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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Favela

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A gravação de uma canção pode algumas vezes depender de circunstâncias que nada têm a ver com seus méritos artísticos. Este é o caso de "Favela", o belo samba de Roberto Martins e Valdemar Silva, que se tornou um clássico de nossa música popular.
Martins já estava cansado de ter "Favela" rejeitada por Francisco Alves quando, num almoço em casa de uma amiga comum, o cantor se interessou por uma cadelinha pertencente à anfitriã. Conhecendo a história da rejeição, a moça propôs: "Grave 'Favela' que eu lhe dou a cachorrinha". Três dias depois, Alves tirou "Favela" do ineditismo.
A esta gravação, seguiram-se muitas outras - é a música mais gravada de Roberto Martins -, que têm intérpretes como Carlos Galhardo, Sílvio Caldas, Ataulfo Alves, Maysa, o internacional Carlos Ramirez, e orquestras rivais como as de Zaccarias e Severino Araújo. Aliás, devem-se essas e outras gravações instrumentais ao fato de a composição se prestar otimamente a execuções dançantes. Uma homenagem ao legendário morro carioca, "Favela" foi precedida em três anos por uma canção homônima, de Hekel Tavares e Joracy Camargo, também de muito sucesso.
Favela (samba) - 1936 - Roberto Martins e Valdemar Silva---clique para ouvir amostra da música
--E7------------ Am
Favela, oi Favela
-----F--------------------------- E7---- A7
Favela que trago no meu coração
----------Dm -----------Dm6
Ao recordar com saudade
-------Am
A minha felicidade
-----F--------------------- E7
Favela dos sonhos de amor
--------------------Am
E do samba-canção
----E7
Hoje tão longe de ti
---Am
Se vejo a lua surgir
E7
Eu relembro a batucada
-------------------A7
E começo a chorar
-----Dm ------------------Dm6
Favela das noites de samba
----Am
Berço dourado dos bambas
------F-------------------- E7 ----Am
Favela, é tudo o que eu posso falar
----E7
Minha favela querida
----Am
Onde eu senti minha vida
----E7
Presa a um romance de amor
------------------A7
Numa doce ilusão
-------Dm--------------- Dm6
Em uma saudade bem rara
----------Am
Na distância que nos separa
---------F--------------- E7---- Am--- F--- Am
Eu guardo de ti esta recordação.
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Roberto Martins

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Roberto Martins, compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 29/1/1909 e faleceu em 14/3/1992. Órfão de pai com um ano de idade, estudou na Escola Pública Teófilo Otoni e aos 12 anos trabalhava numa fábrica no bairro da Tijuca, do Rio de Janeiro, passando depois para outra indústria no bairro de São Cristóvão, onde ficou até os 15 anos.
A influência musical marcou-o bem cedo em casa: a mãe tocava piano, instrumento que ele logo começou a aprender. Por volta de 1925, já havia feito algumas composições, de que ele próprio não gostava. Seu terceiro emprego foi no ramo de calçados - fábricas e lojas -, atividade em que permaneceu até os 20 anos, quando decidiu entrar para a polícia como guarda-civil.
Nesse período compôs seu primeiro samba, Justiça (1929), que, embora não chegasse a ser gravado, teve sua letra publicada no livro Samba, de Orestes Barbosa. Em 1933 conseguiu que duas de suas composições fossem gravadas por Leonel Faria, na Odeon: Regenerado e Segredo. Em 1936, com Valdemar Silva, compôs Favela, seu primeiro êxito, interpretado por Francisco Alves em disco Victor. Em 1937 foi transferido para o 5° Distrito, como investigador, lá ficando até 1939, quando conseguiu licença de dois anos e não mais voltou à polícia, desempenhando a partir dai somente atividades relacionadas com a música.
O ano de 1939 é o de seu grande sucesso, Meu consolo é você (com Nássara), samba gravado por Orlando Silva, que ganhou o concurso de músicas carnavalescas da prefeitura. No Carnaval seguinte, sua batucada, Cai, cai, gravada por Joel Gaúcho, se transformou num clássico de Carnaval, continuando entre as mais tocadas em bailes durante a década de 1970.
Desde 1937, até 1945, já vinha participando, como ritmista, da Orquestra de Simon Bountman, e em 1943 começou a trabalhar na UBC, da qual foi sócio fundador e conselheiro permanente. No mesmo ano, com Mário Rossi, compôs Beija-me, gravada por Ciro Monteiro, e Renúncia, um dos primeiros êxitos de Nelson Gonçalves.
Em 1945 alcançou sucesso no Carnaval com a marcha O cordão dos puxa-sacos (com Eratóstenes Frazão), gravada pelos Anjos do Inferno. Nos Carnavais seguintes, a Marcha dos gafanhotos (com Frazão) e Cadê Zazá? (com Ari Monteiro) foram grandes êxitos, nas vozes de Albertinho Fortuna (1947) e Carlos Galhardo (1948), respectivamente. Seu último grande sucesso foi uma gravação de Blecaute, de 1949, Pedreiro Valdemar (com Wilson Batista). Teve muitos outros parceiros, entre eles Benedito Lacerda, Jorge Faraj, Mário Lago e Mário Rossi, em composições de vários gêneros: sambas, batucadas, marchas, valsas e fox-trots.
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