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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Emílio do Lago

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Emílio do Lago (Emílio Eutiquiano Correia do Lago), compositor, pianista, regente e professor, nasceu em Franca, SP, em 1837, e faleceu na cidade de São Paulo, SP, em 7/1/1871. Filho de uma família de músicos, iniciou seu aprendizado em casa. Mais tarde, em Campinas, SP, tornou-se amigo de Carlos Gomes, que lhe dedicou a modinha Quem sabe.

Em 1860 passou a morar em São Paulo, como professor de piano e canto. Fez amizade com os estudantes da Faculdade de Direito, tendo participado de serenatas ao lado de Fagundes Varela (1841—1875) e musicado versos de Castro Alves, entre outros. Tomou parte, como solista ou acompanhante, em inúmeros concertos e recitais.

Em 1864 e 1865 foi sócio do comerciante Henrique Luís Levy, também artista, pai dos compositores Luís Levy e Alexandre Levy, vendendo pianos e partituras em São Paulo. Nos dois anos seguintes organizou e regeu uma pequena orquestra em espetáculos no Teatro São José.

Em agosto de 1868, por ocasião dos festejos pela tomada de Humaitá, na Guerra do Paraguai, foi ovacionado no Largo de São Gonçalo, quando a orquestra executou seu Hino patriótico, com versos de Castro Alves. No ano seguinte, chegou a ser convidado por Louis Moreau Gottschalk, em visita a São Paulo, para um concerto a quatro mãos, que não se realizou.

Em 1870 participou com Brasílio Itiberê da Cunha, então estudante de direito, de um concerto promovido pelo pianista chileno Tomás Rodenas, discípulo de Gottschalk.

Obras

Música orquestral: Hino patriótico, 1868.- Música instrumental: O cabrião, polca, p/piano, 1867; O canto da coruja, serenata, p/piano, 1865; Lágrimas da aurora, polca-mazurca, p/piano, 1864; Uma lembrança da amizade, p/piano, 1864; Marcha militar, p/piano, 1865; Reminiscências, mazurca, p/piano, 1864; Rosa mística, introdução e mazurca, p/piano, 1870; A seráfica, polca brilhante, p/piano, 1870; Sereia, mazurca, p/piano, 1868.- Música vocal: Canção do boêmio, recitativo, 1868; Último adeus do amor, opus 1, modinha, p/piano e canto, 1862.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Azarias Dias de Mello

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Azarias Dias de Mello, regente, músico e professor, nasceu em Sorocaba, SP, em 1840 (não está comprovado), e faleceu na cidade de Campinas, SP, em 18/11/1912. Chegou a Campinas em 1863 vindo de Amparo, SP, a pedido de Manuel José Gomes para integrar sua orquestra e banda. Havia sido mestre-de-capela e regente da banda da Guarda Nacional em Sorocaba e regente de uma companhia eqüestre.

Em Campinas, sua atividade esteve mais ligada às bandas de música, tendo criado diversos grupos. Como professor, além das aulas particulares, lecionou na escola Culto à Ciência, onde dirigia a banda da escola, para a qual compôs um hino; ensinou música a meninos carentes que formaram a banda Euterpe Infantil em 1877.

Tocava e ensinava vários instrumentos, mas dava especial atenção ao oficlide e instrumentos de metal.

Além do trabalho intenso com a Banda do Azarias, fundou o Clube Dois de Outubro, que promovia saraus trimestrais em sua casa.

Em 1887, os membros de sua banda fundaram o Clube Azarias de Mello a fim de promover reuniões musicais. Em Valinhos SP dirigiu a banda da Associação Jurema em 1877. Em 1889, em homenagem a seu mérito artístico, foi organizada uma corporação musical com seu nome, dirigida pelo maestro Manuel da Costa Roriz.

Teve intensa participação, como músico, nos movimentos políticos da Abolição e da República.

Seu nome está destacado na Capela do Santíssimo da Catedral Metropolitana de Campinas como um dos beneméritos, por sua atuação durante a epidemia de febre amarela que vitimou a cidade em 1888.

Fontes: Personagem: Azarias Dias de Mello - Memória Campinas - Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
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sábado, 4 de agosto de 2007

Quem sabe?

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Carlos Gomes ficou reconhecido internacionalmente como compositor de óperas. O que pouca gente sabe é que ele compôs a partir de um universo bastante diversificado, bem próprio de seu estilo, influências e contexto histórico. No seu repertório encontramos música sacra, modinhas, cantatas e operetas. Quando ouvimos suas modinhas nos lembramos de sua origem interiorana, das festas de salões em volta do piano, dos saraus lítero-musicais tão freqüentes no Rio e São Paulo do século XIX.


Nas modinhas e canções de Carlos Gomes encontramos um pouco do lirismo francês e muito dos tons humorísticos das canções italianas, sobretudo a forte presença do estilo verdiano, tão em voga no ensino musical da época. Da sua primeira fase, ainda como estudante de música, destacamos os títulos mais famosos: Hino acadêmico e Quem Sabe? ambas de 1859. A grande parte dos textos musicados por Carlos Gomes eram de caráter romântico, realçando o estilo melodramático, típico das árias de salão.


Quem sabe? - Carlos Gomes e Bittencourt Sampaio--- clique para ouvir amostra da música
---------C -------------------------------------------------------G7
Tão longe de mim distante / Onde irá, onde irá teu pensamento
-----------------------------------------------------------------C
Tão longe de mim distante / Onde irá, onde irá teu pensamento
-----E7-------------- Am------ G7----------- C
Quisera, saber agora / Quisera, saber agora
--------------F-------------- C---------- G7--------------- C
Se esqueceste, se esqueceste / Se esqueceste o juramento.
-----------G--------------- D7-------------------------------- G
Quem sabe se és constante / Se ainda é meu teu pensamento
-----------G7----------- C------------- D7---------------------------- G G7
Minh’alma toda devora / Dá a saudade dá a saudade agro tormento
---------C------------------------------------------------------- G7
Tão longe de mim distante / Onde irá onde irá teu pensamento
-----------------------------------------------------------------C
Quisera saber agora / Se esqueceste se esqueceste o juramento.
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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Carlos Gomes

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A música de Carlos Gomes, de temática brasileira e estilo italiano inspirado basicamente nas óperas de Giuseppe Verdi, ultrapassou as fronteiras do Brasil e triunfou junto ao público europeu. Antônio Carlos Gomes nasceu em Campinas SP, em 11/07/1836. Estudou música com o pai e fez sucesso em São Paulo com o Hino acadêmico (com Bittencourt Sampaio) e com a modinha Quem sabe?, conhecida também como Tão longe, de mim distante (clique para escutar a música), de 1860. Continuou os estudos no conservatório do Rio de Janeiro, onde foram apresentadas suas primeiras óperas: A noite do castelo (1861), com libreto de Fernandes dos Reis, e Joana de Flandres (1863), com libreto de Salvador de Mendonça. Com uma bolsa do conservatório, estudou em Milão com Lauro Rossi e diplomou-se em 1866.
Em 19 de março de 1870 estreou no Teatro Scala de Milão sua ópera mais conhecida, Il guarany (O guarani), com libreto de Antonio Scalvini e baseada no romance homônimo de José de Alencar. Encenada depois nas principais capitais europeias, essa ópera consagrou o autor e deu-lhe a reputação de um dos maiores compositores líricos da época.
O sucesso europeu de Il guarany repetiu-se no Brasil, onde Garlos Gomes permaneceu por alguns meses antes de retomar a Milão, com uma bolsa de D. Pedro ll, para iniciar a composição da Fosca, melodrama em quatro atos em que fez uso do Leitmotiv, técnica então inovadora, e que estreou em 1873 no Scata. Mal recebida pelo público e pela crítica, essa viria a ser considerada mais tarde como a mais importante de suas obras.
Depois de Salvatore Rosa (1874) e Maria Tudor (1879), Carlos Gomes voltou ao Brasil e foi recebido triunfalmente. Nessa temporada brasileira, dirigiu na Bahia e no Rio de Janeiro a montagem de Il guarany e de Salvatore Rosa. Ainda na Bahia apresentou Hino a Camões e em São Paulo realizou, no Teatro São José, a primeira montagem de Il guarany no estado natal. A partir de 1882, Carlos Gomes passou a dividir seu tempo entre o Brasil e a Europa. No Teatro Lírico do Rio de Janeiro estreou Lo schiavo (1889; O escravo), de tema brasileiro.
Com a proclamação da república, perdeu o apoio oficial e a esperança de ser nomeado diretor da Escola de Música do Rio de Janeiro. Retomou então a Milão e estreou O condor (1891 ), no Scala. Doente e em dificuldades financeiras, compôs seu último trabalho, Colombo, oratório em quatro atos para coro e orquestra a que chamou poema vocal sinfônico e dedicou ao quarto centenário do descobrimento da América. A obra foi encenada em 1892 no Teatro Lírico do Rio de Janeiro.
Em 1895 Carlos Gomes dirigiu Il guarany no Teatro São Carlos, de Lisboa, cidade em que recebeu a última homenagem: foi condecorado pelo rei Carlos I. No mesmo ano chegou ao Pará, já doente, para ocupar a diretoria do Conservatório de Música de Belém, cargo criado pelo govemador Lauro Sodré para ajudá-lo.
Os modernistas de 1922 desprezaram Carlos Gomes, mas o público brasileiro sempre valorizou suas modinhas românticas - Bela ninfa de minh'alma, Suspiros d'alma, Quem sabe? -, a parte mais autenticamente nacional de sua obra, e a abertura ("protofonia") de Il guarany.
Em 1993 essa ópera, meio esquecida, voltou aos palcos europeus ao ser montada por Wemer Herzog, na ópera de Bonn, com Plácido Domingo no papel de Peri. Carlos Gomes morreu em Belém, em 16 de setembro de 1896.
Obras:
Óperas: A Noite do Castelo (1861); Joana de Flandes (1863); Se sa Minga (1866); Nella Luna (1868); Guarany (1870); Fosca (estréia 1873); Salvador Rosa (1874); Maria Tudor (1879); Lo Schiavo - O Escravo (1889); Condor (1891); Colombo (1891).
Canções: Missa de São Sebastião (1854); Bela Ninfa de Minh'Alma (1857); A Alta Noite (1859); Hino Acadêmico (1859); Quem Sabe? (1859); Suspiros d'Alma (1859); Anália Ingrata (1859); Missa de Nossa Senhora da Conceição (1859); Salve o Dia da Ventura (1860); A Última Hora do Calvário (1860); Lo ti vidi (1866); Noturno (1866); La Madamina (1867); Eternamente (1867); Lisa, me vos tu ben? (1869); Saldação do Brasil (1876); Hino a Camões (1880); Tu m'ami (1885-90); Pensa (1885-90); Per me solo (1885-90); Dolce rimprovero (1885-90); Canta ancor (1885-90); Povera bambola (1885-90); Addio (1885-90).
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