domingo, 12 de agosto de 2007

Tardes de Lindóia

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Tardes de Lindóia - 1930 - Zequinha de Abreu e Pinto Martins

----A ----------E7----------- A
Tardes silenciosas de Lindóia
-------------------------- Bm---- Gb7
Quando o sol morre tristonho
-----Bm------------------------ E7
Tardes em que toda a natureza
----------------------------A------ E7
Veste-se de véu, e de sonho

-----A -----------E7-------------- A
Baixo os arvoredos murmurantes
-----Gb7--------------- Bm
Da tênue brisa a soprar
D----------- Eb°--------- A------ Gb7
Anjinho dos sonhos meus
--------------------B7-------------- E7------- A---- Db7
Não sabes tu como é sublime contigo sonhar
------Gbm------------------ Bm
Longe lá no horizonte calmo
-------------------------Db7
As nuvens se incendeiam
---------------------Gbm----- Db7
Num incêndio de luz
-----Gbm -------------------Db7
Vibra e se exalta minh’alma
--------------------------Gbm----- Db7
Na sensação que a seduz
Gbm------------------ Bm
Um plangente sino toca
----------------------------Db7
Chamando à prece a todos
--------------------------Gbm------ Gb7
Os que ainda sabem crer
-----------------------Bm
Então eu sonho e creio
---------------------Gbm
Beijar tua linda boca
---------------------Ab7- Db7- Gbm
Para acalmar o meu sofrer.

Ta-Hi

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Embora pouco afeito ao gênero, foi numa marchinha que Joubert de Carvalho pensou no momento em que, apresentado a Carmen Miranda, prometeu uma música para ela gravar. E essa marchinha, feita em menos de 24 horas, chamou-se "Pra Você Gostar de Mim", título logo substituído pelo público por "Taí", a expressão com que se inicia o seu estribilho.
Na verdade, ao procurar criar uma música que tivesse tudo a ver com a personalidade da jovem cantora, Joubert acertou em cheio, pois a marchinha, além de tornar Carmen conhecida em todo o país, acabou por constituir um marco em sua carreira, acompanhando-a até o fim da vida. Lançada às vésperas do carnaval de 30, "Taí" foi sucesso durante o ano todo, sendo ainda uma das músicas mais cantadas no carnaval de 31, até mesmo mais do que no de 30.
Ta-hi (Pra Você Gostar de Mim)--- clique para ouvir amostra da música
(marcha/carnaval, 1930) - Joubert de Carvalho
Am-- Dm--------------------------------- Am
Tá-hi / Eu fiz tudo pra você gostar de mim
-------------------------------------------E7
Oh meu bem / Não faz assim comigo não
------------------------------------------------Am
Você tem, você tem / Que me dar seu coração

------------------------------------E7
Meu amor que não posso esquecer
----------------------------------Am
Se dá alegria, faz também sofrer
---------Dm ------------------Am
A minha vida foi sempre assim
-------------------E7------------------- Am
Só chorando mágoas.....que não tem fim

-----------------------------------E7
Essa história de gostar de alguém
--------------------------------Am
Já é mania que as pessoas tem
---------Dm----------------- Am
Se me ajudasse Nosso Senhor
---------------E7 -------------Am
Eu não pensaria mais no amor

Na Pavuna

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Almirante dizia que não chegou a se entusiasmar quando Homero Dornellas lhe mostrou o samba "Na Pavuna", pedindo-lhe para completar a letra e, possivelmente, gravá-lo com o Bando de Tangarás. Depois, analisando melhor, ele concluiu que, apesar de seu aspecto simplório, a composição prestava-se muito bem para um tipo de acompanhamento, ainda inédito em gravações, e que consistia no uso de muita percussão, com instrumentos utilizados em blocos carnavalescos.

Foi assim que, em clima de grande animação, realizou-se a gravação deste samba com pandeiros, cuícas, tamborins, surdo e ganzá, percutidos por componentes de escolas de samba, gente que entendia do assunto.
O amplo sucesso de "Na Pavuna", a preferida do público no Carnaval de 30, veio provar que Almirante tinha razão ao levar para o estúdio aqueles instrumentos que, a partir daí, tiveram lugar certo nas orquestras brasileiras. O disco derrubou ainda um tabu, existente na época, de que o som de surdos e tamborins "sujava" as gravações. Detalhe curioso: "Na Pavuna" está classificado no selo do disco como "choro de rua no Carnaval".

Na Pavuna (samba/carnaval) - 1930 (Almirante e Homero Dornellas)
D
Na Pavuna, bum, bum, bum
Na Pavuna, bum, bum, bum
------------------------B7- E7- A7- D
Tem um samba, que só dá gente reiúna
-------------B7---- E7---- A7------ D
O malandro que só canta com harmonia
--------------B7----- E7------- A7-- D---- D7
Quando está metido em samba de arrelia
---------G --------Gm---- D-------- B7
Faz batuque assim no seu tamborim
---------E7---- A7 --------D -------D7
Com o seu time enfezando o batedor
----------G ------Gm------ D------- B7
E grita a negrada vem pra batucada
------------E7-------- A7----------- D
Que de samba na Pavuna tem doutor

----------B7-------- E7 -----A7------ D
Na Pavuna tem escola para o samba
----------------B7------- E7--- A7-- D--- D7
Quem não passa pela escola não é bamba
------G------ Gm------- D----- B7
Na Pavuna tem canjerê também
------------E7------------- A7-------- D--- D7
Tem macumba, tem mandinga e candomblé
-----G-------- Gm------ D------ B7
Gente da Pavuna só nasce turuna
--------E7------ A7---------------- D
É por isso que lá não nasce "mulhé"

Já é demais

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Já é demais - 1930 (Sinhô)
Já é demais!
Meu bem, já é demais!
Deves dar fim a este modo de pensar
Basta de queixumes e ciúmes
Eu já notei que tu queres me acabar

Será que a santa de minha devoção
Abandonou o meu pobre coração?
Na tristonha solidão da futura traição
Da dor de uma paixão

Dá nela

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Um incidente de rua em que populares gritavam "dá nela", ameaçando bater numa mulher, acabou fornecendo o mote para Ary Barroso escrever esta marchinha, vencedora do concurso de músicas para o carnaval de 30.

Embora longe de ser um primor de composição - foi escrita às pressas, no dia do concurso -, "Dá Nela" caiu logo no gosto do povo, sendo aproveitada num espetáculo de revista a que deu nome.

Mas, como sempre acontece em competições musicais, houve quem não gostasse de sua vitória, no caso o polêmico Sinhô que, com o pseudônimo de Zé Baião, replicou com o samba Dá nele, que começava com o verso "Esses mineiros vem pra cá com a mania de abafar".

Dá Nela (marcha/carnaval) - 1930 (Ary Barroso)----clique para ouvir amostra da música

E
Esta mulher
------------------------------B7
Há muito tempo me provoca
------------------E
Dá nela! Dá nela!
É perigosa
---------------------------B7
Fala mais que pata choca
----------------E -----E7
Dá nela! Dá nela!

--A -----Am------------ E
Fala,------ língua de trapo
C#7------------ F#7
Pois da tua boca
-------B7------ E (bis: E7)
Eu não escapo

------------------------------------B7
Agora deu para falar abertamente
------------------E
Dá nela! Dá nela!
É intrigante
-----------------------------B7
Tem veneno e mata a gente
-----------------E -------E7
Dá nela! Dá nela!

Linda flor

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Além de ser uma bela composição, "Linda Flor" entra para a história da música popular brasileira como o primeiro samba-canção a fazer sucesso. Mas até conquistar a preferência do público, esta composição recebeu três versões de diferentes letristas: a primeira, de Cândido Costa, com o título de "Linda flor", lançada por Dulce de Almeida na comédia A Verdade do Meio Dia e gravada por Vicente Celestino; a segunda, de Freire Júnior, com o título de Meiga Flor, gravada por Francisco Alves; e a terceira e definitiva, de Luiz Peixoto, cantada por Araci Cortes na revista Miss Brasil e no disco, com o título de Iaiá, mas que se tornou conhecida como Ai, Ioiô.

Na realidade, essa terceira versão só existiu porque Araci rejeitou as anteriores. Como a canção estava no repertório de Miss Brasil, o libretista da peça, Luiz Peixoto, teve de criar às pressas os novos versos, que foram escritos no intervalo de um ensaio, em pleno palco do Teatro Recreio.

Bem feminina, Linda Flor tem entre suas intérpretes algumas deusas da canção brasileira como Isaura Garcia, Elizeth Cardoso, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Zezé Gonzaga e, naturalmente, Araci Cortes, que a popularizou. Como curiosidade, para os que acham que o termo "samba-canção" só surgiu em meados dos anos trinta, reproduzimos uma nota publicada no n° 16, de 30 de março de 1929, da revista Phonoarte: "Yayá (Linda Flor), o samba canção que todos conhecem e que, no último Carnaval, foi um dos seus mais ruidosos sucessos, acha-se impresso pela Casa Vieira Machado".

Linda flor (samba-canção) - 1929---- clique para ouvir amostra da música
- Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto
--------C--------- G7------ C
Ai Ioiô, eu nasci pra sofrer
--------G7------ A7-- A7/5+-------- Dm7 Bb7 Dm6
Fui oiá prá você / Meus oinho fechô
-----------------Bb7---- Dm Bb7 Dm6
E quando os oio eu abri
-----------Bb7----- G7
Quis gritá quis fugí
-----------------------C ---------Db0--------- Dm---- G7
Mas você não sei porque, você------ me chamou
--------C---------- G7----- C
Ai, Ioiô, tenha pena de mim
------------G7------ A7-------- A7/5+ -------Dm7 A7 Dm
Meu Senhor do Bon . . .fim pode inté se zangar
Ab--------------- C----- Bb7
Se Ele um dia sou . . .ber
-----------A7 -----D7 ---G7 ----C --Fm ---C
Que você é que é o Ioiô de Iaiá
------------------D7-------------- G
Chorei toda noi . . .te pensei
-----------B7----------------------- E7
Nos beijos de amor que eu te dei
------------------Am ----------D7----- G
Ioiô meu benzinho do meu cora . . .ção
--------E7 --------A7--------------- D7----- G
Me leva prá casa me deixa mais não
------------------D7----------- G
Chorei toda noi . . .te pensei
--------------------B7----------------- E7
Nos beijos de amor que eu te dei
-----------------Am ------------D7 ----------G
Ioiô meu benzi . . .nho / Do meu cora . . .ção
---------E7 ------A7 ------D7-------- G--- Cm--- G
Me leva prá casa me deixa mais não

Jura

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"Jura" é o maior sucesso de Sinhô. Bem representativo da última e melhor fase do compositor, mostra algumas características marcantes de seu estilo, como a repetição de palavras no início do estribilho- "Jura, jura, jura..." -, com orações que trausbordam de um verso para outro, e o decantado pernosticismo, presente, mais uma vez, na atrevida imagem do "beijo puro da catedral do amor". Tudo isso sobre um fraseado musical simples, original, ao mesmo tempo alegre e sentimental, entrecortado de síncopes, uma herança do maxixe.

Lançado por Araci Cortes na revista Microlândia, reprisado em Miss Brasil, e gravado simultâneamente por Araci e Mário Reis, em fins de 1928, "Jura" foi uma das músicas mais cantadas no Brasíl nos anos seguintes. O jornalista Jota Efegê (João Ferreira Gomes), que assistiu a estréia de "Jura" no teatro, relembrou o fato em interessante artigo publicado em O Jornal, muitos anos depois. Conta Efegê que a platéia exigiu a repetição do número várias vezes, tendo Sinhô subido ao palco onde, abraçado a Araci, recebeu do público verdadeira consagração, Detalhe pitoresco ressaltado pelo jornalista foi a maneira como o espanhol Antônio Rada, maestro do espetáculo, "conduzia a orquestra, dançando e fazendo vibrar uma espécie de chocalho, comunicando aos músicos seu allegro molto vivo".

Jura - 1928 - José Barbosa da Silva (Sinhô)----clique para ouvir amostra da música

A6 ---Bm6 --E7(9)------- A6 ----------------E/B
Jura, jura, jura pelo Senhor / Jura pela imagem
---------------B7 --------E7/B------------- E7
Da Santa Cruz do Redentor / Pra ter valor a tua...

A6---- Bm6--E7(9) -------A6--- A7
Jura, jura, jura de coração / Para que um dia
----------------D -------Dm7 A ---------------E7--------- A
Eu possa dar-te o amor / -----Sem mais pensar na ilusão

-----------E7----------- A ------------Bm7------ E7--------- A
Daí então dar-te eu irei / O beijo puro da catedral do amor
-------------------E7------------------ A
Dos sonhos meus / Bem junto aos teus
------------Bm7---------- E7------ A
Para fugirmos das aflições da dor

Gosto que me enrosco

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Gosto que me enrosco - 1928 - Sinhô---clique para ouvir amostra da música

---G -------------D7------------- G
Não se deve amar sem ser amado
-----------------------------Am
É melhor morrer crucificado!
---------------B7--------------------------- Em
Deus nos livre das mulheres de hoje em dia
----------------------A7
Desprezam um homem
-----------------------D7
Só por causa da or - gia!

---Am----------------- D7----------- G
Gosto que me enrosco de ouvir dizer
------G7--------------------------- C
Que a parte mais fraca é a mulher
-------------Cm------------------- G
Mas o homem com toda a fortaleza
---------E7------- Am--------- D7----- G
Desce da nobreza e faz o que ela quer!

----G-------------- D7----------- G
Dizem que a mulher é parte fraca ...
------------------------------------Am
Nisto é que eu não posso acreditar
-------------B7------------------- Em
Entre beijos, e abraços e carinhos ...
----------------------A7
O homem não tendo
------------------------D7
É bem capaz de roubar (Estrib.)

Gavião calçudo

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Autor principalmente de música instrumental, Pixinguinha deixou poucos sambas, dentre os quais se destaca "Gavião Calçudo". Com muito espírito e alguma malícia, a letra - atribuída a Cícero de Almeida - trata de um "gavião marvado", que rouba a mulher do protagonista.

Para completar, critica a liberalidade de alguns maridos descuidados: "Os culpado disso tudo / são os marido d'agora / as mulhé anda na rua / com as canela de fora / o gavião toma cheiro / vem descendo sem demora / garra ela pelo bico / bate asa e vão-se embora...". O samba foi sucesso na voz de Patrício Teixeira, que o gravou duas vezes em 1929.

Gavião Calçudo - Pixinguinha e Cícero de Almeida---clique para ouvir amostra da música

---- A-D----E7----A
Chorei, porque
F#m--Bm-------E7-D/F#--E/G#--A--A7--D
Fi....quei sem meu a.....mor
-------D/F# -Dm/F-A/E
O gavião mal.....vado
--A----F#7/A#----B7
Bateu asa foi com ela,
-----E7----A
E me deixou
--------A------C#7/G#---F#m
Quem tiver mulher bonita
A7M/E-----D-----F#7/C#----Bm
Escon.....da do ga.........vião
----E/G#-----D/F# --E7
Ele tem unha comprida
--D--------E7--------A
Deixa os marido na mão
-------A------C#7/G#---F#7
Mas viva quem é solteiro!
--------D -----F#7/C#---Bm
Não tem amor nem paixão
---------D------D#º----A/E
Mas vocês que são casado
F#7----Bm----E7----A
Cuidado com o gavião
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Dorinha, meu amor

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Depois de obter vários sucessos em tempo de marcha - todos com nomes femininos: "Zizinha", "Dondoca", "Lili" -, José Francisco de Freitas resolveu mudar de gênero, apresentando em ritmo de samba "Dorinha, Meu Amor", sua heroína para o carnaval de 29.

E tal como as antecessoras, "Dorinha" foi grande sucesso, com um detalhe a mais: ressuscitou vinte e oito anos depois, numa reedição da gravação original, entrando por algumas semanas na relação das mais tocadas nas rádios.

Além de usar o teatro de revista, Freitinhas tinha um método muito eficaz para divulgar suas composições: percorria o corso e as batalhas de confete da cidade, com uma bandinha executando as músicas e distribuindo as letras aos foliões.

Dorinha, meu amor (samba/carnaval, 1929) - Freitinhas--clique para ouvir amostra da música
------C
Dorinha meu amor
---------------C/E---Ebº-- Dm
Porque me fazes cho...rar?
E sou um pecador
------------G7---------C
E sofro só por te amar
--------- E7
Não sei qual a razão
----------------- Am
Que eu sofro tanto assim
--------- E7-----------Am
Castigo sim, castigo sim
--------E7
Imploro a Deus
------------------ Am
Para vencer o teu amor
-----------E7------ Am
O teu amor, amor


------- E7
Dorinha juro que
------------Am
Só pensarei em ti
------- E7
Somente em ti
-----Am
Somente em ti
-------E7
Só tu que podes dar
-------- Am
Alívio a esta dor
-----------E7----------Am
Ao teu cantor, cantor

Casa de caboclo

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Os versos desta canção "Numa casa de caboco / um é pouco / dois é bom / três é demais", consagraram-se como um verdadeiro dito popular. Este fato, por si só, comprova a grande popularidade alcançada pela composição, que tornou conhecido o seu lançador, o então jovem cantor Gastão Formenti.
Autores de "Casa de Caboclo", Hekel Tavares e Luiz Peixoto acabaram inspirando, juntamente com Joubert de Carvalho, uma onda de canções sobre motivos sertanejos, que proliferou no final dos anos vinte. Como acontece muitas vezes a músicas de sucesso, houve à época do lançamento quem considerasse "Casa de Caboclo" plágio de um tema de Chiquinha Gonzaga, levando a discussão aos jornais. Daí a informação que figura em algumas de suas regravações: "Canção baseada em motivos de Chiquinha Gonzaga".

Casa de caboclo - C. Gonzaga, Luiz Peixoto e Heckel Tavares-- clique para ouvir amostra da música

(A)--------- Gb7--------- Bm--------- E7
Você tá vendo essa casinha simplesinha
-----------------------A-- E7-- A
Toda branca de sapê
-------------------------------E---------------- B7
Diz que ela véve no abandono não tem dono
---------------------------E7---- A
E se tem ninguém não vê
-------------Gb7--------- Bm--------------- E7
Uma roseira cobre a banda da varanda
------------------------A----- D
E num pé de cambuçá
-------------------------A--------------- E7
Quando o dia se alevanta Virge Santa
---------------------(A) (E) (A) (Db7) Gbm
Fica assim de sabiá
--------------------------Db7----------------- D7
Deixa falá toda essa gente maldizente
---------------------------Db7------ Gb7
Bem que tem um moradô
------------------------------B7 ----------------E7
Sabe quem mora dentro dela Zé Gazela
----------------------(A) (E) (A) (E) A
O maió dos cantadô
----------------Gb7------- Bm --------------E7
Quando Gazela viu siá Rita tão bonita
-----------------------A---- E7---- A
Pôs a mão no coração
---------------------------E------------------ B7
Ela pegou não disse nada deu risada
--------------------------E7----- A
Pondo os oinho no chão
------------Gb7----------- Bm --------------E7
E se casaram, mas um dia, que agonia
-----------------------------A ----------D
Quando em casa ele voltou
-----------------------A---------------- E7
Zé Gazela via siá Rita muito aflita
----------------------A (E) (A) (Db7) Gbm
Tava lá Mané Sinhô
---------------------------Db7-------------------- Gbm
Tem duas cruz entrelaçada bem na estrada
-----------------------Db7---- Gb7
Escrevero por detrás:
-----------------------B7----------------- E7
“Numa casa de caboclo um é pouco
--------------------------(A) (E) (A)
Dois é bom, três é demais”

Cansei

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No ano de 1929, Sinhô, em São Paulo, participa da campanha eleitoral de Júlio Prestes e se apresenta no Teatro Municipal, onde mostra a nova composição Cansei:

Cansei - 1929 - (José Barbosa da Silva - Sinhô) (clique música)

Cansei, cansei / Cansei de te querer
Pois fui de plaga em plaga / O ale do além
Numa esperança vaga / E eu pude compreender
Por que cansei / Cansei de padecer
Pois lá ouvi de Deus / A Sua voz dizer
Que eu não vim ao mundo
Somente com o fito eterno de sofrer

Quis assim a sorte evitar a dor
Deste que te quis como todo o seu calor
Numa verdadeira fonte de valor
Que jamais se inspira nesse amor

Amor de malandro

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Amor de malandro - 1929

F#m----- C#7
Vem, vem
--------------------------------F#m----- F#7
Que eu dou tudo a você
---Bm------------ A
Menos vaidade
--------------F#7---- Bm
Tenho vontade
---------------E7-------- A----C#7
Mas é que não pode ser

-------F#m ------------G#7
O amor é o do malandro
Oh! Meu bem
-------C#7---------------- F#m---- F#7
Melhor do que ele ninguém
-------------Bm
Se ele te bate
----------------------F#m
É porque gosta de ti
Pois bater-se em quem
------------G#7
Não se gosta
----C#7---- F#m
Eu nunca vi

Sabiá

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Sabiá - 1928 - Sinhô--- clique para ouvir amostra da música
Sabiá, sabiá cantou na mata / e anunciou chiu, chiu
No melhor de minha vida / meu amor fugiu

Procurei me aproximar / do sabiá encantador
Sentindo o meu pisar / fez tal qual o meu amor
Quem roubou o meu sossego / a Deus eu fiz entregar
Ainda hei de ver um dia / alguém por mim se vingar

Papagaio, maitaca / piriquito, sabiá
quando cantam faz saudade / dos carinhos de Iaiá

Pinião

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Os Turunas da Mauricéia, conjunto vocal e instrumental de Recife PE, era formado por Luperce Miranda, Augusto Calheiros, Manuel de Lima, Piriquito e Romualdo Miranda. Em 1927 viajaram ao Rio de Janeiro (sem Luperce Miranda), apresentando-se na Rádio Clube cantando cocos e emboladas, ritmos até então pouco divulgados entre os cariocas, obtendo grande sucesso.


Gravaram Helena (Luperce Miranda) e a embolada Pinião (Luperce Miranda e Augusto Calheiros), esta logo cantada em toda a cidade, tornando o grande sucesso do Carnaval de 1928.

Pinião (embolada / carnaval - 1928) - Luperce Miranda e Augusto Calheiros

------D----- A7----- D
Pinião, pinião, pinião, oi
-------------A7------------------- D
Pinto correu com medo do gavião
-----------------A7------------ D
Por isso mesmo o sabiá cantô
B7/F#----------- E7/D ------------A7
Bateu asa e voou e foi comê melão

-------------D --------A7---------- D
Essa sumana o gavião lá dos oitero
---------------------- Em7-------- A7-------- D
Chegou lá no meu terreiro biliscando pulo chão
------------A7----------------------- D
E um pintinho que tava jun’da galinha
B7/F# ----------------E7/D---------------- ---A7
Foi correndo pa cozinha com medo do gavião

---------------D --------------A7------- D
No meu terreiro tinha um pé de araçá
-------------------- Em7--- A7 -------D
Onde um sabiá-gongá fazia seu plantão
-------------A7------------------ D
Um dia desse ela tava descuidada
------B7/F#--------- E7/D -----------------A7
Quase morre degolada nas unha do gavião

---------D --------A7---------- D
O gavião é um bicho carniceiro
---------------------Em7 ------------A7 ----------D
Quando bate num poleiro come os pinto qu’ele qué
-------------A7------------------------ D
Um dia desse um se trepou lá na mesa
---------B7/F# --------E7/D----------------- A7
Nunca vi tanta afoiteza, biliscou minha muié

-------------D ------------A7 -----------D
Minha muié se assombrou-se nesse dia
-------------------- Em7--------- A7----------- D
Quase morre de agonia com uma dô no coração
------------A7---------------------- D
Gritava tanto cus dois óio abuticado
--------B7/F#---------- E7/D----------------- A7
Até que eu fiquei vexado cum medo do gavião

Não quero saber mais dela

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Não quero saber mais dela - 1927 -Sinhô---clique para ouvir amostra da música

Por que foi que tu deixaste / Nossa casa na favela
Não quero saber mais dela / Não quero saber mais dela

A casa que eu te dei / Tem uma porta e uma janela
Também não quero saber mais dela
Também não quero saber mais dela

Português, tu não me invoca / Me arrespeita, eu sou donzela
Não vou na sua potoca / Nem vou morar na favela

Eu bem sei que tu és donzela / Mas isto é uma coisa à toa
Mulata, lá na favela / Mora muita gente boa

Aquela crioulinha / Que tu dava tanto nela
Não quero saber mais dela / Não quero saber mais dela

E aquela portuguesa / Que tu te casou com ela
Também não quero saber mais dela
Também não quero saber mais dela

Lamentos

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Lamentos - Pixinguinha e Vinícius de Moraes--- clique para ouvir amostra da música

Introdução:G G7 C C#º G/D A7 D7 G D7

G---------------
Morena tem pena
--------G7+--------- G#º-- E7/9-
Mas ouve o meu lamen...to
Am7--------------F#m7/5- B7
Tento em vão
-------Em------------- C#m7/5- F#7
Te esquecer
--------B7+-------- G#m7 --C#m7 F#7
Mas olha, o meu tormento
----B7 ----------E7 --------Am7
É tanto, que eu vivo em pranto,
--------D7----- G7
Sou todo infeliz
Dm7------ G7--------- C ----Cm6---- G
Não há coisa mais triste, meu benzinho,
Em7--------- Am7----- D7---- G--- B7
Que este chorinho que eu te fiz


Em Em/D# Em/D Em/C# E7/9- Am Am/G# Am/G Am/F# B7 F#m7/5- B7 Em Em7 C7+ C7 F#m B7 Am7 C7 B7 Em/B Eb/Bb Am7/11 D7

G------------
Sozinho, morena
-----G7+------------G#º E7/9-
Você nem tem mais pe...na
Am7-------------F#m7/5- B7
Ai, meu bem
-----Em-------C#m7/5- F#7
Fiquei tão só
-------B7+ -----G#m7 C#m7 F#7
Tem dó, tem dó de mim
------ B7--------E7------ Am7
Porque estou triste assim
------ D7-------- G7
Por amor de você
Dm7-------- G7 -------- C -------Cm6 G
Não há coisa mais linda neste mundo
Em7----------- Am7----- D7 -- G
Que o meu carinho por você
--------- G7 ------ C
Meu amor, tem dó
-------- C#º------ G/D A7 D7 G
Meu amor, tem dó

Deus nos livre dos castigos das mulheres

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Deus nos livre dos castigos das mulheres - 1928 - Sinhô-clique para ouvir amostra da música


Deus criador / Fez da mulher o seu divino resplendor
Só por ser a parte fraca / Deu-lhe o poder de convencer
(Este sexo mau que deve padecer)

E sofrer / Pela razão de se julgar superior
Quando conseguem, preso o amor
Fazem do mesmo uma peteca (sem ser)
Só pra ver a mulher padecer

Mas o amor é uma prece / Que o homem desconhece
E só procura conhecer / Quando do mesmo mal
Venha a sofrer

Eis a razão que eu sempre peço / A Jesus pra me livrar
Dos castigos da mulher / Que um dia os olhos meus
Venham a gostar

Cabide de molambo

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Cabide de molambo - 1928 - João da Baiana---clique para ouvir amostra da música

Meu Deus eu ando / Com o sapato furado
Tenho a mania / De andar engravatado
A minha cama / É um pedaço de esteira
E é uma lata velha / Que me serve de cadeira
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

Minha camisa / Foi encontrada na praia
A gravata foi achada / Na Ilha da Sapucaia
Meu terno branco / Parece casca de alho
Foi a deixa de um cadáver / Do acidente no trabalho
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

O meu chapéu / Foi de um pobre surdo e mudo
As botinas foi de um velho / Da revolta de Canudos
Quando eu saio a passeio / As damas ficam falando
Trabalhei tanto na vida / Pro malandro estar gozando
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

A refeição / É que é interessante
Na tendinha do Tinoco / No pedir eu sou constante
E o português / Meu amigo sem orgulho
Me sacode o caldo grosso / Carregado no entulho

Amar a uma só mulher

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Em "Amar a Uma Só Mulher" Sinhô faz a apologia da fidelidade no amor, virtude que jamais praticou. E o faz na forma de sempre, com versos pitorescos, impregnados de um lirismo simplório, bem característico de seu estilo: "Quem pintou o amor foi um ceguinho / mas não disse a cor que ele tem / penso que só Deus dizer-nos vem ensinando com carinho / a pura cor do querer bem..."
Dedicado ao poeta Álvaro Moreira, cuja casa em Copacabana era freqüentada por Sinhô, este samba foi lançado na revista Língua de Sogra, em janeiro de 28, ao mesmo tempo em que era gravado por Francisco Alves. "Amar a Uma Só Mulher" assemelha-se nos compassos iniciais à canção "La vie en rose". Mas, se plágio existe no caso, é de Pierre Louiguy, autor da melodia francesa, composta dezesseis anos depois da morte de Sinhô.
Amar a uma só mulher – 1927 - Sinhô--- clique para ouvir amostra da música

Amar a uma só mulher
deixando as outras todas sempre em vão
Pois a uma só a gente quer
com todo fervor do coração

Quem pintou o amor foi um ceguinho
mas não disse a cor que ele tem
Penso que só Deus dizer-nos vem
ensinando com carinho
a pura cor do querer bem

Quem pintou o amor foi bem querido
Decorou também a ingratidão
e deixou rascunhos da paixão
como lema preferido
a uma só no coração

A voz do violão

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Em julho de 28, a Companhia Trololó, de Jardel Jercolis, estreou no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, a revista Não É Isso Que Eu Procuro. Muito ruim, a peça saiu logo de cartaz, deixando, porém, uma canção, "A Voz do Violão", da maior importância no repertório de seu criador, Francisco Alves. Esta composição nasceu quase por acaso, a partir de uns versos de Horácio Campos, libretista da peça, que chegaram ao conhecimento de Chico através de Jardel. Entusiasmado com o poema, o cantor pegou o violão e só sossegou quando dias depois aprontou a melodia, por sinal muito boa.

Aliás, em que pese o fato de ter comprado sambas no início da carreira, Francisco Alves deixou algumas boas canções realmente de sua autoria. "A Voz do Violão" foi gravada comercialmente por Alves quatro vezes: a primeira na Parlophon, em 1928, e as três seguintes na Odeon, sendo a última em 1951. Há ainda uma quinta gravação, realizada num programa da Rádio Nacional que foi editada em disco pela empresa Collector's.


A voz do violão (valsa-canção - 1928)----clique para ouvir amostra da música

- Francisco Alves e Horário Campos



------------E ------------B7-------------- E------- D7(3a.casa)--- Db7----------- Gbm
Não queiras, meu amor, saber da mágoa/Que sinto quando a relembrar-te estou
-----A --------------Ebo ----B7 ----------E------ D7------ Db7
Atestam-te os meus ---olhos rasos d’água
------Gb7 ------------B7----------=- E
A dor que a tua ausência me causou.


-----E ----------B7------------- E---------D7--------------- Db7-------------- Gbm
Saudades infinitas me devoram, / --Lembranças do teu vulto que . . . nem sei!
------------A -------Eb0----- B7----- E -D7--Db7 ------Gb7-------- B7----------- E
Meus olhos incessantemente choram /---- ------As horas de prazer que já gozei

-------Ab7------------------------ Dbm-------- Gb7----------- B7------ E
Porém neste abandono interminável / No espinho de tão negra solidão
---------D7------------ Db7--------- Gb7 -----------Ebo---------- B7---------- E
Eu tenho um companheiro inseparável /---- Na voz do meu plangente violão

--------E ---------B7------------- E------- D7 ---------Db7---------- Gbm
Deixaste-me sozinho e lá distante, / Alheio à imensidão de minha dor,
--------A ---------Ebo---- B7 -----------------E D7 Db7 -------Gb7-------- B7------ E
Esqueces que ainda existe um peito amante / --Que chora o teu carinho sedutor

--------E---------------- B7--------- E--- D7------------- Db7------- Gbm
No azul sem fim do espaço iluminado / ------Ao léo do vento se desfaz
--------A ------Ebo----- B7------- E -D7- Db7 ----------Gb7---------- B7--------- E
A queixa deste amor desesperado /------- Que o peito em mil pedaços me desfaz
(estribilho)

A favela vai abaixo

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Contratado pelo prefeito Prado Júnior, o urbanista Alfred Agache elaborou, em 1927, um extenso plano de remodelação da cidade do Rio de Janeiro, que incluía a demolição do morro da Favela, situado próximo da zona portuária. Muito discutido pela imprensa, o projeto inspiraria o samba "A Favela Vai Abaixo", no qual Sinhô protestava contra a ameaça de desabrigo dos moradores: "Minha cabrocha, a Favela vai abaixo / quanta saudade tu terás deste torrão / (...) / vê agora a ingratidão da humanidade / (...) / impondo o desabrigo ao nosso povo da Favela".
Contava o poeta Luís Peixoto que o compositor, valendo-se de sua popularidade, chegou a pedir a um ministro de estado sua intercessão junto ao prefeito para que a demolição não se realizasse. Sendo uma das melhores melodias de Sinhô, "A Favela Vai Abaixo" foi destaque numa revista teatral de nome idêntico.
Contrastando com a pesada versão original de Francisco Alves, a composição ganhou uma graça especial, bem mais fiel ao estilo do autor, na gravação realizada por Mário Reis, em 1951 (álbum de três discos sobre Sinhô, com preciosos arranjos de Radamés Gnattali). Isso leva a crer que, na dupla formada pelos dois cantores, nos idos de trinta, foi benéfica a influência de Mário sobre Chico, ajudando-o a se desfazer do ranço operístico, incompatível com a interpretação de sambas como este.
A favela vai abaixo – 1927 - Sinhô ---clique para ouvir amostra da música

Minha cabocla, a Favela vai abaixo
Quanta saudade tu terás deste torrão
Da casinha pequenina de madeira
que nos enche de carinho o coração

Que saudades ao nos lembrarmos das promessas
que fizemos constantemente na capela
Pra que Deus nunca deixe de olhar
por nós da malandragem e pelo morro da Favela
Vê agora a ingratidão da humanidade
O poder da flor sumítica, amarela
quem sem brilho vive pela cidade
impondo o desabrigo ao nosso povo da Favela

Minha cabocla, a Favela vai abaixo
Ajunta os troço, vamo embora pro Bangú
Buraco Quente, adeus pra sempre meu Buraco
Eu só te esqueço no buraco do Caju

Isto deve ser despeito dessa gente
porque o samba não se passa para ela
Porque lá o luar é diferente
Não é como o luar que se vê desta Favela
No Estácio, Querosene ou no Salgueiro
meu mulato não te espero na janela
Vou morar na Cidade Nova
pra voltar meu coração para o morro da Favela

Rapaziada do Brás

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Nenhuma música evoca melhor a velha São Paulo provinciana do início do século do que a valsa "Rapaziada do Brás". Composta em 1917 pelo futuro maestro Alberto Marino, então um menino de quinze anos, "Rapaziada do Brás" se tornaria conhecida no final da década seguinte, quando teve seu primeiro disco.
Muito bem estruturada no gênero em que foi concebida nem parece obra de um principiante -, a composição é essencialmente instrumental, forma em que aparece na maioria das gravações, embora possua letra. Uma homenagem à rapaziada do bairro de infância e adolescência do autor, serviu ainda de inspiração a outras valsas bairristas, como "Rapaziada da Moóca" e "Rapaziada do Bom Retiro".
Rapaziada do Brás (valsa - 1917) - Alberto Marino---clique para ouvir amostra da música

-----Em---------- B7--------- Em------------------------------- B7
Lembrar, deixem-me lembrar / meus tempos de rapaz no Brás
das noites de serestas / casais de namorados, e as cordas de um violão
----------------------------------------------------------Em
cantando em tom plangente, / Aqueles ternos madrigais.
------------B7 -------------Em -------------------------E7---- Am
Sonhar, deixem-me sonhar, / lembrando aquele amor fugaz.

------------------------------------B7--------------------- Em
Uma sombra em volta da penumbra / por trás da vidraça
-----------------------------------------B7
faz um gesto lânguido, / cheio de graça
----------------------------------------------Em
imagem de um passado / que não volta mais.

------------B7-------------------------------------------- Em
Tão somente uma recordação / restou daquele grande amor
-------------------B7---------------------- Em
daquela noite de luar / daquela juventude em flor
----------------B7----------------------------------------- Em
E hoje os anos correm muito mais / e a vida já não tem valor

Malandrinha

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Malandrinha (canção - 1927) - Freire Júnior---clique para ouvir amostra da música


(Am)------E7------------------- Am
A lua vem surgindo cor de prata
---------A7--------------------- Dm
No alto da montanha verdejante
-------------------Dm6---------- Am
A lira de um cantor em serenata
--------B7--------------------- E7
Reclama na janela a sua amante
------------------------------Am
Ao som da melodia apaixonada
-----------A7------------------- Dm
Das cordas de um sonoro violão
---------------------Dm6---------- Am
Confessa um seresteiro à sua amada
-------B7 --------E7 ----------Am (E) (Am)
O que dentro lhe dita o coração

--------------Am------------------------ E7-------------------------------------- Am
Ò linda imagem de mulher que me seduz / Ah se eu pudesse tu estarias num altar
-----------A7------------------------- Dm---------- Am-------------------- E7-- Am
És a rainha dos meus sonhos, és a luz / És malandrinha não precisas trabalhar

--------E7-------------------- Am ----A7------------------- Dm
Acorda minha bela namorada / A lua nos convida a passear
-------------------Dm6------------ Am----------B7-------------------- E7
Seus raios iluminam toda a estrada / Por onde nós havemos de passar
---------------------------------Am--------A7------------------------------ Dm
A rua está deserta, ò vem querida / Ouvir bem junto a mim, o som do pinho
-----------------------Dm6------- Am--------B7----------- E7 -------------Am-- E7
E quando a madrugada, já surgida / Os pombos voltarão para seus ninhos

--------------Am
Ò linda imagem de mulher . . . . . . . .

Zizinha

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A melodia simples, o ritmo alegre, saltitante, a letra satírica, bem humorada, com pitadas de malícia ( "Zizinha / Zizinha / Zizinha / Zizinha / Ô vem comigo / Vem minha santinha / Também quero / Tirar uma casquinha...."), enfim, as principais características da marcha carnavalesca já estão presentes em "Zizinha" e outras peças do gênero lançadas na década de 1920.
De diferente mesmo das marchas que vieram nas décadas seguintes, pode-se notar somente uma certa analogia rítmica com o fox-trote e o charleston. Zizinha tem entre seus autores José Francisco de Freitas, um dos principais responsáveis pela fixação da marchinha.
Zizinha - 1926 - José Francisco de Freitas

Por ser deveras conhecida / palavra, eu ando aborrecida
em qualquer lugar / quando passear
sou muito perseguida / o meu tormento não tem fim
nunca pensei sofrer assim / velhos e mocinhos
pedem-me beijinhos / dizendo, enfim , prá mim

Zizinha, Zizinha / Zizinha, Zizinha
ó, vem comigo, vem / minha santinha
também quero tirar uma casquinha

Noutro dia num bondinho / um coronel muito velhinho
deu-me um beliscão / pegou-me na mão
tais coisas fez enfim / que quando olhei admirada
até parece caçoada / ainda suspirou
os olhos revirou / dizendo assim prá mim

Zizinha, Zizinha...

Pinta, pinta melindrosa

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Pinta, pinta melindrosa (marcha/carnaval - 1926) - Freire Júnior

A pintura está na moda hoje em dia / Bem resolve os caprichos da mulher / Dá-lhe o sangue que lhe rouba a anemia / Dá-lhe o novo que a beleza lhe requer

Pinta, pinta, pinta, pinta melindrosa / Pinta, pinta, pinta, pinta , pinta bem / Quem não torna suas faces cor-de-rosa / Pinta o sete lá na rua com alguém

Olhos negros, lábios rubros, tez rosada / Predicados exigidos pra beleza / Uns beijinhos numa boca bem pintada / Põe da gente para sempre a alma presa

Quem não gosta de uma boca bem corada / Quem não gosta de nas tintas carregar / Se procuras das velhotas as fachadas / Hoje em dia a pintura reformar

Paulista de Macaé

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O presidente eleito em 1926, Washington Luís, embora tivesse feito carreira política em São Paulo, nascera no Estado do Rio, na cidade de Macaé. Daí o título da música. Depois de quatro anos de estado de sítio sob Artur Bernardes, o novo governo foi recebido pelo povo com alívio e otimismo. Mesmo assim, há preocupação com a desvalorização do cruzeiro.

Três explicações: a) o Palácio do Catete também era chamado de Palácio das Águias; b) o Caju é um dos mais importantes cemitérios do Rio; c) Jahú é o nome do avião que realizou a primeira travessia aérea do Oceano Atlântico, entre a África e o Brasil, em 1927.

Há outra versão dessa mesma música, em que se faz elogios a Washington Luís e críticas a Artur Bernardes, que foi cantada na peça de teatro-revista “Prestes a chegar”, de Marques Porto e Luiz Peixoto. Diz ela: “Paulista de Macaé/ O homem de fato é/ E no Palácio das Águias, olé/ Com o povo ele pôs o pé/ Se a rua piso/ Com o sorriso/ Democrático/ Té me chamam de simpático/ E chego a encabular/ Isso porque vivo/ Tranqüilo e não me aflijo/ E em vez de Ilha do Rijo/ Busco o seio popular”. Na ilha do Rijo, na Baía de Guanabara, funcionavam instalações da Marinha.


Paulista de Macaé (1926) - Pedro de Sá Pereira

Nosso dinheiro, o cruzeiro, / Vai subindo,
Enquanto o câmbio vai caindo, / Dando ao povo o que falar.

E a oposição, / Que não perde a ocasião,
De respeito perde o jeito / E diz que a coisa vai quebrar.

Paulista de Macaé, / O homem de fato é.
E no Palácio das Águias, olé / Com o povo ele pôs o pé.

E a Prefeitura, / Sinecura desta terra,
Contra o qual o povo berra, / Faça chuva ou faça sol,

Tem um paulista / Pra que assista na cidade
Essa grande novidade / Que se chama futebol

E na Central / Que tanto morre altercaçando
E o povo vai camurçando / Direitinho pro Caju.

Se queres favor / Que mais arderam no concurso
Pelo ar vou viajar / Quando chegar o Jahú

Fonte: Franklin Martins - Site Oficial

Passarinho do Má

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Foi só o presidente Artur Bernardes, que governou o país sob estado de sítio de 1922 a 1926, deixar o Palácio do Catete para receber o troco. O "passarinho do mal", responsável por todos os males do mundo, não era outro senão o "Rolinha", apelido maldoso dado pelo povo a Bernardes. Ao final, registra-se a letra de três estrofes - bem mais pesadas - que não foram gravadas por Chico Alves.

Passarinho do Má (samba - 1926) - Antonio Lopes do Amorim Diniz (Duque)

Passarinho do má tava cá / Não havia maneira de enxotá (Bis)
Meu roçado de mio, secô / Meu cavalo de sela, mancô.
Meu cachorro de caça, danô / Minha sogra de longe, vortô.

Passarinho do má tava cá / Não havia maneira de enxotá (Bis)
A corrente de prata, partiu / O relógio na pedra, caiu.
O dinheiro no borso, sumiu / A muié que eu gostava, fugiu.

Passarinho do má tava cá / Não havia maneira de enxotá (Bis)
Água suja do monte, desceu / O riacho num instante, cresceu.
O porquinho que tinha, morreu / A muié a vergonha, perdeu.


As três estrofes que Francisco Alves não gravou são as seguintes:

A geada os legume secô / O alambique do monte, quebrô.
Vento sul deu nas cana, estragô / A cachaça na roça, acabô.

Estou vendo daqui toda gente / Com um sorriso feliz e contente.
Pois chegou ao Brasil finalmente / O Jahú(1), que é a glória da gente.

Passarinho do má já vuô / Ninguém sabe onde pousô
Passarinho do má se vortá / Espingarda taí pra matá.

(1) Nome do avião que, em 1927, realizou o primeiro vôo de travessia do Atlântico Sul pilotado por brasileiros .

Fonte: Franklin Martins - Site Oficial

Papagaio no poleiro

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Papagaio no poleiro (samba / carnaval - 1926) - J. B. da Silva (Sinhô)

Ai amor! / Ai amor! / Os teus carinhos
Tem meiguice de uma flor

O amor é muito bom / Enquanto a gente tem dinheiro
Se findar esta moeda / Tem papagaio no poleiro

No barraco da saudade / Fui morar com meu benzinho
A moeda se acabou / Eu fiquei falando sozinho

Morro de Mangueira

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Morro de Mangueira (samba - 1926) - Manoel Dias

Eu fui a um samba lá no morro da Mangueira
Uma cabrocha me falou de tal maneira
Não vai fazer como fez o Claudionor
Para sustentar família foi bancar o estivador.

// Ó cabrocha faladeira,/ Que tens tu com a minha vida?
Vai procurar um trabalho/ E corta esta língua comprida

Não tem água na Mangueira / É pau pra virar
É duro subir ladeira / Para em seco namorar

Cristo nasceu na Bahia

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Maxixe de Sebastião Cirino e Duque (1926) gravado na Casa Edison por Arthur Castro. Fez parte da revista Tudo preto, representada pela Companhia Negra de Revistas, no teatro Rialto:

Cristo nasceu na Bahia (Sebastião Cirino e Duque) - 1926---clique para ouvir amostra da música

Dizem que Cristo / Nasceu em Belém
A história se enganou / Cristo nasceu na Bahia, meu bem
E o baiano criou

Na Bahia tem vatapá / Na Bahia tem caruru
Moqueca e arroz-de-auçá / Manga, laranja e caju

Cristo nasceu na Bahia, meu bem / Isto sempre hei de crer
Bahia é terra santa, também / Baiano santo há de ser.

Café com leite

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Poucos textos políticos seriam capazes de explicar de modo tão claro e com tanto talento como eram armadas as eleições para presidente na República Velha como "Café com Leite", música da peça de teatro de revista do mesmo nome que foi encenada no início de 1926.

O mestre cuca, ou seja, o ocupante do Palácio do Catete, convocava os chefes dos executivos estaduais ao Distrito Federal ou mandava emissários aos estados, propunha os nomes dos candidatos a presidente a vice e, ao final desse processo, indicava a chapa oficial. Geralmente, ela era vitoriosa. Apenas em algumas oportunidades, cozinheiros dissidentes opuseram-se frontalmente ao esquema do “café com leite” (São Paulo com Minas) e lançaram chapas alternativas.


Café com leite (maxixe - 1926) - Freire Júnior

Nosso Mestre Cuca movimentou / O Brasil inteiro,
Pois cada um Estado pra cá mandou / O seu cozinheiro.
Mexeu-se a panela, fez-se a comida / Com perfeição.
Assim foi a bóia, bem escolhida / Com precaução

Café paulista, / Leite mineiro,
Nacionalista / Bem brasileiro.

Preto com branco, / Café-com-leite,
Cor democrata , / É preto com branco, meu bem, aceite.
Cor da mulata / O leite é bem grosso, café é forte
Agüenta a mão. / As novas comidas têm que dar sorte
Na situação”.

Fonte: Franklin Martins - Site Oficial

Amor sem dinheiro

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Amor sem dinheiro (maxixe - 1926) - J. B. da Silva (Sinhô)

Amor, Amor / Amor sem dinheiro
Meu bem / Não tem valor

Amor sem dinheiro / É fogo de palha
É casa sem dono / Que mora a canalha

Amor sem dinheiro / É fole sem vento
É fruta passada / Chorar sem lamento

Amor sem dinheiro / É flor que murchou
São quadras sem rimas / Me leva que eu vou

Chuá, chuá

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"Deixa a cidade formosa morena / linda pequena / e volta ao sertão... Estes versos sintetizam o tema de "Chuá, Chuá" - o eterno confronto cidade/sertão -, tema que se repete em vários outros clássicos do repertório nacional.

Destaca-se, porém, nesta canção um estribilho forte ("E a fonte cantá / chuá, chuá / e a água a corrê / chuê, chuê..."), fácil de cantar em terças, residindo aí, talvez, o motivo maior de sua popularidade. Chuá, Chuá foi composto para a revista Comidas, meu Santo, encenada com sucesso no Teatro Recreio, no Rio de Janeiro, de junho a setembro de 1925.

Participantes dessa revista, os autores Pedro de Sá Pereira e Ari Pavão sempre tiveram seus nomes ligados ao meio teatral, o primeiro como maestro e compositor o segundo como libretista.

Chuá, chuá (1925) - Pedro de Sá Pereira e Ari Pavão
--------------E --------Db7---- Gbm ------B7------- Gbm--- B7------ E
Deixa a cidade formosa morena /--- Volta pro ameno e doce sertão
------------Abm7----- Db7---- Gbm -----B7-------- Gbm---- B7------- E
Beber a água da fonte que canta /--- Que se levanta do meio do chão
-----------------------Db7------ Gbm ------B7 --------Gbm --B7- Bm7-- E7
Se tu nasceste cabocla cheirosa /----- Buscando o gozo do seio da terra
---------------A------ D------ Abm --------Db7----- Gbm---- B7------ E
Volta pra vida serena da roça /----- Daquela palhoça do velho sertão

---------------------Db7 ----Gbm -----B7------- Gbm---- B7------ E
A lua branca de cor prateada /---- Faz a jornada no alto dos céus
--------------Abm7------ Db7------ Gbm--- B7 ------Gbm----- B7-------- E
Como se fosse uma pomba altaneira / ---Da cachoeira fazendo escarcéus
-----------------------------Db7----- Gbm ----B7----- Gbm ----B7 -Bm7- E7
Quando essa lua lá na altura distante /---- Lira ofegante no poente a cair
-------------------A ---------D -------Abm7 ---------Db7------ Gbm --------B7----- E
Dá-me essa trova que o pinho descerra / Que eu volto pra serra, que eu quero partir

-----------------Gbm7 --B7 ----Gbm7----- B7--------- E------------- Bm7
E a fonte a cantar: chuá . . .chuá / E as águas a correr: chuá . . .chuê . . .
------E7 ----------A---------- -D ------Abm7 -------Db7 ------Gbm7 ----B7-------- E
Parece que alguém que cheio de mágoa / Deixasse quem há de dizer que a saudade
--------Abm7 --Gbm----- B7------ E
No meio das águas rolando também (bis)

Abismo de rosas

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O grande violonista Canhoto tinha apenas 16 anos quando compôs "Abismo de Rosas", em 1905. A composição era um desabafo a uma decepção amorosa, pois o autor acabara de ser abandonado pela namorada, filha de um escravo. Canhoto realizou três gravações desta valsa: a primeira, com o nome de "Acordes do Violão", lançada no disco Odeon número 121249, em meados de 1916; a segunda, já como "Abismo de Rosas", no disco Odeon 122932, em 1925; e, finalmente, a terceira no disco Odeon 10021- a que fazia parte do suplemento de agosto de 1927, um dos primeiros da era da gravação elétrica no Brasil.

Ressalta nesta terceira gravação seu vibrato característico e inigualável, que ele tirava de um violão de corpo mais fino com braço não muito rígido. Peça obrigatória no repertório de nossos violonistas - de Dilermando Reis a Baden Powell -, "Abismo de Rosas" é considerada o hino nacional do violão brasileiro pelo professor Ronoel Simões, uma autoridade no assunto.

Abismo de rosas (1925) - Canhoto/Letra de João do Sul---clique para ouvir amostra da música


Ao amor em vão fugir / Procurei / Pois tu
Breve me fizeste ouvir / Tua voz, mentira deliciosa
E hoje é meu ideal / Um abismo de rosas
Onde a sonhar / Eu devo, enfim, sofrer e amar !

Mas hoje que importa / Se tu'alma é fria
Meu coração se conforta / Na tua própria agonia
Se há no meu rosto / Um rir de ventura
Que importa / o mudo desgosto
De minha dor assim, / Sem fim

Se minha esperança / O que não se alcança
Sonhou buscar / Devo calar
Hoje, meu sofrer / E jamais dele te dizer
O amor se é puro / Suporta obscuro
Quase a sorrir / A dor de ver,
A mais linda ilusão morrer.

Humilde, bem vês que vou,/ A teus pés levar,
Meu coração que jurou,/ Sempre ser, amigo e dedicado,
Tenha, embora, que viver, / Neste sonho enganado,
Jamais direi, / Que assim vivi, porque te amei !

O cigano

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Nem só de música sertaneja se constitui a obra de Marcelo Tupinambá. Um bom exemplo de seu lado cosmopolita é "O Cigano", uma das primeiras composições brasileiras a receberem a designação de fox-canção. Seguindo a moda de músicas sobre motivos exóticos, que imperava na época, Tupinambá fez em estilo andaluz esta canção, que trata da transitoriedade do amor, através do canto de um misterioso cigano.

Com uma bela melodia (que lembra a composição Oriental, de Patápio Silva) vestindo esta fantasia de gosto duvidoso, O cigano fez sucesso em 1924, quando foi gravado por Vicente Celestino, e 22 anos depois, ao ser revivido por Francisco Alves. Até então, segundo Tupinambá, as edições impressas da canção já haviam vendido mais de cem mil exemplares, o dobro de O matuto, seu segundo maior sucesso. Gastão Barroso, que assina a letra com o pseudônimo de João do Sul, era um amigo de Tupinambá desde os tempos de mocidade.

O Cigano (fox-canção, 1924) - Marcelo Tupinambá e João do Sul-- clique para ouvir amostra da música

Um dia, / Eu em Andaluzia, / Ouvi, um cigano a cantar, / Havia, / No canto a nostalgia, / De castanholas batidas ao luar, / Mas era, / A canção tão singela, / Que eu julguei para mim, / E agora, / Que minh'alma te chora, / Ouve bem, a canção que era assim :

O amor, / Tem a vida da flor, / Não sonhe alguém, / Do seu sonho o colher... / Pois bem, / Como acontece à flor, / O lindo amor, / Principia a morrer.

Cigano, / Que sabias o engano, / Por que me fizeste tão mal? / Não fora, / A canção traidora, / E o meu sonho seria eternal! / Quem há de fugir, / A realidade, / Vem desmentir a ilusão? / E hoje, / Que o teu beijo me foge, / Cantarei, / Do cigano, a canção!