segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Abismo de rosas

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O grande violonista Canhoto tinha apenas 16 anos quando compôs "Abismo de Rosas", em 1905. A composição era um desabafo a uma decepção amorosa, pois o autor acabara de ser abandonado pela namorada, filha de um escravo. Canhoto realizou três gravações desta valsa: a primeira, com o nome de "Acordes do Violão", lançada no disco Odeon número 121249, em meados de 1916; a segunda, já como "Abismo de Rosas", no disco Odeon 122932, em 1925; e, finalmente, a terceira no disco Odeon 10021- a que fazia parte do suplemento de agosto de 1927, um dos primeiros da era da gravação elétrica no Brasil.

Ressalta nesta terceira gravação seu vibrato característico e inigualável, que ele tirava de um violão de corpo mais fino com braço não muito rígido. Peça obrigatória no repertório de nossos violonistas - de Dilermando Reis a Baden Powell -, "Abismo de Rosas" é considerada o hino nacional do violão brasileiro pelo professor Ronoel Simões, uma autoridade no assunto.

Abismo de rosas - Canhoto/Letra de João do Sul---clique para ouvir amostra da música


Ao amor em vão fugir / Procurei / Pois tu
Breve me fizeste ouvir / Tua voz, mentira deliciosa
E hoje é meu ideal / Um abismo de rosas
Onde a sonhar / Eu devo, enfim, sofrer e amar !

Mas hoje que importa / Se tu'alma é fria
Meu coração se conforta / Na tua própria agonia
Se há no meu rosto / Um rir de ventura
Que importa / o mudo desgosto
De minha dor assim, / Sem fim

Se minha esperança / O que não se alcança
Sonhou buscar / Devo calar
Hoje, meu sofrer / E jamais dele te dizer
O amor se é puro / Suporta obscuro
Quase a sorrir / A dor de ver,
A mais linda ilusão morrer.

Humilde, bem vês que vou,/ A teus pés levar,
Meu coração que jurou,/ Sempre ser, amigo e dedicado,
Tenha, embora, que viver, / Neste sonho enganado,
Jamais direi, / Que assim vivi, porque te amei !
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A noiva

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A noiva (La novia) - Joaquim Prieto
  G         C              G    G7
Branca e radiante vai a noiva
C G
Logo a seguir o noivo amado
D7 G
Quando se unirem os corações
C A7 Am D7
Vão destruir ilusões



G C G
Aos pés do altar está chorando
C G
Todos dirão que é de alegria
D7 G
Dentro, sua alma está gritando
A7 D7 G
Ave Maria



D7 G
Chorará também ao dizer o sim
D7 G
Ao beijar a cruz pedirá perdão
C G
E eu sei que esquecer não poderia
A7 Am D7
Que era outro o amor que ela queria



G C G
Aos pés do altar está chorando
C G
Todos dirão que é de alegria
D7 G
Dentro sua alma está gritando
A7 D7 G A7 G G
Ave Maria / Ave Maria
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A mulata

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A mulata - Xisto Bahia e Mello Moraes Filho

Eu sou mulata vaidosa, / Linda, faceira, mimosa,
Quais muitas brancas não são! / Tenho requebros mais belos,
Se a noite são meus cabelos, / O dia é meu coração.

Sob a camisa bordada, / Fina, tão alva, rendada,
Treme-me o seio moreno: / É como o jambo cheiroso,
Que pende ao galho frondoso / Coberto pelo sereno!

Nos bicos da chinelinha, / Quem voa mais levezinha,
Mais levezinha do que eu?... / Eu sou mulata tafula;
No samba, rompendo a chula, / Jamais ninguém me venceu.

Ao afinar da viola, / Quando estalo a castanhola,
Ferve a dança e o desafio; / Peneiro num mole anseio,
Vou mansa num bamboleio, / Qual vai a garça no rio.

Aos moços todos esquiva, / Sendo de todos cativa,
Demoro os olhares meus; / "Que tentação... que maldita...
Bravo! Mulata bonita!" / – Adeus, meu ioiô, adeus...

Minhas iaiás da janela / Me atiram cada olhadela...
Aí! Dá-se? Mortas assim! / E eu sigo mais orgulhosa,
Como se a cara raivosa / Não fosse feita pra mim.

Na fronte, ainda que baça, / Me assenta o troço de cassa
Melhor que c’roa gentil; / E eu posso dizer ufana
Que, qual mulata baiana, / Outra não há no Brasil.

Nos meus pulsos delicados / Tragos corais engrazados,
Contas d’ouro e coralinas; / Prendo meu pano à cintura,
Que mais realça à brancura / Das saias de rendas finas.

Se tenho um desejo agora, / De meus afetos senhora,
Sei encontrá-lo no amor. / – Ai! Mulata! Ai! Borboleta!
É tua sina inquieta, / Tu pousas de flor em flor.

Meus brincos de pedraria / Tocam, fazendo harmonia
Com meu cordão reluzente; / Na correntinha de prata
Tem sempre e sempre a mulata / Figuinhas de boa gente.

Eu gosto bem desta vida, / Que assim se passa esquecida
De tudo que é triste é vão! / Um dito bem requebrado,
Um mimo, um riso, um agrado, / Cativam meu coração.

Nos presepes da Lapinha / Só a mulata é rainha,
Meiga a mostrar-se de novo: / De sua face ao encanto
Vai-se o fervor pelo santo, / P’ra o santo não olha o povo!

Minha existência é de flores, / De sonhos, de luz, de amores,
Alegre como um festim! / Escrava, na terra um dono,
Outro no céu sobre um trono, / Que é meu Senhor do Bonfim!

Na fronte, ainda que baça, / Me assenta o troço de cassa,
Melhor que c’roa gentil; / E eu posso dizer ufana
Que, qual mulata baiana, / Outra não há no Brasil.
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A conquista do ar (Santos Dumont)

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A conquista do ar
O feito de Alberto Santos Dumont, contornando a Torre Eiffel em seu balão n° 6, no dia 19.10.1901, inspirou diversas composições, entre as quais a marcha "A Conquista do Ar", sucesso de 1902. Uma criação de Eduardo das Neves, a canção glorifica o inventor da aviação em versos desbragadamente ufanistas, que o público da época adorou ("A Europa curvou-se ante o Brasil / e clamou parabéns em meigo tom / brilhou lá no céu mais uma estrela / apareceu Santos Dumont").

Palhaço de circo, poeta, compositor e principalmente cantor, Eduardo das Neves foi o nosso artista negro mais popular no início do século. Pai do também compositor Cândido das Neves, deixou modinhas, lundus, cançonetas, sendo de sua autoria os versos em homenagem ao encouraçado Minas Gerais, feitos sobre a melodia da valsa "Vieni sul Mar", do folclore veneziano.

Aliás, ainda sobre a mesma melodia, o radialista Paulo Roberto escreveria, em 1945, nova letra exaltando o estado mineiro ("Lindos campos batidos de sol / ondulando num verde sem fim..."), mantendo o refrão popular ("Ó Minas Gerais / ó Minas Gerais / quem te conhece não esquece jamais...").

No auge da carreira, Dudu das Neves apresentava-se nos palcos de smoking azul e chapéu de seda (Figura: partitura de canção feita por Eduardo das Neves, em homenagem a Santos Dumont).

A conquista do ar (Letra e música do cantor Eduardo das Neves)----clique para ouvir amostra da música

A Europa curvou-se ante o Brasil / E clamou “parabéns” em meio tom. / Brilhou lá no céu mais uma estrela: / Apareceu Santos Dumont.

Salve, Estrela da América do Sul, / Terra, amada do índio audaz, guerreiro! / Santos Dumont, um brasileiro!

A conquista do ar que aspirava / A velha Europa, poderosa e viril, / Quem ganhou foi o Brasil!

Por isso, o Brasil, tão majestoso, / Do século tem a glória principal: / Gerou no seu seio o grande herói / Que hoje tem um renome universal.

Assinalou para sempre o século vinte / O herói que assombrou o mundo inteiro: / Mais alto que as nuvens. / Quase Deus, Santos Dumont – um brasileiro.

Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras.

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domingo, 6 de janeiro de 2008

O que eu gosto de você

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O que eu gosto de você - Sílvio César e Ed Lincoln

O que eu gosto de você
é esse seu jeitinho de sorrir
esse sorriso lindo como que!

O que eu não gosto de você
é esse seu olhar indiferente
que machuca tanto a gente
quando a gente fala com você.

Eu não sei bem porque
fui gostar mesmo assim
sem saber se você
vai gostar de mim.

Mas o que eu sinto por você
já é definitivo, não tem jeito
já não vivo satisfeito
esperando sempre por você.

Adoro esse seu jeito
de pensar e de ser
será que não há jeito
de você compreender
que no meu dicionário
só existe uma palavra: VOCÊ!
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Bolinha de sabão

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Orlandivo

Bolinha de sabão - Adilson Azevedo e Orlandivo

Sentado na calçada de canudo e canequinha
Tum plec tum bem
Eu vi um garotinho
Tum plec tum bem
Fazendo uma bolinha
Tum plec tum bem
Bolinha de sabão (2x)

Eu fiquei a olhar eu pedi para ver
Quando ele me chamou
E pediu pra com ele ficar
Foi então que eu vi como era bom
Brincar com bolinha de sabão
Ser criança é bom agora vou passar
A fazer bolinha de ilusão!
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Tamanco no samba

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Orlandivo

Tamanco no samba - Helton Meneses e Orlandivo

Samba blem blim blau
Tamanco batucando no quintal
Samba blem blim blão
Tamanco levanta a poeira do chão (2x)

O tamanco levanta a poeira do chão
Mulata faz samba de coração
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Levante os olhos

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Levante os olhos (1975) - Sílvio César

Introd.: Am Am7+ Am7 A5+/7 Dm Dm Dm/C
G4/7 G7 C7+ Bm7/5- E7

Am
Levante os olhos
Dm
Olhe de frente pra ela
G7 C7+ (BIS)
Olhe bem dentro dos olhos
F7+ Bm7/5- E7 A5+/7
E veja tudo o que dizem



Dm G7
A verdade as vezes dói
Em7 A5+/7
Mas e por que você constrói
Dm Dm/C
O mundo só de sonhos
Bm7/5- E7
E de medo
Dm G7
Meu irmão se você quer
Em A5+/7
Ganhar o amor de uma mulher
Dm Dm/C Bm7/5- E7
Procure nos seus olhos os segredos

Am
Levante os olhos
Dm
Olhe de frente pra ela
G7 C7+
Olhe nos olhos da vida
F7+ E7 Am
E veja apenas o que dizem
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Pena verde

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Pena verde (1969) - Abílio Manoel

Pus um cravo, na lapela
Sou escravo, eu sou dos olhos dela
Pena verde, no chapéu
Me deu sorte ela caiu do céu (2x)

Tenho agora a quem me quer
Dou o meu cravo pra quem quiser
Mas pena verde, não abro mão
Pois estou vivo em seu coração

Pena, verde, Pena verde (2x)

Pus um cravo, na lapela
Sou escravo, eu sou dos olhos dela
Pena verde, no chapéu
Me deu sorte ela caiu do céu (2x)

Não adianta fugir do feitiço
Porque você, é toda sorriso
Agora sim não há mais problema
Eu tenho você, sei que vale a pena.
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Vamos dar as mãos

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Vamos dar as mãos - Sílvio César

Antes do pano cair
Antes que as luzes se apaguem
Todas as portas se fechem
Todas as vozes se calem
Antes que o dia anoiteça
Antes que a vida na Terra desapareça

Vamos dar as mãos,
vamos dar as mãos
Vamos lá
E vamos juntos cantar

Antes do grande final
Antes dos rios secarem
Todas as mães se perderem
Todos os olhos chorarem
Antes que o medo da vida
Faça de mim um covarde
Antes que tudo se perca
E seja tarde
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