seleção de obras corais de autores brasileiros.

Atualmente a direção artística da editora está entregue ao maestro Sousa Lima, e o Catálogo da empresa compreende obras de compositores estrangeiros, mas com acentuada preferência pelos autores brasileiros, dentre eles Heitor Villa-Lobos, Francisco Mignone, Lorenzo Fernandez, Barroso Neto, os irmãos Levy, Sousa Lima, Dinorá de Carvalho, Osvaldo Lacerda, Manos Nobre, Almeida Prado e outros.

Outras séries publicadas: Edição métodos, Edição álbuns, Edição orfeão, Edição violão, Edição musarmônio etc. Cada série com numeração independente: Música popular do nr. 1 até 1.000 e depois de 2.000 até aprox. 20.000. Em 1970 publicaram um Catálogo geral de música popular brasileira (125 p.), tendo incorporados os catálogos: Brasil-ritmos Vitale e Catálogo Ernesto Augusto de Matos, com obras de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Patápio Silva etc. O repertório de música estrangeira e obras de Villa-Lobos, Mignone etc.: do nr. 1.000 até 2.000, continuando de 20.000 em diante.

Periodicamente publicam um Guia temático com as peças dos programas dos conservatórios, classificadas por ordem de dificuldade, e em 1973, comemorando 50 anos de atividade editorial, publicaram um Suplemento Vitale, além dos catálogos de material didático, instrumental etc., publicados regularmente. Desde 1942 dispõem de loja para venda das Edições Vitale na Rua Direita, 115 — Casa Bevilacqua, adquirida da firma J. Carvalho & Cia., que havia sido representante das Ed. Bevilacqua em São Paulo.

Em 1926 a Ed. Ricordi, de Milão, Itália, abriu filial em São Paulo, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio
— G. Ricordi & Cia., pondo à disposição do público vários catálogos, notando-se a predominância de material didático. Em Catálogo publicado em abril de 1929, já figuravam os seguintes compositores brasileiros: Barroso Neto, Agostino Cantú, Lorenzo Fernandez, Paulo Florence, Luciano Gallet e Henrique Oswald.

Criada a Ricordi Americana, na Argentina, voltaram- se para o Brasil no intuito de desenvolver a produção do país, fundando em 1943 a Ricordi Brasileira S/A— E.C., atualmente com endereço na Rua Conselheiro Nébias, 1.136. A orientação da editora continua a mesma, como se observa do Extrato do catálogo geral de 1973 (102 p.), com predominância de compositores brasileiros contemporâneos, entre os quais Francisco Mignone, Osvaldo Lacerda, Ernst Mahle, Almeida Prado, Camargo Guarnieri, Rufo Herrera, Gilberto Mendes, Guerra-Peixe, José Siqueira, Ernst Widmer, Cláudio Santoro, Kilza Setti, Breno Blauth, Marlos Nobre e Bruno Kiefer.

Por volta de 1928, I. Chiarato & Cia. Ed., na Rua Santa Efigênia, 28, iniciaram a publicação de peças para piano, canto e violino (Biblioteca violinística brasileira), na maioria de compositores paulistas ou radicados em São Paulo, cerca de uma centena de peças numeradas (I.C. ...). Em 1930 L. G. Miranda comprou a firma mantendo o nome de Casa Chiarato (mesmo endereço), ano quem que já haviam publicado pelo menos três pequenos folhetos, como catálogos. Responsáveis pelo lançamento da quase totalidade das obras sobre música de Mário de Andrade, demonstravam grande interesse também pela produção musical contemporânea, tendo em estoque, para venda, obras de Darius Milhaud (1892—1974), Paul Hindemith (1895—1963), Igor Stravinsky (1882—1971), Vittorio Rieti (1898—), entre outros. Em 1931 mudaram-se para a Avenida São João, onde continuaram publicando música até cerca de 1935.

Estevam Sciangula Mangione, de nacionalidade italiana, chegou ao Rio de Janeiro em 1927, vindo da Argentina. Iniciou atividades com um balcão para venda de músicas em conjunto com André Barbosa & Cia., associando-se depois a Luís Gonzaga (filho de Chiquinha Gonzaga), no primeiro andar da Rua da Carioca, 55, com a firma Estevam S. Mangione, que iniciou a publicação de músicas, mas ainda sem oficina própria. Em 1930 tentaram, sem sucesso, a instalação de uma gráfica, e desde 1927 possuíam a loja A Melodia, na Rua Gonçalves Dias, 40. O endereço passou a ser depois Rua do Ouvidor, 160/1o. andar.

Nessa ocasião vieram para São Paulo, onde se instalaram na Rua da Liberdade, 96, com escritório, residência e oficina. Francisco Mignone foi o primeiro orientador e conselheiro musical da firma, além de se incumbir da revisão das peças. A firma, então E. S. Mangione, assim se manteve até 1944, quando passou a Editorial Mangione Ltda. Música popular brasileira foi o que predominou inicialmente na produção da editora, além de material didático, algumas obras de Francisco Mignone, João Baptista Julião, Radamés Mosca etc. Em São Paulo alugaram loja de música com J. Paulo Cristóval — Casa Beethoven — Rua Direita, 25 (de 1935 a 1942), para venda do material publicado.

Desde 1934 são os editores autorizados, mediante contrato, para impressão das obras do Catálogo E. Bevilacqua, mantendo idêntica situação com o Catálogo da Casa Viúva Guerreiro. De 1952 a 1968 passaram a Sociedade Anônima Mangione e depois Mangione e Filho Sociedade Coletiva. A produção da casa até hoje atinge cerca de 2.600 peças (numeração iniciada em 10.000, portanto 12.600), mais o acervo de música popular — cerca de 6.400 peças.

Bandeirante Editora Musical Ltda., Rua do Seminário, 165 / 2o. andar, iniciou atividades por volta de 1945, publicando música popular brasileira, repertório de acordeão e material didático, orientação que manteve até 1972, quando passou à propriedade da Fermata do Brasil. A produção ultrapassa 6.000 peças.

Enrique Lebendiguer, de nacionalidade polonesa, chegou ao Rio de Janeiro, vindo de Buenos Aires, Argentina, onde era sócio de Brenner nas Ediciones Internacionales Fermata — FBA. Colaborou inicialmente com as Edições Musicais Rio, Praça Marechal Floriano, 55, entrando mais tarde de sócio e acabando proprietário da editora. Em 1950 veio para São Paulo, iniciando publicação de música popular brasileira e estrangeira. Em 1966 comprou a Editora Santos Dumont, de Mário Zan, e em 1968 tornou-se proprietário do Catálogo Ed. Artur Napoleão, publicando, nesse mesmo ano, um extrato do referido catálogo, com as obras de autores brasileiros. 

Em 1972 comprou a Bandeirante Editora Musical Ltda., formando, com várias outras editoras menores de música popular, o Grupo Editorial Fermata. A aquisição do Catálogo Ed. Artur Napoleão constituiu para a editora um apreciável enriquecimento de acervo, pois até então dedicavam-se quase exclusivamente à publicação de música popular. 

 Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.
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J. Otaviano

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J. Otaviano (João Octaviano Gonçalves), compositor, pianista, regente e professor, nasceu em Porto Alegre, RS, em 22/4/1892, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 19/2/1962. Ainda muito jovem, transferiu-se para o Rio de Janeiro, matriculando-se em 1911 no I.N.M., onde foi aluno de Henrique Oswald (piano) e Francisco Braga (harmonia, composição, contraponto e fuga, e instrumentação).

Em 1913 concluiu o curso de piano, obtendo o primeiro prêmio e medalha de ouro. Quando terminou o curso de composição em 1918, já havia estreado como compositor, apresentando, em 1914, um trio e um quarteto de cordas, além de peças para piano, violino e violoncelo.

Em 1922 foi premiado com uma viagem à Europa por sua ópera Poema da vida, encenada a 2 de novembro de 1923, no Teatro Lírico, do Rio de Janeiro. Sua ópera Iracema, com libreto de Tapajós Gomes, estreou a 16 de abril de 1937, sob a regência do próprio autor, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. 

Excursionou por várias cidades do Brasil, exibindo-se como pianista também em Buenos Aires, Argentina, e Montevidéu, Uruguai. Lecionou piano, harmonia superior e instrumentação. Foi docente livre da então E.N.M.U.B., sucedendo a Francisco Braga na cátedra de composição, quando este se aposentou em 1938. 

Colaborador de vários periódicos musicais, publicou ainda, entre outras obras didáticas, Pontos de teoria musical, 3 volumes, Rio de Janeiro, s.d.; Curso de análise harmônica e construção musical, 2 volumes, Rio de Janeiro, 1934; Técnica pianística, 2 volumes, Rio de Janeiro, 1934. 

Obras 

Música dramática: Fernão Dias, ópera, s.d.; Iracema, ópera, 1937; Poema da vida, ópera, 1923; Sonho de uma noite de luar, ópera, s.d. 

Música orquestral: Bailado geométrico, s.d.; A boneca do lixo, bailado, s.d.; Ondinas, bailado, s.d.; Primeira sinfonia, s.d.; O príncipe de duas máscaras, bailado, s.d.; A vitória, poema sinfônico, s.d. 

Música de câmara: Quarteto, s.d.; Trio, s.d. 

Música instrumental: Cenas brasileiras, p/piano, s.d.; Danças brasileiras, p/piano, s.d.; Estudos, p/piano, s.d.; As margens do Paraíba, p/piano, só.; Sonata, p/violino e piano, s.d.; Variações sobre um tema de Barroso Neto, p/piano, s.d. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.
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A impressão musical no Brasil - Parte 5

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Rua do Ouvidor - Rio de Janeiro - Foto de 1890.
Pedro Guigon, professor e fabricante de órgãos, instalado desde 1837, quando chegou ao Rio de Janeiro, vindo da França, com oficina na Rua da Ajuda, abriu loja em 1849 na Rua São José, 62, onde ficou até morrer em 1862. A viúva Guigon continuou com a loja na mesma rua, 62-64, e iniciou publicação de músicas com chapas numeradas (V.G. ...), passando, no ano seguinte, a firma para seu filho Frederico Guigon. Continuaram a publicar música (F.G.&Cia. ...), em pequena escala, e em 1880 mudaram-se para a Rua dos Ourives, 9, onde ficaram até 1889.

Com a morte de Frederico, a firma entrou em liquidação em 1901, sob a gerência dos dois filhos: Frederico Júnior e Augusto. Em 1904 abriram nova sociedade, A. Guigon & Cia. ED., na Rua Sete de Setembro, 141, como sucessores de Frederico Guigon, e reiniciaram a publicação de músicas de salão. Com a morte da viúva de Frederico, em 1906, Augusto associou-se a Carlos do Nascimento e Silva, mudando-se para o n2 106 da mesma rua. Até 1909 tinham publicado uma centena de peças. A firma passou à propriedade de Castro Lima & Cia. — Casa Guigon, n. 134 da mesma rua, onde permaneceu cerca de dez anos, tendo publicado mais de 300 peças.

Eduardo e Francisco Buschmann, afinadores de piano, anunciando desde 1869 no Jornal do Comércio e no Almanaque Laemmert, em 1873 abriram loja de pianos e oficina de consertos na Rua dos Ourives. Em 1881, Manuel Antônio Gomes Guimarães, que também possuia, já há alguns anos, loja de música, a eles se associou, formando a firma Buschmann & Guimarães, estabelecida na Rua dos Ourives, 52.

Iniciaram a publicação de músicas com chapas numeradas, que atingiam mais de 3.500 quando a firma passou, por volta de 1897, para Buschmann, Guimarães & Irmão. Entre as obras, predominavam a música de salão e o teatro musicado, de compositores brasileiros como Henrique Alves de Mesquita, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth,  Cardoso de Menezes, Júlio Reis, Anacleto de Medeiros, Paulino Sacramento, Aurélio Cavalcanti, Leocádio Rayol, J. Garcia Cristo, Costa Júnior, Assis Pacheco, Nicolino Milano etc.

Foram publicadas diversas coleções, entre as quais Divertimento musical, Proezas musicais, Recreio dos salões, Flores do baile, Aurora dos pianistas, Pérolas dos salões, Arpejos da saudade, Noites alegres, Novidades musicais e Sucesso dos salões. No início do século, Manuel Antônio Gomes Guimarães tomou conta da firma, como sucessor de Buschmann, Guimarães & Irmão, sempre na Rua dos Ourives, 50-52. Mais tarde, transferiu-se para a Travessa do Ouvidor, 25, e Rua dos Ourives (hoje Rua Rodrigo Silva), 10, até cerca de 1916, quando encerrou as atividades, tendo publicado mais de 5.500 peças numeradas.

Fontes & Cia. Novo Empório Musical imprimiam música em 1891, na Rua dos Ourives, 51. Em 1893, passaram para Vieira Machado & Cia., editora que publicou quase exclusivamente música brasileira. Além dos compositores mencionados anteriormente, é responsável por toda a obra impressa de Glauco Velásquez. Em 1908 estavam na Rua do Ouvidor, 147, e em 1911 no n. 179 da mesma rua. Até 1922, suas edições com chapas numeradas (V.M.&Cia. ...) chegavam a cerca de 1.800, muitas delas datadas.

Guilherme Fontainha, professor de piano, assumiu a direção da casa de 1925 a 1926, recomeçando a numeração das chapas, que não chegaram à segunda centena. No ano seguinte, a casa era propriedade de Fortunato Alves Pereira, que continuou a numeração de Fontainha, usando suas iniciais (F.A.P. ...) e não ultrapassando 800 peças.

Hekel Tavares, J. Otaviano, Assis Republicano, Cardoso de Meneses foram alguns dos compositores com obras aí publicadas, incluindo-se ainda primeiras composições de Heitor Villa-Lobos e muita música popular. Sebastião Lima & Cia. Compraram a firma por volta de 1934, mas pouco fizeram, e o Catálogo das Ed. Vieira Machado e suc. passou à propriedade de Ernesto Augusto de Matos que, mediante contrato, mantém os Irmãos Vitale como editores autorizados.

Alfredo Fertin de Vasconcelos publicou com Inácio Francisco de Araújo Porto Alegre, na última década do século passado (1891-1893), uma Gazeta Musical, com artigos sobre teoria da música, história, biografias e noticiário musical. Com loja na Rua do Carmo, 25, A. Fertin de Vasconcelos & Cia. iniciaram a impressão de música em oficina própria, com uma coleção intitulada Terpsícore. Fertin de Vasconcelos & Morand, na Rua da Quitanda, 42, continuaram publicando música de salão com chapas numeradas (E ... M.), chegando a quase 400 peças. Mudaram-se depois para a Rua do Ouvidor, 147, onde ainda funcionavam no início do século XX.

Lino José Barbosa estabeleceu-se em 1905 com uma Secção Mozart na Rua do Ouvidor, 97, publicando músicas com chapas numeradas (L.J.B. ...). No mesmo ano mudou-se para o n. 127 da Avenida Central, já como Casa Mozart. Publicou, principalmente nas duas primeiras décadas deste século, obras de Ernesto Nazareth, J. Garcia Cristo, Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, Paulino Sacramento e outros. Teve loja funcionando até a década de 1940, na Rua Sete de Setembro, mas só para venda de músicas.

Carlos do Nascimento e Silva, que estivera associado a Augusto Guigon até 1909, abriu, nesse mesmo ano, loja própria na Rua do Ouvidor, 175, com o nome Casa Beethoven — Nascimento Silva & Cia. Publicaram principalmente música popular, com chapas numeradas (N.S.&Cia. ...) chegando a pouco mais de 200 peças, por volta de 1920. Em 1912 tinham publicado Catálogo de músicas para pianolas e pianos-pianola.

Em 1899 os irmãos Cristiano Carlos João Wehrs e Cristiano Guilherme Augusto Wehrs assumiram a direção da casa, que, de modesta oficina de João Schlegel, em 1851, desenvolvida por seu pai, Cristiano Carlos Frederico Wehrs, na então Rua do Cano, 217, se transformara em importante fábrica de pianos do pais. Em 1879, haviam-se transferido para o n. 175 da mesma rua. Criada a Casa Editora Brasileira Carlos Wehrs nos primeiros anos deste século, na década de 1910 já estava só com um dos irmãos C. Carlos J. Wehrs (antiga Casa Ed. Brasileira C. Wehrs) — tendo-se mudado para a Rua da Carioca, 47. As peças já atingiam mais de mil, numeradas (C. ... W.), quando, em 1925, admitiram como sócio Gustavo Eulestein e como interessado na firma o filho Carlos H. F. Wehrs, passando a Carlos Wehrs & Cia. Iniciaram publicando quase que só música de salão brasileira e, mais tarde, publicaram obras de Luciano Gallet, Barroso Neto (responsável pela coleção didática Ed. Euterpe), Francisco Braga, Alberto Nepomuceno e Francisco Mignone entre outros, tendo publicado muito material didático.

José Francisco de Freitas (Freitinhas) foi pianista oficial da casa, como era hábito na época, incumbido de executar as músicas a serem escolhidas pelos clientes, tendo também muitas de suas obras impressas pela editora, bem como Ary Barroso, Lamartine Babo e outros. Passaram a editores exclusivos da Casa Carlos Gomes, quando já tinham impressas mais de 5.000 peças, e acabaram transformando-a em filial da Casa Carlos Wehrs, na Rua do Ouvidor, 153. Publicaram pelo menos dois Catálogos com o acervo da editora e uma revista de vida e cultura musical — Weco (de novembro de 1928 a abril de 1931), tendo por diretor artístico Luciano Gallet, secretários Djalma de Vicenzi e Arnaldo Estrela, e colaboração de Mário de Andrade, Luis Heitor e o próprio Gallet, em artigos sobre história, pedagogia e folclore, além de amplo noticiário dobre a vida musical. Em 1932 passaram a Ed. Carlos Wehrs & Cia. até 1975, quando fecharam a loja.

Em 1920 Eduardo Souto, conhecido compositor de música popular, abria a Casa Carlos Gomes — Eduardo Souto & Cia. Na Rua Gonçalves Dias, 75. Imprimiram de início quase que exclusivamente obras do proprietário da casa, com chapas numeradas (E.S ), abrangendo depois outros compositores de música de salão. Em 1922 mudaram-se para a Rua do Ouvidor, 153, e no final dessa mesma década passaram a filial da Casa Carlos Wehrs.

A Casa Viúva Guerreiro, pertencente à compositora Serafina Mourão do Vale, desde 1920 publicava música, imprimindo grande número de peças da proprietária da casa e muita música de dança, mantendo-se durante quase trinta anos no mesmo endereço, na Rua Sete de Setembro, 169.

Secção Chopin, estabelecimento que funcionava na mesma rua da casa Viúva Guerreiro, mas no nr. 141, era propriedade da firma Faria & Pinheiro e publicou músicas de dança a partir de 1914, em edições numeradas (F.P. ...). Em 1915 Manuel de Faria ficou sozinho na firma e continuou imprimindo, iniciando nova numeração (M.F. ...). No final da década de 1920, a casa foi comprada por Porfírio Martins, proprietário, desde 1903, da loja A Guitarra de Prata, na Rua da Carioca, 37. Especialista no fabrico de instrumentos de corda, ramo em que se mantém até hoje, iniciara também publicação de músicas em 1918, com edições numeradas (P.M. ...). Publicou vários métodos para violão, bandolim, cavaquinho etc., e alguma música de dança.

Duas outras editoras merecem ainda menção, embora não se dediquem exclusivamente à música, a Editora Vozes Ltda., de Petrópolis, que publicou de 1910 a 1957 muita música sacra, predominando as obras de frei Pedro Sinzig e frei Basílio Röwer, ambos religiosos franciscanos, responsáveis pela redação da revista Música Sacra (1941 a 1959), durante muitos anos a única revista musical publicada no país. Acompanhava cada número um Suplemento Musical, com obras (muitos arranjos) para coro e para órgão. A Casa Publicadora Batista, desde 1931 até nossos dias, vem publicando muita música religiosa, álbuns de cânticos etc. 

A impressão de música nos outros Estados só apareceu nas últimas décadas do século XIX, e apenas em alguns deles: São Paulo, Pará, Pernambuco e Bahia. Em outros só se iniciou no século XX, dependendo das oficinas gráficas de São Paulo e do Rio de Janeiro para impressão das peças. Muitas vezes eram enviadas para serem impressas por editores franceses e alemães, principalmente os do grande centro tipográfico de Leipzig, Alemanha, que tanto imprimiu para o Estado do Pará, prática, aliás, também adotada, embora esporadicamente, por algumas editoras do Rio de Janeiro. 

Em meados do século XX, já entravam em declínio as atividades das editoras nos Estados, com exceção de São Paulo, onde se deu o inverso, transformando-se em centro impressor para todo o país, inclusive para o Rio de Janeiro, onde progressivamente se vem processando um esvaziamento do parque gráfico de música. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.
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