domingo, 6 de março de 2011

Miltinho Rodrigues

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Miltinho Rodrigues
Miltinho Rodrigues (Hilton Rodrigues dos Santos), cantor e compositor, nasceu em Goiânia, GO, em 2/5/1941. Desde criança gostava de cantar e aos 17 anos assinou seu primeiro contrato com a Rádio Nacional, de Brasília DF, onde apresentava um repertório romântico que incluia músicas em castelhano.

Mais tarde, foi a São Paulo SP e conheceu Tibagi (Oscar Rosa), que acabara de desfazer sua dupla com Zé Mariano e estava procurando outro parceiro. Formou, então, dupla com Tibagi, gravando várias músicas sertanejas. 

Passou depois a cantar sozinho, lançando discos de sucesso pela Chantecler, em 1967, destacando-se Ébrio de amor (Palmeira e Ramoncito Gomes), Prisioneiro do amor e Você não apareceu, estas duas de sua autoria. 

No ano seguinte gravou, também pela Chantecler, versões e composições estrangeiras, além dos êxitos Confissão de amor (Luciano e Ademar Garcia), Entre lágrimas (com Bolinha), Fica mais um pouco (com Noel Costa) e Quem será (Evaldo Gouveia e Jair Amorim). 

Em 1972, na Continental, lançou um LP que incluía os sucessos Tentação, com Piquerobi (Madalena Maria Pires), Sagrado amor (Roberto Stanganelli e Francisco Barreto), Por que será? (com Milton Yamada) e Destino fere e às vezes mata (com Benedito Seviero). No ano seguinte, novamente na Chantecler, gravou novo LP, destacando-se Prisioneiro do amor, Quando o sol raiar e Você (todas de sua autoria), além de Garota triste (com Orlando Gomes). 

Em 1974 lançou pela Cartaz outro LP, com, entre outros, os sucessos Para o que der e vier e Todinha para mim (ambas de Roberto Stanganelli e Francisco Barreto), gravando, no ano seguinte, pela Califórnia, dois LPs, destacando-se de sua autoria O grande milagre e Amor, saudade e tristeza (com Argonauta), além de Fortuna dos namorados (César França e José Maria). 

De 1976 a 1978 afastou-se da vida artística, trabalhando em Goiânia como publicitário. Em 1979, em Franca SP, foi convidado para viajar com o Trio Parada Dura, apresentando-se em circos, feiras e teatros. 

Integrante da equipe de produção da gravadora Chantecler desde o início da década de 1980, em 1981 voltou a apresentar-se em vários Estados e lançou um novo disco. Seus maiores sucessos incluem, além dos já citados, Pombinha branca, Meu martírio e Roda gigante

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
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Hélcio Milito

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Hélcio Milito (Hélcio Pascoal Milito), instrumentista, nasceu em São Paulo SP, em 9/2/1931. Começou a carreira de percussionista atuando com o Conjunto Robledo, em São Paulo, de 1950 a 1951.

Em 1952 entrou para a orquestra do maestro Peruzzi e, de 1953 a 1954, integrou o sexteto de Mário Casali. Ainda em 1954 atuou com a Grande Orquestra de Luís César e, em 1956, com o Trio de Izio Gross.

Transferindo-se para o Rio de Janeiro RJ, em 1957 passou a integrar o Conjunto de Djalma Ferreira, com o qual gravou a série Drink, em 1958. Nesse mesmo ano viajou para a Venezuela com a Orquestra de Ary Barroso, estudando também com o percussionista americano Henry Miller.

Entrou para a orquestra da Rádio Nacional em 1959, ano em que gravou, na Odeon, o disco Garotos da bossa nova, com Roberto Menescal, Luís Carlos Vinhas, Luís Paulo, Bill Horn e Bebeto. Atuou em shows do início da bossa nova e em 1960, além de excursionar pelos EUA com Luiz Bonfá, apresentou-se num show de Sammy Davis Jr., no Teatro Record, de São Paulo, executando pela primeira vez a tamba, instrumento por ele criado.

Estudou teoria musical com Moacir Santos em 1962, ano em que, com Luís Eça e Otávio Bailly (mais tarde substituído por Bebeto), formou o Tamba Trio (que realizou no Bottle’s Bar, no Beco das Garrafas, o primeiro da série de pocket shows da época), com o qual excursionou em 1962 pelos EUA e Argentina.

Em 1963 e 1964 continuou seus estudos de teoria musical com Ester Scliar. Ao deixar o Tamba Trio em 1964, participou de shows em Nova York, EUA, ao lado de João Gilberto, Stan Getz e Astrud Gilberto.

Durante os anos de 1964 e 1965, tocou com o duo norte- americano Michell-Ruff, com Luís Bonfá, fez gravações com Don Costa, Gil Evans, Tony Benett e outros. Em 1966, no Brasil, deu concertos na Aldeia, de Arcozelo, e na sala Cecília Meireles, do Rio de Janeiro, apresentando com Clementina de Jesus e coral a Missa de São Benedito, para tamba e vozes (José Maria Neves).

Novamente em Nova York em 1966, gravou com o guitarrista Wes Montgomery. Trabalhou como produtor fonográfico na CBS e na Tapecar, de 1966 a 1971, ano em que voltou a atuar com o Tamba Trio, no Teatro Teresa Raquel, do Rio de Janeiro.

Em cinema, foi o responsável pela percussão nas trilhas sonoras de A Pedreira de São Diogo (1961), de Leon Hirszman, episódio do filme Cinco vezes favela, Os cafajestes (1962), de Rui Guerra, Garrincha, alegria do povo (1963), de Joaquim Pedro de Andrade.

Em 1973 excursionou com o Tamba Trio pela Europa e, nesse mesmo ano, realizou conferências e debates no Norte e Nordeste do Brasil, sob o patrocínio do Ministério da Educação e Cultura. Em 1974 e 1975 voltou a viajar com o Tamba Trio pelos E.U.A. e América do Sul.
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Darius Milhaud

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Darius Milhaud
Darius Milhaud, compositor, nasceu em Marselha, França, em 4/9/1892, e faleceu em Genebra, Suíça, em 23/6/1974. Um dos mais notáveis músicos deste século, encabeçou até a morte importante setor da música contemporânea.

Integrou, com Arthur Honegger (1892—1955), Germaine Tailleferre (1892—), Francis Poulenc (1899—1963), Georges Auric (1899—) e Louis Durey (1888—), o Grupo dos Seis, formado em Paris, França, em 1920. Seu catálogo de obras inclui os mais variados gêneros da criação musical.

Com 25 anos de idade, foi designado adido cultural da Legação de França no Rio de Janeiro RJ, onde chegou acompanhando o chefe da representação diplomática da França no Brasil, o escritor e poeta Paul Claudel (1868—1955). A chegada ao Rio de Janeiro foi no sábado de Carnaval de 1917.

Nas suas notas biográficas (Notes sans musique, Paris, 1945), recorda a impressão chocante que lhe produziu o ritmo primitivo dos instrumentos de percussão dos cordões carnavalescos que desfilavam pela Avenida Rio Branco. 

Conheceu, em seguida, e passou a freqüentar, os compositores brasileiros da época — Henrique Oswald, Francisco Braga, Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos, Luciano Gallet. Descobriu, por fim, a música popular brasileira, que lhe deixaria profunda e duradoura impressão, que descreve assim: 

“Os ritmos dessa música popular me intrigavam e me fascinavam. Havia, na síncopa, uma imperceptível suspensão, uma respiração molenga, uma sutil parada, que me era muito difícil captar. Comprei então uma grande quantidade de maxixes e de tangos; esforcei-me por tocá-los com suas síncopas, que passavam de mão para outra. Meus esforços foram recompensados, e pude, enfim, exprimir e analisar esse pequeno nada, tão tipicamente brasileiro. Um dos melhores compositores de música desse gênero, Nazareth tocava piano na entrada de um cinema da Avenida Rio Branco. Seu modo de tocar, fluido, inapreensível e triste, ajudou-me, igualmente, a melhor conhecer a alma brasileira”. 

Deixou o Brasil em 1919, de retorno à Europa. A partir de então, em inúmeras obras suas, repontam, como instantâneos sonoros, ritmos, motivos e temas da música popular brasileira: L’Homme et son désir (O homem e seu desejo), Deux poèmes tupis (Dois poemas tupis), La Création du monde (A criação do mundo), Trois chansons de négresse (Três canções de negra), Scaramouche, Danses de Jacaré-mirim (chorinho, tanguinho e sambinha), Salada (Salada), La Carnaval d’Aix, Globe-trotter, Saudades do Brasil (suíte que compreende doze títulos de bairros do Rio de Janeiro: Sorocaba, Botafogo, Leme, Copacabana, Ipanema, Gávea, Corcovado, Tijuca, Paineiras, Sumaré, Laranjeiras e Paiçandu), e Le Boeuf surle toit (O boi no telhado), cinema-sinfonia sobre uma farsa de Jean Cocteau, em que aparecem cerca de trinta temas e fragmentos melódicos de músicas cariocas em voga nos anos 1917-1918, cujo título foi extraído do tango O boi no telhado, de Zé Boiadeiro, pseudônimo do compositor popular José Monteiro. 

CD 

Brasil — Obras de Ernesto Nazaré e Darius Milhaud, Marcelo Bratke, 1996, Olympia 946062. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998 - São Paulo.
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Daniela Mercury

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Daniela Mercury (Daniela Mercuri de Almeida Póvoas), cantora e compositora, nasceu em Salvador, BA, em 28/7/1965. Filha de um corretor de imóveis e de uma socióloga, aos oito anos já dançava em festinhas. 

Aos 13, assistindo a um show de Elis Regina, decidiu ser cantora. Com 16 anos começou a dar aulas de balé e estreou cantando em barzinhos de sua cidade, com repertório que ia de Luiz Gonzaga e Ary Barroso a Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque.

Em 1988 foi backing vocal da banda de Gilberto Gil por pouco tempo, depois integrou o grupo Companhia Clic, com o qual gravou dois discos (em 1989 e 1990, ambos pela Eldorado). Em 1991 gravou seu primeiro disco individual (Eldorado) e fez 130 shows pelo Brasil, começando a ganhar destaque nacional.

No ano seguinte, provocou congestionamento na Avenida Paulista, em São Paulo SP: 20 mil pessoas foram ao vão livre do MASP ao meio-dia de uma sexta-feira para assistir a seu show. Batizada pela mídia de “Rainha da axé music”, em 1992 lançou seu segundo disco, O canto da cidade, pela Sony, consolidando posição de destaque na música brasileira com interpretações de sucesso, como Você não entende nada (Caetano Veloso).

Ganhou em 1991 o Prêmio Sharp (revelação feminina na categoria regional). Em janeiro de 1993, levou mais de 100 mil pessoas ao Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em show de encerramento das comemorações do aniversário da cidade. Em abril, apresentou-se em New York, EUA, ganhando elogios do jornal The New York Times e iniciando carreira internacional. 

Em 1994 lançou o CD Música de rua (Sony), com quatro composições de sua autoria. Em 1996 lançou Feijão com arroz (Sony), com a balada À primeira vista (Chico César), grande sucesso, incluída na trilha sonora da novela O rei do gado, da TV Globo. 

No ano seguinte, excursionou por vários países da Europa e pelos EUA. Apresentou-se no Lincoln Center, em New York, para três mil pessoas. Recebeu um disco de ouro em Portugal. 

No ano de 1997, participou da coletânea Tropicália - 30 anos, ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Gal Costa, Asa de Águia, Armandinho, Pepeu Gomes, Lazzo, Didá Banda Feminina, Araketu, Banda Eva, Banda Cheiro de Amor, Ilê Ayê e Vírginia Rodrigues. No CD interpretou Alegria, alegria de Caetano Veloso.

Em 1999 fundou o trio elétrico Trio Techno, que todo ano no carnaval de Salvador (BA) percorre o percusso Barra/Ondina, arrastando uma multidão, sendo ele, um dos principais trios baiano.

No ano de 2001, mudou todo o seu visual e lançou o CD Sou de qualquer lugar, no qual interpretou uma parceria com o filho Gabriel, Aeromoça, e ainda composições de outros artistas da MPB: De qualquer lugar (Lenine), Baiana havaneira e Bora morar, ambas de Carlinhos Brown, e ainda Mutante (Rita Lee e Roberto de Carvalho), A praieira (Chico Science) e Quem puder ser bom que seja, de Gilberto Gil.

No ano de 2003 lançou o CD/DVD Daniela Mercury MTV ao vivo, no qual regravou Milagres do povo (Caetano Veloso) em duo com a cantora portuguesa Dulce Ponte; Riqueza (Carlinhos Brown) em duo com a cantora espanhola Rosario Flores, Ive Brussel (Jorge Benjor), gravada com o DJ italiano Lorenzo Jovanotti. 

Em 2004 lançou, pela BMG, o CD Carnaval eletrônico, com produção de 12 DJs, entre eles DJ Zé Pedro, Marcelinho da Lua, Memê, Renato Lopes, Anderson Noise, DJ Bid e Ramilson Maia. Entre as composições do disco, destacam-se A tonga da mironga do kabuletê (Toquinho e Vinícius), Quero voltar pra Bahia (Paulo Diniz e Odibar), Que baque é esse?, de Lenine, com a participação especial do compositor, Amor de carnaval (Gilberto Gil), Em preto e branco (Dudu Fagundes e Santos Diniz), Vou batê pá tu (Orlandivo e Arnaud Rodrigues), Charles Ylê (Carlinhos Brown) e Maimbê Dandá, (adaptação de Carlinhos Brown) que também participou da faixa. 

No ano de 2005 lançou o CD e DVD Clássica, pela gravadora Som Livre, disco gravado em 2004 e no qual foi registrado um show intimista de bossa nova com repertório de Tom Jobim e João Bosco, entre outros compositores. Neste mesmo ano, pela EMI, lançou o CD Balé mulato, no qual interpretou vários compositores, entre os quais Pierre Onassis, Gigi, Edilson e Tonho Matéria. 

Ainda em 2005 o Vaticano proibiu a apresentação da cantora no Concerto de Natal, promovido para a Abertura do Ano Xaveriano, em homenagem a São Francisco Xavier, com a presença do Papa. O veto à cantora foi atribuído ao fato de ter estrelado a peça publicitária da Campanha de Prevenção à AIDS do Ministério da Saúde.

No ano de 2006 lançou o DVD Baile barroco no qual interpretou diversos sucessos da carreira, entre os quais Meu Pai Oxalá (Toquinho e Vinicius de Moraes), Aquarela do Brasil (Ary Barroso) e Ilê pérola negra, Canto da cidade e Olha o Gandhi aí, esta última grande sucesso do carnaval na Bahia no ano anterior. 

Durante a carreira solo, iniciada com o disco Swing da cor, vendeu cerca de 11 milhões de discos. Entre seus vários sucessos destacam-se ainda Tem amor, O reggae e o mar, Nobre vagabundo e Rapunzel.

No ano de 2006  gravou o show Balé mulato no Farol da Barra, em Salvador (BA) e lançou o DVD e CD ao vivo, pela gravadora EMI. O show também contou com as participações especiais da Banda Didá e as cantoras Gil e Mariene de Castro. 

Em 2007 foi a única artista brasileira a participar do disco do maestro italiano Ennio Morricone. Neste mesmo ano participou da gravação do primeiro CD e DVD do selo Zecapagodiscos, interpretando com João Bosco a música De frente pro crime (João Bosco e Aldir Blanc) em show na Cidade do Samba, produzido por Zeca Pagodinho.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin da MPB.
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Sílvio Mazzucca

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Maetro Sílvio Mazzucca

Sílvio Mazzucca, regente, instrumentista e compositor, nasceu em São Paulo, SP, em 21/5/1919, e faleceu na mesma cidade, em 22/1/2003. Passou a infância no bairro do Bexiga, estudando piano por 1927-1928 com Helena de Aquino e Silva e harmonia com Savino de Benedictis, em 1945 e 1946.

Por 1932, começou a atuar na pequena orquestra de Nicolino Leocatta, animando bailes num clube da Rua Major Diogo, no Bexiga, ingressando em 1938 na Rádio Tupi, de São Paulo, onde integrou pela primeira vez uma grande orquestra, atuando como pianista e solista de piano com Juca e seus Rapazes. Com a saída de Juca da Rádio Tupi, a direção da orquestra passou para o saxofonista J. França, a quem substituiu em 1942.

No ano seguinte, passou a atuar na Rádio Tupi e na Difusora, pela fusão das duas emissoras, dirigindo a orquestra e apresentando-se ao piano. Em seguida, passou também a tocar vibrafone, permanecendo na Rádio Tupi até 1945.

Fez sua primeira gravação com orquestra na Odeon, incluindo no 78 rpm Qui nem jiló (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga) e Guararé (Fabrego), além de gravar na Star um álbum em que solava ao piano músicas de Zequinha de Abreu, com arranjos do maestro Gabriel Migliori, que assinou o disco com o pseudônimo de Carlos Guarani. 

Em 1947 compôs sua primeira música, o fox You Only You, que se tornou o prefixo de sua orquestra. A maioria de suas composições não tem letra, com exceção da que fez em parceria com Zuleica Amaral. Na Columbia gravou com sua orquestra um de seus maiores sucessos, Tequila, além de Diana, Cerveza e Cha-cha-baby, em 78 rpm. Lançou nessa gravadora dez LPs, recebendo o Disco de Ouro de O Globo e da Columbia.

De 1951 a 1958 recebeu os prêmios Roquete Pinto e Tupiniquim. De 1950 a 1960 atuou com sua orquestra na Rádio Bandeirantes, em programa exclusivo, ficando na TV Excelsior de 1962 a 1969, onde participou como diretor musical dos primeiros festivais que se realizaram em São Paulo. 

Neide Fraga gravou na Odeon sua composição Aproveite a festa, enquanto Eduardo Farrel lançou pela Columbia seu bolero Dame tu amor e Carlinhos Mafazzoli gravava pela mesma fábrica o choro Travesso

Sua orquestra foi a mais solicitada para os bailes paulistanos na década de 1950.

Fonte: Enciclopédia da Múcica Brasileira - Art Editora e Publifolha.
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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Jorge Mautner

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Jorge Mautner (Jorge Henrique Mautner), compositor, cantor e escritor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 17/1/1941. Filho de alemães que deixaram a Europa durante o nazismo, aos sete anos começou a aprender violino com o pai. Aos 14 anos passou a tocar bandolim e, mais tarde, piano.

Em 1958 compôs Olhar bestial. Nessa época, escreveu também seu primeiro livro, Deus da chuva e da morte, publicado em 1962. Escreveu ainda Kaos, Narciso em tarde cinza e Vigarista Jorge, colaborando também no jornal Última Hora, de São Paulo SP, com a coluna Bilhetes do Kaos.

Em 1965 lançou um compacto simples pela RCA, com Radioatividade e Não, não, não. Paralelamente, tocava rock em restaurantes paulistanos. No fim do mesmo ano, foi para os EUA, trabalhando, entre outros empregos, como secretário do escritor norte-americano Robert Lowell.

Em 1969 compôs Olhos de gato (com Carla Blay, compositora de jazz e rock). Dois anos depois deixou os EUA e foi para Londres, Inglaterra, entrando em contato com Gilberto Gil e Caetano Veloso. Fez a letra para três músicas de Gil, The Three Mushrooms, Babylon e Crazy Pop Rock, e com Caetano, From FarAway. Ainda em 1971, dirigiu o filme O demiurgo. De volta ao Brasil, no mesmo ano colaborou nos jornais O Pasquim, Rolling Stone e Flor do Mal.

Em 1972 gravou ao vivo seu primeiro LP, pela Philips, o show Para iluminar a cidade, realizado no Teatro Opinião, do Rio de Janeiro. No mesmo ano tornou-se parceiro do guitarrista e compositor Nelson Jacobina, com quem compôs Maracatu atômico, lançado no ano seguinte por Gilberto Gil com grande sucesso.

Em 1974 lançou outro LP, Jorge Mautner, pela Polydor, com produção, direção e participação, em algumas faixas, de Gilberto Gil. Entre as músicas do LP estão Maracatu atômico, Cinco bombas atômicas, O relógio quebrou, Nababo-ê, Salto no escuro (todas com Nelson Jacobina). Nesse mesmo ano, participou em Salvador BA de shows com Gilberto Gil e Caetano Veloso, resultando um LP no qual interpreta uma das faixas, Roda do relógio. Ainda em 1974 foram gravadas outras composições suas: Herói das estrelas e O rouxinol (por Gilberto Gil), Lágrimas negras (por Gal Costa) e Ginga da mandinga (por Wanderléia).

Participou, no início de 1975, do certame Abertura, promovido pela TV Globo, do Rio de Janeiro, com a composição Bem-te-vi (com Nelson Jacobina). Em 1976, lançou o LP Mil e uma noites de Bagdá. Em 1977, lançou pela CBS compacto com O filho predileto deXangô e O boi. Em 1980 saiu o livro Panfletos da Nova Era, Editora Global. Em 1981, gravou pela Warner o LP Bomba de estrelas, com participações de Caetano Veloso, Robertinho de Recife e outros e, no ano seguinte, lançou o livro Sexo do crepúsculo (Editora Global).

Apresentou em todo o Brasil, em 1996, o show Encantador de serpentes. Outros discos seus incluem Antimaldito (1985, Polygram), produzido por Caetano Veloso (que em 1979 regravou O vampiro), Árvore da vida (Warner, 1989) e Pedra bruta (1992).

Em 1997, fez sucesso a regravação de Maracatu atômico por Chico Science & Nação Zumbi. No mesmo ano, saiu o CD Estilhaços de paixão (Velas), incluindo canções como Vivendo sem grilo e A bandeira do meu partido.

Em 1998, fez shows em Amsterdã, Lisboa (Expo-98), Abrantes e Londres. Nesse mesmo ano, apresentou-se nas unidades do SESC, em São Paulo, celebrando os 100 Anos de Bertold Brecht. Também em 1998, deu aulas de literatura em escolas públicas do município, na periferia de São Paulo.

Em 1999, lançou, pela Dabliú, o CD duplo O ser da tempestade: 40 anos de carreira. No primeiro disco, interpreta suas canções e no segundo conta com a participação de outros artistas, como Gal Costa, Elba Ramalho e Caetano Veloso, entre outros.

No ano seguinte, participou, como comentarista cultural, do programa semanal Musikaos (TV Cultura/SP), que teve como tema de abertura sua canção Cinco Bombas Atômicas (c/ Nelson Jacobina), gravada pelo titã Sergio Britto. Fez shows pelo Brasil ao lado de Nelson Jacobina.

Em 2002, gravou, com Caetano Veloso, o CD Eu não peço desculpas, contendo suas composições Tarado, Homem bomba e Graça Divina, todas de sua parceria com Caetano Veloso, Manjar de reis, Maracatu atômico e Morre-se assim, todas de sua parceria com Nelson Jacobina, Coisa assassina (c/ Gilberto Gil) e Todo errado, além de Feitiço, O namorado e Cajuína, todas de Caetano Veloso, Voa, voa, perereca (Sérgio Amado) e Hino do carnaval brasileiro (Lamartine Babo). Nesse mesmo ano, lançou o CD e o livro Mitologia do Kaos, uma reunião de sua obra, com comentários de vários artistas e amigos importantes em sua carreira.

No dia 8 de maio de 2003, foi homenageado pela Câmara de Vereadores de São Paulo. No dia 28 de novembro desse mesmo ano, recebeu a Cruz de Honra da Áustria para a Ciência e Cultura, concedida pelo presidente da Áustria no consulado austríaco do Rio, com a presença do Ministro Gilberto Gil. Também nesse ano, recebeu o título de Comendador pela Ordem do Mérito Cultural em Brasília, com a presença do ministro Gilberto Gil e do presidente Lula. Ainda em 2003, foi premiado com o Grammy Latino, pelo disco Eu não peço desculpa, gravado em parceria com Caetano Veloso. Também nesse ano, participou, como ator e músico, do filme Casa de Areia, de diretor Andrucha Waddington.

Em 2004, escreveu o livro Diálogos com o Ministro Gilberto Gil, com tradução e edição simultânea em diversos países estrangeiros. Nesse ano, foram publicados dois livros sobre sua obra: Proteu ou a Arte das Transmutações - Leituras, audições e visões da obra de Jorge Mautner, de Luís Carlos de Moraes Junior, e Jorge Mautner em Movimento, de César Rasec.

Publicou, em 2006, o livro autobiográfico O filho do holocausto (Editora Agir).

Lançou, no ano seguinte, lançou o CD Revirão, contendo suas canções Ressurreições, Ao som da Orquestra Imperial, Nicanor, Executivo-executor e Me telefone, todas com Nelson Jacobina, Os pais e Outros viram, ambas com Gilberto Gil, Acúmulo de azuis (c/ Bem Gil), História do baião (c/ Ronald Pinheiro), Kilawea (c/ Bartolo), Assim já é demais, Estilhaços de paixão e Olha só quem passa. O disco foi produzido e gravado por Berna Ceppas e Kassin, com gravações adicionais operacionalizadas por Daniel Carvalho.

No dia 23 de abril de 2007, apresentou-se ao lado de Jorge Benjor, Jorge Vercilo e Jorge Aragão na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em show que reuniu os “Jorges” da música brasileira em homenagem a São Jorge.

Em 2010, apresentou-se no Sesc Ginástico (RJ), com o show Do Kaos ao Revirão, ao lado de Nelson Jacobina, Kassin e Domênico Lancelloti.

Em 2011, foi homenageado pela Orquestra Imperial com o show Tributo a Jorge Mautner, realizado no Circo Voador (RJ). O espetáculo contou com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jards Macalé.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin da MPB.
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mário Álvares

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Mário Cavaquinho
Mário Cavaquinho ou Mário Álvares (Mário Álvares Conceição), compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 1861 (data não confirmada), e faleceu na mesma cidade em 1905 (?). Tocador de cavaquinho e bandurra, muito respeitado na roda de chorões das últimas décadas do século XIX e primeira do século XX, introduziu no choro o cavaquinho de cinco cordas, com a afinação ré, si, sol, ré, sol.

Foi professor de cavaquinho de Pixinguinha, entre outros, fazendo parte do grupo de Catulo da Paixão Cearense e Anacleto de Medeiros.

Participou da serenata em homenagem a Santos Dumont, em 1903, com Eduardo das Neves e outros.

Ignora-se a data de seu nascimento e é controvertida a de sua morte, presumindo-se que faleceu no Rio de Janeiro em 1905 ou 1906.

Obras 

Adelina, valsa, s.d.; Bouquet, xótis, s.d.; Clara e morena (ou Eulália, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), valsa, s.d.; Entre asas (c/Hermes Fontes), canção, s.d.; Feiticeira, canção, s.d.; Felicidade, xótis, s.d.; Hilda, choro, s.d.; Julieta, valsa, s.d.; Mineira, polca, s.d.; Na aldeia (id., c/versos de Catulo da Paixão Cearense), valsa, s.d.; Paixão encoberta, valsa, s.d.; Poesia de amor, xótis, s.d.; (id., c/versos de Catulo da Paixão Cearense), canção, s.d.; Quando ela passa (id., c/versos de Catulo da Paixão Cearense), canção, s.d.; Segura a mão, choro, s.d.; Sertanejo, tango, s.d.; Soledade, xótis, s.d.; Sou teu escravo, valsa, s.d.; Tira a poeira, choro, s.d.

Fontes: Enciclopédia da música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - São Paulo - 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.
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Chico Maranhão

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Chico Maranhão
Chico Maranhão (Francisco Fuzzetti de Viveiros Filho), compositor e cantor, nasceu em São Luís, MA, em 17/8/1942, o que deu origem ao seu apelido. Desde criança interessou-se pelas manifestações folclórico-musicais de São Luís, cantando em festas a adaptação do bumba-meu boi para crianças, feita por sua mãe, professora de jardim de infância.

Nessa época, tomou aulas particulares de piano, instrumento que trocou depois pelo violão. Aos 18 anos foi para o Sul, interessado pela bossa nova. Ingressando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da USP, começou a participar das reuniões musicais organizadas pelos estudantes, conhecidas pelo nome de Sambafo, nas quais também tocava e cantava Chico Buarque, entre outros.

Compôs sua primeira música em 1964, durante uma excursão com alunos da Faculdade pela Bahia, samba que nunca recebeu título. Como amador, participou de shows na boate Jogral, de São Paulo, apresentando-se com os amigos.

Em 1968 atuou na peça Morte e vida severina, de João Cabral de Meio Neto (1920—), encenada por estudantes no TUCA, com música de Chico Buarque. Na época enviou três de suas composições para o III FMPB, da TV Record. Entre elas, o frevo Gabriela, defendido pelo MPB-4, chegou às finais, em sexto lugar, sendo depois gravado no LP do festival.

A partir dai começou a se destacar profissionalmente, como compositor-cantor, atuando em shows de rádio e televisão. Entre suas composições, destacam-se: Descampado verde, Lances de agora, O circo, Brincadeira de viola, Onde andará meu Papai Noel, Bye-bye reggae e os sambas Mulata bem suada, abençoada (com Renato Teixeira), gravado pelo MPB-4, e A outra (com Toquinho), gravado por Ivete.

Em 1996 lançou o CD Ópera Boi — O sonho de Catirina (gravado no Teatro Arthur Azevedo, São Luís) e, em 1997, São João, Paixão e Carnaval.

No ano de 2001 lançou o CD Só carinho, no qual interpretou de sua autoria as faixas Acocorado; Cheguei garota; Metralha; Capricho grande; Bumba meu boi; Hiato no Himalaia; Dora; Um doce mar; Noites de luar, com participação especial do violonista Sebastião Tapajós; Pastorinha,Zé Cupido; Carnaval das ilusões, faixa na qual contou com a participação especial de Alcione; O rei e a rainha com participação especial de Solange Nazaré e a faixa-título Só carinho, além da composição Joaninha, de José Maria Fontoura.

Criador e líder do grupo de Tambor de crioula "Turma do Xiquinho", promove uma considerável reinterpretação dos valores desta manifestação em São Luís do Maranhão. 

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin da MPB.
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Mano Edgar

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Mano Edgar
Mano Edgar (Edgar Marcelino dos Passos), compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 1900, e faleceu na mesma cidade, em 25/12/1931. Conhecido também como Edgar do Estácio, era sambista do Estácio e residia no Largo São João, na Tijuca, com a mãe, que freqüentemente escondia em casa os companheiros de malandragem do filho, quando procurados pela polícia.

Trabalhou como ajudante de caminhão da Companhia Sousa Cruz, na Usina da Tijuca.

Companheiro de Ismael Silva nas reuniões do Bar Apoio, no Largo do Estácio, foi um dos pioneiros do novo tipo de samba surgido no Estácio em contraste aos sambas algo amaxixados de Sinhô e Donga. No novo samba, as letras abordam a malandragem, e a melodia tem batida diferente, que, segundo Sinhô, se assemelha mais à marcha.

Ao lado de Ismael Silva, Bide, Brancura e outros, fundou a primeira escola de samba do Rio de Janeiro, a Deixa Falar.

No dia de Natal de 1931 foi assassinado durante uma briga de jogo.

Obras 

Estou vingado, samba, 1928; Iaiá do Bonfim, samba, 1928; Meu bom coração, s.d.; Quem eu deixar não quero mais, samba, 1929; Salve a malandragem (e os trabalhadores), 1930.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.
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Mandi e Sorocabinha

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Mandi e Sorocabinha
Mandi e Sorocabinha - Dupla sertaneja formada por Manuel Rodrigues Lourenço, o Mandi (Anhembi SP 25/1/1901—Piracicaba SP 12/3/1987) e Olegário José de Godói, o Sorocabinha (Piracicaba SP 3/1/1895—São Paulo SP 10/7/1995).

Lourenço, nascido no bairro rural do Bom Retiro, em Anhembi, formou-se professor primário em 1920. Com os colegas Lulu (Luis Antônio de Oliveira Júnior), Astrogildo de Lima Pezza e Brochado (Antônio Ferraz de Arruda), todos de origem sertaneja, constituiu, em 1917, o Quarteto Caboclo, que se apresentava cantando e sapateando em benefício do grêmio da Escola Normal.

Quando era diretor do grupo escolar rural do bairro de Dois Córregos, em Piracicaba, conheceu, tocando viola numa venda, o caboclo Olegário. Iniciando um dueto com ele, notou que suas vozes combinavam.

Olegário era filho do machadeiro e cantador Nhô Juca Sorocaba, ou Sorocabão, nascera no bairro e cantava desde os 12 anos, e em 1924 participara do grupo de Cornélio Pires. Ao saber que era filho de Sorocabão, Cornélio o apelidara de Sorocabinha.

Voltaria a fazer parte, em 1929, da Turma de Cornélio Pires, na gravação de discos caipiras na Columbia. Cornélio havia pedido a Tales de Andrade que selecionasse cantadores em Piracicaba, que ganhavam quase nada pelas gravações. Lourenço viu que também poderia gravar em proveito próprio. Escreveu à Victor, propondo a gravação de uma música de sua autoria.

Dado o êxito dos discos caipiras de Cornélio, a gravadora enviou equipamento e técnicos do Rio de Janeiro RJ para Piracicaba, e a 25 de outubro de 1929 foram gravados, no salão nobre da Escola Normal, dez números com o Orfeão Piracicabano, regido pelo professor Fabiano R. Lozano.

Mas a Victor exigiu as dez músicas interpretadas por Lourenço, Olegário e seu pessoal — batizados de Turma Caipira da Victor — que incluía as meninas Avelina, Durvalina e Maria Imaculada, filhas de Olegário, além de Sebastião, Antônio Estêvão (catireiro) e Sebastião Roque. Gravaram então a moda-de-viola Casamento da onça, uma das primeiras a serem gravadas, só antecedida por Jorginho do sertão, lançada dois meses antes no selo de Cornélio Pires.

Em 1930, contratados pela Parlophon, Lourenço e Olegário passaram a usar os apelidos de Mandi e Sorocabinha, pois não achavam direito gravar em outra marca com os próprios nomes, que utilizavam na Victor.

Viajando periodicamente ao Rio de Janeiro para gravar, cantaram na Rádio Mayrink Veiga ao lado de Gastão Formenti, Carmen e Aurora Miranda, Pixinguinha e outros. Apresentaram-se também no Cassino da Urca, a convite de Alvarenga e Ranchinho, que costumavam recitar a antológica poesia de Lourenço, Papai Noel medroso, escrita em 1933, sem lhe creditar a autoria.

A dupla gravou de 1929 a 1940 e, sem contar as reedições, totalizou 55 discos com 110 músicas, todas de sua própria autoria, pois cantador de verdade não cantava música dos outros. São quase todas modas-de-viola, com acompanhamento, conforme a tradição, de apenas uma viola, tocada por um ou outro.

Em 1932, a dupla participou do filme Vamos passear com Cornélio Pires?, produzido por Cornélio, cantando Caboclo feliz, Caipira murtado e Imposto do selo.

No final de 1936, Olegário mudou-se para São Paulo, tornando-se operário, e depois, por muitos anos, porteiro das lojas Mesbla. Ainda chegou a cantar no rádio ao lado das filhas, ou com outros parceiros, no programa de Chico Carrité. Com Mandi fez apenas gravações, já que este, então diretor do Departamento de Ensino Rural da Secretaria da Educação, nãodispunha mais de tempo.

Tendo abandonado a vida artística, Olegário passou a apresentar-se apenas em ocasiões especiais, como no I Congresso do Folclore Brasileiro, em 1951, no Rio de Janeiro, a convite de Rossini Tavares de Lima.

Lourenço aposentou-se em 1950, elegeu-se duas vezes vereadora como presidente da Câmara assumiu, por volta de 1965, a Prefeitura Municipal de Piracicaba.
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